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És a nossa Fé!

Cotovelite

Sagrámo-nos campeões da Europa com o nosso guarda-redes titular e o meio-campo do Sporting, potenciado por Jorge Jesus.

E manteremos o título pelo menos até 2020.

 

Daí o desprezo deles pela selecção nacional, bem evidente nas inacreditáveis lamúrias e birrinhas dos últimos dias.

Nunca a cotovelite foi tão aguda.

2016 em balanço (8)

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VITÓRIA DO ANO: FINAL DO CAMPEONATO DA EUROPA

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos trouxe senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

 

Como de costume, não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas. Um desses comentadores destacou-se mesmo por ir criticando sempre a exibição dos jogadores comandados por Fernando Santos.

”A selecção nacional está transformada no clube do Ronaldo”, começou por dizer (19 de Junho) o tal comentador, corporizando todos os Velhos do Restelo cá do burgo. Uma semana depois (26 de Junho) proclamava com gravidade perante das câmaras da estação televisiva que lhe serve de palco: “Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa! Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa!» Dias depois (2 de Julho), assinalava: “Nada do que aconteceu neste Campeonato da Europa deve ser considerado um êxito, bem pelo contrário.” A uma semana do jogo decisivo (3 de Julho), não encontrou nada melhor para dizer senão isto: “Eu só dou grande mérito a Portugal quando ganhar a final.” Ainda antes da final (6 de Julho), torcia pelos nossos adversários: “A França é uma equipa que me encanta.» No fim de tudo (11 de Julho), lá teve de meter a viola no saco, mas resmungando ainda: “A selecção nacional, na final, foi melhor sem Ronaldo do que com Ronaldo.”

 

Indiferente a esta e muitas outras aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

E por que motivo o Euro 2016 figura aqui? Porque nos 23 seleccionados de Fernando Santos havia quatro jogadores do Sporting (todos titulares) e dez formados na nossa Academia.

Motivos redobrados para festejarmos o maior título de sempre do futebol português.

 

Vitória do ano em 2012: meia-final da Liga Europa (19 de Abril)

Vitória do ano em 2013: 5-1 ao Arouca (18 de Agosto)

Vitória do ano em 2014: eliminação do FCP da Taça no Dragão (18 de Outubro)

Vitória do ano em 2015: conquista da Taça de Portugal (31 de Maio)

Eu quero é o Sporting campeão

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1

Faz hoje apenas um mês, a selecção nacional conquistou a nossa maior proeza de sempre no futebol. Uma vitória há décadas sonhada por milhões de portugueses apreciadores da modalidade que mais apaixona o planeta desportivo. E no entanto parece ter já acontecido há bastante mais tempo. E poucas lições terão sido extraídas deste feito inédito, conseguido com dez jogadores formados na Academia de Alcochete, incluindo quatro do actual plantel leonino.

Como se fosse algo banal. Como se isto estivesse sempre ao nosso alcance.

Num país que andou meio século a entoar hossanas a um terceiro lugar num Mundial como se fosse a última coca-cola no deserto, verdadeiro paradigma das "vitórias morais", confesso o meu espanto por esta tentativa de esquecer tão depressa uma vitória bem real.

 

2

Lamento, mas eu não esqueço. 

Quanto mais revejo as imagens dos desafios do Euro 2016, mais me convenço que com Fernando Santos a treinar nunca teríamos perdido em 1984 a meia-final do Campeonato da Europa frente à França de Michel Platini e Alain Giresse. Desperdiçada porque em momentos cruciais vários dos nossos jogadores não souberam segurar a bola nem integrar-se nas missões defensivas que se impunham.
Esta foi também a lição que o Euro 2016 nos transmitiu: o rigor técnico - ter o adversário bem estudado, anular-lhe a manobra ofensiva - é uma componente essencial do futebol moderno.
Porque o futebol também é xadrez, não é só pugilismo, ao contrário do que alguns imaginam.
 
3
Manuel Fernandes, eterno capitão do Sporting, declarou que u
m dos melhores jogos do Campeonato da Europa foi o Alemanha-Itália, que terminou empatado 1-1, ao fim de 120 minutos. Com apenas um golo marcado em lance corrido.
Ele, homem do futebol, sabe bem do que fala. Porque de nada vale a técnica sem a táctica, de nada vale o poderio físico sem a inteligência para utilizá-lo no instante exacto (como Cristiano Ronaldo demonstrou naquela cabeçada certeira contra o País de Gales, que passará a figurar em todas as antologias dos melhores golos de sempre).
 
