17 Set 16

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Slimani já brilha no Leicester: estreou-se na Premier League a marcar dois golos. E recebeu um elogio rasgado de Claudio Ranieri.

Elogio mais que merecido. O nosso Slimani não tardará a ser estrela no futebol inglês.


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28 Jun 16
Comparações
José Navarro de Andrade

Com o Mané a jogar disfarçado de Sterling e Danny Rose a imitar Eliseu, como poderia a Inglaterra ter ganho?


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Este, que andava a gozar com Cristiano Ronaldo, teve de meter a viola no saco. Ao menos a selecção portuguesa empatou com a Islândia. A selecção dele foi corrida do Europeu pela mesmíssima Islândia, facto que está a ser encarado pelos ingleses como uma tragédia nacional.  

Agora, ao que parece, tem menos vontade de gozar os outros. Confesso que me dá imenso gozo.


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27 Jun 16
A ver o Europeu (6)
Pedro Correia

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Quando Wayne Rooney marcou o golo de penálti, logo aos 4', os adeptos da selecção inglesa terão pensado que eram favas contadas. Enganaram-se redondamente. Antes dos vinte minutos já a Islândia tinha virado o resultado e trocava por completo as voltas ao onze comandado por Roy Hodgson. Daí até ao fim da partida os ingleses viram-se incapazes de anular a desvantagem. Os corredores de acesso à baliza islandesa permaneceram bloqueados, a equipa desorganizou-se, Rooney andava a desgastar-se em terrenos recuados e nenhum talento individual emergiu ali para anular o claro predomínio físico dos jogadores da Islândia - país com pouco mais de 300 mil habitantes que está a tornar-se no caso mais sério deste Campeonato da Europa em futebol.

Vi o jogo com muito interesse. Foi uma partida disputada sempre em ritmo acelerado, com grande intensidade, em que nunca se perdeu de vista a baliza contrária. Uma espécie de antítese do Portugal-Croácia, onde ambas as equipas pecaram por excesso de temor reverencial em relação aos adversários. Aqueles que já peroravam por aí contra a falta de interesse competitivo e emotivo deste Euro 2016 falaram cedo de mais.

 

A Islândia mereceu a vitória? Claro que sim. Formou um colectivo coeso, compacto, solidário, com uma intensidade física que só surpreendeu aqueles que hoje a viram actuar pela primeira vez. Ganhou quase todos os lances aéreos aos ingleses e nunca descurou o contra-ataque. A tal ponto que esteve mais perto de marcar o terceiro - evitado por grandes defesas de Joe Hart, aos 55' e aos 84' - do que os ingleses estiveram de marcar o segundo.

Sem Lallana mas não acusando falta de estrelas na equipa - Rooney, Kane, Sterling, Sturridge, Vardy, Cahill, Rashford e o "nosso" Eric Dier, hoje muito apagado e cedo substituído - Hodgson foi incapaz de desatar o nó cego armado pela selecção nórdica onde brilhou o central Sigurdsson, que travou tudo quanto havia a travar no eixo defensivo, marcou o primeiro golo e quase ia marcando outro num vistoso pontapé de bicicleta.

 

Altos são, mas toscos nem pensar. Se o fossem não teriam eliminado os ingleses, que muitos anteviam como sérios candidatos à conquista da competição. Afinal já estão a fazer as malas, imitando os espanhóis, esta tarde afastados pela Itália.

"Fim de ciclo", titula o jornal Marca num síntese certeira do confronto latino que a Espanha perdeu. A equipa que hoje se arrastou em campo frente aos italianos é uma caricatura da que nos empolgou no Mundial de 2010 e nos Europeus de 2008 e 2012. É o momento adequado para mudá-la de alto a baixo.

É também o momento certo para rebobinarmos o filme do Portugal-Islândia. Afinal esse nosso empate, bem vistas as coisas, acaba por ser um resultado muito menos negativo do que à primeira vista parecia. Escrevia há pouco o Guardian"A Islândia submeteu a Inglaterra a uma das maiores humilhações da sua história." Portugal foi poupado a isso. 

Agora os franceses que se cuidem: vão levar com eles nos quartos-de-final. Outro jogo que não vou perder.

 

Inglaterra, 1 - Islândia, 2

Espanha, 0 - Itália, 2


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03 Mai 16
The people's champion
Luciano Amaral

 


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19 Set 15
John Chapel
Luciano Amaral

Vi o Chelsea-Arsenal na TV Inácio. Meu Deus, ainda se queixa a gente do João Capela.


