Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Balanço do Euro 2016 (7)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

10 de Julho: Portugal-França (1-0). «É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'. As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.»

Marcador do golo português: Éder.

Melhor português: Rui Patrício.

Observações adicionais:

«Felizmente Éder marcou enfim o primeiro golo pela selecção num jogo oficial ao fim de 29 internacionalizações. E logo no jogo mais importante.»

«Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.»

«Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.»

Balanço do Euro 2016 (6)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

6 de Julho: Portugal-País de Gales (2-0). «Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.»

Marcadores dos golos portugueses: Cristiano Ronaldo e Nani.

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Nós, portugueses, adaptamo-nos com facilidade: é o tradicional desenrascanço lusitano. Mas no bom sentido. Porque todas as equipas vinham bem estudadas e nunca fomos apanhados de surpresa. O jogo contra a Croácia deixou isso bem claro. E agora isso ficou outra vez bem evidente contra Gales.»

«Globalmente falando, todos os jogadores portugueses estiveram em plano positivo. João Mário podia e devia ter feito melhor naquela recarga. Renato Sanches teve de encostar à linha a fazer marcação individual: competia-lhe, tal como ao colega no flanco oposto, estorvar as investidas laterais de Gales.»

«Ronaldo continua a ser um caso à parte. Vão três golos e duas assistências neste Europeu, iguala o recorde de golos estabelecido há 32 anos por Platini (só num torneio), suplantou Bale neste duelo de gigantes, foi crucial para que Portugal não tombasse na fase de grupos, frente à Hungria, e o golo que agora marcou é de uma execução técnica excepcional.»

Balanço do Euro 2016 (5)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

27 de Junho: Portugal-Polónia (1-1, e 5-3 após os penáltis). «Portugal podia ter resolvido o jogo na segunda parte, sem se sujeitar ao desgaste físico provocado por meia-hora suplementar nem ao desgaste emocional que a marcação de penáltis finais sempre suscita. Mas faltou intensidade e ousadia. Faltou também frescura muscular. (...) O melhor estava para vir. E veio no fim. Os nossos cinco jogadores chamados a converter as grandes penalidades cumpriram a missão com brilhantismo. Primeiro o capitão, Cristiano Ronaldo. Depois Renato. Seguiram-se Moutinho, Nani e Quaresma. É fundamental assinalar também a extraordinária defesa de Rui Patrício, que evitou a conversão do quarto penálti polaco.»

Marcador do golo português: Renato Sanches.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Ronaldo teve três brindes - um do Nani, outro do Moutinho, outro do Eliseu. Não aproveitou nenhum. No primeiro, é verdade, foi carregado em falta nítida que só o árbitro não viu. Mas falhou nos outros dois.»

«Missão comprida, missão cumprida. Estamos nas meias-finais do Campeonato da Europa, o que nos acontece pela quinta vez. Vamos defrontar a Bélgica ou o País de Gales.»

«O seleccionador merece parabéns: sou daqueles que acreditam que o mérito acompanha a sorte e a sorte acompanha o mérito.»

Balanço do Euro 2016 (4)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

25 de Junho: Portugal-Croácia (1-0). «Finalmente, com Raphael Guerreiro e Cédric nas alas e Adrien no miolo, Portugal fez o seu melhor jogo do ponto de vista táctico, mostrando-se uma equipa compacta e solidária, sabendo fechar as linhas e onde nunca faltavam jogadores a fazer dobras e ganhar segundas bolas. (...) Vencemos pela primeira vez uma partida no Campeonato da Europa que se disputa em França, derrubando a selecção que no jogo anterior vencera a favorita Espanha e dispôs de mais dois dias de descanso do que os portugueses. Ninguém diria, vendo os nossos jogadores actuar em tão boa forma física.»

Marcador do golo português: Quaresma.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Está finalmente encontrado o onze ideal - com a ressalva de Renato Sanches no lugar de André Gomes. Não deixa de ser estranho que só aconteça ao quarto jogo. Mas lá diz o ditado: mais vale tarde... Quanto à crença num bom desempenho global da nossa selecção no Euro 2016, mantenho-a inabalável desde o primeiro dia.»

«Em equipa que ganha não se mexe. O único titular que merece ser substituído é André Gomes - como de resto foi, logo aos 50' do jogo de ontem.»

«A Islândia contribuiu para a nossa boa fortuna ao marcar no último lance da partida frente à Áustria, sem o qual teríamos defrontado a Inglaterra em vez da Croácia, quanto a mim mais acessível.»

