02 Jul 16
A ver o Europeu (9)
Pedro Correia

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Incompetência total. Nem italianos nem alemães mereciam passar às meias-finais do Euro 2016 após um jogo medíocre e sonolento, com a Itália a fechar o ferrolho habitual e a Alemanha a imitar a forma de jogar da squadra azzurra. Em 120 minutos, apenas um golo marcado num lance corrido. Nem parecia que estavam em campo duas selecções que já se sagraram campeãs mundiais por oito vezes (quatro cada).

E nem a série final de penáltis - só desfeita após a marcação de 18 grandes penalidades - desfez esta ideia de mediocridade. Com os italianos a falharem quatro (Zaza, Pellè, Bonucci e Darmian) e os alemães três (Müller a fazer um passe ao guarda-redes Buffon, Özil a mandar a bola ao poste, Schweinsteiger a enviá-la para a bancada). Os falhanços de Pellè e Müller foram os mais caricatos. Passou à tangente a Alemanha, campeã mundial em título, talvez a menos má das duas equipas que se arrastaram em campo.

O nó ficaria desfeito bem mais cedo se Boateng, num erro infantil, não houvesse cometido falta punida com penálti ao saltar dentro da sua grande área com os braços bem abertos: terá sido acometido por uma súbita paralisia cerebral que o levou a confundir futebol com andebol? Iam decorridos 77', Bonucci converteu o castigo máximo sem problemas, a Itália empatava a partida anulando a vantagem alemã registada ao minuto 27. Tinha acontecido aí, na jogada que culminou no golo alemão, o único lance digno de registo da partida: excelente cruzamento de Gomez, assistência do lateral Hector, conversão de Özil com o seu temível pé esquerdo.

E nada mais: bola para trás, bola para o lado, bola novamente para trás. À espera que os minutos se escoassem. O que dirão agora todos aqueles que por cá se indignaram com o desempenho da selecção portuguesa no Portugal-Croácia e no Portugal-Polónia? Comparado com o pífio duelo de gigantes há pouco terminado em Bordéus, a equipa das quinas tem entoado verdadeiros hinos ao futebol.

 

Alemanha, 1 - Itália, 1 (6-5, no desempate por penáltis)


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13 Jun 16
Da vero
José Navarro de Andrade

A grande área de Itália é habitada por 4 canibais que acampam juntos nela já há muitos anos. Qualquer equipa que se veja rebaixada ao estalingrado do último terço do terreno anda por ali ó mãe, ó mãe, com as cuecas na mão e o coração na boca, aos biqueiros para a bancada à espera da estocada fatal que há-de chegar - olha os Checos contra a Espanha...

A Itália não. Os canibais da defesa, todos de Torino e somando um século e um quarto de idade, apesar de se darem por juves, é como estão melhor é quando lhes cai em cima o peso do mundo. O truque é simples: primeiro fazem-se de cristãos e dizem: "deixai vir a mim as crianças!" Cheios de esperança pueril os avançados adversários correm para eles de bola dominada, ou centram-na à confiança; mas, de repente, têm pela frente um comunista, desses dos antigos, que come criancinhas ao pequeno-almoço.

E depois é passar o tempo nisto, os belgas a baterem e baterem na porta da frente e a vê-las entrar duas vezes pela porta das traseiras.

Querem ver que os florentinos dos italianos ainda vão ganhar isto?


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21 Jun 15

Outra boa prestação da selecção portuguesa no Campeonato da Europa de sub-21, arrancando um empate à Itália - que não vencemos desde 1996. E, sobretudo, um resultado que nos permite comandar o nosso grupo (a Inglaterra venceu a Suécia) e aspirar às meias-finais.

Foi um jogo com duas partes distintas. Na primeira, pressão alta dos italianos que pôs à prova a excelência do nosso eixo defensivo e sobretudo dos reflexos do guarda-redes José Sá: custa a crer que continue a jogar nas reservas do Marítimo. Na segunda, Portugal assumiu o comando do jogo, impondo domínio táctico com controlo de bola e maior poderio físico. Os italianos acabaram esgotados.

