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És a nossa Fé!

Terça-feira de Carnaval

1. Godinho Lopes quebra o silêncio para atacar Ricciardi, em plena sintonia com Madeira Rodrigues.

 

2. O desaparecido Paulo Pereira Cristóvão também reaparece para dar uma mãozinha ao rival de Bruno de Carvalho.

 

3. O candidato alternativo apresenta enfim o seu treinador.

 

4. "Juande Ramos vai ganhar menos que Jesus." Alguém explica a Madeira Rodrigues que a língua portuguesa é muito traiçoeira?

Loja dos trezentos

Vinte e cinco por cento do passe de João Mário  pertence a um fundo de investimento, pomposamente intitulado Quality Football Ireland Limited (QFIL). Esta percentagem foi alienada em 2012, durante o mandato de Godinho Lopes à frente do Sporting, pela módica quantia de 400 mil euros - avaliando portanto um dos mais promissores talentos da formação leonina num montante totalmente dissociado do seu valor real, como os factos não tardaram a demonstrar: 1,6 milhões de euros. Num tempo em que o nosso clube era visto como uma espécie de loja dos trezentos: as cláusulas de rescisão estavam fixadas em valores ridículos e até jogadores dos escalões da formação já tinham os respectivos passes em poder de entidades alheias ao Sporting.

Garantem alguns saudosistas do croquete que isto não era gestão danosa. Não sei então que nome lhe chamar.

Eu é mais campismo, mas...

"No desenvolvimento da sua actividade como instituição desportiva, o Sporting Clube de Portugal estabelece relações comerciais com diversas entidades através de acordos e parcerias.

No âmbito da hotelaria, o Sporting Clube de Portugal estabeleceu, nos últimos anos, um acordo comercial com a cadeia de Hotéis Holliday Inn do Intercontinental Hotels Group. As equipas das várias modalidades, bem como os colaboradores do Clube, têm utilizado os serviços desta cadeia hoteleira nas suas deslocações pelo país.

Neste sentido, e como é prática corrente, o Sporting Clube de Portugal formalizou a reserva de alojamento para a sua equipa profissional de futebol numa unidade Holliday Inn em Portugal. Após confirmação da disponibilidade para as datas requeridas, o Sporting Clube de Portugal encetou a preparação logística desta deslocação.

Estranhamente, a poucos dias da efectivação da reserva, sem que nada o fizesse prever e após várias trocas de informação entre as duas entidades, a referida cadeia hoteleira informou o Sporting Clube de Portugal que iria anular a reserva anteriormente estabelecida.

Face à gravidade deste procedimento, o Sporting Clube de Portugal solicitou à cadeia Holliday Inn um esclarecimento pleno da situação e a justificação deste incumprimento. Em resposta a este pedido, informaram-nos que a equipa profissional de futebol do nosso clube estava impedida de se alojar naquela unidade hoteleira durante toda a época desportiva, alegando que essa decisão se devia a “instruções superiores” entretanto recebidas pelos colaboradores do Hotel.

Considerando a gravidade desta decisão da Holliday Inn, com todos os seus contornos “nebulosos”, o Sporting Clube de Portugal decidiu suspender imediatamente todas as relações comerciais com a referida cadeia hoteleira e informar os seus associados e adeptos da natureza deste incidente. Qualquer equipa desportiva ou colaborador do Clube jamais recorrerá a serviços dos hotéis Holliday Inn, manifestando o Sporting Clube de Portugal total desagrado pelo comportamento ético e institucional reprovável desta cadeia hoteleira do Intercontinental Hotels Group.

Em função do relatado, os Sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal saberão, em consciência, tomar as decisões que entenderem quando tiverem de recorrer a este tipo de serviços."

 

Apenas uma pequena referência a que um dos donos desta cadeia de hotéis, em Portugal, é... tcharaaaaaaan!!!! Godinho Lopes!!!  O homem era um verdadeiro benemérito, nem sei porque correram com ele!

Quando Godinho Lopes encomendava auditorias

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Como a memória de alguns é muito curta, vamos lá avivá-la. A respeito de auditorias, por exemplo.

