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És a nossa Fé!

Ficaram em estado de choque

«A exibição do Benfica não teve ponta por onde lhe pegar. O Benfica foi enxovalhado pelo Basileia.»

Joaquim Rita, SIC N

 

«Foi escrita, no estádio St. Jakob-Park, uma das páginas mais negras na história do Benfica.»

Nuno Farinha, Record

 

«É uma vergonha. O Benfica podia ter perdido por sete ou oito!»

Diamantino Miranda, TVI 24

 

«Foi uma humilhação. O Benfica teve erros defensivos primários.»

Álvaro Magalhães, CMTV

 

«O Benfica não tem meio-campo. O Fejsa é uma peça que não resolve os jogos, o Pizzi desapareceu de circulação.»

Fernando Guerra, SIC N

 

«Foi uma das mais humilhantes páginas da história europeia do Benfica.»

José Manuel Delgado, A Bola

 

«Noite negra para os encarnados na Suíça. Somaram a derrota mais pesada da história do clube na Champions.»

Mário Figueiredo, Correio da Manhã

 

«É um pesadelo. É uma das páginas mais negras da história europeia do Benfica.»

Rui Pedro Brás, TVI 24

O erro, a mentira, a fraude

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Os inimigos do vídeo-árbitro devem ter-se congratulado: esta tecnologia esteve ausente do Manchester United-Real Madrid de ontem, em disputa da Supertaça Europeia. Vitória tangencial do Real, por 2-1, com um golo (o primeiro) marcado por Casemiro em nítido fora de jogo não assinalado pela equipa de arbitragem.

Mas, pensem eles o que pensarem, não podia haver maior cartaz de propaganda do vídeo-árbitro perante esta nova demonstração de falsidade desportiva traduzida em título para os merengues, ontem sem Cristiano Ronaldo a titular. O melhor jogador do mundo só saltou do banco aos 81 minutos, com o resultado já feito.

Espantosamente, no  canal público que transmitiu em directo a partida houve quem celebrasse a mentira, varrendo o rigor dos factos para debaixo do tapete. Foi o caso do comentador Bruno Prata, que num primeiro momento admitiu ter visto o jogador brasileiro "claramente adiantado" para depois conceder que "a diferença [face ao último defesa do Manchester] é muito pequena". Acabando por sentenciar: "Neste tipo de casos não podemos ser muito severos."

É assim que os comentadores de turno encaram a verdade desportiva: algo muito relativo. Por isso são quase todos contra a introdução do vídeo-árbitro. Um deles, com visível desdém, dizia há dias nem saber se esta tecnologia já está a ser aplicada em mais algum país da Europa além de Portugal. Ignorando que na Holanda, por exemplo, não só vigora mas foi vital para restabelecer a verdade desportiva na Supertaça disputada entre o Feyernoord e o Vitesse. Ignorando que já foi introduzida no Brasil e na Alemanha, por exemplo.

Ao contrário desses comentadores, não consigo compreender um futebol que convive tão bem com o erro grosseiro, que coabita de forma tão descontraída com a mentira, que pactua sem abalos de consciência com a fraude. Alguém se aproveita disto, seguramente. Mas não o desporto, que nada tem a ver com isto.

Direito à transparência

Janela "não confirma nem desmente" ser autor da cartilha lampiónica.

Nem precisa: o estilo, os temas e até o vocabulário utilizado denunciam-no. Como uma impressão digital.

Confessa entretanto o sujeito que tem uma empresa que trabalha "com vários clubes, nacionais e internacionais". Ora aí está um excelente início de conversa: saber quais são os clubes que lhe pagam, através da tal empresa. Com a certeza antecipada de que não é o Sporting, sobre o qual tem bolçado frases cheias de ódio vesgo e rancoroso. Falta esclarecer se isso também se insere no âmbito da relação de "trabalho" que mantém com outros clubes, servindo neste caso a estação de TV como involuntária barriga de aluguer.

Os telespectadores que assistem aos debates sobre futebol têm o direito - e até o dever - de exigir às empresas televisivas que esclareçam eventuais conflitos de interesses dos comentadores que contratam para os seus painéis.

Não basta reclamar transparência para o futebol em abstracto: é preciso fazê-lo no concreto. Começando precisamente por aqui.

