14 Jul 16

Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.


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27 Jun 16

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 Foto: David Fernández/EFE

 

Não sei se você viram. Eu dei-me ao incómodo de ficar acordado madrugada adiante para assistir à final da Copa América, disputada entre a Argentina e o Chile, apitada por um ridículo árbitro brasileiro que fez tudo para ser protagonista do encontro. Um jogo vibrante, de luta acesa, com as duas equipas a querer ganhá-lo - tanto que dois jogadores foram expulsos, um de cada lado (o argentino foi o nosso bem conhecido Rojo, galardoado com o cartão vermelho aos 41').

Apesar da intensidade e da velocidade, o nulo manteve-se no tempo regulamentar, forçando o prolongamento. Aqui uma defesa do outro mundo do guardião Claudio Bravo - uma das melhores que já vi até hoje em muitos anos como espectador de futebol - voando aos 99' para desviar um cabeceamento de Aguero manteve intactas as aspirações do Chile, com Arturo Vidal, Eduardo Vargas e Alexis Sánchez igualmente em grande nível.

 

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 Minuto 99: Bravo salva o Chile

 

Vieram então os penáltis. Vidal, primeiro chamado a converter, atira com insuficiente pontaria, permitindo a defesa de Romero. Segue-se Messi, com toda a Argentina suspensa do seu pé esquerdo. E o que sucedeu então? O astro do Barcelona dispara... por cima da baliza. Na hora da verdade, falhou.

O Chile conquistou assim com mérito o seu segundo troféu consecutivo. O mesmo troféu que escapa desde 1993 à selecção argentina, campeã desde então das finais perdidas. Já lá vão sete: quatro vezes na Copa América (2004, 2007, 2015, 2016), duas na Taça das Confederações (1995 e 2005) e uma no Campeonato do Mundo (2014).

Há quem lhe chame maldição. O facto é que Messi, o incomparável Messi, o "melhor do mundo" na opinião de muitos portugueses, falhou. E apressou-se a declarar que não voltará a vestir a camisola da equipa argentina: "A selecção acabou para mim."

Mero amuo momentâneo ou promessa para cumprir? O tempo dirá.

Enquanto a questão não se esclarece, aqui ficam os merecidos parabéns ao Chile. E fica também esta final como registo para todos os nossos compatriotas - e são demasiados, na minha perspectiva - que adoram menosprezar Cristiano Ronaldo, empolando cada pequeno falhanço do melhor jogador português de sempre enquanto se derramam em elogios a Messi, como se 'La Pulga' fosse infalível.

Mas não é.


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18 Nov 14

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Ia decorrido o minuto 66 do Portugal-Argentina, esta noite disputado em Old Trafford, quando aconteceu aquilo que Adrien Silva há muito merecia e há muito esperava: entrou finalmente em campo, estreando-se pela selecção nacional de futebol. Aconteceu só agora, com Fernando Santos a liderar a equipa das quinas, mas já devia ter acontecido antes, sob o comando de Paulo Bento: Adrien fez uma excelente época 2013/14 ao serviço do Sporting e justificou plenamente a viagem ao Mundial do Brasil que o ex-seleccionador lhe negou.

De qualquer modo, valeu a pena esperar. Bastaram pouco mais de 20 minutos em campo para Adrien ter intervenção directa no golo solitário da vitória portuguesa contra os vice-campeões do mundo. Um jogada ocorrida no último minuto do desafio, iniciada com uma recuperação de bola do médio leonino e culminada num cabeceamento vitorioso de Raphael Guerreiro após cruzamento de Quaresma, que assim se confirma como o rei das assistências da selecção. Por coincidência, trata-se de outro jogador proscrito pelo antecessor de Fernando Santos, que lhe negou o passaporte para o Campeonato do Mundo.

 

Dir-se-á que o jogo interessava pouco por ser a feijões. Dir-se-á que o único motivo de interesse era assistir ao confronto Messi-Cristiano Ronaldo, que durou apenas 45 minutos pois ambos foram substituídos ao intervalo, para frustração dos 40 mil espectadores presentes no estádio do Manchester United. Eu direi que todos os desafios contam. E este, para nós, acabou por ser bastante mais do que um jogo-treino.

