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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coates evita tombadela fatal

Na antecâmara do jogo, a Assembleia Geral do Sporting foi uma espécie de Festival do Escanção. Quem tome o que ali foi dito pelo seu Face "value" arrisca-se a ficar num estado de embriaguez permanente dos sentidos que não augurará nada de bom. Como tal, degustei e absorvi o (pouco) que foi de interesse e deitei fora tudo o resto...

 

Aprendi o valor do silêncio com o ruí­do. Por isso, remeti-me ao silêncio. Quis compreender o que ali se tinha passado.

 

Aldous Huxley - autor de "Doors of Perception" - dizia que depois do silêncio, o que mais se aproximava de expressar o inexprimí­vel era a música. Coincidência ou não, um dia depois, estava ainda eu neste estado de espí­rito quando me entra pela televisão o Festival da Canção. Hoje, enquanto assistia à  Nossa vitória em Tondela, lembrei-me dele: o Sporting ganhou e, como cantou, nos 3 minutos da praxe (não havia um presidente de AG por perto a ameaçar "cortar-lhe" o microfone ao fim de 1 minuto), a doce Catarina Miranda - canção nº5 da primeira eliminatória (espero que a vencedora final) - "não há nenhuma necessidade, hoje para sorrir eu não preciso de (mais) nada". Afinal, (en)cantar no campo é a verdadeira essência do Sporting, o clube do GRANDE e para sempre RESPEITADO João Rocha. Está dito e da forma como quis dizer, pois, parafraseando o autor de "Austrália", "quem koala consente". 

 

Vamos ao jogo: triste pelas últimas narrações que ouvi na TV decidi testar uma nova modalidade. Assim, tirei o som da televisão e liguei o meu Spotify, mais a coluna JBL. Tinha duas pré-selecções à escolha: música brasileira ou pop/rock. Optei pela primeira. 

 

A equipa foi basicamente a de sempre, com a novidade(?), face à ausência de Coentrão, de o sonolento Bruno César ter entrado em vez do sonolento Bryan Ruiz (nesse caso implicaria o recúo de Acuña), voltando JJ, uma vez mais, a privilegiar o 4-4-2 em vez de um bem mais confortável 4-3-3. A pergunta que faço é a seguinte: este último sistema, dada a acumulação de jogos, não pouparia a equipa a um maior desgaste? Estavam decorridos 12 minutos quando Miguel Cardoso abriu o marcador para o Tondela. Gilberto Gil cantava "aquele abraço". Ao som de "Burguesinha", de Seu Jorge, Acuña tirou um adversário do caminho e centrou para a cabeça do em boa hora regressado Bas, que "dostou".

 

Ao intervalo, a SportTV mostrava um anúncio da Bet.pt com um senhor com 3 olhos na face, certamente inspirado no surrealismo de Salvador Dalí...

 

Para dar sorte, mudei o som para a Playlist pop/rock. Doumbia entrou em campo quando tocava "Like a Rolling Stone", de Dylan, Mathieu foi expulso à toada de "The whole of the moon", dos Waterboys e Piccini, hoje irreconhecível, fez o seu habitual atraso arrepiante reconhecível para Patrício quando entoavam os acordes de "God only knows", dos Beach Boys.

 

Estávamos já na compensação dos descontos - os tondelenses ficaram compreensivelmente insatisfeitos, mas Capela estava só a compensar os 4 minutos que Luis Ferreira nos havia sonegado na primeira parte contra o Feirense - quando ao som de "The Unforgiven", dos Metallica, Coates ocorreu a um desvio de Dost, entretanto deflectido para o poste por um defesa do Tondela, e marcou o golo da vitória, o seu 4º da época. Uff!!!

