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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Honrar a genialidade

Muita polémica vem causando os já habituais assobios de adeptos leoninos quando ecoa no estádio o hino oficial da Champions e as equipas se encontram perfiladas no centro do terreno antes do início de cada jogo.

Eu gostaria de dizer que entendo o protesto: o escandaloso penálti assinalado a favor do Schalke ou os jogos com o CSKA ainda se encontram frescos na memória de muita gente e acontecimentos como os ocorridos durante o Sporting-Barcelona desta edição da Liga dos Campeões - em que vários dos nossos jogadores foram admoestados com pouco critério e a UEFA ainda agravou a situação, multando-nos por excesso de "amarelos" - não ajudam a atenuar esse sentimento de revolta. Mesmo o argumento daqueles que, muito respeitávelmente, consideram ser incongruente aceitar participar na prova e ter tal comportamento a mim não colhe, porque os adeptos têm direito à indignação e, apesar de tudo, o assobio é uma forma não violenta, logo admissível, de o manifestar.

Com o que eu não posso estar de acordo é com a forma utilizada: a música, mais ainda, a imortal composição de Handel, é uma forma de arte (entre outras) que sublima aquilo que é o melhor do ser humano e da nossa civilização. Ninguém, por não ser católico ou não gostar do Papa vai à Capela Sistina, no Vaticano, assobiar a pintura de Michelangelo. Os ancestrais inimigos dos egípcios não apupam as Pirâmides de Gizé, os paquistaneses não vão a Agra vaiar o Taj Mahal. Repudiar o momento em que o profano quase toca o sagrado é, em vez de louvar a excelência e o brilhantismo que o Homem pode atingir, regredir para tempos pré-históricos de barbárie.

Por isso faço aqui um apelo aos nossos adeptos: escolham outro momento para manifestar a Vossa (justa) revolta. Pode ser o momento em que o árbitro apite para o início do jogo, o final da primeira-parte, o recomeço (segunda-parte), o minuto exacto em que foi (mal) assinalada a penalidade a Jonathan em Gelsenkirchen ou outro qualquer que as claques julguem por bom, mas por favor não confundam os erros (ou outra coisa qualquer) perpetrados por gente que a espuma do tempo devorará da nossa memória com a grandiosidade da obra de um génio, a vitória da nossa civilização.

 

champions.jpg

 

Vamos pôr fim aos assobios?

Vamos receber duas grandes equipas europeias na fase de grupos da Liga dos Campeões. Messi, Iniesta, Suárez, Buffon, Higuain, Dybala, Cuadrado, Piqué, Busquets, Chiellini, Khedira, Umtiti e Rafinha vão jogar em Alvalade. Perante casa cheia, seguramente.

É mais que tempo, portanto, de pôr fim aos sonoros assobios ao hino da Champions no nosso estádio. A menos que os sócios e adeptos que assim se comportam preferissem que o Sporting estivesse fora da competição máxima do futebol mundial a nível de clubes.

Guardem lá os assobios para os nossos velhos rivais e os árbitros incompetentes. E deixem-se de exibir complexos de inferioridade. É bom sinal ouvirmos o hino em Alvalade - sinal que o Sporting está onde merece. Entre os melhores.

Nada pode ficar na mesma

Aos 20 minutos de jogo, já Marvin e Bryan Ruiz, enredando-se em toques e voltinhas para acabarem a passar para trás, começavam a ser assobiados nas bancadas. Por uma vez o "tribunal" de Alvalade estava cheio de razão. Como se antevisse que esta mentalidade de jogo-treino entre jogadores que pareciam entretidos a brincar na areia só poderia acabar mal.

E acabou.

Nada pode ficar na mesma depois de um resultado destes.

Nada pode ficar na mesma depois de uma exibição destas - que desrespeitou profundamente 45 mil espectadores que compareceram em Alvalade numa manhã cheia de sol.

