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És a nossa Fé!

E agora?

Estava absolutamente convicto de que o Sporting passaria na Liga dos Campeões. Uma grande desilusão, a qual só aceitei quando a Juventus marcou o segundo golo na Grécia, já depois de ter sofrido uma bola na barra e poste, que poderia ter provocado o empate final. A equipa fez uma excelente campanha num grupo "impossível": um excelente jogo em Atenas (apenas manchado pela tradicional má disposição dos adeptos), um mais-do-que-suficiente aqui contra os gregos; dois excelentes jogos contra a Juventus, em particular em Turim (mandámos na segunda parte), os quais poderíamos ter ganho; e dois jogos difíceis contra o insuportável Barcelona, sem deslustre. Para passar faltou maior capacidade de ... finalização. Isto não é dizer mal dos avançados, é constatar que para ombrear com os melhores - eram dois colossos - falta melhorar um pouco. Melhorar um pouco uma equipa boa, com bons jogadores, com algum (mas não muito) banco, e com muita táctica. Temos um magnífico treinador, prejudicado pelas "bocas" (próprias e alheias), as quais não nos devem apoucar a consciência de que é ... um magnífico treinador. 

 

Ou seja, para melhorar é preciso continuar nesta senda. Para melhorar na Europa é preciso fazer pontos no "ranking" da Europa, para evitar grupos tão ingratos como este. Mas para melhorar em absoluto é preciso manter esta equipa - dirigentes, treinador(es) - e um plantel condigno. As condições para isso são óbvias: é preciso um campeonato (pelo menos). Pois só isso acalmará as quezílias internas e a óbvia tendencial autofagia das nossas lideranças. Ganhar o campeonato é o degrau para continuar este crescimento, que tão bons frutos está a ter. 

 

Vai ser difícil. Porque isto é-nos tão óbvio como é ao "vieirismo" dominante. E o que se vem passando no ataque ao outro rival, ao F. C. Porto, mostra bem o quão difícil - fora do campo - será ganhar o campeonato. A ver vamos. Porque em termos de futebol, para título doméstico, temos tudo para o conseguir. Fará muita falta cabeça fria aos sportinguistas. (E menos golos falhados dentro de campo).

Complicado mas possível.

Depois do que se passou neste fim de semana, considero o Benfica o principal candidato ao título. Está na corrida a 100%, tem mais soluções, está fora da Europa, vai reforçar-se e tem o revestimento de tetra campeão que lhe dá uma ponderação que aos outros foge. Rui Vitória parece uma espécie de Captain Obvious que caiu no caldeirão da sorte quando era garoto, mas por vezes é mesmo isso que se precisa. Dominou o jogo durante meia hora e depois limitou-se a levar baile. Mas para perder é preciso sofrer golos e isso não aconteceu. Obvious? Pois, Captain Obvious…
O Porto teve azar, também teve azar em ser prejudicado pelo árbitro, mas deve lembrar-se que quando foi campeão anos a fio também era assim para o lado deles. Em caso de dúvida apitavam ou fechavam os olhos em seu favor. Mas Conceição não esteve feliz nas substituições e ainda não conseguiu explicar a Felipe que entrar assim ao homem não é futebol.
O nosso jogo com o Belenenses foi um teste ao meu batimento cardíaco. Não acho que se deva dramatizar, mas Adrien faz mais falta no meio campo do que julgava e Bas Dost precisa de companhia mais sólida (à la Teo “irritante” Gutierrez). Temos grande GR e uma muito boa defesa, mas estamos demasiado dependentes de Gelson e vulneráveis à fragilidade do banco. Entendo, subscrevo e assino por baixo as palavras do nosso presidente. É bater a bola baixa e ver se chegamos ao final em primeiro, nem que seja ganhando meio a zero. Vai ser ser muito muito complicado, mas é possível.