 

Liguei o som da televisão. Em conferência de imprensa, Jorge Jesus, a propósito do apoio das claques, endereçava os parabéns à do Boavista(!?), por ter tido uma atitude que lhe ficou na "rotina". Voltei a desligar o som ao aparelho. E dei graças a Deus por não ter ficado com azia, tal o refluxo de ácido gástrico que o meu estômago deve ter produzido até ao golo salvador.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (Bas esteve nos 2 golos, Acuña seria uma boa alternativa pela combatividade, Patrício pela fiabilidade de sempre - só traído por um desvio da bola em Mathieu)

tondelasporting.jpg

 

Saltos altos e tamancos!

Como sportinguista e após a AG de ontem, com os resultados já de todos conhecidos, sinto-me na obrigação de fazer uma breve análise ao que fui assistindo nas últimas semanas.

Começo então por algo que não tem nada a ver com o Sporting. Há muitos, muitos anos conheci uma senhora esposa de um empresário de sucesso em Lisboa e que era na altura proprietário da empresa onde eu trabalhava.

Certo dia a Dona S. virou-se para mim, já nem me lembro a que propósito de que assunto e disse: Toda a vida aprendi a andar de sapatos de salto alto, mas por vezes tenho necessidade de calçar as tamancas de forma a ser escutada.

Bom… pegando no exemplo da Dona S. direi que Bruno de Carvalho calçou, nas últimas semanas, muitas tamancas e poucos saltos altos. Mas talvez tenha sido necessário fazê-lo. Não sei…

Por diversas vezes critiquei o Presidente Bruno de Carvalho, não na essência das suas ideias, bem pelo contrário, mas da forma como o faz, nomeadamente o aspecto verbal.

Passemos agora às conclusões que retiro desta última Assembleia Geral.

1 – Bruno de Carvalho saiu reforçado e ao invés do que vou lendo por aí, os nossos adversários não estão contentes com a sua permanência, mesmo que digam o contrário;

2 – O Presidente obrigou os sócios presentes a encostarem-se a JJ. Se o Sporting não ganhar o campeonato este ano o actual treinador, com toda a certeza, não sairá;

3 – BdC teve a frontalidade de apontar os seus inimigos internos pelo nome. Não sei se foi o mais avisado, mas reconheço-lhe coragem na sua atitude;

4 – Esticou um tanto a corda ao pedir que os sócios deixassem de comprar e ler jornais desportivos e ver televisões portuguesas. Enveredou, com esta sua vontade, por caminhos ínvios com consequências imprevisíveis;

5 – Quer queiram quer não, o país leonino não parece ter ficado mais pacificado após este fim de semana. Temo mesmo que a guerra apenas agora se tenha iniciado.

O Sporting é um grande clube. O maior de todos. Por favor não o tornem mais pequeno.

 

Também aqui

Tanto barulho para nada

Há menos de um ano, nas eleições mais concorridas de sempre no universo leonino, Bruno de Carvalho foi mandatado de forma esmagadora para liderar o Sporting, com cerca de 90% dos votos.

Hoje, em assembleia geral, Bruno de Carvalho voltou a ser mandatado de forma esmagadora para liderar o Sporting, com cerca de 90% dos votos.

Nem mais nem menos legitimado do que estava, como toda a lógica fazia prever. Porque o presidente continua a fazer um bom trabalho na recuperação do clube.

O seu segundo mandato será avaliado no momento oportuno, só daqui a três anos. O enorme alarido destas duas semanas não serviu para nada. Tudo ficou na mesma.

Amanhã

Aconteça o que acontecer hoje, vou continuar a ser do Sporting. Essa é quase a única certeza.
Seja qual for o resultado, creio que o Sporting sairá disto mais fragilizado do que estava há um mês, mas cá estaremos e são 111 anos de história e não 5 ou 17. Saudações leoninas, em especial aos que hoje vão conseguir estar na Assembleia Geral.

Bruno comparado com Bruno

Bruno de Carvalho venceu a eleição de 2013, por margem curta. E venceu a eleição de 2017, com números esmagadores.

Na eleição de 2013 foi julgado o mandato de Godinho Lopes: sem surpresa, nenhum dos candidatos reclamou a péssima herança recebida. Todos a rejeitaram sem ambiguidades.
Na eleição de 2017 foi julgado o primeiro mandato de Bruno de Carvalho: sem surpresa, a aprovação foi geral. Nove em cada dez sportinguistas, no mais concorrido escrutínio de sempre no clube.

