Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

O debate na blogosfera leonina

A Norte de Alvalade: «São inegavelmente inequívocas as fragilidades de Pedro Madeira Rodrigues e sobretudo da máquina que suporta a sua candidatura. Tal torna ainda mais difícil de percorrer o caminho a que se propôs, que já de si comportava uma tarefa ciclópica: constituir-se como alternativa à aura messiânica que uma grande parte dos Sportinguistas vêem em Bruno de Carvalho, quanto a mim de forma hiperbólica, injustificada e sobretudo perniciosa para o clube e até para o próprio.» (José Duarte)

 

A Tasca do Cherba: «É simples: só mesmo A Bola e O Jogo para escreverem que “Madeira Rodrigues marca pontos” e “Madeira aperta Bruno”, depois de uma noite em que o candidato da lista A se limitou a ataques pessoais, a frases feitas e a espalhar-se ao comprido de cada vez que queria falar mais a sério (as alarvidades de cada vez que fala na formação são impressionantes, por exemplo). Fico cada vez mais com a ideia que Madeira Rodrigues foi escolhido para ser o rosto de um conjunto de interesses. O problema é que é tão mau actor que nem ele parece acreditar no que diz…» (Cherba)

 

Bancada de Leão: «Há muito que se pede um Bruno de Carvalho mais calmo, controlado, sem recorrer ao registo mais agressivo que tem sido marca dos últimos quatro anos. O candidato ontem seguiu por uma das vias que mais considero essenciais para um debate desta natureza: argumentos com dados (ou factos) concretos. Do outro lado, devo dizer que se viu um Pedro Madeira Rodrigues mais assertivo que o normal, na forma e colocação de voz, firme, mas, infelizmente para o debate sem argumentos, sem propostas e com um vazio de ideias muito aquém do que se pretende para um candidato à Presidência do clube.»

 

Leão de Plástico: «O actual presidente quis essencialmente não fazer prolongar o impacto deste debate nos dias a seguir, não quis dar gasolina para o queimarem e diga-se, nesse objectivo, cumpriu impecavelmente. O confronto foi, regra geral, enfadonho… o que penso ter sido o que muitos benfiquistas e portistas menos desejavam e o que muitos sportinguistas estariam dispostos a aceitar como muito melhor do que peixeirada, insultos ou histeria.» (Javardeiro)

 

Leoninamente: «Pedro Madeira Rodrigues superou as minhas expectativas, pela desenvoltura e agressividade que me surpreenderam, mas acabou por confirmar a "verdura" que sempre se me afigurara desde o lançamento da sua candidatura: haverá uma série demasiado grande de lacunas no seu conhecimento sobre a missão a que se propôs, que nenhuma demagogia do mundo consegue disfarçar. Não me parece que tenha conseguido convencer um único sportinguista, para além dos seus apoiantes.» (Álamo)

 

Míster do Café: «Bruno de Carvalho adoptou uma posse mais institucional, algo que acaba por ser normal perante a posição de Presidente. Já Pedro Madeira Rodrigues partiu da posição de quem não tem nada a perder e adoptou uma postura de ataque deliberado contra o actual conselho directivo e as medidas que tomou. Foram inúmeras as tentativas de Madeira Rodrigues em baixar o nível do debate. Bruno de Carvalho resistiu sempre à tentação de responder à letra e conseguiu sempre manter o seu "plano de jogo". A cara de tédio de Bruno de Carvalho a ouvir os soundbytes de Madeira Rodrigues fica para mim como o principal momento visual do debate. Priceless

 
O Artista do Dia: «Bruno de Carvalho procurou mostrar as virtudes do trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos, enquanto Pedro Madeira Rodrigues jogou mais ao ataque. Em alguns casos, Madeira Rodrigues excedeu-se nesses ataques, entrando em considerações da vida pessoal e profissional de Bruno de Carvalho que nada têm a ver com a sua presidência. Não sei se a ideia seria tentar conseguir reacções mais a quente de Bruno de Carvalho, mas o presidente manteve-se bastante calmo - aliás, mais calmo do que seria de esperar.» (Mestre de Cerimónias)
 
Sporting Visto Por Nós: «Para quem durante estes anos, como eu, apontou a Bruno de Carvalho um enorme defeito comunicativo, divisionista até, viu-se ontem na obrigação de o repensar pois, afinal, Pedro Madeira Rodrigues, do outro lado da "barricada" apresenta-se nessa mesma índole. Em algumas situações, pior até, revisitando o paradigma dos Viscondes, quando afirma com a maior das naturalidades que "os Sportinguistas têm mais dinheiro que os outros". Deste proto-elitismo propalado pelo candidato que reúne em si a oposição estou eu mais que farto!» (Mauro Silva)
 
Tu Vais Vencer: «Pedro Madeira Rodrigues entrou preparado mas foi cometendo várias gafes, como aquela em que disse que Wolfswinkel tinha sido vendido por esta direcção, quando foi vendido por Godinho Lopes para "pagar salários" que só foram pagos quando Bruno de Carvalho chegou ao Clube. PMR mostrou ter ideias válidas mas o somatório dessas ideias está longe de formar um projecto desportivo convincente para o Sporting Clube de Portugal.»

Alguém ficou com dúvidas?

Ontem, por afazeres profissionais não consegui ver o debate em directo, de modo que tive que "andar para trás" com a pantalha e estive até às 3,30 horas a ver isto. O debate, pronto...
Confesso que quase fechei os olhos nalguns momentos.
Como eu de comunicação percebo tanto como de física quântica, o que me estava ali a interessar era conhecer os planos do candidato Madeira para o Clube e não se um olhava para a câmara e o outro metia a cara nos papeis. Já tenho muitos anos disto e desde miúdo que vejo vender banha da cobra, portanto não é um "gajo" bem falante e que me olha nos olhos que me leva à certa. Se bem que também não aprecie muito quem fale comigo e olhe para o chão, mas enfim.
Também me irrita que num debate com um tema claro, se esteja constantemente a arremessar ao adversário com ataques pessoais. Trazer a família para o debate é de muito mau gosto, eu diria mesmo que é reles!
Quando um pretendente a um cargo o quer ocupar e tem pela frente alguém que cumpriu o seu programa na íntegra (esqueçam os resultados desportivos, porque ninguém pode afirmar que irá ganhar, não joga sozinho), o caminho que deve trilhar deverá ser o do confronto de ideias, tipo " ok, o senhor fez isso, muito bem, mas nós temos aqui esta proposta para fazer melhor e esta e esta e esta", para os mais variados assuntos.