Em Fevereiro de 2012, Luís Godinho Lopes abalava o universo leonino ao anunciar o resultado de uma "auditoria independente" às gestões anteriores solicitada pela sua equipa directiva logo no início do mandato.

O Sporting entrara em "falência técnica", proclamou o então presidente do Sporting, apontando o dedo acusador a quem o precedeu.

A auditoria examinara com minúcia 13 anos de gestão leonina - entre 1998 e 2011 - abrangendo os mandatos de José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco e José Eduardo Bettencour. E as conclusões foram devastadoras.

Houve "resultados líquidos negativos consolidados em quase todas as épocas". Acumulara-se um "défice crónico de tesouraria", de "quase 20 milhões de euros por ano", forçando o consequente "recurso a empréstimos" que  contribuíram para o "agravamento do passivo" em 230 milhões, fixando-se então nos 276 milhões.

Na altura, isto provocou compreensíveis reacções de desagrado. Dias da Cunha, por exemplo, veio a público garantir que tinha deixado o Sporting "equlibrado financeiramente".

O que aquela auditoria não podia prever era o descomunal aumento do passivo que viria a ser ampliado durante a gestão de Godinho Lopes. Cem milhões, a somar ao resto.

Não deixa entretanto de ser irónico que seja hoje ele apontado a dedo, do mesmíssimo modo como procedeu em relação a outros. Não consta que na altura se tivesse arrependido de ter agido como agiu.

Um acto de justiça

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«As duas últimas décadas foram as que faliram o clube. O Sporting, transformado em empresa e dirigido por gestores profissionais, era afinal clube de amigos. Está tudo na auditoria. Contratos não escritos, pagamentos sem justificação, bonificações sem enquadramento legal, serviços externos garantidos por funcionários, dirigentes que trabalhavam para empresas contratadas, comissões exageradas com fundos e agentes. E, claro, o caso dos custos do estádio, de que ficará sempre qualquer coisa por contar. O Sporting perdeu muito dinheiro com a gestão profissional de tipo empresarial. Nuns casos foi incompetência, noutros foi mais grave do que isso. É por isso que, não sendo fã de expulsões, tenho de concordar com quem se quer ver livre da fina flor do entulho. A expulsão de Godinho Lopes é um acto de justiça. Para com o clube e até para com alguns dos auditados. Podem ter gerido mal o clube. Mas faça-se a justiça de dizer que nem todos são da estirpe de Godinho Lopes.»

Daniel Oliveira, hoje, no Record

 

ADENDA: A ilustração surge por sugestão de um leitor, que naturalmente acolhi. É sempre bom lermos clássicos da literatura portuguesa

Já vai tarde

Conduziu o Sporting à mais catástrofica situação financeira de sempre.

Conduziu o Sporting ao pior resultado desportivo da sua história no futebol.

Fez contratos com jogadores lesivos dos legítimos interesses do clube.

Delapidou o património leonino.

Aumentou o passivo da SAD a níveis estratosféricos.

Vendeu jogadores a preço de saldo e passes de jogadores - inclusive de miúdos da nossa formação - para cobrir simples operações de tesouraria.

Aceitou depor contra o Sporting no litígio judicial que opõe o nosso clube à Doyen no Tribunal Europeu do Desporto.

 

Vários destes motivos, isoladamente, bastariam para legitimar a retirada do cartão de sócio do Sporting Clube de Portugal a Luís Godinho Lopes.

Somados, todos eles reforçam essa legitimidade.

Foi isso que sucedeu, por decisão soberana do Conselho Fiscal e Disciplinar, sem votos contra, cumpridos os preceitos estatutários em vigor no clube.

O facto de Godinho Lopes ter sido ex-presidente do clube, neste caso, não constitui circunstância atenuante mas agravante.

 

Vejo alguns chorar lágrimas, eventualmente de crocodilo, por esta expulsão.

Por mim, só tenho a dizer isto: já vai tarde.

Poderá parecer que estou feliz

Mas acreditem que não!

Nunca um sócio de um Clube pode ficar feliz pela expulsão de outro que exerceu as funções de presidente.

Mas o que tem que ser, tem mesmo que ser e outra solução não poderia haver, dadas as faltas gravíssimas apontadas.

