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És a nossa Fé!

Descobrir o Palácio numa sapataria...

 «Como a condessa de Sucena, proprietária do Palácio Foz, era cliente da sapataria Benigno Linares, sócio do Sporting, Retamosa Dias induziu-o a falar com ela. E, como conta Eduardo de Azevedo, resultou do facto facilitarem-se as negociações empreendidas por Carlos Basílio de Oliveira para a instalação do Sporting nas dependências do antigo Ritz. Ao fim de oito anos, em 1941, sem qualquer indemnização, o Sporting foi compelido a abandonar o Palácio Foz, para que nos seus espaços se instalassem os serviços do Secretariado Nacional de Informação (SNI), sob o comando de António Ferro.

 

O Sporting sempre se debateu com a dificuldade em encontrar um edifício que se adequasse à instalação da sua sede. Inerente à escolha da localização da sede sempre esteve ligada a questão da falta de centralidade do clube e a necessidade de aquela se instalar num local de fácil acesso para toda a massa associativa.

Em 1931, para se ganhar tempo e instalar o Sporting num local mais central, arrendaram-se duas salas no 5º andar do n.º 13 da Praça dos Restauradores, junto ao cinema Eden. Entretanto, o presidente Oliveira Duarte (...), intentava a solução, negociando com o Club Monumental a obtenção para o Sporting daquelas instalações. O contrato não se consumou e as diligências orientaram-se para uma casa na Avenida da Liberdade. Aconteceu então que Álvaro Retamosa Dias anunciou a possibilidade de se arrendarem as dependências do antigo Ritz, no Palácio Foz, propriedade da condessa de Sucena.

As aspirações “leoninas” viriam a concretiza-se e, em 1933, o Sporting instalava a sua sede social nas sumptuosas dependências do Palácio Foz. Correspondeu à permanência de oito anos na sede social do Palácio Foz um período áureo de desenvolvimento integral do Sporting.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 90

21 de Agosto (1560 e 2017)

Por circunstâncias várias, cruzei-me numa biblioteca deste país com a obra de Ioannis de Sacrobosco Sphera impressa em 1518.

Esta obra que consultei tem, na contracapa da pasta inferior, notas manuscritas relativas a episódios geofísicos e astronómicos do século XVI.

Consegui reter a informação ali contida, porém pedi a uma pessoa amiga com um olho mais treinado para a leitura paleográfica que fez a seguinte transcrição:

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«- Na era de 1531 a 25 dias do mes de Janeiro a hua 5ª feira de madrugada tremeo a terra e pella menhaa tornou a tremer [ou]tra ves.

- Na era de 1539 a 18 dias do mes de Ab[ril] a hua 6ª feira as duas horas depos do meio dia foi hu sol cris  das 12 par[?] as du[?] pouco mais.

- E na dita era no mes de Maio apareceo hu cometa o qual foi sinal de mortes de grandes senhores e no primeiro dia do dito mes se finou a emperatr[iz].

- Na era de 1560 a 21 de Agosto a hua 4ª f[eira] as 11 horas do dia foi todo o sol cris, e se escureceo todo e durou todo esc[u]rcindo por espaco de hu meio quarto de hora e com[?] as [?] as horas [?] e tres quartos pouco mais ou menos.»

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Peço a atenção para a última das notas, a ocorrência de um eclipse e para a palavra cris, hoje em desuso. A observação deste fenómeno foi feita em Coimbra por Cristopher Clavius.

 

Pois bem,  hoje é, igulamente, 21 de Agosto, e também ocorrerá, ao final do dia, um eclipse, porém não tão visível como o de 1560.

 

 

A primeira de muitas....

Estela de Carvalho, a primeira campeã.

