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És a nossa Fé!

Djaló peruano: um pontapé nos fundilhos

Há um ano exibiram-no como troféu de caça: parecia que levavam o Messi. Só porque, no eterno complexo de inferioridade que alimentam em relação a Alvalade, tinham sacado o "craque" ao Sporting. Fizeram-se títulos garrafais, traçaram-se gloriosos vaticínios, a maior  picareta falante da TVI chegou a prognosticar que seria "titular absoluto" no pré-fabricado.

Afinal o rapaz, ao contrário do que previam, não pegou de estaca. Andou a enxotar moscas entre os suplentes e agora, no defeso, já querem aplicar-lhe um merecido pontapé nos fundilhos. Juravam que o tinham contratado a "custo zero": afinal, veio a saber-se, desarrolharam  6,6 milhões de euros para o ter como  "opção de banco" (deliciosa expressão).

Nunca um "custo zero" foi tão caro.

Dispensável, dizem hoje eles. Os mesmos que faz agora um ano o levavam em ombros.

Djaló à Brás

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Ontem, na final da Taça, o Djaló peruano não jogou sequer um minutinho: o treinador do Benfica continua a não confiar nele, mesmo tendo custado 6,6 milhões de euros aos cofres encarnados.

Dinheiro deitado à rua: o putativo craque terminou a época com dois golitos marcados no campeonato ao serviço do seu actual emblema. E jogou  521 minutos na Liga 2016/17, o que deverá ter bastado para o fatigar imenso.

Talvez por isso, a sua posição preferida seja no banco. Onde até acompanhava com sorrisos rasgados os golos que as equipas adversárias marcavam ao "seu" Benfica.

Bem fez Rui Vitória ao tê-lo mantido de fora do onze no Jamor. Há dois anos, quando o Sporting ali conquistou a Taça de Portugal, Marco Silva  mandou sair o peruano ao intervalo, substituindo-o por Carlos Mané. Com Cédric já expulso, não podíamos dar-nos ao luxo de ter nove em campo.

 

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Quem deve andar tristonho, por estes dias, é o comentador da TVI 24 Rui Pedro Brás. Ele que se atravessou pelo brinca-na-areia peruano, que o pôs nos píncaros, que lhe entoou hossanas.

Ele que não hesitou em fazer-lhe estes rasgadíssimos elogios:

«Carrillo é um jogador para ser titular deste Benfica. Carrillo é jogador para ser titular em qualquer equipa portuguesa. Era um titular absoluto no Sporting Clube de Portugal, seria titular com facilidade no Futebol Clube do Porto e creio que vai ser titular com relativa facilidade no Benfica.»

«Carrillo foi o melhor jogador do Sporting orientado por Marco Silva. Mesmo com Nani no plantel, foi Carrillo que se chegou à frente nos momentos mais importantes da época, foi ele quem transportou a equipa para a frente, eram dele os momentos de maior desequilibrio.»

«Carrillo tem características físicas que mais nenhum dos extremos do Benfica tem.»

 

Declarações com data: 24 de Julho de 2016.

Brás, que também assina Braz, terá jeito para muita coisa. Para Zandinga, manifestamente não tem.

O turista mais bem remunerado do País

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O treinador do Benfica demonstrou ontem ser um treinador temerário: lançou em campo, como titular, o Djaló peruano para enfrentar o poderoso Real Massamá no estádio do Restelo, em eliminatória da Taça de Portugal.

O rapaz, talvez mais fadado para um concurso de bocejos, aguentou-se 45 minutos em campo e foi tomar mais cedo um duche quentinho, repetindo a façanha já ocorrida face ao 1.º de Dezembro, outra potência desportiva nacional. Desta vez deve-lhe ter dado ainda mais jeito pois a temperatura atmosférica estava muito mais baixa do que é habitual registar-se em Lima.

Enquanto esteve em campo, o turista mais bem remunerado de Portugal tocou três vezes na bola: uma para fazer um passe de belo efeito ao guarda-redes adversário, outra para se fintar a si próprio e outra ainda numa tentativa quase concretizada de rematar à bancada, que suscitou tímidos aplausos de cerca de quatro espectadores que procuravam aquecer as mãos demasiado frias.