Eis o comunicado do CFD, na íntegra:

 

1. Na sequência da conclusão da fase nº 1 da Auditoria de Gestão ao Sporting, pedida pelo Conselho Diretivo (CD) à empresa de auditoria Maazars e assim cumprindo uma importante promessa eleitoral, um conjunto de 76 sócios, perante a verificação de graves irregularidades reveladas no Relatório Final dessa auditoria, solicitou a abertura de processos disciplinares contra os seguintes sócios: Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes, Luís José Vieira Duque, Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro Guedes.

 

2. Em face da delicadeza e complexidade do assunto, o Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) decidiu pedir ao CD a contratação de um jurista que fosse, simultaneamente, advogado especializado para instruir processos disciplinares e independente do SCP e do fenómeno desportivo, o Dr. David Carvalho Martins, que foi a nossa escolha.

3. Após algum tempo de espera, também devido ao facto de ter sido necessário obter as autorizações dos autores do relatório de Auditoria por existirem factos confidenciais que tinham de ser analisados, foi possível desencadear as diversas fases dos processos disciplinares a partir de Fevereiro de 2015.

4. No conjunto dos actos praticados, foi este o calendário dos diversos momentos destes quatro processos disciplinares:

- requerimento de abertura dos processos disciplinares: 15 de Setembro de 2014;

- entrega oficial do Relatório da Auditoria de gestão da Fase 1: 25 de Setembro de 2014;

- contratação do jurista instrutor para análise do Relatório de Auditoria e apreciação de eventuais ilícitos disciplinares: Janeiro de 2015;

- concessão das autorizações de confidencialidade: Abril de 2015;

- finalização das notas de culpa aos 4 arguidos: 8 de Maio de 2015;

- envio das notas de culpa aos arguidos, explicitando o tempo de resposta (15 dias úteis, com possibilidade de consulta dos documentos no Clube e pedido de outras diligências para a descoberta da verdade): 15 de Maio de 2015;

- resposta às Notas de Culpa: responderam, apresentando a sua defesa, Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro (25.5.2015) e Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes (27.5.2015);

- recepção dos quatro relatórios finais do instrutor dos processos disciplinares após serem devidamente apreciadas as respostas dos arguidos: 17 de Junho de 2015;

- decisão final do CFD: 25 de Junho de 2015.

5. A decisão final tomada em 25 de Junho de 2015 pelo CFD foi a seguinte em relação aos 4 arguidos:

- Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro Guedes: arquivamento dos autos por unanimidade de votos dos membros do CFD por terem deixado de ser sócios a seu pedido antes do início do procedimento disciplinar, embora o CFD tivesse feito menção, na sua acta, que os comportamentos enunciados na Nota de Culpa que lhes fora dirigida eram “…muito graves e atentatórios dos superiores interesses do Sporting, devendo, portanto, ser considerados no âmbito de uma eventual proposta de readmissão, nos termos e para os efeitos do artigo 14.º, n.º 2, dos Estatutos…”;

- Luís José Vieira Duque: aplicação por unanimidade dos votos dos membros do CFD de uma sanção de suspensão por 1 ano, agravando a sanção disciplinar proposta pelo instrutor (que era a de suspensão por 9 meses), considerando a gravidade das infracções cometidas;

- Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes: aplicação por seis votos a favor e uma abstenção dos membros do CFD da sanção disciplinar de expulsão, agravando a sanção disciplinar proposta pelo instrutor (que era a de suspensão por um ano), considerando a prática de infracções disciplinares muito graves para a imagem e património do Clube, as quais quebraram, de um modo absoluto e irremediável, a relação de confiança que qualquer sócio merece ter por parte do Clube, no caso com a agravante de se tratar do seu dirigente máximo, o Presidente do Conselho Directivo, no período em apreciação (2011/2013).

6. Nos termos dos Estatutos do Sporting, os arguidos a quem foram aplicadas estas sanções disciplinares têm o direito de recorrer para a Assembleia Geral, nos 30 dias seguintes ao da sua notificação, recurso que é devolutivo no caso de suspensão de um ano e recurso que é suspensivo no caso da expulsão.

