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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Quando o mau Bruno põe em xeque o bom Bruno

Bruno de Carvalho insiste em recorrer ao Facebook, agora para destratar o comentador da SIC Notícias, Rui Santos. Já não há contenção, nem boa vontade, fervor e sentimento sportinguista, que cale a minha indignação perante aquilo que considero ser um verdadeiro "hara-kiri" que o presidente leonino vem praticando, retirando ele próprio da cena e agenda mediática o essencial, a divulgação dos emails que envolvem o Benfica e o juízo que sobre eles diariamente é feito na opinião pública (para além do que resultar da investigação do Ministério Público/Polícia Judiciária).

A recente cruzada contra Rui Santos é gratuita e desprovida de qualquer conteúdo estratégico. Para além disso, é machista, misógina e vulgar. Falar de "gajas, cabelos, gengivas (!!!) e piquinho a azedo" é algo absolutamente desprovido de bom-senso, meros insultos sem uma intenção programática, apenas um desejo pessoal revelado no final: promover um empate técnico (!?).

Aceito que Rui Santos seja vaidoso, pretensioso até, que às vezes vá demasiadamente longe na defesa de uma convicção (com Paulo Bento pareceu incorrer numa cruzada pessoal), mas o que ninguém pode dizer deste comentador é que ele não é independente - o próprio presidente não o classifica como encartilhado -, livre e directo, afrontando há anos diversos poderes, sem nunca se submeter a ser um prosélito do regime, podendo até ser considerado um arauto de mudanças no sentido da Verdade Desportiva. 

Bruno propõe um empate xadrezístico a Rui Santos, mas a profusão dos seus comentários sugere que o mau-Bruno está a fazer um "xeque-ao-rei" ao bom-Bruno, ameaçando o "mate". O mau-Bruno vai abrindo sucessivos campos de batalha - agora ofendeu as nossas leoas - e, no reino do leão, ameaça devorar o bom-Bruno, aquele já quase personagem mítico a quem devemos a sustentabilidade, a devolução da alma e fervor clubisticos, o temor e respeito dos adversários. 

Tenho imensa pena de ver este estado de coisas e deixo uma questão: como é possível que o nosso director de comunicação permita que isto esteja a acontecer? Ou é uma mera caixa de ressonância ou, na analogia encontrada pelo presidente para atacar RS, um espelho mágico (trágico?) - "espelho meu, espelho meu" - a quem o mau-Bruno se dirige e aí, na minha modesta opinião, está a mais no clube ou, se não concorda, faça algo no sentido de evitar esta exposição despropositada do presidente e, caso não o consiga, obviamente demita-se.

Bruno de Carvalho refere inúmeras vezes a votação massiva que teve nas últimas eleições. Fala muito disso, mas parece não o interiorizar. O resultado expressivo que teve constitui para si um motivo de orgulho, mas é também uma enorme responsabilidade. Os moderados são a sua base de apoio, mas são um "swinging vote", gente crítica. A deriva que vem protagonizando pode retirar-lhe esta protecção e deixá-lo exposto a dois tipos de radicais: os que, com agenda própria, vão, desde o início dos seus mandatos, diáriamente desgastando-o, com isso procurando abrir brechas para substituí-lo rápidamente e aqueles que lhe darão apoio incondicional, a sua guarda pretoriana, mas que, em contrapartida, exigirão a vitória a qualquer preço. 

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Hoje giro eu - Ranking GAP

Após 20 jogos realizados - 11 para o Campeonato Nacional, 6 para a Champions, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga - o Sporting regista 12 vitórias (60%), 6 empates (30%) e duas derrotas (10%), com 40 golos marcados (2 golos/jogo) e 16 golos sofridos (0,8 golos/jogo).

 

Ranking GAP:

 

1) O melhor marcador é Bas Dost (11 golos), seguido por Bruno Fernandes (7) e Gelson (5);

2) O jogador com mais assistências é Bruno Fernandes (7), seguido por Acuña (5) e Podence(4);

3) O jogador mais influente é Bruno Fernandes, tendo contribuído até agora para 19 golos (47,5% golos da equipa), seguido por Bas Dost (15) e Gelson (11);

 

Aqui fica a tabela actualizada do Ranking GAP, que inclui golos (G), assistências (A) e participação decisiva em lance de golo (P):

 

  G A P
Bas Dost 11 1 3
Bruno Fernandes 7 7 5
Gelson Martins 5 3 3
Marcus Acuña 3 5 1
Sebastian Coates 2 1 1
Doumbia 2 1 0
João Palhinha 2 0 0
Rodrigo Battaglia 1 1 2
Bruno César 1 0 1
Jeremy Mathieu 1 0 1
Mattheus Oliveira 1 0 0
Rafael Leão 1 0 0
Adrien Silva 1 0 0
Daniel Podence 0 4 0
Cristiano Piccini 0 1 3
Fábio Coentrão 0 1 2
Iuri Medeiros 0 1 1
William Carvalho 0 0 2
Alan Ruiz 0 0 1
autogolos 2 0 0

Hoje giro eu - O onze sombra

Uma equipa de futebol não são apenas os onze que habitualmente são titulares. Os restantes jogadores valem por aquilo que mostram quando têm a oportunidade e, não jogando, pelo desejávelmente bom ambiente que criam no balneário. Jogadores há que funcionam como verdadeiros talismãs quando provenientes do banco de suplentes. Este tipo de armas-secretas habitualmente produzem mais quando chamados a intervir durante o jogo. Desse rol, quem não se lembra do brasileiro do FC Porto, Juary, marcador do golo da vitória na final de Viena e, no ano anterior, autor de um "hat-trick" contra o todo poderoso Barcelona, sempre saído do banco?

