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És a nossa Fé!

Sem paciência para Domingos

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Em vez de reconhecer a prestação medíocre dos seus jogadores e o falhanço completo da estratégia que montou para procurar o empate a zero em Alvalade, incapaz de prever o reforço da pressão atacante posta em prática por Marco Silva, Domingos Paciência optou pela queixinha, criticando o árbitro por não ter sancionado o Sporting com livre directo na sequência dos dois pequenos toques que William Carvalho deu na bola.

Certas declarações têm o condão de engrandecer os homens. Outras diminuem-nos, como agora sucedeu com Domingos. Para dizer o que disse, mais valia ter-se calado.

Uma pequena grande diferença

A saída de Jesualdo Ferreira foi a primeira grande decisão que o presidente Bruno de Carvalho teve de tomar desde o início do mandato. Bruno de Carvalho e Jesualdo Ferreira chegaram a acordo internamente, esperaram pelo fim do campeonato e foram os dois a uma conferência de imprensa anunciar o desfecho das negociações. Um acordo de cavalheiros, que muito honra o Sporting, tal como Tiago aqui sublinhou. Agora, a título de flashback para o mandato do pior presidente da história do clube, recordem-se da forma como foram "vassourados" Domingos Paciência e Franky Vercauteren. É algo de muito importante? Talvez não. Mas a forma como se trata aqueles que servem o clube diz muito de uma direcção. Eu quero que o meu clube seja um clube de bem e que não se porte como um pantomineiro. Esta é uma pequena grande diferença.

Contagem decrescente: reflexões sobre o Sporting (VII)

O melhor e o pior, em futebol, medem-se com factos concretos. É algo que não pode confinar-se ao domínio da pura subjectividade. Essa é uma vantagem que o futebol tem, por exemplo, em relação à política.
Que a saída de Domingos Paciência foi grave, como alguns de nós (poucos) na altura dissemos, ficou bem demonstrado nos meses que se seguiram a esse despedimento. A equipa ficou pior, sempre pior. Não sou eu que o digo, no bom 'achismo' à portuguesa: são os factos que gritam. O Sporting cumpriu a pior época e situou-se no pior lugar de sempre no campeonato, ficando igualmente excluído da qualificação para uma competição europeia - algo que não sucedia há 37 anos.
Alguns defendem que a eventual saída de Jesualdo Ferreira, no termo desta época, constituirá algo "mais grave" que a de Domingos quando iam decorridos dois terços da época passada. É um raciocínio que não consigo acompanhar. Porque isso implicaria que na próxima época o Sporting viesse a comportar-se ainda pior do que se comportou nesta. Algo em que, sinceramente, nenhum sportinguista acredita.

Mas, uma vez mais, os factos cá estarão para o demonstrar.

Desejo

Eu desejo, sinceramente desejo, que o novo presidente seja feliz e faça bom trabalho, em prol do nosso clube. O Sporting precisa disso. Mas desejo também que, em nome da ética, se não cometam os erros que foram cometidos antes. E que, aqueles que são seguidores mais radicais da mudança, tenham cabeça fria o suficiente para entender o entendível. A história do Inácio é lamentável. Não por, como o Domingos, ele ter compromisso com um clube até final da temporada e o querer honrar. Até aqui, tudo bem, nada a apontar. Mas o Domingos, enquanto foi treinador do Braga, não deu entrevistas falando do Sporting ou pelo Sporting. Manteve o recato de quem é sensato e sério, até final. O Inácio poderia e deveria, a meu ver, ter feito o mesmo. Não deveria ser aceitável, mesmo para quem é fanático da nova direção, ler-se entrevistas do treinador do Moreirense como se já diretor da SAD e do diretor da SAD como se já não treinador do Moreirense. Se se fala do Domingos, como um exemplo, ele de facto é um bom exemplo de comportamento ético exemplar. E era tãó fácil evitar esta trapalhada! Bastaria trabalhar em silêncio, e falar apenas na hora apropriada. Mas o brilho dos palcos mediáticos perturba as mentes menos sensatas. E o vinho da vitória enebria quem o bebe em excesso. Porque no te callas?

