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És a nossa Fé!

Taça da Liga: três palavras

Passada que foi a conquista da Taça da Liga três palavras convém reter:

 

- Lastimável

Lastimável a narração dos jogos feita pela RTP.

Nem os jornalistas, nem tão pouco os comentadores de serviço, conseguiram descortinar numa primeira análise aquilo que em casa todos vimos: o golo em fora-de-jogo do Porto e o penalty do jogador do Setúbal.

(Não falo sobre o penalty, claro, que foi cometido pelo Danilo, no jogo contra o Porto, pois não vi esse momento do jogo)

 

- Vergonha

Vergonha a actuação dos árbitros. Felizmente existiu vídeo-árbitro, caso contrário em momento algum teríamos vencido este troféu.

Lucílio Baptista esteve sempre presente.

 

- Coragem

Coragem dos jogadores William Carvalho e Coates e do treinador na marcação das grandes penalidades contra o V. Setúbal.

Seis ideias extraídas da Final

O fim de semana desportivo trouxe ao Sporting a primeira Taça da Liga, mais conhecida na tribo leonina (eu incluído) como Taça Lucílio Baptista ou taça da Carica.

Vi o jogo todo e deste retirei meia dúzia de ideias:

1 – A equipa leonina deu uma parte de avanço ao adversário. Não fosse o VAR e provavelmente estaríamos aqui a discutir outros assuntos;

2 – O Sporting, para conquistar este troféu, ganhou somente um jogo, por seis a zero, ao União da Madeira. Os outros quatro jogos corresponderam a empates;

3 – O futebol praticado pela nossa equipa varia entre o muito bom (a segunda parte da Final!) e o muito mau (a primeira parte);

4 – É certo que prefiro maus jogos mas ganhar do que ver a equipa praticar bom futebol e perder, pois o que conta é o resultado, mas nem sempre será assim;

5 – Jorge Jesus confia demasiado numa variante que não controla. Chama-se sorte. A questão é saber o que acontecerá quando esta deixar de existir;

6 – Se continuarmos a jogar desta forma dificilmente traremos o caneco do campeonato para Alvalade. Seria bom que JJ percebesse isso quanto antes.

Todos a queriam

Arrancada a ferros ou não, não quero saber. Como diria a Teresa Guilherme "isso agora não interessa nada". Jogámos pedras, na Pedreira, dizem uns. As finais só as safámos nos penáltis, rematam outros. Sim, foi isso tudo mas "ca sa lixe". Festejo. E cheio de ganas por mais. Ambicioso. Ganhar leva a ganhar mais e nós ganhámos o troféu que todos queriam. Sem se pouparem aos esforços usaram as melhores armas para conquistá-lo. Não conseguiram. Não, isso só nós, no entanto ao lutarem por isso dignificaram a competição. Valorizaram ainda mais o nosso título. 

Qual taça da carica, qual quê? Para a história ficará isto: uns apanharam-nos pela frente e ficaram para trás. O Porto, que ainda não tinha caído nas competições internas, connosco foi ao tapete na meia-final da prova. Sofrida? Sim. Mas vitoriosa! Outros ficaram-se pelo caminho, batidos por aqueles que batemos na final.

Ganhar leva a ganhar mais. É coisa de hábito. Talvez por isso um tipo tenha tendência para relativizar, desvalorizar, até, a proeza de ontem, em vez de lhe dar valor. Afinal, a coisa é estranha. Nos últimos anos fomo-nos habituando a perder.

Tudo bem, percebo quem não queira embandeirar em arco, também sei que somos apenas "Campeões de Inverno", estou com os pés assentes no chão; mas estou também com o poeta, que esse é que sabia da coisa. Dizia ele que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". E a memória tenho-a entranhada com aquelas imagens dos nossos, todos eles dentes, de espumante na mão, correndo pelo campo, saltando para as cavalitas do que está logo ali ao lado, posando para a fotografia de família, debaixo de intensa chuva de confetis brilhantes.