Mais se esclarece que todos os arguidos foram notificados, por correio electrónico, desta deliberação no dia seguinte, 26 de Junho de 2015, sendo notificado em papel no próximo dia útil, que será 29 de Junho de 2015.
Se os arguidos não se conformarem com estas decisões disciplinares, têm a possibilidade, nos termos gerais e como sucede em Estado de Direito Democrático, de recorrer aos tribunais, para fazer valer a sua perspectiva a respeito dos processos disciplinares que, no âmbito do Clube, assim chegaram ao seu termo.

Devido à confidencialidade que envolve os processos disciplinares, o CFD está impedido de revelar mais factos, ficando os respectivos processos arquivados nos serviços Clube, bem como esta deliberação registada no Livro de Actas do CFD como Ata nº 33, todos estes documentos à disposição dos arguidos para a sua consulta, não podendo ser, naturalmente, do domínio público, salvo a partir do momento em que os sócios arguidos recorram da deliberação do CFD para a Assembleia Geral do Clube. Neste caso, por definição, os autos dos processos disciplinares devem ficar à disposição da Assembleia Geral para os devidos efeitos.

7. O CFD lamenta que sobre este assunto se promovam ou alimentem campanhas de desinformação ou de manipulação que se destinam a beliscar a seriedade e a regularidade da condução dos processos disciplinares, mandatando o seu presidente para prestar os demais esclarecimentos tidos por convenientes.

Lisboa, 28 de Junho de 2015.

 

Não é sportinguista

Todos queremos que o Sporting vença o processo que o opõe à Doyen no TAS a propósito de transferência de Marcos Rojo para Inglaterra. Todos os que somos sportinguistas, claro.

Ao aceitar ser testemunha abonatória da Doyen, dois anos depois de ter deixado Alvalade em falência financeira e desportiva, Godinho Lopes, coloca-se ao lado de uma empresa que está em conflito aberto com o Sporting.

Com este acto inaceitável Godinho Lopes demonstra assim, a todos os adeptos do nosso clube, que não é sportinguista.

 

ADENDA: «Apesar das divergências com a actual Direcção, não percebo como [GL] aceita testemunhar contra o Sporting. Custa-me ver um antigo presidente neste papel. Podia sempre abster-se e não aceitar testemunhar a favor do fundo de investimento. Lamento profundamente tudo isto, a sua posição é profundamente lamentável.» (Vasco Lourenço, ex-membro do Conselho Leonino, citado hoje no jornal A Bola)

Contra o Sporting

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Godinho Lopes, ex-presidente do Sporting. Ao lado de Pinto da Costa. Como testemunha da Doyen em tribunal.

Contra o Sporting.

O mesmo Godinho Lopes que ainda há dias se atrevia a dar lições a outros em matéria de carácter.

Podia - e talvez devesse - expressar com clareza o que senti há pouco, ao ler aquela notícia. Mas tudo quanto penso sobre Godinho Lopes ficou enumerado em devido tempo, ainda durante o consulado dele. Aqui.

Para avivar a memória de Dias da Cunha

«Godinho Lopes aprendeu comigo. Está a ser um excelente presidente.»

Dias da Cunha, 26 de Abril de 2012

 

«Godinho Lopes é um excelente condutor de homens e um excelente gestor.»

Dias da Cunha, 17 de Julho de 2012

 

«Tenho a certeza que Godinho Lopes é o homem indicado para liderar os destinos do Sporting e procurar as melhores soluções.»

Dias da Cunha, 27 de Julho de 2012

Tudo bons rapazes

Percebo que nesta altura devemos apontar o nosso foco para a final que nos cabe ganhar e tentar ser imunes às manobras de diversão com que deparamos todos os dias, mas seria hipócrita se não reconhecesse e tornasse público o gozo que me dá imaginar uma cáfila de pretensos sportinguistas vendo escorrer por si abaixo a maquilhagem da nobreza na barra do tribunal. Carlos Barbosa é uma personagem repulsiva, acho-o pesporrente e serôdio até mais não poder - irrita-me solenemente; Pereira Cristóvão inspira medo, dá a ideia de ser alguém capaz de tudo; Godinho Lopes parece-me um banana; Nobre Guedes destila cagança; e Duque é, no sentido mais obscuro, um homem do futebol. Agora andam uns contra os outros: Cristóvão diz que Duque mente, Godinho acusa uma amnésia selectiva, Nobre passeia impante sobre a miséria nacional, Barbosa permanece igual a si mesmo (a imbecilidade é crónica) e Duque sacode a água do capote. Varrer isto do SCP, para mim, é saneamento básico. Festejo-o não como uma Taça, mas com aberto regozijo. E interpreto o desinteresse dos jornais. Ainda há quem compare Bruno de Carvalho a Vale e Azevedo. Se o querem atacar, ao menos tenham a coerência de procurar mais perto os exemplos. E pronto, já disse o que me apetecia. Agora sim, venha a final!