Um ano depois

 

Faz agora um ano, Godinho Lopes cometeu o seu maior erro enquanto presidente do Sporting: dispensou abruptamente Domingos Paciência do comando técnico da equipa, ao fim de escassos oito meses em funções, a pretexto de três jogos mal sucedidos e de uma irrisória manifestação de hostilidade ao treinador por parte de duas dezenas de imbecis no aeroporto de Lisboa. Ainda hoje estamos para conhecer os motivos do insólito despedimento do homem que Godinho Lopes tanto enalteceu no início do seu mandato prometendo que seria ele a conduzir o futebol profissional do Sporting no caminho de regresso aos troféus.

 

Na recente mega-entrevista ao Record, o ainda presidente leonino nada esclareceu sobre este controverso acto da sua gestão, refugiando-se em expressões vagas e até contraditórias. "As coisas comigo são claras. Todas as competições são importantes. Na análise que foi feita na altura, entendemos que o projecto previsto para o clube com Domingos Paciência não teria condições para continuar. Gosto de Domingos mas, na altura, entendi que era a melhor opção", declarou Godinho Lopes.

Ou seja, tudo menos claro. O ainda presidente, que tanto apregoa a necessidade de deixar cumprir os mandatos quando o visado é ele próprio, não deixou nenhum dos seus principais colaboradores para o futebol profissional cumprir qualquer mandato. Nem Domingos, nem Sá Pinto, nem Vercauteren, nem Luís Duque, nem Carlos Freitas. Suprema contradição num homem que é fértil nelas. Repare-se neste outro trecho da entrevista ao Record: "Considero que foi um erro ter contratado tantos treinadores. Isso não significa que eu não tomasse as mesmas decisões que tomei."

Alguém aí falou em incapacidade de liderança?

Se falou, está certo. Tal como referi aqui há um ano, "basta dezena e meia de energúmenos, gritando frases típicas de qualquer reles arruaceiro contra os jogadores e a equipa técnica no aeroporto de Lisboa, para fazer tremer a direcção, levando-a a afastar o treinador e tornar letra morta todos as garantias de continuidade proferidas nos últimos meses. Isto incentiva o pior dos populismos. Energúmenos deste género já levaram outras direcções a rescindir com Bobby Robson e José Mourinho, entre outros técnicos de indiscutível craveira. Se a moda pega, noutro dia qualquer os mesmos indivíduos voltarão a gritar impropérios com o objectivo de atrair as câmaras televisivas e fazer cair o presidente praticamente em directo nos telejornais. E talvez até tenham sucesso."

 

Releio estas linhas, escritas quando este blogue tinha mês e meio de existência, e confirmo: já era então possível detectar as raízes da degenerescência do mandato de Luís Godinho Lopes.

Pior que cometer erros é não reconhecer os erros cometidos. Com os dados hoje ao nosso dispor sabemos que o inexplicável e inexplicado despedimento de Domingos abriu caminho a um prolongado ciclo de pesadelo no Sporting. O pior de sempre.

Bastaria isto para esta data ser lembrada: as lições que encerra devem servir de vacina para prevenir outros males.

As pessoas e as instituições que não assumem os erros estão condenadas a repeti-los. Em doses maiores e suportando consequências ainda mais nefastas.

2012 em balanço (2)

 

TREINADOR DO ANO: DOMINGOS PACIÊNCIA

O princípio do fim da presidência de Luís Godinho Lopes aconteceu na noite de 12 para 13 de Fevereiro, quando o dirigente máximo do nosso clube decidiu despedir Domingos Paciência, o técnico que na época anterior levara o Braga à final da Liga Europa e fora apresentado em Alvalade como seu principal trunfo eleitoral nas eleições de Março de 2011. Domingos estava apenas há oito meses como técnico principal do Sporting e apesar de termos sido claramente prejudicados em vários jogos pela equipa de arbitragem, mantínhamos a esperança de conquistar a Taça de Portugal e a Liga Europa, com a equipa classificada em quarto lugar no campeonato.

