20 Mar 17

Augusto Inácio foi o único treinador que conquistou alguma coisa até agora nesta época desportiva em Portugal, levando o Moreirense a vencer a Taça da Liga - primeiro troféu nacional do clube de Moreira de Cónegos.

Apesar disso, os responsáveis do clube apontaram-lhe a porta de saída, de chicote na mão. Preferem Petit, o que diz tudo sobre a forma como encaram o futebol.

São uns ingratos.


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07 Fev 17

Diz-se que as chicotadas psicológicas nunca resultam.

Às vezes resultam.

A melhor chicotada psicológica é a que não chega a acontecer, não por falta de coragem para despedir, sim por discernimento para não contratar.

Há treinadores que são erros de casting (há presidentes que não levam o guião certo?).

Estamos na quinta jornada, já foram perdidos doze pontos (quatro derrotas) foram sofridos sete golos e marcados um, 7-1, a equipa está em 17º lugar.

O presidente dá um murro na mesa, despede, contrata.

Quinze jornadas depois o Club Sport Marítimo está na 6ª posição com apenas três derrotas (excepto as acumuladas nas cinco jornadas iniciais, obviamente).

As chicotadas psicológicas resultam?

Às vezes resultam.


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21 Mai 14

Ainda a nova época não começou e o Sporting já teve a 1ª chicotada psicológica. Sai Leonardo, vamos ver como fica o jardim (a imagem pode não ser muito feliz mas neste não há papoilas...). Esta mudança é um verdadeiro teste à maturidade do conjunto que fez um excelente campeonato. Faltaram títulos mas, comparando com um ano atrás, quem se lembraria de tanto? Confiança é a palavra de ordem. E apoio. Para já que venha o novo treinador e os 3 milhões do Principado, e que outro tanto lhe siga. 2014/2015 será ano de consolidação, de conquista ou de recuo? A ver vamos, como diz o outro.


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14 Fev 13
Um ano depois
Pedro Correia

 

Faz agora um ano, Godinho Lopes cometeu o seu maior erro enquanto presidente do Sporting: dispensou abruptamente Domingos Paciência do comando técnico da equipa, ao fim de escassos oito meses em funções, a pretexto de três jogos mal sucedidos e de uma irrisória manifestação de hostilidade ao treinador por parte de duas dezenas de imbecis no aeroporto de Lisboa. Ainda hoje estamos para conhecer os motivos do insólito despedimento do homem que Godinho Lopes tanto enalteceu no início do seu mandato prometendo que seria ele a conduzir o futebol profissional do Sporting no caminho de regresso aos troféus.

 

Na recente mega-entrevista ao Record, o ainda presidente leonino nada esclareceu sobre este controverso acto da sua gestão, refugiando-se em expressões vagas e até contraditórias. "As coisas comigo são claras. Todas as competições são importantes. Na análise que foi feita na altura, entendemos que o projecto previsto para o clube com Domingos Paciência não teria condições para continuar. Gosto de Domingos mas, na altura, entendi que era a melhor opção", declarou Godinho Lopes.

Ou seja, tudo menos claro. O ainda presidente, que tanto apregoa a necessidade de deixar cumprir os mandatos quando o visado é ele próprio, não deixou nenhum dos seus principais colaboradores para o futebol profissional cumprir qualquer mandato. Nem Domingos, nem Sá Pinto, nem Vercauteren, nem Luís Duque, nem Carlos Freitas. Suprema contradição num homem que é fértil nelas. Repare-se neste outro trecho da entrevista ao Record: "Considero que foi um erro ter contratado tantos treinadores. Isso não significa que eu não tomasse as mesmas decisões que tomei."

Alguém aí falou em incapacidade de liderança?

Se falou, está certo. Tal como referi aqui há um ano, "basta dezena e meia de energúmenos, gritando frases típicas de qualquer reles arruaceiro contra os jogadores e a equipa técnica no aeroporto de Lisboa, para fazer tremer a direcção, levando-a a afastar o treinador e tornar letra morta todos as garantias de continuidade proferidas nos últimos meses. Isto incentiva o pior dos populismos. Energúmenos deste género já levaram outras direcções a rescindir com Bobby Robson e José Mourinho, entre outros técnicos de indiscutível craveira. Se a moda pega, noutro dia qualquer os mesmos indivíduos voltarão a gritar impropérios com o objectivo de atrair as câmaras televisivas e fazer cair o presidente praticamente em directo nos telejornais. E talvez até tenham sucesso."

