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És a nossa Fé!

A ver o Europeu (10)

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A Islândia caiu. Mas caiu de pé. Sem baixar os braços. Recebeu o aplauso entusiástico do público, que não lhe regateou apoio do princípio ao fim. Mesmo a perder por 0-4 ao intervalo deu réplica aos franceses nesta partida dos quartos-de-final, disputada em Saint-Denis, debaixo de chuva.

Aqueles que anteviam a reedição do embate entre ingleses e islandeses, com a equipa nórdica a funcionar pelo segundo jogo consecutivo como tomba-gigantes, cedo se decepcionaram: Giroud marcou logo aos 12'. Seguiu-se Pogba, de cabeça, aos 20'. Payet marcou aos 43' e Griezmann fechou a conta no primeiro tempo aos 45'.

Na segunda parte, compreensivelmente, os franceses tiraram o pé do acelerador. Foi quanto bastou para que a Islândia crescesse em domínio territorial e posse de bola, reduzindo aos 56'. Três minutos depois, no entanto, Giroud desfez as últimas ilusões ao bisar neste jogo, que veria ainda o segundo golo islandês, aos 84'.

Partida aberta, com muitos lances ao primeiro toque, concluída com o maior número de golos até agora já marcados num confronto deste Euro 2016 onde a táctica tem superado a técnica. A Islândia regressa a casa com motivos para sentir orgulho: recebeu o aplauso de toda a Europa do futebol. A França transita para as meias-finais, a disputar quinta-feira em Marselha frente à Alemanha. Um desafio que cheira a final antecipada.

Nós, se precisássemos, teríamos aprendido algo essencial com este jogo: uma selecção com ambições nunca pode descurar as cautelas defensivas. Mas não precisamos, como sabemos. Temos é que afinar a pontaria onde mais tem faltado: lá à frente. A partir daí tudo se tornará mais fácil.

 

França, 5 - Islândia, 2

A ver o Europeu (6)

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Quando Wayne Rooney marcou o golo de penálti, logo aos 4', os adeptos da selecção inglesa terão pensado que eram favas contadas. Enganaram-se redondamente. Antes dos vinte minutos já a Islândia tinha virado o resultado e trocava por completo as voltas ao onze comandado por Roy Hodgson. Daí até ao fim da partida os ingleses viram-se incapazes de anular a desvantagem. Os corredores de acesso à baliza islandesa permaneceram bloqueados, a equipa desorganizou-se, Rooney andava a desgastar-se em terrenos recuados e nenhum talento individual emergiu ali para anular o claro predomínio físico dos jogadores da Islândia - país com pouco mais de 300 mil habitantes que está a tornar-se no caso mais sério deste Campeonato da Europa em futebol.

Vi o jogo com muito interesse. Foi uma partida disputada sempre em ritmo acelerado, com grande intensidade, em que nunca se perdeu de vista a baliza contrária. Uma espécie de antítese do Portugal-Croácia, onde ambas as equipas pecaram por excesso de temor reverencial em relação aos adversários. Aqueles que já peroravam por aí contra a falta de interesse competitivo e emotivo deste Euro 2016 falaram cedo de mais.

 

A Islândia mereceu a vitória? Claro que sim. Formou um colectivo coeso, compacto, solidário, com uma intensidade física que só surpreendeu aqueles que hoje a viram actuar pela primeira vez. Ganhou quase todos os lances aéreos aos ingleses e nunca descurou o contra-ataque. A tal ponto que esteve mais perto de marcar o terceiro - evitado por grandes defesas de Joe Hart, aos 55' e aos 84' - do que os ingleses estiveram de marcar o segundo.

Sem Lallana mas não acusando falta de estrelas na equipa - Rooney, Kane, Sterling, Sturridge, Vardy, Cahill, Rashford e o "nosso" Eric Dier, hoje muito apagado e cedo substituído - Hodgson foi incapaz de desatar o nó cego armado pela selecção nórdica onde brilhou o central Sigurdsson, que travou tudo quanto havia a travar no eixo defensivo, marcou o primeiro golo e quase ia marcando outro num vistoso pontapé de bicicleta.

 

Altos são, mas toscos nem pensar. Se o fossem não teriam eliminado os ingleses, que muitos anteviam como sérios candidatos à conquista da competição. Afinal já estão a fazer as malas, imitando os espanhóis, esta tarde afastados pela Itália.

"Fim de ciclo", titula o jornal Marca num síntese certeira do confronto latino que a Espanha perdeu. A equipa que hoje se arrastou em campo frente aos italianos é uma caricatura da que nos empolgou no Mundial de 2010 e nos Europeus de 2008 e 2012. É o momento adequado para mudá-la de alto a baixo.

É também o momento certo para rebobinarmos o filme do Portugal-Islândia. Afinal esse nosso empate, bem vistas as coisas, acaba por ser um resultado muito menos negativo do que à primeira vista parecia. Escrevia há pouco o Guardian"A Islândia submeteu a Inglaterra a uma das maiores humilhações da sua história." Portugal foi poupado a isso. 

Agora os franceses que se cuidem: vão levar com eles nos quartos-de-final. Outro jogo que não vou perder.

