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És a nossa Fé!

Da necessidade de pôr fim a isto

Não faz o menor sentido haver um clube desportivo em Portugal autorizado pela Liga a transmitir e difundir em exclusivo as imagens dos jogos que realiza em casa. Isto possibilita que este clube seleccione as imagens que muito bem entenda para servirem de base à discussão dos lances mais polémicos.

Este escândalo, inaceitával a vários títulos, vai repetir-se já este sábado, com a exibição televisiva do decisivo jogo Benfica-FC Porto no canal do clube encarnado, sem recurso a outros meios de transmissão.

Deve ser posto fim a esta situação de excepção, que concede ao Benfica um estatuto privilegiado de que mais nenhum outro clube nacional usufrui. Em nome da transparência competitiva e pelo combate sem tréguas à mentira no futebol português. Espero que este seja um dos temas a abordar na entrevista que Bruno de Carvalho vai conceder esta noite à TVI.

Será que o acordo do Benfica com a NOS foi mesmo um bom acordo?

"No dia 16 de dezembro de 1990, cinco homens combinaram um jantar secreto numa torre de escritórios de Londres: ninguém, para além deles próprios, sabia daquele encontro.
Não eram uns homens quaisquer, eram os presidentes dos cinco maiores clubes de Inglaterra: Manchester United, Liverpool, Arsenal, Everton e Tottenham.
 
O futebol inglês arrastava-se, por esses dias, na parte cinzenta da vida.
A tragédia de Hillsborough que matou noventa pessoas acontecera há um ano, o hooliganismo enchia o futebol de violência e os melhores jogadores fugiam do país: nomes como Lineker, Gascoigne, Paul Ince, David Platt ou Glenn Hoddle.
 
A liga inglesa chamava-se Football League, era composta por 92 clubes e andava há dez anos num clima de guerra permanente com a Federação Inglesa.
Por isso aqueles homens reuniram-se naquele dia com uma ideia clara: lançar as bases do que viria a ser a melhor liga do mundo. Uma liga exclusiva, elitista, rica e espetacular, formada apenas pelos dezoito clubes da primeira divisão.
 
Chamaram-lhe Premier League.
Queriam estádios mais modernos, queriam um ambiente mais saudável nas bancadas, queriam os melhores jogadores, queriam enfim um melhor futebol e, sobretudo, um espetáculo melhor: um espetáculo distinto.
 
Para tornar este sonho possível, tinham um plano. Chamava-se direitos de transmissão televisiva.
Por isso naquele dia 16 de dezembro de 1990 não estavam sozinhos no jantar, convidaram um diretor sénior da ITV a quem fizeram uma pergunta: estarias na disposição de comprar os direitos de transmissão de uma liga destas?
A resposta foi positiva e dois anos depois arrancou a Premier League.
 
Claro que o caminho não foi simples, nunca é fácil fazer a mudança: a Football League, por exemplo, opôs-se obviamente à ideia, disse que era ilegal, ameaçou ir para os tribunais. Vários clubes começaram também por dizer não e, admitiriam mais tarde, só a proposta da ITV os faria perceber que valia a pena mudar.
 
O certo é que à boleia da centralização, e de uma distribuição mais justa, dos direitos televisivos, a Premier League arrancou mesmo em 1992. A partir daí, ano após ano, temporada depois de temporada, foi crescendo, foi valorizando, foi enriquecendo.
 
Por estes dias conseguiu renegociar os direitos para três temporadas por sete mil milhões de euros e distribui a um clube que desce de divisão 90 milhões de euros por ano.
 
Hoje, acho que é pacífico dizê-lo, é a liga mais rica, mais bela e mais sedutora do mundo.


 
Ora vem esta conversa a propósito da venda dos direitos de transmissão dos jogos do Benfica por 40 milhões de euros, ao longo de dez anos: 400 milhões no total.
É sem dúvida um acordo histórico e notável. Bateu recordes, e isso diz tudo.
 
Não é, no entanto, um bom acordo. Desculpem-me mas não é. O que este acordo significa é que o Benfica vai ter mais dinheiro do que tem hoje, vai ter anualmente mais doze milhões de euros - de acordo com o relatório e contas -, mas significa também que vai continuar a jogar numa liga pobre, monótona e infeliz.
Uma liga de enormes assimetrias, cheia de adversários defensivos e espetáculos aborrecidos. Com estádios modestos, jogadores medíocres e bancadas vazias.
 
