18 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

10 de Julho: Portugal-França (1-0). «É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'. As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.»

Marcador do golo português: Éder.

Melhor português: Rui Patrício.

Observações adicionais:

«Felizmente Éder marcou enfim o primeiro golo pela selecção num jogo oficial ao fim de 29 internacionalizações. E logo no jogo mais importante.»

«Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.»

«Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.»


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17 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

6 de Julho: Portugal-País de Gales (2-0). «Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.»

Marcadores dos golos portugueses: Cristiano Ronaldo e Nani.

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Nós, portugueses, adaptamo-nos com facilidade: é o tradicional desenrascanço lusitano. Mas no bom sentido. Porque todas as equipas vinham bem estudadas e nunca fomos apanhados de surpresa. O jogo contra a Croácia deixou isso bem claro. E agora isso ficou outra vez bem evidente contra Gales.»

«Globalmente falando, todos os jogadores portugueses estiveram em plano positivo. João Mário podia e devia ter feito melhor naquela recarga. Renato Sanches teve de encostar à linha a fazer marcação individual: competia-lhe, tal como ao colega no flanco oposto, estorvar as investidas laterais de Gales.»

«Ronaldo continua a ser um caso à parte. Vão três golos e duas assistências neste Europeu, iguala o recorde de golos estabelecido há 32 anos por Platini (só num torneio), suplantou Bale neste duelo de gigantes, foi crucial para que Portugal não tombasse na fase de grupos, frente à Hungria, e o golo que agora marcou é de uma execução técnica excepcional.»


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16 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

27 de Junho: Portugal-Polónia (1-1, e 5-3 após os penáltis). «Portugal podia ter resolvido o jogo na segunda parte, sem se sujeitar ao desgaste físico provocado por meia-hora suplementar nem ao desgaste emocional que a marcação de penáltis finais sempre suscita. Mas faltou intensidade e ousadia. Faltou também frescura muscular. (...) O melhor estava para vir. E veio no fim. Os nossos cinco jogadores chamados a converter as grandes penalidades cumpriram a missão com brilhantismo. Primeiro o capitão, Cristiano Ronaldo. Depois Renato. Seguiram-se Moutinho, Nani e Quaresma. É fundamental assinalar também a extraordinária defesa de Rui Patrício, que evitou a conversão do quarto penálti polaco.»

Marcador do golo português: Renato Sanches.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Ronaldo teve três brindes - um do Nani, outro do Moutinho, outro do Eliseu. Não aproveitou nenhum. No primeiro, é verdade, foi carregado em falta nítida que só o árbitro não viu. Mas falhou nos outros dois.»

«Missão comprida, missão cumprida. Estamos nas meias-finais do Campeonato da Europa, o que nos acontece pela quinta vez. Vamos defrontar a Bélgica ou o País de Gales.»

«O seleccionador merece parabéns: sou daqueles que acreditam que o mérito acompanha a sorte e a sorte acompanha o mérito.»


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15 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

25 de Junho: Portugal-Croácia (1-0). «Finalmente, com Raphael Guerreiro e Cédric nas alas e Adrien no miolo, Portugal fez o seu melhor jogo do ponto de vista táctico, mostrando-se uma equipa compacta e solidária, sabendo fechar as linhas e onde nunca faltavam jogadores a fazer dobras e ganhar segundas bolas. (...) Vencemos pela primeira vez uma partida no Campeonato da Europa que se disputa em França, derrubando a selecção que no jogo anterior vencera a favorita Espanha e dispôs de mais dois dias de descanso do que os portugueses. Ninguém diria, vendo os nossos jogadores actuar em tão boa forma física.»

Marcador do golo português: Quaresma.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Está finalmente encontrado o onze ideal - com a ressalva de Renato Sanches no lugar de André Gomes. Não deixa de ser estranho que só aconteça ao quarto jogo. Mas lá diz o ditado: mais vale tarde... Quanto à crença num bom desempenho global da nossa selecção no Euro 2016, mantenho-a inabalável desde o primeiro dia.»

«Em equipa que ganha não se mexe. O único titular que merece ser substituído é André Gomes - como de resto foi, logo aos 50' do jogo de ontem.»

«A Islândia contribuiu para a nossa boa fortuna ao marcar no último lance da partida frente à Áustria, sem o qual teríamos defrontado a Inglaterra em vez da Croácia, quanto a mim mais acessível.»

«Não há vencedor sem sorte, não há campeão sem sorte. Mas a sorte dá muito trabalho.»


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14 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

22 de Junho: Portugal-Hungria (3-3). «Os laterais fizeram o pleno pela negativa: nem souberam fechar o corredor a defender, nem conseguiram rasgá-lo a atacar. Esta foi a faceta pior do Portugal-Hungria. O melhor foi Cristiano Ronaldo, que se mostrou enfim ao seu verdadeiro nível nesta partida: marcou dois dos nossos três golos, aos 50' e aos 62', e ainda foi dele a assistência para o inicial, muito bem apontado por Nani aos 42'. O primeiro dele, marcado com o calcanhar, foi uma obra de arte. Candidata-se desde já a melhor golo do Euro 2016.»

Marcadores dos golos portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo (2).

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Ao bisar desta forma, Ronaldo torna-se o maior goleador em fases finais de mundiais e europeus - e vão sete certames consecutivos a facturar. Torna-se também o segundo melhor marcador de campeonatos da Europa, já com oito golos - menos um que Michel Platini, ainda recordista com os nove que marcou pela França no Euro 84.»

«William e João Mário deram alguma consistência a um meio-campo que nunca funcionou. A insistência de Fernando Santos em Moutinho raia a inconsciência. Contra todas as advertências e todas as evidências.»

«João Moutinho e André Gomes tiveram as piores prestações portuguesas neste jogo. Empancaram todo o meio-campo. Moutinho até metia dó: em vez de aparecer, escondia-se.»

«Enfim, até agora não ganhámos nem perdemos - o que denota falta de ambição da selecção das quinas. Limitámo-nos a cumprir os mínimos. E com alguma sorte à mistura: a Hungria ainda nos enviou uma bola ao poste.»


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12 Jul 16

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

14 de Junho: Portugal-Islândia (1-1). «Frente à modestíssima Islândia, que se estreia num Campeonato da Europa, a selecção das quinas não conseguiu melhor do que um empate longe de quase todas as previsões. Jogando num ritmo lento, denunciado, previsível, sem automatismos, deixámos os islandeses dominar em largos minutos da segunda parte apesar de termos terminado o encontro com 66% de posse de bola. Com um Ronaldo apático, um Danilo ineficaz e um Moutinho que mal se viu.

Marcador do golo português: Nani.

Melhor português: Nani.

Observações adicionais:

«Se compararmos com 2004, em que perdemos o jogo inaugural frente à Grécia, e com 2012, em que saímos derrotados pela Alemanha na primeira partida, até conseguimos fazer melhor.»

«Vieirinha, Danilo e Moutinho foram os piores da selecção nacional. Mas é fácil substituí-los. Devem jogar os que estão em melhores condições - a regra é esta.»

«Insistir em Moutinho como titular é um erro grosseiro.»

«Ronaldo, com mais de 50 jogos de alta rotação nesta temporada, encontra-se longe da melhor forma física, como ontem ficou evidente. Ainda assim fez o melhor cruzamento do jogo.»

 


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10 Jul 16

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

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Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

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07 Jul 16
Comparações
Pedro Correia

Apesar de estarmos na final do Europeu, alguns ainda suspiram pelo "futebol de qualidade" que esta selecção não revela. Gostaria que me dissessem quem apontam como modelo. A Inglaterra, que empatou com a medíocre Rússia e foi afastada pela Islândia? A França que ganhou à tangente à Roménia levada ao colo pelo árbitro que lhe perdoou um penálti no desafio inaugural? A Espanha derrotada pela Croácia que nós mandámos para casa? Itália e Alemanha, encalhadas no meio-campo, que no desempate por grandes penalidades tiveram de marcar dezoito, tantas foram as que falharam?

Os juízos valorativos, para terem validade, exigem sempre comparações. Era melhor a selecção portuguesa do Europeu de 2012, que tinha no sector mais avançado Varela, Hugo Almeida e Nelson Oliveira?


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06 Jul 16

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6 de Julho de 2016: pela segunda vez na história do futebol português, a selecção nacional ganha o acesso à final de um Campeonato da Europa. Uma conquista com todo o mérito naquele que foi o melhor dos nossos jogos neste certame, com uma vitória sem contestação frente ao País de Gales - selecção que vinha causando sensação, sobretudo desde que afastou a forte Bélgica nos quartos-de-final.

Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.

Gareth Bale bem tentava remar contra a maré, mas teve de actuar sempre em zonas muito recuadas porque o tampão defensivo português nunca deixou de funcionar - contido, seguro e sólido. Joe Allen, muito pressionado por Adrien e logo condicionado por um cartão amarelo aos 7', foi uma sombra do que tem sido noutros desafios. Raras vezes o País de Gales chegou à nossa baliza. E quando o fez, sempre através de Bale, encontrou um Rui Patrício irrepreensível, confirmando ser um dos melhores guarda-redes europeus.

Atordoados pelo primeiro golo, aos 50', os galeses - em estreia num Campeonato da Europa - ficaram ainda mais abalados com o segundo, três minutos depois. Também com intervenção directa de Ronaldo, que recuperou e rematou, cabendo a Nani corrigir a rota da bola com precisão milimétrica.