Para hoje, surpreendentemente, o presidente decidiu transformar uma assembleia geral que teve um capítulo inicial há quinze dias numa eleição plebiscitária quando não estava minimamente em causa a avaliação do mandato dos órgãos sociais, em plenitude de funções e legitimados pelo maciço voto de Março de 2017.
O presidente introduziu assim um grave factor de perturbação no clube. A meio da época desportiva, num momento nada aconselhável para o efeito.
É uma crise totalmente artificial. Mas não deixa de ser crise.

A partir de agora Bruno de Carvalho só pode ser comparado com ele próprio. Bruno II versus Bruno I.
Com o sucesso do primeiro mandato a funcionar como padrão de avaliação neste segundo mandato, dure o tempo que durar.

Hoje giro eu - panorama zoológico

Na antecâmara de uma Assembleia Geral que, inesperadamente, ganhou contornos de plebiscito eleitoral, Pedro Madeira Rodrigues, citado pelo jornal O Jogo, exortou os sócios do Sporting a "serem leões e não carneiros". Depois do "Manual para Burros", fica praticamente completo o ramalhete do reino animal. Restará apenas saber onde enquadrar, no actual panorama zoológico que parece caracterizar o clube de Alvalade, a criatura de Deus que, não parando de emitir ruído e de estimular outrém a votar contra as propostas do Conselho Directivo, já afirmou não ter disponibilidade para estar presente na reunião magna leonina. Com o desejo, sincero, de que o clube não fique entregue à "bicharada"...

Não perder o rumo nem a dignidade...

 

Os dirigentes passam, o clube fica. Não acredito em homens providenciais, iluminados ou salvadores messiânicos. E de insubstituíveis os cemitérios estão a abarrotar. Embora crítico de Bruno de Carvalho, reconheço-lhe o esforço e resultados alcançados. Só isso e já não é pouco, justificam que continue. Mas exigir aos sócios que votem num determinado sentido sob ameaça de demissão, é chantagem, desculpem-me, mas não encontro outro termo apropriado na língua portuguesa. Nenhum sócio pode amanhã ser violentado ou manietado na sua liberdade de voto. Ou aceitamos de bom grado ficar sem Liberdade para satisfação do capricho de quem inventou um problema? Se a condição para Bruno de Carvalho permanecer é retirar aos sócios o poder de criticar ou divergir livremente do rumo traçado pela direção, se o cumprimento do mandato depende de ser aclamado em Assembleia Geral por uma massa acéfala, então que se vá. O Sporting Clube de Portugal é demasiado grande para ser utilizado como vaidade pessoal seja de quem for. Viva o Sporting Clube de Portugal.

Assembleia Geral

Bom, eu não trabalho 24 horas por dia, mas no sábado dia 17 não vou poder estar presente na AG.

A minha falta não será tão importante como a de Madeira Rodrigues, uma vez que o Grupo do Império será em relevância um pouco inferior a este ex-mega candidato. No entanto, como já aqui fui deixando escrito nas caixas de comentários, nada tenho contra as alterações propostas aos Estatutos.

Achei extemporânea a apresentação de alterações estatutárias e até a realização de uma AG nesta altura do campeonato e escusam de vir com a conversa de que foram os órgãos que a convocaram, que é fácil de perceber que a AG foi convocada a pedido do Conselho Directivo, aliás com toda a legitimidade, não é isso que está em causa. O que está em causa é a necessidade urgente de apresentar alterações aos estatutos que só entrarão em vigor daqui a... três anos e é isso que questiono. Apenas e só isso.

Não sou nem estou ressabiado. O "devaneio" do presidente ao referir o Grupo do Império como oposição à sua presidência, sem qualquer sentido, não me incomoda nem me tolda o discernimento, por isso não questiono a sua legitimidade para continuar o mandato, ainda que as propostas não sejam aprovadas, o que me parece pouco plausível, já que essa eventual e pouco provável reprovação não competirá com o actual mandato. Os dirigentes terão assim muito tempo para voltar a propor as alterações, caso sejam rejeitadas.