Assobiar ou não assobiar

Como já escrevi várias vezes, discordo profundamente das vaias aos nossos jogadores por parte dos adeptos em Alvalade durante as partidas. Eu até hoje só assobiei árbitros: nunca me lembro de ter assobiado um jogador, muito menos enquanto os jogos decorriam.

Feita esta ressalva, que não é de somenos, consigo entender a insatisfação das bancadas perante o desempenho de alguns profissionais do nosso clube - como ficou bem patente sobretudo durante a segunda parte do Sporting-Nacional.

Fica a pergunta aos leitores: entendem que alguém merece ser assobiado?

Lenços e assobios

Nenhum problema - nenhum mesmo - se resolve no Sporting com lenços a esvoaçar nas bancadas logo na primeira vez em que o nosso actual treinador soma duas derrotas consecutivas num campeonato. Nem com assobios bem sonoros aos jogadores durante as partidas, como esta noite aconteceu ainda na primeira parte, visando por exemplo Bryan Ruiz e Marvin.

Quem não perceber isto não aprendeu nada de essencial sobre os inúmeros erros cometidos nas últimas três décadas em Alvalade.

Assobios mais que merecidos

Nunca assobiei nenhum dos nossos jogadores em Alvalade - e, confesso, vontade não me faltou uma vez ou outra. Mas sou por sistema contrário àqueles que procuram "incentivar" a equipa em campo durante os jogos enquanto vaiam os jogadores do alto das bancadas, produzindo efeitos opostos ao que pretendem.

Há no entanto sempre uma excepção. Pouco me importa que Elias seja assobiado ainda antes de se atingir a meia hora, como sucedeu sábado frente ao Tondela. Eu próprio o fiz. Não no estádio, mas aqui no blogue, há quase dois meses.

Ideias para abrilhantar os intervalos

Sim, aquele jogo de bolas é engraçadote, o bola na caixa às vezes prende a atenção, mas no último jogo em casa eu sugeria um novo passatempo: o jogo do assobio! O speaker ia puxando pelos especialistas, e estes dariam o seu melhor. Já que são tão lestos durante os jogos, que demonstrem as suas capacidades "canoras" quando não chateiem. Será pedir demais?

Outro tipo de assobios

No sítio onde ontem estava no estádio (diferente do costume), a grande implicação foi com o Miguel Lopes e o Nani. Ele era assobios, ele era gritos de "palhaço", ele era gritos de "chuta" mal passavam a linha de meio-campo. Tem graça, no monumento do Nani, só há dois intervenientes: o Miguel Lopes e o Nani. Nani, para calar os silvos da lagartada, lembra-se mesmo de chutar, de um sítio que parece impossível. Vale sempre a pena rever:

 Como já não podiam implicar com aqueles dois, passaram a implicar com a equipa toda a partir do 2-0, por andar a trocar a bola sem tentar atacar. Não lhes ocorreu que o jogo estava controlado, que na 5ª feira tinha havido um jogo muito difícil e esgotante, que na próxima 5ª haverá outro, que depois vêm o Porto e o Nacional. Não há maneira de aprenderem?

Eu gostei muito do 4-0, não se pense que não. 

E amei de paixão o passe do William para o grande golo de Carrillo. E do Paulo Oliveira mostrar-se um grande - maior, que grande já nós sabiamos - homem, e do golo do Montero. E do Tobias. E do Tanaka e do João Mário. E de praticamente tudo hoje. 

Mas, e eu não estive no estádio, gostava até de ter percebido mal, de há um tempo para cá as assobiadelas a jogadores do Sporting pelo público são grandes. Não gosto disto, pronto. Nem em épocas bem piores se ouviram assim. É moda? Pega-se? Não gosto, pronto. Continuarei em silêncio, esperando equilibrar e contagiar outros com isso. 

Gosto do resto, agora que o circo das últimas semanas parece ter acalmado, e gosto muito do Sporting. Sempre. 

 

PS - Não sou santa, em tempos assobiava um jogador quando o nome dele era dito no inicio do jogo. João V. Pinto. E no fim o rapaz até se portou bastante bem. Manias.

{ Blog fundado em 2012. }

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