 

Releio estas linhas, escritas quando este blogue tinha mês e meio de existência, e confirmo: já era então possível detectar as raízes da degenerescência do mandato de Luís Godinho Lopes.

Pior que cometer erros é não reconhecer os erros cometidos. Com os dados hoje ao nosso dispor sabemos que o inexplicável e inexplicado despedimento de Domingos abriu caminho a um prolongado ciclo de pesadelo no Sporting. O pior de sempre.

Bastaria isto para esta data ser lembrada: as lições que encerra devem servir de vacina para prevenir outros males.

As pessoas e as instituições que não assumem os erros estão condenadas a repeti-los. Em doses maiores e suportando consequências ainda mais nefastas.


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05 Fev 13

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09 Jan 13
Vamos longe assim
António Figueira

A malta que hoje comenta a saída de Franky Verkauteren criticando o homem (uma escolha "maduramente reflectida", ainda há poucas semanas) e elogiando a respectiva "chicotada" como um gesto de "coragem" da Direcção, foi a mesma que elogiou a escolha de Domingos e elogiou o despedimento de Domingos, elogiou a contratação de Sá Pinto e elogiou o despedimento de Sá Pinto, elogiou a contratação de Oceano e elogiou o despedimento de Oceano, e elogiou a contratação de Jesualdo como há-de elogiar o despedimento de Jesualdo. É uma malta de convicções profundas: a Direcção tem sempre razão, contra TODA a evidência em contrário. 


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08 Jan 13
Agora já sabe
Pedro Correia

"Vercauteren foi despedido e ainda não sabe." (Eduardo Barroso, 23 de Dezembro)


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07 Jan 13
Siga a dança
Pedro Correia

 

Franky Vercauteren abandona Alvalade 75 dias depois de ter sido contratado. Convém avivar as memórias mais fraquinhas: "É uma pessoa que aposta na formação, é ganhador e é um antigo jogador de qualidade. Houve dezenas de treinadores que se ofereceram para treinar o Sporting. Enquanto os nomes iam correndo, nós já tínhamos escolhido Franky Vercauteren." Estas palavras foram proferidas a 30 de Outubro pelo presidente Luís Godinho Lopes, que acrescentou: "Agradeço a paciência que os adeptos têm tido e a forma como apoiam a equipa. Estou a trabalhar para criar um projecto sustentável e isso não se cria resolvendo os problemas à pressa."

Palavras carregadas de involuntária ironia, como hoje bem se vê. Godinho Lopes reclama para si próprio algo que não concede a mais ninguém no clube: tempo e paciência. Na grelha de Alvalade foram triturados quatro treinadores desde Fevereiro de 2012. Avança agora Jesualdo Ferreira. O quinto em menos de 11 meses. Depois de Domingos Paciência ("espero que fique o tempo suficiente para atingir o sucesso no Sporting"), Sá Pinto ("trouxe outro ânimo à equipa"), Oceano Cruz ("faz parte do presente e do futuro") e do macambúzio belga que parte como chegou: de rosto carrancudo.

Como eu o compreendo. Havia de rir-se de quê?

Publicado também aqui


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23 Nov 12
O que falta mudar
Pedro Correia

 

O problema não são as derrotas sucessivas.

O problema não é a total falta de fio de jogo.

O problema nem sequer é o facto de este ano já nada mais termos por horizonte, como troféu a conquistar, do que a Taça da Liga.

 

O problema não é perder: é perder desta maneira. Perder sem brio, de forma humilhante. É ser derrotado sem dar luta, manchando a reputação do Sporting.

De nada adianta exibir vitrinas com troféus conquistados no passado por outros presidentes, outros técnicos, outros atletas, se o presente se resume a esta apagada e vil tristeza que clama por mudança.

Porque, pior que perder em campo, é resignarmo-nos a esta mediocridade indigna do historial brilhante do nosso clube.

 

Ontem superámos mais um recorde negativo: pela primeira vez, caímos na fase de grupos da Liga Europa.