O treinador tem um papel essencial na manutenção de um ambiente saudável no grupo de trabalho e no garantir que todos os jogadores se mantêm focados no objectivo. Ser um catalizador, não um inibidor, aglutinar em vez de dispersar. Reparem que não toquei propositadamente no tema da motivação (étimo "moto") porque esta é intrínseca (como a própria palavra indica), cabe a cada futebolista ter uma personalidade capaz de absorver as contrariedades do dia-a-dia e transformá-las em oportunidades.

Assim sendo, precisamos de um "shadow eleven" empenhado, focado, motivado e comprometido com o clube. Nesse sentido, o treinador não deve dramatizar quando lhe falta algum dos titulares, de forma a que quem entra se sinta importante. Se um jogador pressente que o treinador desconfia dele, vai render menos.

E o Leitor, o que pensa disto? Em quem, dos habituais não titulares, os nossos Leitores depositam FÉ em vir a constituir-se como uma surpresa positiva?

 

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Hoje giro eu - A cartilha de João de Deus dos pobres de espírito para as "amadoras"

"Ah e tal, o Sporting só ganha nas modalidades amadoras devido ao alto e irrealista investimento que está a realizar" - vox populi benfiquista

 

Vamos lá por partes, modalidade a modalidade:

Futsal: com 4 vitórias em 5 anos, 6 triunfos em 8 possíveis, o Sporting é a grande potência nacional no futsal. Por realizar o maior investimento (e se fosse?) ou por deter uma organização exemplar e uma mística única? Claro que não temos o Mourinho do futsal, mas não trocaria Nuno Dias por nenhum iluminado do outro lado da 2ª Circular, endeusado pela Imprensa. Este ano, três derbies, três vitórias. Coitadinhos, desinvestiram muito: o guarda-redes do Barcelona, Cristian Dominguéz, paga para jogar; Miguel Ângelo, chegado na época passada proveniente do Sporting, mudou de clube porque gosta mais da côr da nova camisola; Robinho, craque galáctico, assinou por um prato de tremoços. Todos tocados pelo privilégio que é jogar no "grande" Benfica.

 

Andebol: campeões nacionais na época transacta, os leões acabaram de ir à Luz impôr uma derrota à equipa do Benfica por 24-27. O clube da águia "desinvestiu" muito: a equipa técnica liderada por Carlos Resende é claramente a "mais barata" do campeonato nacional como é do domínio público. Anteriormente, anos e anos de investimento em treinadores e jogadores - como o sérvio Davor Cutura, antigo melhor marcador do exigente campeonato espanhol, o antigo campeão mundial Cezar Drãgãnitã, o sérvio Milan Vucicevic, o angolano Paulo Bunze ou os portugueses Carlos Carneiro e Luis Gomes - deram ao clube da Luz um título em 18 anos, com um triunfo no campeonato nacional na época 2007/08. 

 

Voleibol: um derby para o campeonato e um torneio de pré-época, duas vitórias para o Sporting. Pois, compraram os "cromos" todos, dizem eles. Habituado a ter os melhores jogadores e de longe o maior orçamento - aí não havia nenhum problema - , ainda assim o Benfica tem, nos últimos anos, perdido alguns títulos de campeão e taças de Portugal para "colossos" como o Fonte de Bastardo, o Sporting de Espinho (grande tradição na modalidade) ou o Castelo da Maia. Agora surgiu em cena o Sporting.

 

Hóquei em Patins: uma modalidade onde o Benfica "só" tem Nicolia (provavelmente o melhor jogador da actualidade), Adroher e Trabal - todos estrangeiros - , para além de quase todos os melhores jogadores portugueses, como Valter Neves, João Rodrigues ou Diogo Rafael, mas que ainda assim não deu para se sagrarem campeões na época passada devido ao empate com o Sporting em Alvalade. 

 

Em resumo: fica provado que o Benfica investe muito pouco nas modalidades. Não fora isso e certamente teria enriquecido ainda mais o seu palmarés em compita com clubes bem "mais abastados" e que lhe tiraram títulos como o Fundão (futsal), ABC ( andebol), Fonte de Bastardo (voleibol) ou Oliveirense (hóquei em patins). 

Hoje giro eu - Rui, o São Patrício protector de Alvalade

Rui Patrício demorou a ser consensual nas bancadas de Alvalade. Após uma estreia auspiciosa nos Barreiros - defendeu um penalti - Rui tornou-se titular das balizas leoninas, promovido por Paulo Bento, na sequência de uma falha de atenção de Stojkovic que custou uma derrota no Dragão. 

O "marrazes" teve as dores de crescimento normais num jogador jovem. Cometeu erros que custaram alguns pontos e exasperaram os adeptos e nunca teve uma boa imprensa.

Para mim, Rui foi como o slogan que Pessoa cunhou para a Coca-Cola: "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Em vez de se revoltar com as constantes críticas dos adeptos, este Vosso escriba incluido, Patrício preferiu dedicar-se ao trabalho, melhorando alguns dos seus pontos fracos como os cruzamentos ou o jogo de pés.

