14 Jul 16

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.


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Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.


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10 Jul 16

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

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Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

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09 Jul 16
A final
Francisco Chaveiro Reis

Confesso que nunca pensei que Portugal estivesse em Saint-Denis este domingo, a disputar o título europeu, pela segunda vez, em doze anos. Mas está e a felicidade dos adeptos portugueses já está garantida. Temos ambição de conquistar mais do que o segundo lugar. Ambição aumentada pela pressão que os franceses fazem nos seus media (Pepe e Ronaldo atores ou o futebol nojento) e pelo seu chauvinismo (a vitória estará garantida).

 

A França é uma boa equipa, jogou bom futebol nos últimos dois jogos (não esquecer jogos maus com Roménia, Albânia, Suíça e Rep. Irlanda, potências muito superiores a Islândia, Austria, Hungria ou Croácia) e não tendo nenhum Zidane tem no seu seio bons jogadores como Pogba, Matuidi, Payet ou Griezmann (sabiam que tem um avô português - Amaro Lopes - que jogou no Paços de Ferreira?). Dito isto, não me parece que seja impossível de vencer. Vejamos o possível onze.

 

LLoris (Tottenham) mostrou ontem os seus predicados com defesas que pareciam impossíveis. É um guarda-redes maduro e de grande classe. Na defesa, Sagna (City) e Evra (Juventus) são veteranos mas têm, até aqui, mostrado muita resistência física e grande qualidade de jogo, sendo dos melhores franceses na prova. Ainda assim, o pouco descanso das meias para a final pode se decisivo. No centro, onde já não estavam Mathieu (Barcelona), Zouma (Chelsea) e Varane (Real Madrid) antes do Euro, deixou de estar Rami (Sevilha). A dupla tem sido Umtiti (Lyon, já prometido ao Barcelona) e Koscielny (Arsenal), pilar do setor. Ronaldo poderá aproveitar a pouca experiencia de Umtiti que apesar da qualidade vai apenas a caminho da terceira internacionalização.

 

No meio, Deschamps apostou primeiramente num trio – Kanté (Leiscester), Matuidi (PSG) e Pogba (Juventus) mas nas últimas duas partidas retirou o primeiro e colocou Sissoko (Newcastle) defende bem (era médio defensivo no Toulouse) mas também ataca (tornou-se num quase extremo na Premier League).

 

Na frente está o perigo maior. Giroud (Arsenal) não é nenhum Benzema mas cumpre perfeitamente (a França foi campeã do mundo tendo “cepos” bem piores como Guivarc´h ou Dugarry). Nas alas, Payet, que explodiu para o futebol mundial no West Ham este ano, aos 28 anos e é um perigo na marcação de livres e pela sua velocidade e, claro, Griezmann, o pequeno avançado móvel do Atlético de Madrid que começou mal a prova (suplente no segundo jogo), leva já seis golos e está a dar sequencia à grande época que fez em França. Com Martial (United) encostado pelo selecionador, Coman (Bayern) e Gignac (Tigres) são as armas atacantes que podem sair do banco.

 

Do nosso lado, aposta na continuidade. Patrício na baliza. Cédric, Pepe (espera-se), Fonte e Raphael na defesa. No meio, Danilo esteve muito bem mas William deve regressar. João Mário, Adrien Silva e João Moutinho devem ser o meio-campo (acredito que Sanches não será titular, devendo Santos apostar numa opção mais conservadora num jogo de tantos nervos). Nani e Ronaldo, não avançados que levam três golos cada um, serão os titulares. Sanches e Quaresma são as armas prontas a entrar em campo.


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08 Jul 16

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O Portugal-França de domingo vai ser um jogo muito matreiro. De parte a parte. Para nós teria sido preferível um confronto com os alemães, mais previsíveis e rectilíneos, abrindo inesperadas brechas na defesa que poderiam ser aproveitadas por Ronaldo ou Nani.

Somados a esses lapsos colectivos, a turma germânica revelou também uma soma inacreditável de erros individuais - daqueles que se pagam muito caros em alta competição. E em particular na meia-final dum Europeu.

Já contra a Itália, nos quartos de final, os alemães só haviam seguido em frente por uma unha negra. Com falhas infantis, destacando-se o penálti cometido por um Boateng com aparente vocação para ser polícia sinaleiro. Sem esquecer aquela inacreditável reposição de bola feita por Neuer, que deve ter arrepiado milhões de germânicos. E Müller a marcar um penálti que foi um passe a Buffon. E Schweinsteiner a marcar outro, transformando uma grande penalidade numa grande charutada...
Só passaram porque os italianos conseguiram ser piores.