Foram dois, mas podiam ter sido mais. Desde logo se o árbitro sueco tivesse assinalado uma grande penalidade claríssima cometida sobre Cristiano Ronaldo logo aos 10', com Collins a agarrá-lo dentro da área. Pela terceira vez somos prejudicados em lances deste género, após derrubes de Nani no jogo contra a Croácia e de Ronaldo no embate com a Polónia. Parece que os árbitros estão proibidos de apontar grandes penalidades a nosso favor.

No início eram 24 selecções, restam três neste Europeu. Ultrapassámos seis neste percurso até à final: Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia e País de Gales. Falta saber quem será o último adversário, aquele que defrontaremos no próximo domingo em Paris. Alemanha ou França? Amanhã saberemos. Agora é tempo de festejar. Estes jogadores e este seleccionador que formam um grupo muito unido e com enorme força mental merecem que festejemos com eles.

 

Portugal, 2 - País de Gales, 0

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Revelou a segurança que sempre tem evidenciado neste Campeonato da Europa. Sem falhas nem grandes sobressaltos. Foi intransponível perante Bale: travou um bom remate do melhor jogador galês aos 77' e três minutos depois fez a defesa da noite ao defender um tiro desferido pelo mesmo jogador.

 

Cédric - Desta vez sem lapsos defensivos, cumpriu muito bem a missão de que foi incumbido, policiando com autoridade a lateral direita. Os seus centros neste jogo foram mais raros e com menos pontaria do que é habitual, mas o essencial foi feito. Justificou a titularidade, superando Vieirinha - escolha inicial do técnico.

 

Bruno Alves - Escolha talvez inesperada de Fernando Santos para compensar a ausência de Pepe, com problemas musculares. Estreou-se no Euro 2016 com uma exibição em bom nível, sem revelar o menor temor face ao poderio físico dos galeses. Podia ter evitado o cartão amarelo aos 71'.

 

José Fonte - Melhora de jogo para jogo, exibindo cada vez mais qualidades. Hoje funcionou como o patrão da defesa nacional, num desempenho com maturidade e classe. Secou Robson-Kanu, que tinha sido um dos melhores galeses contra a Bélgica. E ainda foi à frente cabecear com perigo aos 71', após a marcação de um canto.

 

Raphael Guerreiro - Regressou em boa hora ao nosso onze titular após os problemas musculares que o afectaram. Foi um dos melhores em campo. Fechou bem o flanco e foi mais atrevido do que Cédric na manobra ofensiva. Grande tabelinha com Adrien aos 44'. E um centro perfeito aos 50': funcionou como assistência para o golo de Ronaldo.

 

Danilo - Substituiu William, ausente por acumulação de cartões. Começou algo intranquilo, deixando-se ultrapassar de quando em vez, mas melhorou a prestação à medida que o jogo aquecia. Essencial no processo defensivo, em que soube impor o físico. Quase marcou aos 78': o guardião galês segurou a bola junto à linha de golo.

 

Adrien - Neutralizou Allen no corredor central, condicionando-lhe a acção ofensiva: exerceu pressão constante e nunca desistiu da luta pela bola. Protagonizou o melhor lance da primeira parte, aos 44', num grande cruzamento para a cabeça de Ronaldo. Excelente recuperação aos 78': serviu Danilo e o golo esteve quase a acontecer.

 

Renato Sanches - Voluntarioso e com rasgos ocasionais, teve no entanto a sua mais apagada prestação neste Europeu. Nem sempre acertou nos passes e foi várias vezes ultrapassado junto à lateral direita: o processo defensivo ainda não é o seu forte. Arriscou o remate aos 73', mas atirou para a bancada. Saiu no minuto seguinte.

 

João Mário - Nova missão de sacrifício do médio, mais habituado a fazer incursões da linha para o meio. Cabia-lhe resguardar o flanco, numa segunda linha defensiva, tal como Renato na ala oposta. Fez uma boa tabelinha com Cristiano Ronaldo aos 16', rematando ao lado. Falhou uma recarga aos 65', com a baliza à sua mercê.

 

Nani - Exibição com duas faces. Mal se deu por ele no primeiro tempo, mas foi crucial no segundo ao apontar o golo que carimbou a nossa vitória e deu tranquilidade à selecção. Confirma-se: é intuitivo como poucos dentro da área quando joga de trás para a frente. Forte remate aos 65', bem colocado: novo sinal de perigo. Saiu aos 87'.

 

Cristiano Ronaldo - Com um golo soberbo abriu o triunfo português. E vão três no Euro 2016 e nove nas fases finais de Europeus, igualando a marca de Platini em 1984. Alvo de um penálti não assinalado aos 10'. Participou na construção do segundo golo. Podia ter marcado o terceiro de livre, aos 63': falhou por pouco. O melhor em campo.

 

André Gomes - Entrou em campo já com o resultado feito, rendendo Renato Sanches aos 74'. Pedia-se-lhe apoio ao processo defensivo e tentativa de criar situações de desequilíbrio na manobra ofensiva. Desempenhou com zelo - embora sem brilho - ambas as missões.

 

João Moutinho - Substituiu o fatigado Adrien aos 79' com a missão de continuar a estabelecer a ligação entre as linhas portuguesas mantendo o nosso controlo da faixa central, o que obrigava os galeses a transferir para as alas todo o processo ofensivo. Cumpriu.

 

Quaresma - Só entrou aos 87', rendendo Nani e deixando a impressão de que poderia ter entrado mais cedo. Mas ainda chegou a tempo de pôr a defesa do País de Gales em sentido com a sua capacidade de vencer confrontos individuais em áreas de alto risco para a equipa adversária. Associou-se com mérito à vitória.

 


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05 Jul 16
A magia do futebol
Pedro Correia

Se há um mês nos dissessem que íamos disputar uma das meias-finais do Euro 2016 com o País de Gales tenho a certeza de que ninguém acreditaria. Ninguém.
A magia do futebol também passa por isto.


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28 Jun 16

Relembro a minha análise do quinto jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Donetsk (Ucrânia), frente à Espanha, campeã europeia em 2008 e mundial em 2010, em desafio das meias-finais da competição. Uma partida só resolvida, após prolongamento, através de pontapés da marca de grande penalidade. Ficávamos assim pelo caminho mas saíamos de cabeça erguida, figurando entre as quatro melhores selecções europeias, numa competição que voltaria a ser ganha pelos espanhóis.

Cento e vinte minutos de jogo não bastaram para haver golos: o empate a zero prevaleceu. Nos penáltis, saímos derrotados por 2-4. Fez ontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: atento.

João Pereira: voluntarioso.

Bruno Alves: duro.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: perigoso.

Miguel Veloso: eficaz.

Raul Meireles: pressionante.

João Moutinho: influente.

Nani: talentoso.

Cristiano Ronaldo: perdulário.

Hugo Almeida: apagado.

Nélson Oliveira: inócuo.

Custódio: disciplinado.

Varela: tardio.

 

O melhor: João Moutinho.

 

Conclusão

«Pela quarta vez, Portugal atingiu as meias-finais de um Campeonato da Europa. E pela terceira vez ficamos pelo caminho. Mas desta vez com uma satisfação suplementar em comparação com o que ocorreu em 1984 e 2000: não fomos derrotados em campo, apenas a lotaria dos penáltis nos impediu de ir à final em Kiev.»

 

Notas adicionais

«A selecção tem um problema de raiz, por ausência de um ponta-de-lança clássico. Curiosamente, os espanhóis qualificaram-se para a final também sem um jogador nessa posição enquanto titular.»

«Nelson Oliveira não devia ter entrado. Está demasiado "verde" (sem ironia...) para o efeito. Não por acaso, Jorge Jesus nunca o colocou a titular ao longo do campeonato, onde - salvo erro - entrou apenas em três jogos incompletos.»

«Gostei muito da prestação da equipa portuguesa neste Euro 2012 desde logo por ter sabido fazer das fraquezas forças, contrariando todos os comentadores encartados. Nenhum deles - sublinho: nenhum - anteviu que a selecção fosse tão longe.»


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24 Jun 16

Relembro a minha análise do quarto jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Varsóvia, frente à República Checa, já nos quartos-de-final da competição. Uma partida bem disputada, em que dominámos e saímos como justos vencedores.

Cristiano Ronaldo esteve novamente em foco, apontando o golo solitário da nossa vitória, que Petr Cech não conseguiu travar. Fez anteontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: resistente.

Bruno Alves: sólido.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: veloz.

Miguel Veloso: discreto.

Raul Meireles: eficaz.

João Moutinho: incansável.

Nani: influente.

Cristiano Ronaldo: combativo.

Helder Postiga: lesionado.

Hugo Almeida: cumpridor.

Custódio: disciplinado.

Rolando: nada a dizer.

 

O melhor: Cristiano Ronaldo.

 

Conclusão

«Os checos, apesar de terem descansado mais 24 horas dos que os portugueses, mostraram condição física muito inferior. E nunca revelaram soluções tácticas para romper a muralha defensiva portuguesa. À medida que a selecção de Paulo Bento ia progredindo no terreno, tornava-se evidente qual era a selecção que passaria às meias-finais. Só faltava afinar a pontaria à frente: Cristiano Ronaldo, repetindo o que já sucedera contra a Holanda, voltou a rematar duas vezes ao poste.»