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21 Jun 15

Lido no Record de hoje, a abrir a página 11:

 

«A exibição de William Carvalho no primeiro jogo do Campeonato da Europa de sub-21, que está a decorrer na República Checa, deixou os ingleses... loucos. Ao ponto de, após os elogios da véspera nas redes sociais, o The Sun ter avançado ontem que o Arsenal apresentara ao Sporting uma proposta de 40 milhões de euros, que poderia ultrapassar os 50 milhões, caso o clube londrino atingisse determinados objectivos ao longo da próxima temporada.»

 

Estes ingleses devem estar mesmo loucos. Então eles não leram a competentíssima análise do jogo feita pelo jornal A Bola que atribuiu a William Carvalho o "título" de pior jogador dessa partida?


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18 Jun 15

Portugal entrou da melhor maneira nesta fase final do Campeonato da Europa de sub-20, prova em que não comparecíamos desde 2007. Com uma vitória sobre a temível selecção inglesa, candidata à vitória no torneio. Horas depois de a Suécia ter derrotado a Itália, outra favorita.

Tivemos em campo uma equipa madura, com grande disciplina táctica e superioridade técnica durante a maior parte do encontro. Confirmando as boas qualidades reveladas na fase de apuramento, em que obtivemos dez vitórias consecutivas.

Destaque para o bom desempenho dos jogadores do Sporting nesta partida. Paulo Oliveira, totalista na campanha do apuramento para esta fase final na República Checa, foi um pilar defensivo. William Carvalho, vital nas transições ofensivas, revelou-se o melhor em campo. João Mário marcou o golo da nossa vitória.

Também merecem nota positiva Ricardo Esgaio (que alinhou de início como lateral direito), Iuri Medeiros e Carlos Mané (que entraram aos 73' e aos 79', respectivamente).

Inglaterra, 0 - Portugal, 1

............................................................................................

 

Fica a minha pontuação aos jogadores:

 

José Sá (7). Seguro. Duas grandes defesas a remates de Kane, o astro da selecção inglesa, aos 34' e aos 80'. Voltou a revelar bons reflexos aos 48' e a travar um ataque perigoso aos 90'+2. O guardião do Marítimo só fez três jogos esta época pela equipa principal do seu clube. Mas ninguém diria: está pronto para voos mais altos.

Esgaio (7). Dinâmico. Fez uma boa primeira parte, confirmando a excelente campanha de qualificação, onde foi um dos jogadores mais utilizados. Apoiou bem o ataque, subindo muitas vezes para a linha média. Esteve mais discreto na segunda parte.

Paulo Oliveira (8). Sólido. Não por acaso, foi totalista durante a excelente qualificação dos pupilos de Rui Jorge, seleccionador sub-21. Leu bem os lances. Jogou em antecipação. Soube fazer cortes cirúrgicos. E vulgarizou Kane ao marcá-lo com eficácia.

Ilori (6). Discreto. Combinou bem com Paulo Oliveira no eixo da defesa, mas foi sempre menos exuberante do que o seu colega. Sem nunca comprometer o desempenho global da equipa.

Raphael Guerreiro (6). Irrequieto. Esteve mais retraído no seu corredor do que Esgaio na ala direita. Algo trapalhão no passe, sobretudo no primeiro tempo, foi ganhando estabilidade e revelou-se um elemento de grande utilidade na equipa. Fez um bom remate cruzado aos 56'.

William Carvalho (8). Pendular. Foi o grande estratego da nossa equipa, revelando-se ao melhor nível que tem exibido no Sporting. Bom distribuidor de jogo, eficaz nas recuperações, fundamental no jogo de contenção quando foi preciso segurar o resultado.

Sérgio Oliveira (7). Experiente. O capitão da nossa selecção, vice-campeão mundial de sub-20 em 2011, compensou em maturidade táctica e leitura de jogo algum défice de dinâmica ofensiva. Bom trabalho no lance do golo, iniciado nos seus pés.

João Mário (7). Influente. O médio leonino, jogando como extremo, estava no local certo no momento mais oportuno: foi dele o golo solitário da nossa selecção, aos 57', aproveitando um ressalto da bola que tinha acabado de embater no poste a remate de Bernardo Silva. Com espaço de manobra dentro da grande área, não desperdiçou a oportunidade. Fez a diferença.

Ivan Cavaleiro (5). Inconsequente. Revelou grande mobilidade, demonstrou espírito combativo, mas os remates não lhe saíram com pontaria. Acabou por ser o primeiro jogador a ser substituído, aos 73'.