Ontem repetiram-se os erros individuais. Müller a fazer passes ao guarda-redes, despedindo-se em branco do Europeu depois de ter sido melhor marcador nos mundiais de 2010 e 2014.
Boateng reiterando a vocação para o disparate, endossando a bola ao adversário em zona proibida. Neuer com novas fífias. Schweinsteiner procurando imitar o seu colega da defesa no jogo anterior ao saltar igualmente dentro da área com a mão bem levantada, originando um penálti sem a menor necessidade. E demonstrando assim como o cansaço anímico superava o cansaço físico na selecção alemã.


A França, sem brilho mas com mais manha, não assumiu a posse de bola (só teve 35%), espreitando sempre o contra-ataque. Com dois avançados muito perigosos: Griezmann, que anda de pé quente e ontem somou mais dois golos para o seu pecúlio pessoal, e Giroud. Há ainda Payet, mas ontem esteve a zero e foi substituído. Lento, fatigado, previsível.
O facto é que os franceses também têm debilidades defensivas, que ontem aliás foram evidentes. Só esta irreconhecível Alemanha - uma sombra do que foi no Campeonato do Mundo - não soube aproveitá-las. E assim os franceses puderam vingar-se da derrota de há dois anos no Brasil.


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Fala-se muito do "fácil" percurso de Portugal até chegar às meias-finais em que recambiámos para casa o País de Gales, equipa "sensação" do Euro 2016.

Esse percurso, recordo, incluiu uma vitória contra a modesta Croácia, que antes tinha derrotado a fraquíssima Espanha, bicampeã europeia.

Mas é o momento de perguntar a essas sumidades - incluindo o policomentador da SIC que se confessa "encantado" com o futebol francês enquanto não perde oportunidade de achincalhar a equipa das quinas - qual foi também o percurso feito até à meia-final pela selecção anfitriã do torneio.

Raras vezes se fala disso, mas é tempo de recordar que os franceses defrontaram as seguintes potências desportivas: Roménia, Albânia, Suíça, Irlanda e Islândia.

Lembrei-me de anotar isto aqui antes que comece nova sessão de autoflagelação. Desferida por portugueses contra portugueses, como é costume.


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07 Jul 16
A vaca do Fernando
Edmundo Gonçalves

Soa por aí à boca cheia que Fernando Santos levou uma vaca para França.

Suja, apelidaram-na logo os franceses, chauvinistas como só eles.

Hoje demos conta da existência de outra, que já se tinha insinuado até, a que Deschamps tem trazido pela trela.

Ao contrário da vaca de Fernando Santos, esta vaca, para disfarçar o cheiro a bosta, vem embalada em Chanel, n.º 5.

Vaca, mas bem cheirosa.

Puta fina!


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Quem disse que no fim ganha a Alemanha? A selecção germânica despediu-se hoje do Euro 2016, baqueando perante a turma anfitriã, que desde 1938 não perde um torneio disputado no seu território. Sem deslumbrar, longe disso, os franceses derrotaram os alemães por 2-0. Ambos os golos foram marcados por Griezmann, que assim reforça a posição como goleador desta competição. Já com seis no seu pecúlio. Esperamos que fique por aqui.

A Alemanha, com 65% de posse de bola neste encontro, caiu por demérito próprio. Dois erros individuais cometidos pelos campeões do mundo ofereceram de bandeja a vitória à equipa gaulesa, sempre incentivada pelo seu público.

Na primeira parte, já em tempo extra, Schweinsteiger tocou sem qualquer necessidade com a mão na bola dentro da sua grande área, após a marcação de um canto: o rematador do Atlético de Madrid, chamado a converter, não perdoou. Na segunda parte, este luso-descendente com um avô natural de Paços de Ferreira bisou após uma inacreditável fífia defensiva cometida por Kimmich, que praticamente endossou a bola aos adversários. Neuer, com uma defesa incompleta e atabalhoada, permitiu a recarga. Iam decorridos 72’, a sorte do jogo estava lançada nesta partida disputada em Marselha: o campeão do mundo despediu-se do Europeu.

