27 Nov 16
Lá, tal como cá!
José da Xã

Era já noite quando vi a Real Sociedad jogar contra o Barcelona treinado por Luiz Enrique. Um jogo empolgante que terminou com um (injusto) empate a uma bola.

Porém deste clássico retenho duas coisas importantes:

a primeira foi a forma acutilante e corajosa como a equipa de S. Sebastian se bateu em campo contra o campeão em título;

a segunda tem a ver com o árbitro do encontro que prejudicou, e de que maneira, a equipa que jogava melhor futebol.

Ora sempre pensei que a característica de maus árbitros fosse coisa bem lusa. Porém, perante o que me foi dado observar, lá tal como cá, também têm árbitros... fraquinhos, fraquinhos!


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06 Out 16
Um herói sportinguista (de Gijón)
José Navarro de Andrade

Resultado de imagem para pichu cuellar


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04 Out 16
Alguém com eles no sítio
Edmundo Gonçalves

Ora isto por cá, daria por aí um mês de castigo, uns milhares de euros de multa, e um obrigatório e formal pedido de desculpas ao tipo que está a ser visado.

Se fosse do Sporting, a coisa seria certamente agravada para o dobro.

Cojones, é precisamente o que por cá vai faltando a muito boa gente.

 

 


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15 Set 16

Alfredo Relaño, As: «El Sporting se sentirá ahora desdichado, maltratado por la fortuna, y con razón. Jugó muy bien, mucho mejor que el Madrid, tenía el partido ganado en el 89’ y lo perdió de golpe. (...) Muy buen equipo este Sporting. Abajo y arriba, juntos, solventes, serenos. Buen mando de William Carvalho en la media, manejo del tico Bryan Ruiz, un peligro tremendo a la derecha del ataque, Martins, el merodeo de Bruno César... Me gustó prácticamente todo.»

 

Daniel Calle, El Español: «Con uno de los despliegues de aficionados más amplios y ruidosos en años en el Bernabéu, el equipo portugués trasladó su poderío en las gradas al césped. Qué manera de dominar tácticamente un partido. Parecían ellos los campeones y el Madrid los visitantes. Jorge Jesus, el excéntrico técnico portugués, se comió a un Zidane dormido. (...) Jesus maniató al Madrid, ahogó su salida de balón, electrocutó todas sus ideas y acabó llevando el partido por donde quería.»

 

Hughes, ABC: «Se supo que el Sporting era un equipo de una pieza en el cuarto o quinto segundo. Eso se nota. Es como lo que Raoul Walsh dijo de John Wayne: "Cuando coge el rifle el hijo de puta parece un hombre." (...) En el 20, el Sporting ya adormeció el partido. No era un equipo serio, era un equipo excelente. Menudo central es Semedo, menudo medio es William, qué rapidez la de Martins y César arriba y cuánta clase en la zurda del tico Bryan Ruiz.» 

 

Jesús Garrido, El Confidencial: «Todo empezaba en la pareja Carvalho-Silva en el medio y avanzaba hasta Dost y Ruiz. Fue más incisivo Martins en la derecha, pero acabó marcando Bruno, el de la izquierda. Fue tras un rebote en una jugada embarrada, pero pudo llegar en muchas otras oportunidades.»

 

José Aguado, La Razón: «El líder de la Liga portuguesa se plantó ayer en el Bernabéu con el descaro de los equipos que no tienen miedo y con el buen hacer de los conjuntos bien trabajados. (...) El Sporting supo apretar bien a Modric y Kroos y ambos pasaron por el partido de puntillas, sin marcar el ritmo en ningún momento.»

 

José Samano, El País: «El Madrid evitó un chasco con goles de Cristiano y Morata en el penúltimo y último suspiro. Hasta entonces, el equipo se vio ante un inopinado precipicio. (...) Parasitado el Madrid, el Sporting desfiló con una sorprendente fluidez. El club lisboeta siempre fue la gran factoría del fútbol portugués y, pese a su escaso vuelo en Europa, ahora tampoco le faltan buenos peloteros, caso de Adrien Silva, William Carvalho y esa veta juvenil que es Gelson Martins.»

 

Josep M. Artells, Mundo Deportivo: «El Real Madrid siempre gana así. Fue netamente inferior al Sporting pero remontó en la última jugada del descuento. De fútbol, mejor no hablar porque solamente lo puso el valiente equipo de Jorge Jesus que fue ganando hasta que Cristiano empató en el minuto 88 transformando una falta inexistente, otro clásico.»

 

Orfeo Suárez, El Mundo: «Remontada ante un magnífico Sporting que no mereció perder. (...) Existen dos tipos de velocidad, la física y la mental. En un mediocentro es más importante la segunda. El portugués [William Carvalho] la tiene. Mientras trota, da soluciones rapidísimas.(...) El histriónico Jorge Jesús, pese a su expulsión, ganó la batalla a Zidane.»

 

Oriol Dotras, La Vanguardia: «Un gol de Cristiano Ronaldo en el 88’ y otro Álvaro Morata con el tiempo cumplido dieron al campeón los primeros tres puntos de esta fase ante un dignísimo Sporting de Portugal. (...) Incluso se atrevían los de Jorge Jesús salir jugando el balón para desespero del Bernabeu, que empezó a impacientarse con algunos pitos, sobre todo después de que Bas Dost estuviera a punto de conectar el segundo gol.»

 

Rúben Jiménez, Marca: «Bruno César aprovechó un barullo, una asistencia involuntaria de Modric para ponerle una rosca imposible a Casilla al palo largo. Hubo un runrún en el estadio y con el paso de los minutos alguno hacía cuentas sobre la futura visita a Dortmund, el viaje a Lisboa... Susto.»


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06 Set 16
Todos a Madrid!
Alexandre Poço

Já lhe chamam invasão. E após o primeiro dia de vendas, não há um que sobre dos quase 4 mil bilhetes destinados ao Sporting para ir a Madrid ver a nossa turma jogar contra o Real, na próxima semana. Serei um dos afortunados, tal qual o nosso colega Frederico Dias de Jesus. Lá estaremos a apoiar os Leões no começo desta aventura europeia com os grandes da Europa, lugar natural da nossa instituição. 