Quero com isto dizer que para mim esta direcção está legitimada para exercer o seu mandato até ao final, indendentemente do resultado da AG de dia 17 e que nada justifica a sua demissão. Os mandatos são para se cumprir, ainda mais quando os resultados globais são claramente positivos, portanto deixemo-nos de tretas e vamos lá cada um de nós cumprir com a nossa missão.

Convocatória para a Assembleia Geral 17 FEV 2018 e propostas

ADENDA: Já depois de ter escrito esta prosa passou-se isto: "O que o presidente nunca podia ter feito mas fez" e revi a minha posição. Se estiver na AG votarei contra todas as alterações e tomarei posição no ponto 3.

 

Recorrendo à dedicada partilha por um consócio da convocatória para a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal que se vai realizar no próximo dia 17 de fevereiro de 2018 pelas 14h00 no Pavilhão João Rocha e que foi publicada no jornal Público, alargo ao És a Nossa Fé a difusão dessa mesma convocatória que pode consultar na íntegra descarregando aqui.

Da convocatória constam as propostas de alteração que são referidas nas pontos 1 e 2.

AG Sporting 17 FEV 2018

 

Numa primeira leitura parece evidente que aquilo que era a versão que foi levada à anterior Assembleia Geral é agora integralmente retomada. Ou seja, não se recuperou a proposta inicial, mas sim a versão que veio a ser revista até à véspera da última AG.

A título pessoal, a alteração que acho mais incómoda e que se fosse votada isoladamente me mobilizaria para votar contra é mesmo o fim da eleição do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) pelo método de Hondt. A partir da aprovação, quem quiser garantir que o órgão de fiscalização e disciplina não fica inteiramente dominado pela direção de cada momento terá de conseguir que seja outra lista a ter a maioria dos votos, pois, após esta alteração, bastará uma maioria simples para que se ganhe a totalidade dos lugares no CFD.

Quanto ao resto, há alterações inúteis ou muito pouco relevantes em termos de eficácia acrescida face ao que já está previsto nos estatutos e há alterações plenamente coerentes com o programa eleitoral sufragado há 11 meses, como seja a extinção do conselho leonino.

A título pessoal, apesar de todas as críticas que me merece o processo e a forma ofensiva que repetidamente o presidente escolhe para se dirigir aos sócios - a todos os sócios - e que me levou a tomar a decisão de não voltar a apoiá-lo em futuros atos eleitorais, no caso concreto e ignorando chantagens e dependências já proclamadas quanto às consequências dos resultados da AG, não vejo razões bastantes para votar contra a revisão de estatutos.

Quanto à votação do ponto 3 remeto o meu voto para o que dei à atual direção há 11 meses. Terá de lhes bastar pois a menos que haja real motivo ou efetiva crise diretiva, não conto voltar a escolher novo presidente antes de 2021.

 

E domingo lá estaremos, de número 12, esteio seguro ao qual a equipa de futebol se poderá agarrar, para que os soluços do momento não passem disso, no caminho da glória.

Saudações leoninas! 

 

P.S.: É uma pena que, com tanta alteração estatutária, não tenha ocorrido aos órgãos sociais alterar/modernizar a forma de difusão das convocatórias e respetivas propostas, colocando em paridade de importância e de prazos, os meios mais atuais de comunicação face aos meios clássicos e pouco eficazes para um clube com tantos sócios que pouco têm a ver com a compra de jornais ou com a residência na capital. Fica para a próxima?

Felizmente ao Sporting não faltam grupos como este que zelam para ir colmatando esses anacronismos e vão dando chama ao sportinguismo moderno, sem fronteiras e sem barreiras.

 

P.P.S.: Apesar de à data em que escrevi este artigo ainda não haver comunicado sobre o tema no sítio do clube, fui informado que a informação já consta de uma página interior aqui.

