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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Entrada de Leão

A melhor gestão que se pode fazer de uma equipa de futebol é entrar com tudo, marcar uma, duas, três vezes e depois descansar com bola.

Temos quatro jogadores com claro excesso de jogos/viagens. De entre eles, Gelson e Acuña serão os mais sacrificados, Coates e Bruno Fernandes não foram utilizados na jornada dupla das selecções. Desconheço o estado físico dos jogadores, mas tirar em simultâneo os dois alas parece-me demasiado arriscado. Pela sua morfologia, talvez Acuña possa resistir melhor à carga, mas fiel ao princípio enunciado no início deste Post, eu entraria com os dois e substituiria Gelson aos 45/60 minutos (e Acuña assim que possível). Bruno Fernandes, muito carregado, seria um dos dois jogadores que eu não faria alinhar como titular. Pô-lo-ia no banco e, caso houvesse necessidade, entraria no relvado. William e Battaglia podem tomar conta do meio-campo e daria a oportunidade a Iuri Medeiros de jogar solto por detrás de Bas Dost, tentando obter o tipo de desempenho com o açoriano que ainda não foi conseguido com Podence e, principalmente, Alan Ruiz. O outro jogador que pouparia seria Sebastian Coates. Jogador pesado e alto, tenho medo que os seus joelhos se ressintam de tanto jogo. Por outro lado, daria a oportunidade a André Pinto de ganhar a necessária rodagem, a fim de obter uma condição mais próxima da ideal para poder ser opção nos jogos difíceis que aí vêm,

Sábado, contra o Tondela, temos de dar tudo, desde o início, ser competentes em frente ao golo (desperdiçámos oportunidades "bárbaras" contra o Olympiacos) e, sobretudo, estar focados. Cada jogo deve ser visto como uma final, sem deslizes, distrações ou endeusamentos. O Olimpo já ficou para trás, agora é tempo de ter os pés bem assentes na terra.

Não podemos perder este "élan", este empolgamento, a relação de confiança que jogadores e equipa técnica têm sabido criar com sócios, adeptos e simpatizantes do clube. Eu sei que, dada a proliferação de jogos, a Vós jogadores vos começa a doer um bocadinho os músculos, mas ponham os olhos no exemplo dos atletas da Maratona: são mais de 42 km e ninguém pensa ou põe o foco na meta, mas sim no kilómetro seguinte que é preciso superar. No mundo da bola, o próximo Km chama-se Tondela!

 

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Hoje giro eu - E esta, hein?

Aqui há alguns anos atrás, Fernando Pessa apresentou um conjunto de reportagens vintage - escola BBC - onde eram descritas variadíssimas situações bizarras ou insólitas que ocorriam na cidade de Lisboa e que terminava com a frase: "E esta, hein?".

Vem este arrazoado a propósito das previsões  dos "especialistas" do futebol português para o desempenho na Champions, condenando, ao melhor estilo manuel machadês, o Sporting à luta pela qualificação para a Liga Europa e dando favoritismo a Benfica e Porto para seguirem para a segunda fase da prova milionária.

Sabe-se lá por que sortilégio da fortuna, então não é que a realidade lhes pregou uma peça nesta primeira ronda , tendo o "underdog" Sporting vencido (e fora) e os super-híper favoritos Benfica e Porto perdido (em casa)?

Pode ser que isto fique por aqui, mas que deu gozo ver a cara dos gurus da bola depois destes acontecimentos, lá isso deu. Homenageando (e parafraseando) o grande Pessa, é caso para dizer: "E esta, hein?".  

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 Sentido obrigatório para a Segunda Fase da Champions?

 

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Olhe que não, olhe que não...

Hoje giro eu - O sol e as sombras de Bruno

Pronto, já sei que o presidente adjectiva quando se deve limitar a apresentar factos, que faz o António Sala parecer um suprasumo do humor, que tem tiradas de mau gosto - habitualmente de cariz escatológico -, que se esquece por vezes de que os donos do clube são os sócios, que tem tiques de ditador e blá, blá, blá...

Tudo isso é verdade, um facto incontornável, concordo em absoluto: é a pior face de um General preso no seu próprio labirinto (comunicacional). Mas, um homem é feito de várias facetas, tem pontos fortes e pontos fracos, e muitas vezes os nossos maiores defeitos estão perto de ser as nossas maiores virtudes (e vice-versa).

Inegávelmente, Bruno de Carvalho é um homem combativo, o que lhe tem valido algumas vitórias importantes e, aqui e ali, poucas derrotas. É por demais evidente que Bruno irá até às últimas consequências na sua luta contra o Conselho de Disciplina da Federação e o seu presidente, José Manuel Meirim, utilizando linguagem agressiva e não querendo saber das consequências dessa refrega que, no meu ponto-de-vista, são um "loose-loose situation": se perder essa batalha, o clube ficará fragilizado; se a ganhar, a imagem do presidente fica muito enfraquecida até por episódios semelhantes aos da sua última entrevista - será uma vitória à Pirro! Mas, BdC já deu mostras de que não cede perante quaisquer comentários, pelo que a insistência na critica, na esperança genuina e construtiva de que mude de atitude (segundo Abraham Lincoln, a única forma legitima de critica), apresentará resultados semelhantes a convencer uma população de esquimós a mudar-se para um clima tropical.

Take it or leave it!

A sua energia (e activismo) tem permitido que o clube se venha aproximando da onda verde criada por João Rocha no início dos anos 80: começou na história do valor das cláusulas de rescisão que muitos na altura comentaram com sarcasmo e hoje, depois do Barcelona ter perdido Neymar vemos por todo o mundo imitar (visionarismo?); continuou nos fundos e na luta pela verdade desportiva, pelo vídeo-árbitro, pela divulgação pública dos relatórios dos árbitros e dos Observadores - batalhas ganhas (transparência?); prosseguiu na implementação de um espirito corporativo, de solidariedade, de compromisso, de equipa, que se traduz numa pública e efectiva troca de apoio entre todas as modalidades e é algo que já não víamos neste clube há muitos anos (identidade?); finalmente, a gestão dos nossos activos desportivos, a melhor da nossa história (performance?).

O clube estava num colete de forças imposto por um conjunto de agentes, desportivos e não só (clubes adversários, empresários, bancos credores,...), e em péssima situação económico-financeira, não se via forma de dar a volta a isso. Hoje, nota-se um crescimento anual nas diversas modalidades, nos escalões de Formação, no número de sócios, nas assistências no estádio, na melhoria das condições da Academia e, last but not the least, "habemus" Pavilhão! As contas são melhores do que em mandatos anteriores - apesar do crescimento do volume de negócios com os mesmos problemas de dimensão do negócio que os outros grandes - mas há um melhor aproveitamento das pérolas da Formação, que ficam mais anos no clube (rendimento desportivo) e são vendidos por um valor mais elevado do que no passado e o clube voltou a ser respeitado, mesmo que a correlação de forças desequilibrada nos meios de comunicação social tente mostrar-nos o contrário.