O Benfica vai enfim continuar a fazer parte de um produto pobre: o futebol português.
 
A ideia já foi referida várias vezes, mas vale a pena repeti-la as vezes que forem necessárias: a centralização dos direitos televisivos permite uma melhor distribuição do dinheiro, permite fazer crescer os clubes mais pequenos e no fim fazer crescer a liga.
Os clubes teriam mais recursos financeiros, até porque o todo é mais do que a soma das partes, mas sobretudo os clubes pequenos teriam mais recursos. Com isso poderiam construir equipas melhores, jogar um futebol melhor e ter mais público nos estádios.
O futebol português seria melhor enquanto produto, os direitos televisivos valeriam mais e todos os clubes ficariam a ganhar: os grandes continuariam a ser muito maiores do que os outros e os pequenos seriam menos pequenos do que são agora.
 
Não seria uma mudança fácil, claro que não, se não o foi em Inglaterra não o seria num país que respondeu não aos dois referendos vinculativos. Mas o que o Benfica fez foi garantir que provavelmente nos próximos dez anos não é possível fazer esse caminho: não tinha sentido tentar fazê-lo sem o maior clube português.
 
O Benfica assinou um acordo em que admite ter um produto que vale menos de metade do que vale o Burnley na II Liga inglesa: exatamente 40 contra 92 milhões de euros.
 
Não se quer com isto comparar o valor do mercado inglês com o do mercado português: isso era um absurdo. Quer-se, isso sim, dizer que o modelo inglês é um exemplo, e que os clubes portugueses não poderão dar um salto verdadeiramente impressionante enquanto o próprio campeonato não o der.
 
Por isso vale a pena voltar ao início para dizer que pode parecer que foi noutra vida, mas não: foi apenas há vinte anos que a liga inglesa caminhava no lado cinzento da vida.
 
Que é onde desconfio que vai andar a liga portuguesa nos próximos dez anos."
 
«Box-to-box» é um espaço de opinião de Sérgio Pereira, jornalista do (e publicado no) Maisfutebol, que se transcreve aqui na íntegra, com a devida vénia.

Os sublinhados são meus.

O crédito da imagem suponho que seja do "Maisfutebol", uma vez que não está identificado o autor no artigo original.

Uma reflexão urgente

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«O Rio Ave introduziu a bola na baliza [benfiquista]. O jogador que fez o remate até pode estar uns centímetros à frente da bola, e do penúltimo defesa do Benfica. O que parece óbvio é que o bandeirinha assinalou o fora-de-jogo por convicção. Pode ter acertado, mas foi um momento de roleta.

Neste lance, uma dúvida profunda reavivou-se: deve uma das partes da peleja futebolística ter na sua mão o poder de selecção das imagens do jogo em que participa? Da decisão de repetições das jogadas em movimento lento? Da produção das linhas virtuais para avaliar os fora-de-jogo? Em caso de conflito de interesses - o de servir os telespectadores com objectividade; e o de defender as cores do clube - qual naturalmente irá prevalecer na decisão das equipas de realização da Benfica TV? Na era das imagens, que podem inclusive servir de prova na justiça desportiva, a realização de um jogo de futebol deveria dar garantias de independência e equidistância, que o canal de um clube não pode assegurar.»

Octávio Ribeiro, no Record de ontem

Os nossos comentadores merecem ser citados

«A questão da pressão psicológica sobre o William não me parece que o tenha afectado, por mérito dele que é basicamente um monstro. O que achei verdadeiramente nojento foi ver o jogo na Benfica TV, com os comentários surreais daquela gente, e com a questão final do flash interview quanto à saída do William, e quanto à pressão psicológica em relação ao Marco, armando-se em jornalistas quando em relação quer ao treinador quer ao jogador do Benfica foram servis e nada perguntaram.»

