11 Jul 17

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 Um efusivo cumprimento entre Eusébio e Salazar (1966)

 

Eusébio da Silva Ferreira jogou de verde e branco em Moçambique, na filial n.º 6 do Sporting Clube de Portugal. Vinha em Dezembro de 1960 para Alvalade quando foi "desviado" para a Luz, com o beneplácito do regime salazarista-benfiquista, o que originou um prolongado corte de relações entre os dois clubes, só terminado em Maio de 1974.

Esta é uma das piores facetas reveladas pelos dirigentes do Benfica ao longo dos tempos. Incapazes de formar talentos com a qualidade dos nossos, há vinte anos sem fornecerem um só titular à selecção nacional de futebol, cobiçam os jogadores leoninos e tudo fazem para os desviar de rumo. Como o caso Eusébio bem demonstrou. E como a "pesca à linha" do Djaló peruano, no último defeso, viria lamentavelmente a confirmar, aliás sem qualquer proveito para eles.

 

Além disto, não têm qualquer pudor em copiar-nos.

Eis alguns exemplos, que confirmam isto:

- O Sporting Clube de Portugal foi fundado a 1 de Julho de 1906. O Sport Lisboa e Benfica só foi fundado a 13 de Setembro de 1908.

- A Juventude Leonina, claque mais emblemática do Sporting, foi fundada em 1976. A primeira claque encarnada, os Diabos Vermelhos, só apareceu em 1982.

- O Sporting tem futsal desde 1985. O Benfica só tem futsal desde 2001.

- A Academia Sporting foi fundada a 21 de Junho de 2002. A Academia do Benfica só foi fundada a 22 de Setembro de 2006.

- O Núcleo Sportinguista da Assembleia da República existe desde Maio de 2015. O equivalente a este núcleo no Benfica apenas surgiu em Abril de 2016.

 

É uma atitude própria dos cábulas, que adoram copiar.

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07 Jul 17
Grandeza
Pedro Correia

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 Eusébio orgulhosamente vestido de verde e branco, na temporada 1958/59

 

A grandeza do nosso Sporting mede-se de várias formas, como ontem especifiquei aqui.

Os exemplos que indiquei estão longe de ser exaustivos. Porque esta grandeza mede-se também pelo facto de o único jogador do Sport Lisboa e Benfica que alguma vez alcançou reputação mundial traduzida em galardões, o saudoso Eusébio, ter sido formado não na cantera encarnada mas no Sporting de Lourenço Marques. Então filial n.º 6 do Sporting Clube de Portugal.


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07 Jun 17
O Leão da Mafalala
Pedro Correia

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Eusébio da Silva Ferreira, campeão distrital e campeão provincial de Moçambique (1960) ao serviço do Sporting de Lourenço Marques, então filial n.º 6 do Sporting Clube de Portugal.

Aqui o vemos: saudosamente risonho, orgulhosamente vestido de verde e branco.


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11 Jul 16

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Onde estiveres, de certeza vais estar a festejar.

Esta é para ti também!

Saudações Lusas

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22 Abr 16

                    

 

Não é nada fácil compararmos jogadores de épocas diferentes. Porque as mudanças registadas em cada década no futebol - do plano da organização táctica das equipas à preparação física, passando pelo acompanhamento clínico - é totalmente diferente. Mesmo assim, continuamos a assistir às incessantes comparações entre Eusébio e Cristiano Ronaldo com vista à designação do melhor futebolista português de todos os tempos. Com muitas opiniões favoráveis ao antigo goleador do Benfica, infelizmente já falecido. Sobretudo pela sua brilhante prestação no Campeonato do Mundo de 1966, em que Portugal surpreendeu tudo e todos com a conquista do terceiro lugar.

Não consigo acompanhar estas teses.

Eusébio conseguiu uma única proeza a nível de selecção. Essa mesmo, em 1966. De resto, com ele no activo, a selecção nacional falhou o apuramento para os Mundiais de 1962, 1970 e 1974. E falhou as presenças em todas as fases finais de europeus (1964, 1968, 1972). 
Além disso Eusébio jogou na selecção praticamente com a equipa do Benfica: as rotinas estavam mais que firmadas, os automatismos estavam mais que estabelecidos. Nada a ver com os tempos actuais, em que a selecção é uma manta de retalhos, com jogadores das mais diversas proveniências, alguns dos quais nem chegaram a jogar em Portugal.
Cristiano Ronaldo participou em três Mundiais - chegando num deles, em 2006, às meias-finais, tal como Eusébio, mas com mais equipas em competição na fase final. E actuou em três Europeus: num deles (2004) fomos à final, noutro (2006) atingimos as meias-finais.
Não há comparação possível. Com Eusébio, a regra era falharmos o apuramento. Com Ronaldo, a regra é conseguirmos o apuramento. 
Em 2014 queixámo-nos - e com razão - de termos caído na fase de grupos (após termos perdido contra a Alemanha, com apenas dez jogadores). Aos Mundiais de 1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1970, 1974, 1978, 1982, 1990, 1994 e 1998 nem lá chegámos. Antes de Cristiano Ronaldo.
Depois de Ronaldo, não falhámos um.