 

«(...) Em 1927 o Sporting teve, de facto, a primeira campeã: Estela de Carvalho. (...) Nascera em Lisboa em 17 de Junho de 1906. Seu pai era português, sua mãe era espanhola. Começou a particar sport aos 15 anos, iniciando-se na ginastica sueca, no Ginásio Club Português. “Aos 16 anos, ainda não conhecia os mais rudimentares preceitos da natação, entrei numa prova da milha interstícios do Ginásio. Levei no percurso cerca de uma hora e os dirigentes não ficaram satisfeitos com o resultado e resolveram não aceitar a minha inscrição para a Travessia do Tejo, no mesmo ano. Desgostosa com essa atitude, que vinha ferir em cheio a minha apurada sensibilidade, resolvi ingressar no Sport Algés e Dafunfo. Nesse clube me mantive três anos. Devido a pequenos incidentes que surgiram a propósito do Portugal-Espanha (...) resolvi abandonar o clube. (...) E assim, (...) surgiu, em 1925 no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a aparte, em Portugal.

E assim, (...) surgiu, em 1925, no Sporting, passando a treinar-se na Doca de Alcântara, como os demais. E a ganhar todas as competições de rio que se disputavam, então, um pouco por toda a parte, em Portugal.

 

As faca e as críticas...

De uma vez, em 1926, esteve à beira de uma proeza épica: ganhar a todos os homens, numa travessia do Douro, no Porto. “Seguia à frente, com o Cortez, ambos em luta pelo primeiro lugar. A certa altura, olho em redor de mim e não vejo o Cortez. Calculei que estivesse fora de combate e se tivesse deixado atrasar. E ia já de antemão contando com o primeiro lugar quando, ao chegar à meta, encaro com ele. Fiquei desolada. Fora o caso que ele se afastara de mim em busca de melhores águas e conseguindo encontrá-las fácil lhe foi vencer-me. Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todos o transe que eu ganhasse. Para isso não cessavam de me entusiasmar com toda a animação. Chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles - que chegaram a puxar de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor...”

No ano anterior, naquelas mesmas águas do Douro, a maior tristeza da vida de Estrela, que para além de natação foi praticante de muito bom nível de esgrima, ténis e remo: “À frente marchavam António Soares e Alves Miguel [como ela do Sporting]. Foram os primeiros a ser desclassificados, por não cortarem a meta no sítio determinado. A mim, que vinha em quito lugar, entre tantos homens, sucedeu-me o mesmo. Depois do esforço titânico que realizara para dobrar aquela distância de oito quilómetros, não era justo que me desclassificassem por tão pouco. E então chorei, chorei, chorei... Chorei tanto e a tal ponto que um homem se chegou a lançar à água não fosse eu morrer afogada nas lágrimas que me corriam pelos olhos. Como compensação deram-me uma estatueta e uma medalha...”

Desgosto também por não ter tido a possibilidade de fazer a Travessia da Mancha. Em 1927, Estela acreditava que podia sonhar...

Em Portugal foi nadando rios, mais alguns anos, ganhando. Sempre com o maillot do Sporting, mas sendo mulher a Mancha talvez fosse ousadia demasiada. “Vou começando a ter receio de que me critiquem por com esta idade [21 anos!], nadar ainda. Também, criticam-me por tudo, não me admira que tal suceda...».

Um outro sinal dos tempos. Na edição de “Eco dos Sports” de 20 de Novembro de 1927, em que fizera tais confidências, na página que lhe fora reservada, havia ao fundo seis palavras que , malfadadamente, o tempo tornaria famosas e estúpidas: “Este número foi visado pela censura”»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 50-51

Recuo ao tempo de gesto de boa vontade...

Por razões profissionais e quando pesquisava matéria relacionada com navios, deparei-me com um blogue denominado "Restos de Colecção", de José Leite. Provavelmente não será desconhecido por quem demanda blogues, mas tem um interesse histórico assinalável. E, claro, porque tem uma Etiqueta Sporting que nos transporta aos primórdios do primeiro campo de futebol do Sporting e até conta a história do nosso gesto de boa vontade para com o clube da luz, quando lhes cedemos um campo, que já nem isso tinham... Recheado de fotografias antigas, vale a pena. Aqui fica o link: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/search/label/Sporting

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"Stadium do Lumiar" com as bancadas em construção

(fotografia extraída do blogue "Restos de Colecção")

 

Um apelo a Bruno de Carvalho

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 Cosme Damião à direita, na fila do meio, com o belo equipamento Stromp (Agosto de 1910)

 

Noto um traço em comum entre Cosme Damião e Eusébio da Silva Ferreira: ambos vestiram com orgulho a nobre camisola verde e branca.

