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És a nossa Fé!

O vício do Facebook

Com o Benfica a ser notícia pelos piores motivos, Bruno de Carvalho insiste em fazer-se notar no espaço mediático - faltando uma vez e outra ao solene compromisso público que assumira há seis meses de resistir ao vício do Facebook. Disparando novamente em todas as direcções e provocando um enorme ruído comunicacional. Que em nada o favorece a ele nem beneficia o clube.

Com este comportamento, e a  inaceitável linguagem a que vem recorrendo com lamentável insistência, o presidente do Sporting demonstra desconhecer um princípio básico da comunicação estratégica: quando o teu adversário está a destacar-se pela negativa, deixa-o isolado sob as luzes da ribalta. Após quase cinco anos em funções, é surpreendente que ainda não tenha compreendido algo tão elementar.

Hoje giro eu - Aggiornamento SPORTING

Não se levanta um tema importante no futebol (e desporto) português como o do "doping" no rescaldo de um jogo que não se ganhou. Isso será sempre visto como ressabiamento, mau perder (no caso, mau empatar) e, como tal, retira oportunidade, seriedade, serenidade e objectividade a uma discussão que, inevitávelmente, um dia terá de ser feita, sobre mais um aspecto que condiciona a verdade desportiva e que desperta dúvidas sobre a forma como está a ser combatido (atente-se nas palavras do canoísta Emanuel Silva).

Por outro lado, estando em cima da mesa o caso dos emails, os vouchers (ambos sob investigação do Ministério Público) e a consolidação do VAR, o qual tem vindo a ser atacado despudoradamente, parece-me que uma comunicação eficaz deveria deixar a Justiça cumprir o seu papel, por um lado, e dar prioridade a debater o mérito para a verdade desportiva da importante reforma que constituiu a utilização do vídeo-árbitro, por outro, sem desenfoque, em vez de ela própria contribuir - pela profusão de temas trazidos à praça pública - para a sua diluição. Isto, em termos de condicionante externa, porque a verdadeira missão de uma Direcção de Comunicação, em conjugação com o Marketing, deveria ser promover o que de bom se faz internamente, nomeadamente a excelência dos nossos atletas e dos seus resultados, o importantíssimo contributo em termos de responsabilidade social e de integração dado pela criação da secção de desporto adaptado, o gabinete olímpico e melhoria das condições de alto rendimento/performance, o crescimento do número de sócios, a promoção do nosso know-how desportivo, social, educativo e organizativo expresso na Academia de Alcochete, a divulgação de verdadeiros Dias do Sporting, com horários dos jogos no Pavilhão João Rocha conjugados com os do futebol profissional no estádio de Alvalade, permitindo maiores afluências de adeptos, de familias, às amadoras e um reforço do espírito #Feito de Sporting, a homenagem sentida e com lugar de destaque a todos os antigos atletas - a cada mês do calendário poderia corresponder o nome de um antigo atleta (nascido nesse mês, Março poderia ser o mês de Peyroteo, por exemplo), englobando um conjunto vasto de iniciativas que permitisse aos sócios e adeptos conhecer melhor a história do clube, o seu ecletismo, com a participação da Sporting TV e do nosso jornal, com eventos no estádio, pavilhão e academia que visássem a adesão dos jovens, mas também de adultos - que com o seu esforço, a sua dedicação e a sua devoção contribuiram para a GLÓRIA desta incontornável instituição chamada Sporting Clube de Portugal.

Por todos os motivos, temos de ser melhores naquilo que depende de nós. Lutar pela equidade, sempre! Mas, sem nos esquecermos do nosso próprio caminho, das nossas referências, da nossa identidade. Ter um discurso positivo, estimulante, inclusivo. Estratégico, não táctico. Visando o longo prazo, não o dia seguinte. Fomentemos a vida leonina entre os adeptos, adaptando-a às necessidades dos tempos correntes, promovamos tudo o que possa conduzir à nossa união, fortaleçamos tudo o que possa contribuir para maior adesão aos estádios, pavilhões e ao seio da nossa familia: o "aggiornamento". VIVÓ SPORTING !!!  

 

O nariz na porta

Confesso que esperava que algum dos colegas do blogue lançasse o post, mas como até agora o assunto não veio à baila e percebendo porque alguns, por razões que se entendem, não se manifestam, cá vai a minha modesta opinião sobre o aconselhamento aos profissionais do Correio da Manhã e da CMTV de não frequentarem as instalações do Sporting, por razões de segurança.