Resumindo, esprimidinho espremidinho, dali saiu muito pouco sumo. A única novidade foi a do encontro no "Ramiro" com Jorge Jesus. Esclarecedor...
Bom, o que é certo é que para além do que já se sabia e era tão pouco, alternativas ao trabalho da equipa que exerce funções, como diria JJ, bola! O que ficámos a saber foi que o candidato Madeira não está habituado a perder.
Ou seja, no mundo virtual de Madeira, o Sporting é campeão há quarenta e cinco anos!
Onde é que é a sede desse clube, que eu quero fazer-me sócio?

Abecedário do debate de ontem

debate[2].jpg

 

 

AUTOCARRO. Pedro Madeira Rodrigues, que partiu para esta campanha com notoriedade próxima do zero, precisava de vencer este debate por goleada para manter a esperança de uma vitória nas urnas a 4 de Março. A Bruno de Carvalho, que partiu com larga vantagem, bastava um empate. Por isso decidiu estacionar o autocarro - ao jeito das equipas menores - e concedeu a iniciativa ao adversário. Teve uma derrota tangencial devido à postura excessivamente defensiva e por falta de remates enquadrados.

 

BOLONI. O treinador que levou o Sporting à conquista do campeonato de 2002 virá do estrangeiro para liderar o futebol leonino, sob a batuta de Madeira Rodrigues. Problema: estamos em 2017, não em 2002.

 

CAMPEONATO. Os maus resultados do Sporting nesta época desportiva são vitais para o candidato alternativo, que se agarrou ao tema com unhas e dentes. Quanto pior melhor?

 

DELFIM. Outro nome avançado por Madeira Rodrigues para o futebol leonino. Foi campeão como jogador nas duas épocas em que actuou no Sporting. Será mesmo trunfo?

 

madeirarodrigues1[1].jpg

 

EXPECTATIVAS. Um debate vive muito de expectativas. Pedro Madeira Rodrigues tinha à partida expectativas muito baixas. Superou-as ao mostrar-se mais preparado e sobretudo mais acutilante do que se previa. Num frente-a-frente com estas características, é quanto basta para sair vencedor. O que não equivale a sair em frente.

 

FAMÍLIA. O candidato alternativo jurou que não pretendia transformar os "valores familiares" em trunfo eleitoral. Mas não parou de falar da família durante o debate.

 

GELO. Os dois candidatos obviamente detestam-se. Isso ficou bem patente durante o debate de ontem. Bruno emitiu de quando em vez sonoras expressões de enfado. Via-se que procurava conter a irritação. Disfarçou mal.

 

HERANÇA. A de 2013 foi bem pesada: "o clube estava na falência", recordou Bruno. Nem o seu antagonista foi capaz de levantar um dedo em defesa de Godinho Lopes.

 

INSULTOS. Madeira mente mal: alegou desconhecer os insultos desbragados e soezes que um membro da sua lista aos órgãos sociais do Sporting dirigiu ao presidente. Devia ter-se demarcado dessa linguagem sem sofismas nem sonsices.

 

JESUS. Mal aconselhado, o candidato alternativo transformou esta campanha numa espécie de duelo com o treinador em funções no Sporting. Também neste debate gastou demasiado tempo a pronunciar-se sobre Jorge Jesus, sem nunca apresentar soluções concretas. Como pagará a indemnização?

 

LIMPINHA. Foi o sound bite da noite: "A saída de Jorge Jesus do Sporting será limpinha, limpinha", disse Madeira Rodrigues. Tem graça. Mas nada esclarece.

 

MODALIDADES. Futebol, futebol, futebol: Madeira esqueceu-se que o Sporting é um clube eclético, hoje com 50 modalidades - algumas recuperadas por Bruno, como o hóquei em patins, o ciclismo e o futebol feminino. Esquecimento imperdoável.

 

NENHUM. Em quatro anos, nem um só campeonato ganho. Como nos onze anos anteriores. O candidato alternativo jura: não se recandidatará se o clube permanecer nos próximos quatro arredado do título. O problema é que ninguém pode prometer vitórias. Porque elas não dependem só de nós.

 

OLHOS. Madeira Rodrigues marcou pontos ao fixar de frente o adversário, em evidente contraste com o olhar errante de Bruno de Carvalho. A comunicação não-verbal é fundamental, sobretudo em televisão.

 

bruno-de-carvalho-sporting[1].jpg

 

PAPÉIS. Bruno de Carvalho, em determinadas fases, agarrou-se demasiado aos papéis que tinha à sua frente. De cabeça baixa. Atitude defensiva, que não lhe ficou bem.

 

QUATRO. De Março. O Dia D. Continuidade ou mudança radical no Sporting?

 

REDES SOCIAIS. O candidato alternativo afirmou que não frequenta o Facebook, procurando estabelecer contraste com Carvalho. Mas pouco depois mostrou-se conhecedor de tudo quanto o presidente escreve nesta rede social. Uma coisa não joga com outra.

 

SPORTING TV. Este foi seguramente o programa com mais audiência de sempre da Sporting TV. Prejudicado, no entanto, pelos problemas sonoros existentes no início da emissão.

 

TEMPO. O frente-a-frente era para durar uma hora, talvez esticada para 80 minutos, e acabou por durar quase duas e meia. O candidato-presidente mostrou-se mais acutilante na recta final. Mas nessa altura o efeito cansaço já se fazia sentir junto dos telespectadores. Um debate deste género não deve durar mais que um jogo: hora e meia basta.

 

UM. Há quatro anos houve dois debates televisionados entre os três candidatos à presidência (Carvalho, Couceiro, Severino). Desta vez, apenas um. Nisto, em vez de se caminhar para a frente, andou-se para trás.

 

VISCONDE. O fundador do Sporting foi o único, a par da actual direcção, a "dar património ao clube". Palavras de Bruno. Manifestamente exageradas.

 

X. Quem será o treinador da equipa principal do Sporting caso Madeira Rodrigues vença? Mistério. O trunfo - se de facto o for - continuou na manga.

 

ZURRAR. Do mal o menos: este deselegantissimo verbo não surgiu no debate. Mas ladrar, sim. Com Bruno a garantir que não ladra, mas ruge. E Madeira a jurar que não só ruge mas morde. Não havia necessidade.