Nunca estivemos tão mal. Do ponto de vista competitivo, classificativo, técnico, físico, anímico.

 

É preciso mudar.

Não de treinador: este acaba de chegar e é já o quarto em nove meses.

Não de sistema táctico ou de jogadores. Ao longo desta época calamitosa já jogámos com vários sistemas e - como referi aqui - nunca repetimos um onze-base. Em 17 jogos oficiais, apenas Rui Patrício foi titular absoluto.

Não de administrador da SAD para o futebol: esta substituição já ocorreu.

Não de director desportivo: o que estava já não está.

 

Falta só uma mudança. Essa é a que se impõe. Porque para pior já basta assim.


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04 Mar 12
Hot seat
José Navarro de Andrade


Não estará para aí guardado numa gaveta qualquer um pré-acordo com este rapaz? Agora é que era ver, se ele os tinha para vir sentar-se na cadeira mais quente que há e provar que é mesmo bom. E se trouxesse o Ruben Micael pela arreata não era eu que me zangava. E até digo mais: se os da luz lhes der para a esperteza de se anteciparem, íamos catar-lhes o Jorge Jesus que ademais é sportinguista de gema e havia de vir com ganas que nem vos passa. Em qualquer dos casos seria sempre a subir.

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16 Fev 12

 

 

O chefe da família portista está disponível para ajudar o Ministério Público a investigar a fonte anónima citada pela agência Lusa a propósito do despedimento de Domingos Paciência. Eu sei: o acto altruísta merece elogio. Nesse caso, elogio o chefe da família. E mais: peço-lhe, dentro do mesmo espírito de sacrifício (aqui apeteceu-me escrever espírito natalício) que colabore com o Ministério Público nestas matérias:

 

1 - Encontros secretos de árbitros em casa de presidentes de clubes de futebol.

 

2 - Facilidades de lazer concedidas a árbitros por presidentes de clubes de futebol.

 

3 - Notícias encomendadas a jornalistas amigos por presidentes de clubes de futebol.

 

4 - Ameaças a outros jornalistas protagonizadas por presidentes de clubes de futebol.

 

5 - Férias pagas a árbitros por presidentes de clubes de futebol.

 

6 - Relatórios de observadores alterados por indicação de presidentes de clubes de futebol.

 

Estou a dizer bem, não estou? Isto sim, seria de enorme utilidade. O chefe da família explicar ao Ministério Público algumas das práticas lá de casa.


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O Sporting contrata Sá Pinto para treinador.

O Porto recupera Paulinho Santos para adjunto.

Os lampiões já estão em conversações com o Mike Tyson.

 

Adaptado dum post de Alexandre Borges, genial no 31


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15 Fev 12

OS LAMPIÕES. Eles estão felizes, é? Eles, que tanto pediram a cabeça do Jesus, o ano passado, quando o Benfica não 'arrasou', agora preocupam-se connosco, tadinhos. Querem por-nos à guerra uns com os outros. Não vão nessa. Agora elogiam tanto o Domingos... será que elogiaram quando o Benfica colocou o autocarro na Luz, para não ser derrotado? Pinto da Costa não elogiou Jesus quando ele estava de somenos e Vieira não o imitou, depois, em relação ao Vitor Pereira? Tudo propaganda. Eles 'elogiam' Domingos porque ele não conseguiu pôr o Sporting a jogar e a pontuar, apenas isso! 'Adoram' o Domingos porque ele falhou.

 

O DOMINGOS. Foi despedido porque não conseguiu resultados e as coisas iam de mal a pior. Esse o grande motivo. Desde Novembro não ganhávamos fora, os resultados e as classificações é o que se vê. Não foi o primeiro treinador a ser despedido, porque os resultados não aparecem, nem será o último. Nós queremos resultados ou queremos o Domingos a perder e a jogar para o quinto lugar (que é onde estamos)? Domingos teve quase tudo o que pediu, teve investimento na equipa, teve todo o apoio e confiança... mas não deu! O Sporting continua, o projeto não é o treinador, é o clube. Eu sou um defensor da estabilidade, mas não quero que um treinador que falhou, que teve atitudes erráticas de insegurança, seja fautor de mais instabilidade. Não deu, virou a página. É a vida.

