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És a nossa Fé!

Um escarro

De facto, a Liga cobre-se de rídículo e desacredita ainda mais o futebol português ao fazer aprovar articulados destes, com absurda menção à "saliva". Fazem-me lembrar a primeira vez que desembarquei em Macau, em meados da década de 80: por toda a parte, na ponte-cais, havia letreiros a dizer "favor não cuspir".

Que tal aprovarem também uma alteração ao regulamento disciplinar do campeonato proibindo expressamente a venda de droga por parte de directores de departamentos de "apoio aos jogadores"? Eu se fosse aos responsáveis do Sporting teria avançado de imediato com esta adenda. E queria ver o Benfica votar contra: dava-me algum gozo. Se é para brincar, brinquemos todos.

Quanto à interdição dos cigarros electrónicos, que de resto a legislação portuguesa já equipara aos cigarros tradicionais, não posso estar mais de acordo. Por maioria de razão, tendo o futebol a projecção social que tem, os agentes desportivos devem dar o bom exemplo.

Contra a apologia das vitórias morais

O fascínio adolescente pelas redes sociais tem levado o Sporting na era de Bruno de Carvalho a multiplicar-se em copiosos textos no facebook que nunca deviam ter sido escritos. Desde a lamentável vergastada desferida publicamente contra jogadores e equipa técnica há dois anos, quando fomos perder 0-3 a Guimarães, à recente apologia das vitórias morais que se seguiu à nossa derrota tangencial no estádio Santiago Bernabéu.

Do oito para o oitenta. Mal, nos dois casos.

No último mês, têm-se sucedido os comunicados com a chancela leonina - num verdadeiro desperdício de energia anímica, como se a gritaria mediática forjasse equipas campeãs. A verdade é que, por coincidência ou talvez não, desde aquela mensagem presidencial a enaltecer a derrota alcançada em Madrid nunca mais a nossa equipa jogou nada de jeito.

Que sirva de meditação. Ao menos isso.

Os nostálgicos de Vercauteren

Dizem-me que alguns adeptos, talvez nostálgicos de Domingos ou Vercauteren, já defendem em blogues leoninos o despedimento imediato de Mauro Silva.

A falta de memória é tramada. E a incapacidade de aprender com os erros também.

Foi por causa de adeptos como estes, capazes de exigir títulos para anteontem e de reivindicar chicotadas psicológicas para a manhã seguinte, que o Sporting só conquistou dois títulos de campeão nacional de futebol nas últimas três décadas.

O que não escreveriam eles se a nossa equipa, ainda antes do Natal, já tivesse falhado dois dos quatro objectivos traçados no início da época?

Não se enxergam

Os mesmos que criticaram a "megalomania" de Bruno de Carvalho quando disse que o Sporting era candidato ao título nacional apressam-se agora a culpar Marco Silva da nossa derrota contra o Chelsea em Stamford Bridge como se o Sporting fosse um candidato natural à vitória na Liga dos Campeões.

Megalómanos são eles afinal. E não se enxergam.

 

Os do costume

Há pouco tempo lamentavam que o Sporting tivesse uma equipa "curta", sem "um banco em condições". Agora, já esquecidos dos queixumes anteriores, protestam contra o treinador por manter Carlos Mané no banco. Sem arriscarem, nesse caso, quem deveria sair do onze-base.

São os do costume. Imaginam perceber muito de futebol mas não passam de vulgares bitaiteiros de bancada.

Os mesmos

Ando a ouvir maus augúrios desde o início do campeonato. Ainda antes de a bola começar a rolar já havia espaços blogosféricos, de verde e branco, onde não faltavam os mais negros vaticínios. Prognosticando uma época horrível para o Sporting devido à política de contratações e à gestão do plantel e sei lá que mais.

Suprema ironia: alguns que hoje dizem mal da equipa a cada vitória, por ser suada ou "sofrida", eram os mesmos que aplaudiam as derrotas da época anterior.

O que alguns escreveram sobre Montero

 

Releio a prosa elogiosa que os principais jornais especializados em futebol dedicaram a Montero após a vitória fulminante contra o Alba na Taça de Portugal. São textos que não escondem a admiração pelo atacante colombiano que em boa hora Bruno de Carvalho trouxe para o Sporting.

Escreveu A Bola, em texto assinado por Pedro Soares:

«Foi exemplo de rigor, profissionalismo e seriedade, atributos que o convocaram para uma exibição magnífica, de encher o olho, a barriga e tudo o resto. Foi letal com a bola nos pés, dentro da grande área do Alba, e quase sempre fez o que quis dos seus opositores, movimentando-se de forma furtiva entre as linhas, o que fez com que os adversários andassem muitas vezes à sua procura... sem o ver.»

Escreveu o Record, em texto assinado por João Soares Ribeiro:

«Um matador encara a sua vítima de forma fria e, na hora da estocada final, não hesita. Foi exactamente o que fez Montero frente ao Alba, onde alcançou o seu segundo hat trick com a camisola leonina. Pelo meio ainda assistiu Wilson Eduardo (1-0), Slimani (7-1) e fez o túnel que permitiu a Vítor fazer o 6-0.»

 

Não pode ser maior o contraste entre estes apontamentos jornalísticos que sublinham com inteira justiça a excelente prestação do nosso avançado e as reacções de absurdo cepticismo com que uma parte da opinião pública sportinguista brindou a notícia da sua chegada a Alvalade, no final de Julho.

Na altura, a escolha de Bruno de Carvalho foi duramente criticada em blogues que dizem ser leoninos e cujas caixas de comentários reflectem o desvario que por vezes se apodera de certos adeptos do Sporting.