De há uns 4 anos para cá, o guarda-redes conquistou-me definitivamente. Rui é hoje um guardião de classe mundial, campeão europeu com defesas decisivas, maduro, tranquilo, fortíssimo na "mancha" perante adversários isolados, ágil entre os postes como mostrou perante Griezmann na final de Paris. E, apesar disso tudo, continua a ser um homem humilde, sereno, que nunca se põe em "bicos de pés", um herói com uma personalidade de anti-herói.

Quando observo, nesta época em que nos querem impôr a ditadura da imagem, a facilidade com que se fazem ídolos no outro lado da 2ª Circular e em Svilar das Perdizes - como se a vida não fosse um caminho, um percurso, caír e voltar a levantar -, o endeusamento que qualquer imberbe aprendiz de feiticeiro que não lhe chega aos calcanhares recebe por parte da Comunicação Social ainda me dá mais vontade de valorizar o jogador e o homem, a quem Portugal deve o título europeu. Sim, porque por detrás do mega craque Ronaldo sempre esteve o discreto mas eficaz Rui, o São Patrício em quem Fernando Santos, homem de FÉ, depositou sempre a sua confiança. Que o digam a Croácia e a França, que viram a vitória fugir-lhes por entre as abençoadas pontas dos dedos do nosso nº 1. Desculpa-me Rui, pela injustiça que cometi no passado, e perdoa a todos eles a contínua cegueira. Por ainda hoje não haver uma "mala de dinheiro à tua espera", por já não teres borbulhas na cara, por as tuas defesas impossíveis não terem a graciosidade dos "frangos" dos outros, por não te considerarem uma "fera", por os bardos do regime não ecoarem loas a teu respeito e, principalmente, porque eles para nós são espuma do tempo e tu já és uma lenda viva que ficará para sempre na nossa memória. Não há ninguém, para além dos adeptos, que mereça mais um título de campeão nacional do que tu, Patrício, que és de longe o melhor guarda-redes deste campeonato. Que os teus colegas de balneário tenham isso em boa conta. 

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Hoje giro eu - O momento Mourinho de Sérgio Conceição

Estava a época 2002/2003 no seu início quando um jovem José Mourinho tomou a decisão de afastar Vitor Baía após um incidente disciplinar protagonizado pelo guardião. Com esta decisão, o treinador portista conseguiu afirmar-se perante o grupo, acabando por vencer a Taça UEFA nesse ano (já com Baia a titular), a que adicionaria a conquista da Champions no ano seguinte.

A decisão tomada hoje por Sérgio Conceição - que tem excedido largamente as expectativas, tanto na liderança do grupo como no nível de jogo apresentado - de optar por José Sá em detrimento de Iker Casillas "cheira" a tentativa de afirmação por parte do técnico dos dragões. Independentemente de ter havido ou não algum motivo de ordem disciplinar - algo puramente especulativo neste momento - o promissor treinador admitiu publicamente que escolheu Sá porque produz as suas escolhas através dos treinos e o jovem guardião lhe dava mais garantias para este jogo. A verdade é que, ao contrário de Mourinho, Sérgio começa a perder esta aposta: a equipa jogou bastante mal, foi claramente dominada pelo Red Bull Leipzig - ao ponto de o resultado ter sido lisonjeiro - e a sua aposta para a baliza falhou clamorosamente, abrindo caminho ao primeiro golo dos alemães. Para além disso, coincidência ou não, a defesa portista pareceu sempre pouco confortável e, fundamentalmente, o Porto foi derrotado e está neste momento fora dos lugares de qualificação para a próxima fase da Champions.

Casillas é um jogador difícil de ter no banco. Está habituado a ter protagonismo e à sua volta existe sempre imenso mediatismo. Quem ganha tem sempre razão, mas o Porto perdeu. E agora, Sérgio?

 

P.S. Existe um tipo de técnico, de que o melhor exemplo será Manuel Machado, que permanentemente ajusta o seu modelo de jogo ao adversário. Outros, como Mourinho ou Jesus, não perdendo a sua identidade, produzem algumas adaptações face à observação dos adversários. Sérgio Conceição parece pertencer a uma terceira estirpe, a dos treinadores que não prescindem das suas ideias, do ADN do seu futebol, independentemente do adversário, um pouco ao estilo da escola do Ajax. Posso estar a ser injusto - Sérgio até disse que tinha avisado para os movimentos interiores dos alas -, mas ficou a ideia de que o Porto não estudou suficientemente o Leipzig, algo que já tinha transparecido aquando da visita do Besiktas.

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Hoje giro eu - Em Turim para vencer

Aproxima-se a passos largos um dos jogos mais importantes da época para o Sporting, uma oportunidade de ouro de afirmar ao mundo a qualidade do nosso técnico e dos nossos jogadores e de mostrar a pujança do nosso clube. 