Exercício de autofagia

«É um interessante exercício de autofagia o que o Sporting fez ontem na assembleia iniciada quando era ainda primeiro classificado. Sou jornalista há alguns anos e ainda me surpreende a fantástica capacidade que o Sporting tem de implodir e causar problemas a si próprio, mesmo nos bons momentos. Ter antes da difícil deslocação ao Estoril um presidente que ameaça demitir-se quando tem o clube a lutar por títulos em todas as competições e uma oposição a quem também isto pouco interessa e tenta arranjar problemas onde eles não existem e também por tudo e por nada... Jesus e sus muchachos vão ter mesmo de ser "muita fortes". Como se costuma dizer? Contra tudo e contra todos? Escusava de ser até contra os do próprio clube. Impressionante como não houve ali uma alminha capaz de perceber que não era a melhor altura para isto.»

 

Bernardo Ribeiro, hoje, no Record

Um cheque em branco à ordem do presidente?

O Sporting Clube de Portugal tem uma história, um passado glorioso repleto de conquistas e troféus ao longo dos seus quase 112 anos de existência. A sua grandeza deve-se aos feitos de inúmeros atletas que vestiram e honraram a camisola verde e branca, mas também aos anónimos que demonstrando uma fé inabalável e única, viveram e celebraram vitórias, ou sofreram e partilharam derrotas sem virar as costas ao nosso clube.

Pessoas de todas as classes sociais, convicções religiosas, agnósticos ou não crentes, com diferentes opções políticas ou ideológicas, unem-se no apoio ao nosso clube. Esse património é demasiado valioso, porque é a nossa marca. Pese embora alguns de nós possam ter sido influenciados por outras pessoas, a escolha do clube é sempre uma opção pessoal. Não nasci sportinguista, tornei-me sportinguista quando criança fui levado ao Estádio José Alvalade e assisti aos golos de Yazalde e companhia, que levaram à conquista do título na época de 1973-74. Tornei-me sócio com 11 anos, hoje tenho mais de 40 anos de filiação e quotas em dia.

Sinto-me no direito de criticar presidentes, treinadores e até jogadores, mesmo que por vezes possa estar errado ou cometer alguma injustiça. Faz parte, as emoções por vezes ficam ao rubro. Da mesma forma que um atleta ou treinador por vezes perde a cabeça e acaba expulso. Tenho mais dificuldade em entender que um presidente possa ter uma postura menos responsável, pelo cargo que ocupa, ser presidenciável é ter a capacidade de estar à altura da responsabilidade e dignidade que o cargo exige.

Nunca votei e dificilmente votarei Bruno Carvalho. Reconheço-lhe o esforço para conquistar o título de campeão nacional de futebol, mas não me revejo na sua presidência populista. No entanto não o tenho criticado, porque foi eleito pelos sócios, ocupa o cargo com legitimidade e no fim do mandato será sujeito à avaliação dos sócios caso decida apresentar recandidatura, podendo ser reeleito ou não. É assim que deve ser.

Estive na famigerada assembleia geral nos idos anos 80, quando outro populista, o falecido Jorge Gonçalves, usando a claque como guarda pretoriana, pretendeu perverter os estatutos, para aumentar o seu poder. Se a Bruno Carvalho a Assembleia de ontem lhe fez lembrar a assembleia-geral da liga de clubes, a mim, a proposta de extinção do Conselho Leonino e fim do método de Hondt para eleição do Conselho Fiscal do nosso clube fizeram recordar esses tempos sombrios. É próprio de ditadores considerarem inaceitável qualquer crítica à sua actuação, normalmente todos os ditadores se consideram iluminados pelo destino, por fim todos acabam sozinhos…

Se Bruno Carvalho quiser sair, que saia, que se demita, no entanto ninguém o está a forçar. O que não é aceitável é que ameace os sócios, alguns com mais anos de filiação que ele e indiscutível sportinguismo. O que o presidente fez ontem é feio, a prática tem um nome, chantagem. Temo que em próxima Assembleia-Geral a estratégia acabe por surtir efeito, embalados por alguma vitória os sócios acabem por ceder. Por mim, continuará presidente até ao fim do mandato, mas não lhe passo um cheque em branco. Nem a ele, nem seja a quem for. Os estatutos existem para salvaguardar a instituição Sporting Clube de Portugal. Viva o Sporting!