 

Notas adicionais

«Foi claríssimo o domínio da selecção portuguesa. A segunda metade do jogo resume-se praticamente a isto: Portugal a construir jogadas de ataque e os checos a procurar evitar o golo. Evidente superioridade portuguesa, que peca apenas por não se traduzir em mais golos.»

«Esta selecção tem vindo a demonstrar que, em termos colectivos, é uma das nossas melhores de sempre

«Hugo Almeida é muito superior a Nélson Oliveira, único jogador a quem o comentador Rui Santos tem dispensado rasgados elogios. Paulo Bento fez bem em não lhe dar ouvidos, deixando-o desta vez no banco.»


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20 Jun 16

Este bem podia ser um texto sobre os efeitos da nata dos pastéis de Belém à bulha com os efeitos da farinha dos lados de carnide. Mas é mais uma reflexão sobre o adepto português e vá... ser lampião. O velho do Restelo é uma personagem popular, presente n'Os Lusíadas. Este velho não acredita na fortuna dos navegadores portugueses, acha que vão falhar. Não vão conseguir. Talvez no seu pensamento afundassem a uns escassos metros da costa. Contudo, olho este personagem de uma perspectiva diferente. Uma coisa é o que diz, e outra o que pensa. Tão certo no português, como o Camões ser cego de um olho. E esta é uma bela comparação. Acabamos por não ver bem a realidade onde vivemos. O olho bom faz-nos achar que isto vai ser a bela de uma desgraça. O olho da pala é aquele que nos permite imaginar, o que representa o sonho que todos temos: o sucesso de Portugal e dos portugueses. A derradeira conquista da grandiosidade. Seja como nação, seja na selecção. A taça de um Europeu ou de um Mundial não é mais do que a revelação do V Império no futebol. A união de todos os povos num plano espiritual que os aproxima - transmutando isto para "futebolês" - a união do mundo do futebol em torno do virtuosismo tão bem patente na alma lusa. É tudo muito bonito, mas duvido que o Camões, o Padre António Vieira, o Pessoa ou o Agostinho da Silva legitimassem esta comparação. Mas a verdade, mutatis mutandis, podemos fazê-la para esta finalidade. Sendo assim, os velhos do Restelo continuam tão actuais sendo necessários no futebol e no quotidiano. São eles que alertam, duvidam, mas no fim esperam conformar-se, dizer que estavam enganados e festejar a glória lusitana. Seja pela conquista d'Além mar, seja pelo excesso de bagagem de um caneco na mala.

E perguntam-se, "que raio tem isto que ver com os velhos de Carnide?". E perguntam bem! Velhos de Carnide é uma figura que arranjei de forma a categorizar o adepto da Selecção com origem e natureza lampiã. Parece doença. Há doutrina que a considera. Eu dou o benefício da dúvida, dado que a minha cor é o verde. Ora o velho de Carnide, sendo adepto lampião, é um tipo eufórico. Acha que ganha tudo antes de jogar. Acha que tem os melhores de sempre. Acha que tudo está conta eles, mesmo quando andam todos a favor. Acha que tem um Deus lá no meio do campo, e como é omnipresente e omnipotente está na calha. Gosta de cantar os primeiros dez minutos e com sorte lá pelo 70 (desculpem, ri-me), ou no final do jogo se estiver a ganhar. Acha que não existe equipa nenhuma comparável à sua. Mas aqui reside o problema. É que isto ocorre constantemente antes de começar uma competição. Assim que se inicia - perdendo ou empatando uns jogos - a euforia dá lugar à depressão, os cânticos aos apupos, os elogios à culpabilização, as manchetes dos jornais a linchamentos em horário nobre. E se é assim no clube, e sendo o clube com mais adeptos, a conclusão é lógica: é assim com a equipa das Quinas. Com algumas nuances, é certo. Porque o ódio torna-se ainda mais visceral quando o Sporting não só é a casa-mãe do melhor jogador do mundo (Cristiano Ronaldo, para os mais esquecidos), como é igualmente responsável pela formação de quase metade da equipa. Eles ficam na bolha deles. Deitam culpas a todos, pensando que faltava o Deus deles a jogar e tudo seria diferente, uma vez que os Deuses dos outros não valem chavo.

Revela-se assim o velho de Carnide - o verdadeiro radical da descrença. O puro adepto bipolar que povoa grande parte de Portugal. Infelizmente é este o retrato da nossa realidade. Engraçado será ver, se formos à final ou caso vençamos o Euro, que estes vão ser os primeiros a encher praças, quando antes andaram a encher-nos os ouvidos de baboseiras. É esta a dualidade permanente em que vivemos. De um lado os velhos do Restelo, talvez a expressão da prudência que nos falta à coragem da aventura. Do outro os velhos de Carnide como expressão da falta de prudência existente e do euforismo acéfalo. Enquanto assim for andaremos entre o céu e o inferno. Faltando "cumprir-se Portugal".


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Relembro a minha análise do terceiro jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Carcóvia (Ucrânia), frente à Holanda. Uma partida que precisávamos de vencer, após a derrota inicial contra a Alemanha e a vitória sofrida frente à Dinamarca.

E assim aconteceu: batemos os holandeses por 2-1, com Cristiano Ronaldo a bisar. Fez no dia 17 quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: determinado.

Bruno Alves: sólido.

Pepe: intransponível.

Fábio Coentrão: veloz.

Miguel Veloso: concentrado.

Raul Meireles: irregular.

João Moutinho: influente.

Nani: incansável.

Cristiano Ronaldo: excelente.

Helder Postiga: perdulário.

Nélson Oliveira: ineficaz.

Custódio: contido.

Rolando: útil.

 

O melhor: Cristiano Ronaldo.

 

Conclusão

«É uma péssima noite para os Velhos do Restelo, que já salivavam na perspectiva de um afastamento da selecção portuguesa do Europeu. Para azar deles, Portugal segue em frente. Com uma merecida vitória sobre a Holanda, equipa que é vice-campeã mundial mas que nada fez na Ucrânia para confirmar este estatuto..»

 

Notas adicionais

«Portugal qualifica-se para a fase seguinte quando todos os críticos disseram inicialmente que este era o grupo mais difícil - o 'grupo da morte'. Vencemos duas equipas desse grupo e fomos derrotados pela margem mínima pela terceira. Balanço muito positivo, pois.»

«Maturidade táctica, espírito de corpo, responsabilidade colectiva, clara superioridade no confronto individual. Foi um jogo emotivo, bem disputado, aberto.»

«Além do jogo, dá-me muito gozo ver depois a cara de enterro de certos comentadores. Um, em particular, não consegue esconder a irritação com esta vitória. O que acaba por ser uma dupla vitória de Paulo Bento, Cristiano e todos os outros.»


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19 Jun 16

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Ainda não sabemos qual será a carreira da selecção portuguesa no Europeu, mas sabemos o nome da empresa que já o conquistou: a Gestifute. Dos onze jogadores que ontem foram titulares contra a Áustria, sete são geridos por Jorge Mendes.

Só escapam Rui Patrício, VieirinhaRaphael Guerreiro e Nani. Por quanto tempo?


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15 Jun 16

Relembro a minha análise do segundo jogo da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Lviv (Ucrânia), frente à Dinamarca. Uma partida que precisávamos de vencer, após a derrota inicial contra a Alemanha.

E assim aconteceu: batemos a equipa nórdica por 3-2, com golos de Pepe, Postiga e Varela. Fez anteontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: seguro.

João Pereira: oscilante.

Bruno Alves: eficaz.

Pepe: rematador.

Fábio Coentrão: contido.

Miguel Veloso: concentrado.

Raul Meireles: irregular.

João Moutinho: influente.

Nani: acutilante.

Cristiano Ronaldo: perdulário.

Postiga: dinâmico.

Nélson Oliveira: imaturo.

Varela: decisivo.

 

O melhor: Nani.

 

Conclusão

«Portugal foi superior. Não devido ao factor sorte, mas devido ao factor competência. Do ponto de vista táctico e do ponto de vista técnico. A selecção demonstrou grande maturidade, física e psicológica. Superou algumas debilidades reveladas no jogo contra a Alemanha com um notável esforço colectivo.»

 

Notas adicionais

«O jogo de hoje comprovou que Varela merece figurar no onze titular.»

«Varela a jogar de início forçaria Paulo Bento a alterar o esquema táctico. Daí a relutância do seleccionador português em efectuar essa alteração. Mas parece-me inegável que o Varela anda com fome de golo, como nenhum outro colega com a provável excepção do Nani.»

«No jogo contra a Holanda os golos poderão dar-nos muito jeito em caso de desempate no nosso grupo, onde as contas começam a tornar-se complicadas...»

«Quanto ao rapaz que anda a ser promovido nas manchetes dos jornais encarnados [N. Oliveira], não merece que gastemos mais espaço a falar dele. Nem é preciso, pois os tais jornais continuarão a encarregar-se disso.»


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10 Jun 16

Relembro a minha análise do jogo inaugural da selecção portuguesa no Euro 2012, realizado em Lviv (Ucrânia), frente à Alemanha. Uma partida em que sofremos uma derrota tangencial, por 0-1. Fez ontem quatro anos.

 

Jogadores

Rui Patrício: atento.

João Pereira: receoso.

Bruno Alves: concentrado.

Pepe: eficaz.

Fábio Coentrão: perigoso.

Miguel Veloso: seguro.

Raul Meireles: fatigado.

João Moutinho: irregular.

