02 Nov 16

Gostei

 

Da atitude dos jogadores. No rescaldo do empate na Choupana, na última jornada do campeonato, sucederam-se protestos ruidosos dos adeptos, exigindo "atitude" à nossa equipa. Valeu a pena protestar: o Sporting bateu-se bem esta noite na Alemanha, frente ao Borussia Dortmund, mantendo o resultado em aberto até ao apito final. Perdemos tangencialmente, por 0-1, mas os jogadores bateram-se bem em campo.

 

Da nossa organização táctica. Jorge Jesus surpreendeu com um eixo defensivo formado por três jogadores (Coates, Rúben Semedo e Paulo Oliveira) para travar a dinâmica de construção da turma germânica, fazendo avançar um deles (Rúben, quase sempre) no nosso processo ofensivo. Aposta parcialmente conseguida, esta espécie de 3-5-2: apenas em dois lances o Borussia conseguiu minar o nosso reduto defensivo. Infelizmente para nós um desses lances resultou no golo solitário.

 

De Gelson Martins. Causou constantes desequilíbrios na nossa ala direita, ganhou várias vezes o confronto individual com Raphael Guerreiro, soube centrar com perigo e esteve perto do golo em duas ocasiões, aos 27' e aos 31'. Decaiu um pouco na segunda parte, devido ao cansaço, mas ainda rematou com perigo aos 49', suscitando uma boa defesa do guardião contrário. Voltou a ser o nosso melhor elemento: é o grande criativo deste Sporting 2016/17.

 

De William Carvalho. Todos receávamos que tivesse ficado afectado pelo desafio frente ao Nacional, em que falhou um penálti, mas a boa notícia é que o nosso médio defensivo voltou às grandes exibições. Recuperou bolas, abriu linhas de passe, fez vários lançamentos longos para alargar a nossa frente de ataque. Merece nota muito positiva.

 

De Schelotto. Uma das suas melhores partidas de sempre com a camisola verde e branca. Sobretudo na segunda parte, em que fez valer o seu bom domínio da bola, aliado à velocidade. Dos pés dele, num cruzamento perfeito, saiu aos 77' quase uma assistência para golo: a bola só não entrou porque Bryan Ruiz, o suspeito do costume, manteve a tradição de falhar em lances deste género. O italo-argentino, com visíveis problemas de ordem física e já sem hipótese de ser substituído, teminou o jogo quase sem conseguir correr, numa louvável missão de sacrifício.

 

Do regresso de Adrien.  Decorria o minuto 58 quando o campeão europeu regressou enfim aos relvados após lesão demorada, provocando uma injecção anímica na equipa, que já estava a jogar bem e passou a jogar melhor ainda. Infatigável, sem aparentes sequelas da lesão, fez passes entre linhas, recuperou bolas e exerceu pressão alta sobre a equipa adversária. Não esperávamos menos dele.

 

Da nossa sorte. Bem podemos dizer que esteve do nosso lado, ao minuto 34', quando Götze rematou à trave. Um calafrio percorreu equipa e adeptos: seria 2-0 e o destino da partida ficaria praticamente traçado. Felizmente a bola não entrou.

 

Que Jesus não tivesse feito "poupanças" a pensar no Arouca. Deixando Elias e Markovic fora do onze titular, como se impunha, da equipa-base apenas Bas Dost ficou inicialmente no banco, dando lugar a Castaignos. Mas até Dost jogou também, acabando por fazer toda a segunda parte, por troca com o compatriota, demasiado discreto durante o primeiro tempo.

 

Do apoio incansável dos adeptos. Estavam pelo menos três mil apoiantes leoninos em Dortmund. Apoiando a equipa do princípio ao fim com cânticos e gritos de incentivo. No final, não regatearam fortes aplausos aos jogadores. De falta de atitude ninguém se queixou.

 

 

Não gostei

 

Da derrota. Não há vitórias morais: saímos derrotados deste importante desafio da Champions. Com um golo sofrido logo aos 12'. Bastou aos alemães para concretizarem o objectivo para este jogo.

 

Da tremideira colectiva no lance do golo. Marvin, com falhas pontuais de marcação, abriu espaço no seu corredor para o cruzamento e Paulo Oliveira falhou a intercepção, permitindo que o colombiano Adrián Ramos marcasse. Foi a única falha do reaparecido internacional sub-21, mas num lance que acabou por ser decisivo.

 

Da nossa má finalização. Consistência defensiva, mobilidade no meio-campo, boas trocas de bolas: fizemos várias vezes quase tudo bem excepto ao chegarmos aos últimos 15 metros do campo. Não por falta de tentativas mas por falta de pontaria. Nem à meia-distância nem de recarga nem de cabeça nem de bola parada o golo aconteceu.

 

Do falhanço de Bryan Ruiz. Começa a ser uma tradição no Sporting: a melhor oportunidade acaba por ser desperdiçada pelo internacional costarriquenho. Voltou a acontecer, ao minuto 77.