Bruno de Carvalho nunca será consensual. Muitas vezes vamo-nos sentir tristes, por vezes até envergonhados com o que diz, a forma como comunica. Mas, é lutador, corajoso, audacioso, determinado e tem aumentado os níveis de exigência do clube para com quem o representa.

Quem duvida é sábio, quem acredita é feliz. Bruno acredita no seu projecto para o Sporting e está na sua cadeira de sonho. Que nos faça felizes!

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Hoje giro eu - A "ditadura das vitórias" contra a democracia ateniense

Tic-tac para o início do jogo mais importante do ano para o Sporting: o próximo (tem de ser assim até ao fim).

O palco será o estádio Karaiskakis (homenagem ao herói da Guerra da Independência travada pela Grécia contra o Império Otomano), situado no Pireu, Atenas. O adversário, o Olympiacos, o maior clube grego.

Com o início da Champions, vem aí uma excelente oportunidade de afirmação do Sporting. É muito importante começarmos a ganhar pelo que os níveis de concentração e ambição têm de ser máximos. 

Na antevisão de um duelo como este, queria chamar aqui a atenção para alguns pontos que, em meu entender, merecem algum preocupação e para outros que, para meu gáudio, são motivo reforçado de confiança no futuro desta equipa. Então, com a Vossa paciência, aqui vão:

 

Pontos Fracos

1. Depois de uns primeiros 4 jogos em que a nossa baliza ficou inviolável, sofremos golos (4) em cada um dos últimos 3 jogos: 1 em contra-ataque, 1 de fora da área, 1 numa rotação sobre o nosso defesa concluida com um remate cruzado na área e 1 numa "bola parada".

2. Quando Battaglia alinhou na posição "6", o Sporting apenas sofreu 1 golo (em contra-ataque). Sofremos 1 golo do Estoril quando Petrovic substituiu Adrien, recuando para "6", subindo Battaglia para "8"; O Feirense marcou-nos 2 golos com Battaglia a defesa direito e não no meio-campo. Será que o que nos agrada aos olhos, não nos enche necessáriamente a barriga? 

3. Desde que Naldo saiu, não temos um central especialmente forte na marcação. Esta lacuna torna-se mais gritante quando William ocupa a posição "6". Ao contrário de Fejsa ou Danilo Pereira, uns "bichos" no roubo de bola, William é um jogador mais cerebral, com excelente controlo, domínio de bola e passe vertical que catapulta a equipa para o ataque. A solução poderia passar por recuar Battaglia e fazer avançar William para "8". Estará isso nos planos de Jesus? Será André Pinto o jogador que nos falta, que impõe presença perante os avançados e permite ao outro central jogar na dobra?

4. Na lateral esquerda, com Fábio Coentrão lesionado, Jonathan parece curto. É um jogador lento para jogar numa ala e tem muitas dificuldades em ir à linha e centrar. Assim, não permite o desdobramento do nosso 4-3-3 (com William, Battaglia e Bruno Fernandes), num 3-5-2 (recuando William, os laterais subindo, o ala do lado da bola metendo para dentro, o ala oposto ao lado da bola juntando-se ao ponta-de-lança).

5. Piccini tem melhorado, mas na sua ausência deverá surgir Ristovski. Espero que Jesus não repita a experiência com Battaglia, não porque o argentino tenha comprometido naquela posição, mas devido a fazer falta no meio-campo. Existem algumas dúvidas sobre a sua qualidade, mas haverá melhor partida para lançar o macedónio do que contra um adversário que tem Alexandre, O Grande, no seu emblema?

6. Plano B (só com 2 médios centro) com Alan Ruiz não funciona.

 

Pontos Fortes:

1. Rui Patricio: o nosso guarda-redes está no ponto ideal de amadurecimento. É um líder no balneário e Jesus parece tê-lo escolhido para comandar as tropas no campo. Se bem que eu prefira um jogador de campo para capitão, Rui é um campeão europeu, tem personalidade e outras características capazes de gerar um mimetismo no resto da equipa.

2. Bruno Fernandes: o maiense entrou em Alvalade como um furacão, devastando as defesas adversárias com um manacial de truques há muito tempo não visto por estes lados. Finta, passe, recepção, contenção e, principalmente, capacidade de remate, forte e enquadrado, temperando bem os dotes de construtor de um Deco ou Rui Costa com a potência balística de um Maniche ou Carlos Manual. O jogador mais influente da equipa. Um jogador raro!

3. Battaglia: o argentino tomou de surpresa as bancadas de Alvalade. Desde Oceano que não havia um jogador tão electrizante e que cobrisse tanto terreno. Acresce que possui boa técnica de drible (não tanto de passe), o que é um "plus" face ao antigo jogador leonino. Vive um momento exuberante do ponto-de-vista físico e aguarda-se com expectativa a forma como se adequará à posição anteriormente ocupada por Adrien , afinal a sua por natureza, onde as suas cavalgadas com bola poderão ser marcantes.

4. Marcus Acuña: excelente contratação, o ex-jogador do Racing defende-ataca os 90 minutos. Um jogador de equipa que tem tudo para ser o Rei das Assistências, tal a sua qualidade de cruzamento. Pressiona o defesa direito adversário na saída de bola, contribuindo para que o Sporting ganhe a bola mais à frente. Alternativa para bater livres.

5. Bas Dost: o "flying dutchman", na terra ou no ar, é uma mais-valia para toda a equipa. Exímio marcador de golos, excelente profissional e um "gentleman", o holandês tem um espírito de equipa indesmentível, em cima do qual Jesus tem condições para criar uma equipa solidária.

6. Iuri, Doumbia e Podence: três jogadores que permitem transformar o Plano A de JJ. Penso que o treinador leonino deve dar mais oportunidades a Iuri, eventualmente testando-o no plano B, últimamente entregue a Alan Ruiz, jogando assim numa posição mais central, podendo trocar de posição com Gelson, o que também permitiria a este executar movimentos interiores que lhe potenciem mais golos. Doumbia poderá ser o Plano C, isto é, 2 pontas-de-lança em paralelo, tendo o marfinense uma outra capacidade de receber de costas e rodopiar sobre os defesas. Podence pode ser alternativa atrás de Dost ou a jogar nas alas, mas vejo-o mais, nesta fase da sua carreira, como um jogador de transições rápidas, ideal para lançar quando estamos na frente do marcador.

7. Gelson: apesar de por vezes parecer querer fazer tudo demasiado depressa, Gelson tem claramente uma velocidade a mais do que todos os outros. Uma nuance táctica, num sistema 4-4-2 - com Iuri, não Alan - poder-lhe-ia trazer maior exposição perante o golo, tornando-o ainda mais participativo (e menos previsível) na manobra ofensiva. Empatado com Dost, é o segundo jogador mais influente da equipa neste arranque de época, com presença em 7 golos da equipa.