A conquista da Taça da Liga foi sofrida mas nada, em tempo algum, sofrível. Ganhar leva a ganhar e é coisa de hábito. Habituem-se!

Pódio: Bas Dost, Battaglia, Bruno

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Setúbal - na final da Taça da Liga - pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 18 

Battaglia: 17

Bruno Fernandes: 17

Rui Patrício: 16

Acuña: 15

Mathieu: 15

William Carvalho: 15

Fábio Coentrão: 14

Piccini: 13

Coates: 12

Doumbia: 11

Rúben Ribeiro: 10

Bryan Ruiz: 9

Montero: 9

 

A Bola e o Record elegeram Bas Dost como figura do jogo. O Jogo optou por Battaglia.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o Carteiro toca sempre duas vezes

Na antecâmara da partida para a Taça CTT, duas ideias me assaltaram o espírito: a primeira, relacionava-se com as declarações de Jorge Jesus no final do jogo anterior, a contar para as meias-finais. Nessa Conferência de Imprensa, Jesus queixara-se de que faltava velocidade à equipa. Eu discordei. Afinal de contas, ultrapassar um Ferrari Vermelho não está ao alcance de qualquer um. A segunda, prendia-se com o facto de a Liga ter disponibilizado a tecnologia do VAR para a "Final Four": um desperdício de dinheiro, pensei eu na altura, porque para o nosso primeiro jogo o Vídeo-Árbitro havia ignorado aquilo que dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses viram e, para a final, tinha sido designado o árbitro que em Alvalade, contra o Chaves, não aquiescera aos sucessivos apelos que lhe chegaram ao ouvido para que fosse apontada uma grande penalidade por falta sobre Gelson. Em suma, umas grandes "encomendas".

Em Taça dos CTT, o carteiro Dost não poderia faltar. O carteiro toca sempre duas vezes e o holandês também, ainda que o último toque tenha sido já após o horário de expediente. Bas Dost é cada vez mais um investimento seguro, um certificado de aforro, com rendimento garantido. Nessa linha, carimbou 2 selos num envelope de Correio Verde com destino a um código postal de Setúbal. Dost devia ser elevado a sí­mbolo de promoção dos Correios: nunca falha, entrega a sua correspondência sempre a tempo, faz horas extraordinárias se necessário e ainda distribui abraços por todos com que se cruza no caminho.

Com a Via Verde activa, e sem portagens em dívida, a comitiva leonina não necessitou de visitar um balcão dos Correios, a Taça foi entregue na Tribuna. Tal como este Postal, mais Vale tarde que nunca e, à  11ª edição, lá ganhámos o troféu. Curioso é o facto do vencedor crónico desta competição patrocinada pelos correios portugueses nunca ter optado por receber a sua correspondência mais sensível através da segura Caixa do Correio CTT...

Agora o jogo em si: na primeira parte, Jorge Jesus levou um banho táctico de José Couceiro. Um golo sadino logo aos 4 minutos, marcado por Gonçalo Paciência (o tal que JJ não queria ver em campo), deixou a equipa leonina à beira de um ataque de nervos. William provou mais uma vez não ter intensidade para segurar um meio campo a dois (a 3, fá-lo bem) e Coates cometia erro sobre erro. Sem meio campo e com o Vitória a pressionar bem à frente, a nossa equipa desorientou-se e poderia ter chegado ao intervalo a perder por mais.

Na segunda parte, Jesus mexeu logo de iní­cio, colocando Battaglia para dar músculo ao meio campo e Acuña para dar profundidade (retirando os inoperantes Ruben Ribeiro e Bryan Ruiz). Um exemplo de como, com um passo atrás, se pode dar dois em frente. Após uma primeira oportunidade do Vitória (49 minutos), o Sporting teria a sua primeira ocasião, desperdiçada por Coates à  boca da baliza. Desde aí­ e até aos 64 minutos, o Sporting pressionou muito, com Montero finalmente a encontrar espaço entre linhas. Eis senão quando JJ voltou a mexer, substituindo o colombiano (não jogava desde o início de Novembro e poderia estar no limite) por Doumbia e perdemos a ligação ao ataque. Até aos 75 minutos, com o costa-marfinense posicionado ao lado de Dost e Bruno Fernandes fora do centro da acção (desviado para a direita), o jogo tornou-se incaracterí­stico.