Dois briosos Leões, portanto. Leão uma vez, Leão para sempre.

 

Cosme Damião jogou de verde e branco naquele histórico dia 27 de Agosto de 1910 em que o Sporting, em representação do futebol português, derrotou o Recreativo de Huelva naquele que foi o nosso primeiro desafio internacional.

Vencemos por 4-0, sem surpresa. Numa equipa que, além de Cosme Damião, integrou outras figuras míticas do universo leonino, como João Bentes e os irmãos António e Francisco Stromp (este marcador de dois dos golos).

 

Os benfiquistas contemporâneos devem seguir o exemplo de Cosme Damião, que treinou no Sporting, vestiu a camisola do Sporting, jogou pelo Sporting.
E gostou.

 

Daqui faço, portanto, um apelo ao presidente Bruno de Carvalho: é tempo de termos um espaço no museu do Sporting Clube de Portugal dedicado ao sportinguista Cosme Damião. Com imagens fotográficas, todos os recortes da imprensa da época e a camisola que esse denodado jogador envergou naquele desafio inesquecível. Ainda por cima com o nosso belo equipamento pioneiro - o equipamento Stromp, que bem merece tal destaque.

É mais que justo.

 

 

ADENDA: O Museu ficará também enriquecido com a camisola usada pelo Eusébio no Sporting Lourenço Marques e a reprodução do cartão de L. F. Vieira, sócio sportinguista.

O perfume de Lídia Faria

«Aspirou a ser toureira, mas viria a consagrar-se no atletismo do Sporting Club de Portugal porque o Benfica lhe trocara o sexo, inscrevendo-a como Lídio...»

 

«Nasceu a 15 de Agosto de 1942, numa bucólica terreola das cercanias de Torres Vedras, chamada Dois Pontos. Aos dois anos ficou órfã de pai. Aos sete tinha fama de menina esgrouviada, sonhando ser... toureira. Manuel dos Santos era o seu ídolo e nas suas brincadeiras imaginava-se a matar touros. Menina e moça veio para Lisboa, para viver em casa da tia Belmira. Entrou para uma escola de música, para aprender a tocar acordeão. Passava as aulas que adorava a correr e saltar. O professor decidiu inscreve-la no Benfica(…). Até que um dia lhe surgiu pelo correio um cartão solicitando que se deslocasse ao Campo Grande para testes de atletismo. Eufórica, foi. Chegou e sentiu que causara espanto, sem sequer se perceber que fora convocada como... Lídio Faria. Disseram-lhe que, assim, não podia ser, que o Benfica não tinha atletismo feminino. Acabou por experimentar o Sporting. Tinha 17 anos. Entre 1959 e 1970, ano da sua despedida (com uma festa à futebolista, façanha de que nenhuma outra atleta se poderá ufanar), ganhou 30 títulos de campeã nacional em oito especialidades (100 metros, 200 metros, 400 metros, 80 metros barreiras, lançamentos do peso, lançamento do disco, 4x100 metros e pentatlo), sendo recordista nacional e ibérica em todas essas provas. Em 1964, durante um Portugal-Espanha, numa só tarde venceu cinco dessas provas e estabeleceu outros tantos «records» ibéricos. Um ano depois ganharia a prova do lançamento do peso nos Jogos Mundiais da Primavera, disputados no Rio de Janeiro.

(...) Receberia o Prémio Stromp para melhor atleta sportinguista de todos os tempos.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 198

 

Ler mais sobre Lídia Faria no texto que João Paulo Palha lhe dedicou na rúbrica «Elas na história do Sporting»

Os postais do Martinho de Arcada

Ontem transcrevi um texto sobre Cosme Damião como atleta do Sporting. Este texto gerou algumas “borbulhas” para alguém que o vê como imagem imaculada de um outro clube qualquer. Resta-me somente dizer: paciência.

