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És a nossa Fé!

Bruno comparado com Bruno

Bruno de Carvalho venceu a eleição de 2013, por margem curta. E venceu a eleição de 2017, com números esmagadores.

Na eleição de 2013 foi julgado o mandato de Godinho Lopes: sem surpresa, nenhum dos candidatos reclamou a péssima herança recebida. Todos a rejeitaram sem ambiguidades.
Na eleição de 2017 foi julgado o primeiro mandato de Bruno de Carvalho: sem surpresa, a aprovação foi geral. Nove em cada dez sportinguistas, no mais concorrido escrutínio de sempre no clube.

Para hoje, surpreendentemente, o presidente decidiu transformar uma assembleia geral que teve um capítulo inicial há quinze dias numa eleição plebiscitária quando não estava minimamente em causa a avaliação do mandato dos órgãos sociais, em plenitude de funções e legitimados pelo maciço voto de Março de 2017.
O presidente introduziu assim um grave factor de perturbação no clube. A meio da época desportiva, num momento nada aconselhável para o efeito.
É uma crise totalmente artificial. Mas não deixa de ser crise.

A partir de agora Bruno de Carvalho só pode ser comparado com ele próprio. Bruno II versus Bruno I.
Com o sucesso do primeiro mandato a funcionar como padrão de avaliação neste segundo mandato, dure o tempo que durar.

Delito de opinião

Oiço e leio por aí gente apostada em dividir os sportinguistas, fragmentando-os entre bons e maus consoante as opiniões que emitem. O que é grave. E preocupante, sobretudo nesta fase crucial da temporada desportiva, em que o apoio de todos aos nossos jogadores e atletas jamais será em excesso.

Acontece que não há "verdadeiros sportinguistas".

Há sportinguistas. Ponto.

No Sporting Clube de Portugal nunca vigorou nem vigorará o delito de opinião.

"Limpar a casa" quer dizer o quê?

Tenho ouvido alguns sportinguistas, por estes dias, invocar a necessidade de apoio incondicional a Bruno de Carvalho pois só assim se consegue "limpar a casa".

 

Esta frase, para mim, não faz o menor sentido.

Isto significa o quê? Que ao fim de cinco anos o Sporting tem uma "casa suja"?

É "sujo" um clube com 90% dos sócios a votar Bruno de Carvalho?

É "sujo" um clube que regista a maior afluência de sempre ao estádio?

É "sujo" um clube que se mobilizou para ajudar a pagar o pavilhão?

É "sujo" um clube que tem o maior número de associados de sempre?

É "sujo" um clube que todos os meses continua a conquistar títulos e troféus?

Gostaria que estes apoiantes incondicionais do presidente deixassem de disparar para dentro e de ver inimigos em toda a parte e de repetir com ele que o Sporting é um ninho de lacraus e que o clube está em crise há 112 anos.

Frases como estas são música para os ouvidos dos verdadeiros inimigos do Sporting.

O que o presidente nunca podia ter feito mas fez

Quando o presidente do Sporting Clube de Portugal coloca numa lista de sócios a proscrever um associado (Pedro Paulino) cujo único crime foi ter apresentado um requerimento legítimo numa Assembleia Geral de que o presidente não gostou, esse presidente não está a servir bem o Sporting e não merece o lugar.

Esta revelação foi feita há minutos em direto na SportingTV e contou com a resposta ponderada e não refutada dada pelo visado.

 

Estive na Assembleia Geral e sei muito bem porque é que perante a replica do associado não houve qualquer resposta do presidente: o associado disse a mais pura verdade e esvaziou qualquer nexo para a crítica e presença na malfadada lista.

Um associado pode ser assim visado pelos órgãos sociais, incluido numa lista exposta e qualificada em termos indignos, não por ter ofendido, caluniado (como outros terão inegavelmente feito) mas por ter exercido dentro de uma Assebleia Geral um direito elementar de qualquer associado que é o de pedir para se apreciar um requerimento nos termos estatutários.

Não conheço o associado em causa, creio que o presidente também não, mas a razão para estar na lista foi singularmente esta, o requerimento foi inoportuno. 

