11 Jun 17

Nada mau, para dia de descanso. Bicampeões em Judo (masculino), mais 10 títulos nos campeonato de Portugal de atletismo em pista (ontem já tinham sido 15), com destaque para o 10° título consecutivo para Patrícia Mamona no triplo salto, na Ginástica com Diogo Ganchinho em trampolim e Inês Martins no duplo mini trampolim e no Ténis de Mesa com 2 campeões nacionais em iniciados e juniores, respectivamente Tiago Abiodum e José Pedro Francisco.

E o ano desportivo ainda não terminou. Ainda há muito para ganhar, desde o hóquei em patins (formação) ao futsal, passando pelo futebol, as juniores femininas e os juvenis e o de praia. Pelo menos.

E dia 21 é inaugurado o Pavilhão João Rocha, pelo que na próxima época desportiva já jogamos em casa em muitas modalidades. 

A este propósito é devido o reconhecimento à iniciativa e empenho da direção do Sporting na concretização deste sonho dos sportinguistas, e aos milhares de sócios que contribuíram na Missão Pavilhão e que, merecidamente, irão ver os seus nomes gravados nesta casa das modalidades do Sporting Clube de Portugal.

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23 Abr 17

Cada país tem o jornalismo que merece.

Cada jornal, também, tem o público que merece.

Para o Público: A portuguesa Jéssica Augusto venceu neste domingo a maratona de Hamburgo, a atleta lusa correu a distância em 2m25m30s... esta atleta luso-portuguesa estará inscrita em algum clube?

Parece que sim, o Jogo parece que sabe qual o clube de Jéssica.

Parabéns, campeã.


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09 Abr 17

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19 Mar 17

... Eis aqui 30 segundos da homenagem que Alvalade prestou ontem ao campeão europeu de Pista Coberta, Nélson Évora e à vice-campeã, Patrícia Mamona, ambos na especialidade de Triplo Salto.

Um momento de grande fervor clubista.

Porque não é só de futebol que vive o Sporting.

 


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14 Mar 17

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12 Mar 17

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11 Mar 17

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10 Mar 17

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09 Mar 17

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08 Mar 17

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07 Mar 17

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06 Jan 17
Leoas às sextas
Pedro Correia

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JÉSSICA AUGUSTO

Protagonista do último triunfo leonino em 2016 ao vencer a tradicional corrida de São Silvestre em Lisboa


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29 Ago 16

Concentrado e de poucas palavras todos o tratávamos por Sr. Júlio. Com Pedro de Almeida (que só voltaria de Angola depois do 25 de Abril), Manuel de Oliveira, Valentim Baptista e Lídia Faria eram pouco menos que semi-deuses entre nós, uns chavalitos.

Isto numa era mesosóica, anterior ao Fosbury flop.

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01 Ago 16

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 Mário Moniz Pereira com Carlos Lopes em Janeiro de 1976: seis meses depois, o segundo conquistaria a primeira medalha olímpica de atletismo para Portugal

 

Mário Moniz Pereira foi um dos raros portugueses de excepção que tiveram o privilégio de ser homenageados várias vezes em vida: Medalha de Mérito Desportivo, Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Comenda da Ordem da Instrução Pública, Medalha de Mérito em Ouro, Ordem Olímpica, Leão de Ouro com Palma, Grande Oficial da Ordem do Infante. Ao contrário do que é costume nas sociedades latinas em geral e na portuguesa em particular, mais dadas à veneração dos mortos.

Nós próprios, à nossa modesta escala, várias vezes o mencionámos no És a Nossa Fé e nunca deixámos passar, por exemplo, um seu aniversário sem a devida e merecida menção. Basta clicar na etiqueta moniz pereira para confirmar isso.

 

Foi também o melhor representante da cultura leonina, pelo ecletismo de que sempre deu provas no seu  percurso pessoal enquanto praticante de ginástica, futebol, andebol, basquetebol, ténis, ténis de mesa, hóquei em patins, natação, tiro, equitação e esgrima.

Onde mais se distinguiu foi no voleibol, tendo sido duas vezes campeão nacional (1953/54 e 1955/56), a última também como treinador. E acima de tudo no atletismo, começando pelo título de campeão universitário de Portugal no triplo salto: aqui, como treinador e dirigente com o pelouro das modalidades, conquistou tudo quanto havia para conquistar: provas e campeonatos no plano nacional, europeu, mundial e olímpico. Com destaque para a primeira medalha de ouro portuguesa em Olimpíadas, obtida por Carlos Lopes em Los Angeles, na inesquecível madrugada de 13 de Agosto de 1984, quando nenhum português conseguiu dormir.

 

Mas na hora da despedida do Senhor Atletismo, ilustre sócio n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, conclui-se com tristeza que faltou a homenagem que ele mais desejaria: o regresso da pista de atletismo ao estádio do nosso clube.

Pista que o pioneiro Estádio José Alvalade orgulhosamente possuía e foi utilizada por milhares de atletas - em benefício da instituição leonina e do desporto português. Pista que a partir de 1979 passou a ser de tartan, por insistente reivindicação de Moniz Pereira, no rescaldo da medalha de prata obtida na prova dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal por Carlos Lopes, o mais brilhante dos seus pupilos. Pista que se perdeu em 2003: o projecto encomendado a Tomás Taveira - só virado para o futebol, esquecendo o ecletismo que é marca distintiva do Sporting - não a contemplava. Nem foi possível reparar o erro, apesar de o custo final do novo estádio ter excedido em 75% o montante inicialmente estipulado.

De todas as homenagens, esta teria sido a que ele preferiria. Foi a única que ficou por concretizar.


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29 Mai 16

Enquanto uns vão discutindo o que quer dizer ser a maior potência desportiva nacional, continuam a chegar a Alvalade títulos europeus nas modalidades.


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23 Jun 15

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Não sei se a imagem ficou muito perceptível, mas a ideia é conseguirmos ler ali em cima: "ascensão meteórica".

Ok, conseguimos ler, verdade?

Qual o contexto da coisa?

É aqui que me socorro da p. 32 (o meu número preferido da NBA, o número de Magic Johnson e de Kevin McHale) d' A Bola d' hoje; a frase: "Equipa feminina do Sporting protagonista de ascensão meteórica" está sobre a fotografia mas o título da notícia diz: "Leoas dão salto enorme até à Liga".

Pergunto, António Barros (que assina a coisa) saberá o que significa "ascensão"?

Saberá o que significa "meteórica"?

Ascensão = Acto ou efeito de ascender. = ASCENSO, ELEVAÇÃO, SUBIDA

2. [Figurado]  Estado do que está a subir ou a elevar-se.

3. Passagem a posição ou cargo superior. = PROMOÇÃO

"ascensão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/ascens%C3%A3o [consultado em 23-06-2015].

 Meteórica=relativo a meteoro=

1. [Astronomia]  Fenómeno atmosférico, em geral (ex.: uma chuva, uma aurora boreal, um arco-íris ou um relâmpago são meteoros).