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 10

Bruno Fernandes 6

Gelson Martins 4

Acuña 2

Adrien

Coates

Mathieu

Battaglia

autogolo do Moreirense

 

«Com o tiro certeiro frente ao Belenenses, Bas Dost atingiu o golo 50 com a camisola do Sporting. Em pouco tempo o holandês atingiu números muito expressivos, ao ponto de já ser um dos nove estrangeiros acima da meia centena de golos, lista encabeçada por Yazalde (126), Iordanov (70), Jardel (67), Diego (61) e Balakov (60).»

 

Do jornal Record de anteontem

Tudo ao molho e FÉ em Deus - "Pasteleiro" Dost e a nata dos goleadores

Durante 30 minutos só houve uma equipa no relvado. O Belenenses, durante esse período, limitou-se a correr atrás da bola e a grande-área leonina mais parecia um gigante Adamastor, a aconselhar a prudência recomendada pelos Velhos do Restelo. No entanto, à passagem da meia-hora, os leões começaram a confundir circulação de bola com gestão de esforço, o jogo empastelou e a equipa de Domingos levantou a cabeça e viu que a vida poderia ser mais do que a versão escravizante da mesma que o Sporting até aí lhe tinha imposto.

Valeu ao Sporting a eficácia de Bas Dost. O holandês marcaria aos "pastéis", na execução perfeita de uma grande penalidade, o golo 50 pelo Sporting, número redondo conseguido em apenas 15 meses de actividade e que perspectiva a sua futura colocação entre a nata dos goleadores leoninos.

Jesus montou um esquema de apenas dois médios interiores, preterindo Battaglia em detrimento de um segundo avançado, no caso Podence. Na tentativa de que a equipa não perdesse a batalha do meio-campo o plano de jogo do treinador leonino pareceu conter instruções a Acuña para que este jogásse mais interiormente do que é costume, constituindo-se muitas vezes como o terceiro homem do miolo.

JJ acertou desta vez nas substituições, desde logo quando mandou entrar Battaglia (retirando Podence), aos 60 minutos, alteração que lhe permitiu retomar o controlo do meio campo e que conduziu William a uns últimos 30 minutos vibrantes em que impulsionou o Sporting para a frente.

Quem é fã dos Monty Phyton sabe que a vida de Bryan decorre paralelamente à de Jesus e que ambos têm Belém como indelével ponto de partida. Vem isto a propósito da estreia oficial em Alvalade, esta época, contra o Belenenses, do costa-riquenho Ruiz, em jogo que marcou o regresso da equipa de JJ à liderança do campeonato da 1ªLiga. Assim, Jesus não foi insensato, não deixou o jogador mirrar e, agora, fica à espera que ele o cubra de ouro.

Entre os destaques, sobressaíu Coates: o Ministro da Defesa, para além de ter bloqueado todas as tentativas de invasão do espaço defensivo leonino pelas forças de Domingos, ainda encontrou tempo e vigor para duas arrancadas até à trincheira azul, uma em cada parte, semeando o pânico no último reduto belenense. O uruguaio foi muito bem coadjuvado pelo seu Secretário de Estado, o gaulês Mathieu, complemento ideal na dissuasão da ofensiva adversária.

Também em relevo esteve Bruno Fernandes. Perdulário, falhou golos e passes diversos, mas fica ligado aos melhores e mais esclarecidos apontamentos do jogo do Sporting, nomeadamente o passe a isolar Podence na direita, em lance que acabaria por nos dar o "penalty", a finta, o levantar de cabeça e o passe a encontrar Acuña para uma oportunidade ingloriamente desperdiçada pelo argentino e, finalmente, a forma inteligente como chamou a si 3 adversários e ofereceu o golo em bandeja de prata a Bryan Ruiz.

Em resumo, jogo sofrido, mas com a compensação de, dado o empate verificado entre Porto e Benfica, termos agarrado os dragões na liderança do campeonato (para além de que o Benfica agora está mais longe). 

 

Os nossos jogadores, um a um:

 

Rui Patrício - As grandas querelas da humanidade têm usualmente Observadores no campo, a avaliar os danos causados por esses conflitos. Consta que o "marrazes" apresentará no seu relatório significativos desperdícios de munição, tal a má pontaria evidenciada pelas tropas leoninas perante o último reduto belenense. Do seu posto de observação (P.O.) limitou-se a apreciar as movimentações no terreno, pois as ofensivas da equipa de Belém jamais o incomodaram.