Não jogaremos contra uma equipa qualquer: a Juventus é só a finalista vencida da última edição da Champions, tem no seu plantel um "monstro sagrado", campeão do mundo, como o guarda-redes Gianluigi Buffon, centrais experientes (todos acima dos 30 anos) como Chiellini, Benatia ou Barzagli, laterais da classe de um Lichsteiner ou Alex Sandro, um meio-campo com várias opções que vão de Pjanic a Cuadrado, passando por Khedira, Matuidi (ex-PSG) ou Sturaro, e um ataque onde pontificam Higuain, Douglas Costa (contratado ao Bayern), Mandzukic, Bernardeschi (jovem promessa proveniente da Fiorentina) e a estrela Dybala.

Primeira boa noticia: Só podem jogar 11 de cada vez. Segunda boa noticia: 8 dos jogadores supracitados têm mais de 30 anos, com predominância na defesa onde apenas o brasileiro Alex Sandro (26 anos) está abaixo dessa idade.

Para ganharmos em Turim temos de conseguir conciliar duas coisas: muita posse de bola, com ela desgastando os trintões italianos, e máxima eficácia na hora do remate (não podemos repetir os baixos índices de concretização registados no Pireu).

Eu acredito!!!

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Hoje giro eu - Bremen "quer" Battaglia

Não sabia que uma viagem "relâmpago" é algo que se possa fazer nas "próximas semanas" - conceito que certamente teria alterado o rumo da história para os polacos na Segunda Grande Guerra, assemelhando a Blitzkrieg às cassetes do Raul Solnado -, mas o Record ensina-nos numa crónica assinada por Bruno Fernandes. Fui vêr ao dicionário e há duas possibilidades para significado de relâmpago: luz intensa de curta duração ou, em sentido figurado, que se passa rapidamente. 

Eu penso que a (não) noticia em si é que é um "relâmpago", pois deu a manchete "Bremen vem a Lisboa tentar Battaglia", criando a ilusão de que se trata de um interesse firme e a ser tratado brevemente. Lá dentro, na página 6, é que nos explicam que o Werder Bremen pode concretizar este interesse mais tarde, nas tais "próximas semanas", só isto, sem referência a montantes que os alemães estariam dispostos a pagar (o argentino tem uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros). Nesta aparente contradição ficamos com a convicção de que, afinal, nada mais se tratou do que de uma luz intensa, mas de curta duração. O suficiente para "dar à luz" uma manchete. Assim vai o jornalismo desportivo português... 

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Hoje giro eu - A estratégia, a aleatoriedade e o treino da mente

Qual o papel de um treinador no sucesso/insucesso de uma equipa? Aqui há tempos, Mourinho revelou um episódio passado na final da Liga Europa, quando o Manchester United defrontou o Ajax de Amesterdão. Estava o treinador português abespinhado por ver Mkhitaryan, em vez de Ander Herrera, dentro da área adversária aquando da marcação de um canto favorável ao Man U - na preparação do jogo, Mourinho tinha definido que o arménio, juntamente com dois defesas, ficaria fora da área, protegendo a transição holandesa - quando Mkhitaryan fez-se à bola e marcou o golo que selaria o 2-0 final. O basco Herrera aproximou-se do banco e explicou a Mourinho: "troquei com Mkhitaryan porque este já tinha um cartão amarelo e se o Ajax saísse para o contra-ataque poderia ser obrigado a fazer falta e ser expulso, deixando-nos a jogar com menos um."

É evidente que Mourinho teve um papel importante na estratégia, no plano de jogo: bloqueou a saída de bola holandesa - Peter Bosz encarregara a De Ligt, central direito, essa missão e o treinador português colocou sempre jogadores na sua frente obrigando o outro central, menos técnico, a conduzir a primeira fase de ataque - e mandou os seus defesas sobrevoarem a bola por cima do seu meio-campo, de forma a evitar as transições rápidas do Ajax. Mas, a pequena estória aqui contada demonstra duas coisas: o jogo tem muito de aleatório; feliz o treinador que tem jogadores em campo que sabem ler o jogo e o que é necessário fazer a qualquer momento.

Mais do que treinar uma equipa, o treinador tem o papel fundamental de adestrar a mente dos seus atletas. Quanto melhor estes souberem compreender o jogo, mais perto do sucesso estará o treinador e, por conseguinte, a sua equipa. Talvez por isso, jogadores como Franco Baresi, Paolo Maldini, Andrea Pirlo, Paulo Sousa (e hoje Herrera) foram tão relevantes: eles eram o prolongamento do treinador no terreno de jogo. Por oposição, a ausência total dessa faculdade faz com que jogadores a quem reconhecemos enorme qualidade técnica simplesmente nunca alcancem o topo. 

 

Hoje giro eu - Jesus quer mais discípulos

A fazer FÉ no Jornal "O Jogo", Jorge Jesus entende que não tem segundas linhas à altura e quer ir ao mercado em Janeiro para reforçar 5 posições: defesa central, lateral esquerdo, médio ofensivo, extremo e ponta-de-lança.

Fazendo FÉ no Relatório e Contas da Sporting SAD, os proveitos ordinários (operacionais) originados pela sociedade não são suficientes para garantir a sua sustentabilidade (obrigando a vendas - proveitos extraordinários) atendendo ao necessário investimento na equipa de futebol, o qual tem crescido bastante nos últimos 2 anos.

Ora, uma coisa está intrínsecamente ligada a outra e é tempo de Bruno de Carvalho pôr termo a estas constantes exigências de Jorge Jesus, à sua impaciência, incapacidade de aproveitar o plantel ao seu dispor e melhorar os jogadores - que contrasta fortemente com o que Sérgio Conceição está a fazer no FC Porto - e permanente desculpabilização.