O nosso presidente (acompanhado pelos órgãos sociais) está de facto a revelar que não sabe distinguir uma calúnia de um legítimo e desejável sentido crítico dos associados. E perante isto a nossa tragédia prossegue mas a verdade é que, um presidente que pensa assim tem que ser travado. É insuportável que algum associado esteja a ser perseguido por isso.

Eu sei que já aqui expus a minha posição sobre os três pontos da próxima Assmbleia Geral mas perante mais este triste episódio hoje transmitido em direto na TV do clube e, especificamente pelo que vi fazerem ao associado Pedro Paulino, tenho que admitir que isto muda completamente a minha perspetiva e viola o que nunca pode ser posto em causa seja por quem for e por mais genial que seja em termos desportivos, financeiros ou motivacionais.

Bruno de Carvalho, com esta atitude deita tudo a perder e passa a ser uma ameaça ao próprio clube. Algo que obviamente está incapaz de reconhecer.

 

P.S.: No final da sessão, o presidente lá admitiu que "exagerou". Afinal aquele associado não devia estar na lista. Tal como há poucos dias acabou por reconhecer o mesmo sobre um outro associado (Nuno Morão) quando este lhe deu réplica. Errou uma vez, duas vezes e reconheceu mas sempre DEPOIS de vir o naming and shaming público com a chancela dos corpos sociais onde misturam todo o tipo de situações. Do caluniador ao singelo sócio que teve o azar de ser "mal entendido" porque foi inoportuno.

Um imenso vazio

Hoje alguém me perguntou: se BdC sair, quem o substituirá?

Pois é… neste momento o maior problema do Sporting é esse mesmo. Quem poderá vir a ser o senhor que se segue?

Desde João Rocha, o Sporting teve diversos Presidentes. Uns mais serenos, outros mais extrovertidos, alguns amplamente conhecidos, outros saíram do (quase) anonimato

Entretanto os Presidentes passaram, mas o Sporting manteve-se. Com menos sucessos (especialmente no futebol) do que os sócios gostariam e desejariam, todavia estes estiveram sempre muito presentes.

A questão mantém-se, então… Se sair quem entra?

Já se percebeu que tanto Madeira Rodrigues como Carlos Severino não têm, neste momento, o apoio da maioria dos sócios. Um imbróglio à boa maneira leonina.

Pode-se atirar para cima da mesa muitos nomes: Rogério Alves, Augusto Inácio, Luís Figo e tantos outros sportinguistas ilustres que poderiam dar ao clube uma serenidade e uma dimensão mais condizente com a história do Sporting.

Mas também sei que alguns não estariam disponíveis para tal desafio tendo em conta a enormíssima exigência do lugar. Quiçá um sócio quase anónimo, mas com tempo e amor suficiente para sacrificar a sua vida pessoal em prol do clube. Mas destes há poucos ou nenhuns.

Então em que é que ficamos?

Pois… não imagino nem calculo o futuro próximo. Pior… sinto, neste momento, um imenso vazio.

O que fazer na próxima AG do Sporting?

O Daniel Oliveira, no meio de comunicação mais usado pela conselho diretivo do Sporting, escreveu estas linhas, que podia ter sido eu a escrever, com uma singular diferença: depois do que assisti na última AG e dias subsequentes, terei imensa dificuldade em repetir por uma quarta vez o voto em Bruno de Carvalho, o que não quer dizer que neste momento me mobilize para votar contra o terceiro ponto da agenda para a Assembleia Geral.

Provavelmente, se conseguir estar presente, abster-me-ei pois parece-me um absurdo, menos de um ano depois de lhe ter dado, pela terceira vez, o voto para que liderasse o clube por quatro anos, ter que estar de novo a renovar os votos sem que haja a mínima justificação racional para o fazer.

O texto do Daniel com sublinhados meus.


Não escrevo aqui sobre as aventuras e desventuras do futebol. Mas, como votante desde a primeira candidatura de Bruno de Carvalho (ou de qualquer alternativa ao que foram duas décadas de destruição do meu clube) e alguém que integrou a sua Comissão de Honra nas últimas eleições, sinto o dever de escrever isto: por melhor que tenha sido o seu trabalho à frente do clube (mesmo que o estilo fosse, como escrevi várias vezes, dispensável), isso não dá ao presidente qualquer tutela sobre a consciência dos sócios dos Sporting. Pelo menos sobre a minha não dará.

