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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - De noite se faz luz sobre o dia

Começo por dizer que me estou "nas tintas" para as comissões que o Benfica paga de intermediação de jogadores (olho é para as nossas e vejo que neste mercado de Verão subiram face aos 2 "reports" anteriores), pelo que entendo que a nossa Comunicação não tinha de invocar publicamente isso, como se não fosse suficiente para nós a transparente divulgação do desagregado das transferências do mercado de Verão, isso sim um motivo de orgulho. É um tema do Benfica que, a preocupar alguém, deve ser os seus adeptos, o(s) regulador(es) e as autoridades, com o qual nós, sportinguistas, não temos de nos ocupar neste momento. Devo, no entanto, referir que ouvir (e vêr) Pedro Adão e Silva, no programa Aposta Tripla, da SportTV (onde gosto muito de Paulo Baldaia e, já agora, de Pedro Henriques, na minha opinião, o melhor comentador televisivo de futebol), "matar" o tema, dizendo que o Benfica paga mais comissões que os outros, porque vende mais - lá está aproveitando a "deixa" (supérflua) de Nuno Saraiva, que acabou por esvaziar mediáticamente a transparência do "report" do Sporting, o essencial - me deixou entre a incredulidade e a marcação urgente de uma consulta no otorrino. Passo a explicar: o facto de um clube vender mais, não justifica que pague quatro vezes mais comissões do que outro num determinado período, a não ser que tenha vendido ( e comprado?) também quatro vezes mais, o que manifestamente não foi o caso. Mais tarde, no mesmo programa, António Macedo, com igual leveza, diria que tinha pena que não fosse o Sporting a pagar mais comissões, mostrando não perceber isto. Uma coisa é achar que o tema não nos diz respeito - embora se possa ter uma opinião sobre ele - outra é tomarem-nos por lorpas e escamotear que o barómetro deve ser a taxa média de intermediação paga por um clube, algo que poderia futuramente constar nos Relatórios e Contas das sociedades desportivas. Adiante...

 

Rui Vitória diz que um clube tetracampeão não pode estar em crise, nessa situação estarão aqueles que não ganham há muito tempo. Eu fico muito contente com esta "crise" que vem assolando o Sporting esta época. Como o futebol é o momento, muito contente. Os adeptos do Benfica, por outro lado, também estão contentes porque ganharam nos últimos 4 anos. Antes assim, estamos todos contentes, exceptuando o Rui Gomes da Silva, aparentemente o único que está zangado. 

 

Falando de futebol, o que eu vejo é que o Benfica não colmatou as saídas na sua defesa (baliza incluida) e que o seu meio-campo está em falência. Como resolver isso? Eventualmente, recorrendo a um terceiro médio - Krovinovic? - , o que lhe permitiria gerir o miolo do terreno de outra forma, mas como compatibilizar isso com Jonas, de longe o melhor jogador do clube (se não do Campeonato)? Poderá Jonas jogar sozinho na frente (o que significaria a saída de Seferovic ou Jimenez)? Se fosse benfiquista também me intrigaria porque Cervi não joga mais. De todas as opções nas alas é o jogador com maior entrega e rigor táctico, mas parece contar menos este ano.

 

Finalmente, a questão do vídeo-árbitro. Uma inovação que veio melhorar muito o futebol português, adicionando-lhe transparência. Há ainda alguma coisa a fazer, até do ponto-de-vista de meios tecnológicos para análise, mas já não há dúvidas que é um instrumento muito útil. Aqui também parece agora haver consenso, embora ainda recentemente no Bessa se tenha ouvido que a culpa era do VARela.

 

 

Agarrem-me senão eu saio

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Prometeram-nos o título.

O presidente, num daqueles exageros a que já habituou os adeptos, chegou a convidar os jornalistas a contemplar uma prateleira vazia no museu, garantindo-lhes que aquele era o espaço já reservado para a taça comemorativa da conquista da Liga 2016/17.

 

Prometeram-nos uma equipa de combate.

O plantel foi construído de raiz com as escolhas do treinador, acrescidas de duas ou três "prendas" que o presidente entendeu dar-lhe, na sequência da renovação do contrato ocorrida meses antes como prémio do segundo lugar no campeonato.

 

Prometeram-nos ser fiéis ao lema do fundador, o Visconde de Alvalade: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Anunciaram sem rodeios que estava de regresso o Sporting dos grandes feitos e das grandes proezas, com o maior investimento de sempre no futebol leonino e supostos craques aterrados em Lisboa, oriundos das mais diversas proveniências.