 

Texto reeditado


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19 Nov 15
De verde e branco
Pedro Correia

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 Eusébio (terceiro à direita, em baixo) com a faixa de campeão de Moçambique em 1960

 

Ao contrário de alguns sportinguistas, tenho a maior admiração por Eusébio. Como tenho, em regra, por todos os futebolistas formados pelo Sporting ou por alguma das suas filiais.

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16 Out 15

Isto até dia 25 vai ser um fartote.

Entretanto o record já vai preparando a maltinha para o "dolo sem intenção", não vá algum(alguém) atrever-se a "mijar fora do penico".


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13 Fev 15

Durante anos, comemos e calámos. Esse tempo acabou.

 

Vejo por aí algumas santas almas muito abespinhadas pelo facto de a direcção leonina ter decidido interromper o relacionamento institucional com o Benfica. Estranhamente para mim, algumas dessas almas são do Sporting. É o caso do advogado Carlos Barbosa da Cruz, que ontem se indignava na sua habitual coluna do Record contra o "isolacionismo sistemático prosseguido pela a[c]tual gestão do Sporting", que no seu entender não contribui para a "defesa adequada dos interesses do clube". Pressupondo-se, pela mesma lógica, que os interesses leoninos ficariam mais bem preservados com permuta de galhardetes e croquetes com o clube dirigido por Luís Filipe Vieira.

Barbosa da Cruz parece desconhecer um velho adágio popular muito português: quem não se sente não é filho de boa gente. Nos últimos dias o Sporting foi repetida e continuamente desconsiderado pelo velho rival, de forma inaceitável.

Repito alguns factos: uma faixa exibida durante todo o jogo de futsal Benfica-Sporting em louvor ao assassínio do sportinguista Rui Mendes, vitimado por um very light em 1996; engenhos incendiários atirados pela claque encarnada para a nossa bancada superior norte no final do Sporting-Benfica, domingo à noite; ausência dos indispensáveis pedidos de desculpas por parte da direcção benfiquista; provocação suplementar do director de comunicação dos encarnados, chamando "folclore" aos legítimos protestos do Sporting.

 

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 Bruno de Carvalho nas cerimónias fúnebres de Eusébio (Janeiro de 2014)

 

Durante anos, comemos e calámos. Esse tempo acabou, por mais que isso indigne um assumido benfiquista como o director-adjunto d' A Bola, José Manuel Delgado, que hoje - em sintonia com Barbosa da Cruz - escreve no seu jornal que "a decisão do Sporting de cortar relações com o Benfica não faz sentido".

Quanto mais alguns dizem e escrevem que isto não faz sentido, mais eu penso que faz. Por isso apoio esta decisão de Bruno de Carvalho. Tal como há um ano o aplaudi aqui quando encabeçou a delegação do Sporting que compareceu às cerimónias fúnebres de Eusébio da Silva Ferreira, que foi não só um símbolo do Benfica mas uma grande figura do futebol português. Confesso não me recordar o que na altura José Manuel Delgado e Carlos Barbosa da Cruz escreveram sobre o assunto.

 

Eusébio, jogador júnior de verde e branco em Lourenço Marques (Junho de 1958)

 

E a propósito de Eusébio: talvez muitos sportinguistas ignorem que por causa dele o Sporting - então presidido por Guilherme Brás Medeiros - cortou relações com o Benfica em 1960, situação que permaneceu inalterável até 1974, quando João Rocha entendeu restabelecê-las na sequência da Revolução dos Cravos.

O motivo para aquele corte? O Benfica desrespeitou um acordo de cavalheiros existente à época entre os dois clubes que obrigava cada um a não contratar jogadores às filiais do outro. Um pacto que os da Luz mandaram às malvas quando desviaram Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica, comprovando-se assim que nenhum acordo de cavalheiros é possível quando o cavalheirismo prima pela ausência.

Perdemos Eusébio, que nos teria dado muito jeito vestido de verde e branco, tal como antes dera ao Sporting de Lourenço Marques, onde o futuro King se sagrou campeão moçambicano com as nossas cores.

Mas não perdemos a dignidade. E recordo o adágio: quem não se sente...

 

Qual o balanço desportivo, em termos futebolisticos, desses 14 anos em que permanecemos de relações cortadas? Uma Taça das Taças (1964), quatro campeonatos nacionais (1962, 1966, 1970, 1974) e quatro taças de Portugal (1963, 1971, 1973, 1974).