 

O DOMINGOS E O PORTO. Não acredito em teorias da conspiração. Domingos é portista, como Fernando Santos é benfiquista e Jesus sportinguista. E depois? Acho normal que Domingos tenha a legítima ambição de treinar o seu clube do coração. Santos foi corrido por Vieira, à primeira jornada (!) da Liga, Jesus nunca foi convidado pelo Sporting e, alem de Domingos haverá outros nomes na fila de espera do PC - que o 'papa' não é tolo e sabe do que se passou em Braga, apesar das vitórias. Ai se o Salvador conta tudo, sobretudo como salvou a época, quando o balneário estava desgovernado...

 

AS 'DECLARAÇÕES' DO DUQUE. Que o Duque não é um homem de comunicação, a gente sabe. Mas não ponham na boca dele o que ele não disse. Ele afirmou, apenas e apenas (ouvi eu nas reportagens), «do que eu conheço do Domingos, eu não acredito». Forma inábil de dizer mais ou menos isto: tenho-o por uma pessoa séria, não acredito que ele se tenha encontrado com alguém de uma forma menos séria'. Acho que ele poderia e deveria estar calado, mas não creio que daí venha mal ao mundo, nem que deva ser sacrificado porque separou a relação pessoal da profissional.

 

CUIDADO COM OS MEDIA. Se estiverem com atenção ao que, por vezes, se diz e cotejarem como depois os media relatam, verão como, frequentemente, há uma diferença, a favor da pirotecnia, do escândalo mediático, da titulagem para gerar polémica. Exemplo mais recente, que lembro, de hoje: numa tv, o repórter dizia que Duque admitira ser «uma derrota pessoal» a saída de Domingos; e, logo, as imagens e a declaração do homem da SAD. Factos: um jornalista pergunta se é uma derrota pessoal e o homem responde «é a sua interpretação», e não comenta mais. Resultado: Duque «admitiu»! Poderia ter sido e foi: o jornalista admitiu. Talvez os sportinguistas devessem voltar a artilharia para a defesa do seu clube e da verdade, enviando mensagens de protesto para os media, pressionando-os contra a manipulação da informação, quando for o caso. Eis uma energia bem dirigida.


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14 Fev 12
Por qué no te callas? (I)
Jose Manuel Barroso

Sousa Cintra a A Bola: «a derrota com o Marítimo não justificava a saída, foi uma precipitação.» Ai essa memória! E o despedimento do Bobby Robson, depois da derrota com a Casino Salzburg, quando o Sporting partilhava o primeiro lugar, foi o quê? Foi o quê?


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A recente auditoria confirma o descalabro que têm sido as finanças do futebol do Sporting. O mais preocupante é verificar-se que muitos dos mais caros jogadores de sempre do Sporting (Mário Jardel – o mais caro de todos, Marius Niculae e Rodrigo Tello – juntos totalizaram cerca de 25 milhões de euros) saíram praticamente sem nenhum retorno financeiro. Foi com Soares Franco na presidência a única altura em que a SAD do Sporting deu lucro. Bem sei que o objetivo do clube não é que a sua SAD dê lucro, mas sim ter sucesso desportivo; o ano final da dupla Franco-Bento pressentia um certo definhamento, que se viria a acentuar durante toda a total desorientação do consulado Bettencourt. Era necessário e urgente inverter esse rumo e dar uma injeção de confiança aos sócios e adeptos, como esta direção fez. Ora é inegável que no tempo de Soares Franco se teve algum sucesso desportivo e mais sucesso financeiro que noutros. Este ex-presidente não conseguiu convencer os sócios com o seu plano de reestruturação financeira; vamos ver se o tempo não lhe dará razão.

