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És a nossa Fé!

Grande exibição do pequeno Gauld

Grande partida de Ryan Gauld esta noite na vitória do Aves sobre o Belenenses. O jovem escocês, emprestado pelo Sporting, marcou o golo do triunfo (2-1) e destacou-se como o melhor em campo.

Este é outro campeonato que vale a pena acompanhar. O campeonato dos nossos jogadores que actuam por empréstimo noutros clubes.

Alguns poderão voltar a jogar de verde e branco num futuro próximo.

Porta giratória

Sai Paulo Oliveira, Adrien parece já uma carta fora do baralho, Domingos Duarte volta a ser dispensado. O mesmo deverá acontecer a Tobias Figueiredo, João Palhinha, Matheus Pereira, Francisco Geraldes e Iuri Medeiros.

Hão-de vir ainda um extremo-esquerdo, um novo defesa central, um lateral direito, um novo médio defensivo e talvez outro avançado. Quase meia equipa, o que torna este estágio na Suíça pouco menos que inútil para criar automatismos e fomentar espírito de grupo.

Eis o Sporting neste início do terceiro ano do reinado de Jorge Jesus.

O regresso de Mané

Hoje fala-se no regresso de Carlos Mané a Alvalade. Espero que não aconteça. O dinheiro da sua venda (15 milhões de euros) dará mais jeito do que o seu contributo em campo e o rapaz, que parece boa pessoa e verdadeiro sportinguista, merece jogar e não ficar no banco como penso que aconteceria. Aliás, Jesus bloqueou a sua saída em janeiro de 2016 e depois pouco o utilizou. 

Francisco Geraldes

Francisco-Geraldes[1].jpg

 

Francisco Geraldes, jogador do Sporting  emprestado ao Moreirense, destacou-se na vitória de ontem da equipa de Moreira de Cónegos ao Feirense, em Vila da Feira (0-3). Desenhou o primeiro golo, assistiu no segundo e marcou o terceiro.

Depois de ter brilhado ao serviço do Sporting B na época passada, o nosso médio criativo - com apenas 21 anos - promete dar nas vistas no campeonato nacional de futebol 2016/17.

Um percurso a seguir com atenção.

 

ADENDA: Francisco Geraldes integra o onze da semana europeia, segundo a Gazetta dello Sport.

Melhor formação do mundo ... excluindo o Dubai

Na sequência de um fim de semana em que os meninos da B se exibiram a grande nível, e em que o nosso adversário não contou com 2 dos seus melhores jogadores, por estarem emprestados por nós, dei por mim a pensar:

 

"Quem das nossas promessas merece estar na equipa A?"

"Quem das nossas promessas deveria rodar e ganhar experiência numa equipa de primeira liga?"

 

Gostava de ter a vossa opinião.

Já se curou da diarreia

Gostei de ver aquele moço formado na escola do Dragão, o Tiago Rodrigues, batendo-se há pouco em campo contra o Sporting como se não houvesse amanhã. O mesmo que, coitado, teve de falhar há escassas semanas o jogo do Nacional contra o FCP por motivos de natureza gastro-intestinal.

Felizmente já se mostrou curado da diarreia e esfarrapou-se em Alvalade, talvez para compensar a inactividade forçada do tal jogo que falhou. Fez bem. O Nacional perdeu na mesma, mas o espectáculo desportivo ganhou com isso.

Súbitas melhoras

Boas notícias lá para as bandas de Arouca: Joris Kayembe, jogador emprestado pelo FCP que não pôde jogar contra os azuis e brancos na última jornada e nem sequer se sentou no banco de suplentes porque (na versão do treinador Pedro Emanuel) "esteve condicionado toda a semana e não estava em condições para render a cem por cento", melhorou extraordinariamente nos últimos dias e segundo a imprensa de hoje ei-lo enfim recuperado, fino como uma alface, já pronto a defrontar o Gil Vicente no domingo.

Aliás a recuperação foi tão espectacular que acaba de ser chamado para integrar a partida contra a Moldávia da selecção belga sub-21. O que só comprova as súbitas melhoras do seu estado de saúde, graças a Deus.

Ora aqui está um tema que pode motivar o treinador basco dos portistas a entoar mais umas patacoadas sobre "verdade desportiva" naquele seu tom assarapantado de quem acaba de descobrir a pólvora. Vem mesmo a calhar.