Sou por convicção defensor da liberdade de opinião, portanto, apesar de por vezes me insurgir contra o que alguns OCS publicam sobre o Sporting e os seus dirigentes, entendo que a função do jornalista deve ser sempre tolerada. O princípio da censura não é, digamos, saudável.

Há no entanto um mecanismo na actuação dos jornalistas, que os obriga a serem responsáveis e que dá pelo nome de código deontológico. O jornalista tem um compromisso com a verdade, doa ela a quem doer e é-lhe vedado o exercício da invenção.

Esta chamada de atenção aos profissionais dos referidos OCS, poderá para alguns pecar por tardia e eu até os entendo, provavelmente até se justificaria, mas, e há sempre um "mas", que diabo, não havia outra altura para decidir uma atitude tão drástica? Quantas dezenas, centenas de vezes, os sócios e adeptos já exigiram o mesmo aviso de cautela a estes e outros jornais e televisões e o CD permitiu que eles corressem alguns riscos ao acederem ao estádio e à academia?

Presidente, há um mínimo, porra!

Ética - A educação e o desporto

Este postal ocorreu-me após um confesso adepto de um clube rival ter afirmado numa nossa caixa de comentários que as suas visitas a este blogue não eram de cortesia, significando isso que os seus comentários não seriam delicados, amáveis, educados ou civilizados, como se não fosse dever de uma pessoa que visita a casa de alguém portar-se de forma cortês, com elegância.

De facto, o desporto hoje está à mercê de um conjunto de energúmenos que confundem o que deveria ser a sã rivalidade entre 2 grandes emblemas com a guerra, a picardia com a bravata, o humor com o ódio, a troca de ideias com a violência verbal e física, a liberdade de pensamento com o totalitarismo de cartilhas.

Mais do que um problema do desporto, este é um drama das sociedades modernas. O desporto acaba por sublimar a falta de educação, de urbanidade, de boa formação humana, de valores, por ser uma válvula de escape, o circo romano dos nossos dias.

A ajudar a festa, a política de comunicação dos clubes agudiza o problema. Em vez de realçar os méritos do que faz e como faz, a comunicação incide sobre o adversário, dir-se-ia (erradamente) inimigo, deitando continuadamente lama para a ventoinha, sem qualquer eficácia e ao arrepio do mais elementar bom-senso, descurando o efeito das suas palavras nos adeptos. 

Uma comunicação eficaz deve basear-se essencialmente no "porquê" das coisas. A bandeira da verdade desportiva, por exemplo, é meritória, na medida em que antagoniza na cabeça dos adeptos com o ganhar a qualquer preço. As pessoas entendem porque é que se persegue esse caminho, compreendem o valor da ética e do "fair-play" e está a ser dado um bom exemplo para a sociedade.

Nem tudo o que é legal, é ético. Mas, necessáriamente, o que é ético tem de ser legal. A verdade desportiva tem de ser acompanhada por um conjunto de regras definidas pelos supervisores desportivos - impõe-se um Código de Ética do agente desportivo - e pela actuação das autoridades, na certeza de que o desporto e, em concreto, o futebol, não pode ser visto pelos seus cidadãos como um fenómeno à parte da sociedade. 

Neste marasmo, cumpre-me registar o exemplo de comportamento civilizacional dado por Miguel Maia e pelo médico do Sporting - Dr Miguel Costa - no último Domingo, por ocasião do derby que marcou o regresso (vitorioso) do nosso clube ao voleibol, que prontamente auxiliaram e prestaram assistência ao atleta benfiquista Ary Neto, lesionado com gravidade, enquanto o público, esmagadoramente afecto ao Sporting, com "fair-play", aplaudia o voleibolista encarnado. O Benfica, no Twitter, agradeceu o apoio prestado pelo médico leonino, um gesto igualmente de salientar. Bons exemplos!

 

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Inaceitáveis insultos a sportinguistas

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1

Após duas horas e trinta e cinco minutos(!) de tempo de antena na noite de anteontem na Sporting TV, Bruno de Carvalho sentiu-se na obrigação de "explicar" aos adeptos o que tinha dito. Voltando a utilizar o Facebook após várias juras de não recorrer a este meio. Juras que ficaram por cumprir.
O recurso à rede social preferida do presidente acabou por constituir uma confissão implícita de que Bruno de Carvalho terá reconhecido o fracasso das suas desastradas declarações no referido tempo de antena, erradamente apresentado como "entrevista".
Quando a mensagem passa, não é preciso criar mais ruído em cima dela. Muito pelo contrário.