O afastamento da Taça Lucílio Baptista, uma derrota na Madeira e 30 energúmenos aos berros no aeroporto serviram de pretexto para esta escovadela de Domingos, com a direcção a aproveitar a onda populista do momento, invocando - muito antes do fim da época e com a equipa activa em três frentes - que os resultados tinham ficado "abaixo dos objectivos". Um péssimo acto de gestão, a vários níveis: por imposição contratual, o treinador manteve o direito a continuar a receber salário do Sporting enquanto não encontrasse outro clube para treinar (o que só aconteceu agora, ao cair do pano de 2012, com o anúncio de que rumará ao Deportivo da Corunha).

Depois de Domingos, aconteceu o dilúvio: nenhum treinador depois dele conseguiu fazer melhor, muito pelo contrário. Ricardo Sá Pinto, Oceano Cruz e Franky Vercauteren demonstraram a plena actualidade de um velho provérbio português: depois de mim virá quem de mim bom fará.

Três conselhos a Godinho Lopes

  1. Demitir Luís Duque. Independentemente de Duque até poder nem ser responsável pelo impasse (suicidário) na escolha do novo treinador, foi da sua responsabilidade a escolha (que se revelou desastrosa) do adjunto do Pedro Caixinha para treinador principal do Sporting. A equipa é boa mas não rende, o dinheiro investido é muito e os resultados são paupérrimos. O líder do futebol tem de ser responsabilizado.
  2. Resgatar Domingos Paciência. A demissão de Domingos foi extemporânea e muito mal explicada. Uma vez concretizado o ponto 1), estariam reunidas as condições para voltar ao posto que ocupava originalmente, com a missão de, até ao fim da época, obter a qualificação para a Liga dos Campeões e ter uma boa presença na Liga Europa e na Taça da Liga, tentando mesmo ganhá-las. Domingos ainda é funcionário do clube, e teria, concretizado o ponto 1), condições para mostrar o que vale. 
  3. Cortar relações institucionais com a Mesa da Assembleia Geral. A direção (recuso-me a usar a designação cretina de "Conselho Diretivo" - o Sporting não é uma escola secundária) não pode demitir a AG, mas pode (e deve) declarar que esta não merece a sua confiança. Ou pelo menos o seu presidente, que tem agido de uma forma inconsequente, irrefletida, irresponsável e desestabilizadora, como um vulgar adepto. Eduardo Barroso nunca teve vocação, e presentemente já não tem condições, para ocupar o cargo que ocupa. Mas isso só ele pode concluir. Godinho Lopes só pode dar-lho a entender mas, uma vez mais, antes disso precisa de fazer alguma coisa no futebol. O ponto 1) parece-me indispensável e o 2) o mais sensato.

Adenda: escrevi este texto antes de saber os desenvolvimentos  mais recentes. O ponto 1) já se concretizou (tenho pena da saída de Carlos Freitas). Restam o 2) (que, reitero, deveria ser seriamente ponderado) e o 3).

Aposta no Nacional ou Estrangeiro

A corporação da casta “Treinador Português” anda assanhada com a futura escolha de Treinador do Sporting. Qual Cavalo Lusitano, existe no ar a sensação de que o português é o melhor do mundo.

 

É verdade. Temos de facto, o melhor Treinador do Mundo. É português. Mas está por agora ocupado. José Mourinho neste momento não está disponível e quando esteve, foi o que se viu, as pressões e os gritos “falaram” mais alto.

 

Ora, analisando os nossos anteriores treinadores, o último que não foi português foi... campeão. De seu nome Lazlo Boloni. Depois foi o que conhecemos bem. Veio um tipo consagrado, boa pessoa, mas que diabo, Fernando Santos trazia no currículo ter perdido um campeonato com Mário Jardel em forma. Bem sei que contra os nossos Acosta e Schmeichel, mas mesmo assim não era bom presságio.