Segundo a lógica daqueles que padecem desta variante de urticária, o facto de Cosme Damião vestir a camisola do Sporting era sinónimo de representar Portugal.

Pois nós. sportinguistas, sabemos isso. Para os mais desatentos relembro que este clube se designa Sporting Clube de Portugal e não representa um qualquer bairro de uma qualquer cidade deste país. Repito: Sporting Clube de Portugal.

Sobre este clube, o nosso clube, hoje transcrevo um texto de uma das suas referências maiores: Francisco Stromp.

 

«Ao fim da tarde [Francisco Stromp] aparecia no Café Martinho, umas vezes à paisana outras vezes fardado. Como “capitão” de equipa, era responsável pelo envio de muitas dezenas de postais convocando os jogadores para os jogos e para os treinos. Muitas vezes a mesa do Café Martinho se transformou em secretária do Sporting...

Enquanto à volta brilhavam os escritores e políticos do tempo (Machado Santos, Rocha Martins, Brito Camacho, Fialho de Almeida, Gualdino Gomes e D. João da Câmara) no Café Martinho, Francisco Stromp apenas se preocupava com o expediente do futebol “leonino”. Como diziam os colegas: “Nem namoro em política - a sua amante é o Sporting”»...

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 29

Banho quente...

«(...) E, abruptamente, os benfiquistas decidiram, a 16 de Setembro de 1914, suspender Artur José Pereira por seis meses (...). O Sporting recebeu-o no Lumiar. E, mais do que o gesto, ofereceu-lhe como retribuição certa 36$00 por mês, tornando-o assim no primeiro jogador não amador do futebol português - e com direito a outros privilégios, como por exemplo o de ser o preferido no uso de banho quente, luxo que só o Sporting tinha em Lisboa.

O episódio encarniçaria ânimos entre benfiquistas e sportinguistas, podendo dizer-se que dele nasceria mais fremente a rivalidade que pelo tempo fora (...)...

(...) Artur José Pereira, que Cândido de Oliveira, em 1945, considerou o melhor jogador português de todos os tempos (...)»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 20

O primeiro golo. A primeira vitória.

João de Vila Franca marcou o primeiro golo do Sporting.

 

«Nos finais de 1906, a população atlética do Sporting ampliar-se-ia (...). Era, enfim, a oportunidade de o Sporting, cuja primeira notícia surgiria na imprensa, muito discretamente, apenas a 23 de Dezembro de 1906, regularizar as suas actividades desportivas, resumidas a treinos durante o período de construção e organização das suas instalações. O pontapé de saída em Fevereiro de 1907. No dia 3. Num torneio de futebol (...) organizado pelo CIF, disputado no Campo de Alcântara, propriedade do clube que os Pinto Basto tinham fundado, na senda do Clube Lisbonense. Como primeiro adversário, o Cruz Negra, fundado em 1905, com campo atlético na Luz e dispondo, então, de um grupo de jogadores de certo modo tido como dos melhores de Portugal. (...)

O encontro entre o Sporting e o Cruz Negra, que “teve a presenciá-lo numerosa e ruidosa assistência, entre a qual se viam bastantes senhoras”, foi arbitrado por Pinto Basto (o introdutor do futebol em Portugal). O Sporting perdeu por 1-5. O primeiro golo “leonino” foi marcado por João de Vila Franca. Que era também um óptimo jogador de ténis.

 

Só em Maio, igualmente a 3, se disputou o jogo da segunda “mão”. E os sportinguistas, com uma equipa renovada - (...) oito dissidentes do Sport Lisboa, que tinham ajudado a fundar em 1904 e que abandonaram (antes de o clube se fundir com o Benfica, (...)) fascinados por poderem, enfim, contar com instalações dignas de verdadeiros futebolistas - ganharam. Para espanto de todos. E, num jornal da época, pôde ler-se: “O jogo desenvolveu-se com ofensivas alternadas. Por intermédio de uma passagem oportuna de Frederico Ferreira ao avançado Félix da Costa, este obteve um ponto, largamente aplaudido pela falange ‘leonina’. Ao cabo de uma exibição meritória, o Sporting acabou por vencer por 3-1. (...) Por parte do Sporting, salientaram-se Fritz [que apesar do nome poder não sugeri-lo era português de gema, chamava-se Júlio Nóbrega Lima, mas que, pelo cabelo exageradamente louro, tipo teutónico, era conhecido por essa alcunha], a defesa, Vila Franca e Shirley, nos avançados, e Borges de Castro, no eixo da linha de médios, onde se mostrou trabalhador e destemido, com um final de jogo prejudicado pelo grande número de ferimentos nos joelho.”»