Nota: Sol

 

Piccini - É o "simplex" da equipa leonina. Aparenta uma enorme facilidade em qualquer movimento defensivo, seja fechar o espaço no meio quando tal é requerido, caír em cima do adversário junto à linha ou saír com a bola dominada da zona de pressão. Sempre sem complicar. Adicionalmente, mostrou instinto atacante, indo até à última linha de defesa adversária para executar cruzamentos ou assistindo primorosamente Bruno Fernandes pela meia direita, em lance que seria perdido nos pés de Acuña.

Nota: Sol

 

Coates - O Ministro da Defesa, em conjugação com o seu Secretário de Estado (Mathieu) e apoiado no General William, deu todos os meios às forças no terreno para que a refrega tivésse um saldo positivo para as nossas hostes, começando pela defesa intransigente dos 16,5 metros (grande-área) que constituíram a nossa inviolável última linha de defesa. Não contente com isso, ele próprio se juntou às tropas, devolvendo "granadas" adversárias com recurso a uma bicicleta e, por duas vezes, atacando mesmo as trincheiras inimigas, as quais, inibidas pelo factor surpresa, quase sucumbiam perante a sua acção. 

Nota: Si

 

Mathieu - A sua parceria com Coates faz pensar que actuam juntos há muitos anos, tal o grau de identificação que os une. No seu estilo em "souplesse", para o francês parece não haver tarefas impossíveis, mesmo que envolvam engolir 3 pastéis provenientes de Belém de enfiada, sem precisar de meter água na sua digestão. Um defesa central que é um centro cultural da arte de bem defender.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Destacou-se por algumas arrancadas na primeira meia-hora, a lembrar o jogador que já foi noutros tempos. Cumpriu os 90 minutos e esteve menos tempo do que é costume deitado no chão, sinal de que se aproxima da sua melhor forma ou de que começa a mostrar compaixão pelo coração dos adeptos.

Nota: Sol

 

William Carvalho - Com as costas protegidas pelo intratável Battaglia, arrancou para o seu melhor período de jogo, os últimos 30 minutos. Aí, avançou em sucessivas cavalgadas pelo miolo do terreno, acções que deixaram em estado de alerta as defesas do sub-aquartelamento lampiânico, sitas ali para os lados do Restelo. Teve nos pés a rendição do exército oponente, mas falhou o remate final. Durante o resto do tempo especializou-se num novo tipo de passe: o Passe Social, simples, económico, mas que não abrange todo o território (a linha lateral, infelizmente, sim).

Nota:

 

Bruno Fernandes - Destacou-se pela forma como rompeu perante as linhas oponentes, solicitando colegas nos flancos a fim de melhor as contornar ou avançando em penetração até ao último reduto adversário. Esteve na origem de inúmeras oportunidades de golo e o que melhor se pode dizer dele é que, mesmo quando não especialmente inspirado, mostra sempre aquele toque distintivo de classe que o torna no maestro da organização ofensiva sportinguista.

Nota:

 

Gelson Martins - O seu jogo assemelha-se cada vez mais ao Bolero de Ravel, excepto na parte que Fernando Gomes, o "bi-bota", definia sentir aquando da obtenção de um golo (marca poucos para o futebol que tem no corpo). É uma música repetitiva, uma sucessão de partituras que regressa sempre a um ponto-de-partida, composta por uma batida forte e persistente que transforma o palco de Alvalade numa "rave" e que, se por um lado nos desperta os sentidos, por outro nos deixa à beira da insanidade.

Nota: Sol

 

Acuña - O argentino tem aquele estilo de nunca virar a cara à luta e de deixar o corpo no relvado. Ontem, apesar de as coisas não lhe terem corrido de feição, manteve-se fiél a esse padrão comportamental, embora tenha aparentado  incomodidade (compreensivelmente) perante os (injustos) assobios provenientes da bancada.