Eles, como eu e como o sócio Bruno de Carvalho, devem votar qualquer alteração aos estatutos ou qualquer regulamento disciplinar do clube conforme dita a sua consciência. Qualquer ameaça de demissão ou de não recandidatura deve ser totalmente ignorada. É irrelevante para o debate.

Os estatutos e os regulamentos do clube ultrapassam qualquer presidente, sempre circunstancial. E este, como qualquer outro, tem o dever de o perceber. Um presidente lidera, não faz chantagem nem ameaças.

Não põe condições aos sócios, aceita as condições dos sócios. Não dá ordens aos sócios, obedece aos sócios.

E é por pensar assim que tenciono, se conseguir, ir à próxima Assembleia Geral para votar favoravelmente umas coisas e desfavoravelmente outras e, no fim, aceitar o resultado da votação.

O que o presidente decide fazer se não gostar do resultado é um assunto que me é totalmente indiferente.

Se se recandidatar e não houver melhor alternativa, muito provavelmente terá pela quarta vez o meu voto. Se não se recandidatar haverá seguramente quem o faça.

Os sócios não têm de pedir autorização a ninguém para votarem como entendem.

Transtornado

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 Foto Reuters

 

Sinceramente, não sei quem são Pedro Paulino e Rui Morgado. O Carlos Severino, sei quem é: escutei-o durante alguns anos enquanto utente habitual da secção do desporto da TSF, que sempre gozou de merecido prestígio. Sei que abandonou o jornalismo, nomeadamente para dirigir o gabinete de comunicação do Sporting, há uns anos bem medidos. E concorreu depois à presidência do clube.

Não faço a menor ideia do presente valor eleitoral destes três sócios do Sporting. Em conjunto, não reunirão muito mais do que 1% - a percentagem que o Carlos Severino conseguiu na eleição de 2013, em que foi remetido para um distantíssimo terceiro lugar, esmagado em simultâneo por Bruno de Carvalho e José Couceiro. Num confronto eleitoral de boa memória, marcado pelo fair play e pelo diálogo entre os dois principais adversários internos, sem anular as divergências que mantinham.

 

Nesse ano, o actual presidente do Sporting ascendeu a estas funções com 53,6% dos votos alcançados nas urnas. Percentagem sábia, que os sócios leoninos lhe atribuíram, e que muito contribuiu para esse mandato globalmente positivo, sabendo-se ele sob apertado escrutínio interno. Fez-lhe muito pior a percentagem alcançada na reeleição, em Março de 2017: aqueles 86,1% subiram-lhe irremediavelmente à cabeça.

A culpa não foi dos sócios, mas do fraquíssimo adversário que Bruno enfrentou então nas urnas. Pedro Madeira Rodrigues, o blogueiro envergonhado com pseudónimo "amaricano", foi um antagonista muito inferior a José Couceiro - personalidade por quem mantenho o maior respeito e foi um digno vencido no escrutínio de 2013. Tivesse o actual presidente enfrentado na recente corrida eleitoral alguém muito mais credível do que o caricato "City" Madeira, a história destes últimos onze meses seria bem diferente.

 

Apesar de tudo, não me espanta agora que Bruno de Carvalho, na sua insaciável bulimia, pretenda ampliar a maioria dos votos alcançada a 4 de Março de 2017. A história humana está repleta destes líderes: tudo querem, tudo perdem.

O que verdadeiramente me surpreende é o palco e o tempo de antena que ele dá ao trio Paulino, Morgado e Severino. Qualquer deles, graças ao ainda presidente do Sporting, vive desde sábado um mediatismo jamais sonhado.

Isto basta para perceber até que ponto o dirigente leonino anda transtornado. Questiono-me seriamente se alguém, oriundo da pequena tribo que o rodeia, é capaz de lhe dizer com desassombro, olhos nos olhos, aquilo que ele precisa urgentemente de escutar.

Insubstituível no Sporting só o Sporting

Presidente,

não consigo defendê-lo mais.

Verá que já nem uso Exmo. Sr. quando a si me dirijo, Presidente, porque, hoje, de Presidente, Presidente, só o vejo naquele boneco do Herman que passava todo o sketch na anedótica ladainha: "Eu é que sou o Presidente da Junta!"

Não consigo defendê-lo mais, Bruno de Carvalho. E isto é o que mais quero dizer-lhe. 