In: Glória e vida de três grandes. s.l., A Bola, 1995, p. 13

13 de Setembro de 1908, umas pinceladas de História

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Peço desculpa aos leões mais susceptíveis por hoje ao chegarem aqui e depararem-se com isto.

Foi a forma que encontrei de dar os parabéns aos nossos vizinhos por mais um aniversário que hoje celebram (ou deviam celebrar).

O clube (que daria origem aquele que hoje conhecemos por SLB) foi fundado em 26 de Junho de 1906, nasceu com o nome: Grupo Sport Benfica e estava sedeado na cave da Vila Faria Leal, na Avenida Gomes Pereira.

Mudaria de nome cerca de ano e meio depois como constataremos de seguida, vejamos o que nos dizem os documentos:

«O Grupo Sport Benfica montou a sua primeira sede na cave da Vila Faria Leal, na Avenida Gomes Pereira, mercê da gentileza daquela família, mas a morte violenta de D. Carlos [o assassinato, digo eu] acabaria por pô-lo em bem mais nobres aposentos (...) dera-se,em 1 de Fevereiro de 1908, o regicídio, e o Partido Regenador Liberal (...) sumiu-se. Sucedia, porém que alguns sócios do Centro Regenerador Liberal da Cruz da Pedra, que tinha a sua sede na Travessa do Visconde Sanches de Baena, eram já sócios do GSB. Fácil foi então numa (...) simulada (...) acta testamentária, considerarado por herdeiro o Grupo Sport Benfica, que logo se viu pomposamente instalado, com sala de bilhar e decente mobiliário (...) envaidecidos com a nova sede, até resolveram mudar o nome de Grupo Sport Benfica para Sport Clube de Benfica» in «Equipamentos com história», SLBenfica, p. 54, fascículos d' A Bola, sd, texto de António Simões.
Constatamos que à data da suposta fusão o Clube tinha um nome que procurava imitar a grandeza onomástica do grande clube de Portugal, cujo campo de jogos se situava no Campo Grande.
Parece-me evidente a semelhança de nomes entre Sporting Clube de Portugal e Sport Clube de Benfica.
Chamei-lhe suposta fusão porque aquilo a que assistimos foi o «acabar» de dois clubes; o Sport Lisboa e o Sport Clube de Benfica e o nascimento dum novo clube: o Sport Lisboa e Benfica.
À data da constituição do novo clube, em 13 de Setembro de 1908, o ex-GSB então SCB tinha 129 sócios pagantes (entre eles Cosme Damião) e o Sport Lisboa um número que desconhecemos.
O que sabemos é que após a constituição do novo clube ou a absorção do SL pelo SCB (se preferirem) o novo clube ficou com 207 sócios.
A numeração manteve-se a do SCB. Cosme Damião, por exemplo, ficou com o número de sócio do SCB que já possuía e aos sócios do SL que não eram sócios do SCB foram atribuídos novos números até ao 207. Poderíamos, com muito boa vontade, considerar que no dia 13 de Setembro de 1908 houve um engolimento e consequente desaparecimento do Sport Lisboa e o aparecimento ou até uma continuidade do SCB com outro nome absorvendo os sócios dum clube que se extinguiu, o Sport Lisboa. Nunca poderemos dizer é o contrário.
Porquê?
Porque os factos, os documentos, provam-nos o contrário.
O SCB tinha a sede, tinha o campo, tinha o dinheiro e tinha mais sócios.

O presidente do novo Sport Lisboa e Benfica, João José Pires, era presidente do SCB, o presidente da assembleia geral, Mascarenhas de Melo (cargo que ocuparia até 1931, depois como presidente honorário até morrer em 1950) era, também do SCB (como podemos ver na imagem do boletim parcialmente reproduzido acima).