Em primeiro lugar pelo resultado: há 42 anos - desde a Mini-Copa de 1972 - que Portugal não vencia a Argentina.

Em segundo lugar por se comprovar que é possível vencermos sem Cristiano Ronaldo em campo.

Em terceiro lugar por esta ter sido mais uma oportunidade para renovar a selecção. Contrariando algumas vozes agourentas que já se escutavam por aí.

 

Há dias, na vitória contra a Arménia, estreara-se o jovem Raphael, com apenas 20 anos: desta vez, no seu segundo jogo ao serviço da turma nacional, confirmou a excelente impressão que causara nessa partida. Hoje houve mais três estreias: Adrien, com 25 anos; o lateral-esquerdo Tiago Gomes (do Sp. Braga), com 28 anos; e o central José Fonte (capitão do Southampton), com 30 anos.

Todos confirmaram as expectativas. Fernando Santos poderá contar com eles.

E parece contar também com algo importante em futebol: a estrelinha da sorte. Venceu hoje o terceiro jogo consecutivo. Sem ver Portugal sofrer qualquer golo nestes 270 minutos, o que merece destaque.

O resultado foi superior à exibição? Pois foi. Antes isso do que o contrário. Não sei o que vocês pensam: eu prefiro assim.


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14 Jul 14
E no fim, ganhou a Alemanha
Edmundo Gonçalves

O jogo já foi bem analisado por Pedro Correia ali em baixo, daí não haver necessidade de vos chatear com mais prosa sobre o tema.

O que quero enfatizar é que o ceptro ficou bem entregue!

A Alemanha, apesar do percalço com o "ingénuo" Gana e até de um jogo menos conseguido com a super Argélia, demonstrou ser, a par da Holanda, uma equipa na verdadeira acepção da palavra. As suas vedetas, suplentes incluídos, souberam fazer da sua genialidade um colectivo.

E depois, há os pormenores: Higuaín, na cara de Neuer, fez o disparate da sua carreira e o Super-Mário, num gesto técnico irrepreensível, marcou um golaço!

Neste jogo em particular a Argentina até nem esteve mal. Deixem-me ser um pouco exagerado, e dizer que me parece que jogou com dez. Alguém deu por Messi, o coroado melhor do torneio, durante o jogo? Eu vi duas arrancadas sem consequência de maior para a defesa germânica, dois livres directos por cima da baliza, bem por cima, três tentativas de passe bem interceptados pela defesa alemã e uma dúzia de perdas de bola. Estivesse lá Di María e provavelmente outro galo cantaria...

 

E já agora, a talhe de foice, os "portugueses" estiveram bastante bem (Garay ainda conta e no golo alemão é batido, mas tem a "desculpa" de estar a lutar aos 116 minutos com dois homens bem mais frescos), com destaque para o nosso Rojo, que fez três assistências, duas delas meio golo. Ouvi dizer que andamos à procura dum defesa esquerdo... porquê?


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Foi a vitória da equipa que melhor soube interpretar em campo a versão de um coral primorosamente afinado, para pedir emprestada a feliz imagem ao jornalista Orfeo Suárez, um dos melhores cronistas contemporâneos de futebol, na antevisão que ontem fez da final da Copa no jornal El Mundo.

A Alemanha mereceu, sob vários prismas, a conquista deste seu quarto Campeonato do Mundo (após as vitórias em 1954, 1974 e 1990). Teve a melhor organização, o melhor guarda-redes (Neuer), um lateral adaptado que suplantou toda a concorrência (Lahm), um meio-campo de sonho (com Khadira, Schweinsteiger, Kroos e Özil), um avançado à moda antiga que põe em sentido qualquer reduto defensivo adversário (Müller) e ainda o melhor marcador de sempre nas fases finais de campeonatos do mundo (Klose, com 16 golos).

Um colectivo em futebol de alta competição é isto: funciona com a perfeita articulação entre as suas peças.