Nani: inconformado.

Cristiano Ronaldo: recuado.

Postiga: ineficaz.

Nélson Oliveira: discreto.

Varela: nervoso.

 

O melhor: Nani.

 

Conclusão

«Um pouco mais de ousadia do onze nacional, que jogou quase sempre com grande disciplina táctica, teria bastado para dar a volta ao resultado num desafio em que a selecção nacional dispôs de oito cantos contra apenas um dos alemães.»

 

Notas adicionais

«Se Paulo Bento não mexer na equipa que perdeu contra a Alemanha, arrisca-se a uma nova derrota.»

«Por mim, apostaria em colocar Varela como titular no lugar de Postiga já no jogo contra a Dinamarca.»

«Se Paulo Bento for sensível à pressão mediática, inclui o Nélson Oliveira no onze inicial. Há muito que não via tantos jornais puxarem ao mesmo tempo por um jogador. Veremos se ele é permeável às pressões.»

«A finalização é o maior problema do onze nacional, como ficou de resto bem patente no Mundial da África do Sul, em que disputámos quatro jogos e não marcámos nenhum golo em três deles.»

«Já estou a torcer pela vitória de Portugal contra a Dinamarca. Está perfeitamente ao nosso alcance.»


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02 Jul 15

 

Bernardo Silva confirmou aquilo que muitos suspeitavam. Não se sentiu confiante para marcar um penálti na final do Euro Sub-21. 

Cherba resume o acontecimento com um muito sugestivo: o craque borrado. Pessoalmente, acho que essa etiqueta não cola ao jogador.

Não deve ser nada fácil assumir a responsabilidade de marcar um penálti numa final com a importância que teve a final do Euro Sub-21. Não basta ter o jeito para marcar, é preciso ter a "confiança" para bater a bola imune à pressão vinda do público ou ao guarda-redes adversário que se agiganta e faz a baliza parecer muito pequenina.

Bernardo Silva, uma das estrelas maiores da Selecção, não se sentiu com confiança e disso deu conta ao treinador. Foi humilde. Não se pode exigir a um jogador, por muito estrela da equipa que seja, que marque um penálti quando, garantidamente, não se sente em condições para tal, sejam físicas ou psicológicas. 

Marcar penáltis não é apenas uma questão de coragem. É, também, uma questão de «grupo». Nenhum jogador deve colocar o seu capricho ou interesse pessoal à frente do interesse do grupo. Se não se sente em condições, pois que seja outro colega a marcar. O contrário é que seria borrar a pintura.


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01 Jul 15
Mão dormente
Luciano Amaral

Confesso que, primeiro, não percebi o signficado deste post do Pedro Oliveira. Mas depois vi os comentários, bem como os comentários a este post n'O Artista do Dia e percebi. Resumo: por incrível que pareça, para grande número de benfiquistas, o Portugal-Suécia em sub-21 de ontem não foi um Portugal-Suécia mas um Benfica-Sporting, porque na selecção da Suécia joga um tipo que anda há dois anos na equipa B do Benfica, e o Benfica ganhou ao Sporting. É retorcido? Não para a gloriosa imaginação destes petiscos.

 

Agora um conselho: meus amigos, a masturbarção é uma actividade nobre, sim senhor, mas há motivos melhores do que o Benfica (e o Sporting, na realidade) para a praticar em público.


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15 Nov 14

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Estava ontem a ver o jogo da selecção frente à Arménia (com um número simpático de espectadores no estádio do Algarve, cerca de 21 mil) quando me imaginei a acompanhar com atenção uma daquelas partidas em que o Sporting pressiona o tempo todo e acaba por não desatar o nó que lhe é imposto por um adversário que estaciona o autocarro defronte da baliza.

Neste jogo pelo menos o nó acabou por ser desfeito. Pelo "suspeito" do costume, Cristiano Ronaldo, que marcou o seu 23º golo com a equipa das quinas num desafio do Campeonato da Europa - parece que estabeleceu novo recorde com esta marca.

Mas o herói da partida acabou por ser alguém que saltou do banco: Ricardo Quaresma, autêntico pronto-socorro da selecção que enquanto suplente utilizado acaba por ser a chave da solução de que Portugal necessitava pelo segundo jogo consecutivo (o primeiro foi na partida anterior, frente à Dinamarca).

E voltei a pensar no Sporting, enquanto melhor escola de formação de extremos do mundo: Quaresma e Cristiano, frutos desta escola, continuam a demonstrar enormes atributos neste sector que são de uma utilidade extrema (o adjectivo neste caso impõe-se) ao serviço da selecção nacional.

 

A vitória portuguesa neste jogo em que defrontou uma linha defensiva arménia composta por cinco elementos não tem discussão. Mas foi um triunfo sofrido, como tantos que têm acontecido ao Sporting.

Nós, adeptos leoninos, sabemos avaliar bem isto.

Confesso que, por absoluta falta de paciência, ontem não escutei um só minuto das perorações dos pseudo-especialistas de sofá que acampam nos ecrãs televisivos durante horas a fio após as partidas de futebol. São raros aqueles que respeito, são raros aqueles com quem aprendo alguma coisa. Quando escuto a maioria deles nestas intermináveis rondas televisivas quase sempre dou por mim a pensar que se tratou de tempo desperdiçado.

Falo, portanto, apenas pelo que vi - não pelo que ouvi.

 

E o que vi?

O jogo foi feio. Houve demasiado chuto pr'ò ar, houve demasiados passes falhados. Só uma equipa em campo ambicionou a vitória. Só uma equipa fez tudo para vencer. Houve duas grandes penalidades por marcar - Portugal foi prejudicado em ambas as ocasiões.

Fernando Santos parece um treinador com sorte: conseguiu seis pontos em dois jogos à frente da selecção. A estrelinha voltou a sorrir-lhe ontem mal operou as substituições, fazendo entrar Quaresma para o lugar de Danny: decorridos dois minutos, aos 71', o extremo criativo que só Lopetegui parece não admirar inventou o lance de que resultaria o golo.

 

Gostei muito da estreia de Raphael Guerreiro como lateral esquerdo - melhor do que Eliseu nesta posição que tem o lesionado Fábio Coentrão como titular. O jovem lusofrancês (que mal sabe falar o nosso idioma, ao que dizem os jornais) revelou concentração, ousadia e notável destreza técnica. Coube-lhe lançar o primeiro ataque com perigo da selecção logo nos instantes iniciais, em cruzamento para Danny.

Bosingwa, mais contido nas incursões pelo flanco oposto, é um regresso que se saúda - outro regresso impulsionado por Fernando Santos - quatro anos depois. Acho muito bem: não pode haver castigos perpétuos na selecção.

Éder jogou pela 15ª vez com a camisola das quinas mas continua sem marcar o golo de estreia: já parece sina. O melhor que conseguiu foi desta vez, com uma bola ao poste.

 

E os nossos?

Rui Patrício fez um par de boas defesas confirmando a sua classe. Nani foi um dos melhores, em articulação permanente com Ronaldo: participou na jogada do golo e ainda chegou a mandar uma bola à barra. Saiu de campo sob uma merecida ovação do público, dando lugar a William Carvalho, que também cumpriu na sua missão de tornar mais povoado e consistente o nosso meio-campo.

E agora que venha o jogo de terça-feira, contra a Argentina. É a feijões, mas tem um condimento único: o duelo Messi-Cristiano Ronaldo.

 

Avaliação dos jogadores:

Rui Patrício (7) - Seguro

Bosingwa (6) - Eficaz

Pepe (5) - Discreto

Ricardo Carvalho (7) - Sólido

Raphael Guerreiro (7) - Ousado

Tiago (6) - Atento

Moutinho (7) - Combativo

Danny (6) - Irregular

Nani (8) - Irreverente

Cristiano Ronaldo (8) - Influente

Helder Postiga (5) - Irrelevante

Éder (6) - Esforçado

Quaresma (8) - Criativo

William Carvalho (6) - Consistente

 


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06 Jul 12

 

Com uma bem-disposta vénia a este nosso leitor.


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05 Jul 12

No princípio era Scolari. Já o seleccionador brasileiro que conduziu Portugal a vice-campeão europeu e ao quarto lugar no Campeonato do Mundo se havia retirado um ano atrás e ainda Rui Santos lhe apontava o dedo acusador em Setembro de 2009. Era a melhor maneira de afastar responsabilidades do seu amigo Carlos Queiroz, que conduzia rapidamente a selecção nacional ao descalabro. Sem vencer um só jogo em casa na atribulada campanha para a qualificação do Mundial de 2010, com opções tácticas que ninguém entendia, sem controlo no balneário, Queiroz andava à deriva. Mas o amigo comentador, sem o beliscar, limitava-se a chutar para trás: «Quando Scolari abandonou Portugal os sintomas de uma certa degradação qualitativa eram evidentes.»

 

Depois de uma lamentável presença na África do Sul da qual excluiu o sportinguista João Moutinho, com a selecção portuguesa sem marcar em três dos quatros jogos disputados, Queiroz iniciou da pior maneira a campanha para o Euro 2012. Com um empate em casa (4-4) com o modestíssimo Chipre, em Guimarães, a que assistiram só nove mil pessoas. Soaram as campainhas de alarme: após a euforia da era Scolari, os portugueses estavam divorciados da selecção.