Ainda assim, os ilustres adeptos destes assaltadores de sedes (como vimos atrás) querem-nos fazer acreditar que não... que nasceram em 1904.
Muitos parabéns, saudações desportivas.

A ver o Mundial (26)

Nunca nenhum de nós tinha alguma vez visto um jogo assim. Muito provavelmente, nenhum de nós voltará a ver um jogo como esta meia-final. O Alemanha-Brasil disputado esta noite no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, mergulha o país anfitrião do Campeonato do Mundo em estado de choque. Comparada com o que hoje sucedeu, a derrota frente ao Uruguai na final do Mundial de 1950 facilmente será esquecida a partir de agora. Mas daqui a meio século, daqui a um século, este desafio ainda será lembrado. Como símbolo de humilhação do Brasil à escala planetária.

Foi a maior goleada deste Mundial. A maior goleada do Brasil registada numa meia-final de um Campeonato do Mundo. E o resultado mais desnivelado sofrido pelos brasileiros em quase cem anos. Números impressionantes que perseguirão como um estigma o seleccionador Luiz Felipe Scolari e os jogadores que acabam de sucumbir frente aos germânicos, infinitamente superiores na arte, na técnica, na táctica e na estratégia desta modalidade desportiva que apaixona o mundo e a que damos o nome de futebol.

Este foi o pior Brasil de sempre.

 

Como sucedeu tal descalabro? A que se deve o naufrágio brasileiro?

Desde logo, como já sublinhei, à inapelável superioridade da Alemanha. Muito bem organizados, os comandados por Joachim Löw, que vinham acumulando resultados positivos (quatro vitórias, uma das quais contra Portugal, e apenas um empate, com dez golos marcados e só três sofridos), apresentaram-se no Brasil com uma verdadeira máquina de jogar futebol, aproveitando o essencial do trabalho desenvolvido pelos profissionais do Bayern de Munique: Manuel Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Toni Kroos e Thomas Müller. Com Khedira, Özil e Schurrle também em excelente plano. No domingo, marcarão presença na oitava final da Alemanha em campeonatos do mundo.

E merecem.

 

 Foto David Gray/Reuters

 

Começou por ser um jogo histórico aos 23', quando Miroslav Klose marcou o 2-0. Batia-se mais um recorde num Campeonato do Mundo - o de Ronaldo, que conseguira 15 golos em fases finais do Mundial. Klose superou-o, apontando o golo nº 16 em 23 desafios disputados em cinco fases finais, desde o campeonato de 1998.

Nos cinco minutos seguintes, houve mais três golos alemães. À meia hora, perdendo por 5-0, era já evidente que o Brasil seria afastado do Mundial com uma derrota de dimensão inédita. Devido à incomparável superioridade do adversário, é certo, mas também a colossais erros próprios. Porque repetiu contra a Alemanha a estratégia inicial de pressão alta desenvolvida contra a Colômbia mas já sem o efeito surpresa. Porque se mostrou disposto a arrumar o jogo nos primeiros minutos sem medir as consequências dessa aposta temerária que desguarnecia o centro do terreno, estimulando o contra-ataque germânico. Porque permitiu defesas em funções de médios ou até como inesperados candidatos a avançados, como Marcelo e David Luiz, continuamente fora de posição, incapazes de recuperar o processo defensivo quando o Brasil perdia a bola. Foram-se abrindo autênticas auto-estradas no meio-campo brasileiro que a Alemanha, única equipa de cabeça fria, aproveitou da melhor maneira nas costas da defesa adversária.

 

Quando os (des)comandados de Scolari caíram em si estavam já mergulhados num pesadelo: a defesa ruiu por completo, começando pelo impotente Dante, com a mobilidade de uma estátua, e por um desvairado David Luiz, sempre ausente em parte incerta. A frágil organização de jogo eclipsou-se por completo. Jogadores como Fred e Hulk pareciam implorar para saírem dali. O descalabro psicológico contribuiu para afundar ainda mais o escrete, com prestações medíocres de quase todos. Na segunda parte Paulinho e Bernard ainda tentaram remar contra a maré, mas não era possível.