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13 Jun 16
A ver o Europeu (1)
Pedro Correia

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As individualidades fazem a diferença no futebol, desporto colectivo? Claro que sim. Uma vez mais isto se confirmou esta tarde em Toulouse, no jogo Espanha-República Checa, a contar para o Grupo D do Campeonato da Europa. Os espanhóis venceram tangencialmente, num desafio em que foram os únicos a procurar a vitória. Mas de nada serviria à Roja a superioridade técnica e táctica se não dispusesse de um jogador de excepção, que persiste em exibir o seu talento depois de já ter conquistado tudo no mundo do futebol: Andrés Iniesta. Foi dele a soberba assistência, aos 87', para o solitário golo de Piqué que desfez enfim o nó atado pelos checos, com 11 jogadores atrás da linha de bola - numa vergonhosa réplica daquilo que dois terços das equipas portuguesas costumam fazer no nosso campeonato quando enfrentam os chamados clubes grandes.

Quem acompanhasse o jogo com atenção, como sucedeu comigo, percebia que o golo espanhol poderia tardar mas não falharia. No entanto seria necessário um laborioso trabalho de paciência para trocar a bola frente à grande área checa, enleando a equipa adversária entrincheirada no seu reduto, onde até o astro Rosicky exercia missão defensiva. Precisão, acutilância e nervos de aço - algo que apenas a maturidade confere, algo só ao nível de Iniesta, Bola de Ouro 2012, campeão mundial e bicampeão europeu.

Continua a ser um prazer vê-lo jogar. No lance decisivo, quando outros já pareciam descrentes, ele fez a diferença. Porque acreditou e trabalhou em função dessa crença, vital no desporto de alta competição. Soube temporizar, soube dominar a bola com notável requinte técnico, soube colocá-la com precisão milimétrica ao alcance de Piqué, seu colega de equipa.

Quem sabe não esquece. E nesta selecção espanhola, inferior à que nos deslumbrou em 2008, 2010 e 2012, são ainda os veteranos a marcar o ritmo e a cadência - como os dois jogadores do Barcelona já mencionados, David Silva e Sergio Ramos.

Em equipa que ganha não se mexe. No Euro 2016 esta promete manter-se inalterável.

 

Espanha, 1 - República Checa, 0

 


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28 Fev 16
Paixão clubística
Pedro Correia

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Lenços brancos nas bancadas, gritos contra Zinédine Zidane, o treinador contratado apenas há dois meses, e apelos insistentes à demissão do presidente do clube, Florentino Pérez. De tudo isto se viu e ouviu ontem nas bancadas do Santiago Bernabéu, no final do dérbi madrileno entre o Real e o Atlético - dérbi que os merengues perderam por 0-1.

Foi um jogo medíocre, marcado pela extrema contenção defensiva da turma treinada por Diego Simeone, que obteve aproveitamento máximo: o francês Griezmann marcou o disparo que fez a diferença na única oportunidade de golo real de que a equipa dispôs.

Do outro lado, com Isco e James exibindo-se a níveis abaixo do aceitável numa equipa de topo como o Real Madrid, apenas Danilo e  Cristiano Ronaldo teimaram em remar contra a apatia, destacando-se o português com dois cabeceamentos à baliza, travados pelo guardião Oblak.

A nove pontos do líder Barcelona e a quatro do Atlético, o Real despediu-se ontem do título perante quase 80 mil espectadores que não conseguiram disfarçar o desagrado e o enfado face a estes jogadores milionários que em grande parte não procuram sequer cumprir os mínimos. Daí os assobios, os lenços e as vaias.

O Real, sublinhe-se, mantém intactas as aspirações na Liga dos Campeões. Mas aquilo que os adeptos verdadeiramente querem é a supremacia nas competições internas - sobretudo na prova rainha de todas as provas, o campeonato.

Quem se espantar perante esta evidência percebe muito pouco de paixão clubística, fenómeno capaz de inflamar tantos milhões de adeptos nos estádios de futebol.


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04 Out 15
Queria vê-los
Pedro Correia

Está bem, o Benfica ganhou em Espanha. Mas o Atlético de Madrid é apenas o quinto classificado do campeonato daquele país. Eu queria vê-los vencer em casa do líder, o Vilarreal.

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16 Fev 15

http://www.ligabbva.com/3217_valencia/index.html

http://www.ligabbva.com/3217_valencia/index.html

 

O rapaz, que era um poço de disciplina aqui em Portugal, na liga que agora é de NOS, jogou sete jogos, sete, e já levou cinco amarelos, cinco.

Uns incompetentes, os árbitros espanhois, sem dúvida!

 

Um dia destes vou à procura de outras coisas interessantes sobre estes bons rapazes que tão maltratados são no estrangeiro, e que em Portugal eram tão disciplinados, tadinhos...


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07 Fev 15
Bom prenúncio?
José da Xã

No dérbi de Madrid: Atlético - 4 Real Madrid - 0.

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26 Jun 14

Eu quero lá saber que a Costa Rica tenha passado a fase de grupos e Portugal não: a Costa Rica não conta, apurou-se neste Campeonato e volta a apurar-se daqui a cem anos, não faz parte da aristocracia do futebol, como faz Portugal, e por direito divino. É contra outros aristocratas que tais que nós nos batemos e foram eles que mais uma vez vencemos. A horrível Espanha, que ousou ganhar-nos há quatro anos, na África do Sul, e até andar para aí a dizer que era campeã da Europa, e do mundo, etc., caiu de borco, a madraça, a asna, a grotesca palhaça, logo ao fim do segundo jogo. A pérfida Inglaterra, que nos persegue desde o tempo do Jacky Charlton, e que em 66 se interpôs entre nós e as nossas aspirações naturais ao domínio do mundo (futebolístico; uma espécie de mapa-cor-de-rosa, se virmos bem), tombou ao fim de dois jogos e meio – isto é, ao fim do segundo ainda não estava eliminada, mas antes do terceiro já estava, graças à vitória da Costa Rica sobre a Itália no entrementes. Agora nós – e é isto que lhes dói – precisámos de três-jogos-três para irmos à nossa vida. Bem-hajam pois "Os Conquistadores" e viva a nossa Federação, a cerveja Sagres e os supermercados Continente! Bom, e agora que a nossa pequena competição particular contra o inimigo convencional e a mais velha aliada terminou, e logo da melhor maneira, vamos ver o Mundial a sério, que já é tempo. Venham os oitavos!