 

E Rui Santos, criticava enfim o seleccionador? Nada disso: «Temos que responsabilizar os jogadores», acusou. E aproveitava até esta derrota para lançar o nome de Queiroz como futuro presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Porquê? «Carlos Queiroz pensa o futebol, em termos de organização, como poucos em Portugal.» Nunca o Tempo Extra foi tão extraordinário.

 

A campanha prosseguiu da pior maneira, com uma derrota na Noruega. Cinco pontos perdidos nos primeiros dois jogos, três anúncios de retirada precoce da selecção: Deco, Paulo Ferreira e Simão Sabrosa haviam anunciado que não voltariam a vestir a camisola das quinas. Eduardo, o guarda-redes titular, parecia uma sombra de si mesmo. Nani fora afectado por uma estranha lesão, nunca bem explicada. E Cristiano Ronaldo, sem esconder a desmotivação, causara alguns desmaios no clube de fãs do seleccionador com uma frase letal: «Perguntem ao Queiroz.» Queria dizer: perguntem-lhe pelas derrotas, claro. Só Rui Santos não perguntou.

 

Acossado, o seleccionador sacudia a água do capote: «Tendo em conta a estrutura amadora da Federação, as coisas correram muito bem [na África do Sul]», disparou Queiroz. Era a versão que lhe convinha. Mas não pegou.

 

O desnorte do seleccionador era tanto que chegou a dizer isto: «Portugal não merece ganhar um campeonato do Mundo.» Uma frase impensável na boca de qualquer outro responsável do futebol nacional. Convém ter memória.

 

Imperou enfim o bom senso: Queiroz foi afastado. E Paulo Bento não tardou a ser escolhido para o seu lugar, conduzindo uma boa campanha para o Euro 2012. Tudo mudou. Logo com vitórias contra a Islândia e a Dinamarca (ambas por 3-1). O novo seleccionador reabilitou Moutinho e Carlos Martins, convocou João Pereira, recuperou Cristiano, Nani e Postiga. Os portugueses aplaudiam.

 

Voltámos a ter selecção nesse mês de Outubro de 2010. Ronaldo falava por todos os jogadores ao dizer isto: «Tem sido bom trabalhar com Paulo Bento e isso reflecte-se no campo." Percebia-se bem.

 

Todos com Paulo Bento? Não. Havia quem lamentasse a saída de Queiroz. Quem? O mesmo que tempos antes, quando Portugal sofreu uma humilhante derrota frente ao Brasil, fechava os olhos a todas as evidências continuando a enaltecer o seleccionador amigo. Com frases assim: "Eu não duvido nunca das capacidades de Carlos Queiroz"; "Carlos Queiroz faz muita falta ao futebol português"; "É um treinador necessário a qualquer federação de futebol do mundo." Quase a roçar a idolatria.

 

Quem então falava deste modo, abdicando do espírito crítico, hoje diz coisas como estas: «Paulo Bento tem um modelo de jogo muito conservador»; «Esta selecção não é a única do futebol português»; «Nós não ganhámos nada. Se o Paulo Bento pensa que o futebol começou com ele, está muito enganado».

Em termos de coerência ficamos definitivamente conversados.


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04 Jul 12

Rui Santos falou sempre em tom muito crítico nas apreciações que foi fazendo à equipa portuguesa ao longo do Euro 2012. Mas abriu uma notória excepção: sobre Nélson Oliveira falou sempre bem. De tal maneira que nunca regateou um elogio ao jovem avançado do Benfica. O entusiasmo era tanto que só ele viu o que mais ninguém conseguiu vislumbrar.

É caso para lhe gabarmos a coerência. Mas nada mais há para gabar. Porque o Nélson Oliveira que deslumbrou Rui Santos não chegou a comparecer nos relvados deste Europeu. Não jogou bem nem mal - foi simplesmente irrelevante. Varela, que esteve menos tempo em campo, teve oportunidade de marcar um golo e falhar outro que tentou marcar. O jovem que tanto elogio mereceu ao quilométrico comentador da SIC Notícias nem andou lá perto. Percebeu-se melhor por que motivo Jorge Jesus nunca o colocou a titular durante o campeonato: pode vir a ser um jogador de grande nível mas por enquanto não passa de uma simpática promessa.

Não é assim, Rui Santos?

 

Parece que não.

Já a 9 de Junho, nos estúdios de Carnaxide, o seu entusiasmo era incontrolável logo após o jogo contra a Alemanha: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor.» O raciocínio é tortuoso e até paradoxal, mas percebe-se a ideia. Faltou apenas sustentá-la em factos.

A 13 de Junho, consumada a vitória contra a Dinamarca, parafraseou-se a si próprio. Nos mesmos termos paradoxais: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já neste momento o melhor ponta-de-lança português.» Em perfeito contraste (pasme-se) com os centrocampistas. «Sobretudo ao nível do meio-campo, há muito tempo que não tínhamos tanta falta de bons jogadores», afirmou no mesmo canal televisivo. Lançando um anátema simultâneo sobre Miguel Veloso, Raul Meireles e João Moutinho. Alguma lógica nisto? Absolutamente nenhuma. Mas tanto faz.

 

Ficaram por aqui os hossanas ao miúdo? Nem pensar. A 17 de Junho, consumada a vitória portuguesa sobre os holandeses, Santos insistia. Proclamando isto: «Eu sou um fã do Nélson Oliveira. Gosto muito do Nélson Oliveira.» E mais isto: «Nélson Oliveira é de facto um jogador que dá uma outra cara ao ataque português. Com ele o nosso ataque transforma-se.»

Cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta. Deixo só uma perguntinha em jeito de remate: lembram-se quantos golos o "melhor ponta-de-lança português" marcou neste Europeu? Isso mesmo: não marcou nenhum.

 


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03 Jul 12

 

«Há melhores equipas [do que a portuguesa]. Algumas já ficaram para trás.»

Rui Santos, SIC Notícias, 17 de Junho

 

Às vezes questiono-me: e se o Rui Santos fosse seleccionador nacional? Certamente a equipa portuguesa não se teria apresentado em campo «com uma boa táctica mas falhando a estratégia», como ele considera que ocorreu no nosso jogo inaugural do Euro 2012, contra a selecção alemã. Faríamos mais e muito melhor do que fizemos nos últimos 12 anos, em que "só" marcámos presença em três meias-finais dos quatro Campeonatos da Europa entretanto realizados - em 2000, com Humberto Coelho ao leme da equipa, em 2004, com Scolari, e agora com Paulo Bento - e chegámos à final "apenas" uma dessas vezes, em 2004.

 

Dizem que Santos da casa não fazem milagres. Mas com o Rui seria diferente. Em vez de uma selecção onde «não há uma qualidade excepcional» já teríamos ido mais longe. O título europeu seria nosso, talvez até o título mundial. Se os espanhóis alcançaram semelhante proeza porque não nós também?

Paulo Bento devia ter escutado os conselhos dele na SIC Notícias antes daquele jogo contra os alemães, em que os então vice-campeões da Europa nos derrotaram por uma marca impensável: 0-1. O problema foi rapidamente detectado pelo arguto comentador: «Tivemos uma selecção horizontal e o Fábio Coentrão foi o único que teve um futebol vertical.» Simplesmente genial.

 

No jogo seguinte, a selecção nacional precisaria de «um sistema alternativo» para levar os dinamarqueses de vencida. Nada do 4-3-3 posto em prática pelo «sargentinho» que comanda desde 2010 a equipa nacional.

«Eu apostaria no Miguel Lopes para lateral-direito, encostaria o Miguel Veloso na esquerda e adiantaria o Fábio Coentrão para a frente, o Custódio seria uma boa opção para ser o médio eminentemente defensivo, o Raul Meireles, o Fábio Coentrão e o Nani a jogarem atrás dos pontas-de-lança que deveriam ser o Ricardo Quaresma e o Cristiano Ronaldo.» Tudo diferente do que se passou. Ou quase: pois Santos, condescendente, manteria Rui Patrício na baliza, assim como a dupla de defesas centrais.

E João Moutinho, que se revelou um dos melhores portugueses neste Europeu? «Moutinho desapareceria», alivitrou o sábio comentador, na pele de treinador de bancada, antes do jogo contra a Dinamarca. Sabendo de antemão, conforme confessou, que o «conservador» Paulo Bento não lhe daria ouvidos, optando pelo onze que perdeu com a Alemanha. «Um erro», a seu ver.

Mas a realidade tem o condão de perturbar as teorias, por mais excelentes que pareçam. Afinal o jogo correu bem a Portugal: acabámos por derrotar (3-2) os dinamarqueses, que antes tinham ganho à Holanda.

 

Ainda hoje me interrogo como conseguimos esta e outras vitórias sem Miguel Lopes a lateral-direito, sem Miguel Veloso a lateral-esquerdo, sem Coentrão adiantado, sem Custódio no lugar de Moutinho e sem Quaresma no lugar de Postiga.

O «sargentinho» tem muita sorte...


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02 Jul 12

Devemos ter visto dois Campeonatos da Europa diferentes, o Rui Santos e eu. Só isto explica a minha perplexidade ao ler o texto que ele publicou na passada sexta-feira no diário Record (sem hiperligação disponível). Um texto que, logo pelo título, deixava adivinhar todo o seu propósito: «... E, então, as charretes?!» Tanto sinal gráfico - reticências, um par de vírgulas, ponto de interrogação seguido de ponto de exclamação - para dizer tão pouco. A intenção do autor, como fica bem claro logo nas primeiras linhas, é desvalorizar o que os jogadores e a equipa técnica da selecção nacional conseguiram no Euro 2012. Esquecendo-se ele da grelha de análise que utilizou para avaliar o desempenho português no Campeonato do Mundo da África do Sul, quando o seleccionador era outro. Mas essa comparação fica para outro texto a publicar aqui no decurso desta semana...