 

2

Neste descontrolado labirinto verbal, acabaram por sair da boca e da pena do presidente palavras sem retorno possível. É totalmente inaceitável vê-lo chamar falsos sportinguistas, "benfiquistas" e veículos de "estupidificação" a quem contesta o que ele disse e a maneira como se exprimiu.

À linguagem insultuosa recorre quem não sabe conviver com as críticas.  

A pessoa que visa duramente o presidente do Conselho de Disciplina (e com razão) em nome da liberdade de expressão é afinal a mesma que se atira (sem razão alguma) aos adeptos que exerceram o mesmíssimo direito à crítica.

É intolerável que lhe passe pela cabeça que os sportinguistas - os mesmos que o elegeram a ele - estão afinal sujeitos à "estupidificação em massa" por parte dos benfiquistas.

Com isto, espantosamente, Bruno de Carvalho nem repara que acaba por prestar homenagem ao Benfica. Que grande capacidade teriam os lampiões se de facto conseguissem "instrumentalizar" os sportinguistas...

 

3

Há muito que defendo isto: Bruno de Carvalho tem de aprender a comunicar. Nenhum líder no mundo contemporâneo exerce com eficácia as suas funções sem dominar os mecanismos da comunicação.

Acontece que, não tendo ele aprendido nada de relevante nesta matéria ao longo dos quatro anos e meio que já leva na presidência do Sporting, começo a convencer-me que dificilmente aprenderá no que lhe resta de mandato.

Um dirigente desportivo que seja bom comunicador nunca insulta os sócios e os adeptos do clube que garantiu servir. Tenha obtido nas urnas a percentagem que tiver.

 

4

Com estes destemperos o presidente conseguiu afinal desviar para canto aquele que devia ser o facto mais relevante do dia de ontem: a inauguração efectiva do Pavilhão João Rocha, sonho tantas vezes adiado da família sportinguista.

E não só: também varreu para plano secundário tudo o resto que tem corrido bem. E que é muito. Lembro apenas alguns factos: primeiro lugar na Liga, reforços com boas provas dadas nestes jogos iniciais, apuramento para a Champions, participação do Sporting em seis ligas europeias, Supertaça feminina, Supertaça de futsal conquistada ao SLB, equipa de futebol feminino eleita a melhor da Europa, vitória internacional no andebol, SAD com lucro de 35 milhões no terceiro trimestre da temporada, Bruno Fernandes chamado à selecção A, William Carvalho mantém-se por Alvalade.

Se isto não é amadorismo comunicacional, vou ali e volto já.

Fechar a boca

Houve um treinador inglês do Benfica (mais tarde também do Sporting), três vezes campeão nacional na década de 70, que popularizou entre nós a expressão "No comments". Chamava-se Jimmy Hagan. Era homem de sorriso difícil e poucas falas. Só dizia aquilo que entendia ser indispensável. Com ele, o jornalismo especulativo - capaz de transformar um grão de ervilha nas cataratas do Iguaçu - tinha tarefa complicada.

"Não comento." Duas palavrinhas apenas. Com elas, é possível marcar pontos em matéria de comunicação. E sem necessidade de impor blackouts. Nada mais simples: basta manter a boca fechada. Para que haveremos de complicar o que é simples?

Indigno

Para os devidos efeitos, comunico o seguinte: esgotou-se o que sobrava da minha paciência leonina face à sucessão de recados em cascata entre o presidente e o treinador, profusamente distribuídos nas últimas duas semanas em redes sociais, conferências de imprensa"fontes próximas" e títulos de jornais.
Haverá quem lhe chame "política comunicacional". Para mim, isto é indigno do prestígio e do historial do Sporting. Tolerância zero, sim, para esta maneira de gerir o futebol em Alvalade por quem não consegue perceber que somos donos do silêncio e escravos das palavras.

'Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sujo. Segundo, porque ele gosta.'

Tudo tem o seu tempo e antes de mais tenho de sublinhar que, no essencial (não em tudo mas no essencial), o Sporting teve e tem uma direção com característica técnicas e humanas absolutamente cruciais para sair do enterro anunciado em que outros consócios com funções executivas haviam enfiado o clube.

Nem sempre gostei do estilo, em especial porque em vários momentos pecou por excesso, mas o balanço global era e é francamente positivo.