 

De Castaignos. Entrou desta vez como titular: foi a maior oportunidade que Jesus lhe deu até agora. Mas, sem entrosamento com os companheiros nem rotina competitiva, teve uma exibição pálida, de que apenas se destacou uma boa tabelinha com Gelson aos 27'. Ninguém se surpreendeu quando cedeu lugar a Bas Dost logo a abrir a segunda parte.

 

De Markovic. Jesus esteve bem em duas das três substituições, sem desmontar o esquema táctico concebido para este jogo, trocando ao intervalo o apagado Castaignos por Bas Dost e fazendo entrar Adrien aos 58' para render Bruno César. Inútil foi a entrada de Markovic, aos 78', para ocupar a posição de Bryan Ruiz. O sérvio voltou a demonstrar falta de integração na equipa e falta de maturidade competitiva. Corre bastante mas nem ele próprio deverá perceber para quê.


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19 Out 16

Esta fase de grupos arrisca-se a ficar como a das vitórias morais: "pusemos o Real em sentido", "pusemos o Dortmund 15 minutos a jogar para trás". Pois, eu queria era ver-nos a nós a jogar para trás com um golo de avanço - e houve oportunidade para isso em Madrid. O spin dos últimos dias ficou perfeitamente comprovado: o Dortmund com nove lesionados é super acessível. Pois, pois: quantos dos nossos jogadores teriam entrada directa na equipa do Dortmund? Dois, na melhor das hipóteses, três? Aquele Aubameyang (uma espécie de Usain bolt com bola: viste-o, Semedo?) está ao nível do ponta-de-lança do Chaves, de que agora não me lembra o nome, e o Mario Götze nem sequer chega aos calcanhares daquele criativo do Paços de Ferreira, como é que ele se chama...? Exacto, o Minhoca. O problema é que bater o pé ao Real Madrid e ao Borussia Dortmund é muito bonito mas traz mazelas. Por isso, o que eu quero ver é como vão estar as perninhas no jogo contra o Tondela. Oremos.


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18 Out 16

Primeira - Os alemães jogam muito;

Segunda - Dava-nos jeito jogar sempre com o mesmo número de jogadores que o adversário;

Terceira - Sabendo nós que os alemães jogam mesmo muito, não seria avisado termos iniciado o jogo com onze?

Quarta - Os alemães deram uma lição de como se queima tempo quando o adversário poderia ter dado a volta ao jogo.

Quinta - A consideração anterior teria dado um jeitaço em Madrid.

Sexta - Não sei se o jogo teve árbitro. Mau! Para os dois lados, benza-o Deus. Deve ter passado pela Ginginha, só pode;

Sétima - Não foi pelo árbitro, antes pelo contrário, que perdemos hoje;

Oitava - Já disse que os alemães jogam muito?

Nona - Adrien, demora muito?

Décima - Já perceberam de que duas nulidades estou a falar, quando digo que jogamos com menos?

Undécima - Onze, deveríamos ter jogado com onze. Ouviste, Jota?


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Grandezas e misérias
Luciano Amaral

Tem muita graça o spin dos últimos dias segundo o qual o Sporting tem a obrigação de ganhar ao Borussia Dortmund, porque o Borussia Dortmund tem nove lesionados. Mas estamos a brincar ou quê? Dos nove lesionados nem todos entram normalmente a titulares e muitos dos principais titulares não estão lesionados. Arrisco-me a dizer que quase todos os jogadores que vão jogar logo pelo Dortmund tinham entrada directa no onze inicial do Sporting.

 

É fácil de perceber o que se passa: perante as suas campanhas europeias até agora miseráveis, interessa a Benfica e Porto lançar esta cortina de fumo. Ninguém nos jornais se lembrou de nos dizer, por exemplo, que também o Bruges tem metade dos titulares lesionados. Se o Sporting tem a obrigação de ganhar ao Dortmund, o que tem o Porto face ao Bruges? O Sporting fez até agora o que lhe era exigível: vender cara a derrota em Madrid e ganhar ao clube mais fraco do grupo. Pudessem dizer o mesmo Benfica (que levou uma cabazada do 5º classificado italiano e não conseguiu ganhar em casa àquela equipa turca de caranguejolas) e Porto (que não conseguiu ganhar em casa ao colosso dinamarquês e perdeu com uma equipa que se anda a especializar em levar cabazadas em Inglaterra). Dá-lhes muito jeito concentrar o fracasso da jornada europeia numa eventual derrota do Sporting, mas a verdade é que fracasso autêntico seriam eventuais resultados menos bons contra equipas como o Dínamo de Kiev ou o Bruges.

 

Quanto ao Sporting-Dortmund, por muita que seja a conversa dos últimos dias, é um jogo em que o favorito continua a ser o Dortmund. O Sporting tem a obrigação de fazer um bom jogo. Já o Benfica e o Porto têm a obrigação de ganhar.