 

O texto está repleto de falácias, na habitual lógica de "achismo" cultivada pelo autor, que demasiadas vezes considera dispensável alicerçar as suas opiniões em factos. Eu acho que isto, eu acho que aquilo...

Felizmente não falta comentário de qualidade nos órgãos de informação portugueses para o público poder separar o trigo do joio. Reparem no que Rui Santos, de dente afiado e em estilo jocoso, se apressou a escrever logo a 7 de Junho, 48 horas antes da nossa tangencial derrota frente à selecção então vice-campeã da Europa, a Alemanha: «Lá fomos então, com o folclore do costume, rumo ao Euro’2012. Partimos em ambiente de festa e euforia, como se tivéssemos chegado com um troféu na bagagem. O circo montado, com o melhor pano na tenda, e o país pendurado na asa do avião. (...) Não é fácil combinar excursionismo com profissionalismo. Esta direcção da FPF ainda não fez nada que travasse a ideia de que, para os jogadores, a Selecção Nacional não é mais do que o recreio dos clubes. E a culpa não é totalmente deles, que são induzidos a pensar assim.»

 

Que quereria ele dizer com isto no próprio dia em que Portugal regressava a um dos maiores palcos do futebol mundial? Estaria a confundir esta presença portuguesa na fase final do Europeu com a desastrosa campanha de qualificação conduzida inicialmente por Carlos Queiroz, o técnico que ele mais admira? Só o próprio comentador saberá responder. O facto é que, no rescaldo do desafio da meia-final, após a selecção das quinas ter chegado muito mais longe do que ele imaginara, Rui Santos escreve um dos artigos mais lamentáveis da sua carreira (o tal com as charretes em título).

Escreve o quê?

Isto: «Portugal foi eliminado pelos espanhóis. Sem mácula, em razão da melhor meia hora de tempo extra realizada pelo adversário. Nada de surpreendente, pois.» Quem não tenha visto o jogo é capaz de acreditar. Sem saber que Portugal foi eliminado só nas grandes penalidades após o prolongamento...

E isto: «Ser a quarta melhor equipa da Europa representa 'missão cumprida' e um estímulo para o futuro. Mas nada mais senão isso. Os excessos à chegada foram iguais aos excessos da partida.» Não sei onde foi ele buscar essa despromoção portuguesa ao quarto posto: como não há jogo para atribuição dos lugares 3º e 4º, Portugal ficou ex-aequo em terceiro, juntamente com a Alemanha.

E ainda isto: «Portugal fez um Campeonato da Europa muito positivo, mas longe do brilhantismo que nos querem agora impingir.» Ser a terceira melhor selecção da Europa não basta para este mestre do comentário esférico lhe reconhecer brilhantismo.

 

Eis o ruissantismo no seu melhor. Ou pior, conforme as opiniões.

A quilómetros de distância do que Santiago Segurola, um dos mais prestigiados jornalistas desportivos espanhóis, escreveu na diário Marca: "Portugal é uma equipa admirável pelo seu rigor táctico, o seu impressionante desempenho atlético e a sua velocidade, representada especialmente por Cristiano Ronaldo e Nani, duas balas em cada extremo do campo."

Ou do que escreveu Bruno Prata, hoje mesmo, no jornal Público: «Depois de ontem se ter visto a demonstração de superioridade da 'Roja' no Estádio Olímpico de Kiev, ficou claro que a verdadeira final foi o Espanha-Portugal, o que é o melhor elogio que se pode fazer à equipa treinada por Paulo Bento. De facto, ninguém como a selecção portuguesa foi capaz de criar tantos problemas à campeoníssima Espanha.»

Sob um título que diz tudo: «A verdadeira final foi com Portugal».

Avisem o Rui Santos, por favor. Tenho a impressão que só ele não percebeu. Talvez por andar demasiado preocupado com as charretes.


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A triste e desmedida decisão de Michel Platini e do Executivo da UEFA de aumentar a prova para 24 equipas, destruindo, por essa via, o actual formato que tanto sucesso tem tido, aterrorizou prontamente os mais «cognoscenti» do jogo e, com o passar do tempo, está igualmente a penetrar a consciência pública. Em 2016, na França, todos os candidatos adicionais serão do calibre da República da Irlanda - a única equipa que demonstrou estar fora do seu «milieu» nesta competição - em vez de serem países como a Rússia, a Croácia e a Ucrânia, que apesar de não teram passado a fase de grupos, deram provas de que têm valor para contribuir significativamente para a estrutura qualitativa do Campeonato Europeu. O novo formato implica seis grupos de quatro equipas, com os primeiros dois classificados de cada grupo e os melhores quatro terceiros a qualificarem-se para os oitavos-de-final. O total de jogos passará para 51, comparados aos actuais 31, durante o mesmo período de 29 a 31 dias.

A diluição do espectáculo é inevitável. A fase de grupos será semelhante à da Liga dos Campeões, com excesso de «população» e insuficiência de talento futebolístico. Pelo sorteio, não será necessário um "expert" para prever quais os países que passarão para a fase seguinte. E tudo isto para que fim?... Não será, com certeza, para o enobrecimento da segunda mais importante competição do mundo, mas sim para tornar mais «apetitoso» o pacote de dividendos para os usuais «proxenetas» de fato e gravata - em alguns casos de saia e lenço de seda - ávidos pela «pescaria» suculenta.

O que tudo isto significa é que estamos perante o fim do tipo de campeonato que não serve apenas para preencher tempo e espaço entre a publicidade televisiva. O tipo de campeonato que galvaniza multidões por esse mundo fora, pela sua beleza, competitividade e imprevisibilidade. Estas considerações que a UEFA desvaloriza desatentamente, é mais do que negligência, é mais do que não compreender tudo o que é mais gracioso do jogo, com beleza sem ímpar, até génio, quando a oportunidade lhe é concedida. É, no final das contas, uma falha de enormes proporções em reconhecer como o futebol melhor pode existir e como tão subitamente se o pode colocar em grave risco.

 

Adenda: já depois de ter preparado este texto, Michel Platini anunciou a decisão do Comité Executivo da UEFA de modificar novamente a estrutura operacional do Euro. A partir de 2020, a competição deixará de ser realizada em apenas um ou dois países e pode vir a ser disputada em 12 ou 13 cidades espalhadas pela Europa. Em termos logísticos, e não só, é de antecipar acrescidas complicações para as equipas, mas ficou por explicar qual o exacto intento desta alteração e os supostos benefícios para os intervenientes e, sobretudo, para o futebol.

 

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Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 


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01 Jul 12

O presidente da FIFA, como o Rui Gomes já aqui assinalou, lembrou-se agora de criticar o recurso aos penáltis como forma de decidir qualificações para fases seguintes de torneios ou mesmo a conquista de alguns dos mais prestigiados troféus internacionais no futebol. Salvo melhor opinião, Joseph Blatter escolheu uma péssima ocasião para o efeito. Diz ele que as grandes penalidades são "uma tragédia" e fazem perder "a essência do futebol enquanto jogo colectivo". É inaceitável que fale assim poucos dias após um dos melhores golos do Campeonato da Europa ter sido marcado precisamente de penálti, pelo excelente Andrea Pirlo, campeão do mundo em 2006, actual campeão de Itália pelas Juventus e um dos mais fantásticos jogadores do Euro 2012, que termina hoje, em Kiev, com o jogo Espanha-Itália.

 

"A arte de jogar com os pés": foi desta forma certeira que El País qualificou o talento de Pirlo, único jogador até agora eleito o melhor em campo em três partidas deste Europeu. As palavras impressas no jornal espanhol, apesar de terem sido escritas antes das declarações de Blatter, parecem ter sido especialmente dirigidas para ele: "Apesar de ser um desporto de equipa (...), o futebol exige um gesto egoísta por excelência, um momento de glória pessoal, uma jogada para a posteridade, a fim de [um jogador] passar à condição de celebridade. Não é nada simples encontrar um momento tão solene e tão íntimo sem atraiçoar a condição de futebolista solidário admirado em todo o mundo."

Pirlo teve o seu momento nesse terceiro penálti contra os ingleses que deu ânimo aos italianos e destroçou psicologicamente a equipa adversária. Segundos antes, a squadra azzurra afundava-se naquele dilacerante embate dos quartos-de-final terminado num empate nulo. Segundos antes, o guarda-redes inglês Joe Hart parecia imbatível. A grande penalidade marcada "à Panenka", que eleva um simples penálti à condição de obra de arte, virou o destino da partida e tornou Pirlo um sério candidato à Bola de Ouro de 2012 (único dos mais cobiçados troféus ainda não conquistado por este ex-campeão europeu pelo Milan que também venceu o Mundial de Clubes em 2007). Tem a certeza de que um penálti é uma tragédia, senhor Blatter?).