2. [Astronomia]  Fenómeno luminoso provocado pela deslocação de um corpúsculo sólido, quase sempre de pequenas dimensões, tornado incandescente em consequência da fricção nas camadas atmosféricas. = ESTRELA-CADENTE

3. [Figurado]  Pessoa ou coisa que goza de esplendor passageiro.

"meteoro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/meteoro [consultado em 23-06-2015].
Pronto.
Esta parte técnica é aborrecida mas temos um ponto de partida para debater.
Ascensão e salto são sinónimos, significam subir.
Meteórica significa (salvo melhor interpretação) descer.
Assim, aquilo que A Bola tenta menorizar é um feito brilhante que permitiu às nossas leoas e ao leão Luís Abreu (o treinador) passar da II divisão até à Liga Feminina em, apenas, três anos... tipo o Mafra; estar na Primeira Liga de futebol daqui a duas épocas; é dum feito desse tipo que estamos a falar.
Para A Bola, subiram rápido mas gozam de esplendor passageiro...
É aqui que me socorro do "The Marcian" de Andy Weir e indo, directamente, para a página 366, leio o seguinte:
"Por isso agora em órbitra, Watney tinha uma vista desimpedida de Marte. A superfície do planeta, vermelha e salpicada de crateras parecia estender-se a perder de vista (...) Vai-te foder - disse ele ao planeta vermelho lá em baixo."
Poderia acabar aqui mas o objectivo deste "post" não é puxar as orelhas a um jornalista anglófono, não é publicitar um livro americano; é sim dar os parabéns às nossas meninas e ao nosso "menino", é dar alguma visibilidade a uma modalidade que, também, contribui para sermos o que somos: o Sporting Clube de Portugal; um clube que com Esforço, Dedicação e Devoção conquista a Glória.
 

 


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16 Jun 15
Grandes leoas
Pedro Correia

O atletismo feminino no Sporting soma e segue. Depois da conquista do título de campeãs nacionais em pista coberta, pela 20ª vez consecutiva, as nossas leoas venceram o título nacional de clubes ao ar livre.

Com destaque para as seguintes atletas:

Dorcas Bazolo - Primeiro lugar nos 100m e nos 200m.

Cátia Azevedo - Primeiro lugar nos 400m.

Joana Costa - Primeiro lugar nos 1500m.

Sara Moreira - Primeiro lugar nos 3000m e nos 5000m.

Vera Santos - Primeiro lugar nos 3000m marcha.

Anabela Neto - Primeiro lugar no salto em altura.

Patrícia Mamona - Primeiro lugar no triplo salto.

Marta Onofre - Primeiro lugar no salto com vara.

Jessica Inchude - Primeiro lugar no lançamento do peso.

Irina Rodrigues - Primeiro lugar no lançamento do disco.

Sílvia Cruz - Primeiro lugar no lançamento do dardo.

Vânia Silva - Primeiro lugar no lançamento do martelo.


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03 Jun 15
Cada vez mais longe
Pedro Correia

O ecletismo leonino continua vivo e com saúde. Como ficou demonstrado com a subida do Sporting ao pódio na Taça dos Clubes Campeões Europeus em atletismo. Um terceiro lugar colectivo proporcionado sobretudo pelas vitórias de Sara Moreira nos 5000m e nos 3000m, de Patrícia Mamona no triplo salto e de Irina Rodrigues no lançamento do disco.

Leoas que estão de parabéns. São mais velozes e chegam cada vez mais longe.

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26 Mar 15

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09 Mar 15

 

Quis, justa e merecidamente, homenagear o nóvel campeão europeu do triplo salto indoor.

Desejava igualmente fazer o mesmo à atleta feminina na mesma disciplina, o que infelizmente não foi possível, apesar da boa prestação na final.

À parte os comentários que mandei para o lixo porque sim (e porque sim entenda-se impublicáveis), todos os restantes que foram publicados, com uma honrosa excepção, fizeram tábua rasa do desportivismo inerente ao post, focando-se em assunto que nada tem que ver com Nelson Évora. Escolhendo o acessório, em detrimento do essêncial.

 

Aprenderam todos com o mestre da táctica, certamente.


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08 Mar 15
Parabéns!
Edmundo Gonçalves

Parabéns a Nelson Évora pela brilhante conquista da medalha de ouro no triplo salto, nos europeus de pista coberta.

Estou é um pouco "estranho" com o facto de um atleta poder concorrer pelo seu clube a uma prova de selecções, ou onde os atletas concorrem em representação dos seus países.

É que para alguma comunicação social Nelson Évora concorreu como atleta do Benfica, ao contrário de Patrícia Mamona, atleta do Sporting e na mesma disciplina, já que de um se refere o clube ("o atleta do Benfica conseguiu a medalha de ouro...") e a Patrícia é "a atleta portuguesa..." Tão mesquinhos, previdentes, facciosos, tendenciosos, asquerosos, ranhosos que eles são. Todos!

 

Ainda assim, reitero os parabéns a Nelson Évora. Que repita! Portugal e os portugueses que amam o desporto agradecem. Com foto e tudo:

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09 Jan 15

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Sara Moreira "a responsabilidade de ganhar (agora) é maior".


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05 Nov 14
De verde e branco
Pedro Correia

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Foto Estela Silva/Lusa

 

Sara Moreira no regresso de Nova Iorque, após ter subido ao pódio na maratona.


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04 Nov 14
Dignidade
Diogo Agostinho

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Ai que o homem se zangou em público com a equipa. Ai, coitados dos jogadores que agora vão ficar assim e assado. Ai que o senhor lá do Norte, guru de toda a gestão eficiente do futebol ameaça jogadores, mas tudo em privado e no recato de um qualquer calor da noite. Ai ai. Que dores. Ai ai que as virgens do politicamente correcto ficaram assanhadas. Enfim. Perdemos feio e a mensagem foi clara. Como isto é para gente inteligente, percebe quem quer, quem não quer apanha o próximo comboio. Ou então que vá a correr. E por falar em correr, que grande dignidade mostrou a nossa leoa Sara Moreira em Nova Iorque. Um exemplo.


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03 Nov 14
Sara Moreira
Eduardo Hilário

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Sara Moreira, atleta do Sporting Clube de Portugal, terminou a maratona de Nova Iorque na terceira posição.

 

Quero desta forma agradecer à atleta por ter dignificado o clube e o seu país.

 

Saudações Leoninas


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22 Out 14

 

 

Enezenaide do Rosário da Vera Cruz Gomes, conhecida no mundo do desporto como Naide Gomes – ao que se conta, devido, por um lado, às dificuldades de pronunciar o nome e, por outro, ao facto de ele não caber nos marcadores electrónicos - é, sem margem para dúvidas, uma das maiores figuras da hIstória do Sporting Clube de Portugal. Qualquer vista de olhos, por mais distraída que seja, ao seu longo e riquíssimo currículo o confirmará, se é que alguém exige que tal juízo seja corroborado. Quantos atletas, mulheres ou homens, praticantes de atletismo ou de seja que actividade desportiva for, podem apresentar, nos anais do clube, um rol tão extenso de títulos,  vitórias em diversas disciplinas, recordes nacionais, medalhas, internacionalizações, participações em competições internacionais, em jogos olímpicos  e o mais que me estiver a escapar? Muito poucos, certamente.