«Não há vencedor sem sorte, não há campeão sem sorte. Mas a sorte dá muito trabalho.»

Balanço do Euro 2016 (3)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

22 de Junho: Portugal-Hungria (3-3). «Os laterais fizeram o pleno pela negativa: nem souberam fechar o corredor a defender, nem conseguiram rasgá-lo a atacar. Esta foi a faceta pior do Portugal-Hungria. O melhor foi Cristiano Ronaldo, que se mostrou enfim ao seu verdadeiro nível nesta partida: marcou dois dos nossos três golos, aos 50' e aos 62', e ainda foi dele a assistência para o inicial, muito bem apontado por Nani aos 42'. O primeiro dele, marcado com o calcanhar, foi uma obra de arte. Candidata-se desde já a melhor golo do Euro 2016.»

Marcadores dos golos portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo (2).

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Ao bisar desta forma, Ronaldo torna-se o maior goleador em fases finais de mundiais e europeus - e vão sete certames consecutivos a facturar. Torna-se também o segundo melhor marcador de campeonatos da Europa, já com oito golos - menos um que Michel Platini, ainda recordista com os nove que marcou pela França no Euro 84.»

«William e João Mário deram alguma consistência a um meio-campo que nunca funcionou. A insistência de Fernando Santos em Moutinho raia a inconsciência. Contra todas as advertências e todas as evidências.»

«João Moutinho e André Gomes tiveram as piores prestações portuguesas neste jogo. Empancaram todo o meio-campo. Moutinho até metia dó: em vez de aparecer, escondia-se.»

«Enfim, até agora não ganhámos nem perdemos - o que denota falta de ambição da selecção das quinas. Limitámo-nos a cumprir os mínimos. E com alguma sorte à mistura: a Hungria ainda nos enviou uma bola ao poste.»

Balanço do Euro 2016 (1)

19697947_wPzI4[1].jpg

 

O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

14 de Junho: Portugal-Islândia (1-1). «Frente à modestíssima Islândia, que se estreia num Campeonato da Europa, a selecção das quinas não conseguiu melhor do que um empate longe de quase todas as previsões. Jogando num ritmo lento, denunciado, previsível, sem automatismos, deixámos os islandeses dominar em largos minutos da segunda parte apesar de termos terminado o encontro com 66% de posse de bola. Com um Ronaldo apático, um Danilo ineficaz e um Moutinho que mal se viu.

Marcador do golo português: Nani.

Melhor português: Nani.

Observações adicionais:

«Se compararmos com 2004, em que perdemos o jogo inaugural frente à Grécia, e com 2012, em que saímos derrotados pela Alemanha na primeira partida, até conseguimos fazer melhor.»

«Vieirinha, Danilo e Moutinho foram os piores da selecção nacional. Mas é fácil substituí-los. Devem jogar os que estão em melhores condições - a regra é esta.»

«Insistir em Moutinho como titular é um erro grosseiro.»

«Ronaldo, com mais de 50 jogos de alta rotação nesta temporada, encontra-se longe da melhor forma física, como ontem ficou evidente. Ainda assim fez o melhor cruzamento do jogo.»

 

A ver o Europeu (15)

euro_2016_logo_detail[1].jpg

10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

cristiano-ronaldo3[1].jpg

 

Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

.................................................

Comparações

Apesar de estarmos na final do Europeu, alguns ainda suspiram pelo "futebol de qualidade" que esta selecção não revela. Gostaria que me dissessem quem apontam como modelo. A Inglaterra, que empatou com a medíocre Rússia e foi afastada pela Islândia? A França que ganhou à tangente à Roménia levada ao colo pelo árbitro que lhe perdoou um penálti no desafio inaugural? A Espanha derrotada pela Croácia que nós mandámos para casa? Itália e Alemanha, encalhadas no meio-campo, que no desempate por grandes penalidades tiveram de marcar dezoito, tantas foram as que falharam?

Os juízos valorativos, para terem validade, exigem sempre comparações. Era melhor a selecção portuguesa do Europeu de 2012, que tinha no sector mais avançado Varela, Hugo Almeida e Nelson Oliveira?

A ver o Europeu (11)

euro_2016_logo_detail[1].jpg

6 de Julho de 2016: pela segunda vez na história do futebol português, a selecção nacional ganha o acesso à final de um Campeonato da Europa. Uma conquista com todo o mérito naquele que foi o melhor dos nossos jogos neste certame, com uma vitória sem contestação frente ao País de Gales - selecção que vinha causando sensação, sobretudo desde que afastou a forte Bélgica nos quartos-de-final.

Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.