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24 Jun 14

Ao contrário do que alguns imaginam, o futebol não é só feito de esquemas tácticos, jogadas a régua e esquadro, losangos, bolas paradas e "transições ofensivas". O futebol é sobretudo uma fascinante soma de momentos mágicos que perduram na memória colectiva, ampliam a nossa crença nas potencialidades da espécie humana e demonstram onde é possível chegar quando talento e esforço se conjugam. Momentos como o que ontem testemunhámos ao minuto 36 do Austrália-Espanha: bem servido por Iniesta, David Villa marca um extraordinário golo de calcanhar. O seu 59º golo pela Roja. E também o último: minutos depois, aos 56', o maior marcador da história da selecção espanhola, goleador máximo do Campeonato da Europa de 2008 e do Campeonato do Mundo de 2010, saía de campo sob um coro de merecidos aplausos. Espanha, prematuramente afastada do Mundial do Brasil, já não tinha nada a ganhar excepto aquele desafio que só contava para cumprir calendário. Mas Villa bateu-se em campo, neste último jogo, como se fosse o primeiro da sua exemplar carreira. Porque queria abandonar a selecção de cabeça levantada.

Era ele que ali estava - mas era mais do que ele, como o homem do leme do poema de Fernando Pessoa: era já também o mito. Um mito vivo, feito de carne e osso. E também de lágrimas, que não conseguiu reprimir ao sentar-se no banco de suplentes. Quem disse que um herói não chora?

 

Não sei se pensam como eu: gosto de ver uma equipa cair de pé. Sem vitórias morais, sem desculpas de mau pagador, sem o espírito queixinhas de quem se justifica com as condições climatéricas adversas para procurar fugir às responsabilidades.

No futebol há vitórias e derrotas. E por vezes ganha-se perdendo ou perde-se triunfando. Aconteceu ontem com Espanha: derrotou a combativa mas frágil selecção australiana mas esta vitória soube a desaire pois não tardou a embarcar de regresso a casa: foi uma das três primeiras a fazer as malas, juntamente com a Inglaterra e a Bósnia-Herzegovina. 

Ficou a sensação de que havia potencial para fazer muito mais e melhor. Se Vicente del Bosque tivesse a ousadia, logo na partida inicial, de apostar naqueles que eram mesmo os melhores em vez de os remeter ao banco. Jogadores como Villa, que só ontem alinhou. Ou Koke e Juanfran, seus colegas do Atlético de Madrid, por acaso ou talvez não a equipa campeã de Espanha mas totalmente subalternizada a nível de selecção. Todos eles fizeram ontem a diferença, tal como o eterno Iniesta, autor de duas assistências para golo: ele é também daqueles que podem cair, mas sempre cairão de pé.

 

Futebol é isto.

 

Villa despediu-se com um grande golo 

 

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Andavam alguns à procura de uma estrela neste Campeonato do Mundo. Seria Messi? Seria Cristiano Ronaldo? Parece-me que a estrela está encontrada e joga em casa: chama-se Neymar. Faz a diferença - e de que maneira - pela selecção anfitriã, como ontem se confirmou ao marcar mais dois golos para o Brasil (só à sua conta já vão quatro) e qualificar o "escrete canarinho" para os oitavos-de-final.

É certo que os comandados por Scolari enfrentavam talvez a pior selecção deste Mundial: os Camarões, turma indisciplinada e rebelde, que aplica a rebeldia justamente onde não deve. O árbitro sueco poupou-lhes uma expulsão, por conduta antidesportiva em relação a Neymar. Fez mal: os camaroneses teriam beneficiado do ponto de vista pedagógico se vissem o merecido cartão vermelho na mão do juiz da partida, que talvez para compensar ignorou um aparente fora-de-jogo de Fred no lance em que finalmente marcou um golito.

Mas nem ele nem Hulk nem Óscar nem David Luiz nem qualquer outro merecem destaque. Desta selecção apetece dizer - adaptando a involuntária boutade de que se usou e abusou no período pré-Mundial relativamente a Cristiano Ronaldo - que é Neymar mais dez. Uma selecção em que o colectivo funciona muito menos do que na Holanda de Robben ou no México de Ochoa  - duas selecções também já qualificadas para os oitavos-de-final.

O futebol, não esqueçamos, é desporto colectivo: o Brasil que se cuide.

 

Austrália, 0 - Espanha, 3

Brasil, 4 - Camarões, 1


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20 Jun 14

"No hemos sabido mantener ese hambre, esa ambición... mentalmente no estábamos preparados y físicamente estábamos justos." Palavras de Xabi Alonso que estão a provocar muita polémica. Mas que são certeiras. Aliás, ontem escrevi sobre isso mesmo aqui.


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19 Jun 14
A ver o Mundial (8)
Pedro Correia

A motivação é crucial, no desporto como na vida. Repare-se na selecção espanhola, com despedida pré-anunciada do Campeonato do Mundo. Saldo provisório: duas derrotas, sete golos sofridos e apenas um marcado (de penálti).

Porquê?

Desde logo, por défice de motivação: estes jogadores fatigados e enfastiados já conquistaram tudo. São campeões mundiais em título e bicampeões da Europa.

Digam o que disserem, e com alguma eventual excepção da praxe, extinguiu-se neles a sede de vencer. Deviam ter dado lugar a outros antes deste Mundial para o ciclo se renovar com a cadência que o Eclesiastes recomenda na sua milenar sabedoria: «Há tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que foi plantado.»

Ganhar sempre também cansa.


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18 Jun 14
A ver o Mundial (7)
Pedro Correia

A imagem de Xavi Hernández, sentado no banco de suplentes durante todo o jogo, era bem sintomática do fim de ciclo a que acabámos de assistir em directo: o melhor intérprete do tiki-taka espanhol assistia, impotente, ao naufrágio da equipa campeã mundial e bicampeã europeia. Uma equipa de que ele foi um dos intérpretes de excelência mas que a partir de hoje pertence ao passado.