Seja na presença de lampiões, andrades e sportinguistas, ou na solitária clubite, não mais vou estar do lado de cá das cordas, vendo-o a si, lá dentro do ringue, exaurido e todo ensanguentado, aos murros... num saco. Em mim não os dará, mais. Deixo-o na arena por si criada, lutando contra os temíveis gladiadores por si inventados, que eu estou fora desse circo. 

Votei em si para a Presidência do Sporting mas já não consigo defendê-lo mais. O Presidente não é o Sporting e eu vou dedicar-me apenas e só a defender o Sporting. Uma defesa que começa por dizer-lhe do inaceitável que é impor condições para continuar a liderar o clube. Uma chantagem intolerável. 

Durante longos e penosíssimos minutos em directo em todas as televisões, as suas declarações, metáforas, lógicas, desabafos, vitimizações incomodaram-me. Incomodam-me. Se com isso até posso bem, mais difícil é lidar com o rótulo que me coloca impondo-me condições para continuar a ser Presidente.

Já dei para o peditório da parte gaga do "agarrem-me se não fujo". Isso apouca-me como sportinguista, e ainda que tenha curiosidade em conhecer a Coreia do Norte, não quero que o José Alvalade passe para o Campo Grande de Pyongyang.

Tão expedito numas coisas, Presidente, e tantas e tantas vezes tão inábil para gerir o clube, as nossas expectativas, vitórias e derrotas. É de uma bipolaridade desconcertante. E, repito, indefensável. 

Custa-me dizê-lo, acredite, mas aconteceu-lhe o que acontece a treinadores e jogadores que aplaudimos e passámos a rejeitar. Lamento, Presidente, mas para mim, o Presidente passou de bestial a besta. 

O pano de fundo, julgo, ficou claro: repudio um Presidente com tiques de Presidente Sol, todo ele absoluto, avesso a pluralidades, só adepto das modalidades várias da sua magnífica liderança. Mas há ainda o timing desta estuporada crise. Caramba! Então estamos em primeiro lugar do campeonato de futebol e o Presidente ameaça bater com a porta? Estamos a horas da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal e a equipa e nós temos de aturar-lhe birras? 

Dia 17 saber-se-á qual será o seu futuro, Presidente, mas hoje já todos sabemos que insubstiuíveis no Sporting só o Sporting e a sua imensa massa adepta que faz do Sporting um dos maiores clubes nacionais, cujo todo é maior que a soma das partes.

 

PS. Os belíssimos, esclarecidos e construtivos textos que fui lendo no És a Nossa Fé sobre este problema começaram por inibir a minha participação nesta discussão, afinal, perguntei-me, que tinha para acrescentar? Estava tudo dito e tão bem dito. A resposta está tão só na impossibilidade de calar a minha indignação. Não posso permitir que o Presidente do meu clube me confunda com um adversário do meu Sporting.

Serenidade

Sim, serenidade. Mais do que nunca, muita serenidade.

Estamos a atravessar um período no nosso clube díficil de defenir e de explicar. Sentimos um misto de revolta interior, ao mesmo tempo que  um conjunto de perguntas nos envolve, sobretudo quando gostamos e sentimos o clube como todos aqueles que dão voz às suas palavras aqui neste blog. Porquê isto nesta altura? Afinal o que levou o emocional a sobrepôr-se ao racional? Que clube é este, que abre as suas fraquezas a todos aqueles que opinam sobre estes assuntos?  Permitam-me nesta altura, levar estas palavras a todos aqueles sportinguistas que gostam verdadeiramente do seu clube, que fazem quilómetros e quilómetros durante uma época para ver e apoiar o seu clube, que transmitem aos seus filhos desde pequenos a mística  e o bom que significa dizer....ser do Sporting é ser diferente, que somos leões e leoas em todos os aspetos da nossa vida. Saibamos trazer a serenidade suficiente para dizer a todos aqueles que pertencem aos Orgãos Sociais do nosso clube, que olhem para os sócios e simpatizantes e pensem neles, pensem no  que lhes estão a fazer com os comportamentos que têm tido, com a falta de lucidez, de ponderação, de subtileza, de bom senso. Não se discutem aqui lideranças, pede-se somente, que olhem para aqueles que estão no dia dos jogos sentados nas mais diversas bancadas...e pensem e digam. - Estes sócios e simpatizantes não merecem isto !!!