 

 

A figura de Naide Gomes, no espaço do desporto português, resplandece de tal maneira que me considero dispensado de fazer  uma apresentação desenvolvida do seu palmarés. Mesmo uma enumeração sumariada dos seus triunfos, medalhas e recordes seria demasiado longa para um texto deste tipo, pelo que, como tem sido hábito, remeto os mais interessados para sites especializados na matéria, como este, por exemplo.

 

 

Naide Gomes nasceu em S.Tomé, em representação de cuja selecção esteve presente, entre outras competições, nos Jogos Olímpicos de Sidney, nos Jogos Pan-Africanos, em Joanesburgo, e nos Campeonatos da África Central, nos Camarões, em que ganhou cinco medalhas. Tinha onze anos quando saiu de S.Tomé e já estava perto de fazer dezoito, ainda júnior, portanto, quando veio para o Sporting, onde começou a ser treinada por Abreu Matos. Só relativamente tarde optou definitivamente pelo salto em comprimento, prova que viria a celebrizá-la e na qual obteve os mais importantes triunfos da carreira, não tendo, no entanto, deixado os seus créditos por mãos alheias nalgumas outras disciplinas. Assim, foi, também, campeã nacional de salto em altura e dos 100m barreiras, tanto ao ar livre como em pista coberta. Começou pelas provas combinadas, onde obteve, igualmente, grandes êxitos, em Portugal e no estrangeiro, tendo sido campeã nacional de hepatlo. Em todas estas provas, Naide Gomes foi recordista nacional, ultrapassando marcas que, nalguns casos, já duravam há largos anos, tendo ainda, na companhia de Eva Vital, Sónia Tavares e Carla Tavares, as duas últimas também atletas do Sporting, batido, em 2009, o record nacional dos 4X100m. Mas, foi, de facto, principalmente no salto em comprimento que Naide adquiriu o direito a um lugar de eleição na história do Sporting Clube de Portugal. A partir de 2002, ganhou dezassete títulos nacionais desta disciplina, nove delas em pista coberta. Esta nossa grande atleta levou o máximo nacional até aos 7,12m, tendo-o batido, imagine-se, vinte e oito vezes ( 28, não é engano), catorze delas em pista coberta.

 

Em grandes provas internacionais, Naide Gomes, para abreviar e evitar um post gigantesco, obteve, ao ar livre, dois segundos lugares em campeonatos da Europa, em Gotemburgo, em 2006, e em Barcelona, em 2010, ambos no salto em comprimento, tendo sido quarta classificada no Mundial de Osaca, em 2007, e no de Berlim, em 2009, também no salto em comprimento. Em pista coberta as coisas correram melhor, Naide não foi perseguida pelo azar que a atormentou ao ar livre – nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, por exemplo, falhou a qualificação para a final do salto em comprimento, num ano em que atingira os 7,12m  e em que fora, em Valência, campeã mundial de pista coberta – tendo conseguido dois títulos mundiais, em Budapeste 2004, no pentatlo, e, como já disse, em Valência 2008, e dois europeus, em Madrid 2005 e Birmingham 2007,os últimos três no salto em comprimento. Igualmente nesta disciplina, Naide Gomes foi vice-campeã mundial, em pista coberta, em Moscovo 2006 e em Doha 2010, e segunda classificada no Europeu de Paris, em 2011. Refira-se, ainda, que no pentatlo, em pista coberta, Naide foi também vice-campeã europeia no campeonato de 2002, em Viena.

 

 

Mais longe poderíamos ir se quiséssemos descrever exaustivamente a carreira de Naide, nem mencionei, por exemplo, o facto de ela ter sido vice-campeã mundial universitária em Izmir 2005. Mas, para o efeito, parece-me que basta. Os dados que apresento são mais do que suficientes para a elevar, como me propus, a um lugar de honra na história do Sporting Clube de Portugal. Estou, como é óbvio, a partilhar um sentimento comum a muitos e muitos sportinguistas, como pode concluir-se do facto de ter merecido já 10 Prémios Stromp, um número quase inacreditável.

 

 

Termino hoje esta série de posts sobre  algumas grandes mulheres da vida do nosso clube, algumas mulheres que, permitam que repita o que disse no primeiro texto, dedicado a Lídia Faria, parece, às vezes, estarem a ser esquecidas e que, contudo, desempenharam um papel talvez decisivo  na consolidação e propagação do sportinguismo e contribuíram de forma extraordinária para que muitos e muitos portugueses transmitissem aos seus filhos estes sentimentos e esta cultura desportiva, esta vaidade de ter participado na construção e crescimento de um clube com milhões de adeptos a partir, já lá vão mais de cem anos, da iniciativa de um pequeno núcleo de fundadores.

 

Referi um pequeno número de figuras, tendo eu, certamente, cometido  injustiças com a exclusão de algumas outras. Haverá muitos nomes que poderia ter incluído na série, mas, como avisei no início, não pretendi mais do que mencionar os que me parecessem especialmente relevantes, aqueles que eu considerasse imprescindíveis em qualquer lista deste género. Atendendo à riqueza da história do Sporting, é certo que outros que se dediquem a esta tarefa terão escolhas diferentes, talvez muito diferentes, todas com tão boas razões como as que apresentei. O atletismo foi esmagadoramente representado nesta minha selecção, mas salientei, também, a ginástica e o ténis de mesa, desportos que, muito graças às desportistas cujas carreiras no Sporting me esforcei por pôr em evidência, contribuiram, de forma decisiva, para o ecletismo de que tanto nos orgulhamos. Aqui neste blogue ou em qualquer outro sítio, espero que apareçam outros nomes. Venham eles, que ideias e memórias de grandes cometimentos não hão-de faltar.

 


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26 Ago 14

 

 

Após uma breve incursão no ténis de mesa, na companhia de Madalena Gentil, regressemos ao atletismo e a um dos mais altissonantes nomes dos anais do Sporting Clube de Portugal e deste fabuloso desporto no nosso país:Teresa Machado. Não fora o esmagamento a que o futebol sujeita qualquer outra actividade desportiva em Portugal e escrever um texto sobre esta fantástica atleta seria bem mais exigente, já que obrigaria a um esforço suplementar de pesquisa e a um especial vigor da imaginação. Seria como escrever sobre Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Mário Coluna ou Eusébio, saber-se -ia  quase tudo sobre ela e eu seria forçado a procurar estes e aqueles detalhes mais incógnitos ou obscuros.

 

Assim, com a vida facilitada pelo desconhecimento geral de um nome que não está ligado ao futebol - não quero com isto dizer que o mal esteja radicado nos leitores com paciência para a leitura dos textos que tenho escrito para esta  série, ele está, antes, no clima criado, acima de tudo, pela imprensa desportiva, cujos critérios mercantilistas, muito mais do que quaisquer outros, se é que estes existem, trucidam implacavelmente tudo o que escape ao dia a dia em redor do sacrossanto e adorado esférico - basta-me fazer uma resenha dos triunfos e resultados obtidos por esta nossa inacreditável atleta para que qualquer interessado fique, como eu, imediatamente convencido da elementar justiça de a colocar entre as grandes figuras da história do Sporting Clube de Portugal.