8. Dinâmica da equipa: o desdobramento do 4-3-3 no 3-5-2 no Plano A de JJ parece estar a funcionar em pleno. Quando Battaglia, Adrien e Bruno Fernandes jogaram juntos, obtivemos duas "manitas" seguidas. Saiu Adrien, entrou William, não penso que a dinâmica se ressinta.

 

Assim, concluimos que a maior parte das incertezas ou fragilidades são atrás, havendo também alguma indefinição sobre qual será a melhor solução para o 4-4-2 (Podence e Alan não corresponderam totalmente). Num sistema 4-3-3, do meio-campo para a frente e em processo ofensivo não vejo debilidades, pelo contrário, vejo uma equipa com uma dinâmica muito difícil de parar., como o demonstra os 6 vitórias (e 1 empate) em 7 jogos.

 

Tic-tac, está quase na hora, SPOOOOOOOOOOOOOOOORTING !!!!!

Hoje giro eu - Battaglia do Pireu

Embalado por uma série vitoriosa que não é inédita - em 1990/91, com Marinho Peres ao leme, ganhámos os primeiros 11 jogos do campeonato - o Sporting ainda denota alguns problemas, tanto na sua organização defensiva como na ofensiva.

Atendendo ao historial clínico de Fábio Coentrão não parece haver uma alternativa credível. Jonathan Silva é esforçado, mas torna uma simples ida à linha de fundo para centrar num dos doze trabalhos de Hércules, tal a falta de velocidade que evidencia. Menos mal que, sendo o próximo jogo em terras gregas, a penitência lhe possa merecer alguma simpatia daquelas gentes.

No eixo da defesa, JJ optou por manter em Santa Maria da Feira um homem afectado pelo "jet lag" e outro adoentado. Entre as olheiras de Coates e o nariz e garganta irritados de Mathieu, André Pinto ficou no banco. Dada a má época realizada anteriormente por Tobias, se o ex-bracarense não cumpre os serviços mínimos ao ponto de não merecer a confiança de Jorge Jesus num jogo daqueles e com aquelas circunstâncias, então temos aqui um problema.

Finalmente, a insistência no actual Alan Ruiz ameaça comprometer o plano B do treinador leonino, isto é, a alteração do sistema de 3 médios centro (William, Battaglia, Bruno Fernandes), para 2 mais um "mezzapunta". O argentino, não só nos faz perder a batalha do meio-campo como não desequilibra na frente, demorando uma eternidade a definir os lances e não se movimentando o suficiente no sentido de baralhar as marcações adversárias e criar espeços aos seus colegas.

O jogo da próxima terça-feira em Atenas poderá marcar a estreia de Ristovski. Será o jovem macedónio, fiel ao legado do Grande Alexandre, capaz de comandar a ala direita do exército leonino até à tomada do Porto de Pireu?

Uma coisa é certa: contaremos com o nosso Zorba, Rodrigo Battaglia, que vive a vida na essência do que nos transmitia Jung: ama o futebol, é intenso, odeia as burocracias do centro do terreno, procura com espontaneidade galgar metros e traz a energia cósmica e a sorte que pareciam perdidas em Alvalade.

Assim, por volta das 21:30 desse dia, espero ver Battaglia dançar o Sirtaki. E que os gregos não partam um prato !

 

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Hoje giro eu - Zero à esquerda?

Com Fábio Coentrão ainda lesionado e Acuña - bela exibição e assistência para o único golo argentino, de Icardi - com um jogo intenso disputado esta madrugada (o segundo em cinco dias), em que teve de fazer todo o corredor, e uma longa viagem de regresso ainda pelo caminho, é provável que Jorge Jesus tenha de mexer em todo o flanco esquerdo da equipa e que nenhum dos habituais titulares vá a jogo em Santa Maria da Feira. Atendendo a estas condicionantes, o que faria o Leitor se estivesse no lugar do treinador leonino? Que jogadores colocaria de início?

Hoje giro eu - O efeito Capeta

Pela terceira vez consecutiva, e quando tudo parecia perdido, a equipa de futebol feminino do Sporting logrou marcar um golo nos derradeiros momentos do tempo regulamentar.

Depois do penalti ganho por Ana Borges, e convertido por Solange Carvalhas, que valeu o título de campeãs nacionais no jogo da segunda volta disputado em Alvalade e do remate decisivo de Diana Silva que levou a final da Taça de Portugal para o prolongamento onde Ana Capeta mataria o jogo, hoje a alentejana realizou um "hat-trick", o primeiro da sua conta marcado em cima do fim do jogo.

O Sporting venceu assim a Supertaça de futebol feminino e, mais do que tudo, mostrou uma raça e uma inabalável na vitória até ao último minuto, características que deixam os sportinguistas orgulhosos desta equipa. 

"Efeito Capeta", diria o treinador das leoas, Nuno Cristovão, durante a "flash-interview", dando o devido relevo à entrada da ponta-de-lança que esteve em dúvida de poder ser utilizada até quase ao início do jogo.

Com esta vitória, finalizou um fim-de-semana de glória para a maior potência desportiva nacional: No futsal, triunfo suado na Supertaça sobre o rival Benfica; no andebol, apuramento, por um golo e após prolongamento, para a Champions League; no futebol feminino, o triplete (Campeonato, Taça, Supertaça).

A todos os/as atletas que contribuiram para estes êxitos, muitos, muitos Parabéns e a certeza de que a glória, até pela dureza das vitórias, assentou na transposição para dentro dos recintos de jogo do lema leonino: esforço, dedicação e devoção. E "capeta", muita "capeta"!

 

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Hoje giro eu - VAR(ias) omissões

Facto 1: Respondendo à cartilha posta a circular após as finais da Taça de Portugal (1 jogo) e Supertaça (1 jogo), ambas ganhas pelo Benfica (contra o Vitória SC), gostaria de lembrar que, após 4 jornadas de campeonato com VAR, o SPORTING é líder.

 

Facto 2: Eu sei que o jogo se disputou durante a noite, mas será embirrância minha ou não se deu o devido destaque ao facto de Marcus Acuña ter sido titular pela selecção argentina, ao lado de Messi, Di Maria, Dybala e Icardi, na difícil deslocação a Montevideu (Uruguai), numa partida onde começaram no banco jogadores como Kun Aguero, Pastore ou Correa (Gaitán nem se sentou)?

