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És a nossa Fé!

Alguém me pode explicar isto se faz favor?

Quem será que mente?

 

Jogador X afirmou ontem que, à data de 15 de Agosto, dia em que a sua filha comemorou 6 dias de vida, o clube A já tinha pago o salário a todos os seus colegas, sem, no entanto, este ter recebido o seu vencimento.

Sensivelmente uma semana depois desta data, o clube A oficializou o empréstimo do jogador X ao clube B.

Em resposta às declarações do jogador X, o clube A revolta-se e afirma, quanto à questão do salário que não foi pago, que os contratos são feitos a partir de Julho, portanto a partir desse mês, quaisquer encargos com o jogador ficam a cargo do clube B.

O que eu gostava de perceber é o seguinte:

 

Como pode o negócio entre os clubes A e B ser oficializado depois de 20 de Agosto e ser o clube B o responsável pelo pagamento do vencimento de Julho ao jogador X?

 

É que até compreendo que seja o clube B a assumir os encargos referentes ao mês de Agosto. Agora qual é a lógica de ter de pagar também o vencimento de Julho se, à data em que foi consumada a transferência, o jogador já o devia ter recebido, por ter trabalhado no outro clube?

A propósito dos contratos (3)

Evidentemente, o Sporting ter fechado um contrato destes com a NOS foi uma surpresa para muitos profetas da desgraça em tudo o que diga respeito ao nosso clube. Pessoalmente, creio que a melhor resposta a dar-lhes é o próprio contrato: uma bofetada de luva branca.

Mas alguns destes profetas da desgraça não o são somente em relação ao Sporting: são-no em relação a todo o país, em relação a todos os assuntos. Responder-lhes é, por isso, um bom serviço que o presidente do Sporting presta. Só não gosto do estilo, que infelizmente por vezes não prima pelo bom gosto... Mas apesar deste estilo do presidente, considero muito positiva a sua preocupação de nunca deixar o clube ser apoucado, como se vinha tornando cada vez mais habitual. 

A propósito dos contratos (2)

Respeito muito as opiniões de quem considera excessivas as verbas envolvidas nos contratos dos três grandes, e que isso se vai repercutir nos preços para os clientes. Mas por que razão tais opiniões não surgiram logo que foram conhecidos os contratos com Benfica e FC Porto, e somente depois de ser anunciado o contrato com o Sporting?

A propósito dos contratos

Não vou entrar na competição do meu-contrato-é-melhor-que-o-teu que caracterizou o final do ano passado. O contrato do Sporting é o maior em termos de valores, mas também é o que envolve mais cedências. São três contratos diferentes e, por isso, não são diretamente comparáveis. De qualquer maneira parecem-me três bons contratos. O presidente do Benfica, porém, insiste em que o contrato do Benfica é melhor que o do Sporting. Mas, se é assim, por que o quererá rever junto da NOS?

 

Notas soltas

Tanto fogo sobre o Sporting (incluindo o fogo "amigo"), tão pouco tempo para o comentar. Só umas notas soltas:

 

1 - Se Rojo vale zero de encaixe para o Sporting, seja vendido por 20 milhões ou por 30 milhões, então é o motivo ideal para um braço-de-ferro: se o Sporting não ganha nada em vendê-lo, então, no caso de não ser vendido, quem perde é o jogador (pode perder mesmo a carreira) e é o fundo (que vê o valor do seu activo muito desvalorizado); o Sporting perde apenas o valor dos salários futuros do jogador se, como é previsível, ele não voltar a jogar;

 

2 - Como foi possível fazer um contrato assim?

 

3 - O único risco da atitude do presidente do Sporting é criar a ideia de que o Sporting é um clube que não vende; então, poucos jogadores bons e valorizáveis quereriam ir para o Sporting, com receio de nunca mais de lá saírem. Acho que ainda estamos longe desse ponto. Neste momento, talvez seja mais importante mostrar que não se negoceia com o Sporting como se negoceia com o Cascalheira. Mas no futuro, com outros contratos, o Sporting terá de vir a ser mais flexível;

 

4 - Até agora, as atitudes ditas intransigentes do presidente do Sporting têm corrido bem. Andavam ou queriam andar a sacar à grande no Sporting os seguintes: Bruma, que se perdeu nas brumas desse campeonato de referência que é o turco; Labyad, que se perdeu nas brumas do campeonato holandês; Elias, que se perdeu nas do brasileiro; e Ilori, nas do inglês; se ficassem cá, talvez a sorte deles tivesse sido diferente - pelos menos as oportunidades seriam;

 

5 - Já se percebeu que o Benfica quer um perdão de dívida. Que eu saiba, o Sporting não teve nenhuma dívida perdoada; teve dívida reestruturada, obtendo condições favoráveis no seu pagamento. Mas isso obrigou o Sporting a uma espécie de programa de austeridade. Se o Benfica quer "perdão de dívida", então que faça austeridade como o Sporting e não compre três plantéis milionários como no ano passado. Julgo que a banca, no estado em que está, nem sequer fará a coisa por menos, aliás;

 

6 - Depois das declarações de amor do Benfica ao Porto, seria bom acabar com a história do Sporting amiguinho dos andrades;

 

7 - Parece que há muita gente interessada em destruir a carreira do Sporting esta época logo desde o início. Fascinante.