Gareth Bale bem tentava remar contra a maré, mas teve de actuar sempre em zonas muito recuadas porque o tampão defensivo português nunca deixou de funcionar - contido, seguro e sólido. Joe Allen, muito pressionado por Adrien e logo condicionado por um cartão amarelo aos 7', foi uma sombra do que tem sido noutros desafios. Raras vezes o País de Gales chegou à nossa baliza. E quando o fez, sempre através de Bale, encontrou um Rui Patrício irrepreensível, confirmando ser um dos melhores guarda-redes europeus.

Atordoados pelo primeiro golo, aos 50', os galeses - em estreia num Campeonato da Europa - ficaram ainda mais abalados com o segundo, três minutos depois. Também com intervenção directa de Ronaldo, que recuperou e rematou, cabendo a Nani corrigir a rota da bola com precisão milimétrica.

Foram dois, mas podiam ter sido mais. Desde logo se o árbitro sueco tivesse assinalado uma grande penalidade claríssima cometida sobre Cristiano Ronaldo logo aos 10', com Collins a agarrá-lo dentro da área. Pela terceira vez somos prejudicados em lances deste género, após derrubes de Nani no jogo contra a Croácia e de Ronaldo no embate com a Polónia. Parece que os árbitros estão proibidos de apontar grandes penalidades a nosso favor.

No início eram 24 selecções, restam três neste Europeu. Ultrapassámos seis neste percurso até à final: Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia e País de Gales. Falta saber quem será o último adversário, aquele que defrontaremos no próximo domingo em Paris. Alemanha ou França? Amanhã saberemos. Agora é tempo de festejar. Estes jogadores e este seleccionador que formam um grupo muito unido e com enorme força mental merecem que festejemos com eles.

 

Portugal, 2 - País de Gales, 0

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Revelou a segurança que sempre tem evidenciado neste Campeonato da Europa. Sem falhas nem grandes sobressaltos. Foi intransponível perante Bale: travou um bom remate do melhor jogador galês aos 77' e três minutos depois fez a defesa da noite ao defender um tiro desferido pelo mesmo jogador.

 

Cédric - Desta vez sem lapsos defensivos, cumpriu muito bem a missão de que foi incumbido, policiando com autoridade a lateral direita. Os seus centros neste jogo foram mais raros e com menos pontaria do que é habitual, mas o essencial foi feito. Justificou a titularidade, superando Vieirinha - escolha inicial do técnico.

 

Bruno Alves - Escolha talvez inesperada de Fernando Santos para compensar a ausência de Pepe, com problemas musculares. Estreou-se no Euro 2016 com uma exibição em bom nível, sem revelar o menor temor face ao poderio físico dos galeses. Podia ter evitado o cartão amarelo aos 71'.

 

José Fonte - Melhora de jogo para jogo, exibindo cada vez mais qualidades. Hoje funcionou como o patrão da defesa nacional, num desempenho com maturidade e classe. Secou Robson-Kanu, que tinha sido um dos melhores galeses contra a Bélgica. E ainda foi à frente cabecear com perigo aos 71', após a marcação de um canto.

 

Raphael Guerreiro - Regressou em boa hora ao nosso onze titular após os problemas musculares que o afectaram. Foi um dos melhores em campo. Fechou bem o flanco e foi mais atrevido do que Cédric na manobra ofensiva. Grande tabelinha com Adrien aos 44'. E um centro perfeito aos 50': funcionou como assistência para o golo de Ronaldo.

 

Danilo - Substituiu William, ausente por acumulação de cartões. Começou algo intranquilo, deixando-se ultrapassar de quando em vez, mas melhorou a prestação à medida que o jogo aquecia. Essencial no processo defensivo, em que soube impor o físico. Quase marcou aos 78': o guardião galês segurou a bola junto à linha de golo.

 

Adrien - Neutralizou Allen no corredor central, condicionando-lhe a acção ofensiva: exerceu pressão constante e nunca desistiu da luta pela bola. Protagonizou o melhor lance da primeira parte, aos 44', num grande cruzamento para a cabeça de Ronaldo. Excelente recuperação aos 78': serviu Danilo e o golo esteve quase a acontecer.

 

Renato Sanches - Voluntarioso e com rasgos ocasionais, teve no entanto a sua mais apagada prestação neste Europeu. Nem sempre acertou nos passes e foi várias vezes ultrapassado junto à lateral direita: o processo defensivo ainda não é o seu forte. Arriscou o remate aos 73', mas atirou para a bancada. Saiu no minuto seguinte.