Hoje giro eu - Sonho de uma noite de Verão

O mercado de transferências finalmente fechou (até Janeiro) e já é possível fazer um balanço quasi-definitivo da forma como os 3 GRANDES mexeram nos seus plantéis este Verão:

 

SPORTING - as previsíveis vendas de Adrien (ainda por confirmar) e de William (provavelmente abortada, embora o mercado espanhol ainda esteja aberto durante o dia de hoje) foram antecipadamente compensadas com as compras de Battaglia, Bruno Fernandes e Mattheus Oliveira (ainda não se afirmou) e o regresso de Petrovic. O médio argentino foi testado com bons resultados na posição "6", mas, ficando William e saindo Adrien, poderá agora colmatar o lugar que o capitão deixa livre, a sua posição de raiz. Na defesa, chegaram para titulares Piccini, Mathieu e Fábio Coentrão e, para segundas opções, Ristovski, André Pinto e Jonathan. Saíram Schelotto, Paulo Oliveira, Ruben Semedo e Zeegelaar (renderam cerca de 25 milhões de euros) e regressou Tobias Figueiredo (uma incógnita pois parece ter regredido na época passada). Para o ataque, mantiveram-se os nucleares Gelson Martins e Bas Dost e chegaram Doumbia e Acuña. Podence e Alan Ruiz continuam, Iuri regressou, Gelson Dala foi promovido.

Em traços gerais, o Sporting parece estar mais forte em todos os sectores. Algumas dúvidas sobre a capacidade de Mathieu e Coentrão aguentarem uma época inteira e a zona central da defesa (sem o francês) é a que oferece mais dúvidas sobre a sua sustentabilidade (André Pinto ainda não apareceu).

Além disso, o Sporting ainda obteve alguns proveitos por via dos direitos de formação de Bruma (vendido pelo Galatasaray ao Leipzig) e pelo exercício da opção de compra de Sacko (Leeds).

Equipa tipo (a "bold", as novidades): Rui Patricio; Piccini, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão; William, Battaglia, Bruno Fernandes; Gelson, Dost, Acuña.

 

Benfica - estranhamente (a saída de Lourenço Coelho, do Departamento de Futebol terá tido impacto?), o clube da águia não parece ter antecipado o mercado. Vendidos Ederson, Nelson Semedo e Lindelof (renderam 105 milhões). A defesa apresenta diversos problemas: na baliza, Bruno Varela não parece ter o nível do brasileiro e Svilar é um jovem de 17 anos. A lateral direita não foi colmatada em devido tempo, terá havido um erro de preparação. Pedro Pereira, o eleito para substituir Semedo, parece não ter provado, pelo meio houve um polaco que chegou e partiu, um junior (Buta) que foi opção e já foi emprestado e Douglas - estava em Barcelona desde 2014 e nunca foi titular - chegou em cima do fecho do mercado. No centro, Luisão e Jardel, pela idade, poderão vir a ter alguns problemas físicos e Lisandro Lopez parece ser a única opção, embora Kalaica, um jovem croata de 19 anos, seja promissor. À esquerda, Grimaldo tem habitualmente algumas lesões e Eliseu, apesar da complacência arbitral, poderá ter alguns problemas disciplinares, pelo que parece curto.

Para além da defesa, o Benfica parece não ter resolvido outros problemas e criado, sem necessidade, outros a Rui Vitória. Filipe Augusto não parece opção credível, por falta de intensidade, nem a Fejsa, nem a Pizzi, e a saída de Mitroglou parece inexplicável (aos 29 anos, vender metade ou a totalidade do passe faz diferença?), mais-a-mais tendo vindo um jogador (Gabigol) que ainda não provou na Europa e que tem um estilo de jogo não comparável com o do grego (mais parecido com o indiscutível Jonas). Seferovic parece uma boa contratação, embora a sua produção de golos, até à chegada ao Benfica, tenha sido escassa.

Equipa tipo: Bruno Varela; André Almeida, Luisão, Jardel, Grimaldo; Fejsa, Pizzi, Salvio, Cervi; Jonas, Seferovic.

 

Porto - o clube do Dragão, apertado pelo "fair play" financeiro, fez uma gestão inteligente do seu plantel (a fazer lembrar a primeira de Bruno de Carvalho, com Leonardo Jardim), vendendo André Silva e Ruben Neves ( valor combinado de cerca de 65 milhões de euros), recuperando jogadores emprestados, como Ricardo Pereira ou Aboubakar, e dando outras competências a Brahimi. Além disso, a sua maior força parece residir na alma do seu treinador, Sérgio Conceição, que montou um bom "onze" e um estilo de jogo mais ambicioso. As dúvidas maiores residem na (pouca) profundidade do plantel e na sua capacidade em aguentar o ciclo de jogos infernal, quando se iniciar a Champions.

Equipa tipo: Casillas; Ricardo Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles; Danilo, Oliver, Brahimi, Corona; Soares, Aboubakar.

 

Perante tudo isto, o Sporting tem uma oportunidade de ouro de ser campeão, desde que não perca o foco. Houve, há que reconhecê-lo um excelente trabalho de preparação da época desportiva (parece ser indiscutivelmente o clube que melhor mexeu), mas agora é necessária a máxima concentração e fazer de cada jogo uma final.

 

Esta é a realidade. Claro que haverá sempre rivais preparados para criar uma realidade alternativa ou uma percepção diferente da mesma - atirando pedras para o quintal do vizinho, a fim de esconder os seus próprios problemas -, nomeadamente aqueles que, quando fazem jus ao seu nome, são uns poetas.

 

 

Hoje giro eu - Bruno, o Influente

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Nascido na Maia, Bruno Fernandes iniciou-se nas camadas jovens do Infesta, mudando-se depois para o Boavista. Ao Bessa chegou com 10 anos e aí percorreu as diferentes etapas de Formação, com empréstimos no 1º ano de cada escalão ao Pasteleira, com quem o clube axadrezado ainda possui um acordo de cooperação. 

A poucos dias de completar 18 anos, assinou pelo Novara, da Série B (2ª divisão italiana), onde chamou rapidamente a atenção dos olheiros da Udinese, mítica equipa de Zico nos anos 80.

Chegado à Série A, Bruno permaneceria 3 anos em Udine (marcando 10 golos) e mudar-se-ia posteriormente para Génova, onde representou a, outrora poderosa (Gianluca Vialli, Roberto Mancini, Lombardo, Toninho Cerezo), Sampdoria (5 golos).

Neste Verão do nosso contentamento, o Príncipe da Maia chegou finalmente ao Sporting. 

A primeira pergunta que se impõe fazer é como é que foi possível este jogador ter escapado ao "scouting" das selecções nacionais de jovens. Na realidade, só após ter ido para Itália foi chamado pela primeira vez, no caso à selecção de sub-19. 

Nota-se bastante o peso da escola "azurri" no seu futebol: inteligência táctica, capacidade de passe longo típico de um "regista", remate forte e colocado digno de um "mezzapunta", a combinação destas qualidades torna a posição 10, a de "trequartista", a sua, aliando a visão e percepção do timing de desmarcação dos colegas, herdadas de um Deco ou Rui Costa, com a potência e qualidade de disparo à baliza, que lembram Carlos Manuel ou Maniche.