 

Götze: entrar e marcar 

 

Mais: a Alemanha confirmou ontem ter um banco de suplentes de luxo. Schürrle e Götze entraram - o primeiro aos 31', por lesão de Kramer, e o segundo à beira do prolongamento, rendendo Klose - para desatarem o aparente nó cego em que se transformara o empate a zero e cumpriram da melhor maneira a missão. Foi dos pés deles que saiu o belíssimo lance do golo alemão que sepultou o sonho de Messi de imitar Maradona com a conquista do troféu de campeão mundial.

Iam decorridos 112’, faltavam apenas oito minutos para uma eventual ronda de grandes penalidades que nenhuma selecção pretendia. Os argentinos para não abusarem da sorte: já se haviam apurado frente à Holanda, na meia-final, com este processo. Os alemães - que pouco antes tinham visto uma bola embater no poste após cabeçada de Höwedes - para evitarem ser vítimas de uma injustiça histórica: foram, de longe, a melhor selecção do Campeonato do Mundo. Com seis vitórias e só um empate nesta fase final, 18 golos marcados (sete dos quais ao Brasil e quatro a Portugal) e apenas quatro sofridos.

 

 

A história deste jogo que de algum modo reeditou a vitória espanhola no Mundial de 2010 (1-0 na final contra a Holanda, no prolongamento, com golo de Iniesta aos 117’) poderia, no entanto, ter conhecido um desfecho bem diferente. Bastaria Higuaín, isolado logo aos 20’ perante Neuer devido a um passe à retaguarda mal medido de Kroos (talvez o único erro do excelente médio alemão cometido neste mês de competição em relvados brasileiros), não fez o que lhe competia. Tinha todo o tempo do mundo para atirar a bola à velocidade pretendida e para o melhor ângulo da baliza germânica.

Nada disso aconteceu: o remate saiu-lhe frouxo e sem pontaria. Naquele instante Neuer sagrava-se como novíssimo gigante do histórico Maracanã, palco da final. Higuaín ficava reduzido ao estatuto de pigmeu.

Mas tudo poderia ter saído ao contrário, com o argentino a elevar-se à condição de herói do Mundial-2014. O sortilégio do futebol passa por estes instantes em que se decide o destino de um jogador - a humilhação perpétua ou a glória eterna.

 

Alemanha, 1 – Argentina, 0


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10 Jul 14
Uma questão de nervos?
Cristina Torrão

No futebol, quase nada é previsível, as surpresas são constantes, tornando, muitas vezes, o impossível possível. Mesmo assim, arrisco-me a prever uma seleção argentina barricada na sua defesa para a final deste Mundial. Será essa a estratégia, «não arriscar» a palavra de ordem, principalmente numa Argentina que ainda não mostrou futebol ofensivo. E principalmente depois da derrota histórica dos brasileiros. Como diz o Pedro Correia, ao referir-se ao jogo monótono entre a Argentina e a Holanda: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque.

Na final, o pavor dos sul-americanos será ainda maior. E também me parece que se poderá prever que a Alemanha atacará desde o primeiro minuto. Os germânicos estão cheios de confiança e tentarão concretizar a exigência bem conhecida de Joachim Löw para todos os jogos da sua seleção: o primeiro golo tem de acontecer na primeira meia hora de jogo, de preferência, nos primeiros vinte minutos!

Esta prerrogativa tem, porém, um ponto fraco. E é esse que os argentinos deviam explorar (na verdade, a sua única hipótese de virarem o jogo a seu favor): não conseguindo cumprir a imposição de Löw, os jogadores alemães ficam nervosos, mais suscetíveis de cometerem erros, por vezes mesmo desorientados.