PPS, neste meu texto

Cuidados Intensivos (4)

 

 

Há coisas espantosas. Informava-nos ontem a Bola que Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD do Benfica, denunciou a pressão que terá sido exercida sobre clubes promovidos esta época à Liga 2 para não se vincularem ao canal de televisão das águias. Tendo em conta que esses clubes são capazes de vir rapidamente a competir com o Benfica, que os contratos podem ter a duração de três anos e que devem ser para continuar - a exemplo daquele  que, segundo o próprio Soares de Oliveira, foi celebrado com o Farense - depressa a transparência e o rigor informativo de concebíveis transmissões televisivas de alguns jogos da 1ª Liga ficariam, não fosse essa pressão benfazeja, envoltos numa espessíssima neblina, a obscurecer, como é óbvio, a fidedignidade desportiva do campeonato.

 

A utilização pela Bola do verbo denunciar é a manifestação de um qualquer delírio mais ou menos doentio ou, como é bem provável, um sintoma, mais um, de  profunda ignorância. É como se a Bola nos dissesse que um administrador da SAD do Benfica tinha vindo denunciar as pressões exercidas sobre João Capela para que este fizesse uma arbitragem isenta.

Pagar para ver

 

A exploração de um canal temático de televisão contém riscos e potencialidades que exigem uma gestão muito profissional, mais a mais no âmbito da indústria do futebol, tema que como sabemos “comove” milhões de adeptos e move milhões de euros.
No que diz respeito a um canal explorado por um clube “a solo” concorrendo no mercado da televisão em regime de “pagar para ver”, por muitos e bons conteúdos que se contratualize em exclusividade, os seus riscos aumentam exponencialmente, porque o sucesso estará sempre restrito ao número dos seus apoiantes com entusiasmo e meios para o subscrever. Nesse sentido, o êxito da empresa será sempre refém do sucesso desportivo do emblema. Ou seja, a somar aos exigentes desafios duma boa gestão operacional e comercial, o projecto arrisca-se a ser comprometido por uma bola no poste, um fora de jogo mal assinalado ou a má forma de um atleta. Se a vertigem da sorte é a alma de qualquer jogo, essa característica pode ser mortífera para um projecto empresarial. Também por isto temo que o Canal Benfica resulte num mau negócio. 

 

Publicado originalmente aqui.

Benfica TV

O negócio da Benfica TV, ao adquirir o exclusivo da transmissão televisiva dos jogos do Benfica no campeonato da 1ª Liga, permanece envolto, sem que pareça existir, da parte de quem quer que seja, a mais pequena intenção de o dissipar, num conjunto muito vasto de dúvidas, perplexidades e confusões, que, de vários pontos de vista, do ético ao jurídico, do económico ao desportivo, só ganharia em ser devidamente esclarecido. A maior parte, se não mesmo a totalidade, das questões que  passo a enunciar foi já aflorada nalguns comentários mais ou menos exaustivos publicados na imprensa, generalista e desportiva, mas penso que só temos a ganhar se forem feitas mais algumas reflexões em redor deste assunto:

 

1. Grande parte das opiniões que tenho lido e ouvido congratula-se, pelo menos, com o que considera ser o fim de um monopólio. Não obstante a minha convicção de que em quase todos os sectores da nossa vida em comum, a que a televisão não escapa, a sociedade, os cidadãos e os diversos agentes económicos só retiram vantagens de um ambiente competitivo, pergunto-me se, realmente, na presente situação, estamos perante o tipo de concorrência que todos, ou quase todos, desejamos. Devo dizer que, do ponto de vista técnico-jurídico, esta matéria me é totalmente estranha e me parece envolta numa complexidade que não me considero, assim de repente, capaz de desenredar. Reconhecendo, portanto, já que ninguém parece ter levantado a questão, que o regime jurídico que disciplina a matéria não tem, desde há longos anos e quanto ao que aqui me traz, sido vítima de evidentes atropelos, não deixo, enquanto cidadão, de pensar sobre o  conceito de concorrência que subjaz a todo este negócio e a esta partilha de audiências. Não sendo eu especialista nesta matéria, repito, tão complexa, do ponto de vista técnico-jurídico, que apenas me permito exprimir-me com fundamento em reflexões pessoais destituídas de qualquer pretensão científica, parece-me que, doravante, a situação não divergirá muito daquela que tínhamos até agora. Ou seja, em termos práticos, a SportTV vai continuar a ter o monopólio da transmissão do campeonato da 1ª Liga, com excepção da dos jogos do Benfica em casa, da de mais uma série de campeonatos de vários  países, da NBA, da Nascar, da NFL e por aí fora e a Benfica TV vai ter, pelo menos, o monopólio da transmissão dos jogos do Benfica em casa e dos do campeonato da 1ª Liga inglesa. O que é que, de facto, muda para o consumidor? Se há mudança é para pior e, ironicamente, ainda mais, como é óbvio, para os adeptos benfiquistas. Mas não só. Imagine-se uma família em que haja benfiquistas e sportinguistas ou benfiquistas e portistas ou qualquer outra combinação em que estejam presentes apaniguados dos nossos vizinhos e rivais. O problema só se resolverá, assim haja capacidade financeira para tanto, com a subscrição de dois canais desportivos. 