Mas Soares Franco teve a sorte de ter um treinador a quem transmitia toda a confiança, e que deixava trabalhar em paz. Paulo Bento respondia pela estrutura do futebol toda, e nunca se lhe pressentiu o desespero que ouvimos nalgumas declarações de Domingos. Independentemente dos méritos que tem como treinador (que já demonstrou e há de voltar a demonstrar), é inevitável que Domingos não aguentou a pressão de ser treinador do Sporting. A queixa contra os adeptos “notáveis” que se queixam na imprensa só revela que Domingos é um homem com a cultura do FC Porto, onde existe há muitos anos uma autoridade incontestada, e que desconhece (e provavelmente não servia para) a realidade do Sporting, um clube em permanente ebulição e onde nunca toda a gente está de acordo. Mas essa não é uma realidade exclusiva do Sporting (embora neste seja particularmente acentuada). Na mesma semana em que Domingos se queixava de certos sócios do Sporting, José Mourinho também teve de ouvir duras críticas pessoais que lhe foram movidas pelo anterior presidente do Real Madrid. Não gostaria Domingos de ser treinador do Real Madrid? Será que também se queixaria? É claro que para tudo há um limite, mas um treinador do Sporting tem que saber o que quer, ser determinado, teimoso e ter personalidade forte. Não precisa de ser um sargentão, mas tem que ser um sargentinho. Tudo caraterísticas de Paulo Bento, que aguentou a pressão sendo menos experiente quando foi chamado ao cargo. Domingos fez jus à alcunha “Choramingos” que tinha no “Contra Informação”. A lição a tirar é que é muito mais fácil ser treinador do FC Porto que do Sporting, e que pode ser que um bom treinador para o FC Porto não o seja para o Sporting. A ver vamos o seu futuro. Quanto ao Sá Pinto, falta-lhe uma caraterística fundamental que é o sangue frio. Gosto muito do Sá Pinto e desejo-lhe as maiores facilidades, mas neste momento gostaria de ter um Paulo Bento...


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1 - Manteve contactos com dirigentes do F.C. Porto enquanto treinador do Sporting?

 

2 - Como comunicava com os jogadores que não falavam português?

 

3 - Quais eram os jogadores que utilizava para fazer a ligação do banco à equipa no decurso dos jogos?

 

4 - Preferia que a duração do seu contrato coincidisse com o mandato da direcção?

 

5 - Como encarava as críticas dos jogadores ao seu trabalho na dinâmica de auto-crítica do grupo?


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O ovo tinha pêlo?
Adelino Cunha
 
 

 

Não me levem a mal, mas isto custa a engolir: grande estúpido, andaste este tempo todo a voar com um cuco! Só Deus sabe quanto me custou engolir aquela treta. Isso significava que tinha partilhado o meu ramo com um cuco convencido de estar ali outro tentilhão. Balbuciei que ele tinha migrado para o Sul não só à procura de novas paisagens, mas também para ganhar as suas próprias asas. Perguntou-me então se eu nunca tinha percebido que esse cuco não tinha a nossa plumagem e nem sequer chilreava as nossas partituras. E depois?, pensei, deve ser o resultado da competição genética. Insistiu comigo. Uma e outra vez. Eu estava em estado de negação e só o valente tabefe que me acertou em cheio no bico conseguiu arrancar-me daquela letargia. Os cucos, repetiu sem largar aquele tom, são craques no parasitismo reprodutivo, ou seja, tornaram-se peritos em depositar os seus ovos dissimuladamente entre os ovos dos outros. Foste enganado, grande parvalhão!, gritou ao ponto de me secar a água do bico. Grandes sacanas, lamentei em voz baixa, temendo levar mais um parte de tabefes. Afinal, o cuco não era um tentilhão. Tinha tudo sido uma obra da passarada do Norte. Sim, essas aves de rapina desenvolveram o seu ovipositor com sucesso, explicou-me, aliviando a pressão sobre a minha asa. Isso explicava os risos da outra passarada quando me viam voar com um cuco dez vezes maior do que eu! Esperou para responder. Ele próprio tinha sido seduzido, confessou virando o bico para o lado. Tinha sido enganado nesta primeira ovulação, mas prometia estar mais vigilante. Deus sabe que tudo isto me está a custar a engolir. Voltámos mesmo a ser aldrabados pelos cucos?


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Fotografia de Pedro Sá da Bandeira

 

A "chicotada psicológica" no Sporting (mais uma) não é supreendente. Esperava-se, com Domingos a somar maus resultados e a protestar com os jogadores e com os associados ("fadistas, médicos e carpinteiros") do clube. Quando, na véspera, Godinho Lopes lhe deu o voto de confiança, o sempre-repetido "beijo de Judas" presidencial, o desenlace foi anunciado.

 

Há muitos anos que o Sporting é um "nó górdio". E para o desenvencilhar só me ocorre esta bela fotografia (de Pedro Sá da Bandeira).