 

João Mário - Nova missão de sacrifício do médio, mais habituado a fazer incursões da linha para o meio. Cabia-lhe resguardar o flanco, numa segunda linha defensiva, tal como Renato na ala oposta. Fez uma boa tabelinha com Cristiano Ronaldo aos 16', rematando ao lado. Falhou uma recarga aos 65', com a baliza à sua mercê.

 

Nani - Exibição com duas faces. Mal se deu por ele no primeiro tempo, mas foi crucial no segundo ao apontar o golo que carimbou a nossa vitória e deu tranquilidade à selecção. Confirma-se: é intuitivo como poucos dentro da área quando joga de trás para a frente. Forte remate aos 65', bem colocado: novo sinal de perigo. Saiu aos 87'.

 

Cristiano Ronaldo - Com um golo soberbo abriu o triunfo português. E vão três no Euro 2016 e nove nas fases finais de Europeus, igualando a marca de Platini em 1984. Alvo de um penálti não assinalado aos 10'. Participou na construção do segundo golo. Podia ter marcado o terceiro de livre, aos 63': falhou por pouco. O melhor em campo.

 

André Gomes - Entrou em campo já com o resultado feito, rendendo Renato Sanches aos 74'. Pedia-se-lhe apoio ao processo defensivo e tentativa de criar situações de desequilíbrio na manobra ofensiva. Desempenhou com zelo - embora sem brilho - ambas as missões.

 

João Moutinho - Substituiu o fatigado Adrien aos 79' com a missão de continuar a estabelecer a ligação entre as linhas portuguesas mantendo o nosso controlo da faixa central, o que obrigava os galeses a transferir para as alas todo o processo ofensivo. Cumpriu.

 

Quaresma - Só entrou aos 87', rendendo Nani e deixando a impressão de que poderia ter entrado mais cedo. Mas ainda chegou a tempo de pôr a defesa do País de Gales em sentido com a sua capacidade de vencer confrontos individuais em áreas de alto risco para a equipa adversária. Associou-se com mérito à vitória.

 

Há quatro anos foi assim (5)

Relembro a minha análise do quinto jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Donetsk (Ucrânia), frente à Espanha, campeã europeia em 2008 e mundial em 2010, em desafio das meias-finais da competição. Uma partida só resolvida, após prolongamento, através de pontapés da marca de grande penalidade. Ficávamos assim pelo caminho mas saíamos de cabeça erguida, figurando entre as quatro melhores selecções europeias, numa competição que voltaria a ser ganha pelos espanhóis.

Cento e vinte minutos de jogo não bastaram para haver golos: o empate a zero prevaleceu. Nos penáltis, saímos derrotados por 2-4. Fez ontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: atento.

João Pereira: voluntarioso.

Bruno Alves: duro.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: perigoso.

Miguel Veloso: eficaz.

Raul Meireles: pressionante.

João Moutinho: influente.

Nani: talentoso.

Cristiano Ronaldo: perdulário.

Hugo Almeida: apagado.

Nélson Oliveira: inócuo.

Custódio: disciplinado.

Varela: tardio.

 

O melhor: João Moutinho.

 

Conclusão

«Pela quarta vez, Portugal atingiu as meias-finais de um Campeonato da Europa. E pela terceira vez ficamos pelo caminho. Mas desta vez com uma satisfação suplementar em comparação com o que ocorreu em 1984 e 2000: não fomos derrotados em campo, apenas a lotaria dos penáltis nos impediu de ir à final em Kiev.»

 

Notas adicionais

«A selecção tem um problema de raiz, por ausência de um ponta-de-lança clássico. Curiosamente, os espanhóis qualificaram-se para a final também sem um jogador nessa posição enquanto titular.»

«Nelson Oliveira não devia ter entrado. Está demasiado "verde" (sem ironia...) para o efeito. Não por acaso, Jorge Jesus nunca o colocou a titular ao longo do campeonato, onde - salvo erro - entrou apenas em três jogos incompletos.»

«Gostei muito da prestação da equipa portuguesa neste Euro 2012 desde logo por ter sabido fazer das fraquezas forças, contrariando todos os comentadores encartados. Nenhum deles - sublinho: nenhum - anteviu que a selecção fosse tão longe.»

Há quatro anos foi assim (4)

Relembro a minha análise do quarto jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Varsóvia, frente à República Checa, já nos quartos-de-final da competição. Uma partida bem disputada, em que dominámos e saímos como justos vencedores.

Cristiano Ronaldo esteve novamente em foco, apontando o golo solitário da nossa vitória, que Petr Cech não conseguiu travar. Fez anteontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: resistente.