Ponto da situação III

Maurício cedido à Lázio;

Ewerton contratado por empréstimo até final da época com opção de compra por verba já definida;

Ricardo Esgaio e Cissé, emprestados à Académica, até final da época;

Os B's:

Iuri Medeiros e Fabrice Fokobo, emprestados ao Arouca;

Filipe Chaby, emprestado ao União da Madeira;

Baldé, emprestado ao B.Castelo Branco;

Enoh, emprestado ao Leixões.

Todos até final da época.

E ainda:

Manafá, cedido a título definitivo ao Beira-Mar, com 50% duma futura venda;

Zihao Yan, rescisão por mútuo acordo.

Diego Rúbio e Zezinho regressam sendo reintegrados nesta equipa.

 

Que sejam muito felizes, principalmente os que continuam ligados ao Sporting e que cresçam, para regressarem mais jogadores e com mais argumentos para integrarem a equipa principal.

Um caso exemplar, um caso vergonhoso

Alguns lampiões, embaraçados com o caso Dyverson-Miguel Rosa, procuraram fazer um paralelo com o Sporting para dar a entender que todos os clubes chamados grandes procedem da mesma forma.

Falharam por completo o tiro.

 

O Sporting procede exactamente ao contrário. Mesmo quando teve jogadores emprestados noutros clubes da primeira divisão, nunca os impediu de exercerem temporariamente a profissão nem de mostrarem o que valem.

Aconteceu com Adrien e Cédric, emprestados à Académica e que nessa condição defrontaram o Sporting na final da Taça de Portugal 2011/12, vencendo-a.

Aconteceu com Wilson Eduardo, que na mesma temporada alinhou no Olhanense, por empréstimo de Alvalade, e até marcou um golo ao Sporting quando as duas equipas se confrontaram.

Aconteceu com João Mário, que na época passada defrontou o Sporting enquanto jogador emprestado ao V. Setúbal, tendo contribuído para o nosso empate no Bonfim.

 

Alegam alguns lampiões que no Olhanense-Sporting o treinador Cajuda viu-se impedido de utilizar Nuno Reis - outro jogador emprestado pelo Sporting - devido a pressões leoninas. Algo sem pés nem cabeça. Aliás logo na altura o presidente do Clube de Olhão, Isidoro Sousa, deixou bem claro que não havia qualquer acordo de cavalheiros entre os dois clubes nesse sentido. Sublinhando que a utilização do Wilson Eduardo era a melhor prova disso.
Um caso exemplar.


Exactamente ao contrário do que sucedeu agora. O presidente da SAD do Belenenses, Rui Pedro Soares, confirmou ter um acordo de cavalheiros com Luís Filipe Vieira para a não-utilização de Miguel Rosa e Dyverson contra o Benfica. Apesar de nenhum destes jogadores - responsáveis, em conjunto, pela marcação de mais de 80% dos golos "azuis" - ter vínculo ao SLB ou figurar entre os emprestados. Apesar de ser o clube de Belém a pagar-lhes os salários.

Mesmo assim não chegaram sequer a equipar-se.
Um caso vergonhoso.

 

ADENDA: Já sem "impedimento" de espécie alguma, Miguel Rosa e Dyverson voltaram hoje a jogar. Mas a conduta antidesportiva dos dirigentes do clube de Belém recebeu uma justa punição: o Belenenses acaba de ser derrotado em casa pelo Sporting de Braga. A trafulhice não compensa.

Assim é mais fácil

De facto nós, no Sporting, somos diferentes. Tínhamos Adrien e Cédric emprestados à Académica na época 2012/13. Defrontámos a equipa de Coimbra na final da Taça de Portugal sem pormos em causa a presença dos nossos jogadores no onze adversário - e perdemos a Taça. Na época passada defrontámos o V. Setúbal, onde alinhava João Mário por empréstimo de Alvalade. Não nos importámos que ele jogasse contra nós: fez uma grande exibição e saímos do Bonfim com um empate.

 

Comportamento bem diferente do Benfica, que pelo segundo ano consecutivo defrontou um Belenenses desfalcado, sem Miguel Rosa nem Deyverson, bons jogadores que alinham na turma de Belém sem vínculos ao SLB, de onde foram transferidos. Mesmo assim, foi quanto bastou para o presidente da SAD do Belenenses lhes ter ordenado que não jogassem, alegando ao que parece um "acordo verbal" estabelecido com Luís Filipe Vieira.