Aldrabices

Este blogue tem a presença regular de adeptos do clube do outro lado da 2ª circular, espero que algum deles faça chegar ao seu presidente o que Godinho Lopes disse no fim do encontro que o tal referiu : 

"Em relação ao que se passou no Estádio da Luz, condenamos o sucedido e a nossa perspetiva é, como sempre, colaborar com as forças de segurança para que tais situações não se repitam", afirmou ao site oficial do clube, após uma reunião com a direção nacional da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP)"

Já nada me espanta

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Godinho Lopes, como qualquer cidadão, tem todo o direito a defender-se das acusações de que é alvo no âmbito da auditoria de gestão em curso no Sporting. Claro que devia tê-lo feito no local próprio - a assembleia-geral do clube. Optou antes, no entanto, pela falta de comparência e pelo silêncio, só ontem à noite quebrado numa extensa entrevista à RTPi - precisamente o canal que costuma revelar mais simpatias portistas - a 40 horas do apito inicial do FC Porto-Sporting.

Não discuto a questão de fundo. Limito-me a questionar o critério de oportunidade. Quando as atenções de todos os sportinguistas estão já viradas para o clássico da Taça de Portugal, o antecessor de Bruno de Carvalho vem deitar lenha numa polémica interna sobre a qual tinha evitado cuidadosamente pronunciar-se até ao momento. Apetece perguntar-lhe o que o fez falar só agora, praticamente na véspera de um dos mais importantes confrontos desportivos da nossa equipa nesta temporada 2014/15.

Entre as suas declarações da noite de ontem, há uma que me impressiona pela falta de seriedade: a de querer partilhar com Bruno de Carvalho a humilhante classificação registada pelo Sporting no campeonato 2012/13: «O sétimo lugar foi conquistado [sic] em conjunto com a actual direcção.»

Como se as responsabilidades pudessem ser repartidas entre o presidente que programou e avalizou a desastrosa política desportiva levada a cabo nessa época ao longo de 23 das 30 jornadas oficiais, e aquele que se limitou a atenuar os derradeiros estilhaços desde o momento em que se sagrou vencedor do acto eleitoral, na madrugada de 24 de Março de 2013, quando a equipa seguia no décimo lugar da Liga.

Tratando-se porém do mesmo dirigente que prometeu um "Sporting campeão" e um "Sporting independente da banca", já nada me espanta.

Faz hoje um ano

 

Os sportinguistas foram a votos para eleger os novos órgãos sociais do clube. Foi um dos dias mais longos dos últimos anos de história leonina. Um dia que iniciei, aqui no blogue, com estas perguntas para fazer antes de votar:

"Em que candidato mais confio?

Qual deles amará mais o Sporting?

Quem tem uma equipa mais completa?

Quem tem mais capacidade de liderança?

Quem merece mais ter uma oportunidade?

Quem pode ser mais eficaz perante os adversários?

Quem parece mais indicado para levantar o nosso clube?

Qual deles faz mais parte da solução do que do problema?"

 

Nem neste dia 23 de Março de 2013 o presidente cessante, Godinho Lopes, resistiu à tentação de obter ainda algum protagonismo. Fazendo esta declaração pouco depois de ter votado: "Saio tranquilo. Tenho pena de não ter acabado o mandato. Acho que o merecia: era a forma de concluir um programa que passava pela reestruturação, que era fundamental para a estabilidade do Sporting. Acredito que o futuro me fará justiça."

Palavras que me levaram a concluir isto: "Chega sempre o momento em que temos o direito - e até o dever - de dizer nunca mais."