 

A questão, do ponto de vista dos cidadãos consumidores, só encontraria solução se o regime jurídico aplicável, em matéria de concorrência, impedisse que qualquer serviço de programas pudesse adquirir o exclusivo da transmissão dos campeonatos e desportos que fornece ao público. Imagine o leitor que, ainda por cima, a ZON negociava a distribuição em exclusivo da SportTV e que a MEO fazia o mesmo relativamente à Benfica TV. Em que ficávamos? Para ter acesso à programação da SportTV e da Benfica TV, o público interessado, no essencial os benfiquistas, teria necessidade, também, de contratar os serviços de dois operadores de distribuição? É possível, é essa a minha opinião, que uma concorrência como a acima delineada, ou seja com a possibilidade de negociação da transmissão dos jogos por todos os canais interessados, sem admissibilidade de  contratação de exclusivos, se tivesse viabilidade jurídica, o que, aparentemente, não acontece, acabasse por ferir  gravemente liberdades económicas muito mais relevantes do que o interesse do público - trata-se de mero interesse do público e não de interesse público -  em assistir a todo e qualquer jogo de futebol, por importante que este seja. O que, em todo o caso, não percebo é a satisfação de tantos com o fim de um monopólio, quando a alternativa não traz vantagens a nenhum consumidor do produto televisivo. Pode trazer vantagens para o Benfica, isso é óbvio e legítimo. Mas, para os consumidores do futebol televisionado? Como? Só se puséssemos a hipótese inverosímil de a dimensão do número de assinantes da BenficaTV ser de tal monta que fizesse baixar o preço da SportTV até um nível que colocasse as duas subscrições, em conjunto, no valor actualmente cobrado por esta última. Alguém acredita nisto?

 

2. Outra questão importantíssima prende-se, como tem sido amiúde apontado em variadíssimos comentários, com a fidedignidade a atribuir à escolha das imagens e à sua montagem. Para além de todas as especulações que possamos fazer, e é lícito que as façamos, sobre a capacidade das televisões para influenciarem o curso dos campeonatos, as condições psicológicas das equipas, as opções dos treinadores e muito mais que queiramos imaginar, estará sempre presente a possibilidade de a Benfica TV ter de testemunhar sobre actos que, directa ou indirectamente, digam respeito aos interesses do clube. Estou obviamente a referir-me àquelas situações em que as imagens servem de prova para determinados efeitos, disciplinares, por exemplo. Sem querer pôr em causa a honradez dos jornalistas e demais profissionais chamados a exercer funções neste canal, a verdade é que muito dificilmente estaremos dispostos a aceitar, em circunstâncias idênticas, o testemunho de partes interessadas. Algum leitor tomará como bom o testemunho, sem possibilidades de contraditório, como é o caso das transmissões de que falamos, do outro envolvido num acidente de viação, mesmo que este lhe mereça toda a consideração pessoal? Não quero com isto dizer que as imagens da SportTV ou de qualquer outro canal devam ser, sem mais, encaradas como uma escritura. Mas, em todo o caso, são muito mais passíveis de escrutínio e qualquer manipulação será incomparavelmente mais difícil do que num qualquer canal dominado, ainda que inconscientemente, pela fé clubística.