As goleadas alemãs começaram sempre cedo. No jogo contra Portugal, o primeiro golo aconteceu ao minuto 12 e contra o Brasil, o mesmo Thomas Müller marcou aos 11’. Comparemos com o que aconteceu nos jogos em que a Alemanha fraquejou: frente ao Gana, um empate a duas bolas, o primeiro golo veio só na segunda parte (aos 51’); o mesmo aconteceu com os EUA, surgindo o único golo da partida aos 55’; com a Argélia, jogo equilibrado que os germânicos venceram por 2:1, os golos surgiram apenas no prolongamento. A exceção verificou-se frente à seleção francesa, em que os alemães marcaram no minuto 13, mas não foram além do 1:0.

Barricando-se na sua defesa e aguentando os críticos primeiros 15 minutos e, depois, a primeira meia hora, os argentinos têm boas hipóteses de enervarem os alemães. Quando notassem, porém, os primeiros sinais de desgaste, teriam de pôr em prática um futebol ofensivo, procurando o golo, não apostando no prolongamento ou, ainda pior, nos penáltis. Porque, para o fim, verificando que o adversário está no limite das suas forças, os germânicos ganham novo alento.


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Enzo Pérez teria lugar nesta equipa com (jogando no meio ao lado de Mascherano) ou sem Di María (jogando como ontem).

 

E a Argentina é muito melhor com ele em campo. Ontem, foi-o e na final também será, independentemente do que venha a acontecer.

 

O sonho continua.


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El capitán
Francisco Melo

Não havendo mais Portugal no Mundial, não poderia desejar melhor final. Alemanha e Argentina são duas selecções de que sempre gostei, e fico contente pela possibilidade de qualquer uma delas poder voltar a levantar mais um "caneco" de uma colecção que já mora nos respectivos museus.

No entanto, confesso que no próximo domingo irei torcer mais um pouco pela Argentina. Por um lado, pelo especial gozo que é ver os argentinos conquistarem a "Copa" em pleno solo brasileiro. Por outro lado, porque reside no 11 da selecção das pampas um jogador titular do Sporting, e entre a gabarolice de ter 7 jogadores no Mundial e a gabarolice de ter um jogador campeão do mundo, prefiro a segunda.

Marcos Rojo. El capitano.

Quando no último Benfica x Sporting, para a taça de Portugal, as equipas se preparavam para começar o prolongamento, os jogadores, treinadores e dirigentes do Sporting fizeram uma roda à volta, bem abraçados uns aos outros, para um último grito de "força". Nesse momento, o nosso presidente via-se aflito para conseguir arranjar espaço para si dentro daquela roda. Apesar das tentativas, parecia que ninguém reparava nele, tal era a atenção com que escutavam alguém que falava com voz de comando. Seria Leonardo Jardim, o mister, a dar uma última táctica? Não. Seria Rui Patricío, o capitão da equipa, a incentivar os colegas? Também não. A pessoa sobre a qual todos os olhares e ouvidos se dirigiam era, nem mais, nem menos, do que Marcos Rojo. Com uma afirmação própria dos líderes de equipa, Rojo falava e esbracejava com “ganas”, com todos à sua volta a escutarem atentamente e a assimilarem o que ia dizendo.

Essa imagem de Rojo impressionou-me. São de momentos assim que se galvanizam equipas. E se me recordar da forma entusiasta com que Rojo festeja os golos que marca pelo Sporting (quem é que não se lembra da felicidade com que Rojo festejou o primeiro golo que marcou pelo Sporting?), a par da forma dura, compenetrada e decisiva como aborda os lances, eis que estão reunidos os condimentos para que Rojo se torne num verdadeiro capitão de equipa ou, como também se diz em futebolês, num “patrão”.

Depois de os sportinguistas não terem inicialmente (2012/2013) dado muito por Rojo, para mais tarde virem a engolir as suas próprias palavras, eis que também agora muitos argentinos se redimem publicamente do modo depreciativo como falavam do seu lateral-esquerdo. A vida tem destas ironias, e é sempre interessante quando um jogador tem uma transfiguração destas, quer no seu próprio futebol, quer junto dos adeptos.

Marcos Rojo ainda não é um central do naipe de um Hummels ou de um Thiago Silva. No entanto, se há algo que o torna num indiscutível para Sabella, como o era antes para Leonardo Jardim, é o prazer com que veste a camisola e se bate por ela até ao último suor. É essa marca de guerreiro que faz hoje de Rojo um jogador importante para o colectivo, e com que tantos adeptos se identifiquem com ele.