Hoje giro eu - De noite se faz luz sobre o dia

Começo por dizer que me estou "nas tintas" para as comissões que o Benfica paga de intermediação de jogadores (olho é para as nossas e vejo que neste mercado de Verão subiram face aos 2 "reports" anteriores), pelo que entendo que a nossa Comunicação não tinha de invocar publicamente isso, como se não fosse suficiente para nós a transparente divulgação do desagregado das transferências do mercado de Verão, isso sim um motivo de orgulho. É um tema do Benfica que, a preocupar alguém, deve ser os seus adeptos, o(s) regulador(es) e as autoridades, com o qual nós, sportinguistas, não temos de nos ocupar neste momento. Devo, no entanto, referir que ouvir (e vêr) Pedro Adão e Silva, no programa Aposta Tripla, da SportTV (onde gosto muito de Paulo Baldaia e, já agora, de Pedro Henriques, na minha opinião, o melhor comentador televisivo de futebol), "matar" o tema, dizendo que o Benfica paga mais comissões que os outros, porque vende mais - lá está aproveitando a "deixa" (supérflua) de Nuno Saraiva, que acabou por esvaziar mediáticamente a transparência do "report" do Sporting, o essencial - me deixou entre a incredulidade e a marcação urgente de uma consulta no otorrino. Passo a explicar: o facto de um clube vender mais, não justifica que pague quatro vezes mais comissões do que outro num determinado período, a não ser que tenha vendido ( e comprado?) também quatro vezes mais, o que manifestamente não foi o caso. Mais tarde, no mesmo programa, António Macedo, com igual leveza, diria que tinha pena que não fosse o Sporting a pagar mais comissões, mostrando não perceber isto. Uma coisa é achar que o tema não nos diz respeito - embora se possa ter uma opinião sobre ele - outra é tomarem-nos por lorpas e escamotear que o barómetro deve ser a taxa média de intermediação paga por um clube, algo que poderia futuramente constar nos Relatórios e Contas das sociedades desportivas. Adiante...

 

Rui Vitória diz que um clube tetracampeão não pode estar em crise, nessa situação estarão aqueles que não ganham há muito tempo. Eu fico muito contente com esta "crise" que vem assolando o Sporting esta época. Como o futebol é o momento, muito contente. Os adeptos do Benfica, por outro lado, também estão contentes porque ganharam nos últimos 4 anos. Antes assim, estamos todos contentes, exceptuando o Rui Gomes da Silva, aparentemente o único que está zangado. 

 

Falando de futebol, o que eu vejo é que o Benfica não colmatou as saídas na sua defesa (baliza incluida) e que o seu meio-campo está em falência. Como resolver isso? Eventualmente, recorrendo a um terceiro médio - Krovinovic? - , o que lhe permitiria gerir o miolo do terreno de outra forma, mas como compatibilizar isso com Jonas, de longe o melhor jogador do clube (se não do Campeonato)? Poderá Jonas jogar sozinho na frente (o que significaria a saída de Seferovic ou Jimenez)? Se fosse benfiquista também me intrigaria porque Cervi não joga mais. De todas as opções nas alas é o jogador com maior entrega e rigor táctico, mas parece contar menos este ano.

 

Finalmente, a questão do vídeo-árbitro. Uma inovação que veio melhorar muito o futebol português, adicionando-lhe transparência. Há ainda alguma coisa a fazer, até do ponto-de-vista de meios tecnológicos para análise, mas já não há dúvidas que é um instrumento muito útil. Aqui também parece agora haver consenso, embora ainda recentemente no Bessa se tenha ouvido que a culpa era do VARela.

 

 

Agarrem-me senão eu saio

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Prometeram-nos o título.

O presidente, num daqueles exageros a que já habituou os adeptos, chegou a convidar os jornalistas a contemplar uma prateleira vazia no museu, garantindo-lhes que aquele era o espaço já reservado para a taça comemorativa da conquista da Liga 2016/17.

 

Prometeram-nos uma equipa de combate.

O plantel foi construído de raiz com as escolhas do treinador, acrescidas de duas ou três "prendas" que o presidente entendeu dar-lhe, na sequência da renovação do contrato ocorrida meses antes como prémio do segundo lugar no campeonato.