Assembleia Geral do Sporting: porque não devemos faltar

Amanhã, 3 de fevereiro de 2018, pelas 14h30m, realiza-se uma Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal na sede do clube, em Lisboa. Não é uma Assembleia geral ordinária no sentido de se "resumir" a aprovar contas.

Na ordem de trabalhos constam 8 pontos que passam por uma homenagem a Peyroteo, decisões sobre imobiliário, constituição de uma auditoria, acertos de linguística nos estatutos mas também várias alterações de fundo aos próprios estatutos do clube.

E é, em especial, nas alterações estatutárias que creio se encontra uma razão maior (Peyroteo que me perdoe) para não faltarmos a exercer o poder soberado enquanto associados na próxima AG. Alterações essas que geraram já tamanha e justificada polémica entre vários grupos de associados que conduziram a um comunicado do clube com emendas a uma das propostas (referente ao ponto 6.1.).

Estas alterações incluem aspetos positivos, outros de oportunidade duvidosa e outros completamente inaceitáveis e deslocados da tradição democrática do clube - na minha opinião, naturalmente.

 

Revelam mais uma vez que a atual direção é capaz do melhor e do pior e que precisa irremediavelmente do discernimento muito atento e da ação dos associados para garantir que não deita a perder o muito que de bom tem feito à conta de recorrentes desvios face a alguns dos princípios basilares da instituição e do respeito e promoção da sã convivência entre todos os associados de que os órgãos sociais devem ser os primeiros zeladores.

Temos alterações que impõem uma redução de poderes da Assembleia Geral, outras que alargam de forma completamente discricionária os motivos para a constituição de processos disciplinares e posterior expulsão dos associados não alinhados com a direção e outras que alteram a forma como são atribuídos os cargos no órgão que está, precisamente, incumbido de arbitrar e decidir os processos disciplinares: o conselho fiscal e de disciplina. Há ainda alguns pontos que reforçam o poder direto do presidente.

No fundo, há uma lógica subjacente a várias das alterações que visam reforçar um governo presidencialista, unanimista e potencialmente persecutório a embutir nos estatutos do clube.

 

Compreende-se, até certo ponto, que tenhamos todos um trauma coletivo com o mau governo e completo desalinhamento entre o superior interesse do clube e a forma como alguns dirigentes anteriores geriram a nossa casa. Muitos compreenderão até que alguns poderes fáticos sejam substituidos ou despidos dos poderes que tinham e que pouca supervisão e valor acrescentado ofereciam ao clube (como o conselho leonino). Mas tal trauma não pode patrocinar uma concentração de poder alinhada com formas completamente discricionárias de legitimar a perseguição de grupos de associados afetos ao clube que alguém ache estarem a perturbar os órgãos sociais - para usar as palavras que constavam da primeira versão da alínea agora sujeita a algumas melhorias cosméticas.

Sendo estas propostas apresentadas por uma direção liderada por um presidente que já demonstrou por mais do que uma vez, no seu afã de limpar o clube de quem lhe fez mal, ser incapaz de distinguir o trigo do joio deitando várias vezes fora o menino com a água do banho, só mesmo por grande incúria poderiamos deixar de participar e limitar estas pulsões indesejáveis que fazem lembrar tiques totalitários.

Dito isto, e porque cada um terá a sua opinião, sugiro-vos apenas que dediquem um pouco de tempo a ler, se não mais, o ponto 6 e suas alíneas, e a ouvirem as justificações e defesa que certamente a direção fará e (espero) respetivo debate, que decorrerá na Assembleia Geral do Clube.