Valha a verdade que a França fez pouco para justificar uma vantagem tão dilatada – igual à obtida ontem pela nossa selecção frente ao País de Gales. Os alemães podem queixar-se de uma bola ao poste e de uma defesa excepcional do guardião Lloris a um cabeceamento de Götze, que procurava imitar Ronaldo mesmo à beira do apito final. Hoje sem Khadira, Hummels e Mario Gómez, a equipa comandada por Joachim Löw jogou mais com o coração do que com a razão. Com um Boateng sem categoria (perda infantil de bola em zona proibida aos 42’), um Özil apagado e tristonho e um Müller que sai deste certame sem marcar sequer um golo.

Vamos portanto defrontar os franceses no domingo. Há 41 anos que não conseguimos levá-los de vencida. E a missão torna-se ainda mais difícil porque eles jogam em casa: basta lembrarmos o que aconteceu em 1984 e 1998. Mas a verdade é que as tradições a todo o momento podem ser quebradas. Talvez tenha chegado a altura de quebrar mais esta. Até porque a França não tem - nem de perto nem de longe - um jogador com o nível de Cristiano Ronaldo.

 

Alemanha, 0 - França, 2


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03 Jul 16

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A Islândia caiu. Mas caiu de pé. Sem baixar os braços. Recebeu o aplauso entusiástico do público, que não lhe regateou apoio do princípio ao fim. Mesmo a perder por 0-4 ao intervalo deu réplica aos franceses nesta partida dos quartos-de-final, disputada em Saint-Denis, debaixo de chuva.

Aqueles que anteviam a reedição do embate entre ingleses e islandeses, com a equipa nórdica a funcionar pelo segundo jogo consecutivo como tomba-gigantes, cedo se decepcionaram: Giroud marcou logo aos 12'. Seguiu-se Pogba, de cabeça, aos 20'. Payet marcou aos 43' e Griezmann fechou a conta no primeiro tempo aos 45'.

Na segunda parte, compreensivelmente, os franceses tiraram o pé do acelerador. Foi quanto bastou para que a Islândia crescesse em domínio territorial e posse de bola, reduzindo aos 56'. Três minutos depois, no entanto, Giroud desfez as últimas ilusões ao bisar neste jogo, que veria ainda o segundo golo islandês, aos 84'.

Partida aberta, com muitos lances ao primeiro toque, concluída com o maior número de golos até agora já marcados num confronto deste Euro 2016 onde a táctica tem superado a técnica. A Islândia regressa a casa com motivos para sentir orgulho: recebeu o aplauso de toda a Europa do futebol. A França transita para as meias-finais, a disputar quinta-feira em Marselha frente à Alemanha. Um desafio que cheira a final antecipada.

Nós, se precisássemos, teríamos aprendido algo essencial com este jogo: uma selecção com ambições nunca pode descurar as cautelas defensivas. Mas não precisamos, como sabemos. Temos é que afinar a pontaria onde mais tem faltado: lá à frente. A partir daí tudo se tornará mais fácil.

 

França, 5 - Islândia, 2


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28 Jul 15
Vive la France
Francisco Melo

Depois de Didier Lang, Pongolle e agora Sarr, é caso para dizer que fazemos o pleno no que toca a contratações falhadas de jogadores franceses.

Será que Ciani irá engrossar a lista?


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12 Out 14

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1. Foi um bom treino para o desafio de terça-feira, contra a Dinamarca. Um desafio que temos mesmo de ganhar. Este amigável de ontem, que nos opôs à selecção francesa, serviu fundamentalmente de teste. Perdemos no resultado, tangencialmente, por 1-2. Mas o teste foi superado: creio que Portugal voltou a ganhar uma equipa.

 

2. Fernando Santos, sem complexos de qualquer espécie, não hesitou em lançar seis novos membros no onze-base da selecção. Alterando o desenho táctico e as dinâmicas de jogo, abdicando de um ponta-de-lança fixo durante a maior parte do encontro. Demonstrou ousadia e confirmou ter ideias próprias. A largos espaços, Portugal dominou a partida - sobretudo na segunda parte, onde tivemos uma exibição de grande nível.

 

3. Valeu a pena fazer regressar Tiago, Quaresma, Danny e Ricardo Carvalho à selecção? A meu ver, sim. Isto tem o condão de cortar pela raiz aquela tendência tão portuguesa de suspirar por saudades daqueles que estão longe. Fernando Santos fez saber, desde o minuto zero, que com ele ninguém está dispensado de dar o seu contributo. E com isso anulou qualquer possível candidatura a D. Sebastião.