Isto só confirma o profundo receio do SLB na abordagem deste jogo, temendo empatar ou perder se Miguel Rosa (de quem o Benfica conserva parte do passe) e Deyverson (sobre quem o Benfica tem uma cláusula de opção) tivessem alinhado, como era intenção inicial do treinador Lito Vidigal. Não admira: marcaram ambos 11 dos 15 golos já feitos pelo clube da cruz de Cristo neste campeonato.

Mas o presidente da SAD de Belém, Rui Pedro Soares, preferiu pôr-se de cócoras perante o emblema da águia.

Assim é mais fácil superar obstáculos, ainda que à custa da amputação das equipas adversárias e da própria verdade desportiva.

Mas isto viola o princípio da equidade, essencial em qualquer competição futebolística.

 

É mais que tempo, pois, de impor regras nesta matéria, clarificando se os jogadores emprestados ou com algum vínculo a outro clube devem defrontar as suas equipas de origem. Não pode é continuar como está: uns jogam e outros não.

E fica o alerta para o Sporting: não podemos voltar a emprestar jogadores sem deixar claro que não queremos que joguem contra nós.

Texto editado

A irreverência do Benfica

 

Nunca concordei com a lei dos empréstimos no futebol português e não será uma qualquer «poeira jurídica» do Conselho de Justiça da FPF e, muito menos ainda, a irreverente bazófia do Benfica, que me fará mudar de ideias. Recorde-se que pela aprovação de um novo regulamento a proibir os empréstimos entre clubes da mesma divisão, o clube da Luz veio à praça fazer forte oposição e acabou por recorrer da decisão da assembleia geral da Liga. Disse, então, o director - sem pasta - Rui Costa: «Como director e ex-jogador considero que vai prejudicar o jogador português. Os que saem dos juniores ou das equipas B, com essa lei, terão que ir para a segunda divisão ou para o estrangeiro para continuarem a sua evolução. Vamos ser obrigados a enviar jogadores para o estrangeiro». O órgão federativo, numa decisão cujo raciocínio nunca foi explanado, mas que é reconhecida pela sua improbidade, deu provimento ao recurso e a lei dos empréstimos mantem-se no activo.

Com isto em mente, vejamos o actual estado das coisas com o clube do outro lado da segunda circular, ao que concerne o muito apregoado mito quanto à preocupação com o jogador português:

 

1. Equipa principal: dos 23 jogadores inscritos, apenas 4 são portugueses: Luisinho, Carlos Martins, Paulo Lopes e Miguel Vítor.

 

2. Resumo dos emprestados: Pelo registo disponível, o Benfica mantem no seu «armazém» 16 jogadores emprestados - 6 nacionais e 10 estrangeiros. Em Portugal, mesmo com a badalada lei dos empréstimos, existem apenas 3 jogadores portugueses emprestados a clubes da mesma divisão: Fábio Faria ao Rio Ave, Rúben Amorim ao SC Braga e David Simão ao Marítimo. Os restantes 3 são estrangeiros. Fora das fronteiras, estão 6 jogadores nacionais emprestados e 4 estrangeiros.

 

3. Mesmo na equipa B - à qual Luís Filipe Vieira referiu recentemente pelo lote de jogadores portugueses - verifica-se o seguinte registo: aparecem inscritos 30 jogadores, 18 nacionais e 12 estrangeiros. Entre os nacionais, apenas 12 foram formados no clube - 2 acima do limite mínimo que, por regulamento, têm que aparecer em cada linha de jogo.

 

Perante esta disposição, era conveniente que Rui Costa ou qualquer outro responsável do Benfica viesse novamente à praça explanar o raciocínio em prol do regulamento dos empréstimos e, muito em especial, os exactos benefícios para o jogador português, já que as estatísticas iludem essa disposição. Mais uma situação sem nexo no futebol português, que permite que uma minoria dominadora preserve - por meios nebulosos - o «status quo» em detrimento do todo e sem razão de ser.

Os excedentários e outros do Sporting

Pelas informações disponíveis, o Sporting resolveu até ao fecho do mercado todos os casos relacionados com jogadores excedentários e ainda outros por aparente opção desportiva:

 

- Leando Grimi, no último ano de contrato, foi emprestado ao Godoy Cruz da 1.ª Divisão argentina. As condições não foram divulgadas.