É nosso dever ajudar a direção a servir bem o clube, em especial nas matérias onde são mais evidentes as suas limitações. Merecemos celebrar os sucessos desportivos que todos esperamos sem qualquer tipo de sombra da qual seriamos inteira e exclusivamente responsáveis.

 

Saudações Leoninas!

 

Por memória:

 

Ordem de trabalhos da Assembleia Geral:

Ponto Um – Deliberar sobre a atribuição, a título perpétuo, a Fernando Peyroteo do número 9 de sócio do Clube.

Ponto Dois – Aprovar a realização de uma Auditoria de Gestão ao Grupo Sporting referente ao mandato 2013/2017.

Ponto Três - Apresentação do Relatório de Sustentabilidade do Grupo Sporting.

Ponto Quatro - Autorizar, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 43.º, número 1, alínea n), dos Estatutos, a aquisição à CONSTRUZ – Promoção Imobiliária, SA de duas parcelas de terreno com as áreas de 3300 e 4000 metros, sitas na Avenida Padre Cruz, em Lisboa.

Ponto Cinco - Conceder autorização ao Conselho Diretivo para que possa negociar os termos e condições da concessão a terceiros da construção e exploração de estabelecimento comercial em terreno, com a área de 3300 m2, sita na Avenida Padre Cruz.

Ponto Seis - Deliberar, nos termos do artigo 43.º, número 1, alínea a), dos Estatutos, sobre a alteração dos Estatutos do Clube.

Ponto Sete - Aprovação do Regulamento Disciplinar.

– Discutir e votar as contas consolidadas do Sporting Clube de Portugal referentes ao exercício de 1 de Julho de 2016 a 30 de Junho de 2017.

 

E as propostas de alteração:

Título

Data

Proposta Ponto 8 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 7.1 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 7 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6.5 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6.4 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6.3 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6.2 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6.1 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 6 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 5 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 4 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 3 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 2 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2018
Proposta Ponto 1 - AG de 3 de Fevereiro de 201830-01-2017

Poderá parecer que estou feliz

Mas acreditem que não!

Nunca um sócio de um Clube pode ficar feliz pela expulsão de outro que exerceu as funções de presidente.

Mas o que tem que ser, tem mesmo que ser e outra solução não poderia haver, dadas as faltas gravíssimas apontadas.

Eis o comunicado do CFD, na íntegra:

 

1. Na sequência da conclusão da fase nº 1 da Auditoria de Gestão ao Sporting, pedida pelo Conselho Diretivo (CD) à empresa de auditoria Maazars e assim cumprindo uma importante promessa eleitoral, um conjunto de 76 sócios, perante a verificação de graves irregularidades reveladas no Relatório Final dessa auditoria, solicitou a abertura de processos disciplinares contra os seguintes sócios: Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes, Luís José Vieira Duque, Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro Guedes.

 

2. Em face da delicadeza e complexidade do assunto, o Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) decidiu pedir ao CD a contratação de um jurista que fosse, simultaneamente, advogado especializado para instruir processos disciplinares e independente do SCP e do fenómeno desportivo, o Dr. David Carvalho Martins, que foi a nossa escolha.

3. Após algum tempo de espera, também devido ao facto de ter sido necessário obter as autorizações dos autores do relatório de Auditoria por existirem factos confidenciais que tinham de ser analisados, foi possível desencadear as diversas fases dos processos disciplinares a partir de Fevereiro de 2015.

4. No conjunto dos actos praticados, foi este o calendário dos diversos momentos destes quatro processos disciplinares:

- requerimento de abertura dos processos disciplinares: 15 de Setembro de 2014;

- entrega oficial do Relatório da Auditoria de gestão da Fase 1: 25 de Setembro de 2014;

- contratação do jurista instrutor para análise do Relatório de Auditoria e apreciação de eventuais ilícitos disciplinares: Janeiro de 2015;

- concessão das autorizações de confidencialidade: Abril de 2015;

- finalização das notas de culpa aos 4 arguidos: 8 de Maio de 2015;

- envio das notas de culpa aos arguidos, explicitando o tempo de resposta (15 dias úteis, com possibilidade de consulta dos documentos no Clube e pedido de outras diligências para a descoberta da verdade): 15 de Maio de 2015;

- resposta às Notas de Culpa: responderam, apresentando a sua defesa, Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro (25.5.2015) e Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes (27.5.2015);

- recepção dos quatro relatórios finais do instrutor dos processos disciplinares após serem devidamente apreciadas as respostas dos arguidos: 17 de Junho de 2015;

- decisão final do CFD: 25 de Junho de 2015.