 

Teresa Machado veio para o Sporting aos 17 anos de idade, em 1986, ano em que, representando o Galitos - centenário clube e relevantíssima instituição aveirense, em que vale a pena pôr os olhos - foi pela primeira vez campeã nacional de lançamento do disco. Até ao final da sua carreira, foi campeã nacional de peso e disco por cinquenta e três vezes (53!), dezasseis vezes no lançamento do disco, dezoito no do peso e dezanove no do peso em pista coberta. No decurso dos dezassete anos em que representou o Sporting, entre 1986 e 2003 - a excepção foi 1994, ano em que os muitos problemas financeiros que afectaram o clube a levaram a praticar o atletismo ao serviço da Junta de Freguesia de São Jacinto - Teresa Machado conquistou quarenta e quatro títulos nacionais. A lista  das suas vitórias, recordes nacionais e participações em competições internacionais não pode ser minimamente exaustiva num texto deste género. Aconselho, por isso, os mais interessados a recorrerem à WikiSporting, cuja involuntária ajuda muito agradeço, para se porem a par de um historial de tirar a respiração.

 

 

Sem, portanto, querer submeter-me e aos leitores a tarefa tão extenuante, recordo, apenas, que Teresa Machado, além da conquista dos campeonatos nacionais acima referidos, participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas,  em sete Campeonatos do Mundo, em três Campeonatos da Europa, em cinco Campeonatos Ibero-Americanos, em cinco Challenges e Taças da Europa de Lançamentos, em dezoito Taças da Europa (em Peso e Disco), num Campeonato do Mundo de Juniores e num Campeonato da Europa de Juniores. Tudo isto,é claro, sem falar de uma grande série de importantes eventos desportivos internacionais que, no currículo de qualquer atleta, serão mencionados com justificadíssimo alarde.

 

Se nos campeonatos Ibero-Americanos Teresa Machado nos brindou com excelentes vitórias, tendo ganho a medalha de ouro do lançamento de disco em 1990, em Manaus, a medalha de ouro, também do lançamento do disco, em 1994, em Mar del Plata, a medalha de ouro, ainda do lançamento do disco, em 1998, em Lisboa, e a medalha de bronze do lançamento do peso, igualmente em 1998, em Lisboa, já nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo pareceu, quase sempre, atingida por síndrome idêntica à que travou a, mesmo assim, extraordinária carreira internacional de outro dos maiores nomes da história do Sporting, o do inesquecível Fernando Mamede. Apesar desta limitação, Teresa Machado conseguiu um 10º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta e um 11º nos de Sidney, um 6º no Mundial de Atenas e um 10º no de Paris e, ainda, um 7º e um 9º lugares nos Europeus de Munique e Budapeste, respectivamente. Repare-se que estamos a falar dos lançamentos do disco e peso, provas de enorme dificuldade técnica que, muito mais do que hoje, levantavam grandes problemas aos atletas nacionais.

 

 

Se nos propusermos falar de recordes nacionais, salientemos, não nos preocupando com os tantos e tantos que Teresa Machado bateu ao longo da sua carreira e já passaram à história, os que ainda estão em vigor: peso, 17,18 m, em 1996; peso em pista coberta, 17,26 m, em 1998; disco, 65,40, em 1998; peso, sub 23, 16,46, em 1991; peso, juniores, 15,54, em 1988; peso em pista coberta, sub 23, 16,41, em 1990 e peso em pista coberta, juniores, 15,69, em 1988. Repito, trata-se de recordes que ainda perduram, como os mais desconfiados ou incrédulos podem verificar no site da Federação Portuguesa de Atletismo. Sublinho, já que estou a falar em recordes nacionais, que Teresa Machado também chegou a ter o do lançamento do martelo. Quase me esquecia de o mencionar, por aqui se vendo a importância que mais um ou outro máximo vem a ter na avaliação final da carreira da atleta.

 

A vida de Teresa Machado dava um filme. Os interessados podem vê-lo no site Atletismo Estatística, em que Manuel Arons de Carvalho desenha com brevidade a história desportiva da nossa grande atleta. Como conta este jornalista, em toda a sua carreira, aqui se incluindo os dezassete anos no Sporting, Teresa Machado manteve-se sempre em Aveiro, onde, inicialmente trabalhava numa fábrica de confecções, sem nunca deixar de ser orientada pelo seu primeiro e único treinador, Júlio Cirino. Chegou a treinar-se num jardim público, a tomar cuidado com os seus utentes, treinou-se num parque de estacionamento, com Júlio Cirino a dar-lhe orientações pela janela do seu escritório, e conseguiu, finalmente, que lhe cedessem um areal vedado, ao pé da lota do peixe da Gafanha da Nazaré.

 

 

Por motivos que desconheço, Teresa Machado, ao fim de dezassete anos no Sporting, acabou por ir parar aos Açores, onde, durante quatro anos, representou o Clube Operário Desportivo. No final da carreira, ainda esteve um ano no F.C. Porto, ao serviço do qual, já com quarenta anos, ainda foi a terceira melhor portuguesa no lançamento do disco.

 

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o que está reservado, na história do Sporting Clube de Portugal, para esta  excepcional desportista, que foi distinguida, entre outras honrarias, com dois Prémios Stromp, em 1988 e 1997. Um lugar dos mais altos, como é óbvio.


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12 Ago 14

 

Foi há 30 anos! Lembro-me tão bem!

Mas quase tão bom como a chegada de Carlos Lopes à meta foi a cerimónia de encerramento das Olimpíadas de Los Angeles 1984 se ter dado logo a seguir. O Estádio a rebentar pelas costuras, o mundo inteiro de olhos postos no ecrã televisivo, a esperar pelo espetáculo, a esperar por Lionel Ritchie. E, mesmo antes de ele começar a cantar, ouviu-se... o hino português! A nossa bandeira subia, Carlos Lopes no pódium com a medalha! Viva!


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14 Jul 14

 

Manuela Alves depois de Conceição, a sua gémea. Com um percurso no Sporting idêntico ao da irmã, Manuela Alves começou por se notabilizar quando, ainda no Desportivo de Lourenço Marques, foi, com a idade de quinze anos, campeã de Portugal dos 400 metros. Depois da vinda para  Lisboa, a atleta entrou para o Sporting, em representação do qual foi campeã de Portugal, por três anos consecutivos, entre 1975 e 1977, dos 400 metros e dos 400 metros barreiras. Saliente-se, igualmente, a sua participação nas vitórias do Sporting, entre os anos de 1974 e 1977, nos campeonatos nacionais das estafetas de 4X400 metros, quatro vezes consecutivas, portanto, e a sua inclusão numa equipa nacional que, em 1977, bateu o record nacional da especialidade, impondo-o por um período de oito anos.

 

 

Mudando de prova, refira-se que Manuela Alves venceu ainda, em representação do Sporting,  o campeonato nacional da estafeta de 4X100 metros, na temporada de 1977.