Nove títulos, portanto. Não me parece nada mal. Imaginem se conseguíssemos algo semelhante nos anos mais próximos.


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27 Ago 14
Visto de Maputo
Francisco Almeida Leite

 

Tenho estado por estes dias em Maputo, Moçambique, onde o derby do próximo domingo já mexe. Não há conversa de salão, taberna ou balcão onde não se fale de dois temas em matéria de futebol: o jogo da Luz e o regresso de Nani. Sim, o regresso de Nani. Por aqui o luso-cabo-verdiano é considerado uma estrela maior e não se dão ouvidos aos comentadores de bancada que o arrasaram e nos apoucaram só porque o camisola 77 falhou um penalty no seu regresso a Alvalade. Aqui o Nani é craque, dão-lhe muito valor e miúdos e graúdos não falam de outra coisa quando o tema é o futebol português.

 

Ilustro esta pequena nota de Maputo com uma fotografia de 1960 do Sporting de Lourenço Marques, onde alinhava na altura um jovem chamado Eusébio. Lembrei-me disto porque ontem, ao regressar de Marracuene, onde participei numa feira de atividades económicas, deparei-me com uma conversa típica de portugueses fora de casa. Os meus companheiros de viagem estavam todos divertidos a tentar convencer o nosso motorista, de seu nome Eusébio, a mudar do "outro clube" para o Sporting, em troca de uma camisola oficial verde e branca. Tentado, o jovem acabou por ceder e parece que, mesmo sendo maior e vacinado, vai mudar de clube. Nem que seja por uns dias, enquanto a comitiva cá está. A "estória" vale o que vale e não é sequer motivo para falar muito mais do passado. Só serve para termos a noção de que aqui, como em todo o lado, somos tão grandes ou maiores do que o "outro clube". Não precisamos de conquistar os fracos de espírito, precisamos de vitórias e de ter sempre em mente este lema: "Esforço, Devoção e Glória, eis o Sporting Clube de Portugal".


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15 Jul 14
Polémica
Pedro Correia

Vai acesa a polémica aqui. Mas a intenção era precisamente essa. E é.


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12 Jul 14

                   

 

Não é nada fácil compararmos jogadores de épocas diferentes. Porque as mudanças registadas em cada década no futebol - do plano da organização táctica das equipas à preparação física, passando pelo acompanhamento clínico - é totalmente diferente. Mesmo assim, continuamos a assistir às incessantes comparações entre Eusébio e Cristiano Ronaldo com vista à designação do melhor futebolista português de todos os tempos. Com muitas opiniões favoráveis ao antigo goleador do Benfica, infelizmente já falecido. Sobretudo pela sua brilhante prestação no Campeonato do Mundo de 1966, em que Portugal surpreendeu tudo e todos com a conquista do terceiro lugar.

Não consigo acompanhar estas teses.

Eusébio conseguiu uma única proeza a nível de selecção. Essa mesmo, em 1966. De resto, com ele no activo, a selecção nacional falhou o apuramento para os Mundiais de 1962, 1970 e 1974. E falhou as presenças em todas as fases finais de europeus (1964, 1968, 1972). 
Além disso Eusébio jogou na selecção praticamente com a equipa do Benfica: as rotinas estavam mais que firmadas, os automatismos estavam mais que estabelecidos. Nada a ver com os tempos actuais, em que a selecção é uma manta de retalhos, com jogadores das mais diversas proveniências, alguns dos quais nem chegaram a jogar em Portugal.
Cristiano Ronaldo participou em três Mundiais - chegando num deles, em 2006, às meias-finais, tal como Eusébio, mas com mais equipas em competição na fase final. E actuou em três Europeus: num deles (2004) fomos à final, noutro (2006) atingimos as meias-finais.
Não há comparação possível. Com Eusébio, a regra era falharmos o apuramento. Com Ronaldo, a regra é conseguirmos o apuramento.
Agora queixamo-nos - e com razão - de termos caído na fase de grupos (após termos perdido contra a Alemanha, com apenas dez jogadores). Aos Mundiais de 1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1970, 1974, 1978, 1982, 1990, 1994 e 1998 nem lá chegámos. Antes de Cristiano Ronaldo.
Depois de Ronaldo, não falhámos um.


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06 Jun 14

Muito se tem falado e escrito sobre o momento Bocage de Bruno de Carvalho (BC), contudo, ao esmiuçarmos a questão, constatamos que já outros, antes dele, elaboraram acerca do futebol e poesia.

Manuel Alegre, sobre Eusébio:

Buscava o golo mais que golo: só palavra.

Abstracção. Ponto no espaço. Teorema.

Despido do supérfluo rematava

e então não era golo: era poema

Lá está, Cristiano Ronaldo (põe-te bom, pá) e Pauleta podem ser os maiores marcadores de golos da selecção mas Eusébio continuará a ser o maior marcador de poemas.