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Tal como não sou
António Figueira

treinador de bancada, também não sou Direcção sombra: posso (e devo) pensar pela minha cabeça e opinar à minha vontade, mas tenho em nome do bom senso de admitir que, tal como o treinador sabe do plantel coisas, muitas coisas, que eu desconheço, também a Direcção saberá do treinador coisas, porventura muitas coisas, que eu não sei (e se calhar nem devo saber). Sendo a legítima Direcção do meu clube, tenho de lhe conceder o benefício da dúvida. Gostei que o Domingos tivesse vindo para o Sporting, sou pela estabilidade das equipas técnicas, acho que a pressa é inimiga do bom trabalho ("depressa e bem, não há quem"), acho que as Direcções devem dirigir e os treinadores devem treinar, e sou, muito em especial, contra qualquer interferência da malta de cabeça quente, às vezes rapada, e sempre com muito pouca coisa dentro, nas decisões do Clube. Porém, se a decisão da saída de um foi devidamente ponderada e se justifica, e se a decisão da entrada do outro obedece à lógica simples e óbvia de recorrer à "prata da casa" para salvar o que puder ser salvo desta época, e aproveitar minimamente aquela que é, para todos os efeitos, uma grande equipa, então adeus Domingos e bem-vindo Sá Pinto, porque a vida continua e o que me interessa não são os treinadores, nem os jogadores, nem os directores - é o Sporting.


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Começo por dizer que fui um entusiasta da contratação de Domingos Paciência para treinador do nosso Sporting. Estava presente no jogo de despedida de Iordanov, quando se gritou das bancadas: “EU SÓ QUERO DOMINGOS CAMPEÃO, DOMINGOS CAMPEÃO!” Nessa altura, acompanhávamos as últimas jornadas de uma disputa entre o Braga e o SLB e todos queríamos o Braga de Domingos como campeão.

 

Fui também um entusiasta da sua possível vinda para o Sporting ainda antes das eleições, sendo que com o aparecimento de uma melhor alternativa por parte de outra lista passei a apoiar o então “desempregado” Frank Rijkaard. Quando foi feito o anúncio de Domingos Paciência, na lista do nosso presidente, fiquei um pouco surpreendido. Com nomes fortes em todos os outros campos dessa mesma lista, incluindo figuras de peso e com muita glória no nosso clube, confesso que fiquei desiludido pela escolha de Domingos para treinador e razões seguintes que infelizmente se mantiveram:

 

Precisamos de um treinador experiente e com nome. Domingos Paciência tem?

Precisamos de um treinador que imponha respeito no balneário e à comunicação social. Domingos impunha?

Precisamos de um treinador com experiência a gerir jovens e jovens promessas. Domingos tinha essa experiência?

Precisamos de um treinador que exija o máximo dos jogadores em todos os treinos e aos diretores da SAD contratações que em simultâneo aliem a qualidade do jogo a serem bons negócios. Domingos tinha esse perfil?

Precisamos de uma equipa técnica competente e com uma visão e conhecimento profundo de futebol. Domingos tinha essa equipa técnica?

Precisamos de um treinador aglutinador, bom psicólogo ou rígido consoante as alturas certas. Domingos demonstrou não ter estas qualidades.

 

Acima de tudo, temos uma certeza: Domingos Paciência não conseguiu levar este plantel ao êxito que todos esperávamos. Os resultados que nos proporcionou não foram maus, mas sim péssimos. E posto isto, pergunto:

É este o Sporting que queremos?
Com um treinador que não conseguia tirar partido dos jogadores que tinha ao seu dispor? Bastaria lembrar apenas um exemplo:

André Santos não é melhor que Daniel Carriço no meio campo defensivo? Quantas vezes repetimos o onze? Quantas vezes demos por nós, adeptos, a perguntar por que razão este ou aquele jogador era titular?

Mesmo com tantas lesões, temos um plantel que nos dá algumas garantias, dos seniores aos juniores.

Atente-se no que fez o Braga, que também revolucionou o seu plantel e a sua equipa técnica, que também tem jogadores lesionados. E no entanto, repare-se no campeonato que a equipa está a fazer.

 

Amo-te, Sporting!


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