 

Manuela Alves acabou por não ter tido uma carreira com tantos títulos como a sua irmã, tendo sido uma atleta muito mais marcada pela especialização, nos 400 metros e 400 metros barreiras, como vimos. Ao longo dos anos em que representou o Sporting fez, de qualquer maneira, o suficiente, numa época de ouro do nosso atletismo feminino, para que a devamos considerar um nome a reter na história do clube.


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27 Jun 14

 

Conceição Alves, mais um nome gigante na história do Sporting e do atletismo português. Tal como as atletas a que foram dedicados os números anteriores desta série, Conceição Alves foi uma desportista que representou o Sporting a um nível elevadíssimo, muito difícil de atingir por qualquer atleta de qualquer modalidade, como facilmente concluiremos se prestarmos uma pequena atenção aos extraordinários resultados que obteve no decurso da sua carreira, tanto a nível individual como integrada em equipas do clube.

 

 

Conceição Alves, com a sua irmã gémea Manuela, também nossa grande atleta, para quem está reservado um próximo número destas evocações, veio para Portugal, oriunda de Moçambique, onde se distinguia com as cores do Desportivo de Lourenço Marques, e ingressou no Sporting em 1974, ano em que logo começou a dar nas vistas no salto em altura, disciplina em que viria a fazer-se notar, para a época e tendo em conta as limitações do atletismo português, num plano quase estratosférico. Naquele tempo, em que a especialização começava, no atletismo, a dar, entre nós, os primeiros passos, Conceição Alves conseguiu, ao longo de muitos anos de carreira, resultados excepcionais numa notável variedade de disciplinas. Muito sinteticamente, deixando, como tenho feito, a quem quiser uma relação mais pormenorizada, a indicação deste sítio, a que agradeço os elementos a seguir referidos, podemos destacar:

 

- foi campeã de Portugal dos 100 metros barreiras em quatro ocasiões, batendo várias vezes o respectivo record nacional;

- foi três vezes campeã de Portugal de salto em altura;

- bateu 12 vezes o record nacional da disciplina, fazendo progredir a respectiva marca de 1,61 m até 1,77 m, tendo esta última permanecido inultrapassada durante 9 anos;

- foi campeã de Portugal de salto em comprimento em duas temporadas, tendo também obtido três vezes o respectivo máximo nacional;

- foi, uma vez, campeã nacional do lançamento do peso;

- tendo-se dedicado, atendendo ao seu ecletismo, às provas combinadas, Conceição Alves foi, ainda, campeã nacional e recordista nacional do pentatlo e, depois, do heptatlo

e

- em pista coberta, obteve muitos títulos e máximos nacionais nos 60 metros barreiras, salto em altura e salto em comprimento.

Isto é apenas o essencial, o mínimo que podemos salientar na sua carreira, nem sequer refiro os contributos que teve para os muitos títulos colectivos do Sporting. Acrescentando uma especialidade às que acima menciono, poderíamos, por exemplo, dar o merecido relevo à sua participação em duas equipas do clube que venceram campeonatos de Portugal da estafeta de 4x100 metros. E poderíamos, também, destacar as muitas competições em que participou em representação do país.

 

Estes resultados e uma carreira devotada ao clube parecem-me mais do que suficientes para que incluamos Conceição Alves entre as grandes figuras da história do Sporting. Podemos ter a esperança de que este nome enorme não seja facilmente esquecido, tanto mais quanto tivermos em conta que lhe foram atribuídos um Prémio Stromp, em 1979, e, mais recentemente, em 2012, um prémio Rugidos de Leão. Mas é bom que, de vez em quando, relembremos a figura inesquecível de Conceição Alves entre as de grandes atletas do clube, praticantes de muitas modalidades, a que devemos a grandeza do Sporting Clube de Portugal.

 

Pelo seu contributo para a história de um Sporting com a dimensão que os seus fundadores sonharam e com a grandeza que nós, sportinguistas, queremos que se mantenha, uma calorosa saudação, de sincero reconhecimento, a Conceição Alves.


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09 Jun 14

 Outra grande atleta do Sporting, que competiu em companhia de Lídia Faria, Eulália Mendes e Francelina Anacleto, a que me referi nos números anteriores, foi Céu Lopes. Excelente praticante da velocidade prolongada, Céu Lopes foi, entre as mais notáveis atletas portuguesas, uma das primeiras ou mesmo a primeira a não enveredar por uma abordagem generalista do atletismo, dedicando-se, praticamente em exclusivo, a uma especialidade.

 

Céulopes.JPG

 

O currículo de Céu Lopes é suficientemente eloquente, dispensando bem mais apresentações ou elogios. Resumidamente: vencedora, em 1968, fazendo parte da equipa do Sporting, do campeonato nacional da estafeta de 4x100 metros; cinco vezes consecutivas campeã nacional de 800 metros, entre 1968 e 1972; três vezes consecutivas campeã nacional de 400 metros, entre 1968 e 1970; duas vezes campeã nacional de 1500 metros, em 1971 e 1972, e vencedora, integrando sempre equipas do Sporting, por quatro vezes consecutivas, entre 1969 e 1972, do título nacional da estafeta de 4x400 metros. Foi recordista nacional, tendo superado muitas vezes as respectivas marcas, de 400 metros, 800 metros, 1500 metros e 4x 400 metros, sendo que, no ano de 1972, chegou a deter simultaneamente todos estes máximos. Também em 1972, foi a primeira atleta do Sporting a ganhar o Campeonato Nacional de Corta-Mato Feminino.

 

Lembro-me bem de, jovem, acompanhar o atletismo do Sporting e de ficar rendido às proezas e elegância de Céu Lopes, que, tanto quanto consigo lembrar-me, somava à qualidade dos seus resultados uma dimensão estética da técnica de corrida que, ainda mais, a valorizava. Não sei bem porquê, esta nossa grande atleta, pelo que posso julgar a partir das minhas conversas com outros devotos do clube e do atletismo e de algumas leituras, nomeadamente noutros blogues, não terá ficado tão ligada às memórias de muitos sportinguistas como aquelas a quem dediquei os três primeiros textos desta série. Pura injustiça, claro, se é que isto é mesmo verdade. O breve resumo acima exposto fala por si e não deixa margem para dúvidas sobre o nosso dever de prestar uma condigna homenagem a Maria do Céu Lopes, destacando o seu nome, com o devido relevo, ou seja a letras de ouro, como ela bem merece, na história do Sporting Clube de Portugal.


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02 Jun 14

Francelina Anacleto, com Lídia Faria e Eulália Mendes, sobre quem escrevi nos dois números anteriores desta série, formou um notável trio, em larga medida responsável pelo êxito e hegemonia do atletismo feminino do Sporting nos anos sessenta e  setenta do século passado. Francelina Anacleto, que competiu entre 1960 e 1967, destacou-se, fundamentalmente, nas provas de velocidade e do salto em comprimento. Embora favorecida, em comparação com os dias de hoje, pelas circunstâncias próprias de uma época na qual a especialização estava ainda longe de se tornar numa realidade, Francelina obteve, também, excelentes marcas nos 400m, cujo recorde nacional bateu por duas vezes em 1961, após oito anos em que perdurou a marca feita por Georgette Duarte, extraordinária atleta do Belenenses e um dos maiores símbolos do grande clube azul, e no pentlato, de que foi campeã em 1965.