Evoluindo num meio-campo a três (Battaglia, Adrien, Bruno), no Sporting, assim ao estilo daquele que Mourinho construiu no Porto, com Costinha, Maniche e Deco, em que cada um joga ligeiramente adiantado em relação ao que o precede, Bruno beneficia ainda da entropia que é criada nos adversários quando o habitual 4-3-3 (sim, não me venham com tretas, 4-4-2 só houve com Téo, esse sim um "mezzapunta") se desdobra no movimento atacante num 3-5-2 , com Battaglia a recuar para central, os laterais a subirem em simultâneo, Adrien a ocupar a posição de Battaglia, os alas a meterem por dentro e, aqui reside o toque de génio táctico de Jesus, o ala de sentido contrário ao do movimento da bola a juntar-se a Bas Dost, fazendo os "2" da frente. Esta nuance permite a Bruno, que os adversários esperariam na aproximação a Dost, vagabundear sem marcação pelo terreno e daí lançar o perfume do seu futebol.

Olhando para os números, após 6 jogos, Bruno Fernandes é claramente o jogador mais influente do Sporting, tendo participado em 53% dos golos leoninos. Que assim continue, para nosso gáudio e para triunfo do belo futebol.

 

Hoje giro eu - Equipa da Jornada (4)

Eis a minha equipa da 4ª jornada do Campeonato Nacional de 2017/18:

 

Vagner (Boavista)

David Bruno (Tondela)

Flávio (Feirense)

Rossi (Boavista)

Nuno Pinto (Vitória FC)

Lucas Evangelista (Estoril)

Bruno Fernandes (SPORTING)

Gelson (SPORTING)

Corona (FC Porto)

Tomané (Tondela)

Ricardo Valente (Marítimo)

 

Balanço à 4ª jornada:

Guarda-redes - Caio Secco, Cássio, Charles, Vagner (1 citação)

Lateral Direito - Ricardo Pereira, André Almeida, Bebeto, David Bruno (1 citação)

Centrais - Coates (2 citações), Marcano, Pedro Monteiro, Nuno Tomás, Mathieu, Flávio, Rossi (1 citação)

Lateral Esquerdo - Luis Martins, Yuri Ribeiro, Fábio Coentrão, Nuno Pinto (1 citação)

Médios Centro - Lucas Evangelista, Bruno Fernandes (2 citações), Danilo (Por), Danilo (Bra), Pizzi, Chaby (1 citação)

Alas - Allano, Gelson (2 citações), Acuña, Bruno Xadas, Salvio, Corona (1 citação)

Avançados - Marega, William, Bas Dost, Kléber, Jonas, Aboubakar, Tomané, Ricardo Valente (1 citação)

 

E a Vossa? Quais foram os jogadores que, na Vossa opinião, mais se destacaram até agora?

Hoje giro eu - Rankings

Após 4 jornadas do Campeonato Nacional e 2 jogos do "Play-off" da Champions disputados, o Sporting tem 5 vitórias e 1 empate, 15 golos marcados (média de 2,5 golos/jogo) e 2 golos sofridos (média de 0,33 golos/jogo).

 

Vejamos agora como estão os Rankings, de golos (G), assistências (A) e participação em jogada de golo (P):

 

                      G  A  P 

Gelson            4  1  1

Bas Dost         4  0  1

B. Fernandes 3  1  4

Acuña              1  4  0

Battaglia          1  0  2

Adrien              1  0  0

Doumbia          1  0  0

Coentrão          0  1  2

Iuri                     0  1  0

Piccini               0  0  1

Mathieu            0  0  1

 

Em resumo, 11 jogadores com contributo nos golos da equipa. Gelson a liderar o Ranking GAP, Bruno Fernandes é o jogador que mais influência teve nos golos (8 em 15, média de 0,53 por cada golo da equipa, ou seja, esteve em mais de metade dos golos da equipa, números impressionantes). O argentino Acuña é o jogador com mais assistências (4).

 

Nota: o Ranking GAP segue a metodologia do Ranking usado no medalheiro olimpico, prioritizando os golos, de seguida, as assistências e, finalmente, a participação nas jogadas de golo.

 

Hoje giro eu - 20 factos que precisa saber sobre Peyroteo

1 - Nasceu em Angola, mais concretamente em Humpata (Huíla);

2 - Aníbal Paciência, também nascido em Angola. amigo e médio do Sporting, foi quem lhe formulou o convite para viajar e ouvir a proposta dos dirigentes leoninos;

3 - Embora ainda sem assinar contrato, tendo dado a palavra de honra aos dirigentes leoninos, viria a recusar uma proposta bem mais vantajosa do FC Porto;

4 -  Estreou-se em 12 de Setembro de 1937, num jogo com o Benfica em que os leões venceram por 5-3, com 2 golos de Peyroteo;

5 - A  sua estreia em jogos oficiais ocorreu em 17 de Outubro de 1937, num triunfo por 7-0 sobre o Casa Pia, em que apontou 2 golos;

6 - Foi o melhor marcador do campeonato nacional por 6 ocasiões;

7 - Num jogo, em 1943, contra o Leça, apontou 9(!) golos;

8 - Em 1947/48, precisando o Sporting de vencer o rival Benfica, fora, por 3 golos de diferença para ser campeão, Peyroteo marcou todos os 4 golos da vitória leonina (4-1), isto depois de não ter dormido a noite anterior devido ao estado febril;

9 - Terminou a sua carreira de jogador em 5 de Outubro de 1949. Por dificuldades financeiras inerentes à má situação da sua loja de desporto, pediu ao Sporting para terminar a carreira, de forma que, através das receitas de uma festa de homenagem, pudesse honradamente pagar as dívidas contraídas naquele negócio;

10 - Em 1949, foi eleito pelo jornal "O Século", o desportista mais popular de Portugal;

11 - Em 55 jogos contra o Benfica, apontou 64 golos;

12 - Foi 6 vezes Campeão Nacional, 4 vezes vencedor da Taça de Portugal, 7 vezes Campeão de Lisboa;

13 - Em 197 jogos para o Campeonato Nacional, marcou 331 golos, uma média de 1,68 golos por jogo;

14- Realizou 20 jogos pela Selecção Nacional e apontou 13 golos;

15 - Integrou 2 linhas avançadas magníficas desses tempos do Sporting. Uma primeira constituida por Adolfo Mourão, Manuel Soeiro, Peyroteo, Pedro Pireza e João Cruz, a segunda formada por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano - os "5 violinos";

16 - De excelente educação (um "gentleman") foi expulso apenas 1 vez, por ter respondido a uma agressão e, principalmente, a insultos dirigidos à sua mãe pelo benfiquista Gaspar Pinto;

17 - Totalizadas as diferentes competições, em 432 jogos efectuados marcou 694 golos;

18 - Os espanhóis, grandes admiradores do seu futebol, criaram a expressão "peyrotear", em homenagem ao seu remate forte e colocado, extasiados que ficaram com o seu futebol após uma partida realizada entre o Sporting e o Atlético Aviacion (actual Atlético de Madrid);

19 - Enquanto seleccionador nacional, foi Peyroteo quem deu a primeira internacionalização a um jovem moçambicano chamado...Eusébio;

20 - Faleceu em 28 de Novembro de 1978, após um final de vida triste, marcado pela amputação de uma perna, irónicamente consequência de uma lesão sofrida numa partida de veteranos disputada em Espanha.