Além de José Sá, as notas mais positivas vão para Paulo Oliveira, Tiago Ilori, William Carvalho e Bernardo Silva. Um caso muito sério, esta selecção comandada por Rui Jorge. Que empatou há pouco, na República Checa, ao fim de 11 vitórias consecutivas. Quem receava a falta de renovação de valores no nosso futebol, ao nível de selecções, tem todos os motivos para ficar mais tranquilo.

 

Itália, 0 - Portugal, 0

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Fica a minha pontuação aos jogadores:

 

José Sá (9). Intransponível. Segurou o empate com um punhado de excelentes intervenções. Destaque para defesas aos minutos 4, 6 e 27 - duas das quais a remates de Berardi, o mais perigoso dos italianos. Voltou a impedir o golo já no fim, aos 90'+3. Teve a sorte do seu lado ao ver a bola embater na barra no primeiro minuto do segundo tempo. Mas a sorte é assim: protege sempre os audazes.

Esgaio (7). Competente. Arriscou poucas incursões pelo flanco esquerdo mas quando o fez foi sempre com a bola dominada, como é sua característica. Nunca comprometeu. Um bom remate aos 39' saiu-lhe ao lado.

Paulo Oliveira (8). Sólido. O patrão da nossa defesa: tem uma invejável maturidade para um jogador tão jovem. Defesa titular do Sporting, tornou-se imprescindível nesta selecção sub-21. Sempre muito bem posicionado, joga por antecipação e coloca bem a bola nas linhas dianteiras. Cortes cirúrgicos aos 10' e 22'.

Ilori (8). Sereno. Completou muito bem o seu colega no eixo defensivo: o entendimento entre ambos é tão patente que até parece que jogam juntos há anos. Contribuiu para dar consistência à equipa. Um corte preciso aos 76' evitou um possível golo italiano.

Raphael Guerreiro (4). Trapalhão. Uma primeira parte para esquecer. Nervoso, desposicionado com excessiva frequência, falhando passes. Deixou-se ultrapassar várias vezes por Berardi na sua ala esquerda. Ia fazendo autogolo aos 15'. Melhorou de rendimento na segunda parte, mas foi sempre o elo mais fraco da nossa defesa.

William Carvalho (8). Influente. Foi novamente uma pedra angular do meio-campo português. Passaram por ele quase todas as nossas transições ofensivas. Grande distribuidor de jogo, exímio recuperador, sempre com visão panorâmica do terreno. Deu o exemplo na posse e controlo de bola, indispensáveis para estancar a pressão italiana.

Sérgio Oliveira (7). Eficaz. O capitão da nossa selecção, vice-campeão mundial de sub-20 em 2011, completou a acção de William ao fechar linhas de passe da squadra azzurra e conduzir a manobra ofensiva. Grande jogada com João Mário, na ala esquerda, gerou a nossa melhor oportunidade na primeira parte.

João Mário (7). Veloz. O médio leonino voltou a fazer o seu habitual jogo inteligente e dinâmico, criando desequilíbrios e desposicionando os defesas adversários graças à sua enorme mobilidade. Também fundamental em missões de posse de bola. Desperdiçou o golo aos 36' com um remate deficiente. Saiu aos 81'.

Rafa (5). Intranquilo. Rui Jorge apostou desta vez nele como extremo titular, sobretudo na ala esquerda. Também apoiou a defesa, indo buscar muitas vezes jogo às linhas recuadas. Mas a manobra ofensiva saiu-lhe quase sempre inconsequente. Substituído aos 54'.

Carlos Mané (6). Irregular. Como às vezes no Sporting, pareceu por vezes passar ao lado do jogo nesta estreia como titular na fase final do Euro sub-21. Mas é daqueles jogadores que nunca permitem descansar as defesas adversárias. Fez um excelente slalom na grande área aos 86' que deixou vários italianos pelo caminho: foi uma das melhores jogadas individuais do desafio.

Bernardo Silva (8). Irrequieto. Um dos nossos jogadores mais tecnicistas, voltou a demonstrar esta característica com diversas incursões da ala direita para o centro do terreno, baralhando todas as marcações. Arrancou dois cartões amarelos aos adversários, desgastando o bloco defensivo italiano. Mesmo quando tem pouco espaço para se movimentar, inventa-o: foi o que sucedeu ao protagonizar um grande lance aos 69'. Substituído aos 78'.