Nota:

 

Podence - Parafraseando o poeta Régio, Podence é "o átomo a mais que se animou", o ião que electriza as bancadas de Alvalade. Enquanto teve energia deixou a "cabeça à roda" à defensiva azul, nomeadamente - momento importante do jogo - no lance em que sofreu um "chega para lá" e que motivou a equipa de arbitragem a assinalar "penalty" a nosso favor. 

Nota: Sol

 

Bas Dost - A um ponta-de-lança exigem-se golos e o holandês não destuou, aliás "dostou", como de costume. No resto do tempo notabilizou-se pela renovada e vã tentativa de assistir companheiros em (suposta) melhor posição. Assim seria quando um defensor de Belém tentou clonar a mítica assistência de Secretário para Acosta e o deixou na cara do golo. Mas, em vez de rematar à entrada da área, preferiu contemporizar e assistir William.

Nota: Sol

 

Battaglia - Não se viu muito no campo, sinal de que imediatamente impôs respeito nos adversários, os quais preferiram percorrer caminhos bem distantes daqueles calcorreados pelo médio argentino. Ainda assim, quando testado, notabilizou-se nos desarmes. A sua entrada permitiu essencialmente extraír o melhor de William e isso, seguramente, foi positivo para a equipa.

Nota:

 

Bryan Ruiz - A classe, o virtuosismo, a elegância em movimento, qualidades bem visíveis quando perante a saída do guarda-redes belenense efectuou um chapéu brilhante, o qual acabaria por ser desviado na linha de golo por um defensor azul. Não deu golo, mas o perfume do seu futebol ficou bem patente nesse lance, bem como a sua incapacidade goleadora, "pormaior" que o vem mantendo afastado do estrelato à escala planetária.

Nota:

 

Bruno César - Apenas o tempo suficiente em campo para merecer o duche final.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates (melhor em campo)

 

sporting belenenses.jpg

 

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 9

Bruno Fernandes 6

Gelson Martins 4

Acuña 2

Adrien

Coates

Mathieu

Battaglia

autogolo do Moreirense

 

«O triunfo do Sporting em Paços de Ferreira foi o quinto fora esta época, na sequência do sucesso alcançado em casa de Aves (2-0), V. Guimarães (5-0), Feirense (3-2) e Rio Ave (1-0). Trata-se do melhor arranque forasteiro neste milénio, superando até a temporada de estreia de Jorge Jesus em Alvalade. Então, em 2015/16, os leões tinham as mesmas cinco vitórias e um empate, mas o registo goleador não era tão bom [11 golos marcados e 3 sofridos, contra os 14 marcados e 4 sofridos actuais].»

 

Do jornal Record de anteontem

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Na Mata Real, Sporting deu dois "Paços" a caminho da coroação

Um jogo do Sporting não seria a mesma coisa se Jorge Jesus não realizasse uma substituição, a equipa caísse vertiginosamente e, em consequência, os adeptos fizessem fila para uma visita ao psicólogo. Menos mal, porque na capital do móvel os divãs devem ser mais em conta...

A partida até começou bem para a equipa leonina e, com 17 minutos jogados, já o Sporting perdera duas soberanas oportunidades de golo, através de Gelson e de Bas Dost. Em sequência, num lance de carambola que envolveu Bruno Fernandes, William, Battaglia, Mário Felgueiras, Dost e, outra vez, o guardião pacense, "Batman" daria a tacada final, colocando de cabeça a bola na rede.

O golo, mais do que tranquilizante, serviu de soporífero e o Sporting começou a jogar demasiadamente cedo para o lado e para trás, até que se chegou ao intervalo. No reatamento, algumas arrancadas de Battaglia ameaçaram abanar o jogo. Uma delas seria concluída por Bruno Fernandes com um remate ao poste. Até que Gelson - que tinha perdido um saco cheio de bolas por más decisões - decidiu desligar o complicómetro e com uma rotação surpreendente e tiro rápido apontou o segundo da noite.