 

Prometeram-nos ser fiéis ao lema do fundador, o Visconde de Alvalade: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Anunciaram sem rodeios que estava de regresso o Sporting dos grandes feitos e das grandes proezas, com o maior investimento de sempre no futebol leonino e supostos craques aterrados em Lisboa, oriundos das mais diversas proveniências.

 

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Isto ocorreu entre Julho e Setembro.

Escassos meses depois, em Janeiro de 2017, o Sporting já estava arredado de todas as frentes da competição futebolística.

Uma derrota no Porto, mal iniciada a segunda volta, deixou-nos fora da luta pelo título e com a certeza antecipada de que a tal prateleira no museu de Alvalade permaneceria vazia.

 

Chaves atirou-nos para fora da Taça de Portugal, envergonhando a nação leonina.

O Vitória de Setubal empurrou-nos para fora da Taça da Liga, que viria a ser ganha pelo Moreirense.

Nas competições da UEFA, nem à Liga Europa chegámos. Porque nos foi travado o passo pelo poderoso Légia de Varsóvia, colosso do futebol mundial.

Fizemos exibições vergonhosas frente ao Tondela, ao Braga e ao Belenenses em casa. Chegámos a ser humilhados pelo Rio Ave em Vila do Conde.

 

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Balanço: fraco futebol para a fasquia que foi fixada. Digamos, sem limar arestas, que foi uma época perdida.

As contratações - "prendas" incluídas - revelaram-se um monumental fiasco.

Os craques afinal não o eram. Mesmo tendo sido escolhidos a dedo pelo treinador.

Concluiu-se que a equipa foi afinal mal organizada, estando servida por laterais paupérrimos nas duas alas. Laterais que vieram por designação do técnico, a quem o presidente fez questão de satisfazer com uma generosidade inédita na história do clube em geral e desta SAD em particular.

Descontente, apesar disso, o treinador termina a época queixando-se da necessidade de recorrer a "terceiras escolhas".

Esquecendo-se de que só ele foi responsável por tais escolhas.

 

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Num aparente milagre da multiplicação das fontes, começaram de imediato a circular notícias assegurando o súbito interesse do FC Porto - segundo classificado do campeonato - na aquisição do treinador da equipa situada em terceiro.

E não só do Porto: chovem as propostas de trabalho do estrangeiro, com o hipersupermegaempresário supostamente de telefone na mão, garantindo novos paradeiros para o profissional em causa. Da França, da Itália, da Espanha, da Inglaterra, da Turquia: todos o querem.

 

Já vimos esta telenovela.

É a reedição de outras, intituladas "Agarrem-me Senão Eu Saio". Que terminaram sempre com final feliz para o protagonista, contemplado com sucessivos aumentos salariais.

 

Chegou a altura de conceber outro fim para a telenovela. E de lhe atribuir novo nome. Adianto desde já uma sugestão: "Segue o Teu Rumo".

E manda um postal aos que por cá ficam.

Nada pode ficar na mesma

Aos 20 minutos de jogo, já Marvin e Bryan Ruiz, enredando-se em toques e voltinhas para acabarem a passar para trás, começavam a ser assobiados nas bancadas. Por uma vez o "tribunal" de Alvalade estava cheio de razão. Como se antevisse que esta mentalidade de jogo-treino entre jogadores que pareciam entretidos a brincar na areia só poderia acabar mal.

E acabou.

Nada pode ficar na mesma depois de um resultado destes.

Nada pode ficar na mesma depois de uma exibição destas - que desrespeitou profundamente 45 mil espectadores que compareceram em Alvalade numa manhã cheia de sol.

Crise providencial?

Terá a crise que afastou o Sporting da Europa, da Taça de Portugal e da Taça da Liga sido providencial? Talvez. Por muito que gostemos de falar das arbitragens (infelizmente, de forma justificada imensas vezes), houve demasiadas culpas próprias no cartório: a incapacidade para segurar os jogos com o Real Madrid, a ineficácia contra o Borussia Dortmund, a incapacidade para ganhar ao Legia Varsóvia, os desastres de Vila do Conde, de Guimarães, de Chaves e as tremideiras sistemáticas contra todo o género de equipas (como o Feirense ou o Paços de Ferreira) provam-no.