Agora tinha um pedido. Não que as pessoas em quem votei recentemente deixassem de ser quem são, mas antes que renovassem o arsenal tático ao nível da comunicação. Que prosseguissem aquilo que espero ver na equipa principal de futebol, também a nível dirigente.

O que espero para a equipa de futebol sénior masculino é que no que resta da época dê provas de evolução e de garantir um ponto de partida para a próxima época mais evoluído e sem grandes dúvidas quanto às suas forças e lacunas. Há algumas jornadas fiquei preocupado porque estava a ter dificuldades em ver esse sentido e evolução, hoje estou um pouco mais animado ainda que algo ansioso para ver o que conseguiremos com o plantel que temos. Sempre na perspetiva de chegamos a maio com um caminho claro, valores firmados e lacunas cristalinamente reconhecidas e a reforçar.

Voltando ao paralelo com a direção, há ainda um aspeto que muito tenho valorizado ao longo dos últimos anos. As sucessivas provas que o atual presidente e sua equipa têm dado quanto à capacidade de aprenderem. Uma pessoa tão atreita a grandes e emocionadas proclamações de presidente-adepto poderia implicar um populismo vazio com pouca capacidade de autocrítica e jogo de rins na capacidade de emendar o erro para não voltar a ser fintado da mesma forma. Mas, no global, assisti a várias provas de que no caso dos dirigentes atuais do Sporting, essa correlação, existindo, está longe de ser perfeita e demasiado penalizadora. Simplificando: tem sido evidente que o sporting é hoje melhor dirigido do que há um ano, do que há dois anos ou do que há três anos.

E é isto que espero continue a acontecer, tal como espero que venha a acontecer com o futebol e com as demais modalidades.

As premissas são claras: exigência permanente e capacidade de evoluir mais depressa do que os nossos adversários que, naturalmente, também não estão parados no tempo à espera que nós recuperemos toda a distância que fomos cavando durante demasiado tempo.

Chegado aqui pretendo referir-me a uma área, tradicionalmente polémica e na qual os últimos anos primaram por grande volatilidade interna: a comunicação. E faço-o num dia em que o presidente do Sport Lisboa e Benfica mostrou genuinamente o seu valor pelas suas próprias palavras e num contexto em que as táticas e estratagemas comunicacionais desse clube são do conhecimento público. A mensagem base que tem mais de um ano do "Nós os santos contra a matilha dos mauzões" foi desmascarada junto de quem consegue ir além da fé cega. O Rei vai nu, sonso até dizer chega.

Neste dia de declarações execráveis e autoqualificativas como deveria reagir o Sporting? Com elevação e dignidade tendo presente a tragédia que ontem ensombrou o futebol. Nunca por nunca com uma resposta à letra, descendo ao nível abjeto de quem deveria ficar a falar sozinho no seu mundo de diabolização do adversário e de desculpabilização do indesculpável. Quando o teu adversário se enterra nas suas próprias áreas movediças para quê chegarmos-nos a ele dando-lhe a oportunidade de se agarrar a nós para se libertar?

 

Nesse processo evolutivo que desejo, creio que chegou a hora de passarmos a uma tática de ação cirúrgica abandonando a lógica de tapete de bombas. No fundo, esculpir o que temos feito evitando tudo o que é gratuito e inútil e que, objetivamente, pode contribuir para destruir o futebol.

Melhorar os automatismos, estudar melhor as jogadas, saber conservar as energias não esquecendo que só no final se fazem as contas. Ontem Bas Dost não se atirou ao guarda-redes a cada vez que ele recebeu a bola, fê-lo duas ou três vezes depois de avaliar o ganho e a perda. Numa delas arrancou um penalti e mudou a história do jogo. Se tivesse ido a todas chegaria a meio do jogo exausto sem força para dar a estocada final, o que esteve muito perto de conseguir já na segunda parte.

Está na hora de encontrar uma outra tática para construir o respeito e a autoridade junto da comunidade. No fundo aquilo de que os nossos adversários mais medo têm a avaliar pela sua cartilha. O mesmo respeito e autoridade que temos merecido em campo com a atitude e com a evidência de que estamos para que contém connosco como incontornáveis adversários com capacidade de destronar o campeão e de sermos difíceis de ultrapassar uma vez chegando ao topo.

Talvez começar por deixar de ver, ouvir e ler quem não passa de pau mandado fosse o bom princípio. A tentação para cair na armadilha diminuiria.