 

Mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, Pirlo assume-se como comandante natural da selecção italiana - algo que falha noutras equipas. E voltou a ser fundamental na concludente vitória italiana das meias-finais contra a favorita Alemanha, conduzida à vulgaridade pelos seleccionados de Cesare Prandelli. Nesse jogo, disputado dia 28 em Varsóvia, a Itália não se limitou a ganhar: também deslumbrou pelo seu futebol inteligente e requintado. Com dois grandes golos de Balotelli, na sequência de excelentes passes de Cassano e Montolivo. E poderia ter ampliado a vantagem no festival de golos perdidos ocorrido na segunda parte, com Marchioso e Di Natale a falhar de forma tão clamorosa como Cristiano Ronaldo no último minuto da nossa meia-final disputada com os espanhóis.

Os espanhóis - que o presidente da UEFA, Michel Platini, pretendia desde o início ver na final disputada mais logo no estádio olímpico de Kiev - não terão tarefa fácil contra a equipa que mais tem corrido neste Europeu, sob arbitragem de Pedro Proença. Andrea Pirlo sabe, de facto, pensar com os pés. E consegue pôr o resto da equipa a pensar como ele.

 

Meia-final (jogada quinta-feira): Alemanha, 1 - Itália, 2


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30 Jun 12

 

«Estão de parabéns Paulo Bento e os jogadores que fizeram um 'muito bom' Campeonato da Europa, mas deixem-me estender igualmente essas felicitações a Manuel José, Carlos Queiroz, Luís Figo e Rui Costa. Sem eles, talvez não tivesse sido possível 'unir o grupo' - uma das melhores qualidades reveladas pela Selecção neste Europeu.»

Ontem, no Record


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Mal fica
Pedro Correia

Chamam-lhe A Bolafica. E cada vez mais se percebe porquê. Reparem nesta capa tão patrioteira na sequência da meia-final com Espanha. Qual é o único jogador titular da selecção nacional que não figura na imagem?

Acertaram: é esse mesmo. O jornal faz de conta que ele nem estava lá. Mal fica tão escandalosa omissão.


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29 Jun 12

 

Fértil em imagens iconográficas, este Euro 2012 acaba de fornecer-nos mais uma: o abraço emocionado de Mario Balotelli - herói da meia-final de ontem entre a Itália e a Alemanha, que afastou a equipa germânica do embate final contra a Espanha em Kiev - à sua mãe adoptiva. O futebol é muito mais do que um desporto: este abraço, ganhando a força de um símbolo, adquire dimensão universal.


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27 Jun 12

Pela quarta vez, Portugal atingiu as meias-finais de um Campeonato da Europeu. E pela terceira vez ficamos pelo caminho. Mas desta vez com uma satisfação suplementar em comparação com o que ocorreu em 1984 e 2000: não fomos derrotados em campo, apenas a lotaria dos penáltis nos impediu de ir à final em Kiev. Só nesse instante a Espanha, após 120 minutos de confronto aberto e tenaz em campo, se revelou superior.

Não saímos, no entanto, sem enviar outra bola ao poste. Aconteceu com Bruno Alves, ao desperdiçar na barra da baliza de Casillas uma grande penalidade. Um momento decisivo, que acabou por ditar a sorte do encontro: os espanhóis estarão presentes, já no domingo, na terceira final consecutiva de uma grande competição futebolística internacional.

Portugal sai de cabeça erguida. Com uma defesa praticamente intransponível e um meio-campo que foi subindo de rendimento de jogo para jogo, culminando no desafio de hoje em Donetsk (Ucrânia), que vulgarizou alguns dos principais talentos da selecção adversária (incluindo Xavi e Silva), impedindo a equipa treinada por Vicente del Bosque de praticar o seu habitual rendilhado em campo.

Durante uma grande parte do encontro a equipa portuguesa revelou-se mais coesa, mais homogénea: há muito que os espanhóis não pareciam tão receosos nem jogavam em terreno tão recuado.

Houve uma quebra de rendimento dos portugueses na meia hora de prolongamento contra a equipa campeã da Europa e do Mundo. Del Bosque antecipou-se ao seleccionador português nas substituições. Isso ajuda a explicar a quebra física da selecção nacional nos últimos 20 minutos de um jogo muito exigente, desde logo no plano táctico.

Ficámos por aqui. Mas o balanço é claramente positivo. Só por ignorância ou má-fé alguém pode afirmar o contrário.

 

Portugal, 0 - Espanha, 0 (2-4 nos penáltis após prolongamento)

.................................................

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Esteve a um passo de ter uma noite de glória. Ao defender o penálti de Xabí Alonso, o que nos prometia abrir caminho para a final. Não conseguiu defender mais nenhum. Mas voltou a estar em bom nível, sempre atento entre os postes. Aos 104' deteve o mais perigoso lance de ataque espanhol, que partiu dos pés de Iniesta.

 

João Pereira - Voluntarioso, muito activo, tinha uma missão particularmente difícil ao enfrentar Iniesta - o melhor dos espanhóis. Mas não se deixou intimidar, integrando-se bem na restante muralha defensiva. Ousou menos raides pelo corredor direito do que nos dois jogos anteriores, o que não surpreende atendendo ao valor da equipa adversária. Cartão amarelo aos 64'.

 

Bruno Alves - Muito duro a defender, com a solidez a que já nos habituou mas um pouco mais ríspido do que nos restantes jogos do Euro 2012. Recebeu o cartão amarelo, talvez já tardio, aos 85'. Destacado para os penáltis, partiu para a bola sem confiança, como ficou logo bem patente. De tal maneira que, numa primeira tentativa, Nani antecipou-se e decidiu ser ele a marcar.

 

Pepe - Impediu aos 28' um possível golo de Iniesta. E não falhou quando lhe coube marcar um penálti, no final. Manteve-se praticamente intransponível no comando da linha defensiva portuguesa. Cartão amarelo aos 60'.

 

Fábio Coentrão - Mais uma excelente exibição. Impediu Pedro de marcar aos 113' numa corrida desenfreada que chegou a bom termo. Venceu vários despiques com Arbeloa no corredor esquerdo português e, como é hábito, foi sempre perigoso a atacar. Cartão amarelo aos 45'.

 

Miguel Veloso - Muito eficaz em acções de contenção, soube ocupar sempre bem os espaços no terreno confiado à sua guarda. Cartão amarelo aos 90', o que levou Paulo Bento a substituí-lo por Custódio um quarto de hora depois.

 

Raul Meireles - Cumpriu, uma vez mais, o essencial da sua missão no meio-campo português. Graças a ele, em boa parte, Portugal conseguiu pressionar os espanhóis longe da nossa grande-área. À beira da exaustão, numa partida muito exigente, deu lugar a Varela aos 112'.

 

João Moutinho - O melhor português em campo, numa exibição de antologia. Foi o mais eficaz recuperador de bolas e voltaram a sair dos pés dele alguns dos passes mais perigosos da nossa selecção. Travou inúmeros lances ofensivos dos espanhóis e ganhou quase todos os duelos individuais, contribuindo em grande parte para o apagamento de Xavi. Terminou esgotado. E só foi pena ter falhado uma grande penalidade ao cair do pano.

 

Nani - Despede-se do Euro 2012 sem o golo em lance corrido que bem merecia pelo talento revelado. Mas assinou um tento de honra ao marcar o penálti final numa partida em que voltou a mostrar-se em boa forma embora algo perdulário nos últimos metros do terreno.

 

Cristiano Ronaldo - Esforçou-se muito e também ele acabou esgotado. Este não chegou a ser o jogo da vida dele, mas esteve quase a ser: Ronaldo podia ter marcado no último minuto do jogo quando se isolou à frente de Casillas, seu colega no Real Madrid e provavelmente o melhor guarda-redes do mundo. Este falhanço de algum modo prenunciou o desaire português nas meias-finais. Ronaldo desperdiçou ainda três livres durante o jogo - daqueles que não costuma falhar em Madrid.

 

Hugo Almeida - Um bom remate de longe, aos 57'. E três outros que também saíram fora. Hugo Almeida, que substituiu Helder Postiga como titular no ataque, esteve mais apagado do que se exigia numa partida em que era fundamental marcar. Mas integrou-se bem nas missões defensivas. Saiu aos 81'.

 

Nélson Oliveira - Substituiu Hugo Almeida aos 81'. Protagonizou dois ou três lances inócuos e pouco mais se viu.

 

Custódio - Entrou aos 105' para o lugar de Miguel Veloso. Tacticamente muito disciplinado. Sempre seguro.

 

Varela - Entrou só aos 112' para o lugar de Meireles. Ficou a sensação de que a equipa das quinas teria ganho se entrasse mais cedo. Teve uma boa arrancada pelo lado direito, quatro minutos depois, deixando nervosa a defesa espanhola.


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Lembram-se daquele golo de Cristiano Ronaldo no jogo "amigável" contra Espanha, em Novembro de 2010? Portugal ganhou 4-0, mas houve mais um golo, em condições regulares, muito mal anulado pelo árbitro. Cristiano, de um ângulo quase impossível, chuta no flanco esquerdo da grande área, já muito próximo da linha de baliza, picando a bola que sobrevoa a defesa espanhola e entra na baliza. Nani, que estava em posição de fora-de-jogo, ainda toca na bola, mas já dentro da baliza. Golo invalidado, mesmo assim. Cristiano, numa fúria momentânea, arranca a braçadeira de capitão e atira-a ao relvado. "Os meus melhores golos acabam sempre por ser anulados", desabafaria depois.