 

peyroteo.jpg

 

 

No próximo ano, mais concretamente no dia 10 de Março de 2018, comemorar-se-á o centenário do nascimento de Fernando Peyroteo. Por ter sido um fantástico goleador, por ainda ter a melhor média de golos de sempre dos campeonatos europeus, por ter sido um exemplo de "fair-play" enquanto jogador, por sempre ter sido um modelo de integridade e civilidade como homem, espera-se que a Federação Portuguesa de Futebol e o Governo Português prestem, finalmente, a devida homenagem a este homem que foi o melhor goleador mundial de sempre - digno merecedor desse reconhecimento por parte da FPF - , e deveria, como GRANDE português, estar sepultado no Panteão Nacional, decisão que se aguarda com justeza por parte do Estado.

 

Quem não ouviu uma história sobre ele, contada pela boca do pai, do tio, do avô ou bisavô? Se considera justa esta(s) homenagem(ns), transmita-o através da nossa caixa de comentários. Vamos criar uma corrente de apoio que permita mitigar este esquecimento. É que mesmo, infelizmente, já não estando entre nós, parece que a sorte continua de costas voltadas para esta insigne figura do Sporting e do desporto português...

Hoje giro eu - I have a dream (*)

jesus2.jpg

 

O sorteio da Champions League ditou que tenhamos de jogar contra Barcelona, Juventus e Olympiacos.

Deprimido? Nada. Eu penso que, em vez de uma ameaça, temos aqui uma oportunidade de afirmação do Sporting, como enorme clube que é, no sentido de fazer cumprir o ancestral lema de José de Alvalade de sermos "tão grandes como os maiores da Europa".

Aquilo que vamos necessitar é de uma preparação mental específica para estes desafios.

Jesus tem aqui uma possibilidade de mostrar ao mundo a qualidade da sua liderança.

Vamos por partes: os treinadores habitualmente preparam os jogos a explicar "o que fazer" (estratégia/modelo de jogo) e "como fazer" (nuances tácticas). Eu julgo que estes jogos têm de começar a ser ganhos na componente mental. Mais do que "o que" ou "como", o que cria elo emocional nos jogadores (e até nos adeptos) é o "porquê".

Porque é que jogamos no Sporting, porque é que estamos na Champions, porque é que precisamos ultrapassar estes obstáculos (adversários) são as questões que Jesus tem de ter na sua cabeça resolvidas para, então, as expôr aos jogadores, a fim de galvanizá-los. 

Porque é que, entre tantos pregadores na sua época, Martin Luther King evidenciou-se? Porque em vez de se focar no ódio racial como outros ("o que") ou nas formas de luta ("como"), o Dr. King afirmou ao mundo que tinha um sonho, um sonho de um mundo melhor, onde brancos e pretos coexistissem em igualdade de oportunidades. 

Os irmãos Wright eram uns modestos donos de uma loja de bicicletas. Paralelamente, Samuel Pierpont Langley tinha um contrato de 50.000 usd, uma fortuna nesse tempo, dados pelo Departamento de Defesa americano para construir uma máquina voadora, um avião. Era seguido pelo New York Times, que lhe garantia cobertura mediática. Mas, a Langley faltava a razão ("o porquê"), ou por outro, o seu objectivo era ficar conhecido como o primeiro homem a voar, o que não foi suficientemente inspirador. Os irmãos Wright, por outro lado, não tinham cursos superiores, não tinham financiamento, mas possuiam um sonho, uma causa, um objectivo, o de mudar o mundo e, com essa premissa, conquistaram o coração das pessoas e conseguiram os meios necessários para serem os primeiros a voar. Samuel Langley, quando soube das noticias, desistiu, a sua paixão não era voar, era o reconhecimento que isso lhe daria. 

O nosso cérebro tem 3 níveis: o nível da linguagem, o dos sentimentos e o do comportamento. É este último, o mais profundo, que importa estimular.

Jorge Jesus nada tem a perder e tudo tem a ganhar. Mas, não pode começar com o discurso de que já cumprimos o objectivo. Isso é óbvio e, como tal, trazê-lo a público só vai ajudar a desresponsabilizar os jogadores, a retirar-lhes a ambição.

O nosso treinador tem de encontrar um argumentário, uma narrativa de clube, ideais, ambições que empolgue os jogadores. 

A história do Sporting é feita de desencontros com a própria...história. Se não, vejamos: quando em oito anos, ganhámos 7 campeonatos nacionais e tinhamos uma equipa quase imbatível não havia Champions, nem Taça dos Clubes Campeões Europeus. O Sporting, na época, realizou uma série de jogos particulares contra algumas das melhores equipas europeias e mundiais e saiu vencedor da maioria, constituindo-se como uma potência europeia. Assim, desse tempo destacam-se a vítória em Madrid, frente ao Atlético, por 6-3 com 6 golos de "Necas" (Jesus Correia), o triunfo por 8-2 face aos campeões suecos do Norrkoping, de Nordahl e Liedholm, que mais tarde constituiriam o famoso trio avançado Gre-no-li, com Gunnar Gren, no AC Milan, equipa italiana essa com que perderíamos uma Taça Latina, por 3-4 e após prolongamento, vencendo depois na mesma competição os campeões espanhóis do Valência por 4-1 (!), 4-1 ao Anderlecht, 8-2 ao Lille e 3-2 ao Vasco da Gama, de Barbosa e Friaça (melhor marcador), titulares no Mundial de 50, onde o Brasil foi finalista vencido.

Ir ao encontro da história é um desígnio. Vencer a Champions é, diria, impossível, surpreender pela positiva a Europa, superando a fase de grupos, acho realizável. Será, certamente, muito difícil, mas a vida é feita de evolução, de superação, de conquista sobre nós próprios, de acreditar.

Por outro lado, que jogador não se quer medir com homens como Messi, Iniesta, Suarez, Piqué, Vidal, Higuain, Dybala, Buffon e mostrar o seu valor?

A "revanche" da infelicidade vivida, no ano passado, no Barnabéu também pode ser uma causa a apelar aos jogadores. Quem não se quer vingar daquela noite de infortúnio?

Somos, em conjunto com os sérvios do Partizan de Belgrado, o clube que estreou a Champions (na sua versão antiga). Um nosso avançado, Martins, marcou o primeiro golo na competição. Temos aí uma história para partilhar com o plantel.

O nosso símbolo é o de um leão rampante, um felino de pé, não no chão ou de joelhos, de pé! Jesus e os nossos jogadores, herdeiros de uma saga fantástica, erguei bem alto o nome do nosso Sporting. A história aguarda por Vós!