A partir daí,­ jogámos mais com o coração do que com a cabeça. A táctica tornou-se um efectivo "tudo ao molho e fé em Deus". Ganhávamos com facilidade a bola a meio campo e despejávamo-la  sucessivamente para a área setubalense. Num desses lances, e após insistência de Bas Dost, a bola foi desviada com a mão sobre a linha de golo por Tomás Podstawski. Depois de visionadas as imagens, dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses aperceberam-se logo que foi "penalty", vídeo-árbitro incluí­do. Rui Costa - como São Tomé, "ver para crer" - teve dúvidas e foi consultar as imagens. Mesmo a ver continuou indeciso. Demorou tanto tempo que na cabeça de todos estava a repetição da rábula do jogo contra o Chaves. Em todo o processo perderam-se 4 minutos e 36 segundos, mas ficou para todos evidente a importância do recurso ao VAR. 

Bas Dost, chamado a marcar a grande penalidade, não perdoou, marcando o seu primeiro da noite. Com tantas substituições, jogadores lesionados, simulações e atrasos na reposição de bola, o árbitro não deu qualquer compensação adicional e o jogo chegou ao fim.

A partida decidiu-se nas penalidades e, uma vez mais, fomos mais eficazes. Marcaram Dost (pela segunda vez), Bruno, Mathieu (outra boa exibição, alternativa para melhor em campo) e Coates e William (mérito deles que não se escondem e mostraram nervos de aço) que Jesus entendeu voltar a chamar para marcar. Falhou Tomás Podstawski, o do "penalty", que não tinha sido expulso (duvidosa decisão, embora houvesse uma mão de Trigueira por detrás). Ganhámos a competição com 10 "penalties" (só um no tempo regulamentar) na Fase Final e apenas uma vitória nos cinco jogos disputados. Mas, nos livros da história, o que constará é que o Sporting venceu a Taça da Liga de 2017/18, o 3º troféu da era Bruno de Carvalho.

No final, JJ disse que há gente com "sapos na garganta". Eu estou muito feliz, quero sempre que ganhemos e não desprezemos qualquer competição, Taça da Liga incluí­da. Já era do Sporting muito antes de Jesus ser o nosso treinador e continuarei a sê-lo enquanto tiver saúde, que é coisa que meio maço de tabaco consumido a ver estes jogos não garante de todo. Por isso, desejo ardentemente que este dia seja o primeiro (de glória) do resto das nossas vidas desportivas.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost 

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Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça da Liga - a primeira que vencemos após duas frustradas presenças em finais deste certame. Ainda mais saborosa porque a final hoje disputada em Braga foi contra o V. Setúbal, precisamente a equipa que nos derrotou na versão inaugural desta competição. Vingámos essa frustrante derrota de 2008 agora num estádio que congregou mais de 20 mil adeptos leoninos, incansáveis no apoio aos jogadores treinados por Jorge Jesus. É oficial: somos os campeões de Inverno da temporada 2017/18.

 

Gostei da nossa segunda parte, em que dominámos por completo e só não marcámos mais de um golo devido à soberba exibição de Trigueira, o guarda-redes sadino. Os últimos 45 minutos desta partida contrastaram em absoluto com a apagada e até medíocre primeira parte do Sporting, em que sofremos um golo logo aos 4'. Entre os nossos jogadores que se revelaram decisivos neste volte face, destaco uma vez mais Bas Dost, o melhor de verde e branco. Foi ele o marcador do penálti que empatou a partida, aos 78', e lançou o onze leonino para o desempate após o apito final do árbitro. Foi também ele a fazer dois grandes remates aos 75' - um dos quais seria travado em cima da linha da baliza, com um braço, pelo defesa sadino Postawski, que devia ter sido expulso de imediato mas acabou por se manter em campo. Foi ainda Dost a converter a primeira das cinco grandes penalidades da ronda do desempate que ditou a equipa vencedora.