Sofreram sete golos. Podiam ter levado mais dois: Thomas Müller só não marcou aos 60' devido a uma magistral defesa de Júlio César e Özil, isolado aos 89', enviou a bola a um metro do poste.

Desporto colectivo, o futebol vive muito de valores individuais. Que por vezes podem fazer toda a diferença. Esta selecção de remendos, sem Neymar (ausente por lesão) nem Thiago Silva (ausente por castigo), parecia um Brasil de outro campeonato. E foi mesmo.

 

Nunca mais esqueceremos esta hecatombe: ficará para sempre gravada na memória de todos nós, do lado de lá e do lado de cá do Atlântico.

 

Alemanha, 7 - Brasil, 1

Dos Mundiais para o Sporting (V) - Mustapha Hadji

Hoje é a vez de Mustapha Hadji ter o lugar aqui nesta mui modesta galeria. Jogador de enorme talento e virtuosismo, este marroquino veio para o Sporting em 1996, tendo-se transferido no ano seguinte para o Deportivo da Corunha. Vestiu a camisola do Sporting por 27 vezes marcando três golos.

 

Hadji foi um daqueles jogadores que originou grandes discussões em pleno estádio devido às suas intermitências. Num momento quedava-se por uma apatia enervante para logo a seguir arrancar para uma jogada fantástica.

 

Participou com a sua selecção em dois campeonatos do Mundo, o de 1994 nos Estados Unidos e o de 1998 em França, sendo considerado o melhor jogador africano no ano de 1998.

 

Mais um valor a inscrever o seu nome nas páginas douradas do futebol leonino.

 

Deixo aqui um filme deste jogador no Marrocos-Noruega onde poderão ver e rever a qualidade deste atleta.

 

Que venham mais para a História!


Porque o Mundial também é isto. Danças eternas com a bola por entre os adversários. Rasgões de impetuosidade e de genialidade. A química que se gera entre o jogador e a bola e que passa para as bancadas quando toca na rede. E numa linguagem verdadeiramente (de) Mundial, todos gritamos GOLO!

P.S: O do Cambiasso (golo nº16) é um hino ao futebol, salvo erro, foram perto de 20 toques da Argentina. Diz a história que a Sérvia nem cheirou a bola...

Dos Mundiais para o Sporting (IV) – André Cruz

André Alves da Cruz é um daqueles jogadores que não veio directamente de um qualquer Mundial para o Sporting, mas somente no ano de 1999, reforçando com qualidade a defesa leonina.

 

Já com 31 anos, deu a sensação de ser um daqueles jogadores que vinha para Alvalade para acabar a carreira de uma forma serena. Todavia este jogador fez parte das últimas equipas leoninas a sagrarem-se campeãs em Portugal. Foi um verdadeiro leão!

 

Ganhou dois títulos nacionais, uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Senhor de forte pontapé, coleccionou golos muito importantes, enquanto evoluiu nos relvados portugueses. Em 78 jogos realizados marcou 9 golos.

 

Jogador de uma qualidade técnica muito acima da média, foi 47 vezes internacional pela selecção do Brasil participando no Mundial de 1998, em França, onde perdeu a final para a equipa anfitriã.

 

Após três fantásticos anos de Sporting, regressou ao Brasil para ingressar no Goiás, equipa onde viria, em 2004, a terminar a sua carreira.

André Cruz foi um defesa central que honrou – e de que maneira – a bela camisola do Sporting.

 

Dos Mundiais para o Sporting (III) - Naybet

 

Após o Mundial de 1994, nos Estados Unidos, ingressou no Sporting, um defesa central marroquino de nome Noureddine Naybet. Veio transferido do Nantes onde jogara somente um ano.

 

Todavia em Alvalade foi durante duas épocas um dos pilares da defesa leonina, jogando 54 jogos e marcando 5 golos. Mas em 1996 é transferido para o Deportivo da Corunha de Espanha onde também se evidenciou.