Caro presidente e caros membros da direção, atentem no que se segue, para praticar e não para proclamar:

'Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sujo. Segundo, porque ele gosta.'

 

Saudação leoninas e viva o Sporting Clube de Portugal.

Uma simples sugestão

Sugestão aos responsáveis do site do Sporting: e que tal actualizarem a lista dos corpos sociais, agora que já se encontram todos empossados?

Eu sei que terão certamente coisas importantíssimas para fazer. Mas por vezes convém dar alguma atenção aos pormenores. Até porque o diabo, como dizia o outro, está nos detalhes. E a cultura da exigência que todos prezamos começa por aquilo que é mais simples.

Não têm que agradecer. Eu antes de reparar nos outros presto sempre mais atenção à nossa casa.

Regras para um candidato presidencial

Primeira: Não diabolizes o teu oponente. Critica-o pela positiva. Não digas que vens "unir os sportinguistas" enquanto procuras transformar o rival num saco de pancada. É um erro ver um inimigo num consócio enquanto os adeptos de outros clubes são considerados meros adversários.

 

Segunda: Gasta a maior parte do teu tempo a divulgar as tuas propostas em vez de denegrires as propostas alheias. Elege as melhores, na impossibilidade de as destacares todas. Procura que as melhores sejam as mais originais - e vice-versa. Sublinhar o óbvio é chover no molhado.

 

Terceira: Concentra-te no futuro, sublinhando o que farias melhor do que foi feito até aqui. Toda a gente conhece o diagnóstico: o passado já foi dissecado até à exaustão em mil horas de debates televisivos. Importa é olhar em frente. Quem te ouve quer saber da cura, não do mal.

 

Quarta: Nunca personalizes em excesso as tuas críticas. Nem deixes que as críticas demasiado personalizadas alterem a tua linha de rumo. Os eleitores, em regra, penalizam aqueles que apostam por sistema no ataque pessoal. O ódio é sempre um péssimo conselheiro.

 

Quinta: Evita refugiar-te em fórmulas vagas e ocas. Quem vota sabe distinguir cada vez melhor entre a proposta concreta e a retórica balofa. Elege três ou quatro medidas emblemáticas e faz delas as tuas bandeiras programáticas. Não te disperses por vias secundárias.

 

Sexta: Lembra-te que os portugueses são um povo moderado, que prefere a reforma à mudança abrupta. Não acenes com cortes radicais, revoluções ou guilhotinas: aperfeiçoar o que existe é sempre preferível a recomeçar do zero, sobretudo numa instituição já centenária.

 

Sétima: Nunca cedas à tentação de transformar os jogadores - património comum de sócios e adeptos - em matéria de contenda eleitoral. Eles e a equipa técnica devem permanecer à margem das polémicas. Porque uma derrota em campo afecta todos. A começar por ti.

 

Oitava: Escolhe bem as palavras. Não compliques. Sê conciso e compreensível no teu discurso. Usa frases que todos entendam. Lembra-te da recomendação de Winston Churchill, político de excepção e Nobel da Literatura: "Das palavras, as mais curtas. Das mais curtas, as mais antigas."

 

Nona: Não basta o conteúdo ter substância - é também preciso cuidar da forma. Não te exaltes, não grites, não insultes, não procures matar o mensageiro quando te interroga enquanto  jornalista. Liderar é dominar as emoções: só os fracos andam a exibir estados de alma.

 

Décima: Lembra-te que a verdade nunca está em exclusivo num só lado. Concede mérito ao teu opositor. Nunca esqueças que tem sempre mais valor uma vitória sobre um adversário a quem são reconhecidas qualidades do que sobre alguém manifestamente incapaz.

A vertigem do cheiro a pólvora

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Quando se esperava que o presidente do Sporting dirigisse uma mensagem de exemplar serenidade ao plantel, que lambe as feridas após três derrotas nos quatro últimos jogos, e se concentrasse no indispensável incentivo aos jogadores para derrotar o Belenenses, Bruno de Carvalho voltou ao seu pior estilo: disparou em várias direcções, provocou ruído totalmente dispensável e vestiu já o fato de candidato a três meses do acto eleitoral.

Como se não houvesse questões muito mais urgentes a enfrentar agora.