Bruno Alves: sólido.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: veloz.

Miguel Veloso: discreto.

Raul Meireles: eficaz.

João Moutinho: incansável.

Nani: influente.

Cristiano Ronaldo: combativo.

Helder Postiga: lesionado.

Hugo Almeida: cumpridor.

Custódio: disciplinado.

Rolando: nada a dizer.

 

O melhor: Cristiano Ronaldo.

 

Conclusão

«Os checos, apesar de terem descansado mais 24 horas dos que os portugueses, mostraram condição física muito inferior. E nunca revelaram soluções tácticas para romper a muralha defensiva portuguesa. À medida que a selecção de Paulo Bento ia progredindo no terreno, tornava-se evidente qual era a selecção que passaria às meias-finais. Só faltava afinar a pontaria à frente: Cristiano Ronaldo, repetindo o que já sucedera contra a Holanda, voltou a rematar duas vezes ao poste.»

 

Notas adicionais

«Foi claríssimo o domínio da selecção portuguesa. A segunda metade do jogo resume-se praticamente a isto: Portugal a construir jogadas de ataque e os checos a procurar evitar o golo. Evidente superioridade portuguesa, que peca apenas por não se traduzir em mais golos.»

«Esta selecção tem vindo a demonstrar que, em termos colectivos, é uma das nossas melhores de sempre

«Hugo Almeida é muito superior a Nélson Oliveira, único jogador a quem o comentador Rui Santos tem dispensado rasgados elogios. Paulo Bento fez bem em não lhe dar ouvidos, deixando-o desta vez no banco.»

Velhos do Restelo vs. Velhos de Carnide

Este bem podia ser um texto sobre os efeitos da nata dos pastéis de Belém à bulha com os efeitos da farinha dos lados de carnide. Mas é mais uma reflexão sobre o adepto português e vá... ser lampião. O velho do Restelo é uma personagem popular, presente n'Os Lusíadas. Este velho não acredita na fortuna dos navegadores portugueses, acha que vão falhar. Não vão conseguir. Talvez no seu pensamento afundassem a uns escassos metros da costa. Contudo, olho este personagem de uma perspectiva diferente. Uma coisa é o que diz, e outra o que pensa. Tão certo no português, como o Camões ser cego de um olho. E esta é uma bela comparação. Acabamos por não ver bem a realidade onde vivemos. O olho bom faz-nos achar que isto vai ser a bela de uma desgraça. O olho da pala é aquele que nos permite imaginar, o que representa o sonho que todos temos: o sucesso de Portugal e dos portugueses. A derradeira conquista da grandiosidade. Seja como nação, seja na selecção. A taça de um Europeu ou de um Mundial não é mais do que a revelação do V Império no futebol. A união de todos os povos num plano espiritual que os aproxima - transmutando isto para "futebolês" - a união do mundo do futebol em torno do virtuosismo tão bem patente na alma lusa. É tudo muito bonito, mas duvido que o Camões, o Padre António Vieira, o Pessoa ou o Agostinho da Silva legitimassem esta comparação. Mas a verdade, mutatis mutandis, podemos fazê-la para esta finalidade. Sendo assim, os velhos do Restelo continuam tão actuais sendo necessários no futebol e no quotidiano. São eles que alertam, duvidam, mas no fim esperam conformar-se, dizer que estavam enganados e festejar a glória lusitana. Seja pela conquista d'Além mar, seja pelo excesso de bagagem de um caneco na mala.

E perguntam-se, "que raio tem isto que ver com os velhos de Carnide?". E perguntam bem! Velhos de Carnide é uma figura que arranjei de forma a categorizar o adepto da Selecção com origem e natureza lampiã. Parece doença. Há doutrina que a considera. Eu dou o benefício da dúvida, dado que a minha cor é o verde. Ora o velho de Carnide, sendo adepto lampião, é um tipo eufórico. Acha que ganha tudo antes de jogar. Acha que tem os melhores de sempre. Acha que tudo está conta eles, mesmo quando andam todos a favor. Acha que tem um Deus lá no meio do campo, e como é omnipresente e omnipotente está na calha. Gosta de cantar os primeiros dez minutos e com sorte lá pelo 70 (desculpem, ri-me), ou no final do jogo se estiver a ganhar. Acha que não existe equipa nenhuma comparável à sua. Mas aqui reside o problema. É que isto ocorre constantemente antes de começar uma competição. Assim que se inicia - perdendo ou empatando uns jogos - a euforia dá lugar à depressão, os cânticos aos apupos, os elogios à culpabilização, as manchetes dos jornais a linchamentos em horário nobre. E se é assim no clube, e sendo o clube com mais adeptos, a conclusão é lógica: é assim com a equipa das Quinas. Com algumas nuances, é certo. Porque o ódio torna-se ainda mais visceral quando o Sporting não só é a casa-mãe do melhor jogador do mundo (Cristiano Ronaldo, para os mais esquecidos), como é igualmente responsável pela formação de quase metade da equipa. Eles ficam na bolha deles. Deitam culpas a todos, pensando que faltava o Deus deles a jogar e tudo seria diferente, uma vez que os Deuses dos outros não valem chavo.