Em primeiro lugar, é necessário fazer o exercício de analisar se não temos em casa as soluções para as lacunas detectadas: começando pelo defesa central, JJ manifestou vontade em contar com André Pinto, tendo o Sporting contratado o atleta, o qual estava em final de contrato com o Braga. Inclusivé, após acordo com António Salvador, o atleta chegou a Alvalade ainda antes do final da época transacta o que lhe permitiu ambientar-se ao clube e aos métodos do treinador. A entrada deste atleta implicou a saída de Paulo Oliveira, um jogador que fez uma óptima dupla com Naldo em 15/16 antes de JJ ter mudado os centrais, colocando Coates e Semedo a titulares. O ex-vimaranense nunca comprometeu e constituiu-se sempre como uma confortável solução partindo do banco pelo que a sua venda só pode ter significado que Jesus apostava forte em André Pinto. Além disso, Tobias regressou e ainda temos o turco Demiral na equipa B. Assim sendo...

Na lateral esquerda, Jesus colocou de lado Jefferson e Marvin Zeegelaar (e até Esgaio que chegou a jogar no Dragão), apostando no empréstimo de Fábio Coentrão e no regresso de Jonathan Silva. Com o vilacondense a ser gerido com pinças, o argentino tem tido oportunidades, mas não se tem mostrado à altura do desafio, o que põe em causa as dispensas promovidas pelo treinador. Atendendo a que Coentrão terá de regressar ao Real Madrid, no final da época, aqui concordo que teremos de ir ao mercado.

A posição de médio ofensivo é actualmente preenchida por Bruno Fernandes e Alan Ruiz. A confirmar-se a saída do argentino - "cut your losses short" - o Sporting deveria promover o regresso de Francisco Geraldes. Num 4-3-3, volta a haver lugar para Xico, um médio com larga visão de jogo, a merecer uma oportunidade desde que o treinador não insista num ensaio sobre a cegueira.

Nas alas, JJ possui Iuri e Podence como alternativas. O açoriano precisa de algum acompanhamento psicológico que lhe reforce os índices de confiança, Daniel é um extremo de raíz que se perde como "mezzapunta".

Finalmente, à frente, Jorge Jesus tem actualmente um jovem internacional angolano de grande potencial. Gelson Dala é um jogador com finta, recepção orientada, rapidez e capacidade de concretização, qualidades que merecem a aposta do técnico.

Em resumo, as finanças do clube e o exemplo que vem do Norte - aproveitamento dos proscritos Aboubakar, Marega, Sérgio Oliveira, Diego Reyes e Ricardo Pereira, além da reabilitação de Brahimi - atestam a necessidade de desenvolver as competências internas e de promover soluções dentro do plantel (a excepção deveria ser a lateral esquerda). O trabalho meritório desta direcção não pode ser comprometido pela falta de atenção que o treinador parece devotar a algumas putativas opções.

Esta época navegamos sobre gelo fino. Não vendendo mais jogadores não há espaço para mais aquisições, se quisermos ter as contas equilibradas. 

Tem a palavra Bruno de Carvalho...

 

P.S. Tantas vezes se tem criticado aqui (com alguma razão, diga-se) a política de comunicação do clube e do seu presidente que ficaria mal não elogiar as palavras de Bruno de Carvalho a propósito da visita a Oleiros, independentemente da contrariedade de ter de jogar num sintéctico, evidenciando uma sensibilidade fora do comum para com o sofrimento de uma população, mostrando aquilo que o futebol tem de melhor: paixão, festa e, já agora, solidariedade. Chapeau!!

 

 

Hoje giro eu - JJ a passar ao lado da carreira do 57

Jacinto Muondo Dala, Gelson Dala no mundo do futebol, é um jovem angolano proveniente do 1º de Agosto, onde se sagrou campeão nacional e melhor marcador do Girabola.

Tendo-se estreado pela equipa secundária dos Leões em Janeiro de 2017, Dala surpreendeu pela positiva ao marcar 13 golos em 17 jogos incompletos (1340 minutos), o que dá uma média de 1 golo a cada 103 minutos (dados TransferMarket).

Não é normal um jovem de 20 anos, proveniente de Angola, chegar a um país para si desconhecido, adquirir novos hábitos alimentares, enfrentar um clima diferente, deparar-se com uma intensidade de jogo muito superior à que estava habituado, defrontar-se com jogadores muito experientes e de boa capacidade técnica e, apesar disso tudo, integrar-se de forma rápida social e profissionalmente e conseguir ter um sucesso imediato.

Hoje Gelson Dala apontou 3 dos 4 golos com que o Sporting B bateu o líder da Ledman Pro, o Santa Clara (4-3). Já é altura de Jorge Jesus olhar para os números deste miúdo - ninguém em Portugal marca tanto em tão curto espaço de tempo - e dar-lhe uma oportunidade. Quem vence tantas condicionantes, num meio envolvente pouco favorável, merece-a certamente. Está aqui um diamante e quando subsistem dúvidas sobre a utilização de Doumbia para o jogo de amanhã e fica a sensação de que poderemos ir a jogo sem alternativa a Bas Dost, é impossível não pensar que, afinal, ela estava aqui em casa, à nossa vista, era o camisola 57.