Antes desse golo, JJ já tirara Acuña (substituído por Bruno César) e Battaglia saíra, aparentemente lesionado, embora a sua expressão corporal indicasse descontentamento, no que pareceu a repetição do episódio de Coentrão em Turim. Para substituir o box-to-box, Jesus realizaria o seu habitual número de suspense, colocando o ressuscitado Lázaro, perdão, Ruiz, dando nova vida a Bryan. A ideia inerente à entrada do costa-riquenho era controlar a bola, mas para tal seria necessário tê-la e nos últimos 15 minutos, de bola, o Sporting teve "bola". Assim, o treinador leonino adicionaria um jogador sem ritmo (estreou-se nesta época) e sem vocação defensiva a um desgastado e pouco intenso William e cedo se viu que iríamos sofrer. Pedrinho, aos 76 e 77 minutos, e Whelton, aos 81 e 84, ameaçaram as nossas redes - sempre sem qualquer oposição dos nossos médios - até que, finalmente, após enorme defesa de Patrício, sem grande alarido, o Paços falou Baixinho e marcou.

Os últimos 3 minutos terão sido pródigos em AVCs em muitos lares portugueses, com toda a gente, menos Jorge Jesus, a ver que a vitória poderia fugir, especialmente de cada vez que Mabil, o aditivado - ou o seu nome não se assemelhasse ao de uma conhecida gasolineira - jogador proveniente do Sudão do Sul, pegava na bola e avançava em velocidade.

No final, recuperámos dois pontos ao Porto e temos a possibilidade de passar a liderar caso ganhemos ao Belenenses e os dragões não vençam o Benfica, na próxima jornada. Essa esperança acabou por ser o melhor desta noite. 

 

 

 

Prognósticos antes do Natal

Chegou a altura de dar um passo em frente nestes prognósticos que aqui vou lançando. Desta vez para desafiar os leitores - e os meus colegas de blogue - a vaticinarem em que posição no campeonato estará o Sporting por alturas do Natal e que pontos separarão então o nosso clube dos dois principais rivais.

Preparo-me para registar os vossos palpites a partir de agora. Não se acanhem.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O "campo grande" foi demais para os defensores de Chaves

O Sporting bateu facilmente uma equipa flaviense tão estendida no terreno que os avançados estavam no Campo Grande, os médios no Campo Pequeno e o resto da equipa na Defensores de Chaves. Nesse contexto, os espaços para jogar entrelinhas foram verdadeiros latifúndios e o eixo central, uma Avenida (da República).

Os nossos adeptos puderam assistir a um Domingo 100% vitorioso: depois de no Pavilhão João Rocha termos depenado umas Aves, no futsal (7-0), uma vitória concludente no nosso Estádio sobre a equipa proveniente do Alto Tâmega. Uma "alta" pândega!

A defesa do Chaves, fiel ao nome romano da sua cidade (Aquae Flaviae), meteu água por todos os lados - habitat favorito do nosso "Piscinas" (Cristiano Piccini), um dos melhores em campo -, não tendo cabeça para parar Bas Dost, nem velocidade para acompanhar Podence, acabando por sucumbir aos pés de Marcus Acuña.

O árbitro Rui Costa foi muito interveniente: primeiro, interferiu com o VAR, não marcando um penalti óbvio e "amarelando" Gelson Martins (dois erros que não repôs após dois visionamentos!!), depois, participou muito no próprio jogo, tabelando com diferentes jogadores.

E assim terminou uma contenda que dará matéria para Nuno Farinha ("Saída de campo", este Domingo) escrever no Record que o Sporting venceu apenas 1 jogo na única partida que disputou. É caso para dizer: não havia necessidade...

 

A música tocada pelos nossos jogadores, um-a-um (numa escala de Dó Menor a Dó Maior):

 

Rui Patrício - As ofensivas flavienses pararam quase sempre antes da entrada da grande área leonina, pelo que este espaço foi sempre um Jardim das Freiras para o guarda-redes. Ainda assim, mostrou sempre bastante atenção, destacando-se em duas saídas aos pés de avançados do Chaves. Sem hipóteses no lance do golo, o que à luz do que vimos durante a semana dever-lhe-á baixar a cotação: aparentemente o que dá curriculum é um frango ou, no caso concreto do jogo Benfica-Manchester, uma perdiz.