 

P.S. Ao nosso grande capitão, Adrien Silva, gostaria de recordar este belo poema de William Henley, um texto que inspirou Mandela na prisão e que este entregou ao capitão sul-africano de rugby, François Pienaar, antes da gloriosa vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia de Lomu, na final do Campeonato do Mundo de 1995. Chama-se INVICTUS:

 

"Do fundo desta noite que persiste

a me envolver em breu - eterno e espesso,

a qualquer Deus - se algum acaso existe,

por minha alma insubjugável agradeço.

 

Nas garras do destino e seus estragos,

sob os golpes que o acaso atira e acerta,

nunca me lamentei - e ainda trago

minha cabeça - embora em sangue, ainda erecta.

 

Além deste oceano de lamúria,

somente o horror das trevas se divisa;

porém, o tempo a consumir-se em fúria

não me amedronta, nem me martiriza.

 

Por ser estreita a fenda eu não declino,

nem por pesada a mão que o mundo espalma;

eu sou o mestre do meu destino

eu sou o capitão da minha alma."

 

Adrien, grande capitão do nosso Sporting, herdeiro de uma gesta magnífica, porta-estandarte da alma indomável do leão, em ti (e em Jesus) deposito a esmeralda fé de que esta época finde em glória.

Adrien, tu nunca viras a cara à luta, nunca te escondes, nunca te negas. Cais, como todos nós, humanos (não gostei daquele episódio de Agosto transacto), mas ergues-te com a obstinação de quem tem uma tarefa para cumprir. E tu tens! Em todas as ameaças há uma oportunidade. O teu desígnio, o teu destino é não faltares ao encontro com a História, não seres uma nota de rodapé, mas sim capa e prefácio de uma epopeia centenária, onde poderás constar como herói e grande capitão da alma leonina. Eu conto contigo! Nós acreditamos!

 

adrien silva.jpg

 

(*) inspirado num Ted Talk, de Simon Sinek

 

 

Hoje giro eu - Mais um Penta rendeu a Champions

Num dia que não estava a ser particularmente feliz para os centrais do Sporting - eles que têm sido o suporte da equipa neste início de época - , os restantes jogadores uniram-se e deram razão ao proverbial lema leonino inventado por António Oliveira, de que "por cada leão que caír, outro se levantará".

Contra uma equipa sempre a orientar-se pelo "farol" Alibec (houve momentos em que parecia um-contra-onze), os Leões Rampantes apenas não conseguiram impor o seu jogo no último terço da primeira parte e no primeiro terço da segunda. No restante tempo quem deu a "reza" foi o Sporting - domínio total da equipa leonina - , com Piccini, Fábio Coentrão, Adrien (enquanto teve pulmão, parabéns grande capitão), Bruno Fernandes (o melhor em campo, esteve em 4 golos) e Gelson em grande destaque, e toda a equipa a conseguir apagar a grande referência atacante dos romenos que, sem outra alternativa, naufragaram junto à "costa" da Champions.

Tal como na Cidade-Berço, fechámos com chave-de-ouro: uma grande jogada de equipa, com Coentrão a conseguir entrar na área e isolar-se pela esquerda, centro, Battaglia altruísticamente a deixar passar, Bas Dost a rematar, o guarda-meta romeno a defender para a frente e, finalmente, Battaglia a receber o prémio pela sua generosidade e a marcar o golo.

Os 5 golos foram da autoria de Doumbia, Acuña, Gelson, o já referido Battaglia e Bas, que também "dostou" (Porto Editora, façam o favor de considerar o verbo "Dostar").

Quem gostou, e muito, fui eu, bem como todos os adeptos deste ENORME clube.

Agora, muita atenção: Domingo, estádio cheio, teremos mais uma final contra o Estoril. E será assim até ao final da época. Foco, foco, foco! Em nós... 

Hoje giro eu - Equipa da Jornada (3)

Eis a minha equipa da 3ª Jornada do campeonato nacional:

 

Charles (Maritimo)

Bebeto (Maritimo)

Coates (SPORTING) - 2ª nomeação

Mathieu (SPORTING)

Fábio Coentrão (SPORTING)

Danilo (SC Braga)

Bruno Fernandes (SPORTING)

Salvio (Benfica)

Allano (Estoril) - 2ª nomeação

Jonas (Benfica)

Aboubakar (FC Porto)

 

Neste momento, já temos 2 jogadores destacados nas suas posições: Sebastian Coates e Allano (a grande surpresa).

Gostaria de saber qual o "onze" do Leitor

O objectivo é, no final do campeonato, termos a "minha equipa" e a "equipa do Leitor"

Participem! 

Hoje giro eu - A incorruptível natureza do nosso amor por ti, Sporting

Ficámos deliciados com a exibição do nosso Sporting em Guimarães, com o jogo colectivo da equipa, com as exibições individuais, com a contenção no momento das entrevistas e o mérito dado aos jogadores por Jorge Jesus.

Nós, sócios, adeptos e simpatizantes, estamos orgulhosos do que fizeram Sábado. Este foi o primeiro difícil obstáculo superado de um longo e duro percurso. O próximo acontecerá amanhã em Bucareste.

Agora, dirijo-me a Vós, jogadores: desta vez joguem por Vós, pelas Vossas carreiras, pelo Vosso curriculum, pelas estórias que, mais tarde, poderão contar a filhos e netos, pelo privilégio que será poderem ouvir Handel entrar pelos Vossos ouvidos, enquanto perfilados antes do início de cada jogo (como eu viveria cada minuto...), pela glória da defesa, do desarme, do passe decisivo ou do golo que passará nas televisões de todo o mundo, por a Vossa gesta ficar gravada a letras de ouro na história do GRANDE Sporting Clube de Portugal.

Afinal de contas, o dinheiro da Champions é importante, mas não será a consciência disso que irá permitir criar o elo emocional no seio da equipa, não será sobre isso que falarão com os amigos, com a familia, no futuro.

Agora, juntem todos os ingredientes acima enunciados e acrescentem um. Em comunhão com o Vosso Presidente, com o Vosso treinador, pensem em nós, sócios, adeptos e simpatizantes, na nossa paixão desmedida, nos nossos arrufos passageiros que sempre dão lugar a reencontros feitos de renovado apoio e nunca, NUNCA se esqueçam da incorruptível natureza do nosso amor pelo SPORTING.

Façam o favor de serem felizes!

 

 

Hoje giro eu - Hora H

Jorge Jesus é o líder da equipa de futebol do Sporting. Um líder é, primeiramente, um gestor de recursos humanos. No Sporting, estes significam um custo anual superior a 60 milhões de euros.