 

................................................................

 

Adenda.

Oportuna pergunta do Mestre de Cerimónias: quantos jornalistas receberão os briefings e os usarão no seu trabalho?

As pitonisas

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«Madeira Rodrigues mostrou um discurso agregador. Não tenho a menor dúvida que Bruno de Carvalho foi goleado [no debate televisivo].»

Bruno Prata, na RTP 3 (23 de Fevereiro)

 

«Madeira Rodrigues pode ganhar as eleições. Bruno de Carvalho deixa o Sporting em cacos.»

Carlos Janela, na CMTV (23 de Fevereiro)

Com estes "leões" quem precisa de lampiões?

Comentando ontem à noite o Belenenses-Sporting na SIC N, o sportinguista Ribeiro Cristóvão vergastou Beto porque no último minuto do jogo o nosso guarda-redes se atirou para o chão, pedindo assistência. Isto num jogo em que a meia hora do fim, com o resultado empatado a zero, já os jogadores da equipa anfitriã caíam a todo o momento, contorcendo-se com dores, reais ou imaginárias.

"Beto esteve em destaque pela negativa e pela positiva. Guardou bem a baliza do Sporting, mas aquela lesão já no período de descontos, quando o Sporting vencia 1-0, cheira um pouco a esturro. Há aqui o tal antijogo que Jorge Jesus tanto condena", disse Cristóvão.

É extraordinário o nível de autoflagelação que certos "leões" do comentário exibem nas pantalhas televisivas. Nenhum tão destacado como Ribeiro Cristóvão, o homem que em Março de 2012 chegou a antever uma eliminatória capaz de "envergonhar o futebol português" nos quartos de final da Liga Europa em que  eliminámos o Manchester City.

Com "leões" como estes não precisamos de lampiões.

A tropa de choque em missão concertada

ANDRÉ VENTURA

CMTV, 14 de Novembro, 22.05

«Eu hoje... enfim... entregaram-me isto... não sei... mas eu penso que isto é desta... eu penso que é desta... isto é deste dia, pelo menos... e é desta imagem... e por isso é que eu dizia que o Arouca tem razão para se queixar. E eu tenho aqui... e é indiscutível, é indiscutível. Uma cuspidela do presidente Bruno de Carvalho ao presidente do Arouca... Eu vou mostrar... tal como... tal como me chegaram. É claríssimo. Não deixa margem para dúvidas que há uma cuspidela do presidente do Sporting ao presidente do Arouca*. Eu... vou mostrá-la à câmara, a câmara provavelmente não vai conseguir ver bem, mas vemos o presidente do Arouca a receber essa cuspidela... Vê-se que o presidente do Sporting está a cuspir e vê-se que o presidente do Arouca está mesmo à sua frente.»

 

R. GOMES DA SILVA

SIC N, 14 de Novembro, 22.23

«Já vi imagens aumentadas [em] que se presume que alguma coisa que sai da boca do Bruno de Carvalho e atinge o presidente do Arouca... Pode ser a águia Vitória... eu vi esta imagem aumentada... dá a ideia... aquilo que dá ideia noutras imagens que andam a circular, que eu vi... dá ideia que o presidente do Sporting cospe no presidente do Arouca*... sai uma coisa qualquer... não sei se é um lenço de papel ou outra coisa qualquer...»

 

PEDRO GUERRA

TVI 24, 14 de Novembro, 22.33

«Vemos uma coisa que eu considero muito grave: vê-se claramente que o presidente do Sporting cospe na cara de Carlos Pinho*. Eu pergunto: qualquer cidadão, homem ou mulher, jovem ou... de idade, que lhe cuspam na cara, qual é que é a primeira reacção? Bom... se for mais católico... se calhar... é capaz... não sei se dá a outra face ou se pede para cuspirem outra vez... Qual é a reacção humana imediatamente? É de reacção, como é evidente. Como é que um ser humano reage quando alguém lhe faz aquilo que lhe foi feito? Ao minuto 1 ponto 10 da câmara 7 vê-se a cuspidela do presidente do Sporting... e depois na câmara 6 vê-se o presidente Carlos Pinho a limpar a cara, como é também humano e legítimo.»

 

* As frases assinaladas a encarnado e com asterisco, como é óbvio, terão de ser comprovadas em tribunal.