Ricardo Pereira (6). Lutador. Deu sempre trabalho à defesa inglesa, que se desorganizou mais vezes do que se previa. Protagonista de bons lances individuais, faltou-lhe um pouco mais de espírito colectivo para melhorar o rendimento global da equipa.

Bernardo Silva (7). Acutilante. Embalado pela excelente época no Mónaco, onde marcou dez golos em 45 jogos, foi sempre incómodo para o reduto defensivo inglês. Fez boas trocas posicionais com João Mário, com quem construiu uma parceria muito eficaz. Foi dele o remate ao poste na sequência do qual nasceu o nosso golo.

Iuri Medeiros (6). Criativo. Entrou aos 73', substituindo um já fatigado Ivan Cavaleiro, e conferiu maior dinâmica ao nosso ataque. Pôs em sentido a defesa inglesa e combinou bem com Bernardo Silva. Aos 75' marcou muito bem um livre, com a bola a passar perto do poste. Faltou-lhe por vezes alguma concentração.

Carlos Mané (6). Irreverente. O extremo do Sporting rendeu Ricardo Pereira aos 79'. Foi igual a si próprio, com boa capacidade técnica, bom trabalho nos flancos a flectir para o centro do terreno e variações súbitas de velocidade que baralharam as marcações inglesas. Útil também nas missões defensivas.

Rúben Neves (5). Contido. Substituiu João Mário aos 85'. Entrou com a missão de contribuir para segurar o resultado. Teve êxito nesta tarefa - e mais nada se esperava dele neste jogo.


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09 Ago 14
O grande mundo da bola
Antonio Figueira

Quem estiver ainda preocupado ou apenas incomodado com o caso Dier, pode olhar para o lado e ver o que diz Samir Nasri a propósito da reacção dos adeptos do Arsenal à sua saída para o City: “They see it as treason or that I betrayed them [but] it’s not like that. I just look at what is best for me.” Toda uma filosofia. Aliás, se o jovem Eric dá entrevistas ao Record a queixar-se da frieza do presidente do SCP, a namorada de Nasri, mais a quente, manda "f*** France and f*** Deschamps" porque o seleccionador francês não convoca o namorado para a Copa. A jovem modelo (de lingerie, era preciso investigar a afinidade electiva que une jogadores de futebol e modelos de lingerie) tem origens portuguesas, e deve ter sido a paixão nacional pelo jogo da bola que levou Anara Atanes a acumular no seu currículo casos com Freddie Ljungberg, Ashley Cole, Darren Bent, Jermaine Pennant ou Kieran Richardson. Todo um mundo, feito de elegância e desportivismo. Estavam à espera de quê?


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28 Jun 14
Vencedores & vencidos (5 notas)
José Navarro de Andrade

É verdade que a selecção da Grécia joga um futebol brusco e picotado e tem um treinador que lhes grita – vimos todos – “calma, car@#§&!”, comprovando a perfeita capacidade comunicacional do calão português. Mas os gregos são a mais nostálgica colecção de cromos deste Mundial; cada um deles ostenta o fácies proletário dos jogadores dos anos 50 e 60, como se tivessem sido recrutados nas docas do Pireu. Katsouranis está ao nível de selvajaria a que sempre nos habituou e Karagounis segue demonstrando a sua incompatibilidade com as lâminas de barbear e com as decisões dos árbitros. Eles são a perfeita reminiscência física do futebol de outrora, antes desta gentrificação feita de penteados espampanantes e palmadinhas nas costas.

 

É de lamento a eliminação da paradoxal selecção inglesa. Por uma vez não entrou em campo com aquele tradicional sense of entitlement de quem vem repor uma verdade histórica, nem  encarou a derrota com o stiff upper lip presunçoso de quem acha que foi espoliado de direitos naturais. Os ingleses vieram jogar e fizeram-no com franqueza e elegância, tanto que perderam os dois jogos que necessitavam de ganhar aos pés da pragmática Itália e do furibundo Uruguai. É pena porque constituíam um agradável intermezzo ao futebol assanhado que veremos daqui em diante. Além de que a sua prematura eliminação redundará em grande rombo económico na indústria cervejeira mundial.

 

Em vez dos 90 e picos minutos da praxe os jogos da Argentina só têm 5’’ – os 5’’ de Messi. Da primeira vez foi o tempo necessário para partir a Croácia, da segunda venceu o Irão. No resto do tempo a selecção argentina troca a bola entendidamente à espera do instante em que o pequenote liga o botão, é uma espécie de desacelerador de partículas. Com isto, mesmo ostentando o pior treinador do certame (demasiados jogadores, demasiado bons, para fazer confusão a um táctico simples), querem ver que ainda chega à final?