Gonçalo Paciência (6). Discreto. Entrou aos 54', substituindo Rafa, quando Rui Jorge modificou o dispositivo táctico, apostando num 4-3-3 clássico. Conferiu mais poder atlético ao nosso ataque, na posição de ponta-de-lança, mas a pontaria não lhe saiu afinada: remates desperdiçados aos 73' e 78'.

Iuri Medeiros (6). Dinâmico. Imprimiu velocidade ao corredor direito português, rendendo Bernardo Silva aos 78', numa fase em que os italianos já acusavam bastante desgaste físico. Sempre perigoso, arrancou um cartão amarelo a Romagnoli. Abusou por vezes do individualismo.

Tó Zé (5). Entrou para o lugar de João Mário aos 81'. Essencialmente para refrescar a equipa. Cumpriu a missão, sem tempo para grandes rasgos individuais. Aos 88', marcou bem um livre que Gonçalo Paciência desperdiçou.


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24 Jun 14

La Roja, ainda campeã mundial em título, já regressou ao país natal. Agora vão partir outras duas selecções de primeiro plano, também elas já com títulos mundiais nas suas galerias de troféus. Inglaterra (que empatou a zero com a Costa Rica) e a Itália (que perdeu 0-1 com o Uruguai) dizem adeus ao Brasil.

Mais dois afastamentos prematuros de equipas europeias, confirmando-se assim a tradição dos torneios disputados no continente americano: nunca nenhum deles foi conquistado por uma selecção oriunda do Velho Continente.

Vale a pena sublinhar estes factos para relativizar o já quase-afastamento de Portugal. Como é costume nestas ocasiões, temos o péssimo costume de mirar apenas para o nosso umbigo, pensando que só nós sofremos desaires, e encaramos cada fracasso não como uma oportunidade para melhorar de seguida mas como uma irrecuperável hecatombe nacional, quase um novo Alcácer-Quibir.

 

As coisas são o que são. A nossa selecção tem insuficiências óbvias, tem defeitos notórios, conta com jogadores que nem deviam ter viajado para o Brasil (como aqui se escreveu no momento oportuno) mas apesar de tudo mantém hipóteses matemáticas de transitar para os oitavos-de-final. Algo que não sucedeu sequer com ingleses e espanhóis, que no final da segunda jornada já tinham as malas preparadas para a viagem de regresso.

Por tudo isto, entendo mal que responsáveis federativos e jogadores (começando pelo próprio Cristiano Ronaldo, capitão de equipa) tenham falado ontem e hoje aos jornalistas como se já estivéssemos fora do Mundial e não houvesse ainda uma jornada a cumprir, na próxima quinta-feira. Uma jornada que, provavelmente, ditará o nosso afastamento. Mas que também nos pode ser favorável. Basta ganharmos ao Gana por 3-0 e à mesma hora a Alemanha bater os EUA por 2-0. Convenhamos: para tanto, não será necessário nenhum milagre. Basta concentração, talento, maturidade e alguma sorte.

 

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Antes e durante o Mundial, a Inglaterra foi elogiadíssima pela crítica portuguesa da especialidade, não faltando especialistas do esférico que já a anteviam como possível vencedora do Campeonato do Mundo. Afinal regressa a casa com duas derrotas, um empate a zero e apenas um golo marcado: hoje não conseguiu sequer um disparo mortífero às redes da Costa Rica, que está a ser uma das grandes sensações deste certame. Apesar de nenhum dos tais especialistas lhe ter vaticinado um percurso de sucesso.

Foi pena só por um motivo: o grande Steven Gerrard - um dos melhores médios mundiais dos últimos 15 anos - despediu-se com este jogo da selecção inglesa, que representou em 114 desafios.

Merecia uma despedida muito melhor.

 

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Tenho pena que os italianos abandonem o Brasil. Apreciei muito a evolução registada nas últimas duas décadas no futebol italiano e aplaudi a squadra azzurra que conquistou o Mundial de 2006. Com Cannavaro, Totti, Grosso, Camoranesi, Inzaghi, De Rossi, Barzagli, Pirlo e Buffon - os últimos quatro ainda em actividade.