Frases do debate de hoje na Sporting TV

bruno-de-carvalho-sporting[1].jpg

 

BRUNO DE CARVALHO:

"O Sporting necessita que os sportinguistas se mobilizem no dia 4 de Março, que demonstrem a força desta instituição e transformem estas eleições nas mais concorridas de sempre."

"A primeira vez que representei o clube, o clube estava na falência e ia acabar. E as pessoas, cobardemente, não se apresentaram."

"Em quatro anos anos saíram duas pessoas dos meus órgãos sociais. Mas em 15 dias já saiu uma da equipa deste senhor [Madeira Rodrigues]."

"Se há coisa que não estamos é isolados. Se há coisa em que o Sporting tem crescido é na união da família sportinguista."

"O próprio Madeira Rodrigues disse que uma das coisas boas que eu fiz no Sporting foi acabar com as dinastias."

"Mantivemos a maioria na SAD quando toda a gente dizia que não."

"Fizemos as duas maiores vendas de sempre do Sporting, sendo que uma delas é a maior de todos os tempos em Portugal de um jogador português para o estrangeiro." 

"Entre a equipa A e a equipa B, entre vendas e compras [de jogadores], há um saldo positivo de quase 82 milhões."

"Jesualdo Ferreira atacou-me numa conferência de imprensa. Mas para não desestabilizar a equipa eu disse que ele era o meu treinador, era o treinador do Sporting. E a verdade é que o mantive até final."

"Temos um excelente treinador, temos um plantel onde só três jogadores é que não foram lançados ou comprados por esta direcção."

"Recuperámos, parcialmente ou na totalidade, percentagens de passes de 37 jogadores do Sporting durante estes quatro anos." 

"A Onda Verde pôs-nos no top 5 de clubes com mais sócios no mundo e uma média absolutamente fantástica de assistências que devia orgulhar todos os sportinguistas, mas pelos vistos alguns não ficam muito orgulhosos."

"Estamos em primeiro lugar nos juniores A, em primeiro lugar nos juvenis A, em primeiro lugar nos iniciados A."

"Passámos de 35 modalidades para 50. Recuperámos para o clube modalidades históricas como o hóquei em patins e o ciclismo. Trouxemos também de volta o futebol feminino."

"Tivemos sempre lucro desde que chegámos ao clube."

"O pavilhão está pago, é do clube. Esta foi das poucas direcções - para não dizer a única, tirando a do Visconde - que deu património ao clube."

"Connosco as quotas [dos sócios] passaram 100% para o clube e as suas modalidades."

"[Madeira Rodrigues] está muito preocupado com a palavra imbecil e já me chamou pateta."

"Já fui acusado de berrar, de ladrar. Mas vou continuar a rugir: é isso que faz o leão."

 

 

madeirarodrigues1[1].jpg

 

MADEIRA RODRIGUES:

"Sempre gostei de ganhar. E não arranjo desculpas quando não ganho."

"Sinto na rua cada vez mais apoio."

"Claramente somos muito diferentes como pessoas e no estilo de liderança. Temos projectos diferentes."

"O Sporting nesta altura está completamente isolado e afastado dos centros de decisão."

"Eu não quero estar rodeado de yes men."

"Nós, sportinguistas, estamos habituados a ser ofendidos, insultados, e vários até processados pelo presidente do Sporting."

"Quem me chamou de imbecil, de zero à esquerda, de amador e antes de eu aparecer até de abutre e lampião, foi você."

"Boloni e Delfim vão ajudar o Sporting a voltar a ganhar. São campeões."

"Os sportinguistas estão cansados de segundos lugares."

"Eu não vou despedir ninguém. Jorge Jesus é que se afastou de mim e disse que não queria trabalhar comigo."

"Jesus em dois anos tem ganho muito dinheiro e até agora só ganhou uma Supertaça."

"A saída de Jorge Jesus do Sporting vai ser limpinha, limpinha."

"Os sportinguistas não querem continuar com este presidente nem com aquele treinador [Jesus]."

"Com Bruno de Carvalho o Sporting falhou em 85% das contratações."

"Se eu não for campeão nos próximos quatro anos como presidente do Sporting, eu nem me recandidato. Quatro anos chegam para fazermos do Sporting campeão."

"O seu comportamento no balneário em Chaves desestabilizou a equipa."

"Vamos trazer de volta o basquetebol."

"Bruno de Carvalho teve o mérito de fazer a obra [pavilhão] e eu vou ter o mérito de a pagar."

"Quando fala de títulos, infelizmente, títulos para o nosso futebol, recentemente, só os títulos de jornal."

"O seu mandato é sinónimo de vitórias para o Benfica."

"Não nos vamos limitar a rugir. Vamos morder."

"A minha mulher disse-me: 'Este senhor [Bruno de Carvalho] não merece ser presidente do Sporting Clube de Portugal."

Há quatro anos foi assim

Em 2013 houve três candidatos à presidência do Sporting: Bruno de Carvalho, Carlos Severino e José Couceiro. E dois debates. O primeiro na SIC Notícias, a 19 de Março, moderado por Paulo Garcia. O segundo no canal então denominado RTP informação, a 21 de Março, com moderação de Helder Conduto.

Recordo o que aqui escrevi sobre o primeiro debate. Pormenor curioso: tanto Bruno como Couceiro defendiam a manutenção de Jesualdo Ferreira à frente da principal equipa do futebol leonino, enquanto Severino advogava a contratação imediata de Jorge Jesus.

E aproveito para lembrar também o que escrevi aqui sobre o segundo debate, bastante mais crispado do que o primeiro.

"Quase escaldante", como então concluí.

Com Bruno de Carvalho a prometer Luís Freitas Lobo como elemento da estrutura do futebol verde e branco, Couceiro a anunciar a contratação de Pedro Barbosa como director desportivo e Severino apostando no regresso a Alvalade de André Santos e Diogo Salomão.

O vencedor de ambos os debates - aos pontos, não KO - foi Bruno de Carvalho.

Como será esta noite?

 

Debater o Sporting.

Respondendo ao repto lançado pelo Pedro, aqui fica, apelando ao debate, a minha opinião.

 

Ontem acabou a época de futebol sénior para nós, como a pensámos no início da mesma. Porque os objectivos passavam, e bem, por ganhar títulos, e porque acho que a partir de ontem isso tornou-se inatingível. Mas isto não quer dizer que já não há nada por que lutar: há lugares para conquistar e uma imagem para limpar.

 

A imprensa quer culpados, eu dou-lhos: todos são culpados. Bruno de Carvalho, Jorge Jesus, os jogadores. Vamos por partes.