4
Não por acaso, Portugal teve quatro dos seus jogadores no onze ideal do Europeu.
Não por acaso, Portugal teve dois golos nos cinco melhores do Euro 2016 seleccionados pela UEFA.
Não por acaso, Portugal teve o melhor jogador jovem do torneio.
Não por acaso, Cristiano Ronaldo prepara-se para receber a Bola de Ouro pela quarta vez.

5
Isto não resulta de fé, nem de fezadas. É trabalho continuado, que a Federação Portuguesa de Futebol tem desenvolvido.
Não por acaso, já vencemos quatro europeus sub-16 e três europeus sub-19.
Não por acaso, somos vice-campeões europeus sub-21 (final perdida há um ano, contra a Suécia, por grandes penalidades).
 
6
Isto é produto de um plano rigoroso, de muito esforço, de muito trabalho.
É também produto do bom planeamento desenvolvido nos clubes.
Nunca em Portugal se trabalhou tanto e tão bem no futebol.
Quando Manuel José vem dizer que prefere o tempo em que se "jogava à bola" está a insultar demasiada gente ao mesmo tempo.
Está a insultar alguns dos melhores profissionais que temos em Portugal. Porque em nenhuma outra actividade europeia ou mundial podemos competir tão bem com qualquer outro país como no futebol.
 
7
Quanto ao nosso Sporting: eu quero é vê-lo campeão. Quer jogue bonito ou jogue feio. Esta deve ser, para os sportinguistas, a principal lição a extrair do Europeu que conquistámos.

Quinze anos de jejum já bastam.

Mais uma lição do Euro 2016

Fernando Santos não teve arbitragens isentas no Campeonato da Europa. Ver surripiados três penáltis em sete jogos e ver ainda o melhor jogador inutilizado ao minuto 8 do jogo mais decisivo, sem o agressor ter visto um cartãozinho amarelo, sem sequer ter sido assinalada falta nesse lance, demonstra bem como a arbitragem, fora ou dentro de Portugal, actua cada vez mais como factor lesa-futebol.
E mesmo assim conquistámos o título. Esta foi também uma das lições que o Euro 2016 nos deu: é possível vencer a jogar contra doze. Mesmo que o 12.º jogador use apito.

O bom e o bonito em 2016/2017

Quando faltam poucas horas para vermos em acção o mais importante reforço para a equipa de futebol de 2016/2017, à semelhança de Pedro Correiadeixo aqui o meu voto para esta época futebolística.

Esqueçam a forma empatativa como a selecção de futebol foi campeã europeia e imitem antes a selecção de hóquei em patins.

Um futebol onde se joga para o empate e se espera que um milagre resolva pode ser suficiente para vencer uma competição a eliminar (quando as equipas mais fortes se vão eliminando entre elas. Itália elimina Espanha. Alemanha elimina Itália. França e arbitragem eliminam Alemanha) mas é, manifestamente, insuficiente para se vencer um campeonato.

Vejamos em 7 jogos em França, Fernando Santos conseguiu 9 pontos, vitória com o País de Gales e empates com a outra meia dúzia de equipas que defrontámos; Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia e França.

Como seria num campeonato com 34 jornadas se os resultados fossem iguais?

Ora bem, conseguiria, 43.71 pontos, vá 44, para facilitar as contas, ficaria em nono lugar à frente do Belenenses, atrás de clubes como o Arouca, o Estoril, o Rio Ave e o Paços de Ferreira, com menos 44 pontos (metade, portanto) que o Benfica e com menos 42 pontos que o Sporting. 

O importante reforço que referi acima, é o relvado. Espero que, finalmente, tenhamos um relvado à altura do futebol que gosto de ver praticado, um futebol rápido, com passes de risco, com a bola a ir para extremos colados à linha, mas que não tenham medo de arriscar no um para um, que driblem para o meio e rematem, que não tenham medo de correr com a bola, que não tenham medo de ser felizes. Um futebol bem jogado em todo o campo, na horizontal e não na vertical como os comentadeiros apregoam (a única coisa vertical num campo de futebol são as bandeirolas de canto e os postes de iluminação).

Parafraseando o meu colega Pedro "Quero jogadores que conquistem o campeonato."

Mesmo a jogar bonito.

(ao fim ao cabo todos os sportinguistas querem o mesmo: o Sporting campeão).