 

Depois veio o pé frio do José Peseiro. No CV, passagens por Nacional e Real Madrid, como adjunto é certo, mas no Real Galáctico e sem títulos. Futebol de primeira, ainda não consigo esquecer a falta de Luisão sobre Ricardo e a injustiça de não colocar Pinilla mais vezes. Enfim. Perder a final da Taça UEFA na nossa casa foi dos maiores murros no estômago que levámos.

 

Depois lá tínhamos que acertar alguma vez, não é? Paulo Bento. Um treinador humilde e competente. Sem ovos fez muito. Espremeu uma equipa mais fraca e ficou 4 vezes em 2º lugar. Foi um golpe também aquela mão do Ronny. Até porque Futebol é com pé e cabeça, mas foi por pouco. Tão pouco que nos frustrou e levou a alma vitoriosa.

 

A seguir veio o carrossel. E do pior. Dizer que Carvalhal, Paulo Sérgio ou Couceiro são treinadores para o Sporting é ofensivo. Por mais respeito que tenha, foi má demais esta fase. Bons treinadores para equipas do meio da tabela, para equipas de contra-ataque, mas não para uma equipa que luta SEMPRE pela vitória.

 

Voltámos a acreditar com Domingos. Mas existe uma enorme diferença entre o Braga e o Sporting. Na estabilidade, é claro, na defesa, na existência da tal “estrutura”, mas o Braga tem a pressão de uma cidade enquanto o Sporting tem a pressão de um País. O resto é conversa e o resto são erros internos constantes. Que levaram a tentar encontrar um novo Paulo Bento. Sá Pinto, sabemos hoje, não estava no ponto. Ser sportinguista e ter garra não chega. Disfarçou o ano passado, mas este ano pedia-se mais. Pedia-se um treinador, um estilo de jogo e mais: qualidade!

 

Desta aventura lusitana, poucos deixam saudades. Como critério de escolha, não sou racista nem nacionalista. Quero um tipo competente, capaz e aventureiro. Treinar o Sporting é uma aventura. Mas é preciso ter mãos para tão aliciante desafio! 

A questão do treinador

Em comentários a postal recente da Helena Ferro de Gouveia renovei a opinião que venho defendendo desde há algum tempo (e que já repeti neste blog, desde a minha entrada aqui, acontecida na "janela de transferências" de Inverno da época passada). Ou seja, defendo que o treinador do Sporting deve ser Malcolm Allison. Alguns amigos co-bloguistas avisam-me que este já faleceu. Sim, claro, Big Mal já faleceu (ou, pelo menos, faleceu aquele pouco que acontece aos imortais). Mas o que eu, grande dirigente de sofá, continuo  a pensar é que é necessário ir buscar um treinador excêntrico ao meio, tentar repetir o efeito Allison (e que teve o seu avatar explícito em Boloni e implícito em ... Augusto Inácio). Não porque os treinadores portugueses não sejam competentes, como se vê por esse mundo fora, como se vê no campeonato. Mas porque o Sporting está preso do complexo Paulo Bento. Um homem de personalidade muito forte, que terá contado com raro apoio interno, ainda que imperfeito (como a gente bem lembra), mas cujas imperfeições ele foi limando enquanto conseguiu. Para além dele aquele "banco" tem sido uma vala comum de compatriotas, uns mais capazes outros menos. Mas com toda a certeza que bem melhores do que o vale de lágrimas que aquele maldito fosso do estádio tem sido.

 

Ontem Carlos Xavier disse isso mesmo. Que venha alguém de fora. que não conheça os belos e os feios, os bons e os maus. Adianto eu, que seja muito rijo e algo sábio. E que nós não gritemos se não for campeão: porque não vai ser. Se isso acontecer, surpresa! Se isso não acontecer? É o normal, ele que faça melhor para o ano.

 

(Falsa) Adenda: muito se fala do necessário "sportinguismo" nos treinadores. Até pelo "coração de leão" de Sá Pinto (que sempre julguei portista, diga-se, o que não veria como defeito) e pela ascensão agora de Oceano, o "tecnicista" que foi o melhor jogador da sua geração, e que tanto amei ver jogar. Ora o Sporting sempre foi um sítio ingrato para esses adeptos-treinadores (Mário Lino, à boca de bi-vencedor; Rodrigues Dias; Manuel Fernandes; Fernando Mendes; Pedro Gomes; Augusto Inácio, etc.). Deixemo-nos de mitos. O que eu quero é treinadores que façam sportinguistas. Não quero treinadores sportinguistas.