 

Bruno de Carvalho tem culpa. Não enquanto Presidente do Sporting (aí, há muito mais em jogo), mas enquanto responsável pelo futebol sénior. A época foi mal planeada, com vendas muito tarde e reforços em cima do fecho de mercado, sem tempo para adaptações como elas devem ser feitas, e sem reforços para posições onde eles eram necessários.

 

Jorge Jesus tem culpa. Enquanto responsável da equipa técnica, tem culpa no futebol praticado. Não percebeu que Bas Dost não dá o mesmo ao jogo que Slimani nem Gelson dá o mesmo que João Mário, e não soube adaptar-se a isso. Procurou manter o seu modelo (não o culpo por isso, tem tido sucesso há muitos anos), e não funcionou. E quando precisa de mudar algo, não o consegue fazer.


Os jogadores. Porque quem está lá dentro são eles, eles têm culpa. Da falta de garra, do baixar de braços que tantas vezes vemos em campo. Das desconcentrações que nos fizeram perder tantos jogos perto do fim. Da pouca vontade que parecem ter de ultrapassar isto. 

 

E o que tem de se mudar? Um bocadinho de tudo. Bruno de Carvalho, enquanto responsável, terá de fazer uma limpeza do plantel, afastando muito do peso morto e repescando miúdos que por aí andam a mostrar qualidade. Jorge Jesus (e nem pensar em sair: já demonstrou ser um grande treinador, e tem toda a capacidade para voltar a mostrá-lo) tem de parar para reflectir, e adaptar o modelo aos jogadores (ou trabalhar melhor os jogadores para encaixarem no modelo), já pensando em lançar jovens que podem ser importantes para o ano. O que nos leva aos jogadores. Os jogadores terão de mostrar mais, de ter vontade de vencer, de personificar o que é o Sporting. Porque no fim do dia, são eles que as têm de meter lá dentro.

 

(amanhã, este post ficará também disponível no blog Manifestação Espontânea)

Este é o momento de falar

Chego ao blogue e verifico que está em pousio, como se nada se passasse. Acontece que este não é momento para silêncios.

Apetece-me portanto lançar o repto aos meus colegas e aos leitores do És a Nossa Fé: falem agora ou calem-se para sempre.

 

Digam aqui quais devem ser agora as prioridades leoninas perante a grave crise em que o clube mergulhou após Bruno de Carvalho ter elevado as expectativas para um patamar sem precedentes, prometendo conquistar tudo e arriscando-se a não ganhar nada - ao nível do futebol profissional, incluindo a equipa B, e das modalidades ditas amadoras. Apesar do fortíssimo investimento efectuado.

O que deve ser feito sem mais demora?

Quais são as prioridades absolutas?

Que cenários devemos recusar?

 

Enfim vamos debater as medidas que têm de ser tomadas sob pena de o Sporting retroceder quatro anos. Ao início do mandato do actual presidente, quando atingimos a pior classificação de sempre no campeonato, comprávamos jogadores que comprovaram ser autênticas nulidades, vendíamos outros para pagar despesas correntes, despedíamos treinadores como quem muda de camisa e éramos alvo de chacota generalizada.

 

Acrescento o óbvio: este é um repto que apenas se destina a sportinguistas. Da nossa casa tratamos nós.

Faz hoje um ano

 

O ponto da situação estava bem resumido nestas palavras do Tiago Cabral: "Estamos a poucas horas da eleição daquele que poderá ser o presidente com mais responsabilidades no Sporting. Quem for escolhido terá pela frente a tarefa mais árdua dos últimos 20/30 anos: recuperar um clube que está em falência, com dívidas astronómicas que vão impedir e condicionar qualquer acção. Seja José Couceiro ou Bruno de Carvalho o escolhido, a gestão nunca poderá ser muito diferente. Vamos esperar que consigam ultrapassar a fase mais negra da história do Sporting."

 

Estávamos a 22 de Março de 2013, véspera de uma crucial eleição no nosso clube. E fazia-se ainda o rescaldo do debate televisivo de véspera, realizado na RTP1 (houve apenas dois nesta campanha e nenhum em sinal aberto). Um debate com poucas novidades: a maior talvez tenha sido o anúncio, feito por José Couceiro, de que Pedro Barbosa seria o director desportivo do Sporting caso vencesse o escrutínio.

"Bruno de Carvalho falou o tempo todo como se acreditasse que será eleito. Nunca pôs o verbo no condicional. Pareceu mais presidenciável do que os outros dois." Palavras minhas, registadas num abecedário do debate aqui publicado poucos minutos após ter terminado.

 

O debate anterior, na SIC Notícias, tinha sido insípido e morno. Este, moderado pelo jornalista Helder Conduto, foi muito mais quente. Ou "medíocre", como o qualificou o José Manuel Barroso. Com Carlos Severino a ameaçar impugnar a transferência de Wolfswinkel, anunciada a três dias do fim do mandato de Godinho Lopes. E a brindar Couceiro com o rótulo de "oportunista".

Este, por sua vez, disparou esta frase a Bruno: "Você é zero." 

Comentei assim: "Ficou-lhe mal. Por revelar nervosismo. E porque há formas muito menos deselegantes de desqualificar um adversário." Atribuindo a vitória no debate a Bruno, tal como já sucedera com o da SIC Notícias. Não por KO, mas aos pontos.

Faltava o veredicto das urnas. Não seria preciso esperar muito.

Faz hoje um ano

 

20 de Março de 2013: rescaldo do debate eleitoral na SIC Notícias.

Escreveu o Alexandre Poço: «O debate de ontem consubstanciou a realidade actual do Sporting: não houve vitória de ninguém nem nenhum jogou para ganhar. Até aqui, arrrrre!»

Escrevi eu: «Muita convergência no diagnóstico e na terapia - maior do que muitos supunham. Os três candidatos à presidência do Sporting estão de acordo na necessidade de reestruturação financeira do clube, na renegociação da dívida, na injecção de capitais, na formação enquanto elemento-base da equipa de futebol e na revitalização das modalidades.»

Escreveu o Tiago Cabral: «Os dois principais candidatos nestas eleições convergem em quase tudo. (...) A questão principal resume-se a liderança. Qual dos candidatos consegue transmitir aos sócios que é o melhor para liderar o Sporting?  A mim ontem pareceu-me ser Bruno de Carvalho.»