5. A decisão final tomada em 25 de Junho de 2015 pelo CFD foi a seguinte em relação aos 4 arguidos:

- Carlos Manuel Rodrigues de Freitas e José Filipe de Mello e Castro Guedes: arquivamento dos autos por unanimidade de votos dos membros do CFD por terem deixado de ser sócios a seu pedido antes do início do procedimento disciplinar, embora o CFD tivesse feito menção, na sua acta, que os comportamentos enunciados na Nota de Culpa que lhes fora dirigida eram “…muito graves e atentatórios dos superiores interesses do Sporting, devendo, portanto, ser considerados no âmbito de uma eventual proposta de readmissão, nos termos e para os efeitos do artigo 14.º, n.º 2, dos Estatutos…”;

- Luís José Vieira Duque: aplicação por unanimidade dos votos dos membros do CFD de uma sanção de suspensão por 1 ano, agravando a sanção disciplinar proposta pelo instrutor (que era a de suspensão por 9 meses), considerando a gravidade das infracções cometidas;

- Luiz Filipe Fernandes David Godinho Lopes: aplicação por seis votos a favor e uma abstenção dos membros do CFD da sanção disciplinar de expulsão, agravando a sanção disciplinar proposta pelo instrutor (que era a de suspensão por um ano), considerando a prática de infracções disciplinares muito graves para a imagem e património do Clube, as quais quebraram, de um modo absoluto e irremediável, a relação de confiança que qualquer sócio merece ter por parte do Clube, no caso com a agravante de se tratar do seu dirigente máximo, o Presidente do Conselho Directivo, no período em apreciação (2011/2013).

6. Nos termos dos Estatutos do Sporting, os arguidos a quem foram aplicadas estas sanções disciplinares têm o direito de recorrer para a Assembleia Geral, nos 30 dias seguintes ao da sua notificação, recurso que é devolutivo no caso de suspensão de um ano e recurso que é suspensivo no caso da expulsão.

Mais se esclarece que todos os arguidos foram notificados, por correio electrónico, desta deliberação no dia seguinte, 26 de Junho de 2015, sendo notificado em papel no próximo dia útil, que será 29 de Junho de 2015.
Se os arguidos não se conformarem com estas decisões disciplinares, têm a possibilidade, nos termos gerais e como sucede em Estado de Direito Democrático, de recorrer aos tribunais, para fazer valer a sua perspectiva a respeito dos processos disciplinares que, no âmbito do Clube, assim chegaram ao seu termo.

Devido à confidencialidade que envolve os processos disciplinares, o CFD está impedido de revelar mais factos, ficando os respectivos processos arquivados nos serviços Clube, bem como esta deliberação registada no Livro de Actas do CFD como Ata nº 33, todos estes documentos à disposição dos arguidos para a sua consulta, não podendo ser, naturalmente, do domínio público, salvo a partir do momento em que os sócios arguidos recorram da deliberação do CFD para a Assembleia Geral do Clube. Neste caso, por definição, os autos dos processos disciplinares devem ficar à disposição da Assembleia Geral para os devidos efeitos.

7. O CFD lamenta que sobre este assunto se promovam ou alimentem campanhas de desinformação ou de manipulação que se destinam a beliscar a seriedade e a regularidade da condução dos processos disciplinares, mandatando o seu presidente para prestar os demais esclarecimentos tidos por convenientes.

Lisboa, 28 de Junho de 2015.

 

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