 

(Vera) Adenda: agora que o inevitável aconteceu repito o "Viva Sá Pinto!" que aqui deixei há alguns dias. Foi bom, disfrutei-o, o que aconteceu o ano passado. Porventura com dedo(s) de Domingos. Obrigado a este também. Então "Viva Domingos!". E "siga a marinha".

O mítico Paulinho


O recém-publicado livro de Fernando Correia "Paulinho, esforço, dedicação e devoção ao Sporting" contém a seguinte passagem pelas palavras de Paulinho: «Ele (Domingos Paciência) não me queria no Sporting, mas o presidente Godinho Lopes, o Luís Duque e o Carlos Freitas colocaram o peito à frente e não deixaram. Agradeço-lhes muito. O que fez não se faz a um roupeiro.» Limito-me a fazer esta simples pergunta: Sendo verdade, e não consta absolutamente nada nem ninguém a contrariar a afirmação de Paulinho, o que é que isto diz do carácter de Domingos Paciência e da essência da sua conduta no Sporting? 

Nota: Tenho este post preparado desde ontem e a sua publicação, agora, vem de certo modo complementar o de Eduardo Garcia da Silva.

Sá Pinto e Domingos

A pergunta que muitos sportinguistas se fazem, hoje: porque não veio Ricardo Sá Pinto antes? A pergunta vem na sequência do raciocínio linear dos adeptos - palmas para o vencedor, vaias para o vencido. Mas não deixa de fazer sentido. É obvio que a equipa mudou muito neste consulado do Ricardo. Ficou mais arrumada, ganhou outra raça, os jogadores, um por um, parecem saber exatamente o que fazer no relvado e têm mentalidade ganhadora. Mesmo considerando que houve mais tempo para a equipa se conhecer, para criar mecanismos, para se consolidar enquanto grupo, é visivel que algo mudou com a chegada de outro treinador. Não assistimos mais ao pobre espetáculo de desespero do treinador no banco, desmotivador para os jogadores, antes vemos um treinador raçudo, incentivando, corrigindo, aplaudindo.

Não está em causa a competência técnica de Domingos, nem o seu caráter, tem-se é duvidas sobre a sua força psicológica e a sua capacidade de liderança. E da sua preparação para estar à altura de um desafio como é ser treinador do SCP. No começo da temporada, a escolha de Domingos foi consensual e aplaudida, pelo percurso que ele fizera no Braga. Mas o mundo é feito de mudança, como escreveu Camões. E o registo do Braga - sabemo-lo hoje, com a marca forte de António Salvador - não se repetiu em Alvalade. A equipa ia derrapando, mais e mais. Sá Pinto chegou, rodeado de dúvidas e de receios. Mas tem vindo a conquistar os tímidos e os medrosos. Finalmente, esta temporada (e, espera-se, nas seguintes), o Sporting encontrou e solidificou um verdadeiro 'grupo de trabalho'. E construiu uma sintonia adeptos/equipa, como se não via há muito muito tempo.

Não esperava isto

Para quem "nunca seria ouvido a falar do Sporting" depois de sair da equipa, aguentou pouco tempo o silêncio. Domingos Paciência queixa-se de ser permitido a Sá Pinto o que não lhe foi permitido a ele, dizendo que saiu porque o 4º lugar não era suficiente.

E não era. Mas a posição que o Sporting actualmente ocupa não foi atingida com os resultados das últimas 4 jornadas. É o somatório de quase 20 jornadas sob a orientação de Domingos. Os pontos que o Sporting não tem foram maioritariamente perdidos sob a tutela de Domingos, jornada após jornada.

Fica-lhe por isso muito mal aparecer agora a fazer de vítima. Fiquei muito contente e orgulhosa com a sua contratação, sempre o defendi e fiquei aborrecida e desiludida quando saiu. Não esperava isto.