 

Descubra as diferenças

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Há por aí um senhor que responde pelo nome de Carlos Janela. Ignoro se foi um futebolista conceituado ou se é um treinador com mérito. A falha só pode ser minha: apenas muito recentemente ouvi falar dele. Não por qualquer mérito revelado no campo desportivo, mas por marcar presença assídua nos estúdios televisivos, sobretudo em dois canais.

Geralmente não presto a menor atenção ao que diz. Mas a insistência dele em bater na selecção nacional - talvez para se fazer mais notado - foi tão forte que tomei a devida nota do que afirmou, na SIC Notícias, em duas ocasiões sucessivas: imediatamente antes da meia-final contra o País de Gales e na véspera da final.

Chamou-me a atenção o tom peremptório em que garantiu aos telespectadores que Pepe jogaria a meia-final. Esta presença seria obrigatória, assegurou, pois o central do Real Madrid é o único elemento do nosso reduto defensivo com "capacidade e velocidade para acompanhar as movimentações do ataque de Gales".

Tamanha sabedoria parecia digna de ser assinalada.

O problema, como sucede a tantas personagens que se pavoneiam nas pantalhas a propósito do futebol, é que os factos não se dignaram ajustar às sábias palavras do professor doutor Janela. Pepe, com dores musculares, não jogou. E mesmo assim os seus colegas mantiveram a baliza portuguesa invicta, travando todas as investidas galesas.

Deixo-vos o conjunto das afirmações que anotei. Chamando desde já a atenção para uma notável incongruência: segundo o autor das declarações, em apenas quatro dias a selecção portuguesa deixou de "defraudar expectativas" por não exibir um "modelo de jogo bem definido" para se tornar na principal candidata à conquista do Campeonato Europeu de Futebol.

Bastou esse curto intervalo para os jogadores deixarem de permanecer "divididos em vários pensamentos", sem saber se haveriam de "atacar pela direita ou pela esquerda", tornando-se afinal "muito fortes em termos mentais".

É obra.

 

5 de Julho

 

«Pepe vai jogar. (...) A ausência de Pepe implicaria uma diminuição da velocidade de reacção da nossa defesa muito complicada. Diminuiria a nossa capacidade de uma forma perigosa porque o Pepe é o nosso único defesa que tem capacidade e velocidade para acompanhar todas aquelas movimentações do ataque de Gales.»

 

«Nós não temos apresentado qualidade de jogo.»

 

«Portugal não tem um modelo de jogo bem definido. Nós olhamos a França, olhamos a Itália, vemos os jogos da Alemanha, vemos os jogos de Espanha, e no final do jogo qualquer comentador consegue definir o estilo de jogo dessa selecção. Na nossa ficamos sempre na dúvida.»

 

«Durante os jogos sentimos que no momento ofensivo não controlamos o adversário e no momento defensivo não dominamos o adversário.»

 

«A selecção só tem conseguido os objectivos à custa de situações excepcionais.»

 

«Mesmo com adversários de menor dimensão - porque não apanhámos Espanha, Inglaterra, Itália e França - não conseguimos realizar uma boa exibição em cinco jogos, ficámos a dever aos analistas internacionais alguma coisa.»

 

«O problema somos nós próprios. Nós não fizemos o nosso trabalho. Nós é que temos defraudado expectativas.»

 

«Nós estamos a jogar muito abaixo das nossas capacidades. Eu sinto que nalguns momentos do jogo a equipa está dividida em vários pensamentos, em várias emoções, não sabe se há-de atacar pela direita ou pela esquerda.»

 

9 de Julho

 

«Neste Europeu as arbitragens têm tido um nível de excelência, a grande maioria delas. (...) A arbitragem neste Europeu só merece elogios.»

 

«O perfil do jogador português é muito mais forte em termos mentais.»

 

«Amanhã vamos ganhar à França e vamos ser campeões europeus. É uma conclusão lógica de todo este percurso.»

sim sim, 66 é que foi mesmo bom, foi só pena não terem ganho nada...

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Andei aqui muito caladinha, muito distraída com o euro e umas coisinhas mais, mas tropecei agora mesmo nesta capa e queria só dizer que o Ronaldo é O MELHOR JOGADOR PORTUGUÊS DE SEMPRE! Custa muito a uns e a outros, eu sei, mas é preciso ter total falta de noção e ser-se muito pouco inteligente para não perceber que este é o pior momento para mostrar tamanha pequenez. Porque os factos falam por si. Os troféus, as conquistas, as vitórias, a persistência, a dedicação, as lágrimas (sim, também), a entrega, a vontade. 