 

Desde logo, o meio escolhido foi o menos indicado: novamente uma mensagem no Facebook, em vez de ter optado pelos canais institucionais do clube. Também o tom foi desajustado: agressivo e crispado, transmitindo a ideia de que o Sporting Clube de Portugal vive com os nervos em franja, pronto a declarar guerra ao mundo inteiro. Além disso, a extensão do escrito, desnecessariamente longo e confuso em vários trechos, fez dispersar a mensagem – como qualquer profissional da comunicação certamente lhe diria se Bruno de Carvalho tivesse a humildade de se aconselhar com quem percebe do assunto.

O pior foi confundir o estatuto de presidente leonino com o de candidato às eleições de Março, apressando-se a eleger novos alvos internos para as suas invectivas. Nada menos recomendável, num momento em que o Sporting deve mais que nunca estar unido para enfrentar sérias dificuldades no plano desportivo, superar problemas estruturais no plano financeiro e contrariar a ameaça sempre renovada de perversão da transparência no futebol. Bruno de Carvalho volta a dispersar energias e munições, transforma o insulto em argumento (“hipocrisia”, “parasita”; “papagaios”) e aconselha até determinados sportinguistas a devolver o cartão de sócio. Revisitando assim os clássicos, mas às avessas: procura mobilizar as hostes não contra o adversário externo mas contra o hipotético inimigo interno.

 

Os méritos do presidente do Sporting, que são muitos, dissipam-se com frequência nesta sua vertigem de sentir a todo o momento o cheiro a pólvora. Quando não há, ele inventa-o. Sem graduar prioridades, sem distinguir problemas.

E afinal, nesta altura concreta, dele pedia-se apenas algo muito simples: o apoio firme, expresso em palavras claras e sucintas, à equipa técnica e aos jogadores no confronto de amanhã no Restelo. Nada menos, nada mais. A pólvora era perfeitamente dispensável. E a frente de batalha interna que acaba de inaugurar a escassos dias do Natal também.

Contra tudo quanto mexe

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Já o escrevi aqui  e repito: Bruno de Carvalho faz muito mal em funcionar como assessor de imprensa de si próprio. O principal erro do Sporting desde que ele assumiu a presidência tem sido a vertente comunicacional, com o presidente a expor a todo o momento o corpo às balas nas mais diversas questões. E por vezes a falar primeiro e a reflectir depois.

Voltou a acontecer esta semana, com o líder leonino a disparar contra tudo quanto mexe - desde o Tribunal Arbitral do Desporto português por ter suspendido uma medida disciplinar contra Luís Filipe Vieira aos mais  fanáticos comentadores que seguem religiosamente a cartilha do Benfica nas segundas-feiras televisivas, concedendo-lhes assim uma propaganda adicional que eles só podem agradecer-lhe, sem esquecer o Supremo Tribunal da Suíça, que entendeu não contrariar a decisão anterior do Tribunal Arbitral do Desporto europeu a propósito do famigerado caso Doyen. Neste caso, note-se, estava em causa a moldura jurídica anterior à actual, mais restritiva. Entretanto, tudo quanto se vai tornando público sobre a Doyen deixa mais evidente que estamos perante um enorme  poço com muitos e nada recomendáveis fundos.

 

Não contente com a decisão da justiça civil suíça, aliás mais do que expectável em função da prática jurisdicional daquele órgão, Bruno de Carvalho entendeu abrir esta semana uma quarta frente de batalha - algo que Sun Tzu, autor do clássico A Arte da Guerra, certamente lhe desaconselharia. E desta vez contra a Federação Portuguesa de Futebol, em termos impróprios, a partir de uma leitura apressada de uma "notícia" surgida no único jornal que vem fazendo eco das teses do Benfica na polémica contabilização de títulos de campeão nacional da modalidade.

Esse jornal, puxando uma vez mais a água ao moinho encarnado, "noticiou" que a Federação Portuguesa de Futebol dera razão ao SLB nesta controvérsia, quando o que se passou foi bem diferente: no âmbito da remodelação do seu sítio noticioso na internet, a FPF entendeu republicar as listas de vencedores que tinham sido anteriormente estabelecidas, sem se pronunciar sobre a questão. Algo que poderá mudar em breve, julgo saber, se o FC Porto se juntar ao Sporting na reivindicação de que os vencedores do Campeonato de Portugal entre 1922 e 1938 sejam integrados na extensa lista de campeões nacionais.

O presidente leonino precipitou-se ao ler no falacioso título d'A Bola que a polémica tinha sido "resolvida pela Federação". Tudo quanto disse em função disso foi excessivo e deslocado. E não serve os interesses do Sporting: viver rodeado de inimigos, reais ou imaginários, constitui uma péssima carta de recomendação.