 

José Couceiro, que continuava a ser apontado como quase inevitável vencedor em alguns blogues e nas sondagens da Eurosondagem, recolhia entretanto um apoio de última hora: Pedro Baltazar, candidato derrotado às eleições no Sporting de 2011, anunciava que votaria nele.

Justificação: "Defendo uma linha de credibilidade para o nosso Sporting Clube de Portugal. Tenho gostado da sua campanha séria e do falar verdade e vejo que ele conta com uma equipa que pode fazer uma ruptura com o passado. Faço um apelo aos sócios porque o clube atravessa a mais grave crise da sua história desportiva e financeira e não pode cair em aventureirismos."

Abecedário do debate de ontem

 

ALVERCA. Com José Couceiro ao leme, o Alverca "desceu de divisão". Frase proferida por Bruno de Carvalho, que jogou mais ao ataque no debate de ontem à noite, na RTP informação, do que fizera no anterior, realizado nos estúdios da SIC Notícias. Não só ele: Carlos Severino e José Couceiro fizeram o mesmo. 

 

BARBOSA. Foi uma das escassas novidades do debate: se for eleito, Couceiro terá Pedro Barbosa como seu braço direito para o futebol, nas funções de director desportivo.

 

CRUYFF. Carlos Severino invocou demasiadas vezes o nome de Cruyff - uma das lendas do futebol - para caucionar a sua candidatura. Falou com tanto exagero que não evitou sorrisos irónicos dos antagonistas.

 

DEBATE. Foi o segundo e último desta campanha. Lamentavelmente, não houve nenhum debate televisivo em sinal aberto. Soube a pouco.

 

EMPRESÁRIO. "Eu sei porque é que o José Couceiro não fala do Izmailov. Porque o empresário do Izmailov é o mesmo empresário do José Couceiro para a Rússia, é aquele que o poderia colocar lá novamente." Uma acusação de Severino que ficou por demonstrar. O remate saiu-lhe ao lado. 

 

FINANÇAS. Couceiro não tem um responsável financeiro na sua lista eleitoral porque diz confiar nos dois que já trabalham no Sporting. Custa a crer.

 

'GAFFE'. O candidato da lista C, ex-treinador no Dragão, queria dizer "Sporting" e disse "Porto". Foi a maior gaffe deste debate.

 

HELDER. O moderador foi o jornalista Helder Conduto. Suscitou a acutilância que o momento televisivo exigia, mas lutou sempre contra o tempo: o debate devia ter durado mais meia hora.

 

INCOMPETENTE. Quando o debate aqueceu, já na recta final, Carvalho chamou incompetente a Couceiro. Esta mensagem não cola com outra, já confirmada pelo mais jovem dos três candidatos, que em 2011 convidou Couceiro a integrar a sua equipa: ninguém convida um incompetente.

 

 

JESUALDO. Se forem eleitos, Bruno de Carvalho e José Couceiro manterão Jesualdo Ferreira como treinador da equipa principal de futebol. Severino tem outra preferência: Jorge Jesus. Se não for agora, pode ser daqui a três anos. E também começa por J.

 

KO. Não houve. Mas Carvalho ganhou aos pontos. Repetindo a vitória tangencial do primeiro debate.

 

LOBO. Pela segunda vez, Bruno aludiu a Luís Freitas Lobo como elemento da estrutura do futebol em Alvalde. Faltou-lhe especificar em que função concreta.

 

MODALIDADES. Tal como no outro debate, falou-se na recuperação das modalidades. Ciclismo, hóquei em patins e voleibol. Passar das palavras aos actos é um dos principais desafios da próxima direcção nesta matéria.

 

NERVOS. Severino voltou a ser o mais nervoso dos três, como já tinha sucedido no debate anterior. E, a certa altura, conseguiu enervar Couceiro. Carvalho foi o mais sereno.

 

OPORTUNISTA. Foi um dos epítetos com que Severino brindou Couceiro. Não havia necessidade de vermos um debate descambar para algo que copia o pior da política. Mas este descambou mesmo.

 

PRESIDENCIÁVEL. Bruno de Carvalho falou o tempo todo como se acreditasse que será eleito. Nunca pôs o verbo no condicional. Pareceu mais presidenciável do que os outros dois.

 

 

QUENTE. O debate anterior, na SIC Notícias, tinha sido morno. Este foi quente. Quase escaldante.

 

REMUNERAÇÃO. Deve o presidente do Sporting ser remunerado? Bruno de Carvalho e José Couceiro acham que sim. Só Carlos Severino está pronto a trabalhar de borla.

 

SALOMÃO. Diogo Salomão é um dos jogadores emprestados pelo Sporting que Severino mandaria regressar a Alvalade. Outros seriam Wilson Eduardo e André Santos.

 

TÍTULO. Daqui a três anos o Sporting voltará "de certeza" a ser candidato ao título, assegurou Severino. Os outros candidatos, mais prudentes, nada prometeram.

 

UNIÃO. Uma palavra que esteve ausente do debate. Mas o Sporting precisa dela, mais que nunca.

 

VENDA. "Quando entrei no Sporting, em 2011, o Izmailov estava vendido ao FC Porto, tenho documentos a comprová-lo. Fui eu quem impediu a sua venda." Foi talvez a maior revelação do debate, da boca de Couceiro. Dois anos depois, a venda consumou-se.

 

WOLFSWINKEL. "Alguém demissionário não deve fazer negócios", protestou Bruno. "Quando se tomar posse apuram-se as questões", considerou Couceiro. Carlos Severino foi mais longe: ameaçou impugnar a transferência de Wolfswinkel, anunciada a três dias do fim do mandato de Godinho Lopes.

 

XANDÃO. Ninguém falou dele. Nem fez falta no debate. Figura aqui só para preencher o X, que é sempre a letra mais complicada.

 

YAZALDE. De Yazalde também ninguém falou, claro. Esses eram outros tempos, do Sporting campeão com o inesquecível craque argentino sempre a facturar. Bruno de Carvalho gatinhava, José Couceiro era adolescente em Angola e Carlos Severino andava na tropa. Nenhum deles sonhava concorrer à presidência do clube, então confiada ao recém-falecido João Rocha. Bons tempos.

 

ZERO. "Você é zero", disse Couceiro a Carvalho. Ficou-lhe mal. Por revelar nervosismo. E porque há formas muito menos deselegantes de desqualificar um adversário.