Nota:

 

Piccini - Está feito um senhor jogador! Defensivamente irrepreensível, esteve em 3 golos leoninos: no segundo golo, com um passe longo, lançou decisivamente Podence pela direita; no quarto, executou uma diagonal em drible que terminou num passe para Dost que permitiu a este assistir na perfeição Acuña; Finalmente, no quinto, assistiu primorosamente para uma cabeçada certeira do holandês, movimento que fez corar muitos alas deste campeonato.

Nota: Dó Maior

 

Coates - O Ministro da Defesa esteve a bom nível, não permitindo invasões ao seu paiol, emendando com autoridade algumas imprecisões na saída de bola por parte dos médios. 

Nota:

 

Mathieu - Controlou bem a sua zona de actuação, mas podia ter feito mais no lance de golo do Chaves, surgido ao caír do pano.

Nota: Sol

 

Fábio Coentrão - Embora qualquer ida sua à linha de fundo se possa comparar a um dos 12 trabalhos de Hércules, a verdade é que assegura tranquilidade ao sector recuado da equipa. A sua saída de campo voltou a coincidir com mais um golo do adversário. Neste estado de coisas, lanço aqui um repto a quem de direito: ou Coentrão passa a jogar os 90 minutos ou os jogos passam a terminar no momento que o vila-condense abandonar o terreno.

Nota: Sol

 

William - Alternou momentos em que parece alcançar o Olimpo - como naquele passe a isolar em simultâneo Gelson e Dost (que estava milimétricamente em fora-de-jogo) - com regressos a uma comum existência terrena, em que evidencia lentidão e desatenções perigosas à saída da sua área. Pareceu acusar algum cansaço e alguma dificuldade em aguentar um meio-campo a dois com Bruno Fernandes.

Nota: Sol

 

Bruno Fernandes - Dele espera-se sempre um golo à Carlos Manuel de Estugarda, um dos de Maniche contra a Holanda ou um passe de morte à Deco. Quando uma destas coisas triviais (para ele) não lhe sai fica sempre um amargo de boca no adepto. Ainda assim, deixou a sua marca no jogo, executando um canto de forma competente, donde resultou um golo de Bas Dost. Tabelou bem com diferentes companheiros e, por vezes, também com o árbitro Rui Costa.

Nota: Sol

 

Gelson Martins - Sempre envolvido no jogo, cumpriu de forma brilhante todas as tarefas defensivas que lhe foram atribuidas. Em termos atacantes, continua precipitado, nervoso, facto que o leva a desperdiçar inglóriamente uma série de lances promissores, recorrendo ainda, muitas vezes, ao algoritmo do caminho crítico para resolução de casos simples. Recomenda-se que não entre em campo sem pôr no bucho dois Lexotan.

Nota: Sol

 

Acuña - Ao contrário de Coentrão, Acuña é como o coelhinho da Duracel, e dura, dura...Incansável, o argentino nunca vira a cara à luta e é o tal Muro intransponível do qual Luis Castro se queixava na conferência de imprensa. Além disso, polivalente, fez 3 posições durante o jogo: ala esquerdo, lateral esquerdo, ala direito. Influente, voltou aos golos e em dose dupla, algo que não surpreende pois quando está bem fisicamente faz sempre mais qualquer coisa em campo do que a maioria dos outros jogadores.

Nota: Dó Maior

 

Daniel Podence - Que melhor elogio se pode fazer a Podence do que dizer que todo o jogo leonino, na primeira parte, foi carrilado para a sua zona de acção? No centro ou nas alas, Daniel foi sempre um Zip-zip para os desnorteados defensores flavienses, atraindo-os muitas vezes para fora de zonas de pressão, abrindo espaços para Bas Dost. Assistiu primorosamente o holandês para o segundo golo dos leões. Baixou um pouco de produção no segundo tempo.