Já falei no momento Bocage de BC mas ainda não falei no momento Gabriel, o Pensador, de Jorge Nuno Pinto da Costa, o silêncio, a ausência de comentário, Nádegas a declarar, portanto. 

Enfim, melhor seria, pensarmos antes de falarmos, seguirmos o conselho de Romário a Pelé:

Calado é um poeta ou adaptando a frase a grande parte dos protagonistas do futebol indígena; calados seriam uns poetas


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29 Jan 14

 

«Na exaltação exponenciada da genialidade de Eusébio (tratou-se, de facto, de um talento invulgar, quase único, no futebol de todos os tempos), foi apagado o que é inapagável em futebol: o contexto de equipa que tornou possível os sucessos de Eusébio e das suas equipas (Benfica e Selecção) que pouco variavam de composição. Mais, esse apagamento dos companheiros de Eusébio representa uma profunda injustiça de memória para com outros futebolistas excepcionais (José Augusto, Coluna, Santana, talvez outros mais) e que também foram determinantes para atingir as vitórias com Eusébio e garantiram sustentar essas mesmas vitórias.»

João Tunes, O efeito perverso no culto a Eusébio


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13 Jan 14

Se dúvidas houvesse aí está o prémio mais que merecido para Cristiano Ronaldo,

 

E até eu, que nunca fui grande apreciador dele, ergo a minha taça em sua honra.

 

Parabéns Cristiano!

 

Só que no dia 31 de Outubro do ano passado escrevia aqui um texto em que previa, desde logo, a conquista do troféu de melhor jogador do mundo pelo atleta madeirense.

 

Não, não me considero vidente, mas a postura profundamente patética a que Joseph Blatter se sujeitou publicamente só estragou aqueles que votariam em Lionel Messi transferindo para CR7 as suas escolhas, já que Frank Ribéry sempre me pareceu o elo mais fraco dos três, sem prejuízo dos troféus conquistados pelo Bayern de Munique.

 

Eis um Cristiano coroado uma vez mais Rei do Futebol, precisamente uma semana após o funeral do Rei Eusébio.

 

Também pode ler-se aqui


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O que faltou na Luz
Pedro Correia

O Benfica ficou naturalmente feliz com a vitória sobre o FC Porto, por 2-0, que lhe valeu a liderança provisória do campeonato. E dedicou este triunfo a Eusébio. Mas a melhor homenagem ao falecido goleador que se distinguiu ao serviço do clube da Luz e da selecção nacional ficou por fazer.

Eusébio pertence a um tempo em que o SLB, por imposição dos seus estatutos, só alinhava com jogadores portugueses - e assim pôde tornar-se um viveiro de talentos nacionais.

Mas o Benfica entrou ontem em campo só com jogadores de origem estrangeira, invertendo a tradição que o 'Pantera Negra' tão bem soube honrar.  Redimiu-se desta falha apenas aos 86 minutos de jogo, quando Jorge Jesus fez entrar Ruben Amorim em campo. Era já demasiado tarde para dar à homenagem a Eusébio o verdadeiro alcance que merecia.


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10 Jan 14

 

 Eusébio travado em falta na jogada mais emocionante do Portugal-Coreia do Norte: ainda não hava cartões vermelhos

 

É o mais célebre jogo de sempre da selecção nacional de futebol -- aquele de que todos falavam mas poucos tinham visto. Até agora. Porque a TVI24, numa verdadeira missão de serviço público, lembrou-se em boa hora de o transmitir na íntegra a pretexto da morte de Eusébio, marcador de quatro dos cinco golos portugueses dessa partida.

Aconteceu na quarta-feira e apesar das imagens serem a preto e branco -- o Portugal-Coreia do Norte realizou-se a 23 de Julho de 1966 -- a emissão resultou num enorme sucesso: o canal de notícias da TVI no cabo obteve o maior número de sempre de espectadores, com 4,8% de audiência média e uma quota de audiência de 9,8%. Quase meio milhão de pessoas acompanhou o desafio no serão de anteontem.

 

Eu fui uma dessas pessoas. E tenho de felicitar a TVI24 pela proeza. Desde logo porque não se limitou a transmitir o mítico jogo dos quartos de final do Campeonato do Mundo de 1966, considerado o melhor desse certame. Teve também a excelente ideia de reunir em estúdio três jogadores dessa selecção, dois dos quais participaram no jogo: o benfiquista José Augusto e os sportinguistas Hilário e José Carlos. Com Fernando Correia -- que já relatava jogos de futebol há 48 anos -- encarregado de recriar um pouco do ambiente daquela época, em que os portugueses acompanhavam os jogos de futebol sobretudo através de relatos radiofónicos pois eram raras as partidas transmitidas pela televisão.