 

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Hoje giro eu - Iuri, o anticiclone dos Açores

O anticiclone dos Açores é um centro de altas pressões (atmosféricas) situado junto ao arquipélago que é um território autónomo da República de Portugal.

Nascido na Horta, ilha do Faial, Iuri Medeiros está no Sporting desde os onze anos de idade. Estreou-se nos escalões profissionais na época 2012/13, representando o Sporting B. Nos últimos 3 anos foi sucessivamente emprestado ao Arouca, Moreirense e Boavista. Por estes três clubes marcou 21 golos, 18 na Primeira Liga (a que juntou 26 assistências para golo), destacando-se os 3 apontados ao Benfica (mais um para a Taça da Liga) e os 2 ao FC Porto.

Os números enunciados acima demonstram que Iuri é um jogador que se agiganta contra os grandes clubes. Embora a sua curta história futebolística deixe a impressão de ser um jogador de laivos de génio entrecortados por momentos de passividade, a sua performance desportiva este ano, ao serviço do Sporting, não deixa de surpreender pela negativa.

Uma coisa era termos dúvidas sobre se estaria à altura em termos da intensidade posta no jogo, outra é verificarmos nos jogos contra Maritimo e Moreirense deficiências técnicas, o que constitui um paradoxo face ao que lhe conhecêramos até agora.

O que leva um jogador, considerado por muitos como um virtuoso, a mostrar lacunas técnicas, a nível do passe e do controlo de bola, dignas de um jogador das distritais?

A resposta a esta questão passa pela falta de capacidade psicológica para aguentar a alta pressão de representar um grande clube. Simplificando, o jogador não está a aguentar o stress e a sofreguidão de mostrar o seu futebol está a retirar-lhe o discernimento.

Iuri não se pode queixar de falta de oportunidades. Este ano, Jesus tem apostado nele, geralmente partindo do banco, mas também jogando de início contra o Marítimo, para a Taça da Liga. 

O açoriano está a beira de passar ao lado de uma grande carreira. Nestes momentos é importante o papel do treinador. Jesus precisa retirar ansiedade a Iuri. Já tocámos neste tema em outros momentos: cada jogador tem uma personalidade própria. O objectivo para cada um é igual, a forma de o atingir tem necessariamente de ser diferente, atenta a idiossincrasia de cada um. Um ralhete a um jogador pode ser para ele um estimulante, para outro pode abrir-lhe o chão. Um treinador é um gestor de recursos humanos, estará Jesus à altura deste desafio? Iuri e o Sporting precisam disso. 

 

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Hoje giro eu - O estranho caso de Alan Ruiz

Alan Ruiz nunca foi um jogador consensual. Não o foi no San Lorenzo, no Grémio de Porto Alegre ou mesmo no Colón, clube onde terá vivido os melhores momentos da sua curta carreira.

O argentino tem manifestamente um problema de intensidade no seu jogo, algo que se já era visível na América do Sul ainda se sublima mais no competitivo futebol europeu, onde há menos espaços e é preciso pensar mais depressa.

Mais do que lento a executar, Alan não é lesto a pensar o jogo. Isso torna-se visível nos momentos sem bola - defensivamente, muitas vezes fica imóvel - quando hesita na procura dos espaços para desmarcação, o que estabelece a simetria com o futebol de Bruno Fernandes, feito de passe (ou remate) e deslocação para o espaço vazio, movimento em que o maiense é exímio. 

Por tudo isto, torna-se um desafio para os treinadores a sua posição no campo: Scolari, no Grémio, e Dario Franco, no Colón, muitas vezes colocavam-no a partir da direita, aproveitando as suas diagonais de pé esquerdo. No entanto, o seu fraco compromisso defensivo (e a sua pouca velocidade) torna pouco crível jogar nessa posição na Europa, na medida em que exporia em demasia o seu lateral direito. 

Alan Ruiz tem a sua melhor qualidade na potência e colocação do seu remate. O problema é que, ficando à espera que a bola lhe chegue ao pé, raramente tem possibilidade de executar o tiro. JJ prejudica a equipa quando a põe a girar em volta do argentino, numa espécie de teoria heliocêntrica onde Alan seria o Sol. Nem a equipa pode jogar em função dele, nem ele se desloca para ganhar tempo para o seu futebol. Tempo? Sim! A melhor forma de compensar a sua lentidão seria arranjar os espaços livres que lhe permitissem demorar umas décimas de segundo adicionais na execução. 

No actual cenário, o argentino desequilibra a equipa. Perde muitíssimas bolas, que propiciam transições adversárias, não tem compromisso defensivo e ofensivamente não resolve. E, pior do que tudo, não está a evoluir.

 

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Hoje giro eu - Foco em Moreira

Com o aproximar das grandes emoções da Champions League - recepção ao todo-poderoso Barcelona - , a que se seguirá um jogo de extrema importância, em Alvalade, contra o rival FC Porto, é preciso não esquecer que antes de tudo isso temos um jogo fundamental para as nossas aspirações no Campeonato Nacional ainda por disputar. 

Sábado, em Moreira de Cónegos, o Sporting defende a liderança (partilhada ou não, logo à noite se verá) na competição maior do futebol português e o foco de técnicos e jogadores tem de estar nesta partida, jogada num campo que habitualmente nos coloca algumas dificuldades.