Um comentarista no seu melhor

Daniel Oliveira, no Record de hoje: «Desculpem repetir [Domingos] é um dos melhores treinadores portugueses. Na técnica e experiência está a léguas do Sá Pinto». Na técnica?, na experiência? Ou nos resultados e na montagem da equipa para jogos dificeis, como os da Liga Europa? Léguas à frente ou léguas atrás? Mais uma citação do texto de DO: «A distância que [Domingos] parece ter criado entre si e os jogadores terá criado um ambiente pouco favorável à entrega em campo... não há tática e rigor que substituam a empatia como o mestre» (sic!). Se isso é demonstração de experiência e técnica, vou ali e já venho. Berloquices, digo eu.

Aos domingos e às segundas

Este fim de semana os comentaristas rubro-azul do costume vieram todos deitar lágrimas pelo Domingos e lágrimas, verdadeiramente de crocodilo, pelo 'projeto do Sporting'. Para os rapazes Domingos é uma virgem, pura do não cometer erros, que candidamente levava o Sporting à glória. Eles não cuidaram de questionar(se) porque havia tantas mudanças na equipa e tantos jogadores magoados, porque a equipa entrou num ciclo de óbvio cansaço (como seria a preparação física?), porque o treinador repetia, jornadas seguidas, que o time dera a primeira parte ao adversário ou porque deixara de saber marcar golos. A acção do treinador não teria algo a ver com isso? Ou o treinador seria um extra-terrestre, sem responsabilidade no comportamento da equipa? Mas nada disto, que é (seria) sério, preocupou os jornalistas e comentaristas. Nem preocupou saber (e veio-se a saber) se em Braga já se teriam verificado situações semelhantes. Até cairem numa situação caricata: o Domingos e o projeto do Sporting, em que o eleito para dirigir o clube e ter um projeto parece ter sido o treinador do qual, pelos vistos, o presidente sufragado maioritariamente pelos sócios seria um mero apêndice. Como é então? No tempo do Paulo Bento que, com parcos meios, levou o Sporting três anos seguidos à Champions e ganhou duas Taças de Portugal e duas Supertaças - e pediu-se a sua cabeça. No tempo de Paulo Sérgio, sem meios também, humilhou-se o saber do treinador e pediu-se a sua cabeça. Com Domingos, a quem o clube ofereceu os jogadores que ele pediu, fez a renovação que ele pediu, há um sentimento de 'coitadinho do treinador'. Que resulta destes meses? Uma equipa que teve momentos de bons resultados e os perdeu e ia deslizando para o meio da tabela (não era lutar pelo terceiro lugar, porque ainda não teria estaleca para lutar pelos dois primeiros... estávamos já a lutar pelo quinto!), um treinador claramente desorientado e sem chama, etc, etc, etc. Não dá para entender esta gente.

Ponto de situação

Como as águas andam agitadas, queria só fazer um ponto de situação rápido.

 

1. O Sporting não joga bem desde que o Rinaudo se lesionou.

2. O Sporting mal ganha desde essa mesma altura.

3. O Sporting foi eliminado da Taça da Liga e esteve no limbo na Taça de Portugal

4. O Domingos passou quase todos os jogos a mudar a equipa, a pôr jogadores nos lugares errados, a culpar os mesmos jogadores por maus jogos. Isto sucessivamente, numa desorientação notória.

 

Dito isto, tenho a maior das dúvidas sobre a tão propagada qualidade do Domingos. Embora tenha por certo que ele nos deu (com o Rinaudo e só com ele em campo) alguns bons jogos e algumas alegrias. Mesmo assim, não sei se chega. E sei que não gosto nada de estar em quinto lugar, com o Guimarães à perna.

 

O que já não digo é que o Sá Pinto é o maior, que é perfeito. Sei que é sportinguista e, sobretudo, que é treinador do Sporting. Dito isto, espero para ver. Mas faço figas, muitas, pelas suas vitórias. E conto que os jogadores queiram dar provas de que valem a aposta do clube. A começar amanhã, na Polónia.

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