Com este brinde natalício que Rui Vitória lhe concedeu, o Djaló peruano conseguiu superar a fantástica barreira dos 400 minutos jogados em cinco meses tendo vestida a camisola que o convida a embarcar num voo da Emirates sem mais demora. Valeu a pena ser "o reforço de Verão" da turma encarnada. Valeu a pena ser antevisto pelo comentador Rui Pedro Brás como "titular com relativa facilidade no Benfica". Quase cem minutos jogados por mês justificam certamente que Luís Filipe Vieira tenha aberto os cordões à bolsa: afinal o que são 6,6 milhões de euros para o SLB ter o privilégio de contar com semelhante artista?

Clube pequeno

Clube pequeno é aquele que põe o ódio a outros clubes à frente dos seus próprios interesses. O caso Carrillo - jogador que recebe salário milionário sem que o justifique minimamente - comprova bem isso. Estão a pagar-lhe no SLB não pelo que ele vale de concreto mas apenas por ter saído do Sporting. E não lhe pagam pouco: dois milhões e meio de "prémio de assinatura" e quatro milhões de salário anual, já sem falar do bónus de dois milhões de euros que passou para as mãos de um tal Canaletto, empresário do jogador.
Espero ver em breve, nos programas televisivos e nas páginas dos jornais, jornalistas e comentadores porem em contraste o salário do  Djaló peruano face às baixíssimas remunerações de outros elementos do plantel encarnado, nomeadamente dos jogadores da formação. A menos que gastem todas as energias a puxar o saco a Vieira, como faz este.

O Djaló peruano em Nápoles *

José Nunes, Antena 1: «Aquilo que Carrillo mostrou foi zero. E pior que isso foi a postura dele em campo: muito má, não mostrando nem vontade nem dinamismo. Foi um erro de casting total, absoluto. Um fiasco. Opção estranha de Rui Vitória.»

 

Jorge Baptista, SIC Notícias: «Carrillo foi um jogador inerte. Perdeu muita bola dividida, não conseguiu ganhar velocidade, não deu profundidade à ala do Benfica, não criou qualquer tipo de desequilíbrio. Quase um jogador a menos. Se as unidades não funcionam o colectivo vai ao ar.»

 

* O Benfica bateu-se bem no estádio de San Paolo, apontando dois golos e sofrendo apenas quatro frente ao Nápoles, que nunca tinha marcado tanto num só jogo da Liga dos Campeões

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Adoro a pirueta a 180.º que a maioria dos benfiquistas que conheço deram no momento exacto em que se soube que Carrillo assinou pelo seu clube. Um jogador que durante anos foi inconsistente, imaturo, fonte de problemas e desestabilizador de balneários rapidamente se tornou numa promessa quase certeza, génio ou um dos melhores jogadores da Liga portuguesa, quiçá da Europa.»

Nuno Rodrigues, neste meu postal

Para mais tarde recordar

«Carrillo é um jogador para ser titular deste Benfica. Carrillo é jogador para ser titular em qualquer equipa portuguesa. Era um titular absoluto no Sporting Clube de Portugal, seria titular com facilidade no Futebol Clube do Porto e creio que vai ser titular com relativa facilidade no Benfica.»

«Carrillo foi o melhor jogador do Sporting orientado por Marco Silva. Mesmo com Nani no plantel foi Carrillo que se chegou à frente nos momentos mais importantes da época, foi ele quem transportou a equipa para a frente, eram dele os momentos de maior desequilibrio.»

«Carrillo tem características físicas que mais nenhum dos extremos do Benfica tem.»

Rui Pedro Brás, ontem, na TVI 24

O preço do ódio

Com a contratação de Carrillo, Luís Filipe Vieira desmente de uma assentada duas prioridades que anunciara para esta época: estancar a hemorragia financeira do Benfica e apostar na formação. O peruano nunca fez parte da escolinha do Seixal, tanto quanto sei. E os dois milhões de euros que empochará por época não prometem melhorar a saúde orçamental do clube situado na margem sul da Segunda Circular - até por já se antever uma espiral de "melhoramentos" salariais na equipa encarnada para prevenir manifestações de desagrado no balneário.