Esforço, dedicação, devoção e glória. Sempre!

Ah e tal, porque no meu tempo só podia comprar um carro por ano e agora eles podem comprar casas todos os dias! Ah e tal, porque nem o Maradona fazia isto! Haja paciência, que a mim me falta. Que gentinha, pá!

Balanço do Euro 2016 (7)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

10 de Julho: Portugal-França (1-0). «É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'. As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.»

Marcador do golo português: Éder.

Melhor português: Rui Patrício.

Observações adicionais:

«Felizmente Éder marcou enfim o primeiro golo pela selecção num jogo oficial ao fim de 29 internacionalizações. E logo no jogo mais importante.»

«Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.»

«Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.»

Balanço do Euro 2016 (6)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

6 de Julho: Portugal-País de Gales (2-0). «Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.»

Marcadores dos golos portugueses: Cristiano Ronaldo e Nani.

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Nós, portugueses, adaptamo-nos com facilidade: é o tradicional desenrascanço lusitano. Mas no bom sentido. Porque todas as equipas vinham bem estudadas e nunca fomos apanhados de surpresa. O jogo contra a Croácia deixou isso bem claro. E agora isso ficou outra vez bem evidente contra Gales.»

«Globalmente falando, todos os jogadores portugueses estiveram em plano positivo. João Mário podia e devia ter feito melhor naquela recarga. Renato Sanches teve de encostar à linha a fazer marcação individual: competia-lhe, tal como ao colega no flanco oposto, estorvar as investidas laterais de Gales.»

«Ronaldo continua a ser um caso à parte. Vão três golos e duas assistências neste Europeu, iguala o recorde de golos estabelecido há 32 anos por Platini (só num torneio), suplantou Bale neste duelo de gigantes, foi crucial para que Portugal não tombasse na fase de grupos, frente à Hungria, e o golo que agora marcou é de uma execução técnica excepcional.»

Balanço do Euro 2016 (5)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

27 de Junho: Portugal-Polónia (1-1, e 5-3 após os penáltis). «Portugal podia ter resolvido o jogo na segunda parte, sem se sujeitar ao desgaste físico provocado por meia-hora suplementar nem ao desgaste emocional que a marcação de penáltis finais sempre suscita. Mas faltou intensidade e ousadia. Faltou também frescura muscular. (...) O melhor estava para vir. E veio no fim. Os nossos cinco jogadores chamados a converter as grandes penalidades cumpriram a missão com brilhantismo. Primeiro o capitão, Cristiano Ronaldo. Depois Renato. Seguiram-se Moutinho, Nani e Quaresma. É fundamental assinalar também a extraordinária defesa de Rui Patrício, que evitou a conversão do quarto penálti polaco.»

Marcador do golo português: Renato Sanches.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Ronaldo teve três brindes - um do Nani, outro do Moutinho, outro do Eliseu. Não aproveitou nenhum. No primeiro, é verdade, foi carregado em falta nítida que só o árbitro não viu. Mas falhou nos outros dois.»

«Missão comprida, missão cumprida. Estamos nas meias-finais do Campeonato da Europa, o que nos acontece pela quinta vez. Vamos defrontar a Bélgica ou o País de Gales.»

«O seleccionador merece parabéns: sou daqueles que acreditam que o mérito acompanha a sorte e a sorte acompanha o mérito.»

Balanço do Euro 2016 (4)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

25 de Junho: Portugal-Croácia (1-0). «Finalmente, com Raphael Guerreiro e Cédric nas alas e Adrien no miolo, Portugal fez o seu melhor jogo do ponto de vista táctico, mostrando-se uma equipa compacta e solidária, sabendo fechar as linhas e onde nunca faltavam jogadores a fazer dobras e ganhar segundas bolas. (...) Vencemos pela primeira vez uma partida no Campeonato da Europa que se disputa em França, derrubando a selecção que no jogo anterior vencera a favorita Espanha e dispôs de mais dois dias de descanso do que os portugueses. Ninguém diria, vendo os nossos jogadores actuar em tão boa forma física.»

Marcador do golo português: Quaresma.

Melhor português: Pepe.