 

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Isto ocorreu entre Julho e Setembro.

Escassos meses depois, em Janeiro de 2017, o Sporting já estava arredado de todas as frentes da competição futebolística.

Uma derrota no Porto, mal iniciada a segunda volta, deixou-nos fora da luta pelo título e com a certeza antecipada de que a tal prateleira no museu de Alvalade permaneceria vazia.

 

Chaves atirou-nos para fora da Taça de Portugal, envergonhando a nação leonina.

O Vitória de Setubal empurrou-nos para fora da Taça da Liga, que viria a ser ganha pelo Moreirense.

Nas competições da UEFA, nem à Liga Europa chegámos. Porque nos foi travado o passo pelo poderoso Légia de Varsóvia, colosso do futebol mundial.

Fizemos exibições vergonhosas frente ao Tondela, ao Braga e ao Belenenses em casa. Chegámos a ser humilhados pelo Rio Ave em Vila do Conde.

 

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Balanço: fraco futebol para a fasquia que foi fixada. Digamos, sem limar arestas, que foi uma época perdida.

As contratações - "prendas" incluídas - revelaram-se um monumental fiasco.

Os craques afinal não o eram. Mesmo tendo sido escolhidos a dedo pelo treinador.

Concluiu-se que a equipa foi afinal mal organizada, estando servida por laterais paupérrimos nas duas alas. Laterais que vieram por designação do técnico, a quem o presidente fez questão de satisfazer com uma generosidade inédita na história do clube em geral e desta SAD em particular.

Descontente, apesar disso, o treinador termina a época queixando-se da necessidade de recorrer a "terceiras escolhas".

Esquecendo-se de que só ele foi responsável por tais escolhas.

 

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Num aparente milagre da multiplicação das fontes, começaram de imediato a circular notícias assegurando o súbito interesse do FC Porto - segundo classificado do campeonato - na aquisição do treinador da equipa situada em terceiro.

E não só do Porto: chovem as propostas de trabalho do estrangeiro, com o hipersupermegaempresário supostamente de telefone na mão, garantindo novos paradeiros para o profissional em causa. Da França, da Itália, da Espanha, da Inglaterra, da Turquia: todos o querem.

 

Já vimos esta telenovela.

É a reedição de outras, intituladas "Agarrem-me Senão Eu Saio". Que terminaram sempre com final feliz para o protagonista, contemplado com sucessivos aumentos salariais.

 

Chegou a altura de conceber outro fim para a telenovela. E de lhe atribuir novo nome. Adianto desde já uma sugestão: "Segue o Teu Rumo".

E manda um postal aos que por cá ficam.

Nada pode ficar na mesma

Aos 20 minutos de jogo, já Marvin e Bryan Ruiz, enredando-se em toques e voltinhas para acabarem a passar para trás, começavam a ser assobiados nas bancadas. Por uma vez o "tribunal" de Alvalade estava cheio de razão. Como se antevisse que esta mentalidade de jogo-treino entre jogadores que pareciam entretidos a brincar na areia só poderia acabar mal.

E acabou.

Nada pode ficar na mesma depois de um resultado destes.

Nada pode ficar na mesma depois de uma exibição destas - que desrespeitou profundamente 45 mil espectadores que compareceram em Alvalade numa manhã cheia de sol.

Crise providencial?

Terá a crise que afastou o Sporting da Europa, da Taça de Portugal e da Taça da Liga sido providencial? Talvez. Por muito que gostemos de falar das arbitragens (infelizmente, de forma justificada imensas vezes), houve demasiadas culpas próprias no cartório: a incapacidade para segurar os jogos com o Real Madrid, a ineficácia contra o Borussia Dortmund, a incapacidade para ganhar ao Legia Varsóvia, os desastres de Vila do Conde, de Guimarães, de Chaves e as tremideiras sistemáticas contra todo o género de equipas (como o Feirense ou o Paços de Ferreira) provam-no.

 

Mas será que a semi-catástrofe em que esta época se tornou por causa de tudo isto pode vir a ter resultados positivos? Esperemos que sim. A crise terá mostrado a Bruno de Carvalho e a Jorge Jesus (dois indivíduos de ego bastante inchado) que os seus inegáveis talentos e a sua simples vontade não bastam. Depois de uma época de ajustamento que acabou no quase-campeonato, eles deviam achar que este ano o sucesso viria praticamente por si. Seguiu-se um certo desleixo profissional ou facilitismo, que redundou no camião de coxos que desembarcou em Alvalade. E também naquilo que parece ter sido a aproximação displicente a alguns jogos.