Está a ser um ano em cheio para Marcos Rojo, e a sua carreira promete. Infelizmente, as notícias que saiem diariamente nos jornais apontam para que Rojo vá prosseguir a sua carreira por outras paragens. Mas, se por alguma eventualidade, Marcos Rojo acabar por permanecer em Alvalade, fica a sugestão: subida ao grupo de capitães. O patrão da defesa a mostrar como é que se faz. 


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Prometia ser um confronto entre Messi e Robben, uma espécie de tira-teimas para avaliar quem esteve melhor no Campeonato do Mundo - se o holandês com três golos, uma assistência e um recorde pessoal de jogador mais veloz (com o registo de 31,6km/hora), se o argentino com quatro golos e duas assistências.

Não foi nada disso, afinal. Acabámos de ver no Arena Corinthians, em São Paulo, um dos desafios mais monótonos e entediantes do Campeonato do Mundo. Quase a fazer lembrar aquela final aferrolhada e medrosa entre alemães e argentinos do Mundial de 1990 em que ambos abdicaram por completo de qualquer vestígio do futebol de ataque - a pior de que há memória entre os adeptos do desporto-rei.

Basta dizer que ao longo de toda a partida desta noite, incluindo a meia hora de prolongamento regulamentar após o empate a zero aos 90 minutos, houve apenas cinco remates à baliza contrária feitos pela Argentina e só três concretizados pela Holanda. E nenhum deles, em boa verdade, levando verdadeiramente um indiscutível sinal de perigo.

 

Supremacia das defesas sobre os ataques neste Argentina-Holanda em que o jogador mais em foco acabou por ser Mascherano, defesa sul-americano? Sim. Mas mais que isso: foi um autêntico anti-clímax após o desafio de ontem, constituindo de algum modo a sua antítese. Por outras palavras: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque. A partida decorreu quase todo o tempo empastelada no meio-campo, com pequenas oscilações territoriais que em nada afectaram o cômputo geral. E se não fossem os penáltis finais aposto que ainda estariam naquele bocejante jogo do empurra no miolo do terreno, como se nenhuma das duas selecções quisesse verdadeiramente ganhar.

 

Recorreu-se portanto às grandes penalidades. E também aqui o seleccionador holandês, Van Gaal, se deixou de ousadias: enquanto no desafio anterior, frente à Costa Rica, fez avançar o terceiro guarda-redes do banco só para defender os penáltis (meta coroada de êxito, pois Krul travou dois, tornando-se uma das figuras do jogo), desta vez manteve em campo o titular, Cillessen, talvez para não ofender as bempensâncias do comentário ludopédico, que se haviam escandalizado com a fuga à pauta no embate do passado domingo.

Fez mal: os argentinos agradeceram. E lá irão eles à final do Campeonato do Mundo, frente aos alemães, depois de terem feito muito pouco para tanto destaque. Desta vez nem Messi, jogando em posições muito recuadas, deu um ar da sua graça.

Ocorrerá no próximo domingo a desforra argentina para vingar a derrota na final de 1990? Sinceramente, não creio. Há uma distância enorme entre esta mediana Argentina e a fulgurante Alemanha que acaba de golear o Brasil por números inéditos.

O melhor do jogo acabou por ser a evocação inicial da memória de Alfredo di Stéfano, um dos maiores génios de sempre dos relvados, falecido no fim de semana aos 88 anos. Lá no assento etéreo onde subiu, como versejou o nosso Camões, o grande campeão ficou certamente satisfeito com este resultado: há um quarto de século que a sua Argentina natal não chegava tão longe.

Como homenagem fúnebre não esteve mal.

 

Argentina, 0 - Holanda, 0 (4-2 nas grandes penalidades)


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09 Jul 14

Finalmente parece que a Holanda e a Argentina acabaram com o aquecimento.