 

Naybet era um daqueles jogadores que preferia quebrar que torcer. O que lhe originava com os treinadores e não só alguns dissabores. Enquanto atleta do Sporting ganhou uma taça de Portugal, contra o Marítimo – curiosamente a única final que vi do Sporting, no Jamor – e uma Supertaça conquistada frente ao FCPorto em Paris com um esclarecedor 3-0.

 

Dono de uma técnica apurada, Naybet era quase intransponível. E não fossem as consecutivas lesões que sofreu, este marroquino teria feito uma carreira fantástica.

 

Um jogador de altíssimo nível que gostei (muito) de lembrar.

 

 

 

 

Dos Mundiais para o Sporting (II) Negrete

 

Por causa deste golo no campeonato do Mundo de 1986, no México, Manuel Negrete Arias de seu nome, chamou sobre si muitas atenções. Jogador de fino recorte técnico, este internacional mexicano jogou no Sporting desde o início da época de 1986 até Janeiro de 1987, data em trocou de Sportings. Deixou o de Portugal e passou para o de Gijon, onde curiosamente não foi tão feliz como em Lisboa.

 

Vi-o jogar diversas vezes no velhinho estádio José de Alvalade e sempre percebi que estava ali jogador fora-de-série. Franzino e de estatura mediana, Negrete tinha todavia um remate fácil e destacou-se no Sporting, onde Manuel Fernandes era o patrão da equipa e evoluía já o futuro capitão Oceano.

 

Em 1987 regressaria ao Pumas, no México, donde saíra para vir para Lisboa, terminando a sua carreira em 1996 no Atlante FC.

 

Foi 57 vezes internacional pela selecção mexicana, marcando 12 golos.

 

Mais um atleta de rara excelência que passou por Alvalade.

 

Bodas de Ouro

 

Faz hoje 50 anos, o Sporting Clube de Portugal conquistava em Antuérpia a única Taça dos Vencedores das Taças em futebol alguma vez ganha por um clube português. Sem claudicar na final, como acontece com os verdadeiramente grandes.

Parabéns a esses Leões que tão bem souberam honrar a camisola do nosso clube. Vários deles ainda estão entre nós, servindo-nos todos os dias de orgulhosa referência. Entre eles, quatro dos cinco que vemos nesta histórica fotografia: Alexandre Baptista, Pedro Gomes, Figueiredo e Fernando Mendes.

Dos Mundiais para o Sporting (I) Luizinho

 

Breve introdução

 

Os campeonatos Mundiais de futebol são uma montra imensa de fantásticos jogadores. Quase sempre os melhores. A maioria deles joga normalmente em grandes equipas europeias ou sul americanas.

O Sporting como grande clube europeu que é (mesmo contra muuuuuuuitas vontades e desejos obscuros!!) tem tido nos seus plantéis, jogadores que participaram em Mundiais. E não falo, claro está, apenas dos portugueses.

Com a aproximação do Mundial no Brasil, abro aqui um livro de recordações de jogadores estrangeiros que participaram em Mundiais e deram (e de que maneira!) o seu contributo no Sporting.

 

O jogador

 

De todos os que me lembro de ver jogar, houve um que recordo como sendo dos melhores no seu posto de defesa central. Chamava-se Luis Carlos Ferreira mas no futebol era mais conhecido por Luizinho e foi um atleta fenomenal.

Com o hábito bem luso de dar alcunhas a quase todos os jogadores, a este calhou uma que o definia como atleta: o Professor. Na verdade a sua postura em campo destacava-se pela serenidade e pela qualidade técnica que exibia sempre em prol da equipa. 

Não obstante ter vindo para o Sporting já com 31 anos foi um reforço fantástico. Jogou de 89 a 92.

Participou no celebérrimo campeonato Mundial de 1982, em Espanha, onde jogou 5 partidas, com quatro vitórias e uma derrota (a tal contra a Itália de um tal Paolo Rossi).
Terminou a sua carreira de futebolista no clube onde se iniciou, no Vila Nova Atlético Clube.

 

Finalmente meus amigos Autores deste blogue, é a vossa vez de lançarem aqui um nome.

 

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