 

- Wilson Eduardo foi emprestado por uma época à Académica.

 

- João Gonçalves, no último de contrato - esteve emprestado ao Olhanense na época passada e estava este ano com a equipa B - foi emprestado ao Vitória de Guimarães. Salvo uma campanha excepcional, não é de prever o seu regresso ao Sporting.

 

- Amido Baldé assinou com o Vitória de Guimarães. Tudo indica que o Sporting não renovou o seu contrato, mas não é claro se ainda mantem alguns direitos sobre o jogador.

 

- Valerie Bojinov foi emprestado ao Helias Verona da série B italiana por uma época, com opção de compra por 1,5 milhões de euros.

 

- Oguchi Onyewu foi emprestado ao Málaga por uma época com opção de compra.

 

- Atila Turan que esteve com o Beira-Mar na época passada e militava agora na equipa B, foi emprestado ao Orduspor da 1.ª Divisão da Turquia por uma época.

 

- Sinama-Pongolle rescindiu por mútuo acordo.

 

- Como já tinha referido num outro post, o Sporting tem ainda 8 outros jogadores emprestados por uma época: Nuno Reis, Miguel Serôdio, Evaldo, André Santos, Diogo Salomão, Renato Neto, William Owuso e William Carvalho. No plantel principal constam 23 jogadores.

 

O cenário dos emprestados 2012-13

 

Durante a época de 2011-12, o Sporting teve 25 jogadores emprestados, a maioria dos quais no estrangeiro. Com a recuperação da equipa B o cenário alterou-se significativamente. A distribuição dos 25 para a época de 2012-13, na data deste post, é a seguinte:

  

 

*** 3 encontram-se com a equipa principal: Cédric Soares, Adrien Silva e Wilson Eduardo.

*** 7 com a equipa B: Victor Golas, Luís Ribeiro, Atila Turan, Eric Dier, Pedro Mendes, João Goncalves e Zézinho.

*** 4 cujos contratos não foram renovados: Mexer, André Marques, Celsinho e Juary Soares.

*** 1 que foi transferido: Jaime Valdés - Parma.

*** 1 que rescindiu: Luís Aguiar.

*** 3 que ainda estão por definir: Leandro Grimi (ex-Genk), Sinama-Pongolle (ex-St. Étienne) e Valeri Bojinov (ex-Lecce, a treinar com o CSKA Sófia)

*** 6 que continuam emprestados: Miguel Serôdio, William Carvalho, William Owuso, Diogo Salomão, Amido Baldé e Nuno Reis.

 

A lista dos já confirmados emprestados até 30 de Junho de 2013:

 

* André Santos, Evaldo Fabiano e Diogo Salomão (Deportivo da Corunha)

* Renato Neto (Videoton)

* Amido Baldé (Celtic)

* Miguel Serôdio (Varzim)

* William Carvalho (Cercle Brugge)

* William Owuso (Westerloo)

* Nuno Reis (Olhanense)

 

Dr. José Manuel Meirim: a decisão do CJ

Num post que publiquei intitulado «O que dizem eles», no qual comentei as declarações de algumas figuras públicas sobre a decisão do Conselho de Justiça da FPF, relativamente à proibição dos empréstimos no futebol português, citei esta do dr. José Manuel Meirim: «A decisão é clara e significa o fim da proibição ao cancelamento dos empréstimos». A minha observação: «E quem andar à chuva, molha-se. Foi necessário consultar um especialista em Direito para nos dizer isto? É evidente que o mais importante, pelos seus conhecimentos jurídicos, ficou por dizer, para não contrariar a maré ».

 

As comunicações electrónicas facultam um certo anonimato aos leitores, pelos seus comentários. Recebi um, identificando-se como José Manuel Meirim, e não obstante alguma apreensão da minha parte, quanto à sua genuinidade, transcrevo-o neste espaço e respondo:

 

«Não tenho por hábito interferir nas opiniões sobre a minha pessoa e afirmações. Por uma questão de reposição da verdade - os comentários são, na maioria das vezes, efectuados com total desconhecimento do contexto - devo acrescentar algo aos leitores e comentaristas deste blogue. A única pergunta que me foi feita pelos jornalistas - no desconhecimento dos fundamentos da decisão do CJ - só tinha aquela resposta. Não sou responsável pelo que me perguntam. Apenas sou responsável pelo que respondo. De todo modo, trazido a debate um denominado princípio da liberdade de trabalho, não vejo como o mesmo fica afectado com a proibição das cedências nos termos da norma da LPFP. Tal princípio funciona, em pleno, no momento em que os clubes que querem ser cedentes contratam os jogadores. A partir daí, com a liberdade de acesso ao trabalho assegurada, não vejo como a proibição da cedência, como configurada, ofende tal princípio. Se os clubes os contratam, porque não ficam com eles ? Obrigado. José Manuel Meirim».