 

A crise terá servido para alguma coisa se Bruno de Carvalho e Jorge Jesus ficarem, como se diz agora, mais "smart". No caso do presidente, duas coisas vêm logo ao pensamento: controlar o desbragamento comunicacional e as atitudes intempestivas. O barulho teve o seu tempo há uns anos, quando o Sporting precisou de voltar a entrar na "corrida a três". Mas agora é preciso ser mais cirúrgico. No caso do treinador, vem ao pensamento a farronca que, quando os resultados não correspondem, é seguida por uma espécie de depressão e desleixo - a impressão que faz ver tantos jogos que parecem mal preparados... O presidente também não deve dar carta branca ao treinador para fazer tudo: lá está o camião de coxos. Se não deve ser ele a interferir na equipa técnica, deve haver uma equipa técnica (ou uma assessoria à equipa técnica) capaz de fazer escolhas mais criteriosas do que aquelas que o treinador mostrou ser capaz de fazer.

 

O tempo é de concentração e frieza, apelando às melhores qualidades dos dois líderes do Sporting. Espero que isso se comece a ver já no jogo com o Porto.

Três erros de Bruno de Carvalho

 

Ter aumentado a massa salarial da equipa técnica do Sporting no final da época passada, em que só vencemos a Supertaça. Uma espécie de prémio real às vitórias morais.

 

Ter prolongado por um ano o contrato do treinador.

 

Ter dado luz verde à lista de contratações que Jorge Jesus lhe pôs à frente. Hoje sabemos bem o real valor dessa lista, que começou muito cedo a ser questionada.

 

A solução e o problema

«Não tenho o melhor plantel. Tenho é uma equipa trabalhada por mim, e se está trabalhada por mim tem de ser a melhor. A diferença está no treinador.»

Jorge Jesus, 14 de Setembro 

 

Em nove jogos disputados fora para o campeonato, só vencemos três. O jogo de ontem, mais do que qualquer outro, pôs-me a pensar. Até que ponto os jogadores estão com o treinador?

De uma resposta rápida a esta questão depende a solução para a grave crise que atravessa o futebol do Sporting. Tentar iludi-la só avoluma o problema.

Aqui estamos de novo

Já estamos habituados - Aqui estamos de novo. Em crise. Nos meus 32 anos de vida só duas vezes fiz a festa do campeonato. E a medida do sucesso de um clube grande português é a conquista do campeonato. A Taça não chega e as competições internacionais são excepções. Ou seja, nos outros 30 anos da minha vida, o Sporting esteve em crise;

Há 17 jogos por disputar - O facto de estarmos numa só prova não é igual a desistirmos. Os profissionais de verde e branco devem esforçar-se ao máximo vencer todos os jogos. Motivação? O salário e nós, deste lado. Nada garante que nos leve a algum lado mas tem que se jogar pela honra do clube. Além disso, ganhando os 17 jogos, poderemos ter motivo de festa em maio;

Milhões por cepos - É claro que estou desiludido com a época e aponto o dedo à ruinosa política de contratações. Gastamos de mais em jogadores que jogam de menos. Douglas, Meli, Petrovic, Paulista, Elias, Castaignos, Markovic ou André têm as portas de saída escancaradas. Alan só fica porque custou 8 milhões;

Reagrupar - É tempo de mudar o grupo. Manter o núcleo duro, despachar alguns dos atrás referidos (ou todos) e chamar caras novas. Caras novas que sejam velhos conhecidos como Iuri, Podence, Geraldes ou Jonathan e tentar juntar uns cobres para ter um ou dois laterais decentes e um segundo avançado que apoie Dost e marque alguns golos;

Vender é bom - Estou farto do argumento de não termos sobrevivido às saídas de João Mário e Slimani. Um clube português que faça uma boa época terá sempre tubarões à porta. Fizemos bons negócios, mantivemos três campeões da Europa e tínhamos dinheiro para contratar bem. Só não o fizemos;

Jesus – O nosso treinador é arrogante e fala de mais e mal desde a última época. As suas bocas para a Luz deram motivação ao rival. Mas é um grande treinador que colocou, de facto, a equipa a jogar mais. Não terá desaprendido e em breve voltará ao normal;