 

Num ranking da revista Forbes do rendimento anual auferido pelos treinadores deste Mundial Paulo Bento está em 12º (nada a contestar) e o do Professor Carlos Queiroz, treinador do Irão, em 13º, com uma diferença de apenas €62.110 – menor que o preço de um Porsche. Diferença essa que daria singelo por dobrado em como não cobre a expropriação do fisco português a que Bento está sujeito. Ambos saíram no final da primeira ronda, Queiroz saiu felicíssimo por ter conseguido empatar um jogo em resultado da inovadora táctica do autocarro; Bento saiu acabrunhado por só ter vencido um jogo. Quem é o esperto, quem é?

 

Foi preciso chegar ao último jogo da fase de qualificação para descobrir a selecção que dá vontade de odiar. Consuetudinariamente reservado ao futebol panzer da Alemanha ou ronhoso da Itália, capazes de tirar do sério o adepto mais cerebral, desta vez a desonra a cabe ao sórdido Uruguai. Se Freitas Lobo viu 3 milhões de uruguaios a rematar com o pé de Suarez no golo contra a Inglaterra (uma imagem maior que o cinema, cujo máximo até hoje foi o filme “300”) então que não lhe tenha doído a dentada do mesmo Suarez em 61 milhões e 321 milhares de italianos por via do ombro de Chiellini. Felizmente os pigmeus da América Latina caíram aos pés do belíssimo James da Colômbia. Agora é preciso detestar outros – talvez o sorumbático Brasil, convencido que não precisa de jogar bem porque joga em casa?


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26 Jun 14

Eu quero lá saber que a Costa Rica tenha passado a fase de grupos e Portugal não: a Costa Rica não conta, apurou-se neste Campeonato e volta a apurar-se daqui a cem anos, não faz parte da aristocracia do futebol, como faz Portugal, e por direito divino. É contra outros aristocratas que tais que nós nos batemos e foram eles que mais uma vez vencemos. A horrível Espanha, que ousou ganhar-nos há quatro anos, na África do Sul, e até andar para aí a dizer que era campeã da Europa, e do mundo, etc., caiu de borco, a madraça, a asna, a grotesca palhaça, logo ao fim do segundo jogo. A pérfida Inglaterra, que nos persegue desde o tempo do Jacky Charlton, e que em 66 se interpôs entre nós e as nossas aspirações naturais ao domínio do mundo (futebolístico; uma espécie de mapa-cor-de-rosa, se virmos bem), tombou ao fim de dois jogos e meio – isto é, ao fim do segundo ainda não estava eliminada, mas antes do terceiro já estava, graças à vitória da Costa Rica sobre a Itália no entrementes. Agora nós – e é isto que lhes dói – precisámos de três-jogos-três para irmos à nossa vida. Bem-hajam pois "Os Conquistadores" e viva a nossa Federação, a cerveja Sagres e os supermercados Continente! Bom, e agora que a nossa pequena competição particular contra o inimigo convencional e a mais velha aliada terminou, e logo da melhor maneira, vamos ver o Mundial a sério, que já é tempo. Venham os oitavos!


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19 Jun 14
A ver o Mundial (9)
Pedro Correia

Não sei qual é a vossa opinião, mas para mim este Campeonato do Mundo está a ser um dos melhores. Já vi jogos excelentes, muito emotivos e bem disputados. Jogos em que os ataques se sobrepuseram às defesas, em que a ousadia suplantou o calculismo táctico, em que algumas das equipas menos cotadas surpreenderam os habituais coleccionadores de vitórias.

Inglaterra-Itália, Chile-Espanha, Brasil-México e Espanha-Holanda foram alguns desses jogos que perdurarão na memória de milhões de aficionados desta modalidade no mundo inteiro.

Hoje vi mais um para juntar aos restantes: o Inglaterra-Uruguai, disputado no estádio do Corinthians.

Parecia um daqueles desafios de outros tempos, antes de o desporto-rei ser capturado pelos catedráticos da táctica, mestres no "processo defensivo" (como agora se diz), cultores do futebol aferrolhado.

Felizmente quase ninguém tem jogado para o zero no Brasil (o Irão de Carlos Queiroz e a Grécia de Fernando Santos são as excepções mais notórias).

 

Foi um jogo aberto, dinâmico, veloz e virado para o golo.

Um jogo em que as dinâmicas colectivas sobressaíram, mas algumas individualidades fizeram a diferença.