A verdade é que o domínio técnico e a solidez táctica italiana não chegaram para vergar o Uruguai no desafio disputado esta tarde, no Natal. Responsabilidade primeira do seleccionador Cesare Prandelli, que procurou reeditar o sistema do ferrolho defensivo, há muito ultrapassado, e limitando ao mínimo as incursões ofensivas. Isto porque o empate bastava à Itália.

Cumpriu-se um dos axiomas do futebol: quem joga para o empate arrisca-se a perder. Bastou aos uruguaios um lance de bola parada para Godín marcar o golo solitário que lhes deu o passaporte à fase seguinte. Iam decorridos 81 minutos, tornava-se muito difícil dar a volta ao jogo. Até porque os italianos já estavam reduzidos a dez homens, desde os 59', por expulsão de Marchisio - exageradíssima decisão do árbitro, que mais tarde não viu uma cabeçada e uma mordidela de Luis Suárez. O avançado do Liverpool continua a ser um exímio goleador mas persiste em destacar-se pelo seu comportamento antidesportivo.

Desta vez, pelo menos, não precisou de meter a mão na bola, como no lance que colocou o Uruguai nas meias-finais do Mundial de 2010.

Precisamente contra o Gana que vamos defrontar aqui a dois dias. A vida é assim: feita de eternos retornos.

 

Itália, 0 - Uruguai, 1

Costa Rica, 0 - Inglaterra, 0


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20 Jun 14

É oficial: a Inglaterra também está fora do Campeonato do Mundo. Foi afastada em definitivo, após duas derrotas, devido ao desfecho - para alguns inesperado - do Costa Rica-Itália. Segunda vitória consecutiva da equipa oriunda da América Central, segundo triunfo sobre  ex-campeões mundiais - hoje os italianos, depois dos uruguaios.

Sob um calor intenso, num jogo iniciado às 13 horas locais, Itália e Costa Rica procuraram a vitória neste encontro disputado a maior velocidade do que as condições atmosféricas recomendariam. Os costarriquenhos foram quase sempre superiores, com forte organização em todos os sectores do terreno.

Tinham a lição bem estudada: a dinâmica dos italianos não era segredo para eles. Jogaram com força anímica, descomplexados.

 

O esforço recompensou: o golo do triunfo surgiu aos 44' numa rapidíssima jogada de ataque concluída por Bryan Ruíz, após assistência de Júnior Díaz. O regressado guardião Buffon - um dos sobreviventes da squadra azzurra que se sagrou campeã mundial em 2006, convocado para cinco campeonatos do mundo desde 1998 - nada pôde fazer. E maior seria a vantagem, em princípio, se dois minutos antes o árbitro tivesse marcado uma grande penalidade mais do que evidente cometida sobre Joel Campbell, que voltou a ser um dos melhores em campo juntamente com os colegas já mencionados e ainda o médio de origem brasileira Celso Borges e o ala esquerdo Christian Bolaños. Todos muito combativos, revelando solidez física e grande disciplina táctica.

Quem disse que o futebol latino-americano é superior em técnica do que em táctica? Este Mundial vem desmentindo isso, jogo após jogo.

 

Transita a Costa Rica para os oitavos-de-final no Grupo D - o chamado "grupo da morte". Falta saber que selecção lhe fará companhia. Tudo dependerá do Itália-Uruguai, que promete ser um dos desafios mais trepidantes num torneio onde a emoção não tem faltado. E os erros de arbitragem também não.

 

Costa Rica, 1 - Itália, 0


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15 Jun 14
A ver o Mundial (3)
Pedro Correia

Nada me faz apreciar tanto uma partida de futebol como um rasgo de inteligência.

Aconteceu esta noite, quando iam decorridos 35' do Inglaterra-Itália, disputado nesse monumento ao desperdício brasileiro que é o novo estádio de Manaus. Na marcação de um canto, a bola é cruzada em diagonal do ângulo superior direito do ataque italiano, supostamente para Andrea Pirlo, situado a poucos metros da área inglesa. Contrariando as expectativas, Pirlo não retém a bola: deixa-a seguir propositadamente para Marchisio, uns metros atrás e em melhor posição para desferir o remate. Assim acontece: com um pontapé seco e bem colocado, o italiano põe a sua selecção a vencer.