Mantenho o meu arquivo sempre actualizado. E do arquivo desenterro frases como estas, então publicadas nesses blogues:

«O Ghilas é dez vezes superior a este Montero. Este dá uma comissão maior.»
«Parece um jogador mediano, penso que será mais para fazer número.»
«Ao contrário do que diziam, ele não é craque, longe disso.»
«Dado que Montero não é um jogador de área, temos aqui alguns problemas.»
«Para mim não é um verdadeiro goleador e tenho dúvidas que faça 15/20 golos numa época.»
«Troco Montero pelo Bruma, esse é craque, é o único que me vai levar a ir a Alvalade.»
«Montero não mostrou instinto goleador.»

«Não vale a pena andar a contratar por contratar, sem dinheiro muito dificilmente se consegue qualquer acréscimo de qualidade.»

«No dia em que o Bruno [de Carvalho] contratasse mesmo um jogador a sério punha o Sporting nas primeiras páginas de toda a imprensa internacional.»


Gostaria de saber o que os ressabiados que escreveram tudo isto pensarão de Montero agora. São os mesmos que diziam que o Wilson Eduardo não tinha lugar na nossa equipa principal, que o Jefferson não sabia defender e que o Bruma era absolutamente indispensável para o sucesso do Sporting na nova época.

Razão tinha Churchill quando assinalou que os maiores inimigos estão muitas vezes do nosso lado da barricada...

Asneira em dose dupla

       

 

É, provavelmente, uma questão de conflito de interesses mal resolvida. Ser administrador de uma empresa que elabora sondagens eleitorais e ao mesmo tempo apoiante declarado de uma candidatura a esse mesmo escrutínio são condimentos certos para dar asneira. Cumprindo os preceitos da Lei de Murphy, neste caso a asneira aconteceu mesmo. E em dose dupla. José Couceiro, derrotado nas eleições de ontem, só conseguiu sagrar-se "vencedor" nas sondagens da empresa desse seu apoiante, numa afirmação viva do antigo preceito "não basta querer - é preciso poder".

As sondagens falharam redondamente. Nada que não tivesse ocorrido noutras eleições, nada que não se adivinhasse nestas também. Admira-me é haver quem persista em encomendar estudos de opinião a quem é recorrente no erro, talvez confundindo desejos com realidades. Se não é, parece. E no futebol, como na política, o que parece é.

Na altura, entre as hostes de Couceiro, houve quem tivesse embandeirado em arco. Sem motivo, como agora se vê. As referidas sondagens só iludiram quem gosta de ser tomado por parvo. Vistas à distância, têm apenas a vantagem de nos fazer rir. Num clube onde o riso escasseia, valha-nos ao menos isso.

Má sorte ter sido polvo

O polvo Paulo vai retirar-se da carreira de adivinho. De acordo com o comunicado do Sea Life, depois de ter falhado um único prognóstico (derrota de Portugal contra a Dinamarca) irá treinar outras habilidades que incluem desarrolhar tampas de frascos, resolver labirintos, e distinguir padrões e formas, através da utilização dos tentáculos. O Joaquim Rita tem falhado muito mais e não consta que vá dedicar-se a sacar rolhas.

Flash-interview ideal.

A quem dedica a passagem na eliminatória?

Queria dedicar esta vitória ao Dzeko, que não nos conhecia. E ao Mancini, que leva os meninos à praia depois do jogo cá porque a preocupação era pouca. E aos comentadores da SIC que gritaram golo quando o Hart cabeceou, já o jogo devia ter acabado e a fazer falta sobre o defesa do Sporting, sem dar conta que o nosso São Patrício não deixou. E a Ribeiro Cristóvão, para quem íamos ser, e cito, "triturados e humilhados".

E tem algum adversário preferido?

Por mim, venha o AZ Alkmaar. Agora ou nas meias, porque é sempre bom voltar onde sempre fomos felizes.

A falta que tu cá fazes, amigo Carlos Pinhão

 

«Embora entenda o pendor mercantilista do Acordo, a que acresce uma salutar preocupação progressista que faria as delícias de Bouvard e Pécuchet (Que se lixe o latim que só serve para confundir o povo!), não pude, porém, deixar de elencar (v.tr.: "fazer uma elencagem", seja lá o que isso for) algumas dúvidas recolhidas por aí. O que faz um professor durante um ano letivo? Letiva? O que faz um espetador em frente da televisão? Espeta-la? E o que faz alguém ante um para sem acento? Continua a andar e pergunta “para… onde”? Num hotel, dirigimo-nos à recepção ou lembramo-nos da receção e regressamos a casa? E um medicamento ótico aplica-se nos olhos ou serve para tratar otites? O mês de Janeiro é maior que janeiro? A metafísica de Aristóteles é em ato ou não ata nem desata? Quem requer adoção é adoçante? E os habitantes do Egito são egícios? Uma presidente incontinente é igual a uma presidenta incontinenta? E fim de semana sem hífen tem quantos dias? Esta última questão é particularmente pertinente derivado à crise.»

(Ana Cristina Leonardo, no blogue Meditação na Pastelaria)

Publicado também aqui

Pasmo

Leio hoje, no Record, uma reportagem sobre treino do Sporting na ilha da Madeira, em Machico, uma pequena cidade na ponta oriental da região. Nova invenção ignorante jornalística: o dito Bernardino escreve sempre 'treino NO Machico'? NO???????? Depois da invenção de 'NO Chipre', forma incorreta que ganhou foros de cidade, só falta agora que se escreva nos jornais NO Portugal e NA Angola! Mas os diretores dos ditos para que servem? Apenas para terem o nome no cabeçalho?

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