Pelo Uruguai, Luis Suárez (regressado após lesão e já considerado um dos melhores jogadores deste Mundial), Cavani (autor de uma monumental assistência para golo) e Alvaro Pereira, que embora lesionado na cabeça - num choque ocasional com Sterling em que chegou a perder os sentidos - fez questão de permanecer em campo, dando assim uma enorme lição de tenacidade e resistência. De profissionalismo, em suma.

Pela Inglaterra, o jovem Sterling - que prometeu mais do que concretizou nesta sua estreia num Mundial, o guarda-redes Joe Hart (autor de uma defesa quase impossível) e sobretudo Wayne Rooney, o mais inconformado dos ingleses: marcou um golo - o seu primeiro num Campeonato do Mundo - e quase marcou outro, quando a bola embateu na barra.

A emoção durou até ao fim. Também como sucedia quase sempre nos velhos tempos. E até por isso é com mágoa antecipada que nos despedimos da Inglaterra, quase sem hipóteses de seguir em frente após duas derrotas tangenciais consecutivas. Mas ninguém pode acusar os ingleses de não se terem batido com garra, brio e valentia. Perderam, mas nunca viraram a cara à luta. Exemplares também por isso.

 

Inglaterra, 1 - Uruguai, 2

 

Luis Suárez: dois grandes golos


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15 Jun 14
A ver o Mundial (3)
Pedro Correia

Nada me faz apreciar tanto uma partida de futebol como um rasgo de inteligência.

Aconteceu esta noite, quando iam decorridos 35' do Inglaterra-Itália, disputado nesse monumento ao desperdício brasileiro que é o novo estádio de Manaus. Na marcação de um canto, a bola é cruzada em diagonal do ângulo superior direito do ataque italiano, supostamente para Andrea Pirlo, situado a poucos metros da área inglesa. Contrariando as expectativas, Pirlo não retém a bola: deixa-a seguir propositadamente para Marchisio, uns metros atrás e em melhor posição para desferir o remate. Assim acontece: com um pontapé seco e bem colocado, o italiano põe a sua selecção a vencer.

Era um dos desafios mais difíceis para a squadra azzurra. Desafio superado com êxito: a equipa inglesa, bem apetrechada e com sólido dispositivo táctico, ainda empatou a remate de Daniel Sturridge após boa abertura de Wayne Rooney. Mas os italianos traçaram o destino do encontro num golo que Balotelli marcou de cabeça, com assistência de Candreva.

 

Pirlo, de 35 anos, é um dos raros sobreviventes do onze italiano que venceu o Mundial de 2006. Depois disso, muitos outros jogadores cheios de talento despontaram no patamar mais elevado da modalidade. Mas, quase como uma relíquia de outras eras, ele mantém intactas as características que o notabilizaram: mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, ele é sobretudo a inteligência em movimento. Como aliás ficou bem patente na forma superior como marcou um livre, já no período suplementar da segunda parte, fazendo a bola embater na barra: se fosse uns centímetros mais abaixo a Itália ampliaria os números desta vitória. Por momentos o guarda-redes Joe Hart deve ter revivido os quartos-de-final do Euro-2012, quando um penálti marcado por Pirlo eliminou a Inglaterra.

Um desporto colectivo, como é o futebol, não dispensa - antes exige - a explosão de talentos individuais daqueles jogadores que fazem realmente a diferença. Como sucedeu naquela simulação de Pirlo que abriu espaço ao golo inicial dos italianos, baralhando por completo as marcações inglesas. E rasgando assim o caminho que conduziu ao triunfo. Numa clara demonstração, como observou o jornal El País, de que pratica a "arte de pensar com os pés".

 

....................................................................

 

A maior figura do dia de ontem emergiu inesperadamente do Costa Rica-Uruguai: Joel Campbell, o ponta-de-lança costarriquenho que marcou o primeiro dos três golos da sua equipa, derrotando de forma categórica a selecção que ficou em quarto lugar no Mundial de 2010.

Quase no fim do encontro, Campbell foi agredido por Maxi Robocop Pereira, que entendeu praticar no Mundial a sua concepção muito pessoal de desporto, cruzando futebol com artes marciais. Ao contrário do que por cá sucede, o árbitro aplicou a lei, mostrando-lhe o cartão vermelho. Nada a ver com os brandos costumes da pátria lusa, onde só falta os árbitros pedirem baldes de pipocas para verem, embevecidos, o Robocop uruguaio em acção.

 

Inglaterra, 1 - Itália, 2

Costa Rica, 3 - Uruguai, 1

 

Robocop himself


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