A intrépida Roja que maravilhou o mundo com o seu futebol de alta voltagem e qualidade indiscutível não chegou sequer a comparecer no Mundial do Brasil. Após a copiosa derrota frente aos holandeses (1-5), os homens comandados por Vicente del Bosque voltaram a baquear (0-2), desta vez frente ao Chile. O seleccionador não teve coragem de operar a mudança radical que se impunha: o próprio Casillas, reduzido a uma caricatura de si próprio, manteve o lugar cativo na baliza espanhola.

Fica a lição para Paulo Bento: Portugal só superará o próximo obstáculo, contra os Estados Unidos, se o nosso onze titular foi substancialmente diferente daquele que sofreu quatro golos sem resposta frente à selecção alemã.

 

No jogo de hoje, disputado no mítico Maracanã, o Chile foi sempre uma equipa mais compacta e bem organizada, capaz de travar a fúria espanhola, que aliás mal compareceu em campo. Os dois golos da vitória chilena surgiram cedo, ainda na primeira parte. Mas nem assim Del Bosque foi capaz de apostar decisivamente no ataque, limitando-se a trocar jogadores para as mesmas posições à medida que o cansaço físico ia tornando cada vez mais ineficaz o processo ofensivo da selecção que ainda conserva o título de campeã do mundo.

Também neste aspecto o Chile-Espanha deve servir de lição para Paulo Bento: não basta mudar jogadores - é preciso alterar o sistema táctico. Porque Portugal não precisa apenas de vencer no próximo domingo. Precisamos de marcar vários golos, que nos poderão ser preciosos como critério de desempate.

 

Do inapelável naufrágio da equipa espanhola, que jogou sempre desligada e com um incompreensível desenho táctico, praticamente só se salvou o melhor dos seus artistas: o incomparável Iniesta. Teimando em remar contra a maré do princípio ao fim, o médio do Barcelona procurou incutir inspiração e ânimo aos seus colegas. Foi dele até, aos 84', o remate mais perigoso à baliza do excelente guardião chileno, Bravo.

Mas esteve sempre desacompanhado: ninguém lhe seguiu as pisadas. No final do encontro, consumado o prematuro afastamento da selecção espanhola deste Campeonato do Mundo, Iniesta abandonou o campo de lágrimas nos olhos. Como Eusébio após a meia-final perdida contra a Inglaterra no Mundial de 1966.

Os gigantes são assim: caem de pé. Destroçados mas não vencidos, como o pescador Santiago d' O Velho e o Mar, de Hemingway. Merecem a nossa admiração também por isso.

 

Chile, 2 - Espanha, 0

 

Iniesta: fim de ciclo


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14 Jun 14
Totaalvoetbal
Luciano Amaral

 

Gosto especialmente dos jogos entre a Holanda e a Espanha (quer dizer, a Espanha dos últimos anos) e estou sempre pela Holanda. A razão é simples: a Holanda foi o meu primeiro love affair futebolístico. O primeiro campeonato do mundo que segui foi o de 1974 - infelizmente era demasiado pequeno para poder ter visto aquilo que dizem foi a maior maravilha futebolística da história, o Brasil de 1970. Foi nos anos 70 que a Holanda, um tradicional pardieiro de toscos da bola, chocou toda a gente com uma coisa chamada "futebol total" (totaalvoetbal, no original), e foi em 1974 que a selecção ganhou o famoso epíteto de "Laranja Mecânica". Seguindo o velho princípio linekeriano de que o futebol são onze jogadores para cada lado enfrentando-se durante 90 minutos e no fim ganha a Alemanha, foi o que aconteceu na final desse ano. Mas quem viu não esquece Crujiff, Neeskens, Krol, Rensenbrink et al.

 

Por essa altura, já Crujiff e o treinador Rinus Michels tinham ido para a Catalunha inventar o futebol moderno do Barcelona. Décadas e várias gerações de holandeses depois chegou-se ao apuramento final do horrível tiki-taka, uma espécie de caricatura do futebol total holandês dos anos 70. Pois foi este produto derivado (particularmente eficaz, sem dúvida) que, infelizmente, dominou o futebol nos últimos anos, no Barcelona e na selecção espanhola, que era o Barcelona menos o Messi. Desde os anos 70 que a Holanda manteve a mesma identidade de jogo, embora sem regressar ao brilho original (excepção feita, talvez, à selecção de meados de 80, com van Basten, Gullit e Rijkaard) e sem nunca ir demasiado longe. E atravessou mesmo períodos muito maus.

 

Foi com especial alegria, portanto, que assisti ao enxovalho de ontem da Holanda sobre a Espanha, uma vitória do produto genuíno sobre o derivado. Curiosamente, nem uma nem outra jogaram da forma típica. A Espanha já não joga bem o tiki-taka (como o Barcelona deste ano, aliás) mas uma coisa que não se percebe bem o que é; a Holanda parecia uma equipa inglesa, com a diferença de que tem uma data de jogadores habilidosos. Não sei se isto tem muitas pernas para andar. Estou curioso para o resto dos jogos.


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13 Jun 14
A ver o Mundial (2)
Pedro Correia

Também no futebol a vingança se serve fria. Aconteceu esta noite, em Salvador, com a goleada imposta pela Holanda à Espanha, campeã mundial titular desde 2010 e bicampeã europeia.

"Humilhação mundial", chamou-lhe a Marca, numa magoadíssima manchete.

O colapso espanhol aconteceu no segundo tempo, quando Robben, Van Persie & companheiros carregaram no acelerador e desbarataram o enfadonho tiki taka dos comandados por Vicente Del Bosque, hoje reduzidos à vulgaridade apesar de terem contado com a complacência inicial do senhor de apito. O árbitro italiano, Nicola Rizzoli, apontou para a marca de grande penalidade por alegado derrube a Diego Costa, iludido pelos dotes teatrais do brasileiro-que-virou-espanhol. O mesmo avançado, que recebia monumentais vaias do estádio cada vez que tocava na bola, pôde agredir impunemente Bruno Martins à cabeçada. O senhor Rizzoli nada viu, nada assinalou.