Nota: Si

 

Bas Dost - O que dizer de um jogador que esteve "só" nos cinco golos do Sporting? Nesse transe, desmentiu várias teorias elaboradas recentemente: a de que tinha perdido o instinto matador, marcando por três vezes, todas de cabeça; a de que "só" finaliza, assistindo Acuña para o quarto golo; a de que é um jogador a menos no processo de construção, magicando o desequilibrio do qual resultou o terceiro golo leonino. O holandês é um jogador inteligente que precisa apenas de ser bem servido. O resto ele faz: no seu primeiro golo fez-se valer da antecipação, no segundo, da sua boa colocação no terreno, no terceiro, o seu tempo de salto aniquilou dois adversários. Qualidades ímpares e diversas que deveriam motivar a adopção de um verbo que fizesse jus a essas características: dostar. Ontem, para não destoar, "dostou" 3 vezes. Dizem que está em crise, coitado...

Nota: Dó Maior

 

Battaglia - Desta vez começou no banco. Entrou ainda a tempo de mostrar a sua superior qualidade de recuperação de bola, impondo-se em carrinhos de alta cilindrada aos avançados flavienses, mas também o seu maior defeito, falhando alguns passes de ruptura.

Nota: Sol

 

Doumbia - Num lance, mostrou pouca coordenação com Bas Dost, ocorrendo à mesma bola que o holandês. Quando finalmente se demarcou do colega e encontrou espaço para receber uma prodigiosa assistência deste, aconteceram três coisas: primeiro, da mesma forma canhestra já mostrada em Turim, trocou os pés, depois, a bola bateu-lhe no pé de apoio e encaminhou-se para golo, finalmente, o árbitro anulou o lance por fora-de-jogo de Dost na altura do passe. Fica assim eliminado da cabeça dos espectadores o seu momento embaraçante, de onde curiosamente teria resultado finalmente um golo do costa-marfinense para o campeonato, situação que provocou compreensíveis "mixed feelings".

Nota:

 

Bruno César - Entrou e foi logo humilhado após um passe de ruptura de William que o brasileiro no seu passo de tartaruga não conseguiu segurar dentro das 4 linhas. Desconfia-se que este esforço o tenho deixado ligado à máquina de oxigénio durante a noite.

Nota:

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost

 

 

sportingchaves.jpg

Ponto da situação

Levamos três jogos seguidos sem ganhar. É verdade que um desses jogos foi contra o Barcelona de Messi, Iniesta, Suárez, Paulinho e Busquets. É verdade que ocorreram em três competições diferentes, o que de algum modo dilui o problema. Mas também é um facto que nos outros dois desafios tivemos pela frente o modesto Marítimo e o frágil Moreirense - equipas que temos obrigação de vencer em qualquer circunstância. E não é menos verdade que nestes três jogos não marcámos golo algum: a única vez em que a bola chegou às redes da baliza adversária foi graças a um autogolo.

Alguns sportinguistas andam eufóricos com os desaires do Benfica. É preciso dizer-lhes que isso não traz nenhum ponto ao Sporting nem nos garante qualquer título.

É tempo de não cometermos o erro de sempre: olharmos mais para outros do que para nós.

É tempo de cair na real. Nada de sobrancerias, nada de pensarmos que são favas contadas, nada de facilitar seja com quem for.

 

Apelo aos sportinguistas

Não nos deixemos confundir com questões laterais: esse tem sido o nosso erro mais habitual. Não percamos demasiado tempo a falar do passado, de outros clubes portugueses, de clubes estrangeiros, da imprensa, da rádio, dos apitadores, dos directores de comunicação das agremiações rivais, dos canais televisivos dos outros, das entrevistas que gente externa ao Sporting dá ou não dá.

Isso são píners, como diria Jesus.

Evitemos disparar em todas as direcções.

Mantenhamos o foco máximo na nossa equipa e na vontade firme de conquistar o campeonato. Em campo, repetindo o que aconteceu várias vezes no passado. Como alguém já assinalou, na secretaria nunca ganhámos campeonato algum.

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