Tudo vale, portanto, para ajustar contas com o "renegado" - como se o ódio tivesse um preço. Desta vez Jorge Jesus respondeu-lhes com o silêncio. E fez muito bem.

Carrillo

Ficaremos, talvez hoje, a saber de forma oficial que o benfica é o próximo clube do peruano Carrillo. Uma novela já com quase um ano e que desde meados de Setembro, quando Carrillo deixou de ser opção, se mostrava ser óbvio que o seu destino seria porto ou benfica. Para lá da questão do jogador em si, dos valores que pedia para renovar e dos que lhe foram propostos pelo Sporting, a questão principal aqui é a disputa que gerou um jogador do Sporting pelos seus dois maiores rivais. A declaração de PdC é tão só o assumir de uma derrota nesta contratação, ao velho estilo aliás do porto. Por outro lado o silêncio de LfV, com a curiosidade de não existir até agora um jornalista que seja capaz de lhe fazer uma pergunta sobre este assunto, tendo delegado no treinador a resposta oficial do benfica, curiosamente numa conferência de imprensa onde depois de afirmar que qualquer treinador gostaria de ter um jogador como Carrillo, não ter, mais uma vez, qualquer jornalista que insistisse na questão, revela-nos que foi intensa a luta entre porto e benfica para assegurar este jogador. Mas esta disputa não se centrou nas qualidades de Carrillo como jogador, que as tem. Não era de todo o ponto essencial neste caso. Desde que Bruno de Carvalho (e não o Bruno, ou o Bruno Miguel, ou como agora até “sportinguistas” escrevem o Azevedo, na tentativa já desesperada de o colar ao ex-presidente do benfica que se encontra a cumprir pena de prisão) foi democraticamente eleito Presidente do Sporting Clube de Portugal que o paradigma instituído nas últimas décadas sofreu um forte revés. De grande clube do passado, com uma grande história, mas no presente remetido a uma condição secundaríssima na disputa de títulos, situação aceite de bom grado pelas anteriores direcções, passámos a disputar com benfica e porto os títulos das competições internas. E aqui é que devemos olhar para o caso da contratação de Carrillo pelo benfica. A ânsia dos benfiquistas em conseguir roubar um jogador ao Sporting, demonstra que se sentem verdadeiramente incomodados pelo facto do Sporting de hoje não ser mais aquele clube simpático, de quem falavam, com doses maciças de um paternalismo hipócrita, que era necessário ao desporto em Portugal e sobre o qual estavam muito preocupados pela forma como estava a perder a dimensão que outrora possuía. Nada mais falso, foram precisamente estes dois clubes em conjunto e de forma concertada que, com o auxílio, por vezes tácito, de anteriores dirigentes do Sporting, tentaram aniquilar o nosso clube. Uma luta a dois pelos títulos é seguramente mais fácil do que a três. Carrillo é a prova que invertemos definitivamente o caminho que nos estava a levar a uma posição onde apenas nos restava disputar o terceiro lugar de qualquer competição onde também estivesse porto e benfica. Demonstra esta corrida por um jogador peruano de 24 anos o reconhecimento pelos nossos rivais que estamos no caminho certo, que estamos como grande clube que somos a retomar a nossa posição em Portugal. No passado bastava um telefonema de PdC e efectuava-se uma troca onde invariavelmente sairíamos a perder, tanto no jogador a receber como nas cláusulas dessa troca. Carrillo representa o reconhecimento por parte dos nossos rivais que estamos de volta, que olham novamente para nós, não com paternalismo ou indiferença, mas sim com receio, reconhecem que lhes podemos efectivamente roubar títulos, numa disputa que eles julgavam estar reservada apenas aos dois. Depois de termos assegurado a contratação de JJ, a ida de Carrillo para o benfica é mais um passo na afirmação do Sporting como o maior clube de Portugal.

Ao jogador desejo-lhe a maior sorte pois vai precisar muito dela.

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