Bruno – Sempre disse que fazia bem mas falava mal. Já fez obra mas por vezes e, sobretudo sem títulos, parece um Dom Quixote, mesmo que muitos dos moinhos existam mesmo. Mas combatemos o exterior, assumindo os males interiores. No seu texto no Facebook mostrou mais maturidade e capacidade de olhar para dentro. Pode ser que a desilusão lhe traga maturidade;

Em resumo – Já aqui estivemos muitas vezes e nunca ganhamos nada em ser precipitados em mudar de treinadores ou presidentes. Para já, é fazer uma boa campanha no mercado e apontar a 17 vitórias. O resto, apoiar uma equipa que não nos dá grandes alegrias, já é habitual.

Este é o momento de falar

Chego ao blogue e verifico que está em pousio, como se nada se passasse. Acontece que este não é momento para silêncios.

Apetece-me portanto lançar o repto aos meus colegas e aos leitores do És a Nossa Fé: falem agora ou calem-se para sempre.

 

Digam aqui quais devem ser agora as prioridades leoninas perante a grave crise em que o clube mergulhou após Bruno de Carvalho ter elevado as expectativas para um patamar sem precedentes, prometendo conquistar tudo e arriscando-se a não ganhar nada - ao nível do futebol profissional, incluindo a equipa B, e das modalidades ditas amadoras. Apesar do fortíssimo investimento efectuado.

O que deve ser feito sem mais demora?

Quais são as prioridades absolutas?

Que cenários devemos recusar?

 

Enfim vamos debater as medidas que têm de ser tomadas sob pena de o Sporting retroceder quatro anos. Ao início do mandato do actual presidente, quando atingimos a pior classificação de sempre no campeonato, comprávamos jogadores que comprovaram ser autênticas nulidades, vendíamos outros para pagar despesas correntes, despedíamos treinadores como quem muda de camisa e éramos alvo de chacota generalizada.

 

Acrescento o óbvio: este é um repto que apenas se destina a sportinguistas. Da nossa casa tratamos nós.

Demasiado mau

Vimos de tudo um pouco neste Chaves-Sporting de que resultou a nossa eliminação da Taça de Portugal.

Vimos um treinador castigado sem confiança no seu adjunto, dando-lhe ordens o tempo todo por telemóvel.

Vimos um adjunto à rasca, incapaz de tomar decisões sem ouvir a voz do "além".

Vimos um presidente no banco dando instruções ao Bruno César como se fosse treinador.

E vimos sobretudo uma equipa sem a menor vontade de ganhar que aos 15 minutos já podia estar a perder 0-2 se não fosse a grande exibição de Beto.

 

Tudo mau. Demasiado mau.

É tempo de recuperar a equipa

Os adeptos na Madeira protestaram ruidosamente. E com toda a razão: não podemos compactuar com a falta de atitude revelada pelos jogadores frente ao Nacional.

Espero que os responsáveis leoninos - do presidente ao treinador - se deixem enfim de questões laterais e se concentrem na recuperação da equipa.

Não é tempo para desperdiçar energias com comunicados consecutivos, bravatas nas redes sociais, falatório em excesso, almanaques de mil novecentos e troca o passo, "vídeos motivacionais" da treta e alarido na praça pública a propósito de cem assuntos secundários enquanto se perde de vista o essencial.

É tempo de a direcção olhar mais para o Sporting e menos para os rivais. Venho escrevendo isto há semanas e sinto o imperativo de o reiterar aqui.

 

Leitura complementar:

Breves notas a propósito do jogo de sábado

Devemos imitar Gelson Martins

Contra a apologia das vitórias morais

Esforço, dedicação, depressão e...

A verdade é que já está toda a gente farta destas crises recorrentes do Sporting, que aparecem sabe-se lá porquê e vindas sabe-se lá de onde. Ainda mais fartos estão os adeptos que continuam a conseguir encher estádios mesmo com a carreira medíocre das últimas décadas. Não é de certeza por eles que as crises aparecem. O treinador e os jogadores estão com a neura? Estão deprimidos? Então é melhor tratarem-se. Quando passar, avisem.

Faltam doze dias

Faltam doze dias para a final da Taça de portugal.

No meu entendimento o jogo mais importante da época.

E a que é que assistimos? Pois precisamente a picardias entre sportinguistas, ao levantar de barricadas, quase parecendo que todos querem que a coisa corra mal, para depois virem pedir sangue e alguns talvez a sua quota parte no saque.