Faz hoje um ano

 

Notícia do dia, faz agora um ano: Godinho Lopes anunciou que não se recandidataria à presidência do Sporting na eleição de 23 de Março. O balanço ainda provisório do seu mandato, nesse dia 6 de Fevereiro de 2013, era desastroso. Prometeu unir - e desuniu. Prometeu sanear - e não saneou. Prometeu vencer - e perdeu. Sob o seu mandato, não ganhámos nada no futebol profissional - o principal cartão de visita e a maior fonte de receitas do clube. E o Sporting estava ainda mais endividado do que no momento em que o presidente iniciou funções, em 2011, sucedendo a José Eduardo Bettencourt.

"Godinho Lopes tinha tudo para falhar, pelo que já se sabia de uma equipa dirigente que juntava boa parte do pior que o nosso clube tem. Devemos procurar escolher sempre os melhores, em tudo, mas no Sporting teimamos em escolher sempre os piores (ou pelo menos em deixar que os piores se façam eles próprios escolher)", escreveu o António Manuel Venda.

E o Diogo Agostinho avisava: "Mais do que um nome, quero uma liderança para o clube e paz no dia-a-dia. Um clube neste grau de loucura diário não aguenta. Os papagaios vão sempre andar por aí, mas quem suceder a Godinho Lopes tem que ter a capacidade de não cair na teia dos notáveis. Hoje de abraços, amanhã de almoços, jantares e bocas conspirativas."

Faz hoje um ano

 

Acentuavam-se os rumores sobre a partida iminente de Vercauteren, fundamentados numa notícia do diário Record, muito próximo do Conselho Directivo do Sporting. Apesar de o presidente Godinho Lopes ter garantido dias antes que o treinador belga não tinha "lugar em risco".

A temporada 2012/13 arrancara com o maior investimento de sempre no futebol. Mas naquele dia 22 de Dezembro de 2012 a realidade era bem diferente das promessas feitas pelos responsáveis leoninos: o pior arranque de uma época futebolística, despedida prematura de três das quatro competições do ano, Liga dos Campeões já (ante)vista por um canudo, crise financeira aliada à crise desportiva, incapacidade de manter uma equipa técnica, incapacidade de fixar um onze-base em campo, contínua depreciação dos nossos jogadores no mercado.

 

Havia ainda, em certos blogues, quem procurasse falar em "normalidade". Mas no Sporting daquele tempo, faz agora um ano, nada havia de normal.

Não era normal termos sido afastados da luta pela liderança do campeonato, estarmos fora da Taça e das competições europeias muito antes do Natal.
Não era normal estarmos muito abaixo não só do Braga mas também do Rio Ave (que nos ganhara em casa) e do Paços de Ferreira.
Não era normal termos perdido duas vezes contra o Moreirense.
Não era normal não termos ganho um só jogo por mais de um golo de diferença quando iam decorridas 12 jornadas do campeonato.
Não era normal termos começado a época com um treinador, depois ter vindo outro, depois mais outro e então já se pré-anunciar outro.

 

O que me levou a escrever isto nessa mesma data: "Um clube tecnicamente falido ainda hoje paga o salário do treinador que viria "reconduzir o clube aos triunfos" (solene promessa presidencial na campanha de 2011) e foi sumariamente despachado há dez meses "por falta de resultados desportivos" numa altura em que a equipa ainda podia ganhar tudo, excepto a Taça Lucílio Batista (a única a que, por ironia, hoje podemos aspirar). O homem que, à falta de vitórias e troféus, nada mais tem a oferecer aos sportinguistas senão palavras desdiz hoje o que disse ontem. E desdirá amanhã o que hoje diz. Afirma este homem que no primeiro ano do mandato conseguiu mobilizar e unir os sportinguistas. É verdade, mobilizou-nos - para derrotas."

A importância de ter memória

"É um bocado sobranceria minha, mas sinto que se não tivesse vindo para cá, se não tivesse a equipa que tenho, se não tivesse feito o investimento que fiz, o Sporting tinha acabado. É o que eu acho. (...) Vamos manter os jogadores que cá temos e, quem vier, é por empréstimo ou um jogador nosso que esteja emprestado."

Godinho Lopes em Dezembro de 2011, "feliz por ter conseguido unir os sportinguistas"

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