Frases do debate na RTP informação

 

CARLOS SEVERINO:

"Quando Jesualdo criticou Rui Patrício e Wolfswinkel, essa declaração desvalorizou completamente os jogadores. Resta saber com que sentido isso foi feito. Se houver vendas de jogadores, vamos impugná-las. Os direitos do Sporting têm de ser defendidos."

"Jesualdo Ferreira é o treinador de Godinho Lopes ou é treinador do Sporting? Se for treinador de Godinho Lopes, não poderei contar com ele pois sairá com Godinho Lopes."

"O meu plano B passa por um treinador que queira aceitar o meu projecto."

"Se não levar Jorge Jesus [para o Sporting] este ano, pode ser noutra altura."

"Se não fosse o Rui Patrício, nesta época provavelmente o Sporting estaria em último lugar."

"O presidente do Sporting, que está em gestão corrente, não deve estar a renovar com os jogadores. Deve deixar isso para o novo presidente."

"Os fundos ganham mais do que o clube com a venda de jogadores."

"Não vou receber um cêntimo do Sporting nem ninguém da minha lista receberá."

"Sugiro que cada um de nós apresente amanhã a sua declaração de IRS para daqui a três anos se perceber se cumprimos aquilo que estamos a dizer."

"O meu orçamento para a próxima época será, sensivelmente, de 22 milhões."

"Temos dois bancos portugueses que nos financiam com a liquidez necessária."

"Tenho um curso de gestão e de administração de empresas desportivas. Estou à-vontade: conheço bem o Sporting e o futebol português."

"Terei o Aurélio Pereira, o Manuel Fernandes, o Beto, o Nelson e o Vidigal. Ainda não falei com eles mas conto com eles."

"Não terei um director desportivo porque não necessito."

"Na estrutura do Sporting, fui campeão duas vezes. Ganhámos uma Taça de Portugal, ganhámos três supertaças e fomos à final da Taça UEFA."

"Vou aconselhar-me com o senhor Johan Cruyff."

"Não há um investidor, há uma mão-cheia de investidores [para o Sporting] que são arrastados pela Cruyff Football International."

"Se eu for presidente do Sporting, o Wilson Eduardo virá de imediato da Académica. O Salomão virá do Corunha, o André Santos... Esses regressarão todos."

"Os sportinguistas podem esperar títulos. A partir do terceiro ano, de certeza o Sporting será um forte candidato ao título."

"Ninguém fala do Izmailov... Eu sei porque é que o José Couceiro não fala do Izmailov. Porque o empresário do Izmailov é o mesmo empresário do José Couceiro para a Rússia, é aquele que o poderia colocar lá novamente e é aquele que tirou Caneira, Paulo Costa e Alhandra do Sporting. É o inimigo público número 1 do Sporting e é o empresário que o levou para a Rússia."

"Tu [Couceiro] queres iludir os sportinguistas. Vens aqui ter a tua terceira oportunidade para iludir os sportinguistas."

"Não me chamas ignorante. Porque se me chamares ignorante eu digo-te [Couceiro] que és um oportunista."

 

 

 

JOSÉ COUCEIRO:

"O Sporting vive o momento mais crítico da sua história desportiva."

"Alienar um jogador para suprir falhas de tesouraria demonstra bem a crise em que estamos."

"No futebol de alta competição e no desporto profissional as pessoas têm de estar em full time. O Sporting tem nos seus estatutos a possibilidade de uma comissão que decide a política de remunerações."

"Há dois anos houve quatro listas que me abordaram, entre elas a do Bruno de Carvalho. Eu disse a todas a mesma coisa: eu sou um profissional do Sporting e quando forem eleitos nós conversamos."

"Tentarei investir entre 27 e 28 milhões no futebol, na próxima época."

"Temos de garantir a tesouraria de curto prazo. Neste momento o Sporting está deficiente, não tem a força necessária para entrar em negociação."

"Vou conseguir abrir o capital social da SAD com um conjunto de investidores sportinguistas."

"Se não equilibrarmos a nossa conta de exploração, acontece o que acontecia no passado."

"O Sporting tem na sua estrutura dois directores financeiros. Portanto, eu tenho responsáveis financeiros dentro do Sporting."

"O Sporting não tem de depender de mecenas. Esse é um erro crasso."

"Nós temos de recuperar a credibilidade no mercado pelas nossas práticas, não pelas nossas palavras."

"O futebol profissional vai depender directamente de mim."

"Quero ter uma conversa com Jesualdo Ferreira."

"Fazer uma equipa demora algum tempo. Destruir uma equipa, é na hora."

"A pessoa que estará entre o treinador e o presidente será o Pedro Barbosa. Está mais que assegurado. É uma pessoa experiente, com conhecimento. É uma mais-valia para este projecto."

"Eu e o Carlos Severino manifestámo-nos sempre favoráveis a todos os debates. E você [Bruno de Carvalho] não quis debater."

"Em toda a minha carreira nunca fui despedido a meio de uma época."

"Onde é que você [Bruno de Carvalho] tem passado no desporto? Não tem nenhum. Você não tem passado no desporto, você não é ninguém no desporto, não sabe nada. Zero. Zero."

"Desculpa, mas tu [Severino] és ignorante."

"Quando entrei no Porto... no Sporting, em 2011, o Izmailov estava vendido ao Porto. E fui eu que proibi. Tenho a documentação. São factos."

 

 

 

BRUNO DE CARVALHO:

"Alguém que está demissionário não deve fazer negócios, seja de Wolfswinkel seja de Rui Patrício. Deve ser o novo presidente a fazer estes negócios."

"Não há necessidade nenhuma de o presidente demissionário estar a fazer qualquer negócio para pagar salários. É uma questão totalmente imoral. A partir de segunda-feira resolverei essas questões."

"Temos que dar todo o apoio à equipa técnica que temos, ao Jesualdo e a todos os jogadores. Para darmos ainda algumas alegrias aos sportinguistas. Não podemos andar neste momento com planos B, ou C, ou D. O Sporting já passou por demasiados treinadores nos últimos tempos."

"Não quero remunerações nem em comissões, que acabam por ser sempre negociatas com o próprio clube. Serei remunerado pelo valor que os sócios decidirem, seja ele qual for."

"Há dois anos convidei José Couceiro para fazer parte da estrutura. Ele aceitou."

"Vou investir entre 25 e 30 milhões na próxima temporada. Será esse o orçamento para o futebol."

"Não teremos necessidade de vender jogadores [para reestruturar a dívida]. Tudo o que seja compra e venda de jogadores terá a ver com a política desportiva e não com a gestão financeira."