 

Gostei pouco que tivéssemos de esperar pelo desempate por grandes penalidades, repetindo-se o que já acontecera há três dias na meia-final frente ao FC Porto. Mas desta vez estivemos ainda melhor: nenhum dos nossos jogadores falhou no momento decisivo. Vale a pena deixar aqui os seus nomes, pela ordem da conversão dos penáltis: Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates e William Carvalho. Pormenor a reter: o Sporting continua invicto nas competições internas disputadas nesta temporada.

 

Não gostei que o árbitro Rui Costa demorasse três minutos a reconhecer o óbvio: que Postawski tinha impedido a bola de entrar na baliza do Vitória ao estender o braço quase em cima da linha de baliza. Foi necessária a intervenção do vídeo-árbitro, que impôs a verdade desportiva. Mesmo assim o árbitro voltou a estar péssimo ao exibir apenas o cartão amarelo ao defesa sadino, que devia ter sido expulso.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte, com o lesionado Gelson Martins ausente do onze e Montero de regresso à titularidade dois anos depois. Entrámos nervosos, sem conseguirmos ligar os sectores nem ganhar segundas bolas. Consentimos um golo logo no início da partida e deixámos o Vitória impor o seu sistema táctico neste período, em que as nossas alas ofensivas nunca funcionaram e os adeptos leoninos, impacientes, já assobiavam os jogadores. Bryan Ruiz (reincidente na falta de intensidade) e Rúben Ribeiro foram os elementos com exibição mais negativa. O treinador reconheceu isto mesmo ao remetê-los para o duche ao intervalo, fazendo entrar Acuña e Battaglia para aquelas posições. Com vantagem para a equipa, como rapidamente se comprovou: a segunda parte foi de sentido único, apenas com o Sporting em busca do golo. Felizmente conseguido.

Francamente... primeiros 45m

Não sei como vão ser os segundos 45m, mas se isto é a nossa equipa custa muito a acreditar. Não jogámos absolutamente nada nesta primeira parte, não conseguimos ganhar uma bola dividida, jogar para o lado e para trás começa a ser um hábito já demasiado enraizado. Muita lentidão na reposição das bolas pelas linhas laterais... não conseguimos fazer uma jogada completa. Muito mau... mesmo muito mau. Remates nem vê-los, a não ser aquele remate do Montero, que mais parecia um ensaio de rugby... Por favor tenham brio, garra, e ponham em campo a vontade para mudar isto no segundo tempo.

Falta-nos um nome para isto

Vencer na Mata Real tem sempre um sabor especial. Sem consultar estatísticas, diria que é difícil mais pelas adversidades regulares, época após época, no decorrer dos jogos, do que propriamente pelo resultado final dos mesmos. Jogar contra o Paços caseiro faz-me recordar como, por norma, os nossos rivais costumam golear facilmente a equipa na cidade do Móvel. É um elemento curioso. O Sporting teve uma grande vitória, mais especial quando olhamos para o calendário da próxima ronda, mas é desnecessário terminar os jogos assim. É uma sina. O Sporting a vencer por 2 ou 3 golos acaba sempre com um golo manhoso sofrido entre os 80/85, e a sofrer até ao apito final. Às vezes, a coisa acaba mesmo por correr mal. Braga na penúltima jornada é um exemplo. Não sei se estas coisas se treinam, mas se há realidade a mudar é esta. Nem sei se tem nome, devíamos arranjar um conceito para os finais sofridos do Sporting. E é importante mudar porque é recorrente, não-ocasional e custa pontos e títulos. Afinando isto de forma a evitar embaraçosos empates, ainda vamos lá. 