Era um dos desafios mais difíceis para a squadra azzurra. Desafio superado com êxito: a equipa inglesa, bem apetrechada e com sólido dispositivo táctico, ainda empatou a remate de Daniel Sturridge após boa abertura de Wayne Rooney. Mas os italianos traçaram o destino do encontro num golo que Balotelli marcou de cabeça, com assistência de Candreva.

 

Pirlo, de 35 anos, é um dos raros sobreviventes do onze italiano que venceu o Mundial de 2006. Depois disso, muitos outros jogadores cheios de talento despontaram no patamar mais elevado da modalidade. Mas, quase como uma relíquia de outras eras, ele mantém intactas as características que o notabilizaram: mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, ele é sobretudo a inteligência em movimento. Como aliás ficou bem patente na forma superior como marcou um livre, já no período suplementar da segunda parte, fazendo a bola embater na barra: se fosse uns centímetros mais abaixo a Itália ampliaria os números desta vitória. Por momentos o guarda-redes Joe Hart deve ter revivido os quartos-de-final do Euro-2012, quando um penálti marcado por Pirlo eliminou a Inglaterra.

Um desporto colectivo, como é o futebol, não dispensa - antes exige - a explosão de talentos individuais daqueles jogadores que fazem realmente a diferença. Como sucedeu naquela simulação de Pirlo que abriu espaço ao golo inicial dos italianos, baralhando por completo as marcações inglesas. E rasgando assim o caminho que conduziu ao triunfo. Numa clara demonstração, como observou o jornal El País, de que pratica a "arte de pensar com os pés".

 

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A maior figura do dia de ontem emergiu inesperadamente do Costa Rica-Uruguai: Joel Campbell, o ponta-de-lança costarriquenho que marcou o primeiro dos três golos da sua equipa, derrotando de forma categórica a selecção que ficou em quarto lugar no Mundial de 2010.

Quase no fim do encontro, Campbell foi agredido por Maxi Robocop Pereira, que entendeu praticar no Mundial a sua concepção muito pessoal de desporto, cruzando futebol com artes marciais. Ao contrário do que por cá sucede, o árbitro aplicou a lei, mostrando-lhe o cartão vermelho. Nada a ver com os brandos costumes da pátria lusa, onde só falta os árbitros pedirem baldes de pipocas para verem, embevecidos, o Robocop uruguaio em acção.

 

Inglaterra, 1 - Itália, 2

Costa Rica, 3 - Uruguai, 1

 

Robocop himself


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03 Jun 14
Leoninices diversas
Francisco Melo

1. Já só faltam o MRPP, POUS, PAN, MAS e mais uns quantos

 

Para se juntarem a Mário Figueiredo, Fernando Seara, Vítor Ferreira, Rui Alves, Júlio Mendes, Paulo de Carvalho e Paulo Teixeira na corrida eleitoral à Presidência da Liga. Uma eleição que arrisca bater o número de candidaturas às Europeias.

 

2. O futebol italiano já não é o que era

 

Quando era miúdo, o Real Madrid, o Barça, o Manchester United, o Arsenal ou o Bayern eram senhoras equipas, como são ainda hoje, mas residia no calcio e nos seus principais clubes (AC Milão, Inter de Milão e Juventus) a principal reverência e temor futebolísticos.

Hoje em dia, vemos o presidente da Juventus reconhecer, sem dramas, que a sua equipa não tem a capacidade de conseguir segurar um Pogba e, mais recentemente, o treinador do Benfica admite, também sem dramas, que preferiu continuar a treinar o Benfica do que ser timoneiro do AC Milão.

 

3. 300

 

Depois de dar nome a filme, o número 300 volta a estar na ordem do dia, desta feita por se tratar, aparentemente, do valor de passivo por reconhecer pelo Sporting, e que tanta aflição tem causado ao Presidente do Benfica.

O valor é preocupante mas não se trata propriamente de uma realidade desconhecida. Afinal, a monstruosa dívida é o inimigo público número 1 do Sporting, e que tem merecido combate sem quartel por parte desta Presidência. Antes assim do que termos um Presidente a assobiar para o lado e preferir falar da casa dos outros.

 

4. Um exemplo para os jovens

 

Assim sublinhou Cavaco Silva, referindo-se aos atletas que irão vestir a camisola com a cor vermelha no mundial do Brasil (não refiro, propositadamente, “cores nacionais” porque de nacional aquela camisola não tem nada).