 

Hilário e José Augusto nunca tinham visto na íntegra as imagens daquele desafio em que foram dois dos mais destacados participantes. E portanto os seus comentários ao longo do jogo tornaram-se noutro espectáculo dentro do espectáculo da emissão, muito bem conduzida pelo jornalista Joaquim Sousa Martins.

 

A visão integral do jogo permitiu desfazer alguns mitos, que passarei a enumerar:

- Naquele desafio, por bandas de Portugal, jogaram "Eusébio mais dez". Não é verdade: Eusébio foi excelente, mas vários outros jogadores destacaram-se. Desde logo Simões, incansável no corredor esquerdo. E José Augusto. E Jaime Graça. Sem esquecer Hilário: nenhum dos três golos norte-coreanos ocorreu no lado esquerdo da nossa defesa, onde ele era um baluarte;

- Aquela selecção quase só tinha jogadores do Benfica. Falso. Do Benfica, neste jogo, eram cinco: Eusébio, Coluna, José Augusto, Torres e Simões. Havia três do Sporting (João Morais, Hilário e Alexandre Baptista), dois do Belenenses (José Pereira e Vicente Lucas) e um do Vitória de Setúbal (Jaime Graça);

- Os coreanos dominaram, pelo menos na primeira parte. As imagens não mostram nada disso. Excepto no quarto de hora inicial, quando a pressão ofensiva da equipa adversária foi mais notória, Portugal dominou sempre a partida. Sem nunca se desviar da rota do golo.

- Naquele tempo jogava-se um futebol muito mais lento. Pelo contrário, este jogo desenrolou-se a uma velocidade estonteante, do primeiro ao último minuto. Sem tempos mortos, mesmo quando havia interrupções por faltas. Sem manobras ardilosas dos jogadores para retardarem o tempo de jogo. E numa espécie de antecipação do "futebol total", com frequentes incursões dos avançados em manobras defensivas. Futebol-espectáculo por excelência.

 

Os 11 que jogaram contra a Coreia do Norte em 1966: Alexandre Baptista, Jaime Graça, Hilário, Vicente, Morais, José Pereira (em cima), José Augusto, Torres, Eusébio, Coluna e Simões (em baixo)

 

Por uma questão de idade, nunca tinha visto este jogo. Mesmo muitos portugueses que já eram adolescentes ou adultos naquela época não chegaram a assistir ao Portugal-Coreia do Norte porque os televisores não tinham nessa época a difusão que hoje têm.

Está de parabéns a TVI por ter concretizado esta missão de serviço público. Que devia envergonhar a RTP, detentora de um canal Memória que é capaz de passar na íntegra o jogo Cascalheira de Cima-Alguidares de Baixo de há vinte e três anos mas nunca voltou a difundir o Portugal-Coreia do Norte, cujas imagens certamente a televisão do Estado possui em arquivo.

Fica agora um pedido extra aos responsáveis da TVI24: e que tal difundirem agora o Portugal-Brasil, também do Mundial de 1966? Será novo sucesso garantido, tenho a certeza.

 

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09 Jan 14

E vocês perguntam-me: o que está ali em cima a fazer o F.C. Porto? Então o Eusébio não jogava no Benfica? E o José Sócrates não contou a história dos golos do Eusébio num jogo da seleção contra a Coreia do Norte? E este não é um blogue sportinguista? É verdade. Mas a história do José Sócrates do dia 23 de julho de 1966 tem tantos pontos de contacto com a minha do dia 27 de maio de 1987, que não resisto a compará-las.

 

Ora vejam:

- Sócrates ia para a escola primária – não admira, tinha nove anos de idade.

- Eu vinha da faculdade – enfim, tinha vinte e um anos.

- Sócrates ouviu o relato do jogo, na Covilhã.

- Eu fui vendo imagens do jogo, pois havia televisores ligados em todas as montras de estabelecimentos de eletrodomésticos, à volta dos quais se juntavam pequenas multidões. Ah, já me esquecia, estamos na cidade do Porto.

- Em 1966, Portugal deu a volta a um resultado desfavorável de 3:0.

- Em 1987, o F. C. Porto deu a volta a um desfavorável 1:0 contra o Bayern de Munique.

 

Resta dizer que, no regresso a casa, depois daquele dia de aulas, apercebi-me de que o F. C. Porto perdia por 1:0. Quando cheguei a casa, o jogo estava a acabar. Depois de despir o casaco, sentei-me na sala, em frente à televisão ligada e… o F.C. Porto marcou dois golos de rajada! Seguiram-se telefonemas, amigos a dizer-me que, naquela noite, ninguém dormia, que toda a gente ia festejar. E eu, apesar de ser sportinguista dos quatro costados, fui mesmo festejar aquela vitória portuguesa na final da Taça dos Campeões. Querem melhor fair-play?