 

4. Estreias absolutas na selecção A de dois jogadores do Sporting: Cédric e João Mário. Ambos com vasta experiência a nível das selecções mais jovens (Cédric foi vice-campeão mundial sub-20). O nosso lateral direito teve uma partida ingrata, sobretudo na primeira parte, em que o caudal ofensivo francês foi quase sempre canalizado pelo seu flanco sem o devido apoio dos alas portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo não recuavam em missões defensivas,  enquanto André Gomes e João Moutinho tardavam nas dobras, o que criava persistentes desequilíbrios nessa zona (Eliseu sentiu o mesmo problema na lateral esquerda). Mas o seleccionador fez bem em mantê-lo em campo até ao apito final.

 

5. João Mário entrou mais tarde, quando faltavam menos de 20 minutos para o fim do jogo, mas creditou-se como um dos melhores em campo, formando um eficaz losango em que os restantes vértices eram William Carvalho (outra grande exibição), Tiago (melhor no segundo tempo, precisamente integrado neste quarteto) e João Moutinho. Mal entrou, com o pesado encargo de render Cristiano Ronaldo, o nosso médio cavou de imediato uma grande penalidade, que daria golo, marcado por Quaresma. Tenho a certeza de que Fernando Santos contará também com ele no desafio contra a Dinamarca.

 

6. Houve exibições superlativas? Nem por isso. Este jogo funcionou sobretudo como demonstração de um colectivo já relativamente afinado - exceptuando os 20 minutos iniciais, em que a selecção francesa se instalou no nosso meio-campo como um vendaval, indiferente ao facto de haver quase dois terços de portugueses ou lusodescendentes nas lotadas bancadas do Stade de France, em Paris.

 

7. Há no entanto um jogador que justifica mais elogios do que os restantes: Pepe. Ontem fez quase tudo bem: percorreu várias vezes toda a extensão da linha defensiva, serviu de pronto-socorro para compensar falhas dos laterais, foi dos pés dele que começaram vários lances de ataque construídos com precisão e esteve a um passo de impedir o golo inaugural dos franceses, substituindo-se a Rui Patrício na linha de baliza. Merece um aplauso especial.

 

8. Fernando Santos esteve bem nas substituições, que melhoraram o nosso rendimento global. Portugal foi uma equipa mais acutilante e focada no ataque com William, João Mário e Quaresma em campo. Destaque para um passe em profundidade, com cerca de 40 metros, de William a lançar Nani, aos 61'. Foi uma das melhores jogadas do encontro. Apenas superada por um remate de cabeça de Ronaldo aos 51', com assistência de Nani, travado in extremis por uma grande defesa do guarda-redes gaulês.

 

9. Em contraste, as entradas de Éder e Vieirinha não produziram nada de novo. Ficou a certeza de que é preferível jogarmos sem ponta-de-lança do que continuarmos a fazer experiências falhadas com "números 9" que não marcam e até preferem andar sempre longe da baliza.

 

10. Danny foi outro jogador que também se mostrou longe da melhor forma - e o que menos rendeu entre os quatro "recuperados" por Fernando Santos, face às exibições de Tiago, Quaresma e Ricardo Carvalho, oscilando entre o bom e o regular. Aparentemente, o avançado do Zenit demorou mais do que os companheiros a adaptar-se ao modelo de jogo definido pelo seleccionador.

 

11. E Ronaldo? Uns furos abaixo daquilo que sempre esperamos dele. Coube-lhe a melhor oportunidade portuguesa em lance corrido e desperdiçou outra hipótese de marcar porque ficou com os pés colados à relva, numa perda infantil de bola. "Frivolidade", chamou-lhe a Marca. Pareceu um pouco desencontrado da equipa. E quando foi para o banco, dando lugar a João Mário, não tardou a aplicar gelo no joelho esquerdo.

 

12. Portugal procurou sempre o empate, sem desistir. Eis a imagem mais forte que nos fica deste encontro que não desfez a nossa já tradicional má-sorte nos embates com a selecção francesa: a última vez que a derrotámos foi em Abril de 1975, tinha Fernando Santos apenas 20 anos. Mas isto já é passado. Agora interessa é pontuar na Dinamarca. Que empatou contra a Albânia. Enquanto alemãesespanhóis perdiam frente à Polónia e à Eslováquia. A Europa do futebol já não é o que era.