 

Resposta:

 

Caro Dr. José Manuel Meirim,

 

Subscrevo inteiramente as suas palavras, não obstante o reparo algo derrogatório, e pelo que agora se verifica, injusto, que dirigi à sua pessoa, pela frase «no que ficou por dizer, para não contrariar a maré». Apenas a modo de explicação, esta crítica deve-se, fundamentalmente, à minha óptica pessoal e sportinguista há muito influenciada pelas anormalidades que ocorrem com exasperante frequência no futebol português, invariavelmente em seu detrimento e, colateralmente, do Sporting. Apresento-lhe as minhas sinceras desculpas pela incorrecta presunção, muito embora nunca tenha duvidado do seu real parecer no que diz respeito à essência jurídica da alegada «limitação de livre acesso a trabalho», assim noticiada como a principal justificação do Conselho de Justiça da FPF, ao dar provimento ao recurso apresentado pelo Benfica. Em última análise, a sua apreciação do caso corrobora a minha, por outras palavras.

 

Dar provimento ao absurdo

Ao longo dos anos já passaram pela minha frente muitas decisões judiciais desprovidas de razão e de bom senso, mas esta do Conselho de Justiça da FPF a dar provimento ao recurso do Benfica, sobre o impedimento aos empréstimos de jogadores dentro da mesma divisão, atinge novos patamares de absurdidade. O teor completo do juízo ainda não é conhecido, mas por o que foi noticiado, a justificação principal assenta-se na risória premissa de que o regulamento aprovado pelos clubes na Assembleia Geral da Liga «limitaria o princípio de livre acesso a trabalho». Nem sequer me vou dar ao trabalho de elaborar um qualquer argumento quanto à nulidade desta premissa, transparente na sua intenção de «atirar poeira jurídica para os olhos». No que ao Benfica concerne - uma vez que foi a entidade que apresentou o recurso e que na época passada emprestou 29 jogadores estrangeiros - esta decisão infere, explicitamente, que o conselho federativo português atribui a si dispensação jurisdicional para deliberar sobre «o princípio de livre acesso a trabalho» de cidadãos do Brasil, Suécia, Eslovénia, Uruguai, Paraguai, Argentina, e Cabo Verde, só para nomear alguns, num contexto generalizado e ignorando o enquadramento real e legal relevante a esta ocorrência laboral.

De qualquer modo, o que aconteceu, na realidade, foi que o voto legítimo e democrático da Assembleia Geral da Liga lesou os interesses partidários de uma minoria - leia-se, Benfica e FC Porto - e, daí, a necessidade de encaminhar o processo para outro fórum onde as influências obscuras poderiam agir em todo o seu esplendor, à conveniência. Gostaria de ver os clubes recorrerem desta decisão mas duvido que aconteça. O mais provável, à boa portuguesa, é alcançarem um qualquer entendimento para aplacar as vozes mais ruídosas e satisfazer os mesmos interesses. Não posso dizer que fiquei pasmado pela decisão, mas lamento verificar que mais uma vez o futebol português foi traído.

Recurso juridicamente insustentável

Dentro de um qualquer enquadramento jurídico, um recurso é precipitado pela incapacidade do ser humano de se submeter à decisão de outrem quando ele entende que esta lhe traga algum gravame ou prejuízo. Na história do direito, em todas as épocas e em todos os povos, o recurso possibilita o arbítrio, de forma a permitir que uma decisão possa ser reavaliada por um outro juízo. No entanto, o recurso para ter o alcance almejado, ou para que seja procedente o pedido, necessita de previsão legal.  