 

Dizem que a história do Sócrates é mentira, porque se passou num sábado à tarde. Mas um ex-colega já veio dizer que ele falou a verdade e só a verdade.

 

Eu não tenho ninguém que venha em meu favor. Mas garanto-vos que a minha história é verdadeira, embora já não me lembre em que dia da semana foi. Jogos desses, porém, costumavam ser à quarta-feira. E é bom que este tenha sido, pois, na faculdade, nunca tive aulas ao sábado.

 

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07 Jan 14

"O Eusébio sempre foi sportinguista" - há minutos na TVI24

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Respeito sinceramente a dor e o luto benfiquistas na hora da morte de Eusébio. Mais: Eusébio foi além disso sem dúvida um símbolo nacional, pelo que fez pela seleção. Conforme bem disse o vice-primeiro ministro, Eusébio foi "um dos dois grandes ídolos populares portugueses do séc. XX". Por isso compreendo perfeitamente a comoção nacional, as horas de diretos que lhe são dedicadas, e concordo com o luto nacional. Impressionam-me as manifestações populares em Portugal e no estrangeiro, no Estádio da Luz, em Old Trafford ou no Santiago Bernabeu, as reações de jogadores e treinadores por todo o mundo.
Sei que, no seu tempo, o Eusébio foi uma unanimidade nacional. Mas eu não sou desse tempo - nunca o vi jogar. Nunca senti as alegrias que sei que ele deu aos meus pais e avós (todos sportinguistas) a jogar pela seleção nacional (e que a mim me deram o Chalana e o Rui Costa). Sei que ele foi mais do que isso, mas o Eusébio que eu conheci e de que me vou recordar sempre foi um fenómeno clubístico. Mais do que do Benfica, um clube que eu respeito, o Eusébio foi do clube de pessoas que não gostam do meu clube. Pior: que não o respeitam. Foi nessa categoria que eu o conheci e a que ele, por sua livre vontade, pertenceu. Ora alguém que pertença a essa categoria pode merecer muito respeito (por outras razões), mas nunca poderá ser uma unanimidade nacional. Neste aspeto Eusébio parece-me comparável a José Saramago. Em ambos os casos há que distinguir o "gostar-se" de cada um deles do serem ou não bons. Eu compreendo que haja pessoas que não gostem do José Saramago, mas acho um erro grave que, por isso, essas pessoas digam que o único Nobel da Literatura português, reconhecido mundialmente, não era um grande escritor. Eu não vou cair nesse erro com o Eusébio: mais do que, indiscutivelmente, o melhor jogador português da sua geração, foi um grande jogador que faz parte da História do futebol. Sim: qualquer História do futebol estará incompleta se não referir o Eusébio, que eu evidentemente reconheço como um grande jogador. Agora, desculpem lá mas eu não gostava dele.

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06 Jan 14
Eusébio da Silva Ferreira
Filipe Arede Nunes

O que aqui tenho para escrever é singelo mas não queria deixar de o fazer. Nunca vi Eusébio jogar à bola. Nasci alguns anos depois de ter pendurado as chuteiras - pelo que mais não vi do que os seus vídeos na televisão ou no Youtube - mas curvo-me perante a grandeza de um dos maiores jogares da história do futebol (que ficou demonstrada pelas reacções de todo o mundo futebolístico) e um dos grandes portugueses do século XX, daqueles que elevaram bem alto o nome do nosso país!

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Ser diferentes
Pedro Correia

Gostei de ver hoje a representação do Sporting, ao mais alto nível, nas cerimónias fúnebres do maior jogador de sempre do Benfica. Gostei de ver o presidente Bruno de Carvalho e o nosso director-geral do futebol profissional, Augusto Inácio, cumprimentarem Luís Filipe Vieira e a família de Eusébio com a sóbria cortesia própria daquele momento. Foi uma exemplar lição de civismo e desportivismo, digna e contida, em contraste com o comportamento de outras figuras que, nada tendo a ver com futebol nem com Eusébio, aproveitaram a ocasião para se pavonearem defronte das câmaras de televisão, inchadas de oportunismo mediático, abrindo a boca sem nada terem para dizer.

É importante sabermos ser diferentes também nisto.


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Ler os outros
Pedro Correia

Deusébio, Leão de Alvalade.

 

Estás perdoado, Sérgio de Almeida Correia.

 

Nunca passei por ele sem dizer "obrigado", Ferreira Fernandes.