 

A uns e a outros, será demasiado pedir que esperem doze dias, que deixem jogar a final da Taça e depois façam o balanço da época e que se degladiem logo ali, na praça da maratona, se acharem tudo tão urgente?

Será pedir demasiado que foquem as suas intervenções nesse jogo, exacerbando dessa forma o seu fervor clubista?

Será demasiado difícil encolherem as garras durante este curto período de tempo e, ao invés de, também eles andarem aos tiros nos pés, deixarem os discursos bélicos por pouco mais de semana e meia?

 

Chamem-lhe paz podre, o que quiserem, mas por ora o Sporting agradece!

Coisas que nunca mudam

Em Dezembro do ano passado, por altura do primeiro episódio desta crise, manifestei a minha pena por a chegada desta nova direcção não ter alterado a tendência do Sporting para a autodestruição. Em Janeiro deste ano, quando a crise pareceu resolver-se, manifestei a minha esperança de que toda a gente tivesse aprendido qualquer coisa e como isso seria óptimo para o Sporting. Chegámos a Maio e percebo que não.

 

Contra as minhas esperanças do passado recente, percebo que o Sporting continua a ser o mesmo clube maluco que me habituei a conhecer. Clube em que as grandes vitórias praticamente aparecem por milagre (vide o campeonato de 2000) e não como resultado de trabalho continuado. Que posso fazer? Foi assim nos quarenta e tal anos que levo de apoio ao Sporting. Tanto quanto consigo ver, assim continuará a ser.

 

Por agora, só espero que corra tudo bem no Jamor.

'Farto de brincadeiras, ok?! Brincadeiras, hã?!'

Nos idos de Novembro de 1975, um Primeiro-Ministro deste nosso país referiu num célebre momento, que mais parece um sketch de humor, que estava farto de brincadeiras, referindo-se à situação caótica no país que levou o governo a decretar greve. Ora, quase 40 anos depois, nós adeptos do Sporting Clube de Portugal também podemos dizer que estamos fartos de brincadeiras. Isto vale para a estrutura técnica e directiva. A 15 dias de um jogo decisivo, o folhetim tem sido lamentável. Que sejam tentativas de desestabilizar vindas de fora, temos de aceitar e viver com isso, visto que ainda somos um grande e faz parte tentar criar uma pressão adicional antes de um jogo importante. Ver os nossos homens envoltos num espectáculo destes é de bradar aos céus. Isto tem tudo para correr mal. Que eu me engane no próximo dia 31. 

Acho alguma piada a isto

Acho piada que alguma rapaziada que agora critica o presidente por querer meter o bedelho na constituição do plantel fosse em tempos tão admiradora de D. Bufas, o paradigma do dirigente "quero, posso e mando".

Também acho piada que apareçam de faca afiada, saídos do esconso onde se escondem quando a coisa parece correr bem (que para eles é correr mal, claro está), logo que as águas se agitem, haja ou não razão, tipo claque do Vitória: é verde, mexe, leva!

Ora se nem o Jesus ou o Mourinho escolhem jogadores (fundos, lembram-se?), por que carga de água deveria o treinador do Sporting, seja ele qual for, escolher quem deve ou não ser contratado? claro que deve ser consultado, mas a última palavra deve ser sempre de quem paga! ou não? É que, para os mais distraídos, estamos numa situação de resgate, sob a alçada da UEFA, e com contas a prestar a credores. Coisa pouca, herdada de direcções anteriores, precisamente compostas por gente muito amiga do senhor Pinto da Costa.

Claro está que para eles o treinador pouco conta, o alvo é outro, obviamente. Mas se o treinador, seja ele qual for, mesmo sem ter sido eleito, assumir o pagamento... que vá às compras!

Um erro colossal

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 Foto Record

 

Marco Silva parece ter os dias contados como técnico principal do Sporting. Eis a reprise do psicodrama que marcou o último Dezembro leonino, só encerrado na altura com uma declaração do presidente à Sporting TV em que manifestava confiança no treinador. Foi há menos de cinco meses mas já soa a frase de um passado longínquo.

A palavra "ruptura" é utilizada hoje na capa de um jornal. Mas não é um jornal qualquer, nem vem da pena de um qualquer jornalista: surge no Record, de longe o diário desportivo mais próximo da direcção leonina. Em texto assinado pelo próprio director do jornal, António Magalhães. Que falou com Bruno de Carvalho, como fica bem patente na prosa que escreveu e publica na página 2.