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16 Out 16
Aguarela de Portugal
Pedro Oliveira

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Foi, precisamente, numa das zonas mais conhecidas (e mais bonitas) do país que o Dortmund decidiu ficar, entre a Torre de Belém e os Jerónimos.

Oxalá apreciem as vistas porque, provavelmente, da noite de terça-feira não ficarão com boas recordações.


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25 Ago 16

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Parece que ninguém acertou na previsão. Foi um sorteio à Sporting. Sem a sorte dos nossos rivais, mas nada é impossível, estamos cá sempre para lutar e certamente vamos dar uma óptima réplica.

Vai ser bonito ver o melhor jogador português de todos os tempos regressar à casa que o formou. Venham de lá esses jogos.


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12 Dez 13

O facto de o Sporting não estar, nesta época, envolvido nas competições europeias não será motivo para que não se traga para aqui curiosidades desta alta competição futebolística. Até porque a Liga dos Campeões não se resume à eliminação do FC Porto e do Benfica. Pela força das circunstâncias, vejo a prova sob a perspetiva germânica e a última jornada da fase de grupos foi, por aqui, igualmente pródiga em surpresas e emoções fortes.

 

O caso mais curioso e emocional terá sido o do Borussia Dortmund que, em perigo de passar à Liga Europa, acabou em primeiro lugar do seu grupo! Antes do jogo de ontem, o líder isolado do grupo F era o Arsenal, com 12 pontos. Dortmund e Nápoles tinham 9 pontos, o Marselha 0. Embora o Dortmund fosse jogar com o último classificado, fazia-o fora, enquanto o Nápoles jogava em casa, e receava-se o pior. Com razão! O Marselha aguentou o 1:1 quase até ao fim, apesar de se ver reduzido a 10 jogadores a partir do 34º minuto. Não tivesse Großkreutz, aos 87 minutos, acertado na baliza à guarda dos marselheses, um verdadeiro golden goal, que baralhou totalmente a classificação do grupo. O Nápoles viu-se atirado para a Liga Europa, apesar da vitória sobre o Arsenal por 2:0, igualando em pontos (12) as equipas inglesa e alemã.

 

O Nápoles, com quatro vitórias, é o clube que mais pontos leva para a Liga Europa. Já o FC Viktoria Pilsen, da República Checa, conseguiu o mesmo efeito, apesar de ter perdido cinco jogos e apresentar uma relação catastrófica de golos marcados/sofridos - 6:17! A vitória que lhe valeu a passagem à Liga Europa foi obtida precisamente no último jogo, contra o seu adversário direto, o ZSKA de Moscovo.

 

Do grupo da equipa checa (D) fazia também parte o Bayern de Munique, comandado por Guardiola, que surpreendentemente perdeu em casa com o Manchester City (2:3). Mas foi um jogo para cumprir calendário. Ambas as equipas seguem em frente e a liderança do grupo manteve-se nas mãos dos alemães.


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24 Abr 13
O «milagre»
Jose Manuel Barroso

BVB Dortmund: formação própria, recrutamento interno e em mercados baratos, dos quais se tem total informação (Nuno Félix, no FB).


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17 Abr 13

 

Há já algum tempo que ando a marinar um post sobre um assunto sobre o qual me parece oportuno reflectir: o paralelismo entre a situação actual do Sporting e a situação por que passou o Borussia Dortmund há uns anos. Sim, para quem não sabe, um dos clubes europeus mais atractivos, entusiasmantes e bem sucedidos do momento, viveu uma situação muito semelhante à do nosso clube há muito pouco tempo. Fruto de uma gestão incompetente, recheada de decisões de elevado risco que comprometeram o seu futuro, o clube alemão mergulhou numa profunda crise financeira e desportiva que o fez chegar perto da insolvência e da descida de divisão. Mas foi no momento em que a morte parecia inevitável que o Dortmund mudou de rumo e assumiu uma nova estratégia, alicerçada em pressupostos diferentes dos que o levaram à crise, e alcançou o sucesso.

 

Melhor do que terminar o texto que estava a preparar, será indicar-vos a leitura de dois outros textos a que cheguei através do forumscp.com, e da reflexão que o Alexandre Poço deixou aqui no 'És a Nossa Fé' há uns meses, que explicam o renascimento do Borussia Dortmund de forma simples mas elucidativa. Naturalmente que há diferenças substanciais entre o Sporting e o Dortmund, bem como entre o futebol português e o alemão. Mas há paralelismos evidentes entre ambas as situações que, creio, aconselham o Sporting a seguir uma receita semelhante.

 

A ler: 

 

El Borussia, un club para el pueblo
Por Cayetano Ros, no jornal El País

 

Afinal, a cor da esperança é… amarelo!
Por Gonçalo Nascimento Rodrigues, em Sporting - Geração de Campeões

 

Inquietações domingueiras
Por Alexandre Poço, no És a Nossa Fé



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