Revela-se assim o velho de Carnide - o verdadeiro radical da descrença. O puro adepto bipolar que povoa grande parte de Portugal. Infelizmente é este o retrato da nossa realidade. Engraçado será ver, se formos à final ou caso vençamos o Euro, que estes vão ser os primeiros a encher praças, quando antes andaram a encher-nos os ouvidos de baboseiras. É esta a dualidade permanente em que vivemos. De um lado os velhos do Restelo, talvez a expressão da prudência que nos falta à coragem da aventura. Do outro os velhos de Carnide como expressão da falta de prudência existente e do euforismo acéfalo. Enquanto assim for andaremos entre o céu e o inferno. Faltando "cumprir-se Portugal".

Há quatro anos foi assim (3)

Relembro a minha análise do terceiro jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Carcóvia (Ucrânia), frente à Holanda. Uma partida que precisávamos de vencer, após a derrota inicial contra a Alemanha e a vitória sofrida frente à Dinamarca.

E assim aconteceu: batemos os holandeses por 2-1, com Cristiano Ronaldo a bisar. Fez no dia 17 quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: determinado.

Bruno Alves: sólido.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: veloz.

Miguel Veloso: concentrado.

Raul Meireles: irregular.

João Moutinho: influente.

Nani: incansável.

Cristiano Ronaldo: excelente.

Helder Postiga: perdulário.

Nélson Oliveira: ineficaz.

Custódio: contido.

Rolando: útil.

 

O melhor: Cristiano Ronaldo.

 

Conclusão

«É uma péssima noite para os Velhos do Restelo, que já salivavam na perspectiva de um afastamento da selecção portuguesa do Europeu. Para azar deles, Portugal segue em frente. Com uma merecida vitória sobre a Holanda, equipa que é vice-campeã mundial mas que nada fez na Ucrânia para confirmar este estatuto..»

 

Notas adicionais

«Portugal qualifica-se para a fase seguinte quando todos os críticos disseram inicialmente que este era o grupo mais difícil - o 'grupo da morte'. Vencemos duas equipas desse grupo e fomos derrotados pela margem mínima pela terceira. Balanço muito positivo, pois.»

«Maturidade táctica, espírito de corpo, responsabilidade colectiva, clara superioridade no confronto individual. Foi um jogo emotivo, bem disputado, aberto.»

«Além do jogo, dá-me muito gozo ver depois a cara de enterro de certos comentadores. Um, em particular, não consegue esconder a irritação com esta vitória. O que acaba por ser uma dupla vitória de Paulo Bento, Cristiano e todos os outros.»

Há quatro anos foi assim (2)

Relembro a minha análise do segundo jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Lviv (Ucrânia), frente à Dinamarca. Uma partida que precisávamos de vencer, após a derrota inicial contra a Alemanha.

E assim aconteceu: batemos a equipa nórdica por 3-2, com golos de Pepe, Postiga e Varela. Fez anteontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: oscilante.

Bruno Alves: eficaz.

Pepe: rematador.

Fábio Coentrão: contido.

Miguel Veloso: concentrado.

Raul Meireles: irregular.

João Moutinho: influente.

Nani: acutilante.

Cristiano Ronaldo: perdulário.

Postiga: dinâmico.

Nélson Oliveira: imaturo.

Varela: decisivo.

 

O melhor: Nani.

 

Conclusão

«Portugal foi superior. Não devido ao factor sorte, mas devido ao factor competência. Do ponto de vista táctico e do ponto de vista técnico. A selecção demonstrou grande maturidade, física e psicológica. Superou algumas debilidades reveladas no jogo contra a Alemanha com um notável esforço colectivo.»

 

Notas adicionais

«O jogo de hoje comprovou que Varela merece figurar no onze titular.»