 

Uma vez mais, estamos perante um problema de comunicação. Que só existe porque Bruno de Carvalho persiste em aparecer a todo o tempo a pronunciar-se sobre quase tudo. Por vezes não chega sequer a poupar-se a si próprio. "Sinto-me um pouco aquele doido que está à janela", disse também nesta semana em que não conseguiu permanecer calado.

Espero que a tranquilidade da quadra natalícia lhe permita reflectir melhor em tudo isto. Porque o destempero verbal só o prejudica. E, deste modo, também o Sporting sai lesado.

Erros elementares de comunicação

Bruno de Carvalho não resiste ao Facebook.

Voltou a ceder ao impulso do teclado, repetindo erros anteriores. Com mensagens encriptadas, sem destinatário preciso, e em que o essencial fica de lado. E o essencial é a necessidade urgente de robustecer a equipa de futebol, contribuir para a coesão do grupo de trabalho e evitar a dispersão de energias anímicas com temas secundários e alvos menores.

 

Na primeira mensagem, publicada na véspera do Borussia-Sporting, o presidente alude à suposta campanha eleitoral para a eleição de Março - na qual, convém sublinhar, ainda não deixou claro se tenciona apresentar-se como candidato. É um assunto irrelevante no contexto actual. Ainda por cima o presidente aborda-o de forma incompreensível, esgrimindo contra moinhos de vento, lançando acusações a pessoas cujo nome omite. Esquece que a clareza é uma das virtudes fundamentais da comunicação.

Mensagem errada no momento errado, pois.

 

Na segunda, divulgada ontem, voltam as alegações imprecisas, regressa o mesmo tom de desafio a pessoas nunca nomeadas, a mesma escolha de um tema que só contribui para envolver o Sporting em questões menores quando a esmagadora maioria dos adeptos aguarda palavras de confiança e estabilidade.

É certo que Bruno de Carvalho tem motivos para se sentir magoado com a devassa à sua vida privada ocorrida nos últimos dias. Mas uma coisa é o protesto veemente e o apelo que ninguém pode negar-lhe à necessária protecção do seu reduto familiar. Outra é confundir, no mesmo texto, a sua vida privada com ocorrências públicas relacionadas com o Sporting.

Aludir em termos ambíguos a uma hipotética violação do dever de confidencialidade que terá originado uma fuga de informação há semanas ou meses equivale a transmitir de novo a ideia de instabilidade em Alvalade. Quando aquilo que devia ser a preocupação máxima do presidente era precisamente o inverso: tranquilidade e coesão na frente interna.

 

Repito o que já escrevi aqui diversas vezes: em comunicação é fundamental a escolha do tema, da ocasião e do modo de fazer passar a mensagem.

Bruno de Carvalho, que já teve pelo menos quatro equipas de comunicação desde que iniciou funções como presidente do Sporting, imagina-se um virtuoso na matéria. Mas não é. Se o fosse, só recorreria ao Facebook em momentos cirúrgicos para transmitir mensagens concisas e compreensíveis. E jamais elegendo figuras menores como supostos destinatários das suas entrelinhas. Eu, por exemplo, posso fazê-lo na minha vulgar condição de internauta. Mas o presidente não deve agir assim.

Recusando dar ouvidos a especialistas, Bruno de Carvalho perde o foco, confunde o essencial com o acessório, baixa a fasquia. Leio os seus dois mais recentes textos feicebuquianos e fico com a sensação ainda mais nítida de que poderiam ter sido escritos por alguém de olhos vendados num quarto escuro.

Contra a apologia das vitórias morais

O fascínio adolescente pelas redes sociais tem levado o Sporting na era de Bruno de Carvalho a multiplicar-se em copiosos textos no facebook que nunca deviam ter sido escritos. Desde a lamentável vergastada desferida publicamente contra jogadores e equipa técnica há dois anos, quando fomos perder 0-3 a Guimarães, à recente apologia das vitórias morais que se seguiu à nossa derrota tangencial no estádio Santiago Bernabéu.

Do oito para o oitenta. Mal, nos dois casos.

No último mês, têm-se sucedido os comunicados com a chancela leonina - num verdadeiro desperdício de energia anímica, como se a gritaria mediática forjasse equipas campeãs. A verdade é que, por coincidência ou talvez não, desde aquela mensagem presidencial a enaltecer a derrota alcançada em Madrid nunca mais a nossa equipa jogou nada de jeito.