 

A acrescer a isto e independentemente da confiança que tenhamos nas qualidades morais e deontológicas dos jornalistas e restantes trabalhadores envolvidos nas transmissões, não posso deixar de me inquietar, quanto aos primeiros, com uma marca extravagante do seu comportamento habitual, quando estão em causa equipas portuguesas ou a selecção nacional em confronto com equipas ou selecções estrangeiras: consideram-se desobrigados do mais elementar respeito pelos deveres fixados no Estatuto do Jornalista, abandonando desassombradamente quaisquer preocupações com o rigor, a isenção, a independência e outros valores fundamentais da actividade, que, todos em conjunto, fazem da sua profissão um pilar essencial e inescapável de qualquer sociedade moderna, livre e democrática. Ainda não há muito tempo, assisti à escabrosa transmissão, já não sei de que canal, de um dos jogos das meias-finais da Liga dos Campeões (Champions, para os poliglotas e novos-ricos), entre o Real Madrid e o Borussia Dortmund. A barbaridade, pela parcialidade e entusiasmo madridista, era tal que um ou o, já não sei, jornalista responsável pelos comentários se viu obrigado a esclarecer, consciente da falta de vergonha do seu desempenho, que essa atitude devia ser entendida como natural, atendendo à profusão de treinadores e futebolistas portugueses em jogo. Quer dizer, para este jornalista, o facto de se tratar de equipas portuguesas contra estrangeiras justificaria plenamente, por maioria de razão, o desprezo despreocupado e isento de remorsos pelos deveres a que acima fiz referência. Tendo em conta tal tipo de desprendimento deontológico, não nos será lícito recear a interpretação que os jornalistas, ainda que de boa-fé, venham a fazer dos seus deveres profissionais, face à relação contratual com a entidade empregadora, a BenficaTV?

 

3. Outro aspecto que não pode deixar de ser tido em conta é o da relação que vai estabelecer-se entre o Benfica e os clubes, se é que vai haver algum, mas isso é sempre possível, que venham a celebrar contratos para a transmissão dos jogos com a Benfica TV. A situação é tão gritante, quanto às suspeições que podem ser levantadas, mesmo que sem razão, que dispensa bem argumentação mais cuidada. Para avaliar o clima que é possível vir a estabelecer-se em determinadas circunstâncias, cuja previsão nem sequer exige grande esforço imaginativo, pense-se no cortejo de acusações, suspeitas, insinuações e mais armas da retórica guerreira do futebol português que aparecem, quase diariamente, como corolário de acontecimentos, palavras ou actos aparentemente muito mais benignos.

 

4. Por último, vou referir-me a um assunto que considero extremamente importante e que me parece justificar, na devida altura, um post autónomo. Falo da controvérsia em torno da negociação global ou individualizada dos contratos para a transmissão dos jogos do campeonato. Sei que se trata de questão muitíssimo polémica, que justifica uma discussão aprofundada, mas, aproveitando o pretexto destas reflexões sobre a Benfica TV, vou expondo, sem fundamentalismos, o meu entendimento quanto à matéria: atendendo  ao peso que a televisão assume na vida financeira dos clubes, o essencial das decisões não deve ser deixado à capacidade negocial de cada um, sob pena de se acentuar, cada vez mais, uma desigualdade impeditiva de uma verdadeira competição. Se queremos um campeonato fortalecido e a elevação do nível do futebol português, penso que a regulamentação de todos os seus aspectos  deve procurar um equilíbrio, desde logo financeiro, que, de resto, contribuirá, pelo menos, para dar muito mais significado e brilho às vitórias. Veja-se, por exemplo, o caso dos desportos mais notoriamente típicos dos Estados Unidos da América, em que as preocupações com esse equilíbrio são de tal monta, que, muitas vezes, estou a pensar na NBA, somos levados a suspeitar de que há equipas que, perdidas por cem, perdidas por mil,  preferem uma classificação tão má quanto possível, por forma a serem as maiores beneficiárias dos critérios de escolha de jogadores para os anos seguintes. Não partilho estes exageros, mas tenho a certeza de que, se fosse Mike Tyson, não ficaria contente por dar sovas sobre sovas em meninas de 45 Kgs. E, mesmo que ficasse, duvido que tirasse daí grandes dividendos e que merecesse o respeito de grandes massas de adeptos.

 

Que o Benfica não se preocupe com estas questões ou não dê conhecimento público das suas inquietações, parece razoável. Defende os seus interesses e, como é de desejar, não somos obrigados a pensar todos da mesma maneira. Mas, o resto? Com uma ou outra excepção, não têm sido ouvidas grandes posições sobre esta matéria. Porquê?

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