Da história à lenda

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Mais dois golos nesta campanha da Liga dos Campeões, em que marcou doze, e com um total de 105 desde sempre apontados nas competições europeias. Os de hoje, na final frente à Juventus, ajudaram a construir a goleada do Real Madrid: 4-1.

Cristiano Ronaldo, decisivo na conquista da terceira Champions em quatro anos para os merengues, confirma-se assim como candidato à conquista da quinta Bola de Ouro da sua carreira - já ganha em 2008, 2013, 2014 e 2016.

O sócio n.º 100.000 do Sporting vai superando todos os obstáculos, transitando da história à lenda. Naturalmente.

A ver o Europeu (15)

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

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Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

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A nossa primeira final fora

Doze anos depois, pela segunda vez na história do futebol sénior português, voltamos a uma final de uma grande competição a nível de selecções. Com uma diferença notória em relação a 2004: nessa altura o torneio disputava-se em nossa casa.

É caso para dizer, portanto, que Fernando Santos já conduziu a equipa das quinas à melhor posição de sempre.

No melhor pano cai a nódoa

A emocionante final da Liga dos Campeões não merecia ter visto um golo em flagrante fora de jogo validado por uma equipa de arbitragem incompetente - numa clara demonstração, a todos quantos fingem não reparar, que Portugal está muito longe de ter o monopólio dos apitadores sem classe.

Serve também de aviso aos que defendem a contratação de árbitros estrangeiros para apitar jogos decisivos nas nossas competições futebolísticas. Se tiverem a qualidade que este demonstrou, qualquer refugo nacional chega e sobra.

 

Mas nem só o árbitro merece nota negativa neste confronto: o desempenho de Pepe é inaceitável por parte de todos quantos consideram que existem regras éticas e morais no desporto. A péssima actuação teatral do defesa central português, por duas vezes estendido na relva a fingir que tinha sido agredido, é indigna do futebol de alta competição. Além de medíocre actor, Pepe comprometeu o Real Madrid, cometendo um penálti claríssimo e totalmente desnecessário sobre o ponta-de-lança do Atlético, Fernando Torres. É inacreditável como escapou sem acumulação de amarelos - e a consequente expulsão.

Por vezes apetece perguntar onde tem ele a cabeça. Os pés, ao menos, sabemos bem onde estão.

 

Leitura complementar: O teatro de Pepe não faz falta à selecção, de Luís Aguilar, no Record.

O momento decisivo

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Outros dirão, naquele jargão cultivado com tanto esmero pelos especialistas da bola, que Ronaldo "passou ao lado de uma grande partida" e "estava lá mas era como se não estivesse".

Não acreditem.

Ontem à noite, na final da Liga dos Campeões disputada em Milão entre as duas potências futebolísticas de Madrid seguida com calor e paixão nos recantos mais recônditos do planeta, o português guardou-se para o momento decisivo - aquele em que tudo se desenrola em fracções de segundos, aquele em que se comprova com inequívoco rigor quem tem fibra de campeão, aquele em que mais se exige perícia técnica servida por nervos de aço. O momento do penálti que decide um destino, que traça a linha separadora da exígua fronteira entre o sucesso e o fracasso: quem não a transpõe é humilhado na praça pública por multidões de adeptos inconformados, quem a ultrapassa ascende mais um patamar no panteão reservado aos escassos heróis contemporâneos com dimensão global.

Nesse momento decisivo ele estava lá.

Fixou a baliza adversária como se nada mais houvesse para mirar no mundo, tomou balanço, trotou resoluto para a bola e desferiu o golpe fatal com toda a convicção da sua força mental comandando a arte incomparável do seu pé direito. 

Ainda antes de centenas de milhões de gargantas gritarem a mágica palavra golo, já ela se havia tornado realidade na mente daquele homem que foi um pobre menino das ladeiras do Funchal e soube torcer as voltas à vida, construindo uma carreira milionária a pulso. A inevitável inveja alheia só lhe confere motivação acrescida. Porque ele parte sempre à conquista de um novo troféu como se fosse o primeiro que ganha.