 

Confesso que esta selecção espanhola me foi deslumbrando em grau crescente desde o Europeu de 2008 até ao Euro-2012, passando pelo Mundial da África do Sul. Mas ficou prisioneira do seu próprio sucesso, abusou da arrogância e começou a pensar que aquele sistema de jogo, feito de múltiplos toques e com a obsessão da "posse de bola" acima de todas as coisas, se tornara infalível.

Puro erro. Com um sistema muito diferente, baseado em avassaladoras ofensivas a toda a largura do terreno que em poucos segundos criam desequilíbrios no reduto adversário, os homens comandados por Van Gaal estão-se nas tintas para a "posse de bola": querem é ganhar, tão cedo quanto possível. Inferiorizaram os espanhóis e coroaram da melhor maneira a sede de vingança que transportavam desde a final do Campeonato do Mundo de 2010, quando um golo solitário de Andrés Iniesta, já no prolongamento, bastou para elevar Espanha ao Olimpo da bola.

Nessa final, de triste memória para a Holanda, Robben esteve quase a marcar - mas falhou. Ao contrário do que agora sucedeu, ao assinar dois golos espectaculares, um deles após uma fantástica recepção de bola com o pé esquerdo e o segundo na sequência de uma impressionante corrida de 60 metros em que, embora partindo de trás, ultrapassou Sergio Ramos e apontou a Casillas o caminho da pré-reforma.

Quase toda a equipa espanhola naufragou: Piqué, Xabi Alonso, Iniesta e Xavi, muito abaixo do nível a que nos habituaram, já estavam à beira da derrocada física muito antes do apito final. Silva parecia um principiante. Azpilicueta era um monumento à irrelevância. Torres, que entrou no segundo tempo, foi uma absoluta nulidade: chegou a falhar um golo de baliza aberta.

(A propósito: alguém saberá explicar-me por que motivo Diego López, guarda-redes titular do Real Madrid tanto com José Mourinho como com Carlo Ancelotti, não foi sequer convocado para o Brasil?)

 

O voo de Ven Persie

 

Este jogo pareceu uma final antecipada. Com Van Persie em estado de graça, marcando o primeiro com um espectacular mergulho de cabeça destinado a quebrar os rins ao guardião espanhol, que teve hoje a noite mais negra da sua longa carreira. Um dos golos holandeses, o terceiro, foi no entanto precedido de falta sobre Casillas: o senhor Rizzoli não fez caso. Falhas a mais num jogo só.

 

....................................................................

 

Já de tarde, no Camarões-México, a figura maior do encontro - pela negativa - foi o apitador de turno ao anular dois golos limpos aos mexicanos, ambos marcados por Giovanni dos Santos, que esteve em dia de pouca sorte. Foi também claramente derrubado dentro da área camaronesa sem o juiz da partida lhe conceder penálti.

Pelo já visto, este Mundial arrisca-se a ser o pior cartaz de sempre para a arbitragem a nível internacional. Como se de, repente, no Brasil, tivessem aterrado dezena e meia de Xistras e duas dúzias de Capelas...

 

Espanha, 1 - Holanda, 5

Camarões, 0 - México, 1

 

Robben festeja o segundo golo (quinto holandês) com Casillas de rastos


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04 Fev 14

 

O futebol movimenta paixões à escala universal, entre outros motivos, pela sua força iconográfica. Dão disso testemunho imagens após imagens que nos invadem o quotidiano. A mais recente chegou-nos da capital espanhola, no passado domingo: David Villa acabara de marcar no Vicente Calderón o primeiro dos quatro golos sem resposta do Atlético de Madrid ao Real Sociedad e, perante o aplauso frenético de quase 50 mil adeptos, apontou os indicadores ao céu, como se mirasse no infinito o grande Luis Aragonés, figura já mítica do clube e da selecção espanhola, no dia do funeral do treinador que conduziu La Roja à conquista do Europeu de 2008. Uma vitória que isolou o Atlético pela primeira vez em 18 anos na liderança do campeonato no país vizinho, numa espécie de tributo póstumo ao técnico desaparecido.

Com este gesto, Villa parecia dizer-lhe "Muchas gracias, Don Luis" -- ele que foi o melhor marcador do Euro 2008, torneio em que a selecção espanhola deslumbrou a Europa e partiu à conquista do Mundial, dois anos mais tarde.

O futebol também é isto.

Foto Marca

 

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01 Jul 13

 

Houve quem os considerasse imbatíveis, com manifesto exagero. Imbatíveis, os jogadores espanhóis? Pelo contrário, foram vulgarizados pela excelente selecção brasileira, que hoje (hora portuguesa) se sagrou vencedora da Taça das Confederações, no mítico palco do Maracanã. A tal ponto que no último quarto de hora já se arrastavam em campo, aguardando penosamente o apito final.

Para mim, que torcia pelos brasileiros, foi uma excelente forma de começar a semana. Neymar, Paulinho, Fred, Óscar, Júlio César, David Luiz e tutti quanti deram a quem os acompanhava em todo o mundo uma lição de futebol. E desde logo uma lição táctica, no confronto entre os dois técnicos - Luiz Felipe Scolari e Vicente del Bosque: enquanto o espanhol insistia no esquema de sempre, concentrando jogadores no centro do relvado, o brasileiro ordenava aos seus pupilos o preenchimento constante das alas, onde dominaram do princípio ao fim, faziam movimentar a bola a uma velocidade estonteante e subiam em bloco cada vez que os campeões do mundo cediam um só palmo de terreno.

Ao ver este concludente triunfo, que coloca o Brasil na pole position dos vencedores do próximo Mundial, lembrei-me de um passado recente. Em Outubro, circulou na imprensa a hipótese de Godinho Lopes contratar Scolari para treinador do Sporting. Logo surgiram dezenas de sportinguistas a insurgir-se contra este cenário, alegando que o campeão do mundo de 2002, seminafinalista do Europeu de 2004 e semifinalista do Mundial de 2006 não tinha qualidade nem categoria para treinar o nosso clube. Aconteceu tantas vezes no passado, continua a acontecer: teimamos em recusar alguns dos melhores profissionais do futebol com argumentos que não resistem a dois segundos da mais elementar lógica.