"Vai ser feita uma auditoria de gestão. Se houver gestão danosa serão responsabilizadas as pessoas."

"É preciso fazermos as pazes com o nosso passado e perceber como é que chegámos de 40 milhões a 430."

"No futebol vou mandar eu."

"Gostaria de contar na SAD com Tomaz Morais e Freitas Lobo. São pessoas que me agradam, em termos do seu conhecimento e da sua valia."

"Eu sempre defini que devia haver dois debates."

"Nem toda as experiências na área do futebol são positivas. Se fosse pela experiência, todos os treinadores de Portugal podiam ser presidentes do Sporting. O Sporting precisa é de pessoas que tragam sucesso desportivo." 

"Importante é os sportinguistas perceberem quem será o próximo presidente do Sporting, não o próximo treinador."

"Você [José Couceiro] passa duas vezes pelo Sporting e é afastado. São factos. Você vai ao Alverca e a equipa desce de divisão."

"José Couceiro, porque é que você não tem um responsável financeiro na sua lista?"

"Eu sou o único daqui que vai às assembleias-gerais."

"A guerra [no Sporting] vai acabar porque vai haver um líder, vai haver uma política desportiva de sucesso e uma reestruturação da dívida que fará com que isso deixe de ser um tema no Sporting."

 

(actualizado)

 

Presidente

Os dois principais candidatos nestas eleições convergem em quase tudo. Como frisou o Pedro Correia separa-os, acima de tudo, a questão da perda ou não pelo Sporting clube, da maioria na SAD. No resto pudemos observá-los quase em amena cavaqueira, trocando ideias.

A questão principal resume-se a liderança. Qual dos candidatos consegue transmitir aos sócios que é o melhor para liderar o Sporting?  A mim ontem pareceu-me ser Bruno de Carvalho.

Dez notas sobre o debate

1. Foi um debate sereno, civilizado. Não houve nenhuma sessão de pugilato, como alguns gostariam. O Sporting ganhou com isso.

 

2. Muita convergência no diagnóstico e na terapia - maior também do que muitos supunham. Os três candidatos à presidência do Sporting estão de acordo na necessidade de reestruturação financeira do clube, na renegociação da dívida, na injecção de capitais, na formação enquanto elemento-base da equipa de futebol e na revitalização das modalidades.

 

3. Paulo Garcia, o moderador deste debate na SIC Notícias, cumpriu o seu papel ao interrogar repetidamente os candidatos. Mas em vão. Nenhum abriu o jogo relativamente aos investidores que têm em mira para a regeneração financeira do Sporting. Bruno de Carvalho diz ter esse capital assegurado, mas nada concretiza. José Couceiro apelou a um "ciclo virtuoso" no clube, também sem nada concretizar. Carlos Severino garantiu ter o apoio da banca nacional e até da banca estrangeira, mas jamais desceu aos pormenores. Ficámos na mesma.

 

4. Convergência também no balanço da herança recebida: Godinho Lopes ficou com as orelhas a arder. Bruno, recorrendo à conhecida metáfora camoniana, chamou-lhe - sem o nomear - um "fraco rei que faz fracas as fortes gentes". Couceiro sublinhou que o clube atravessa uma "situação crítica" devido à questão financeira que tem por causa principal a "má gestão desportiva". Severino foi mais longe ao salientar que neste momento até se ignora quais são os jogadores cujos passes o clube verdadeiramente detém.

 

5. A manutenção de Jesualdo Ferreira é, aparentemente, outro ponto que une as candidaturas de Bruno e Couceiro. Severino preferia ver Jorge Jesus à frente da equipa principal do Sporting. Faltou dizer como tencionaria pagar o salário àquele que é, de longe, o mais caro dos treinadores a trabalhar em Portugal.

 

6. O que mais separa os dois candidatos que as sondagens apontam como candidatos à vitória, Bruno de Carvalho e José Couceiro, é a questão da SAD. Com o primeiro a garantir, peremptório: "O Sporting não pode perder a maioria na SAD." E o segundo a admitir esse cenário, salvaguardando no entanto "um acordo para-social" que permita ao clube uma palavra decisiva em grandes decisões estratégicas.

 

7. Carlos Severino tem mais experiência de palcos mediáticos, até por ter sido jornalista durante vários anos. Estranhamente, era o mais nervoso neste debate. Isso deu-lhe uma imagem de insegurança que o levou a ser o pior dos três. A excessiva ligeireza de algumas das suas intervenções também não o valorizou. A certo ponto, as câmaras mostravam os adversários e até o próprio moderador a sorrirem enquanto o ex-director de comunicação do Sporting falava. Parecendo que nenhum deles o levava realmente a sério. Estes planos televisivos, mesmo sem necessidade de palavras, conseguem ser letais.

 

8. José Couceiro mostrou-se afável e cordato. Um gentleman, característica que lhe costuma estar associada. Fica, no entanto, a dúvida: como se comportaria, enquanto presidente do Sporting, num debate em que tivesse pela frente Jorge Nuno Pinto da Costa ou Luís Filipe Vieira?

 

9. Bruno de Carvalho surgiu nesta campanha apostado em desfazer a imagem de enfant terrible revelada na campanha anterior, em que viu a vitória fugir-lhe por uma unha negra. Faltou-lhe em 2011 o suplemento de respeitabilidade que evidenciou neste debate, o que poderá levá-lo a mobilizar alguns sócios ainda indecisos num escrutínio que se prevê muito concorrido.

 

10. Até na escolha das gravatas houve sintonia. Couceiro escolheu uma verde escura, Bruno ia de verde, Severino de verde e branco. E todos terminaram com expressivos "Viva o Sporting!" Sinal dos tempos: falou-se muito de questões financeiras, falou-se pouco de gestão desportiva. Daí talvez a sensação, ao fim de quase hora e meia, de que muito ficou por dizer. Amanhã há outro debate - talvez o decisivo. Na RTP informação.

 

 

Frase chave do debate

«Ao longo deste tempo o Sporting tem alterado constantemente a sua liderança. Por isso as lideranças são o que são.» A chave dos sucessos ou insucessos está aqui, a meu ver. E enquanto os sportinguistas não entenderem isto - e se auto responsabilizarem, sócios incluídos - os ciclos virtuosos prometidos convertir-se-ão SEMPRE em ciclos viciosos.

Frases do debate na SIC Notícias

 

CARLOS SEVERINO:

"Neste momento o Sporting é um clube subalterno, dependente."