 

Francelina Anacleto

 

No plano individual, a que haverá que juntar os títulos colectivos que alcançou como representante do Sporting, assinale-se, a par de muitos outros também relevantes, o facto de ter sido campeã de Portugal por quatro vezes nas disciplinas dos 100 metros e do salto em comprimento e por duas vezes na dos 200 metros. Francelina Anacleto fez, igualmente, parte da selecção nacional de 4x100 m, inteiramente preenchida por atletas do Sporting, que, pela primeira vez, em 1964, baixou dos 50 segundos nesta prova de estafetas, fixando um recorde que se manteve por um período de seis anos. Também o seu último recorde do salto em comprimento, que conseguiu por oito vezes entre 1961 e 1965, teve cinco anos de vida, sendo já velho de quase vinte e um anos o máximo nacional dos 100 metros que a atleta bateu em 1961. Muito mais vitórias e marcas de grande valor poderia sublinhar, como os  interessados confirmarão, entre outras fontes, na WikiSporting, a cuja preciosa ajuda, mais uma vez, recorro. Só no que ao número de recordes nacionais individuais respeita, Francelina registou por sete vezes o de 100 metros, cinco vezes o de 200 metros, oito vezes o do salto em comprimento e duas vezes o dos 400 metros. A estes haverá ainda que somar os das estafetas e os que foram obtidos em pista coberta. E bem mais longe poderia certamente ter ido esta nossa grande desportista, se não se tivesse retirado, em consequência de grave lesão, com a idade de 22 anos. Em tão pouco tempo, até, repito, aos 22 anos,  Francelina Anacleto marcou brilhantemente, como muito abreviadamente descrevi, o atletismo português e a história do Sporting.

 

Francelina Anacleto

 

Outras coisas acabaram por ficar em casa. Francelina Anacleto, a quem presto a minha homenagem e a quem devemos agradecer todo o muito que fez pelo engrandecimento do Sporting, casou com outro nome mítico do atletismo nacional e um dos maiores atletas de sempre do clube, Tadeu de Freitas, grande declatonista e saltador de triplo salto e de salto em comprimento, assim confirmando, com exuberância verde e branca, que les beaux esprits se rencontrent. Os dois, na via empresarial que seguiram após o termo das suas carreiras no atletismo, criaram uma marca de equipamentos desportivos, Tadeu e Francelina, mais tarde Saillev, que, a certa altura, chegou a fornecer equipas do Sporting.

 

Em 1964, foi atribuída a esta nossa grande atleta a Medalha de Mérito Desportivo do Sporting Clube de Portugal.

 

 

P.S. Já depois de publicados os dois textos anteriores, dedicados a Lídia Faria e Eulália Mendes, foi-me chamada a atenção para a ambiguidade do pronome nossa, utilizado no título genérico desta série. Reconhecendo o risco dessa duplicidade e embora nunca me tenha passado pela cabeça, como me parece óbvio, a intenção de ironizar sobre o assunto, decidi, para dissipar possíveis equívocos, alterar esse título, que passará a ser Elas na história do Sporting. Para o efeito, corrigi já os dois primeiros números.


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26 Mai 14

 

 

 

Outra extraordinária atleta do Sporting nos anos 60 e princípio dos 70 foi Eulália Mendes. Tal como Lídia Faria, a quem dediquei o primeiro número desta série, a sua carreira, sempre com desempenhos de altíssima qualidade, estendeu-se por um vasto conjunto de especialidades, exibindo uma especial distinção nas provas de velocidade, 400 e 800 metros e no salto em comprimento. Eulália Mendes consagrou-se, ao longo dos anos e por muitas vezes, como campeã de Portugal e recordista nacional dos 4x100 m, 200m, 400m, 800m, salto em comprimento e pentatlo, tendo, entre outros magníficos resultados, sido a primeira atleta portuguesa a correr os 400 metros em menos de um minuto e feito parte da primeira equipa portuguesa, uma selecção nacional da distância integralmente composta por atletas do Sporting, a correr os 4x100 metros em menos de 50 segundos. Eulália Mendes foi também a primeira atleta portuguesa a correr os 800 metros em menos de 2m 30s e integrou as equipas do Sporting que, entre os anos de 1969 e 1972, ganharam os quatro primeiros campeonatos de Portugal dos 4x400 metros, tendo, igualmente, feito parte da primeira equipa do clube que, em 1972, ganhou o campeonato nacional de corta-mato. Muitas outras menções de grandes resultados seriam possíveis, podendo, quem estiver interessado em conhecer melhor esta nossa brilhante atleta, começar a sua busca, por exemplo, no WikiSporting, a cujos autores agradeço, desde já, os dados de que me socorri para a elaboração deste pequeno texto.

 

Eulália Mendes 1

 

Eulália Mendes, que, suspeito, será hoje um nome praticamente desconhecido da maioria dos sportinguistas, é largamente merecedora da fuga ao esquecimento. Ficarei contente se a muito simples homenagem que agora lhe presto puder contribuir para que alguns, pelo menos, a recordem ou passem a conhecê-la. Eu era muito novo na altura em que esta enorme atleta espalhou tão liberalmente vitórias e recordes sobre as pistas do nosso país, mas lembro-me bem da maneira como as suas aptidões e os seus triunfos me encheram de orgulho e de como ajudaram a construir um Sporting com a grandeza que hoje conhecemos. Obrigado, Eulália Mendes.

 

Ficheiro:Eulália Mendes 2.jpg


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19 Mai 14

Lidia Faria.jpg

 

As muitas referências individuais a grandes figuras do desporto que ao longo da vida deste blogue foram sendo efectuadas pelos seus autores, eu incluído, nunca ou raramente contemplaram mulheres, tendo, no entanto, sido muitas as que, principalmente como atletas, mas também como dirigentes, técnicas, funcionárias ou simples simpatizantes, marcaram a história do Sporting e contribuiram, de forma mais eloquente ou mais modesta, mas sempre com devoção e generosidade, para a construção de um clube com a grandeza daquele a que nos orgulhamos de pertencer.

 

Como já disse várias vezes em textos publicados neste nosso espaço e como faço questão de afirmar em todas as ocasiões em que discuto o clube, fui educado como sportinguista e não como adepto da sua equipa de futebol. O Sporting, para mim, é, na verdade, muito mais do que um mero clube de futebol. O facto de ter crescido num ambiente familiar e social cujo modelo para o Sporting nunca deixou de ser o de um clube em que o ecletismo deve ser uma nota predominante levou a que outras actividades desportivas fossem vividas com um apego e uma emoção que hoje muitos considerarão quase anacrónicos, levou a que as suas vitórias e derrotas fossem celebradas ou lamentadas com um fervor, júbilo ou comiseração que, nos nossos dias, parecem estar reservados ao poder do futebol. Desde muito novo que muitos dos nomes para mim mais importantes do Sporting não são futebolistas, atrevendo-me eu até a dizer que estes estão em clara minoria no meu particular panteão clubístico. A começar, peço desculpa pela repetição, por Joaquim Agostinho, seguramente a minha maior referência em toda a história do clube. Muitos outros grandes nomes de muitas modalidades poderia mencionar nesta ocasião, como já fiz por diversas vezes, mas deixo essa tarefa, a que, por força da maneira como vivo e encaro o clube, me sinto obrigado, para outro momento.