Hesitei em escrever esta peça hoje. Amo o meu Sporting, quero o melhor para o meu clube, acredito que os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting são os melhores do mundo, mas, por um lado, tenho receio da jornada dupla que se inicia amanhã, por outro que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

Já disse inúmeras vezes que seria incapaz de escrever com uma agenda secreta - considero isso profundamente desonesto intelectualmente -, que apoiei anonimamente, como tantos, Bruno de Carvalho desde a primeira hora, quando nenhum dos meus amigos estava com ele, e que não conheço nem pessoalmente, nem institucionalmente (nem tinha de conhecer) qualquer membro da direcção/administração do clube/SAD.

Não tenho, por isso, qualquer informação privilegiada pelo que aceito o risco de as minhas reflexões, que convosco partilharei, poderem vir a ser consideradas especulativas. Ainda assim, farei uma interpretação baseada naquilo que resulta de informações que, aqui e ali, vão saindo na imprensa e que são do conhecimento geral.

Depois de uma extraordinária época de 15/16, o que é que correu mal no ano passado e quais os meus receios para esta temporada? 

Antes do fecho do mercado de Agosto, foi noticiado, até pelo próprio, o interesse de Adrien em aceitar o convite do Leicester. Sendo o 1º capitão, julgo que este episódio teve algum impacto na equipa. Mas, o pior estava para vir: no rescaldo da infeliz derrota em Madrid, epíteto que só pode ser atribuido devido à surpreendente e superior exibição conseguida (mérito de Jesus), o treinador, que no decorrer do jogo havia sido expulso, produziu a afirmação de que "com ele na zona técnica, a equipa não teria perdido". 

Um líder deve estabelecer uma linha de comando e deve descentralizar poderes. Assim, na sua ausência e mesmo na sua presença, deve dar "empowerment", em primeiro lugar, aos seus adjuntos. Ao transmitir que com ele não teríamos perdido transmitiu um sinal muito negativo sobre a competência da sua equipa técnica, a sua primeira linha de condução do grupo de trabalho.

A segunda linha de comando é a do balneário. Os capitães e os jogadores com mais protagonismo na equipa são os naturais líderes, os quais tanto podem ser uma grande ajuda para o treinador como constituir-se como uma enorme dor de cabeça. A dado momento e referindo-se a Slimani, o treinador afirmaria que a sua opinião (dele, argelino) valeria "bola", a dele (Jesus) é que seria importante. Estes excessos de Jesus merecem aqui um aparte: ser autoconfiante é ter a convicção de que, com mais ou menos trabalho, com dispêndio de mais ou menos massa cinzenta, eu, perante um problema, vou conseguir encontrar a solução. Outra coisa completamente diferente é ser arrogante, prepotente ou autoritário e tratar assim um dos jogadores mais importantes. É evidente que os jogadores não gostam de ver isso, como certamente não gostarão e, admito, não perceberão porque é que três jogadores titulares da época passada se encontram a treinar à parte. Refiro-me concretamente aos casos de Bryan Ruiz, Schelotto e Zeegelaar.

Quando a imprensa nos diz que todos os capitães de equipa pediram para saír ficamos sem saber se isso obedece a legitimas (desde que respeitem o clube) aspirações de darem mais um passo na carreira (afirmação que a mim me faz confusão estando eles no melhor clube do mundo) ou se existe um ambiente de crispação com Jesus, o que por vezes transparece nos jornais, embora não saibamos se essas noticias não são encomendas dos nossos concorrentes.

De uma maneira ou de outra, aqui, julgo eu, reside o maior problema. Se os restantes jogadores da equipa se apercebem que os colegas com maior autoridade querem saír, quem controla a exigência para com o clube e quem garante a integração dos novos recrutas e o saudável ambiente no balneário?

Jesus esteve quase a ganhar o campeonato. Se o tivesse conseguido seria hoje, provavelmente, um deus em Alvalade e estas situações seriam relativizadas, até porque os jogadores trocariam na sua cabeça o autoritarismo do técnico pela autoridade de lhe reconhecerem mérito e competência no "título"- porque Jesus pode ter poder, que lhe é conferido pela administração, mas autoridade é outra coisa, é quando os que lideramos nos reconhecem e eu não estou certo que isso, neste momento, seja real - mas, como tantas vezes no meu querido Sporting, a sorte foi-nos madrasta e Jesus não soube adaptar-se à má fortuna. mantendo o seu estilo habitual de quero, posso e mando.

Está tudo perdido? Não. Então, o que é que eu penso que deve ser urgentemente feito?

Jesus tem de começar por reestabelecer o elo emocional da equipa. A gestão é feita de erros, não há mal nenhum, nem constitui perda de autoridade, reconhecer algumas más decisões no seio do grupo. Jesus já terá percebido que, sem os jogadores, não vai lá. Bem pode trazer 11 ou 12 todas as épocas que os jogadores passam a palavra, trocam informações, pelo que o sentimento se manterá. Além disso, sempre que Jesus adia o que deve ser feito, apertando os laços do grupo, e pede mais um jogador ganha mais um "inimigo", o jogador que sente que o "newcomer" lhe vai tirar o lugar.

Assim, Jesus deveria terminar de pedinchar mais jogadores e concentrar-se, isso sim, naquilo que tem de melhor: o desenvolvimento unipessoal de cada uma das individualidades do plantel. Só o "upgrade" destes jogadores ajudará o clube a ser sustentável. Sem resolver os problemas atrás descritos, bem pode trazer uma legião de craques que alguns problemas graves continuarão por resolver.

Dirijo-me agora a si, Jesus. Por favor, mude. O Sporting este ano não pode falhar. Tem o plantel mais caro da sua história, mas precisa de formar uma equipa coesa, em que todos sejam vencedores, todos sejam importantes. A ausência do título aumentará para três anos o seu insucesso em Alvalade e para 16 anos a nossa infelicidade. Mais, a nossa (eventual) não presença na fase de grupos da Champions terá como consequência quase inevitável a necessidade de promover receitas extraordinárias, ou seja, a perda das nossas pérolas da formação, independentemente da boa gestão desta direcção/administração que já terá receitas mais substanciais na próxima temporada devido ao acordo (óptimo) conseguido com a NOS.

Jesus, está tudo nas suas mãos. Abrande um pouco a sua soberba (os nossos pontos fracos nunca conseguimos de todo irradicá-los, mas podemos disfarçá-los), toque a reunir, (re)afirme a sua humanidade, restaure a cultura táctica que me mostrou a equipa (de 15/16) que jogou o melhor futebol que me recordo nos 43 anos que tenho de idas ao estádio e faça cumprir o seu sonho, o sonho de seu pai, o meu sonho enquanto pai que quer que os seus filhos vivam um título, o sonho do meu amigo António Miguel que há pelo menos 30 anos me acompanha nestas lides e que comigo chorou "baba e ranho" quando um golo fortuito de Roberto nos eliminou injustamente perante o Barcelona, o sonho de todos NÓS, os melhores adeptos do mundo, o de fazer este clube, mais que um clube, uma grei, uma nação, um clã, finalmente CAMPEÕES. 

Eu vou estar lá!!!

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