Imaginando que na cabeça dos jogadores já esteja o sonho europeu, é preciso descer à terra e não esquecer que temos este difícil obstáculo por ultrapassar, importante para a concretização daquela que deve ser encarada como a prioridade da época: a conquista do título de Campeão Nacional.

Por isso, o meu desejo é que Jesus coloque bem as suas peças no xadrez verde-e-branco dos cónegos e que, na altura certa, saibamos fazer o xeque-mate às aspirações minhotas. 

Para os jogadores, foco,foco, foco, Sporting, Sporting, Sporting!

 

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Hoje giro eu - A doutrina de Jesus

Jorge Jesus pode ter alguns defeitos, mas a verdade é que doutrina entre os treinadores portugueses. Andava Rui Vitória desesperado - na indefinição entre o 4-3-3, modelo táctico que lhe tinha dado bons resultados em Guimarães, e o 4-4-2 com alas bem abertos, legado e fórmula de sucesso de JJ nos dois anos anteriores - quando decidiu adoptar (chamemos-lhe assim) a inovação que, entretanto, Jorge Jesus introduzira no Sporting: João Mário na ala, partindo daí para movimentos interiores, criando superioridade numérica no meio-campo. Estávamos em 2015 e o recurso a Pizzi, jogando no corredor direito, viria a valer um campeonato. Antes, colocara Guedes e Gaitán nas alas, na Luz contra o Sporting (Pizzi a "8"), e o resultado tinha sido desastroso...

Ontem, em jogo da Taça da Liga frente ao Braga, Rui Vitória experimentou pela primeira vez este ano o 4-3-3 (os entendidos dirão que é um 4-2-3-1), com Krovinovic a fazer de Bruno Fernandes, mais uma vez replicando tardiamente (em 15/16 ainda foi a tempo) o que JJ vem fazendo desde o início da época. Este detalhe é importante porque RV tinha Gabigol disponível para fazer de Jonas e preferiu metê-lo numa ala. Não será tão fácil, no entanto, este modelo vingar e por uma simples razão: Jonas, o segundo avançado no modelo 4-4-2, é só o melhor jogador do Benfica e por uma larga margem. Assim sendo, como coabitar Jonas neste sistema? A única solução seria abdicar do ponta-de-lança puro (Seferovic ou Jimenez) e deixar Jonas solto na frente, jogando com um meio-campo a 3 formado por Fejsa, Pizzi e Krovinovic, apoiados nas alas por Sálvio e Cervi (ou Zivkovic). Esta solução tem prós e contras. A favor, a idade de Jonas e a necessidade de poupá-lo a uma excessiva deriva por caminhos extenuantes longe da baliza; contra, o facto bem provável de o brasileiro render mais quando não é uma referência fixa na frente. Apesar de tudo, não me admirava nada que Rui Vitória testásse este modelo em Basileia.

Uma coisa é certa: com melhores ou piores resultados, Jesus doutrina. Que continue, mas desta vez de olhos bem abertos, sem soberbas e a dar o devido mérito aos seus jogadores (algo que tem sido uma realidade este ano).

 

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Hoje giro eu - Entrada de Leão

A melhor gestão que se pode fazer de uma equipa de futebol é entrar com tudo, marcar uma, duas, três vezes e depois descansar com bola.

Temos quatro jogadores com claro excesso de jogos/viagens. De entre eles, Gelson e Acuña serão os mais sacrificados, Coates e Bruno Fernandes não foram utilizados na jornada dupla das selecções. Desconheço o estado físico dos jogadores, mas tirar em simultâneo os dois alas parece-me demasiado arriscado. Pela sua morfologia, talvez Acuña possa resistir melhor à carga, mas fiel ao princípio enunciado no início deste Post, eu entraria com os dois e substituiria Gelson aos 45/60 minutos (e Acuña assim que possível). Bruno Fernandes, muito carregado, seria um dos dois jogadores que eu não faria alinhar como titular. Pô-lo-ia no banco e, caso houvesse necessidade, entraria no relvado. William e Battaglia podem tomar conta do meio-campo e daria a oportunidade a Iuri Medeiros de jogar solto por detrás de Bas Dost, tentando obter o tipo de desempenho com o açoriano que ainda não foi conseguido com Podence e, principalmente, Alan Ruiz. O outro jogador que pouparia seria Sebastian Coates. Jogador pesado e alto, tenho medo que os seus joelhos se ressintam de tanto jogo. Por outro lado, daria a oportunidade a André Pinto de ganhar a necessária rodagem, a fim de obter uma condição mais próxima da ideal para poder ser opção nos jogos difíceis que aí vêm,

Sábado, contra o Tondela, temos de dar tudo, desde o início, ser competentes em frente ao golo (desperdiçámos oportunidades "bárbaras" contra o Olympiacos) e, sobretudo, estar focados. Cada jogo deve ser visto como uma final, sem deslizes, distrações ou endeusamentos. O Olimpo já ficou para trás, agora é tempo de ter os pés bem assentes na terra.

Não podemos perder este "élan", este empolgamento, a relação de confiança que jogadores e equipa técnica têm sabido criar com sócios, adeptos e simpatizantes do clube. Eu sei que, dada a proliferação de jogos, a Vós jogadores vos começa a doer um bocadinho os músculos, mas ponham os olhos no exemplo dos atletas da Maratona: são mais de 42 km e ninguém pensa ou põe o foco na meta, mas sim no kilómetro seguinte que é preciso superar. No mundo da bola, o próximo Km chama-se Tondela!