Minutos depois, Cavaco prestava-se a tirar uma «selfie» bem ao lado de Raul Meireles com aquele seu registo de punk/homem das cavernas.

 

5. Adeus

 

Terminou o contrato do Sporting com a PUMA.

8 anos depois, e 8 camisolas principais depois, não ficam muitas saudades. 


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18 Mar 13

 

Tarja de homenagem da claque da Fiorentina ao nosso Presidente, João Rocha, no jogo de ontem frente ao Génova. 

Em meu nome e penso que em nome de todos os que escrevem nesta casa, um grazie mille aos nossos amigos de Florença por esta atitude louvável!  


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02 Jul 12

Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 


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01 Jul 12

O presidente da FIFA, como o Rui Gomes já aqui assinalou, lembrou-se agora de criticar o recurso aos penáltis como forma de decidir qualificações para fases seguintes de torneios ou mesmo a conquista de alguns dos mais prestigiados troféus internacionais no futebol. Salvo melhor opinião, Joseph Blatter escolheu uma péssima ocasião para o efeito. Diz ele que as grandes penalidades são "uma tragédia" e fazem perder "a essência do futebol enquanto jogo colectivo". É inaceitável que fale assim poucos dias após um dos melhores golos do Campeonato da Europa ter sido marcado precisamente de penálti, pelo excelente Andrea Pirlo, campeão do mundo em 2006, actual campeão de Itália pelas Juventus e um dos mais fantásticos jogadores do Euro 2012, que termina hoje, em Kiev, com o jogo Espanha-Itália.

 

"A arte de jogar com os pés": foi desta forma certeira que El País qualificou o talento de Pirlo, único jogador até agora eleito o melhor em campo em três partidas deste Europeu. As palavras impressas no jornal espanhol, apesar de terem sido escritas antes das declarações de Blatter, parecem ter sido especialmente dirigidas para ele: "Apesar de ser um desporto de equipa (...), o futebol exige um gesto egoísta por excelência, um momento de glória pessoal, uma jogada para a posteridade, a fim de [um jogador] passar à condição de celebridade. Não é nada simples encontrar um momento tão solene e tão íntimo sem atraiçoar a condição de futebolista solidário admirado em todo o mundo."

Pirlo teve o seu momento nesse terceiro penálti contra os ingleses que deu ânimo aos italianos e destroçou psicologicamente a equipa adversária. Segundos antes, a squadra azzurra afundava-se naquele dilacerante embate dos quartos-de-final terminado num empate nulo. Segundos antes, o guarda-redes inglês Joe Hart parecia imbatível. A grande penalidade marcada "à Panenka", que eleva um simples penálti à condição de obra de arte, virou o destino da partida e tornou Pirlo um sério candidato à Bola de Ouro de 2012 (único dos mais cobiçados troféus ainda não conquistado por este ex-campeão europeu pelo Milan que também venceu o Mundial de Clubes em 2007). Tem a certeza de que um penálti é uma tragédia, senhor Blatter?).

 

Mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, Pirlo assume-se como comandante natural da selecção italiana - algo que falha noutras equipas. E voltou a ser fundamental na concludente vitória italiana das meias-finais contra a favorita Alemanha, conduzida à vulgaridade pelos seleccionados de Cesare Prandelli. Nesse jogo, disputado dia 28 em Varsóvia, a Itália não se limitou a ganhar: também deslumbrou pelo seu futebol inteligente e requintado. Com dois grandes golos de Balotelli, na sequência de excelentes passes de Cassano e Montolivo. E poderia ter ampliado a vantagem no festival de golos perdidos ocorrido na segunda parte, com Marchioso e Di Natale a falhar de forma tão clamorosa como Cristiano Ronaldo no último minuto da nossa meia-final disputada com os espanhóis.

Os espanhóis - que o presidente da UEFA, Michel Platini, pretendia desde o início ver na final disputada mais logo no estádio olímpico de Kiev - não terão tarefa fácil contra a equipa que mais tem corrido neste Europeu, sob arbitragem de Pedro Proença. Andrea Pirlo sabe, de facto, pensar com os pés. E consegue pôr o resto da equipa a pensar como ele.