 

O que hoje me move é a intenção de começar uma série de textos com que me proponho lembrar algumas grandes mulheres da vida do nosso clube, algumas mulheres que, às vezes, parece estarem a ser esquecidas e que, contudo, desempenharam um papel talvez decisivo  na consolidação e propagação do sportinguismo e contribuíram de forma extraordinária para que muitos e muitos portugueses transmitissem aos seus filhos estes sentimentos e esta cultura desportiva, esta vaidade de ter participado na construção e crescimento de um clube com milhões de adeptos a partir, já lá vão mais de cem anos, da iniciativa de um pequeno núcleo de fundadores.

 

A maior parte destas atletas foi, por motivos óbvios, relacionados com problemas culturais no debate dos quais não é agora o momento de entrar, praticante de desportos marcadamente individuais, sobretudo o atletismo, tendo sido muito poucas, tanto quanto me consigo lembrar, as que se destacaram em desportos colectivos. Vou, dividindo-os por diferentes posts, mencionar apenas alguns nomes especialmente relevantes, aqueles que considero imprescindíveis, estando a pequena lista que apresentarei limitada pela minha memória, pelo que algumas omissões, embora involuntárias,  obrigam, desde já, a que muito humildemente me penitencie.

O primeiro grande nome feminino de que imediatamente me lembro e que continua a constituir para mim, falemos de mulheres ou de homens, um dos maiores da história do Sporting, é o da excepcional Lídia Faria. Veio muito nova de Torres Vedras para Lisboa e a totalidade da sua carreira no atletismo, que poucos mais campeonatos, troféus e recordes poderia contar, foi prosseguida no Sporting, onde permaneceu durante 12 anos, de 1959 a 1970. No decurso destas temporadas, que sucederam a uma longa era de domínio do Belenenses no atletismo feminino, o Sporting foi sempre campeão nacional e regional e Lídia Faria foi, portanto, sempre campeã também em todo esse período, tendo o seu desempenho, em conjunto com o de outras atletas de que falarei posteriormente, sido crucial na conquista de tantos títulos. O currículo de Lídia Faria é demasiado vasto para ser totalmente incluído num texto deste tipo, mas os aspectos essenciais podem ser consultados aqui. De entre os muitos motivos para nossa imensa admiração, quase diria assombro, na carreira desta grande atleta - contrariando ideias feitas, os seus melhores desempenhos tinham lugar, não obstante uma figura muito elegante, nos lançamentos - destaco o facto de, além dos títulos colectivos já mencionados, ter sido campeã nacional individual por 25 vezes em 7 especialidades diferentes, algo que hoje seria impossível mas que, mesmo naquele tempo, só estava ao alcance de praticantes de eleição, e o seu comportamento num Portugal - Espanha, em 1964, no qual Lídia Faria bateu 4 recordes ibéricos, de 80 metros barreiras, 4x100m, lançamento do disco e lançamento do peso, tendo ganho, ainda, a prova de 100 metros. Ao pensar que teve 17 recordes nacionais e ibéricos nas  disciplinas de disco, peso, 100m, 80m barreiras, 4x100m, 200m, 400m e pentatlo, fico quase sem fôlego e sinto-me desobrigado de uma busca mais aprofundada. É, de facto, impossível fazer agora uma descrição pormenorizada da sua carreira fenomenal, pelo que aconselho os interessados a recorrerem, mais uma vez, a registos oficiais, sites ou blogues que se debrucem sobre o assunto. Lá, com Lídia Faria, os mais velhos poderão rememorar tempos de autêntica grandeza e os mais novos poderão inspirar-se num nome gigante da história do Sporting. Todos nós, além disso, poderemos recordar ou começar a aprender o significado do ecletismo.

 

 

O brilhantismo da sua carreira e o seu enorme sportinguismo  levaram a que Lídia Faria fosse distinguida com o Prémio Stromp, em 1964, e tivesse feito parte da Comissão de Honra do Centenário do clube. Antes, em 1970, Lídia Faria fora homenageada numa grande festa de despedida, em que, entre outros, esteve presente Joaquim Agostinho, vindo, para o efeito, propositadamente de França, onde também nos dava grandes alegrias. Esta festa permitiu, pois, que, ainda que por breves momentos, se juntassem duas das mais inesquecíveis figuras da história do nosso clube.

 

Em resposta a questão que lhe foi colocada pelo Jornal do Sporting na ocasião do convite para integrar a Comissão de Honra do Centenário, Lídia Faria declarou:

Acima de tudo, que a equipa de futebol possa ser campeã, porém, sinto uma grande mágoa por perceber que cada vez mais, o Sporting é um clube de futebol. As outras modalidades, que foram as responsáveis por tornar o Sporting num clube grande, quase não existem. Mudaram de estádio e dá-se muito ao futebol, em desfavor das outras modalidades. Não quero com isto dizer que não gosto de futebol, pois sou grande adepta, assisto sempre que posso aos jogos de futebol, modalidade que também gostava muito de praticar. Tinha jeito para defender, mas também para marcar golos...

Acrescentou depois, respondendo a outra pergunta:

«Em 1966, o professor Raimundo ia buscar-me a casa ,ás 6 da manhã, treinava em Alvalade, entrava ás 10 no meu emprego no “Diário Popular” e, ás 17h30, voltava para o estádio, chegando a casa sempre depois das 10 da noite. Tudo isto sem qualquer retribuição financeira, a não ser os transportes. Como era completamente amadora, necessitava de trabalhar para subsistir e, um dia, o Artur Agostinho, director do jornal “Record” – e a ele agradeço por isso, pois escrevia uma coluna no jornal- perguntou-me se gostava de ir trabalhar para o “Diário Popular”. Respondi afirmativamente, o Artur falou com o Brás Medeiros que, nessa mesma noite, me ligou a marcar uma reunião no seu gabinete junto á Porta 10 A. Perguntou-me “quando queres ir?” Disse-lhe “quando o doutor quiser”. Retorquiu: “Aparece então amanhã”. Tive a minha entrevista de emprego no Estádio José Alvalade.

 

 

Lídia Faria abandonou-nos com 65 anos, em 29 de Setembro de 2007, nova ainda, mas tendo vivido o tempo suficiente para deixar uma marca inapagável na história do Sporting. Gostou apaixonadamente do clube, como adepta e atleta, e deixou um legado que não será nada fácil igualar, a julgar pela maneira como nas declarações acima transcritas, em mais uma grande lição de amor ao Sporting e ao desporto, descreveu os sacrifícios que o atletismo impunha ao seu ritmo de vida, hoje quase inimaginável. Obrigado por tudo, Lídia Faria.