 

Nada melhor do que cuspir-lhe na cara

Cinco noites consecutivas com o País suspenso: Bruno de Carvalho cuspiu ou não cuspiu? Eis a melhor prova de que não existem verdadeiros problemas neste torrão à beira-mar plantado: no ano em que a douta Academia de Oxford elegeu pós-verdade como palavra do ano, três canais televisivos quiseram transformar o presidente do Sporting em bombo da festa a propósito de um não-facto - numa manobra concertada que teve como maestro o principal impulsionador da campanha de reeleição de Luís Filipe Vieira no SLB.

Um gato mal escondido com um enorme rabo de fora.

Como diria o Sherlock Holmes para o doutor Watson, não há coincidências.

 

Um desses canais, procurando bater a concorrência, simulou uma "experiência" em estúdio com o Paulo Futre a fumar um cigarro electrónico em imitação de Bruno de Carvalho numa aparente tentativa de demonstrar que da boca do presidente saiu água destilada, propileno glicol e glicerina vegetal - substâncias contidas na fugaz onda de vapor que se forma em vez do presumível fumo.

A experiência, obviamente, foi inconclusiva. Nem poderia ser de outra maneira para manter a panela de pressão bem acesa em lume vivo.

 

Por mim, acho tudo isto insuficiente. Da próxima vez sugiro ao Futre que escarre na cara de alguém. Em directo, ao vivo e a cores. Pode ser na mimosa face do tal director da campanha de reeleição de Vieira, que costuma ser seu companheiro de painel. Tudo filmado com várias câmaras, de diversos ângulos e repetido as vezes que forem necessárias. Nada melhor do que uma experiência destas para se dissiparem as derradeiras dúvidas.

Se o tipo aguentar estóico, não lhe rachar a cana do nariz à cabeçada nem se queixar do facto em conferência de imprensa versão pós-verdade, fica cabalmente demonstrado que Bruno de Carvalho fez o que não devia se quer continuar saudável: inalou e exalou.

 

Cuspidela, apenas na imaginação delirante dos peões de brega de Vieira, emprestados à corte de bandarilheiros da famiglia Pinho.

Pensem só qual seria a vossa reacção se alguém vos escarrasse na cara.

 

O melhor é o pior

A avaliar pelo que se concluiu no longo programa de comentário futebolístico deste serão na TVI 24, o melhor jogador do Sporting em Paços de Ferreira foi o ausente João Mário, que já está de partida, e o pior foi o costarriquenho Joel Campbell, que ainda não chegou.

São uns pândegos, estes comentadeiros incapazes de elogiar quem está, prontos a desancar quem ainda não se estreou e ansiosos por ver os nossos maiores craques fora do Sporting. Um dia destes vamos eleger aqui o melhor de todos eles. Quero dizer: o pior.

Quando a realidade ameaça estragar uma boa (?) estória.

Hoje testemunhei em Alvalade um Sporting a momentos magnífico, com um jogo rápido exibindo um entrosamento e alegria muito invulgares para uma equipa em início de época. Qual é o meu espanto quando em casa oiço os comentadores encartados das TVs em vez de comentarem a exibição (os factos) a especularem sobre uma crise virtual por conta da cobiça de outros clubes pelas estrelas leoninas...

Descubra as diferenças

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Há por aí um senhor que responde pelo nome de Carlos Janela. Ignoro se foi um futebolista conceituado ou se é um treinador com mérito. A falha só pode ser minha: apenas muito recentemente ouvi falar dele. Não por qualquer mérito revelado no campo desportivo, mas por marcar presença assídua nos estúdios televisivos, sobretudo em dois canais.

Geralmente não presto a menor atenção ao que diz. Mas a insistência dele em bater na selecção nacional - talvez para se fazer mais notado - foi tão forte que tomei a devida nota do que afirmou, na SIC Notícias, em duas ocasiões sucessivas: imediatamente antes da meia-final contra o País de Gales e na véspera da final.

Chamou-me a atenção o tom peremptório em que garantiu aos telespectadores que Pepe jogaria a meia-final. Esta presença seria obrigatória, assegurou, pois o central do Real Madrid é o único elemento do nosso reduto defensivo com "capacidade e velocidade para acompanhar as movimentações do ataque de Gales".