O Benfica avançou com um recurso junto do Conselho de Justiça da FPF, contra o impedimento de emprestar jogadores a clubes do mesmo escalão competitivo. Desconheço os argumentos apresentados pelo clube da Luz e, para o caso, pouco importa, já que lhe é concedido o direito a recorrer. O que mais intriga, segundo o que foi noticiado, é que o Conselho de Justiça notificou todos os clubes da Liga e da 2.ª Liga, além da própria Liga de Clubes e do presidente da Assembleia Geral da Liga, para se pronunciarem sobre o referido recurso. É inevitável que conste da acta oficial que a decisão foi aprovada legitimamente por voto maioritário em Assembleia Geral da Liga, que esta é competente e que o novo regulamento não transgride qualquer outra lei vigente. Por conseguinte, não se vislumbra existir qualquer erro de facto ou de lei que sustente o recurso.   Daí, que o Conselho de Justiça necessite de comprovação pelo presidente da Assembleia Geral, ou até da Liga, quanto à legalidade do processo que decorreu, é compreensível. Já o mesmo não se pode dizer do convite aos clubes, salvo o Benfica que apresentou o recurso, uma vez que o presidente da Assembleia Geral é o representante dos clubes. Com tudo isto e considerando o registo de antecedentes da justiça desportiva portuguesa,já para não invocar a obscuridão dos corredores do poder, não surpreenderá que o novo regulamento ainda venha a sofrer um reverso. Tudo isto apenas porque não agrada ao clube da Luz vir a ser impedido de armazenar jogadores, como é a sua usual prática.

 

Jogadores emprestados na época de 2009-10

,

Continuando com o debate sobre a nova lei dos empréstimos e a sustentar a tese de que o objectivo primacial de certos clubes tem sido apenas armazenar jogadores, segue um relatório sobre os jogadores emprestados na época de 2009-10. Com base nas alegações da oposição de que a nova lei irá prejudicar o jogador nacional, assim como o continuado desenvolvimento dos jovens, desafio, quem quer que seja, a demonstrar o aproveitamento dos seguintes jogadores e, contar pelos dedos quase de uma só mão, quantos são portugueses, à excepção dos do Sporting:

 

Benfica: Sepsi (Santander) - Walter Moraes (Olhanense) - Tiago Gomes (Hércules) - Edcarlos (Fluminense) - Binya (Neuchatel, Suiça) - Marcel (Vissel Kobe, Japão) - Rúben Lima (V. Setúbal) - Romeu Ribeiro (Trofense) - André Carvalhas (Fátima) - David Simão (Fátima) - Leandro Pimenta (Beira-Mar) - Ysmael Yartey (Beira-Mar) - Ivan Santos (Carregado) - Miguel Rosa (Carregado), André Diaz, Freddy Adu e Balboa.

 

Pergunta: Quantos destes ingressaram e permaneceram no plantel principal do Benfica ?

 

Sporting: Rui Fonte (V.Setúbal) foi para o Arsenal em 2006, regressou ao Sporting em 2009 e em 2011 foi dispensado, vinculando-se, entretanto, ao Espanhol - Diogo Rosado (Real Massamá) assinou recentemente pelo Génova - André Santos (União Leiria) esteve com a equipa principal duas épocas e foi agora emprestado ao Deportivo da Corunha - João Gonçalves (Olhanense) esteve lesionado e foi novamente emprestado ao Olhanense. Está actualmente integrado na equipa B - Victor Golas (Real Massamá) foi emprestado depois de fazer a última pré-época com a equipa principal e está actualmente com esta - André Martins (Real Massamá) está com a equipa principal desde a época passada - Pedro Mendes (Real Madrid) está agora integrado na equipa B do Sporting - Diogo Amado (Real Massamá) esteve emprestado ao Estoril a época passada e desconheço onde irá jogar esta época.

 

FC Porto: A lista dos jogadores emprestados pelo clube do Dragão é extensa de mais para individualizar neste espaço. Basta adiantar que continha 26 nomes - 11 portugueses e 15 estrangeiros. Dos 11 portugueses, 6 foram formados no clube e todos os 11 continuam emprestados sem ingressarem na equipa principal. Quase todos os 15 estrangeiros já foram transferidos ou dispensados.

 

Pergunta: Onde é que está o aproveitamento concreto dos empréstimos pelo FC Porto ao longo de três épocas e como é que os interesses dos jovens portugueses foram salvaguardados, considerando que quase todos continuam sem clube definido ? 

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