«Varela a jogar de início forçaria Paulo Bento a alterar o esquema táctico. Daí a relutância do seleccionador português em efectuar essa alteração. Mas parece-me inegável que o Varela anda com fome de golo, como nenhum outro colega com a provável excepção do Nani.»

«No jogo contra a Holanda os golos poderão dar-nos muito jeito em caso de desempate no nosso grupo, onde as contas começam a tornar-se complicadas...»

«Quanto ao rapaz que anda a ser promovido nas manchetes dos jornais encarnados [N. Oliveira], não merece que gastemos mais espaço a falar dele. Nem é preciso, pois os tais jornais continuarão a encarregar-se disso.»

Há quatro anos foi assim (1)

Relembro a minha análise do jogo inaugural da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Lviv (Ucrânia), frente à Alemanha. Uma partida em que sofremos uma derrota tangencial, por 0-1. Fez ontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: atento.

João Pereira: receoso.

Bruno Alves: concentrado.

Pepe: eficaz.

Fábio Coentrão: perigoso.

Miguel Veloso: seguro.

Raul Meireles: fatigado.

João Moutinho: irregular.

Nani: inconformado.

Cristiano Ronaldo: recuado.

Postiga: ineficaz.

Nélson Oliveira: discreto.

Varela: nervoso.

 

O melhor: Nani.

 

Conclusão

«Um pouco mais de ousadia do onze nacional, que jogou quase sempre com grande disciplina táctica, teria bastado para dar a volta ao resultado num desafio em que a selecção nacional dispôs de oito cantos contra apenas um dos alemães.»

 

Notas adicionais

«Se Paulo Bento não mexer na equipa que perdeu contra a Alemanha, arrisca-se a uma nova derrota.»

«Por mim, apostaria em colocar Varela como titular no lugar de Postiga já no jogo contra a Dinamarca.»

«Se Paulo Bento for sensível à pressão mediática, inclui o Nélson Oliveira no onze inicial. Há muito que não via tantos jornais puxarem ao mesmo tempo por um jogador. Veremos se ele é permeável às pressões.»

«A finalização é o maior problema do onze nacional, como ficou de resto bem patente no Mundial da África do Sul, em que disputámos quatro jogos e não marcámos nenhum golo em três deles.»

«Já estou a torcer pela vitória de Portugal contra a Dinamarca. Está perfeitamente ao nosso alcance.»

Uma questão de...bolas?

 

Bernardo Silva confirmou aquilo que muitos suspeitavam. Não se sentiu confiante para marcar um penálti na final do Euro Sub-21. 

Cherba resume o acontecimento com um muito sugestivo: o craque borrado. Pessoalmente, acho que essa etiqueta não cola ao jogador.

Não deve ser nada fácil assumir a responsabilidade de marcar um penálti numa final com a importância que teve a final do Euro Sub-21. Não basta ter o jeito para marcar, é preciso ter a "confiança" para bater a bola imune à pressão vinda do público ou ao guarda-redes adversário que se agiganta e faz a baliza parecer muito pequenina.

Bernardo Silva, uma das estrelas maiores da Selecção, não se sentiu com confiança e disso deu conta ao treinador. Foi humilde. Não se pode exigir a um jogador, por muito estrela da equipa que seja, que marque um penálti quando, garantidamente, não se sente em condições para tal, sejam físicas ou psicológicas. 

Marcar penáltis não é apenas uma questão de coragem. É, também, uma questão de «grupo». Nenhum jogador deve colocar o seu capricho ou interesse pessoal à frente do interesse do grupo. Se não se sente em condições, pois que seja outro colega a marcar. O contrário é que seria borrar a pintura.

Mão dormente

Confesso que, primeiro, não percebi o signficado deste post do Pedro Oliveira. Mas depois vi os comentários, bem como os comentários a este post n'O Artista do Dia e percebi. Resumo: por incrível que pareça, para grande número de benfiquistas, o Portugal-Suécia em sub-21 de ontem não foi um Portugal-Suécia mas um Benfica-Sporting, porque na selecção da Suécia joga um tipo que anda há dois anos na equipa B do Benfica, e o Benfica ganhou ao Sporting. É retorcido? Não para a gloriosa imaginação destes petiscos.

 

Agora um conselho: meus amigos, a masturbarção é uma actividade nobre, sim senhor, mas há motivos melhores do que o Benfica (e o Sporting, na realidade) para a praticar em público.

A vitória soube bem mas foi sofrida

600[1].gif

 

Estava ontem a ver o jogo da selecção frente à Arménia (com um número simpático de espectadores no estádio do Algarve, cerca de 21 mil) quando me imaginei a acompanhar com atenção uma daquelas partidas em que o Sporting pressiona o tempo todo e acaba por não desatar o nó que lhe é imposto por um adversário que estaciona o autocarro defronte da baliza.