 

Meia-final (jogada quinta-feira): Alemanha, 1 - Itália, 2


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29 Jun 12

 

Fértil em imagens iconográficas, este Euro 2012 acaba de fornecer-nos mais uma: o abraço emocionado de Mario Balotelli - herói da meia-final de ontem entre a Itália e a Alemanha, que afastou a equipa germânica do embate final contra a Espanha em Kiev - à sua mãe adoptiva. O futebol é muito mais do que um desporto: este abraço, ganhando a força de um símbolo, adquire dimensão universal.


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10 Jun 12
A ver o Europeu (2)
Pedro Correia

Aconteceu ao minuto 53 do Espanha-Itália, disputado esta tarde em Gdansk (Polónia). No meio-campo espanhol, Sergio Ramos perdeu a bola, que foi parar por capricho aos pés de Mario Balotelli. O dianteiro italiano que joga no Manchester City passou a ter apenas à sua frente, como obstáculo para fazer golo, o guardião Casillas. Com o jogo ainda empatado a zero, esperava-o daí a instantes um clamor de glória ecoando nas bancadas. Mas algo estranho aconteceu: Balotelli pareceu desinteressar-se do lance. Como se não lhe apetecesse estar ali, como se não quisesse marcar golo. Durante uns segundos, que pareceram uma eternidade, hesitou. E foi então que Ramos, que vinha de trás em corrida desenfreada, corrigiu o erro anterior e retirou-lhe a bola.

Não houve glória para Balotelli. Nem mais lugar para ele na squadra azzurra. O técnico Cesare Prandelli não tardou a mandá-lo abandonar o relvado, ordenando a entrada de Di Natale, melhor marcador italiano do campeonato. E este não entrou em campo com as dúvidas existenciais do colega, filho de imigrantes ganeses que um dia aportaram à Sicília em busca de um futuro melhor. Três minutos depois, Di Natale marcava, mostrando que não havia sombra de temor reverencial dos azuis frente à "fúria" espanhola.

Há momentos capazes de virar um jogo. Prandelli tomou a decisão correcta ao ordenar aquela substituição sem qualquer demora. Consciente de que o futebol que perdura na memória colectiva não é o que resulta da soma de falhanços: é o que resulta da acumulação de êxitos, no espaço e no tempo. A partir daí, e até ao apito final, o jogo tornou-se ainda mais emocionante, ganhou ainda mais qualidade - no plano técnico e no plano táctico. Um verdadeiro jogo de Europeu, como o José Navarro de Andrade já sublinhou aqui. Com artistas como Pilro e Thiago Motta nas fileiras italianas e os nossos bem conhecidos Iniesta, Silva e Xaví do lado espanhol.

Acabou empatado, com Fabregas a marcar para Espanha aos 63', mas não foi um jogo de empatas. Embora os italianos tenham mais motivos para sorrir: há sempre um sabor a vitória quando se empata com a selecção que ostenta os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Tudo funcionou afinal como uma eficaz acção de propaganda ao futebol de alta competição. Só mesmo Balotelli parecia deslocado naquele filme.

 

Espanha, 1 - Itália, 1


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ES X IT
José Navarro de Andrade

O esplendor do futebol foi o Espanha X Itália de hoje.

O futebol não é xadrez. Também não é aquela patetice numerológica que os peritos sentados gostam de alinhar, como se as posições fossem estáticas e rectilíneas.

O futebol é só dinâmica, movimento, curva. É a relva mais seca aqui e húmida ali, é marcar o pé direito do adversário obrigando-o a descair para o meio – ou para fora; é saber que agora faço isto, mas depois faço aquilo; é confiar que posso ir em frente porque alguém estará nas minhas costas – é nunca ficar à espera.

Sem perceber que o futebol não é pensado, não se pensa nem percebe o futebol.

Ora o Espanha X Itália pareceu uma assembleia de cérebros do MIT. Iniesta, Xavi, Fabregas, Pilro, Motta, Chiellini, para todos eles a perfeição técnica e a precisão do passe são apenas uma condição para uma perfeita inteligência intuitiva – eles sabem sempre o que fazer, com ou sem bola. E a presença de um clown como Balotelli só reforçou esta sensação.


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