 


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Umas palavras sobre Eusébio, não tanto o grande homem que genialmente goleou o destino, mas o mito que nesta hora de luto o País inteiro celebra em comoção unanime. Ao contrário do que acontece com os adversários em convicções ou valores, cujo triunfo constitui sempre uma ameaça àquilo que cada lado acredita, no âmbito da competição desportiva que se rege na esfera do simbólico, este constitui um precioso elemento de valorização do opositor. Se é verdadeiro que a grandeza do Benfica nunca teria sido a mesma se não fosse Eusébio, o mesmo fenómeno sucedeu aos seus rivais, cuja dramaticidade das suas derrotas e vitórias valorizaram-se nessa medida. Veja-se o papel de engrandecimento mútuo que assumiu a rivalidade entre Victor Damas e de Eusébio, fenómeno extensível aos dois clubes por si representados nos anos sessenta e setenta, o Benfica e o Sporting. O que seria do prestígio de cada um se não fosse o outro? Ou de como a amargura das derrotas é inversamente proporcional às alegrias nas vitórias, que por sua vez são proporcionais ao inconfessável reconhecimento do valor do adversário. Que interesse teria um desafio entre o Benfica e o Porto como o que se realizará no próximo fim-de-semana se não estivesse implícito por ambos o reconhecimento da grandeza do outro?
É nesta perspectiva que o mito de Eusébio extravasa definitivamente a camisola que circunstancialmente envergou e aprendeu a venerar: a sua passagem pelos relvados nacionais, pelas vitórias e derrotas infligidas, dignificou e promoveu os adversários tanto quanto o seu próprio clube. Por tudo isto a genialidade de Eusébio é património de todos nós.  E se querem saber, suspeito que ontem o reencontro de Eusébio com Damas junto do Altíssimo tenha sido um momento de enorme júbilo, que quem sabe ainda resultará numas emocionantes jogatanas de bola, lá onde quer que estejam agora.

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«Damas já deve ter recebido Eusébio de braços abertos e a esta hora estão a bater-se de novo para alegria e regalo de todos.»

Do nosso leitor Lancero, neste meu texto


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05 Jan 14
E as reações alemãs
Cristina Torrão

Como o Pedro Correia muito bem disse, há alturas em que se esbatem os clubismos e junto-me à homenagem neste blogue de sportinguistas. A notícia do falecimento de Eusébio teve naturalmente destaque na imprensa alemã. Além de se referirem os momentos mais altos da sua carreira e as reações de Cristiano Ronaldo e Luís Figo, reportam-se as palavras dos grandes do futebol alemão.

 

Franz Beckenbauer escreveu no Twitter: «Faleceu um dos maiores futebolistas de todos os tempos. O meu amigo Eusébio morreu na noite passada. Os meus pensamentos estão com a sua família».

 

Wolfgang Niersbach, Presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) descreveu Eusébio como uma personalidade que o impressionou não só como desportista, mas também com a sua história de vida. E acrescenta: «Estamos de luto, junto com os nossos amigos da Federação Portuguesa, por uma lenda do futebol».

 

Uwe Seeler, uma lenda do futebol alemão, menos conhecida em Portugal, mas que chegou a jogar ao lado de Eusébio numa seleção europeia, disse: «Lamento muito. Eu sei que ele tinha problemas de saúde, mas era ainda relativamente novo (…) Era um jogador extraordinário, mas também, a nível particular, muito simpático e solidário. Era para mim sempre um grande prazer estar a seu lado».

 

Nota: estas declarações podem ser lidas no original aqui.

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Nunca vi o Eusébio jogar, mas não me esqueço das lágrimas que verteu, profundamente comovido, no funeral do Vítor Damas, um dos maiores ídolos de sempre do Sporting, a quem chamaram "Eusébio do Sporting", e que disse um dia dever a baliza do Sporting ao "King".

Essa imagem do Eusébio a chorar convulsivamente marcou-me. Prova melhor da sua grandeza e admiração, para além do próprio Benfica, não poderia haver.


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No momento da morte, impõe-se o respeito pela memória de quem partiu. Esbatem-se todos os clubismos, extingue-se o rastilho de todas as polémicas, sempre pequenas em comparação com a grandeza de uma vida que se apaga. E prevalece a memória de quem, para além das camisolas dos clubes que serviu ao longo de uma brilhante carreira, foi sobretudo símbolo do futebol português como atleta de craveira ao serviço da selecção nacional.

Portugal está de luto pela morte de Eusébio da Silva Ferreira, um menino pobre de Moçambique que por mérito próprio ascendeu à galeria dos campeões do desporto mundial. Conhecido em todo o lado pelo nome próprio: simplesmente Eusébio. Ainda tive o privilégio de o ver jogar. Era de um clube rival, mas nem por isso menos digno de admiração. E de um prolongado aplauso que a partir de agora se perpetua pela eternidade.