Claro que tudo não passou de cenário. Scolari, talvez o mais popular treinador de sempre em Portugal, custava demasiado aos cofres leoninos para ser encarado como hipótese séria. Quem lucrou com isso foi a selecção brasileira, para onde entrou como sucessor do contestado Mano Menezes.

E logo se viu a diferença.

Quando começaremos finalmente a conceder mérito a quem merece?


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30 Jun 13

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02 Mar 13
Comparações
João Paulo Palha

Queixamo-nos, frequentemente com razão, da incapacidade, incompetência ou o que queiramos chamar-lhes dos árbitros portugueses. Mas, às vezes seria bom, em nome de alguma morigeração da nossa justa ira, que prestássemos alguma atenção ao que se passa em  países bem mais evoluídos, futebolisticamente falando, do que o nosso. Por um acaso, acabo de ver o último minuto e só esse do Real Madrid- Barcelona, pelo que não faço a mínima ideia do que, no que respeita ao comportamento do árbitro, possa ter-se passado no resto do jogo. Mas, neste último minuto vi algo de muito raro, um árbitro a ignorar um penalty tão monstruoso e evidente que, no nosso país,  mesmo tendo em conta todos os vícios que conhecemos, nunca, penso eu, nenhum juiz teria a coragem de não  assinalar, fosse contra quem fosse e a favor de fosse quem fosse. A coisa, neste jogo, atingiu uma dimensão que deve deixar-nos a pensar. Em Portugal, os árbitros são, em geral maus e, quando conhecem as regras, não têm muitas vezes a sensibilidade suficiente para as aplicar como deve ser. Mas como isto, hoje, em Espanha? Não vi muitas vezes.


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24 Jan 13
Mourinho e a Marca
Jose Manuel Barroso

O recente desaguisado entre o jornal madridista Marca e o Real Madrid é um exemplo claro da manipulação de 'factos' por alguns media. A Marca noticiou, em grandes parangonas, que os capitães do R Madrid haviam feito um ultimato ao presidente do clube, colocando-o, em Junho, perante a escolha entre alguns jogadores ou o treinador. Florentino Pérez desmentiu vigorosamente, os jogadores também. O diretor da Marca afirmou manter a notícia, esclarecendo não ter havido nenhum ultimato, mas uma conversa. O certo é que a Marca apresentou o assunto como ultimato e o diretor esqueceu esse pequeno pormenor na não correção corrigida. Pormenor: o arqui-inimigo de Mourinho em Madrid, Valdano, tem um relacionamento muito particular com os dois jornais madridistas que fazem campanha contra o treinador português - precisamente a Marca e o El País. Coisas... Em Portugal, também o jornal vermelho por fora e vermelho por dentro apoia tudo e todos que batem no Sporting. Coisas...


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30 Ago 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a conquista da Supertaça espanhola, José Mourinho é o primeiro treinador da história do futebol mundial a vencer Liga, Taça e Supertaça em quatro países diferentes. Para não ficar atrás, o «nosso» Cristiano Ronaldo marcou o golo da vitória no segundo jogo da competição e igualou o recorde de Ivan Zamorano, ao tornar-se o segundo jogador da história do Real Madrid a marcar em cinco clássicos consecutivos com o Barcelona. 

 


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02 Jul 12

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Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 


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27 Jun 12

 

Lembram-se daquele golo de Cristiano Ronaldo no jogo "amigável" contra Espanha, em Novembro de 2010? Portugal ganhou 4-0, mas houve mais um golo, em condições regulares, muito mal anulado pelo árbitro. Cristiano, de um ângulo quase impossível, chuta no flanco esquerdo da grande área, já muito próximo da linha de baliza, picando a bola que sobrevoa a defesa espanhola e entra na baliza. Nani, que estava em posição de fora-de-jogo, ainda toca na bola, mas já dentro da baliza. Golo invalidado, mesmo assim. Cristiano, numa fúria momentânea, arranca a braçadeira de capitão e atira-a ao relvado. "Os meus melhores golos acabam sempre por ser anulados", desabafaria depois.

Este episódio demonstrou, a quem ainda duvidava, que o melhor jogador da Europa - e única estrela com prestígio mundial presente no Euro 2012 - detesta perder. Mesmo a feijões, como era o caso. É deste Cristiano Ronaldo que precisamos, mais logo, para derrotar os espanhóis - agora num jogo a sério. O Cristiano que detesta perder. O Cristiano que tem a certeza antecipada de ser superior a qualquer adversário (sim, isto inclui o Messi). O Cristiano que já provou o que havia a provar dentro das quatro linhas em termos clubísticos ao sagrar-se campeão pelo Manchester United e pelo Real Madrid.

Mas o Real e o United são tão grandes que qualquer dos seus jogadores se arrisca ali a ser campeão. Aos 27 anos, Cristiano Ronaldo já conquistou quase tudo quanto havia para conquistar. Falta-lhe ainda, no entanto, superar com êxito uma prova futebolística. Ao nível da selecção nacional, nunca ganhou nada. E quer ganhar.

Contra os espanhóis, no jogo de logo, tem uma motivação extra. Porque a Espanha do futebol, como sucede em tudo, está dividida: metade idolatra Cristiano, a outra metade detesta-o e grita "Messi" à sua passagem. Cristiano Ronaldo, ao contrário do que acontece com muitos portugueses, encara cada insulto e cada vaia como um incentivo e um teste suplementar à sua comprovada capacidade de transcender todos os obstáculos.

Dizia ontem o seleccionador espanhol, com manifesto exagero, que este será "o jogo da vida" dos seus jogadores. Não é verdade. Iniesta, Piqué, Silva, Casillas, Ramos e Javí são campeões do mundo. E já se sagraram campeões da Europa há quatro anos. Para eles, este será apenas mais um jogo muito importante. O Portugal-Espanha de hoje será, isso sim, o jogo da vida de Cristiano Ronaldo. O jogo do tudo-ou-nada. O jogo do é-agora-ou-nunca. O miúdo que nasceu numa família muito humilde do Funchal, que se fez atleta e homem na academia do Sporting e ganhou projecção mundial em Old Trafford e no Santiago Bernabéu precisa deste Europeu no seu currículo. E fará tudo para conquistá-lo. Os espanhóis, que o conhecem bem, sentem isso. E não escondem o receio.