 

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Hoje giro eu - E esta, hein?

Aqui há alguns anos atrás, Fernando Pessa apresentou um conjunto de reportagens vintage - escola BBC - onde eram descritas variadíssimas situações bizarras ou insólitas que ocorriam na cidade de Lisboa e que terminava com a frase: "E esta, hein?".

Vem este arrazoado a propósito das previsões  dos "especialistas" do futebol português para o desempenho na Champions, condenando, ao melhor estilo manuel machadês, o Sporting à luta pela qualificação para a Liga Europa e dando favoritismo a Benfica e Porto para seguirem para a segunda fase da prova milionária.

Sabe-se lá por que sortilégio da fortuna, então não é que a realidade lhes pregou uma peça nesta primeira ronda , tendo o "underdog" Sporting vencido (e fora) e os super-híper favoritos Benfica e Porto perdido (em casa)?

Pode ser que isto fique por aqui, mas que deu gozo ver a cara dos gurus da bola depois destes acontecimentos, lá isso deu. Homenageando (e parafraseando) o grande Pessa, é caso para dizer: "E esta, hein?".  

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 Sentido obrigatório para a Segunda Fase da Champions?

 

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Olhe que não, olhe que não...

Hoje giro eu - O sol e as sombras de Bruno

Pronto, já sei que o presidente adjectiva quando se deve limitar a apresentar factos, que faz o António Sala parecer um suprasumo do humor, que tem tiradas de mau gosto - habitualmente de cariz escatológico -, que se esquece por vezes de que os donos do clube são os sócios, que tem tiques de ditador e blá, blá, blá...

Tudo isso é verdade, um facto incontornável, concordo em absoluto: é a pior face de um General preso no seu próprio labirinto (comunicacional). Mas, um homem é feito de várias facetas, tem pontos fortes e pontos fracos, e muitas vezes os nossos maiores defeitos estão perto de ser as nossas maiores virtudes (e vice-versa).

Inegávelmente, Bruno de Carvalho é um homem combativo, o que lhe tem valido algumas vitórias importantes e, aqui e ali, poucas derrotas. É por demais evidente que Bruno irá até às últimas consequências na sua luta contra o Conselho de Disciplina da Federação e o seu presidente, José Manuel Meirim, utilizando linguagem agressiva e não querendo saber das consequências dessa refrega que, no meu ponto-de-vista, são um "loose-loose situation": se perder essa batalha, o clube ficará fragilizado; se a ganhar, a imagem do presidente fica muito enfraquecida até por episódios semelhantes aos da sua última entrevista - será uma vitória à Pirro! Mas, BdC já deu mostras de que não cede perante quaisquer comentários, pelo que a insistência na critica, na esperança genuina e construtiva de que mude de atitude (segundo Abraham Lincoln, a única forma legitima de critica), apresentará resultados semelhantes a convencer uma população de esquimós a mudar-se para um clima tropical.

Take it or leave it!

A sua energia (e activismo) tem permitido que o clube se venha aproximando da onda verde criada por João Rocha no início dos anos 80: começou na história do valor das cláusulas de rescisão que muitos na altura comentaram com sarcasmo e hoje, depois do Barcelona ter perdido Neymar vemos por todo o mundo imitar (visionarismo?); continuou nos fundos e na luta pela verdade desportiva, pelo vídeo-árbitro, pela divulgação pública dos relatórios dos árbitros e dos Observadores - batalhas ganhas (transparência?); prosseguiu na implementação de um espirito corporativo, de solidariedade, de compromisso, de equipa, que se traduz numa pública e efectiva troca de apoio entre todas as modalidades e é algo que já não víamos neste clube há muitos anos (identidade?); finalmente, a gestão dos nossos activos desportivos, a melhor da nossa história (performance?).

O clube estava num colete de forças imposto por um conjunto de agentes, desportivos e não só (clubes adversários, empresários, bancos credores,...), e em péssima situação económico-financeira, não se via forma de dar a volta a isso. Hoje, nota-se um crescimento anual nas diversas modalidades, nos escalões de Formação, no número de sócios, nas assistências no estádio, na melhoria das condições da Academia e, last but not the least, "habemus" Pavilhão! As contas são melhores do que em mandatos anteriores - apesar do crescimento do volume de negócios com os mesmos problemas de dimensão do negócio que os outros grandes - mas há um melhor aproveitamento das pérolas da Formação, que ficam mais anos no clube (rendimento desportivo) e são vendidos por um valor mais elevado do que no passado e o clube voltou a ser respeitado, mesmo que a correlação de forças desequilibrada nos meios de comunicação social tente mostrar-nos o contrário.

Bruno de Carvalho nunca será consensual. Muitas vezes vamo-nos sentir tristes, por vezes até envergonhados com o que diz, a forma como comunica. Mas, é lutador, corajoso, audacioso, determinado e tem aumentado os níveis de exigência do clube para com quem o representa.

Quem duvida é sábio, quem acredita é feliz. Bruno acredita no seu projecto para o Sporting e está na sua cadeira de sonho. Que nos faça felizes!

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