Tamanha sabedoria parecia digna de ser assinalada.

O problema, como sucede a tantas personagens que se pavoneiam nas pantalhas a propósito do futebol, é que os factos não se dignaram ajustar às sábias palavras do professor doutor Janela. Pepe, com dores musculares, não jogou. E mesmo assim os seus colegas mantiveram a baliza portuguesa invicta, travando todas as investidas galesas.

Deixo-vos o conjunto das afirmações que anotei. Chamando desde já a atenção para uma notável incongruência: segundo o autor das declarações, em apenas quatro dias a selecção portuguesa deixou de "defraudar expectativas" por não exibir um "modelo de jogo bem definido" para se tornar na principal candidata à conquista do Campeonato Europeu de Futebol.

Bastou esse curto intervalo para os jogadores deixarem de permanecer "divididos em vários pensamentos", sem saber se haveriam de "atacar pela direita ou pela esquerda", tornando-se afinal "muito fortes em termos mentais".

É obra.

 

5 de Julho

 

«Pepe vai jogar. (...) A ausência de Pepe implicaria uma diminuição da velocidade de reacção da nossa defesa muito complicada. Diminuiria a nossa capacidade de uma forma perigosa porque o Pepe é o nosso único defesa que tem capacidade e velocidade para acompanhar todas aquelas movimentações do ataque de Gales.»

 

«Nós não temos apresentado qualidade de jogo.»

 

«Portugal não tem um modelo de jogo bem definido. Nós olhamos a França, olhamos a Itália, vemos os jogos da Alemanha, vemos os jogos de Espanha, e no final do jogo qualquer comentador consegue definir o estilo de jogo dessa selecção. Na nossa ficamos sempre na dúvida.»

 

«Durante os jogos sentimos que no momento ofensivo não controlamos o adversário e no momento defensivo não dominamos o adversário.»

 

«A selecção só tem conseguido os objectivos à custa de situações excepcionais.»

 

«Mesmo com adversários de menor dimensão - porque não apanhámos Espanha, Inglaterra, Itália e França - não conseguimos realizar uma boa exibição em cinco jogos, ficámos a dever aos analistas internacionais alguma coisa.»

 

«O problema somos nós próprios. Nós não fizemos o nosso trabalho. Nós é que temos defraudado expectativas.»

 

«Nós estamos a jogar muito abaixo das nossas capacidades. Eu sinto que nalguns momentos do jogo a equipa está dividida em vários pensamentos, em várias emoções, não sabe se há-de atacar pela direita ou pela esquerda.»

 

9 de Julho

 

«Neste Europeu as arbitragens têm tido um nível de excelência, a grande maioria delas. (...) A arbitragem neste Europeu só merece elogios.»

 

«O perfil do jogador português é muito mais forte em termos mentais.»

 

«Amanhã vamos ganhar à França e vamos ser campeões europeus. É uma conclusão lógica de todo este percurso.»

Auto-flagelação na SIC Notícias

«Temos que dizer honestamente: qual foi o 'tubarão' que Portugal apanhou?»

Rodolfo Reis, na SIC Notícias (3 de Julho). Esquecendo que a França, a outra finalista do Europeu, tinha até essa altura enfrentado uns "tubarões" chamados Roménia, Albânia, Suíça, Irlanda e Islândia

 

«Na primeira fase tivemos uns carapauzinhos alimados para devorar. E não devorámos.»

Rui Santos, no mesmo programa (Play-Off)

 

«Dá a sensação de que neste Campeonato da Europa não há outra alternativa a não ser o futebol defensivo, táctico, muito carregado tacticamente [da selecção portuguesa]. O País de Gales, o nosso adversário [das meias-finais], é a demonstração exactamente ao contrário: não tem que jogar num futebol defensivo para estar onde está.»

Rui Santos, idem

 

«Portugal tem melhores jogadores, mas melhor equipa tem o País de Gales. É uma equipa mais bem formatada, jogadores a jogarem nas suas posições, com um futebol com a baliza sempre no objectivo, mas defendem sempre em bloco. É uma equipa que luta sempre pela posse de bola em cada centímetro do campo.»

Rodolfo Reis, idem

 

«Esta equipa [País de Gales] cultiva uma certa alegria no futebol e dá gosto vê-la jogar.»