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13 Set 13
Para mim, foi o Damas
João Paulo Palha

 

A propósito da ultrapassagem, por Cristiano Ronaldo, do número de golos marcado por Eusébio na selecção, a comunicação social, desportiva e não só, tem-se agitado freneticamente  nos últimos dias, procurando, tomada de justa indignação, contrariar os ímpios que, manifestando uma impensável e inadmissível ousadia, se atrevem, com malévolo repúdio dos dogmas desta religião, a considerar o jogador do Real Madrid ou Figo, este muito poucos, como o melhor futebolista da história do futebol português. O próprio Eusébio veio a terreiro, compreensivelmente choroso e amuado, queixar-se do crime de lesa-majestade que estará a ser cometido, já que, como é evidente, nunca pensara na iníqua possibilidade de alguém se abalançar a tal blasfémia. Se podemos entender a  mágoa do moçambicano, já é mais complicado aceitar a argumentação invocada, cuja inanidade, tendo em conta as suas origens reais, podemos, se é que não devemos, submeter a piedoso silêncio.

 

Como se conclui da atenção prestada à sucessão de peças jornalísticas  sobre o assunto, que, no geral, professam a ideia de que colocar a questão é, só por si, ofensivo da tradição e da memória, da história e da mitologia pátrias e, principalmente, de Eusébio e do Benfica, este arremedo de discussão não tem qualquer possibilidade de fazer nascer a luz, com evidente prejuízo de quem, como eu, aguarda ansiosamente um parecer definitivo e conclusivo sobre a matéria.

 

Atormentado pela dúvida, decidi, eu próprio, tomar uma posição e proceder, como quase todos os jornalistas, opinadores profissionais e comentadores sortidos, em função da minha paixão clubística. Aqui chegado, a minha opção foi extremamente fácil. Vítor Damas. O nosso extraordinário guarda-redes constituiu-se, para mim, atreito como sou a tiques idólatras, numa figura única na história do futebol nacional e do Sporting. A sua fantástica elasticidade, técnica individual, inclusivamente no momento de sair a jogar com os pés, capacidade de comando dos homens à sua frente, visão de jogo, vontade de fazer bem e de ganhar e praticamente quase todos os atributos que fazem os grandes guarda-redes transformaram-no, auxiliados por incontáveis defesas  monumentais e exibições inesquecíveis, até em jogos em que o nosso clube foi goleado, num modelo irrepetível de jogador talentoso e hábil, generoso e de inexcedível dedicação ao futebol e ao clube.

 

Para mim, o grande Vítor Damas, perante cuja memória me comovo e me inclino sentidamente, é o melhor futebolista português de sempre. RIP.


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25 Jan 13
Parabéns, Eusébio
Pedro Correia

 

Eusébio da Silva Ferreira, jogador do Sporting de Lourenço Marques (1957/60)

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14 Out 12

 

Muitas vezes se discute quem terá sido o melhor futebolista português de todos os tempos. O Eusébio? O Cristiano Ronaldo? Costuma ser um debate inconclusivo e rodeado de bastante falta de rigor. É que estas coisas não podem ser vistas com os olhos do clubismo, muito menos da clubite doentia. Nunca é inteiramente justo compararmos jogadores de períodos diferentes, desde logo porque muitos de nós já não vimos jogar os mais antigos e tendemos naturalmente a optar pelos mais recentes. Por outro lado, alguém como Eusébio foi de algum modo penalizado por não ter jogado no estrangeiro, numa época em que havia fortes restrições em Portugal à transfererência de futebolistas para outros países.

Outras épocas, outros costumes...
Será talvez mais adequado eleger o trio dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos. Trio que, a meu ver, integra (por ordem cronológica) Eusébio da Silva Ferreira, Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Os três, por sinal, começaram as respectivas carreiras jogando com a camisola do Sporting (de Lourenço Marques, no caso do Eusébio). Isto não é clubismo - é matéria de facto.


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29 Mai 12

Julho de 1987: com Eusébio num jogo de beneficência entre selecções  

Tive ocasião de privar com o lendário futebolista ao longo dos anos. Nem as diversas versões da sua chegada a Portugal e eventual ingresso no Benfica - algumas da sua própria autoria - diminuiram o meu respeito pela sua simplicidade e humildade e admiração pela sua magnificência desportiva. Terei sido um dos que mais lamentou as suas mais recentes absurdas acusações de racismo contra o Sporting de Lourenço Marques e, de certo modo, contra o Sporting Clube de Portugal, que descapitalizaram muito desse respeito que eu tinha por ele. Nem tudo na vida é desculpável. 


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25 Jan 12

 

O 'pantera negra' vestido de verde e branco, como jogador do clube onde se formou -- o Sporting de Lourenço Marques, filial do Sporting Clube de Portugal. Parabéns, Eusébio.

 

Foto do blogue Um Castelo na Escócia

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Eusébio é o terceiro a contar da direita, em baixo. Campeão pelo Sporting Clube de Lourenço Marques (1960). Na altura, filial nº 6 do Sporting Clube de Portugal.

Foto do blogue The Delagoa Bay Company


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