 

Mas será que a semi-catástrofe em que esta época se tornou por causa de tudo isto pode vir a ter resultados positivos? Esperemos que sim. A crise terá mostrado a Bruno de Carvalho e a Jorge Jesus (dois indivíduos de ego bastante inchado) que os seus inegáveis talentos e a sua simples vontade não bastam. Depois de uma época de ajustamento que acabou no quase-campeonato, eles deviam achar que este ano o sucesso viria praticamente por si. Seguiu-se um certo desleixo profissional ou facilitismo, que redundou no camião de coxos que desembarcou em Alvalade. E também naquilo que parece ter sido a aproximação displicente a alguns jogos.

 

A crise terá servido para alguma coisa se Bruno de Carvalho e Jorge Jesus ficarem, como se diz agora, mais "smart". No caso do presidente, duas coisas vêm logo ao pensamento: controlar o desbragamento comunicacional e as atitudes intempestivas. O barulho teve o seu tempo há uns anos, quando o Sporting precisou de voltar a entrar na "corrida a três". Mas agora é preciso ser mais cirúrgico. No caso do treinador, vem ao pensamento a farronca que, quando os resultados não correspondem, é seguida por uma espécie de depressão e desleixo - a impressão que faz ver tantos jogos que parecem mal preparados... O presidente também não deve dar carta branca ao treinador para fazer tudo: lá está o camião de coxos. Se não deve ser ele a interferir na equipa técnica, deve haver uma equipa técnica (ou uma assessoria à equipa técnica) capaz de fazer escolhas mais criteriosas do que aquelas que o treinador mostrou ser capaz de fazer.

 

O tempo é de concentração e frieza, apelando às melhores qualidades dos dois líderes do Sporting. Espero que isso se comece a ver já no jogo com o Porto.

Três erros de Bruno de Carvalho

 

Ter aumentado a massa salarial da equipa técnica do Sporting no final da época passada, em que só vencemos a Supertaça. Uma espécie de prémio real às vitórias morais.

 

Ter prolongado por um ano o contrato do treinador.

 

Ter dado luz verde à lista de contratações que Jorge Jesus lhe pôs à frente. Hoje sabemos bem o real valor dessa lista, que começou muito cedo a ser questionada.

 

A solução e o problema

«Não tenho o melhor plantel. Tenho é uma equipa trabalhada por mim, e se está trabalhada por mim tem de ser a melhor. A diferença está no treinador.»

Jorge Jesus, 14 de Setembro 

 

Em nove jogos disputados fora para o campeonato, só vencemos três. O jogo de ontem, mais do que qualquer outro, pôs-me a pensar. Até que ponto os jogadores estão com o treinador?

De uma resposta rápida a esta questão depende a solução para a grave crise que atravessa o futebol do Sporting. Tentar iludi-la só avoluma o problema.

Aqui estamos de novo

Já estamos habituados - Aqui estamos de novo. Em crise. Nos meus 32 anos de vida só duas vezes fiz a festa do campeonato. E a medida do sucesso de um clube grande português é a conquista do campeonato. A Taça não chega e as competições internacionais são excepções. Ou seja, nos outros 30 anos da minha vida, o Sporting esteve em crise;

Há 17 jogos por disputar - O facto de estarmos numa só prova não é igual a desistirmos. Os profissionais de verde e branco devem esforçar-se ao máximo vencer todos os jogos. Motivação? O salário e nós, deste lado. Nada garante que nos leve a algum lado mas tem que se jogar pela honra do clube. Além disso, ganhando os 17 jogos, poderemos ter motivo de festa em maio;

Milhões por cepos - É claro que estou desiludido com a época e aponto o dedo à ruinosa política de contratações. Gastamos de mais em jogadores que jogam de menos. Douglas, Meli, Petrovic, Paulista, Elias, Castaignos, Markovic ou André têm as portas de saída escancaradas. Alan só fica porque custou 8 milhões;

Reagrupar - É tempo de mudar o grupo. Manter o núcleo duro, despachar alguns dos atrás referidos (ou todos) e chamar caras novas. Caras novas que sejam velhos conhecidos como Iuri, Podence, Geraldes ou Jonathan e tentar juntar uns cobres para ter um ou dois laterais decentes e um segundo avançado que apoie Dost e marque alguns golos;