"O Sporting tornou-se um entreposto de jogadores."

"Vamos reduzir para metade o orçamento, que é de 42 milhões, e vamos ter um tecto salarial."

"Neste momento o Sporting gasta cinco milhões por mês e apenas tem receitas de um milhão. Não há ninguém que resista a uma coisa destas."

"Vamos propor ao BES a reestruturação da dívida."

"Neste momento nem sabemos ao certo quem são os jogadores do Sporting."

"Perguntei se Rui Patrício está vendido a algum fundo. Não houve resposta. E preocupa-me, naturalmente."

"Em três anos o Sporting pode ser campeão nacional com uma equipa assente na formação."

"Eu pertenci a uma estrutura que foi campeã. O José, infelizmente, não pôde dar essa alegria aos sportinguistas."

"Eu como repórter tive que fazer as festas do Benfica em que o professor Jesualdo era adjunto."

"Vamos querer ressuscitar o ciclismo no Sporting."

"Eu não sou um outsider, sou um insider. Conheço o Sporting por dentro e por fora. Não sou do sistema."

"O Sporting tem tudo para ser feliz."

 

 

JOSÉ COUCEIRO:

"Passamos hoje pela maior crise de sempre."

"O Sporting está numa situação crítica."

"O Sporting perdeu credibilidade no mercado."

"Esta questão financeira tem como principal causa uma má gestão desportiva."

"Quem é candidato à presidência do Sporting tem de ser responsável."

"O Sporting ultrapassou os custos, nomeadamente, a nível de massa salarial, para valores excessivos."

"O Sporting propôs constantemente um ciclo virtuoso e entrou constantemente num ciclo vicioso."

"Admito a possibilidade de o Sporting perder maioria na SAD porque estamos numa situação de sobrevivência."

"Se formos para a insolvência toda a gente perde."

"O Sporting tem 22 títulos europeus - e um é de futebol."

"É grave falar-se na venda de um jogador para resolver problemas de tesouraria prementes."

"Eu admito trocas [de jogadores]. Não admito é ser subalterno e perder constantemente nos negócios."

"Ao longo destes anos o Sporting tem alterado constantemente a sua liderança. E por isso as lideranças são o que são."

"Temos que apostar em todas as modalidades, não vamos deixar cair nenhuma."

"Acima do Sporting ninguém está."

 

 

BRUNO DE CARVALHO:

"Estamos a viver a nossa maior crise. Mas continuamos a maior potência desportiva nacional."

"O único problema do Sporting é que fracos reis fazem fraca as fortes gentes."

"Sem uma política desportiva de sucesso nada resulta."

"Não prometemos ilusões."

"Precisamos de uma política de exigência total: ganharmos em cada campo, em cada pavilhão, em cada pista."

"O Sporting não pode perder a maioria na SAD."

"Vamos levar a cabo um processo de reestruturação da dívida."

"O Sporting precisa de um plano de gestão e financeiro extremamente rigoroso."

"O dinheiro não tem nacionalidade. Dinheiro é dinheiro."

"No Sporting tem de acabar a venda de jogadores a saldo."

"O ecletismo é que nos torna a maior potência desportiva nacional e uma das maiores do mundo."

"Tal como no futebol, todas as modalidades terão a sua base na formação."

"Connosco o pavilhão, ali ao lado da nossa casa, será uma realidade."

"O Sporting precisa de uma reforma serena mas activa."

 

(actualizado)

 

Acidentes de campanha (17)

As sondagens reveladas hoje na imprensa diária - uma elaborada pela Eurosondagem, outra pela Euroexpansão - revelam uma divisão acentuada das opções de voto entre os sócios do Sporting, não estando afastado o cenário de uma vitória tangencial, como sucedeu em 2011. A Bola atribui a vitória a Bruno de Carvalho, com 40%, ficando José Couceiro com 33% e Carlos Severino com apenas 5%, sem indicação de margem de erro. O Jogo, por sua vez, aponta para uma vitória de José Couceiro (53,7%), seguindo-se Bruno de Carvalho (40,6%) e Carlos Severino (5,7%) após extrapolação dos resultados e com 3,3% de margem de erro.

Pelo menos uma das duas empresas de sondagens sairá desacreditada deste processo: não é possível acertarem ambas. Consenso existe apenas quanto ao distante terceiro lugar para Severino e quanto ao número muito grande de indecisos, o que permite todos os cenários: segundo A Bola, 21,4% dos sócios ainda não definiram opções de voto, cifra que baixa ligeiramente na sondagem d' O Jogo (17,7%).

Isto significa, por um lado, que a campanha foi menos convicente e esclarecedora do que alguns previam. E significa também, em consequência, que os debates televisivos a três serão decisivos: os candidatos apostarão tudo nestes dois palcos. Já no serão de hoje, na SIC Notícias, a partir das 22.30. E na próxima quinta-feira, na RTP informação, a partir das 22 horas. Lamentável é verificar que nenhum destes debates ocorrerá num canal generalista em sinal aberto, como se impunha.

Uma espécie de tudo ou nada. Sabendo-se, como se sabe, que a vida dá muitas voltas - às vezes com os mesmos circuitos caprichosos de uma bola no terreno de jogo. E que o derrotado no sábado poderá ser vencedor num futuro próximo.

Esperemos para ver. E para ouvir, já esta noite.

 

Desabafo

Pode ser só de mim, pode ser do tempo, do menor número de candidatos, pela falta de debates, começam hoje, pode ser da nossa posição vergonhosa no campeonato, pode ser de tudo! Mas esta campanha não aquece nem arrefece. Dos sportinguistas com quem vou tenho falado ninguém sabe em quem votar. Eu também não. 

 

Espero pelos debates. Que nos ajudem a clarificar. 

Debater projectos e ideias

Estamos a pouco mais de uma semana das eleições mais importantes dos últimos anos no Sporting. Seja qual for o vencedor espera-o uma árdua tarefa. Lemos e ouvimos que quem for eleito terá que aparecer com um cheque de vinte e cinco milhões de euros, para garantir compromissos assumidos até final de época. O novo presidente irá também pegar numa equipa de futebol destroçada, incapaz de reagir à adversidade. A falta de liderança tem sido a maior pecha dos últimos anos.

Os programas dos três candidatos são já conhecidos. Importa debatê-los, confrontar ideias e assumir compromisos, esclarecendo desse modo os sócios indecisos. O cenário ideal para tal é um debate a três, televisionado. Não é aceitável que esse debate não se realize.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D