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21 Mar 13
Pietro Mennea
João Paulo Palha

 

Morreu um mito do atletismo, o mais extraordinário velocista europeu que vi  correr e, a nível global, um dos maiores da história deste desporto. Campeão europeu e olímpico, recordista mundial dos 200 metros durante 17 anos, entre 1979 e 1996, ano em que o seu tempo foi batido por Michael Johnson, mantendo-se, ainda, no entanto, como record da Europa, único atleta de sempre a ter comparecido em quatro finais olímpicas consecutivas da distância, este fantástico sprinter italiano faz-me sonhar com os tempos em que o Sporting era muito, muito grande. Em 1979, na inauguração da pista de tartan do Estádio José de Alvalade, Pietro Mennea, competindo na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo, venceu os 100 metros no excepcional tempo, à época, de 10,00 segundos, embora com cronometragem manual. Outros grandes atletas, campeões e recordistas olímpicos, europeus e mundiais participaram nessa competição, em que o Sporting se classificou em 5º lugar, com vitórias de Fernando Mamede nos 5 000 e 10 000 metros e de José Carvalho nos 400 metros com barreiras. Na altura, ainda jovem, eu colaborava com o Jornal do Sporting e coube-me, após as diversas provas, recolher as declarações de alguns dos intervenientes, entre eles as do inesquecível Pietro Mennea. Parece-me que ainda o vejo e ouço, poucos minutos depois de acabar o seu vôo rasante pelo estádio, a proferir algumas palavras de circunstância que eu mal consegui registar, impressionado com a proximidade e troca de palavras com um atleta que já ameaçava vir a tornar-se uma lenda.

 

Por esses anos, tudo corria bem ao nosso clube. No atletismo, fomos uma série de vezes campeões europeus de corta-mato, obtivemos lugares muito  honrosos nos campeonatos europeus de pista entre clubes, sobre Fernando Mamede e Carlos Lopes está tudo dito, tínhamos o já referido José Carvalho, tínhamos João Campos, Raposo Borges, Aniceto Simões, Conceição Alves, Hélder de Jesus e até nos veteranos, com Péricles Pinto, nos fazíamos representar com brilhantismo por esse mundo fora; fomos campeões nacionais de basquetebol e de andebol e campeões nacionais e europeus de hóquei em patins; no futebol, pudemos regozijar-nos com grandes equipas, fomos campeões e tivemos o privilégio de ver jogadores como Manuel Fernandes, Jordão ou Oliveira; no ciclismo, o nosso júbilo não se continha perante as proezas de Joaquim Agostinho e Marco Chagas e, em modalidades como a ginástica, o clube exultava com uma massificação que conduziu à existência de milhares e milhares de praticantes. Até no tiro o Sporting se destacou: Armando Marques competiu em três jogos olímpicos, tendo ganho uma  medalha de prata em 1976. E a culminar tudo isto, tínhamos dirigentes da dimensão de um João Rocha, perante cuja memória me curvo com o respeito de um sportinguista que sabe o muito que o clube lhe deve.

 

A possibilidade de vermos desportistas como Pietro Mennea a competirem em nossa casa é cada vez mais remota. Não temos pista de atletismo, nem de ciclismo, nem de nada, não temos um pavilhão, não temos equipas de nenhum desses desportos que fizeram o nosso orgulho e não temos dirigentes que pareçam capazes de gerir, ao menos, um modesto clube de bairro. Estamos reduzidos a isto, a um mero clube de futebol cada vez mais confinado às memórias de um passado glorioso, sem horizontes de grandeza e, muitas vezes, aviltante e ruidosamente mergulhado em discussões estéreis sobre questões totalmente desinteressantes ou de duvidosíssima utilidade.

 

Faltam dois dias para as eleições. Pessoalmente, embora temendo o pior cenário, confio em que os resultados não permitam que sejamos conduzidos a um desastre ainda maior. Mas, aconteça o que acontecer, como me parecem desconsoladoramente distantes os tempos em que era tão natural ver competir no nosso estádio  figuras como Pietro Mennea, a lendária Flecha do Sul.


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11 Fev 13

São 92 anos de história e sucesso.

 

Um dia feliz e obrigado por todas as alegrias que dá à família Sportinguista.


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20 Nov 12
Parabéns, campeã!
João Severino

 

A equipa deste blogue envia os parabéns a Naide Gomes neste seu dia de aniversário. E com votos de muitas mais vitórias.


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14 Out 12
Cru, assado... cozido
Pedro Oliveira

Leram o título?

Leiam outra vez, alteraria duas letras na última palavra e representaria, exactamente, como me sinto.

Calma, calma, não é um estado de alma, é o estado do corpo, do meu pesado tronco sportinguista carregado durante dez quilómetros (foram só oito mais adiante explicarei porquê) na segunda corrida do grande Sporting Clube de Portugal.

Foi uma corrida a cru, não sou gajo de ginásios, nem de caminhadas, muito menos de corridas.

Ora se um gajo como eu, cujo único exercício que faz é o lançamento, não da vara, mas sim do palito para as entranhas do caracol, acampanhado com o levantamento do peso (dumas canecas de cerveja) pode correr dez (oito) quilómetros qualquer pessoa pode.

Posso não ser grande atleta mas sou um gajo de convicções.

Como escreveu Kundera: "Na altura em que recusou renegar as suas convicções, foi despedido do trabalho (...) isso não o tinha quebrado. Estava apaixonado pelo seu destino e até o próprio caminho para a ruína lhe parecia nobre e belo (...) não afirmei que estava apaixonado por si próprio, e sim pelo seu destino". (in «Le livre du rire et de l´oubli"; tradução de Tereza Coelho).

Corro até onde puder e quando não puder desisto, pensei, não corria há mais de cinco anos (tenho uma arreliadora lesão no joelho esquerdo, desde os tempos que o futsal se chamava futebol de salão e era jogado em ringues com pisos e tabelas de cimento).

O tempo ajudou, a refrescante chuva foi um benção enviada pelo meu homónimo (São Pedro) o corpo respondeu bem e aos quatro quilómetros achei que era a altura certa para voltar para trás (o desenho do percurso facilita este tipo de mudanças que permite que cada sportinguista estabeleça o seu limite).

Oito quilómetros, portanto.

Com esforço (muito), com dedicação, com devoção e como corolário disso a glória de ter passado o pórtico, a meta, aquilo que me pareceu um arco do triunfo, qual César, qual Napoleão, qual quê... é possível, ainda é possível...

Se um gajo como eu corre oito quilómetros e acaba a prova em glória no interior do nosso amado estádio; o nosso amado clube pode ser campeão com o mesmo esforço, com a mesma dedicação e com a mesma devoção alcançaremos a glória.

A mensagem do "post" é a seguinte: o meu destino era acabar a corrida (consciente dos meus limites) o destino do Sporting é ser vencedor com o nosso apoio, sem frutas, sem chocolates, sem jogos no Algarve, sem golos marcados com a mão e sem golos marcados ao colo dos guarda-redes.

 

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