Observações adicionais:

«Está finalmente encontrado o onze ideal - com a ressalva de Renato Sanches no lugar de André Gomes. Não deixa de ser estranho que só aconteça ao quarto jogo. Mas lá diz o ditado: mais vale tarde... Quanto à crença num bom desempenho global da nossa selecção no Euro 2016, mantenho-a inabalável desde o primeiro dia.»

«Em equipa que ganha não se mexe. O único titular que merece ser substituído é André Gomes - como de resto foi, logo aos 50' do jogo de ontem.»

«A Islândia contribuiu para a nossa boa fortuna ao marcar no último lance da partida frente à Áustria, sem o qual teríamos defrontado a Inglaterra em vez da Croácia, quanto a mim mais acessível.»

«Não há vencedor sem sorte, não há campeão sem sorte. Mas a sorte dá muito trabalho.»

Um verdadeiro campeão

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Demonstraste toda a tua fibra nos relvados franceses. Contrariando o sacrossanto masoquismo nacional, incapaz de reconhecer mérito nas nossas proezas. Enquanto lá fora transformam derrotas em empates e empates em vitórias, por cá não falta quem veja tudo ao contrário, encarando cada empate como se fosse uma derrota e cada triunfo como se fosse um empate.

Se saímos do Europeu de Futebol sem derrotas, isso em grande parte a ti se deve. Ultrapássamos a Polónia no decisivo teste dos penáltis, tendo sido inegável o teu contributo para atingirmos tal meta ao defenderes aquela grande penalidade que desfez qualquer vestígio de dúvida sobre o teu imenso talento. Trouxemos a Taça da Europa para casa após o emocionante embate contra a França porque soubeste figurar na primeira linha dos conquistadores com três defesas monumentais. 

"O Rui joga de tal forma concentrado que para ele tanto faz o estádio estar cheio ou vazio, nunca se deixa condicionar pelo ambiente", dizia há dias alguém que bem te conhece, citado nas páginas de um diário desportivo. É verdade. Por isso levaste a melhor no Euro 2016 ao ser comparada a tua actuação com alguns dos mais credenciados guarda-redes da actualidade: o alemão Neuer, o espanhol DeGea, o belga Courtois, o italiano Buffon, o checo Čech, o francês Lloris, o inglês Hart. Por isso Dino Zoff, campeão mundial e europeu por Itália, acaba de declarar que tens qualidades para  "jogar em qualquer clube de topo". Mas ninguém como nós, sportinguistas, tem a noção tão exacta do teu valor.

Estás de parabéns, meu caro Rui Patrício. Por seres um verdadeiro campeão.

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

Balanço do Euro 2016 (3)

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O que fui escrevendo aqui sobre a campanha vitoriosa de Portugal no Campeonato da Europa de Futebol:

 

22 de Junho: Portugal-Hungria (3-3). «Os laterais fizeram o pleno pela negativa: nem souberam fechar o corredor a defender, nem conseguiram rasgá-lo a atacar. Esta foi a faceta pior do Portugal-Hungria. O melhor foi Cristiano Ronaldo, que se mostrou enfim ao seu verdadeiro nível nesta partida: marcou dois dos nossos três golos, aos 50' e aos 62', e ainda foi dele a assistência para o inicial, muito bem apontado por Nani aos 42'. O primeiro dele, marcado com o calcanhar, foi uma obra de arte. Candidata-se desde já a melhor golo do Euro 2016.»

Marcadores dos golos portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo (2).

Melhor português: Cristiano Ronaldo.

Observações adicionais:

«Ao bisar desta forma, Ronaldo torna-se o maior goleador em fases finais de mundiais e europeus - e vão sete certames consecutivos a facturar. Torna-se também o segundo melhor marcador de campeonatos da Europa, já com oito golos - menos um que Michel Platini, ainda recordista com os nove que marcou pela França no Euro 84.»

«William e João Mário deram alguma consistência a um meio-campo que nunca funcionou. A insistência de Fernando Santos em Moutinho raia a inconsciência. Contra todas as advertências e todas as evidências.»

«João Moutinho e André Gomes tiveram as piores prestações portuguesas neste jogo. Empancaram todo o meio-campo. Moutinho até metia dó: em vez de aparecer, escondia-se.»

«Enfim, até agora não ganhámos nem perdemos - o que denota falta de ambição da selecção das quinas. Limitámo-nos a cumprir os mínimos. E com alguma sorte à mistura: a Hungria ainda nos enviou uma bola ao poste.»

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