É isto que conta: nunca falhar no momento decisivo. Quem ignora que o futebol é uma metáfora do percurso humano tem muito a aprender com Cristiano Ronaldo.

 

Também aqui

De Milão para o mundo

 

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Que português conseguirá inscrever o seu nome na galeria de vencedores da Liga dos Campeões 2015/16? Cristiano Ronaldo ou Tiago?

Logo, a partir das 19.45, o planeta futebol tem capital em Milão: vai lá disputar-se a final da Champions, com 80 mil pessoas nas bancadas de  San Siro e centenas de milhões a acompanhar em casa este novo embate entre os gigantes madrilenos Atlético e Real, que se defrontam desde 1929.

Por quem torcem vocês?

Taça verdadeira é do Braga

Parabéns ao Sporting de Braga, que acaba de conquistar a Taça de Portugal derrotando o FC Porto por grandes penalidades após 120 minutos de jogo, que terminou empatado 2-2. Com quatro golos marcados por jogadores portugueses (Rui Fonte e Josué pelo Braga, bis de André Silva pelo FCP). E duas grandes defesas do guarda-redes Marafona nos penáltis que ditaram o vencedor.

Há precisamente meio século que os bracarenses tinham conquistado a única Taça de Portugal da sua história. Não podia haver melhor maneira de assinalarem a efeméride.

Os melhores golos do Sporting (13)

 

Golo de ISLAM SLIMANI

Sporting – SC Braga (Final da Taça de Portugal)

31-5-2015, Estádio do Jamor.

 

O golo é uma manifestação de alegria, conquista, mas por vezes também de raiva e injustiça. O golo é como uma casa de espelhos, onde mil e uma imagens nossas são projectadas, no reflexo de uma cadeira de estádio, de um sofá em casa ou de uma simples cadeira de café rodeada de fumaça e imperiais. Os golos não vivem apenas da nota artística dos executantes, mas das circunstâncias da nossa vida, dos nosso traços de personalidade e muitas, mas muitas vezes dos momentos de forma da nossa equipa. Fui-me apercebendo disso, um pouco inconscientemente, ao longo destes anos como adepto deste nosso grande clube. Por isso quando esta série foi lançada, à mesa do Império, pensei em dois ou três golos marcantes, e depois... pensei na circunstância. E como o ponta-de-lança que aproveita o passe a rasgar a defesa, a abertura de espaço entre os centrais ou o timing perfeito no salto, após uma pincelada milimétrica do artista na ala: o golo é circunstância, para quem marca e para quem festeja.

 

Durante a época 2014/2015 não tive a oportunidade de ver e celebrar muitos dos golos do Sporting. Não estava em casa. Distante, algures no hemisfério sul. Longe de duas famílias. Uma delas, está claro, o Sporting. O streaming e os bares não ajudavam, um pelo fraco sinal e outros pelo fraco gosto na transmissão de jogos de outros países. Lembro-me ser duro não poder comentar um jogo com o meu avô, com o meu irmão, chegar a casa e contar aos meus pais os detalhes, os pormenores de cada jogo. Contudo, no dia anterior ao final da Taça decidimos, eu mais uns amigos, infiltrar a casa de uns lampiões (tinham a melhor televisão) e tentar o streaming (fomos Inácios com todo o gosto). Patuscada combinada, e lá estávamos no outro dia ostentando a verde-e-branco de Leão rampante! Éramos três, rodeados de pessoas com alguma falta de gosto. Mas o Sporting é isto: contra tudo e contra todos, nós fazemos a festa verde.

 

O streaming estava bom, os petiscos e a “gelada" melhores ainda, até que o árbitro decidiu provocar uma pequena congestão, não com o penálti assinalado prematuramente, mas com o excesso de punição sobre Cédric. A insolação fez o “juiz” da partida ver, no que seria amarelo, um cartão da cor da equipa adversária do Sporting – vá-se lá perceber a mente humana. Agarrámos os cachecóis com mais força, e o Rafa lembrou-se de fazer um segundo para o Braga. Chegou o intervalo, havia rostos desolados no lado verde e troça nas palavras dos anfitriões. Sentámo-nos para a segunda parte. Pedi aos Deuses do Futebol - aquele quinteto maravilha da música, os Violinos do Olimpo - que dessem um empurrãozinho aos nossos rapazes...