 

Inglaterra, 1 - Islândia, 2

Espanha, 0 - Itália, 2

A ver o Europeu (2)

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Terminou 1-1, mas soube a derrota. Frente à modestíssima Islândia, que se estreia num Campeonato da Europa, a selecção das quinas não conseguiu melhor do que um empate longe de quase todas as previsões.

Jogando num ritmo lento, denunciado, previsível, sem automatismos, deixámos os islandeses dominar em largos minutos da segunda parte apesar de termos terminado o encontro com 66% de posse de bola. Com um Ronaldo apático, um Danilo ineficaz e um Moutinho que mal se viu.

Valeu-nos o golo de Nani, conseguido ainda no primeiro tempo. Mas após o intervalo uma falha clamorosa de Vieirinha, que permitiu toda a liberdade ao atacante islandês Bjarnason, possibilitou o empate da equipa adversária, num remate à queima-roupa, sem hipóteses para Rui Patrício.

Fernando Santos parecia conformado com tamanho cinzentismo: deixou decorrer 71 minutos para fazer a primeira substituição. Mas as entradas de Renato Sanches (para o lugar de Moutinho), Quaresma (rendendo João Mário) e do invisível Éder (substituindo André Gomes) não produziram qualquer resultado.

Portugal estreia-se no Euro 2016 com este lamentável tropeção perante o incompreensível silêncio dos adeptos portugueses, que ocupavam uma larga percentagem dos lugares do vetusto estádio de Saint-Etiènne mas parecem só exibir credenciais patrioteiras quando encontram uma câmara de televisão pela frente. O público islandês, em muito menor número, deu uma lição aos nossos compatriotas, puxando pela equipa deles do princípio ao fim.

 

Portugal, 1 - Islândia, 1

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Exibiu bons reflexos logo aos 3', quando evitou um golo islandês que mudaria toda a história deste encontro. Outra grande defesa aos 86'. Sem culpa no golo sofrido.

 

Vieirinha - Falhou muitos cruzamentos e desposicionou-se com facilidade. Numa destas situações, com um grave erro de marcação, permitiu que Bjarnason recebesse a bola e disparasse à baliza, fazendo o empate.

 

Pepe - Combinou mal com Vieirinha e viu-se em apuros perante os atacantes islandeses, sobretudo no jogo aéreo. Também ficou mal na fotografia do golo que sofremos. Tentou rematar em lances de bola parada, sem sucesso.

 

Ricardo Carvalho - Agilidade e bons reflexos - proeza notável para o mais veterano da nossa selecção, já com 38 anos feitos, como ficou demonstrado num grande corte aos 29'. Cumpriu o essencial da missão que lhe foi atríbuída.

 

Raphael Guerreiro - De longe o melhor do nosso quarteto defensivo. Veloz e batalhador, marcou livres e cantos, integrando-se bem no ataque. Hábil na finta curta. Grande corte aos 74' num lance que podia ter dado golo.

 

Danilo - Lento e apático, sem iniciativa. Perdeu a bola aos 3' numa jogada que quase deu golo à Islândia. Parece ter ficado aturdido e nunca mais se reencontrou, remetendo-se às linhas mais recuadas como se fosse um terceiro central.

 

João Moutinho - Competia-lhe ser o principal transportador da bola da linha intermédia para o ataque, mas mal se deu por ele. Macio, inofensivo, passou quase ao lado da partida. Saiu aos 71'.

 

André Gomes - Boa primeira parte do médio do Valência, que culminou na assistência para o solitário golo português, com um centro primoroso a que Nani deu a melhor sequência. Foi sempre um dos mais inconformados. Saiu aos 84'.

 

João Mário - Partida discreta do médio leonino, que poucas oportunidades teve para fazer os movimentos de que mais gosta, partindo da ala para o centro. Bom passe para Cristiano Ronaldo aos 58'. Mas podia ter feito mais. Saiu aos 76'.

 

Nani - Todos o davam como suplente a 48 horas do nosso encontro inaugural do Euro 2016. Afinal foi o melhor português, justificando a titularidade. Golo à ponta de lança aos 31'. Podia ter marcado outros dois, aos 21' e 71'.

 

Cristiano Ronaldo - Jogo fraco do nosso capitão, que teve sempre dificuldade em fugir às marcações. O melhor que fez foi um cabeceamento aos 85', para defesa difícil do guardião islandês. Muito pouco para o que se esperava dele.

 

Renato Sanches - O seleccionador deu-lhe ordem para entrar aos 71', rendendo Moutinho. Procurou sacudir o jogo, mas agarrou-se demasiado à bola, perdendo sucessivas oportunidades de passe. Foi inofensivo.

 

Quaresma - Afinal acabou por jogar, entrando aos 76'. Mas com uma exibição muito pálida: nada a ver com o fulgor demonstrado frente à Estónia. Talvez devesse ter entrado mais cedo. Assim soube a pouco.

 

Éder - Entrou aos 84', rendendo André Gomes: permaneceu cerca de dez minutos em campo. Julgo que não terá chegado a tocar na bola.

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