Força, Cristiano. Tens um país inteiro a puxar por ti. E até aqueles que do lado de cá te invejam, e que não suportam o teu sucesso, anseiam logo à noite por um golo teu. Para poderem gritar a plenos pulmões: "Ganhámos!"

 

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26 Jun 12

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25 Jun 12

Apesar dos extraordinários talentos à sua disposição, esta Espanha não tem exibido um nível de futebol que causa assombro, pelo menos do calibre a que nos habituou em anos recentes. Não por coincidência, o seu estilo de jogo é uma réplica fiel do que é praticado pelo Barcelona, com uma distinta diferença; não tem no miolo um conhecido argentino para dar seguimento ao seu exasperante «tiki-taka». Mesmo assim, é um temível adversário que não pode, e não vai ser, menosprezado por Portugal. Contrário às teses dos «peritos» cá do burgo, a Espanha, tal como o Barça, é um perfeito exemplo de que o futebol não é um jogo de xadrez onde as peças se mantêm imóveis - num qualquer 4x3x3 ou 4x4x2, etc. - reagindo apenas pelas acções contrárias. O meio campo espanhol, especialmente sem avançados a complementá-lo, é uma constante procura de espaços para receber e prontamente passar o esférico, ao primeiro toque, visando o precioso controlo. Xabi Alonso, Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas são os principais protagonistas desta estratégia, muito embora o excelente atleta do Real Madrid não se veja no seu mais natural «habitat», tanto como médo ofensivo como articulador do «tiki-taka», não obstante a sua ampla capacidade de adaptação. Isto, sem sequer mencionar outro jogador da equipa catalã, o notório Pedro, um dos mais acrobáticos simuladores do futebol mundial, por quem, admito, tenho profunda aversão.

Dispensa-se análise sofisticada para deduzir que a Espanha irá tão longe quanto o seu meio campo a levar e sempre que a prestação deste sector for inferior, por demérito próprio ou por imposição do oponente, a dinâmica e eficácia da equipa sofre. Novamente à semelhança do Barcelona, é um conjunto que joga muito na falta e depende imenso dos critérios benévolos da arbitragem, tanto para amaciar a agressividade da cobertura defensiva do adversário como para assegurar o benefício da dúvida nas lutas de bola dividida. O terceiro jogo da fase de grupos frente à Croácia serve para validar este discernimento - à parte de uma, possivelmente duas, grandes penalidades que ficaram por assinalar - e mesmo perante uma muito inapta França, 90 por cento das disputas de bola que invocaram a intervenção da arbitragem foram decididas a favor da selecção espanhola. No momento em que escrevo, ainda se desconhece o árbitro nomeado para o confronto ibérico, mas não haja dúvidas que existe o potencial para os seus critérios, especialmente no jogo a meio campo, virem a ter vincada influência no desfecho desta meia-final do Euro 2012. 

 

Adenda: Agora que já é conhecida a (suspeita) nomeação do árbitro turco Cuneyt Çakir, veremos o impacto que os seus critérios terão no jogo, mediante o que escrevi neste post há dois dias atrás. É de recordar que quem manda na arbitragem da UEFA é o espanhol Angel Villar e o turco Senes Erzik.


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23 Jun 12

 

 

Nuno Álvares Pereira


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22 Jun 12

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14 Jun 12
A ver o Europeu (4)
Pedro Correia

Ia decorrido o minuto 49 quando aconteceu um golo monumental, daqueles que nos ficarão para sempre na memória, durante o jogo Espanha-Irlanda, disputado hoje debaixo de chuva em Gdansk (Polónia).

Foi um golo invulgar, mas que ilustra de forma exemplar a indiscutível superioridade espanhola num encontro em que os irlandeses sofreram aquela que foi até agora a mais copiosa derrota deste Campeonato da Europa. David Silva recebeu a bola na grande área irlandesa. Tinha à sua frente três defesas que neutralizou com uma simulação perfeita, como se tivesse ao seu dispor todo o tempo do mundo: bastou-lhe uma simples troca de pés, passando a bola do direito para o esquerdo, com o qual rematou - pouca força, muito jeito - sem hipóteses para o guardião Shay Given, que nunca imaginou um desfecho destes.

Sem golos o futebol não chega a ser uma festa. Disso não se podem queixar todos quantos viram este encontro, onde a superioridade espanhola foi quase escandalosa. Se os bons lances de futebol justificassem música, como acontece nas touradas, mais de metade da partida teria ocorrido ao som estridente dos pasodobles, com o carrocel catalão e castelhano a provocar vertigens aos verdes devotos de São Patrício.

De vez em quando as câmaras focavam o rosto do seleccionador da Irlanda: Giovanni Trapattoni, bem conhecido dos portugueses, era a imagem personificada da impotência táctica perante a equipa que ostenta justamente os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Com cerca de dois terços de posse de bola em tempo útil, nuestros hermanos confirmaram hoje que são sérios candidatos à revalidação do título. E ninguém personificava melhor isso do que Andrés Iniesta. Fala-se muito em Lionel Messi (por bons motivos), tem-se falado também muito em Cristiano Ronaldo (por motivos menos bons), mas pouco se fala deste genial médio catalão de 28 anos que constrói jogadas impossíveis e oferece aos colegas semigolos servidos em bandeja de ouro.

Reparem em Iniesta enquanto joga: os olhos dele nunca deixam de acompanhar a circulação da bola. Como se sofresse quando não a tem e se transfigurasse sempre que a possui.

"Quem quer ver espectáculo, vá ao Scala de Milão", costuma dizer Trapattoni. Erro crasso: hoje houve espectáculo em Gdansk. No relvado, onde os espanhóis imperaram. E nas bancadas, dominadas pelos fãs irlandeses. Que nunca deixaram de vibrar do primeiro ao último minuto. Como se tivessem uma hipótese remota de ganhar quando estavam condenados a uma derrota inapelável.