Tudo isto, note-se, a 16 dias da decisiva final no Jamor.

 

Depois desta manchete, validada com a chancela do director, parece cada vez mais evidente que Marco Silva não permanecerá no Sporting após 31 de Maio.

Se vencer a Taça de Portugal, como todos desejamos, a sua saída será um erro colossal da direcção leonina, aparentemente pronta a afastar o único técnico que se prepara para nos dar um título em futebol profissional desde o já longínquo ano de 2008 (quando Paulo Bento conquistou igualmente a Taça de Portugal, seguida da Supertaça).

Um erro somado a tantos outros.

Ao de João Rocha, que despediu Malcolm Allison no Verão de 1982, logo após o Sporting ter conquistado a dobradinha (campeonato nacional e Taça de Portugal), dando início ao longo inverno de 18 anos sem títulos.

Ao de Sousa Cintra, que na época 1993/94 afastou Bobby Robson do comando técnico da equipa, a pretexto de uma derrota na Taça UEFA, quando o Sporting seguia em primeiro (e a seguir o britânico sagrou-se campeão como treinador do FC Porto).

Ao de Luís Duque, que afastou Augusto Inácio (o treinador que nos conduziu ao título após 18 anos de jejum), contratou e despediu José Mourinho - tudo no mesmo dia, em Novembro de 2001: bastou-lhe ouvir uns berros de alguém numa conferência de imprensa para se borrar de medo e voltar com a palavra atrás (Mourinho, como Robson, seria campeão pelo FC Porto enquanto Inácio teve a dignidade de recusar manter-se em Alvalade quando lhe vieram pedir que afinal ficasse para aguentar o barco).

Ao de José Eduardo Bettencourt, que em Fevereiro de 2009 bradava "Paulo Bento forever!" - uma "eternidade" que durou sete meses, até ao despedimento do técnico que garantiu duas Taças e duas supertaças para o Sporting (as últimas até ao momento) e depois conduziria a selecção portuguesa a uma épica meia-final do Euro-2102.

 

Mudam as gestões, mudam os nomes inscritos no gabinete presidencial, mas o Sporting mantém-se fiel à péssima tradição de ser um cemitério de treinadores. O experimentalismo contínuo, que não permite sedimentar processos de jogo e modelos tácticos nem criar verdadeira empatia entre adeptos e equipas técnicas, tornou-se lei comum em Alvalade.

A instabilidade não vem de fora, vem de dentro.

 

Nem comento os nomes que circulam como eventuais sucessores de Marco Silva e aos quais o Luciano já se referiu aqui. Limito-me a questionar que estabilidade pode ter a nossa equipa perante cenários destes num período em que dela se exigiria concentração total no objectivo de garantir a Taça no Jamor. Cenários que não podem ser invenção pura do jornal mais conotado com Alvalade e que a todo o momento tem acesso ao presidente.

Mas se estamos apenas perante mais uma tentativa externa de desestabilizar o Sporting, nada como a prova do algodão, que não engana: bastará um comunicado claro e conciso do presidente, garantindo que Marco Silva - sua escolha pessoal, faz agora um ano, para treinar a equipa até à temporada 2017/18 - continuará como aposta única para o comando técnico na época que vai seguir-se.

 

Cada hora que passar durante o resto do dia de hoje, o silêncio soará a confirmação de tudo quanto ficou escrito.

Com as consequências daí decorrentes: o hipotético divórcio entre treinador e presidente alastrará inevitavelmente às relações entre o presidente e os adeptos.

Como escrevi aqui em Dezembro, "o destino de um está ligado ao destino do outro. Ou seja, o fracasso de Marco Silva representaria também o fracasso de quem o contratou e o vinculou contratualmente ao Sporting durante quatro anos".

Não é preciso nenhum especialista externo em "gestão de crises" soprar-lhe esta evidência ao ouvido para Bruno de Carvalho ter a certeza absoluta de que será assim.

Para que não haja dúvida

A borla soube de fonte segura que hoje, na recepção ao Boavista para a taça Lucílio, estará presente em Alvalade um convidado de Bruno de Carvalho e Marco Silva, para afastar de vez todas as dúvidas de que se entenderam.

O mediador veio directamente da Noruega!

Embora tentasse passar despercebido, o nosso fotógrafo caçou-o na zona VIP.

Eis aqui a foto comprovativa à chegada à Portela:

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