Rui Santos, idem

 

«Eu gostei muito do futebol da Itália e lamento muito que a Itália tenha saído. Significa que há equipas que jogam futebol, e que jogam futebol no campo todo, e a Itália demonstrou isso.»

Idem

 

«A Alemanha tem as dimensões todas do futebol. É uma equipa super-equilibrada, com várias soluções, poderosa fisicamente, tecnicamente muito bem dotada, com uma dimensão táctica. Os jogadores alemães são fantásticos. Para mim o grande jogador é o que tacticamente cumpre de acordo com aquilo que é um plano global e que depois tem para cada um tarefas individuais importantes.»

Idem

 

«A França é uma equipa fresca, que joga um futebol positivo.»

Idem

 

«Este Europeu mostrou três ou quatro grandes equipas, muito interessantes, boas, capazes de jogar um futebol de dimensão total, ao contrário de Portugal, que não tem essa dimensão total.»

Idem

 

«Nós não fomos melhores que a Croácia, não fomos melhores que a Croácia. A Croácia foi melhor que nós.»

Idem

 

«Esta é uma das grandes falhas de Portugal: no momento contra-ofensivo não é rápido nem agressivo. (...) Este estilo demasiado defensivo, muito carregado tacticamente, faz com que Portugal passe ao lado de uma imagem de marca que devia ficar clara na Europa do futebol.»

Idem

 

«Eu não me revejo neste futebol.»

Idem

Comentadores

O que eu me divirto a ouvi-los.

Há um que faz questão de evitar magoar seja quem for, dizendo "com todo o respeito" frase sim, frase não. Só falta fazer uma vénia obsequiosa: vai longe, o rapaz. Por enquanto vai estando em antena de manhã à noite.

Outro gosta de mirar o tecto do estúdio, eventualmente por ser de baixa estatura, e repete a todo o instante a expressão "do meu ponto de vista". E fala tanto que custa a crer como é que aqueles óculos não ficam embaciados.

Um terceiro começa toda a apreciação ao desempenho dos jogadores durante as partidas com a palavra "sim". Quase sempre para dizer o contrário. Chega a dizer várias vezes "sim... mas não." Este génio do comentário devia registar a patente: eis outra forma de nunca incomodar ninguém. Mansinho e fininho - tudo bem apropriado ao ar dos tempos.

Sabem-na toda, é o que é.

Os comentadores do sistema

Ronda televisiva de ontem à noite. Em vez de sublinharem os méritos do Braga, diversas vozes sublinhavam apenas os erros do FC Porto. Incapazes de analisar o futebol para além do esquematismo dos "três grandes". Como se Portugal - e o futebol português - se circunscrevesse a Lisboa e Porto. E tudo o resto fosse paisagem dispensável.

Mais palavras para quê? São os comentadores que temos. Incapazes de se distanciarem do sistema. Porque fazem parte dele também.

Os pregadores do ódio a Jesus

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Os mesmos que passaram um ano inteiro a achincalhar e enxovalhar Jorge Jesus - inclusive em painéis televisivos onde nem o nome dele conseguiam pronunciar - celebram agora o "tricampeonato", contando portanto com as duas Ligas consecutivas que ele venceu.

Para serem coerentes na sua alergia sectária ao actual treinador do Sporting, deviam omitir essas duas vitórias que os levam agora a papaguear tantas vezes a palavra "tri". Pura hipocrisia: apagam-no para uns efeitos da fotografia (até literalmente), mas mantêm-no quando lhes dá jeito. A menos que dois daqueles campeonatos tenham sido conquistados sem treinador...

Vangloriam-se de tudo quanto Jesus lhes deu enquanto fazem de conta que ele nunca por lá passou. Pior que isso: interpuseram uma  acção milionária contra ele em tribunal, por alegada quebra de compromisso contratual, quando é público e notório que o melhor treinador a trabalhar em Portugal se limitou a cruzar uma porta de saída já escancarada por decisão alheia.

Cobrem-se de ridículo nesta competição muito particular em que são indiscutíveis campeões: a do ódio visceral a quem tão bem os tratou. E com tudo isto só acabam por conferir motivação adicional a Jorge Jesus para uma grande temporada 2016/17. Aquela que começa a ser preparada agora.

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