Este episódio demonstrou, a quem ainda duvidava, que o melhor jogador da Europa - e única estrela com prestígio mundial presente no Euro 2012 - detesta perder. Mesmo a feijões, como era o caso. É deste Cristiano Ronaldo que precisamos, mais logo, para derrotar os espanhóis - agora num jogo a sério. O Cristiano que detesta perder. O Cristiano que tem a certeza antecipada de ser superior a qualquer adversário (sim, isto inclui o Messi). O Cristiano que já provou o que havia a provar dentro das quatro linhas em termos clubísticos ao sagrar-se campeão pelo Manchester United e pelo Real Madrid.

Mas o Real e o United são tão grandes que qualquer dos seus jogadores se arrisca ali a ser campeão. Aos 27 anos, Cristiano Ronaldo já conquistou quase tudo quanto havia para conquistar. Falta-lhe ainda, no entanto, superar com êxito uma prova futebolística. Ao nível da selecção nacional, nunca ganhou nada. E quer ganhar.

Contra os espanhóis, no jogo de logo, tem uma motivação extra. Porque a Espanha do futebol, como sucede em tudo, está dividida: metade idolatra Cristiano, a outra metade detesta-o e grita "Messi" à sua passagem. Cristiano Ronaldo, ao contrário do que acontece com muitos portugueses, encara cada insulto e cada vaia como um incentivo e um teste suplementar à sua comprovada capacidade de transcender todos os obstáculos.

Dizia ontem o seleccionador espanhol, com manifesto exagero, que este será "o jogo da vida" dos seus jogadores. Não é verdade. Iniesta, Piqué, Silva, Casillas, Ramos e Javí são campeões do mundo. E já se sagraram campeões da Europa há quatro anos. Para eles, este será apenas mais um jogo muito importante. O Portugal-Espanha de hoje será, isso sim, o jogo da vida de Cristiano Ronaldo. O jogo do tudo-ou-nada. O jogo do é-agora-ou-nunca. O miúdo que nasceu numa família muito humilde do Funchal, que se fez atleta e homem na academia do Sporting e ganhou projecção mundial em Old Trafford e no Santiago Bernabéu precisa deste Europeu no seu currículo. E fará tudo para conquistá-lo. Os espanhóis, que o conhecem bem, sentem isso. E não escondem o receio.

Força, Cristiano. Tens um país inteiro a puxar por ti. E até aqueles que do lado de cá te invejam, e que não suportam o teu sucesso, anseiam logo à noite por um golo teu. Para poderem gritar a plenos pulmões: "Ganhámos!"

 

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26 Jun 12
Quem fala assim...
Pedro Correia

«Não foi devido às críticas que chegámos aqui. Foi devido ao nosso trabalho. Senão nem era necessário haver jogos e treinos: arranjávamos um conjunto de artistas para criticar e tudo se resolvia.»

Paulo Bento, há minutos, em conferência de imprensa


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Do oito ao oitenta
António Correia Novais

Isto vai do oito ao oitenta.
No início do Europeu ninguém acreditava na selecção e muito diziam, à boca grande, que não passávamos da fase de grupos.
Hoje assistimos a um histerismo colectivo e à convicção generalizada de que vamos ganhar o Campeonato da Europa.

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25 Jun 12
Talvez se enganem
Pedro Correia

Chamaram-lhe o 'grupo da morte'. E alguns não escondiam o gozo antecipado que lhes dava a "morte" da selecção portuguesa para caírem em cima de Paulo Bento e dos jogadores, a começar por Cristiano Ronaldo. Tiveram azar: seguimos em frente, deixando para trás Dinamarca e Holanda - esta última apontada como favorita por certos especialistas do esférico a rolar sobre a relva. Depois eliminámos a República Checa. Agora teremos pela frente a Espanha, que não esconde o receio perante o embate de quarta-feira.

Mais papistas do que o papa, alguns deles torcem pela vitória espanhola na quarta-feira, mesmo que não o admitam publicamente. Para enfim deitarem cá para fora todos os argumentos que têm silenciado até agora por não se ajustarem à realidade.

Talvez se enganem.


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Podemos dizer, sem favor, que as quatro selecções qualificadas para as meias-finais foram as melhores deste Euro 2012. O que já constitui uma vitória para Portugal. Desde logo, uma vitória contra as aves agoirentas: basta dizer que ainda há seis dias - repito: seis dias - um dos principais comentadores televisivos, recordista do tempo de antena, acusava Paulo Bento de dividir os portugueses e de procurar silenciar as vozes críticas como sucedia "no tempo da Outra Senhora". Se o disparate matasse, este loquaz comentador já tinha caído fulminado durante uma das suas intermináveis prelecções...

 

A República Checa, que eliminámos nos quartos-de-final, merecia ter seguido em frente? Óbvio que não. Pelos motivos que enumerei aqui.

A Grécia mostrou-se capaz de prosseguir na competição? Lamento, mas a resposta é negativa. A Alemanha venceu e convenceu no desafio contra a selecção comandada por Fernando Santos. Por mais que custe reconhecer isto, para evitar dar novas alegrias a Angela Merkel, os alemães são os mais sérios candidatos à conquista do Europeu, como têm demonstrado em campo: até ao momento, a única equipa que só conta com vitórias é a germânica.

 

E a França? Nem é bom falar dos gauleses, eliminados anteontem pelos espanhóis numa partida em que confirmaram estarem demasiado longe os tempos heróicos de Platini e Zidane, já depois de terem levado 0-2 dos suecos. Benzema, a grande vedeta da equipa, despediu-se do Euro 2012 sem ter marcado um golito (ele que marcou 31, na última época, ao serviço do Real Madrid). Quezilentos, divididos, sem categoria nem amor à camisola, pareceram mais apostados em triunfar no campeonato da indisciplina. Nasri insultou jornalistas, Ben Arfa ameaçou ir-se embora se não jogasse. E acabou por partir mesmo - ele e os outros. Sem deixarem saudades.

 

E os ingleses? A selecção do reino de Sua Majestade mostrou-se irreconhecível. Chegou aos quartos-de-final com uma ajuda da equipa de arbitragem no jogo contra a Ucrânia. No decisivo encontro contra os italianos, que fizeram 25 remates, os ingleses limitaram-se a rematar nove vezes e a ter 40% de posse bola. Sem um goleador digno desse nome, levaram um banho de bola no desafio de ontem em Kiev. Com Montolivo em grande nível, Buffon a travar um penálti marcado por Ashley Cole e Andrea Pirlo a confirmar que continua a ser um dos melhores jogadores do mundo. A squadra azzurra só passou no desempate por penáltis após um jogo que terminou empatado a zero (único até agora com esse resultado). Mas mostrou talento suficiente para prosseguir. Ao contrário dos ingleses.

 

Quartos-de-final:

Espanha, 2 - França, 0

Inglaterra, 0 - Itália, 0 (2-4 no desempate por penáltis)


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24 Jun 12

Perante a excepcional exibição de João Moutinho neste Europeu, torna-se ainda mais absurda a decisão tomada há dois anos pelo ex-seleccionador nacional, Carlos Queiroz, que excluiu o então médio do Sporting do Mundial da África do Sul, sublinhando que Danny faria melhor o seu lugar. E, com uma arrogância muito característica, ainda entendeu acrescentar uma frase desdenhosa, própria de quem não sabe enfrentar críticas: "É uma pena que em Portugal não transmitam a Liga russa..."

Trocar Moutinho por Danny: isto diz tudo sobre o critério de Queiroz, que entendeu convocar jogadores como Zé Castro (depois excluído), Daniel Fernandes e Duda. Sem espaço para Moutinho, pois. É uma pena que ande agora a falar em "circos" e nem hesite em insurgir-se contra o "excessivo protagonismo" de Cristiano Ronaldo e da "equipa que anda atrás dele". Indiferente ao facto de a mais prestigiada imprensa internacional chamar ao nosso número 7 gigante e outros epítetos elogiosos, sem dúvida merecidos.

Há homens simplesmente incapazes de conviver com o sucesso dos outros.


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1.º Inglaterra - 1988: A selecção inglesa apresentou-se no Euro como uma equipa temível. Foi logo surpreendida no primeiro jogo pela Irlanda por 1-0 e deu sequência à sua horrível prestação com duas derrotas concludentes, ambas por 3-1, frente à Holanda e à União Soviética.

 

2.º Dinamarca - 2000: No termo da prova, os dinamarqueses tinham um deficiente de -8. Não souberam defender e o ataque não existiu. Perderam por 3-0 tanto com a Holanda como com a França e no último jogo da fase de grupos a República Checa superou-os por 2-0. 

 

3.º Jugoslávia - 1984: Este era um país que sempre produziu grandes jogadores, mas eles eram Sérvios e Croatas e raramente jogavam juntos. A Jugoslávia também terminou a prova com um deficiente de -8, perdendo por 2-0 com a Bélgica, 5-0 com a Dinamarca e 3-2 com a França.

 

4.º Alemanha - 2000: Esta foi a mais infame das prestações germânicas em registo. A Alemanha começou como um dos favoritos mas apenas conseguiu um empate, por 1-1, frente à Roménia, perdeu 1-0 com a Inglaterra, para então ser «martelada» por Portugal (3-0).

 

5.º Bulgária - 2004: Uma equipa que nunca deveria ter participado no Campeonato. A Bulgária marcou apenas um golo na derrota por 2-1 contra a Itália. A Suécia demoliu-a por 5-0 e, para finalizar, mais um marcador em branco frente à Dinamarca, 2-0.

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