Não sei se ouviram as minhas preces, mas ao minuto 83 (segundo 16) surgiu o sinal, a reviravolta. Um passe monumental da defesa, em chuveirinho, para a área adversária, mau alívio do defesa do Braga, e o messias desta reviravolta, o Príncipe do Magreb, o Leão Argelino, recebe a bola, simula, faz com que dois defesas saiam da sua frente chocando um no outro, puxa o pé direito atrás e chuta....

 

Todos vimos aquela bola a rolar devagarinho para o canto inferior esquerdo, pareceu uma eternidade, parecia que o guarda-redes ia apanhá-la. Mas o Slimani sabia que ela só ia parar no seu destino: as redes do Jamor. Tinha-lhe fadado o destino com o pé direito. Tinha assinado a reviravolta e assassinado a crença daquela filial perdida a norte. Celebrei euforicamente, não tinha ganho nada – ainda – mas tinha visto o meu Sporting ressuscitar. O Slimani foi ao submundo resgatar esta alma perdida como se de uma encarnação de Orfeu se tratasse.

 

E com este golo soube que há golos que trazem as vitórias consigo, e que há golos que têm a força de unir ainda mais esta família, afastando dela os parentes de cativo que são peso morto de corpo presente. Porque os verdadeiros Leões acreditam até ao fim, porque a União faz todo o Esforço, Dedicação e Devoção valerem cada segundo da Glória.

Os melhores golos do Sporting (2)

 

Golo de IORDANOV

Sporting-Marítimo (final da Taça de Portugal)

10 de Junho de 1995, Estádio Nacional

Não é certamente o golo mais bonito que vi marcado por um jogador meu, do meu clube, com a minha camisola. Mas é o golo mais importante da minha vida de Sportinguista. A seca de títulos durava há 8 anos (Supertaça 1987) e o Jamor vestiu-se de verde e branco para receber uma das melhores equipas do Sporting das últimas décadas, com Figo, Balakov, Carlos Xavier ou Sá Pinto.

Era 10 de Junho de 1995 e jogávamos contra o Marítimo de Everton, Heitor e Alex. Antes de começar, um cão atira-se ao braço de Vujacic que joga com uma ligadura e me fez temer pela sorte. O Sporting é um clube a quem tudo acontece, mas a tarde de calor estava demasiado perfeita para nos vergarmos às nuvens negras.

Era a minha segunda final da taça no meu sítio de sempre: o muro na curva da Juve Leo. Tinha perdido a anterior para o Porto de Robson na finalíssima mas desta vez os astros estavam alinhados: um adversário mais acessível, novamente uma grande equipa, e um grande ambiente. E o último jogo de Figo e Balakov com a nossa camisola.

Mas não foi nenhum deles que brilhou. Foi Iordanov, o meu ídolo de sempre. Búlgaro tosco com uma alma daqui à lua, com um amor eterno ao Sporting que já aqui relatei. Marcou os dois golos de cabeça (aos 9 e aos 85 minutos), rematou aos postes, ensaiou bicicletas e pontapés à meia-volta. Correu, lutou, brigou, marcou, festejou e saiu em ombros. Foi, como sempre foi, um herói improvável, exemplar na dedicação ao meu, dele e nosso Sporting.

A minha escolha vai por isso para o segundo golo de Iordanov a 10 de Junho de 1995. O meu primeiro título ao vivo e a cores, o primeiro que a minha geração recordará na pele, com um golo a ditar o game over da longa seca, com um golo a fazer acreditar que era possível dar a volta.

Obrigado, Iorda. Sporting, sempre. 

 

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