Vender é bom - Estou farto do argumento de não termos sobrevivido às saídas de João Mário e Slimani. Um clube português que faça uma boa época terá sempre tubarões à porta. Fizemos bons negócios, mantivemos três campeões da Europa e tínhamos dinheiro para contratar bem. Só não o fizemos;

Jesus – O nosso treinador é arrogante e fala de mais e mal desde a última época. As suas bocas para a Luz deram motivação ao rival. Mas é um grande treinador que colocou, de facto, a equipa a jogar mais. Não terá desaprendido e em breve voltará ao normal;

Bruno – Sempre disse que fazia bem mas falava mal. Já fez obra mas por vezes e, sobretudo sem títulos, parece um Dom Quixote, mesmo que muitos dos moinhos existam mesmo. Mas combatemos o exterior, assumindo os males interiores. No seu texto no Facebook mostrou mais maturidade e capacidade de olhar para dentro. Pode ser que a desilusão lhe traga maturidade;

Em resumo – Já aqui estivemos muitas vezes e nunca ganhamos nada em ser precipitados em mudar de treinadores ou presidentes. Para já, é fazer uma boa campanha no mercado e apontar a 17 vitórias. O resto, apoiar uma equipa que não nos dá grandes alegrias, já é habitual.

Este é o momento de falar

Chego ao blogue e verifico que está em pousio, como se nada se passasse. Acontece que este não é momento para silêncios.

Apetece-me portanto lançar o repto aos meus colegas e aos leitores do És a Nossa Fé: falem agora ou calem-se para sempre.

 

Digam aqui quais devem ser agora as prioridades leoninas perante a grave crise em que o clube mergulhou após Bruno de Carvalho ter elevado as expectativas para um patamar sem precedentes, prometendo conquistar tudo e arriscando-se a não ganhar nada - ao nível do futebol profissional, incluindo a equipa B, e das modalidades ditas amadoras. Apesar do fortíssimo investimento efectuado.

O que deve ser feito sem mais demora?

Quais são as prioridades absolutas?

Que cenários devemos recusar?

 

Enfim vamos debater as medidas que têm de ser tomadas sob pena de o Sporting retroceder quatro anos. Ao início do mandato do actual presidente, quando atingimos a pior classificação de sempre no campeonato, comprávamos jogadores que comprovaram ser autênticas nulidades, vendíamos outros para pagar despesas correntes, despedíamos treinadores como quem muda de camisa e éramos alvo de chacota generalizada.

 

Acrescento o óbvio: este é um repto que apenas se destina a sportinguistas. Da nossa casa tratamos nós.

Demasiado mau

Vimos de tudo um pouco neste Chaves-Sporting de que resultou a nossa eliminação da Taça de Portugal.

Vimos um treinador castigado sem confiança no seu adjunto, dando-lhe ordens o tempo todo por telemóvel.

Vimos um adjunto à rasca, incapaz de tomar decisões sem ouvir a voz do "além".

Vimos um presidente no banco dando instruções ao Bruno César como se fosse treinador.

E vimos sobretudo uma equipa sem a menor vontade de ganhar que aos 15 minutos já podia estar a perder 0-2 se não fosse a grande exibição de Beto.

 

Tudo mau. Demasiado mau.

É tempo de recuperar a equipa

Os adeptos na Madeira protestaram ruidosamente. E com toda a razão: não podemos compactuar com a falta de atitude revelada pelos jogadores frente ao Nacional.

Espero que os responsáveis leoninos - do presidente ao treinador - se deixem enfim de questões laterais e se concentrem na recuperação da equipa.

Não é tempo para desperdiçar energias com comunicados consecutivos, bravatas nas redes sociais, falatório em excesso, almanaques de mil novecentos e troca o passo, "vídeos motivacionais" da treta e alarido na praça pública a propósito de cem assuntos secundários enquanto se perde de vista o essencial.

É tempo de a direcção olhar mais para o Sporting e menos para os rivais. Venho escrevendo isto há semanas e sinto o imperativo de o reiterar aqui.

 

Leitura complementar:

Breves notas a propósito do jogo de sábado

Devemos imitar Gelson Martins

Contra a apologia das vitórias morais

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