Cumprir os contratos

Esta guerra entre jogadores e clubes, em que os segundos, por razões, na maioria, de carácter financeiro, querem a rescisão dos contratos ou a cedência a outros títulos, sempre vantajosa, é claro, de profissionais seus, não conhece inocentes. Talvez que nas situações concretas actualmente em discussão o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol tenha grande parte da razão do seu lado, já que me parece evidente que determinados clubes, entre eles, neste momento, o Sporting, tudo fazem para afastar das respectivas folhas de vencimentos jogadores com que não contam ou cuja remuneração é excessivamente pesada para as suas possibilidades. Mas os jogadores e o sindicato não podem, sob pena de ridículo, colocar-se na posição de virtuosos  trabalhadores a quem nunca passou pela cabeça, quando a ocasião surge, proceder de maneira equivalente à dos clubes. Admito que a maior parte não será assim, mas há alguns ou mesmo muitos que, pela sua cabeça ou, como é mais comum, obedecendo  às ideias inspiradas dos seus agentes, apoderados ou lá como é que lhes chamam, se comportam de maneira a levantar no observador comum as maiores dúvidas sobre os seus padrões morais. Para não ir mais longe, veja-se os recentes casos de Bruma ou, pelo que é possível avaliar através das informações transmitidas pela imprensa, o de Bale, cujas pressões sobre o clube com que mantinha um contrato válido foram repugnantes.

 

Nesta matéria e para falarmos das acusações vindas à praça pública, Bruno de Carvalho, decidiu exceder-se, de forma totalmente irrazoável, e contrariar os mais elementares conceitos de probidade, aceites em todo o lado há milhares de anos. Em comunicado de resposta a Joaquim Evangelista, que decidiu insurgir-se contra a maneira como o Sporting tem gerido alguns processos de rescisão, Bruno de Carvalho faz diversas e graves acusações, em que não me custa nada acreditar, a alguns atletas, não especificados, dizendo que alguns destes, passo a citar " ... forçam a chegada ao último ano de contrato para chantagearem os clubes..." Espantosa concepção esta dos direitos e deveres decorrentes de um contrato! Forçar a chegada ao último ano. Ou seja, forçar o cumprimento de um contrato! Extraordinário! Como se o vício não estivesse com quem pretende forçar o seu não cumprimento. E Bruno de Carvalho diz mais, acusa esses jogadores de o fazerem com o objectivo de chantagear os clubes. Não sei qual o conceito que o Presidente do Sporting tem de chantagem, admitindo eu, no entanto, que tenha algum. Mas, nas circunstâncias a que se refere, o que é normal é assistir a comportamentos que não têm nada a ver com chantagem. O jogador recusa-se a sair antes do último ano de contrato porque isso lhe vai ser favorável na negociação de um novo contrato com outro clube. Ou o jogador  quer sair sob o signo do impropriamente chamado custo zero porque isso lhe permitirá cobrar um elevado prémio de assinatura no contrato com outro clube. Ou o jogador quer negociar com o clube com que tem contrato uma remuneração muito superior.

 

Podemos imaginar mais algumas situações em que o jogador que tenha cumprido o contrato até ao seu termo beneficie de vantagens negociais que, por outro lado, induzam no clube a sensação de que sai prejudicado. Está bom de ver que este prejuízo não existe nem há, na maioria dos casos, qualquer acto que se assemelhe à chantagem. O contrato foi cumprido e o clube, quando muito, não realiza um negócio que estava nas suas expectativas. E o que é que os clubes querem? Querem que os jogadores aceitem ser transferidos, seja para onde for, nem que seja o Real Madrid, o Barcelona ou o Juventus, só porque isso redundaria num grande negócio para o clube com que têm contrato? Ou que renovem o seu contrato com o clube, porque isso é vantajoso para este? Dentro dos limites fixados pela lei, o que cada um tem a fazer é olhar para os seus objectivos, para as suas vantagens e desvantagens negociais, para os seus interesses financeiros e para quaisquer outros elementos que considere importantes e tomar a melhor decisão possível. Haverá comportamentos que possam ser considerados como chantagem? O melhor é torná-los públicos. O que de certeza não podemos dizer é que a vontade de cumprir contratos, forçar o cumprimento de contratos, na linguagem do Presidente do Sporting, é digna de censura.

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