Que sirva de meditação. Ao menos isso.

Devemos imitar Gelson Martins

Eles apostam tudo na desestabilização do Sporting. E alguns sportinguistas, para meu espanto, caem na esparrela. Em vez de se concentrarem no essencial, que passa por novas conquistas desportivas, estes sportinguistas andam entretidos no campeonato que não interessa: o campeonato das tricas e dos decibéis. Sem perceberem que estão no terreno onde eles nos querem confinar. Porque sabem muito bem que isso nos dispersa e fragiliza.

Só devemos travar os desafios que verdadeiramente importam - aqueles que nos permitirão ganhar novos troféus desportivos, continuar a valorizar atletas no mercado internacional e consolidar as nossas bases financeiras. Consumir tempo e recursos noutros planos e noutros palcos, dando protagonismo a personagens secundárias, equivale a perder o foco do essencial, desperdiçando energia anímica. As refregas verbais são passatempo de miúdos nos recreios escolares. E nunca a comunicação institucional de um clube como o Sporting deve ser contaminada por bravatas destinadas a alvejar gente menor. Não por ser uma manifestação de força, mas um sintoma de fraqueza.

Sun Tzu, mestre de todos os mestres da táctica, ensinava que um dos mandamentos para alcançar a vitória é recusar ceder às manobras alheias. Quando nos querem levar para um lado, vamos para o outro. No fundo, devemos imitar aquilo que Gelson Martins tão bem executa em campo: a finta de corpo para desposicionar adversários. Sempre com os olhos na baliza.

Na hora do balanço, só contam as que lá entram. O resto são bolhas de espuma: podem inchar muito, mas não tardam em dissolver-se. E delas não reza a história.

Política de comunicação

Esta capa d'A Bola, que o Francisco apresenta abaixo, diz tudo e mais alguma coisa. Por um lado, o aspecto norte-coreano daquilo (a propósito, quando é que temos a assunção explícita da parte d'A Bola de que passou a ser um órgão para-oficial do Benfica?). Por outro, como o Francisco notou, a contradição entre a mensagem do presidente e a do vice-presidente. Ainda por outro, a revelação da estratégia de comunicação do Benfica: mandar para a arena uma série de peões de brega enquanto o presidente assume a pose de grande estadista.

 

Toda a gente sabe quem são os peões de brega: Rui Gomes da Silva, Pedro Guerra, André Ventura, João Gobern (enfim, são os que conheço). O papel dos peões de brega, pelo menos desde que Jorge Jesus foi para o Sporting, é simples: arrotar diariamente alarvidades, calúnias e teorias da conspiração nos diversos canais de televisão sobre o Sporting, mantendo a aparência de serem "apenas" comentadores simpatizantes do Benfica. Isto enquanto, por cima, paira o presidente, em estilo de grande senhor. Mas a verdade é que já se percebeu que eles não são "apenas" comentadores simpatizantes. São comentadores orgânicos, obviamente "briefados", repetindo ad nauseam os mesmos argumentos dia após dia. Isto revela uma clara "politização" do Benfica, no sentido de partido político: as pessoas que o representam nestes programas actuam a partir de uma mensagem centralizada, como fazem os partidos.

 

É evidente que a chuva de alarvidades merece resposta. O que já não tenho a certeza é se a resposta que o Sporting tem dado é a melhor: mensagens desgarradas em canais oficiais (o director de comunicação, o facebook...) com longas tiradas semi-insultuosas (ou completamente insultuosas) contra pessoas do Benfica, mensagens meio conspirativas do presidente e pouco mais. Claro que há um problema com os nossos representantes nesses programas: são mais individualistas, mais plurais (precisamente, mais parecidos com o Sporting) e não quererão fazer o papel de embrulho que fazem os outros - basta pensar nos pares em causa: Rui Gomes da Silva-Rogério Alves, Pedro Guerra-José de Pina; André Ventura-Paulo Andrade, João Gobern-Rui Oliveira e Costa. Mas se calhar podia-se fazer mais alguma coisa para ter resposta pronta e, sobretudo, para jogar na antecipação. Até agora, o padrão é: um daqueles "comentadores" lança uma aleivosia qualquer, Sporting reage pelo director de comunicação; outro "comentador" vem com outra aleivosia, Sporting reage no facebook; outro ainda vem com mais uma aleivosia, presidente do Sporting reage. Acho que não pode ser assim.

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