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10 Out 14
Com interesse
Pedro Correia

Há três meses, durante o defeso futebolístico, uma série aqui no És a Nossa Fé lançava nomes de futuros titulares com vista à renovação da selecção nacional.

Confrontando-a com as escolhas de Fernando Santos para os embates de amanhã contra a França e da próxima semana contra a Dinamarca, verifica-se coincidência total nos seguintes nomes:

William Carvalho

Adrien Silva

Cédric Soares

João Mário

Antunes

André Gomes

Eliseu

José Fonte

Ou seja, o equivalente a mais de dois terços de uma equipa. É uma boa notícia para todos quantos há muito advogavam uma renovação na selecção nacional. Sem esquecer que renovação não é sinónimo de revolução.

Se somarmos a isto a evidência de que o Sporting é - de longe - o clube com maior número de convocados para a equipa das quinas (seis, contra apenas um do Benfica, um do FC Porto e outro do Braga), que o adversário é a turma anfitriã do próximo Campeonato da Europa e que Santos, nesta estreia como sucessor de Paulo Bento, deverá pôr em prática um sistema de jogo inovador para os padrões habituais da selecção, parecem-me motivos suficientes para acompanhar com interesse este desafio.

É, pelo menos, o que tenciono fazer.


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04 Jul 14

Andaram a vender-nos este jogo como "um grande clássico do futebol mundial". Expectativas goradas: o Alemanha-França disputado no mítico estádio Maracanã, primeiro desafio dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo, foi um dos mais entediantes deste certame. Desde logo porque a Argélia, nos oitavos, conseguiu dar muito mais luta aos comandados por Joachim Löw do que a turma liderada por Deschamps.

Os franceses pareceram ter entrado em campo com o estigma português defronte desta mesma selecção germânica: um nervoso miudinho que lhes roubou discernimento nas jogadas cruciais. Quase todo o encontro foi claramente dominado pela Alemanha, que soube ocupar muito melhor o espaço vital, no meio-campo, e comandar o processo ofensivo com várias unidades muito móveis. Com destaque para o nosso bem conhecido Thomas Müller, que voltou a fazer uma grande partida.

Mas o alemão que mais se destacou foi Hummels, um dos melhores defesas centrais do mundo. Excelente na sua posição, antecipando-se sempre aos franceses, e marcador do único golo do desafio, logo aos 12', na sequência de um livre muito bem apontado por Kroos, elevando-se com sucesso perante o olhar impotente de Varene.

Esta e outras apáticas vedetas gaulesas - Pogba, Benzema, o desorientado Valbuena - foram totalmente suplantadas pelo colectivo germânico, que pela quarta vez consecutiva marcará presença nas meias-finais de um Campeonato do Mundo.

A França foi um tigre de papel - mais inofensivo do que o Hobbes do Calvin. Basta dizer que o melhor lance gaulês surgiu no último minuto, já na fase de compensação, num remate de Benzema a que Neuer correspondeu com uma grande defesa, honrando os seus reconhecidos pergaminhos.

A Alemanha segue em frente, como era previsível. Les jeux sont faits.

 

Alemanha, 1 - França, 0


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15 Jun 14
Allez les bleus
João Paulo Palha

Alexandre Dumas - Les trois Mousquetaires

 

Sei que pertenço a uma espécie cada vez mais rara, mas estou no número dos que foram educados a pensar que, permita-se-me  o excesso já muito fora de moda (ou a ironia, quem sabe?), a França é o farol que alumia o mundo. Por isso, independentemente do futebol praticado, que, apesar de tudo, continua a agradar-me muito, a sua selecção é uma das minhas favoritas. Hoje começaram como era de esperar, atendendo à debilidade do adversário, que me parece ter, o futuro o dirá, a pior equipa da prova. De qualquer forma, gostei e estou convencido de que tem condições para ir longe.


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20 Nov 13

 

Descobri ontem que há um Duarte Gomes esloveno. Foi o que arbitrou o França-Ucrânia. Que colocou os franceses no Brasil validando um golo de Benzema em quilométrico fora de jogo e perdoando-lhes um flagrante penálti.
Depois disto espero que o Presidente Hollande lhe ponha a Legião de Honra ao peito, ao som da Marselhesa, e lhe conceda audiência com fanfarra no Eliseu. Tanto esforço merece ser recompensado.


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30 Mai 12
Vive la France!
Francisco Almeida Leite

O Sporting de Paris é campeão nacional de futsal em França. Uma reportagem de Paulo Dentinho... a não perder.

 


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