 

Espanha, 4 - Irlanda, 0


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10 Jun 12
A ver o Europeu (2)
Pedro Correia

Aconteceu ao minuto 53 do Espanha-Itália, disputado esta tarde em Gdansk (Polónia). No meio-campo espanhol, Sergio Ramos perdeu a bola, que foi parar por capricho aos pés de Mario Balotelli. O dianteiro italiano que joga no Manchester City passou a ter apenas à sua frente, como obstáculo para fazer golo, o guardião Casillas. Com o jogo ainda empatado a zero, esperava-o daí a instantes um clamor de glória ecoando nas bancadas. Mas algo estranho aconteceu: Balotelli pareceu desinteressar-se do lance. Como se não lhe apetecesse estar ali, como se não quisesse marcar golo. Durante uns segundos, que pareceram uma eternidade, hesitou. E foi então que Ramos, que vinha de trás em corrida desenfreada, corrigiu o erro anterior e retirou-lhe a bola.

Não houve glória para Balotelli. Nem mais lugar para ele na squadra azzurra. O técnico Cesare Prandelli não tardou a mandá-lo abandonar o relvado, ordenando a entrada de Di Natale, melhor marcador italiano do campeonato. E este não entrou em campo com as dúvidas existenciais do colega, filho de imigrantes ganeses que um dia aportaram à Sicília em busca de um futuro melhor. Três minutos depois, Di Natale marcava, mostrando que não havia sombra de temor reverencial dos azuis frente à "fúria" espanhola.

Há momentos capazes de virar um jogo. Prandelli tomou a decisão correcta ao ordenar aquela substituição sem qualquer demora. Consciente de que o futebol que perdura na memória colectiva não é o que resulta da soma de falhanços: é o que resulta da acumulação de êxitos, no espaço e no tempo. A partir daí, e até ao apito final, o jogo tornou-se ainda mais emocionante, ganhou ainda mais qualidade - no plano técnico e no plano táctico. Um verdadeiro jogo de Europeu, como o José Navarro de Andrade já sublinhou aqui. Com artistas como Pilro e Thiago Motta nas fileiras italianas e os nossos bem conhecidos Iniesta, Silva e Xaví do lado espanhol.

Acabou empatado, com Fabregas a marcar para Espanha aos 63', mas não foi um jogo de empatas. Embora os italianos tenham mais motivos para sorrir: há sempre um sabor a vitória quando se empata com a selecção que ostenta os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Tudo funcionou afinal como uma eficaz acção de propaganda ao futebol de alta competição. Só mesmo Balotelli parecia deslocado naquele filme.

 

Espanha, 1 - Itália, 1


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ES X IT
José Navarro de Andrade

O esplendor do futebol foi o Espanha X Itália de hoje.

O futebol não é xadrez. Também não é aquela patetice numerológica que os peritos sentados gostam de alinhar, como se as posições fossem estáticas e rectilíneas.

O futebol é só dinâmica, movimento, curva. É a relva mais seca aqui e húmida ali, é marcar o pé direito do adversário obrigando-o a descair para o meio – ou para fora; é saber que agora faço isto, mas depois faço aquilo; é confiar que posso ir em frente porque alguém estará nas minhas costas – é nunca ficar à espera.

Sem perceber que o futebol não é pensado, não se pensa nem percebe o futebol.

Ora o Espanha X Itália pareceu uma assembleia de cérebros do MIT. Iniesta, Xavi, Fabregas, Pilro, Motta, Chiellini, para todos eles a perfeição técnica e a precisão do passe são apenas uma condição para uma perfeita inteligência intuitiva – eles sabem sempre o que fazer, com ou sem bola. E a presença de um clown como Balotelli só reforçou esta sensação.


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21 Abr 12
Isto é jornalismo?
Pedro Correia

                 

 

Falamos muito da imprensa por cá. Mas de vez em quando convém deitar os olhos para o que se passa lá fora. Em Espanha, por exemplo. O Mundo Deportivo, barcelonista até à medula, troca a informação pela propaganda mais gritante na primeira página, pondo em destaque um sorridente Messi e escrevendo isto: «El Barça quiere dar el golpe a la Liga empujado por 100.000 gargantas.» O Sport catalão grita ainda mais alto, com vários pontos de exclamação - ao ponto de quase ensurdecer o leitor que não se deixa embriagar pelo fanatismo culé. Com títulos quase lacrimejantes, como este: "Mosaico espectacular y emocionante canto do himno del Barça.»

Se a histeria redactorial marcasse golos, a equipa de Pep Guardiola teria hoje ganho de goleada ao Real Madrid - eterno rival - em Camp Nou. Mas sucedeu ao contrário: o Real acaba de vencer em casa do adversário, por 2-1 - com Cristiano Ronaldo a marcar o golo decisivo. Este resultado, na prática, faz do clube treinado por José Mourinho o novo campeão de Espanha. De nada adiantam agora as desbragadas loas a Guardiola ou as recorrentes insinuações de que os madrilenos só conseguem ganhar com a ajuda dos árbitros...

A realidade cola muito mal com a propaganda. Qualquer semelhança entre jornalismo e estes eflúvios nacionalistas centrados no futebol é pura coincidência.


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12 Abr 12

 

Mais três golos de Cristiano Ronaldo no campeonato espanhol. Desta vez em casa do adversário - o antigo rival Atlético de Madrid. Com 40 golos já marcados neste campeonato, o número 7 do Real Madrid consolida a liderança entre os goleadores em Espanha. Reparem sobretudo nos dois primeiros golos, dignos de figurar em qualquer antologia.

O título do El País de hoje diz tudo: "Un líder llamado Cristiano". Nada mais certo.


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22 Mar 12

 

Eis uma manchete que diz tudo. Manchete do jornal Marca, campeão de vendas da imprensa diária espanhola, em crítica frontal à arbitragem do jogo Villareal-Real Madrid, que terminou empatado e com três jogadores madridistas expulsos. Gostaria de ter visto uma manchete destas por cá na terça-feira, dia seguinte ao Gil Vicente-Sporting, jogo também estragado por uma arbitragem escandalosa.


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