Neste jogo pelo menos o nó acabou por ser desfeito. Pelo "suspeito" do costume, Cristiano Ronaldo, que marcou o seu 23º golo com a equipa das quinas num desafio do Campeonato da Europa - parece que estabeleceu novo recorde com esta marca.

Mas o herói da partida acabou por ser alguém que saltou do banco: Ricardo Quaresma, autêntico pronto-socorro da selecção que enquanto suplente utilizado acaba por ser a chave da solução de que Portugal necessitava pelo segundo jogo consecutivo (o primeiro foi na partida anterior, frente à Dinamarca).

E voltei a pensar no Sporting, enquanto melhor escola de formação de extremos do mundo: Quaresma e Cristiano, frutos desta escola, continuam a demonstrar enormes atributos neste sector que são de uma utilidade extrema (o adjectivo neste caso impõe-se) ao serviço da selecção nacional.

 

A vitória portuguesa neste jogo em que defrontou uma linha defensiva arménia composta por cinco elementos não tem discussão. Mas foi um triunfo sofrido, como tantos que têm acontecido ao Sporting.

Nós, adeptos leoninos, sabemos avaliar bem isto.

Confesso que, por absoluta falta de paciência, ontem não escutei um só minuto das perorações dos pseudo-especialistas de sofá que acampam nos ecrãs televisivos durante horas a fio após as partidas de futebol. São raros aqueles que respeito, são raros aqueles com quem aprendo alguma coisa. Quando escuto a maioria deles nestas intermináveis rondas televisivas quase sempre dou por mim a pensar que se tratou de tempo desperdiçado.

Falo, portanto, apenas pelo que vi - não pelo que ouvi.

 

E o que vi?

O jogo foi feio. Houve demasiado chuto pr'ò ar, houve demasiados passes falhados. Só uma equipa em campo ambicionou a vitória. Só uma equipa fez tudo para vencer. Houve duas grandes penalidades por marcar - Portugal foi prejudicado em ambas as ocasiões.

Fernando Santos parece um treinador com sorte: conseguiu seis pontos em dois jogos à frente da selecção. A estrelinha voltou a sorrir-lhe ontem mal operou as substituições, fazendo entrar Quaresma para o lugar de Danny: decorridos dois minutos, aos 71', o extremo criativo que só Lopetegui parece não admirar inventou o lance de que resultaria o golo.

 

Gostei muito da estreia de Raphael Guerreiro como lateral esquerdo - melhor do que Eliseu nesta posição que tem o lesionado Fábio Coentrão como titular. O jovem lusofrancês (que mal sabe falar o nosso idioma, ao que dizem os jornais) revelou concentração, ousadia e notável destreza técnica. Coube-lhe lançar o primeiro ataque com perigo da selecção logo nos instantes iniciais, em cruzamento para Danny.

Bosingwa, mais contido nas incursões pelo flanco oposto, é um regresso que se saúda - outro regresso impulsionado por Fernando Santos - quatro anos depois. Acho muito bem: não pode haver castigos perpétuos na selecção.

Éder jogou pela 15ª vez com a camisola das quinas mas continua sem marcar o golo de estreia: já parece sina. O melhor que conseguiu foi desta vez, com uma bola ao poste.

 

E os nossos?

Rui Patrício fez um par de boas defesas confirmando a sua classe. Nani foi um dos melhores, em articulação permanente com Ronaldo: participou na jogada do golo e ainda chegou a mandar uma bola à barra. Saiu de campo sob uma merecida ovação do público, dando lugar a William Carvalho, que também cumpriu na sua missão de tornar mais povoado e consistente o nosso meio-campo.

E agora que venha o jogo de terça-feira, contra a Argentina. É a feijões, mas tem um condimento único: o duelo Messi-Cristiano Ronaldo.

 

Avaliação dos jogadores:

Rui Patrício (7) - Seguro

Bosingwa (6) - Eficaz

Pepe (5) - Discreto

Ricardo Carvalho (7) - Sólido

Raphael Guerreiro (7) - Ousado

Tiago (6) - Atento

Moutinho (7) - Combativo

Danny (6) - Irregular

Nani (8) - Irreverente

Cristiano Ronaldo (8) - Influente

Helder Postiga (5) - Irrelevante

Éder (6) - Esforçado

Quaresma (8) - Criativo

William Carvalho (6) - Consistente

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D