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08 Jul 14

Aproximam-se as meias-finais de um Mundial de futebol que colocou quatro das melhores equipas nesta fase (quase) final. Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda vão digladiar-se entre hoje e amanhã para discutirem os dois lugares no Maracana. Um par de jogos que se prevêem muito emotivos e de resultado claramente incerto.

Neste Mundial não tive preferência por qualquer selecção (nem a portuguesa!!!) e nem agora penso nisso. Quem ganhar que o faça apenas com mérito e sem casos.

Curiosamente estas meias-finais resultaram em embates entre selecções europeias contra sul-americanas. Dois estilos de futebol assaz diferente, mas deveras atractivo.

O Brasil apresenta-se hoje sem Neymar nem Thiago Silva, mas nem mesmo estas condicionantes serão suficientes para retirar à equipa da casa algum favoritismo. Só que a Alemanha parece ser uma selecção imune aos estad(i)os de espírito. O treinador alemão conhece bem os seus recursos e sabe com o que pode contar. Disciplinada e assertiva, a selecção germânica tem jogadores com qualidade suficiente para num segundo resolverem qualquer partida.

Amanhã teremos então na outra meia-final duas equipas com percursos bem semelhantes, pois ambas ganharam todos os jogos dos seus respectivos grupos. No entanto a Holanda pareceu bem melhor tanto a nível futebolístico como a nível físico. A Argentina, por sua vez, tarda em convencer os adeptos do futebol da sua qualidade e não fosse Lionel Messi, provavelmente a equipa das Pampas já estaria de férias. E das duas uma: ou a Holanda ressente-se da última jornada com prolongamento e penalidades e a Argentina tem hipótese (mesmo sem Di Maria) de seguir em frente ou muito provavelmente os alvi-celestes vão discutir o terceiro e quarto lugares.

Seja como for perspectivam-se dois jogos de alta qualidade e com emoção a rodos.

Para mim só espero e desejo que o maior vencedor seja o apenas e só… o futebol!

 

 

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06 Jul 14

Este não morde os adversários, como Luis Suárez, mas morde as mãos que lhe foram estendidas no país de adopção e todos quantos o trataram com amizade e consideração em Lisboa.

Tem passado o Mundial no banco de suplentes. É capaz de lhe fazer bem.


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05 Jul 14

O Argentina-Bélgica, disputado esta tarde em Brasília, pareceu sempre um jogo entre duas equipas pertencentes a campeonatos diferentes. Talvez por isso, nunca foi uma partida empolgante. Os argentinos, muito calculistas e em permanente gestão de esforço, voltaram a contar com Lionel Messi em boa forma. Em três ou quatro jogadas, o astro do Barcelona fez novamente a diferença. Na jogada de construção do golo solitário da vitória, por exemplo. Messi ganha a bola no meio-campo, rodopia três vezes sobre si mesmo baralhando por completo as marcações belgas, desfaz o nó com um passe bem medido para Di María e este coloca a bola na melhor posição para Higuaín marcar.

Iam decorridos apenas oito minutos. Foi quanto bastou para a Argentina tirar o pé do acelerador e gerir a vantagem. Magra, mas suficiente para atingir as meias-finais. Como diz o outro, quem quer espectáculo que vá à ópera. Aqui houve maturidade táctica, bom entendimento colectivo e pouco tempo efectivo de jogo: as interrupções foram sucessivas e fizeram-nos sentir saudades dos desafios da fase de grupos, emocionantes e com a melhor média de golos registada desde o Mundial de 1970.

Mesmo poupando esforço, os alvicelestes viram-se privados de Di María, por lesão: o madridista não voltará a jogar no Campeonato do Mundo. Péssima notícia para os apreciadores do genuíno talento futebolístico sem olhar a cores de clubes. Oportunidade para Enzo Pérez, que hoje finalmente saiu do banco para mostrar o que vale na selecção.

A Bélgica prometia muito mas ofereceu pouco. Foi bem batida pelos ex-campeões mundiais, que se limitaram a cumprir os mínimos e tardam em mostrar o seu melhor futebol neste Campeonato do Mundo. Acontecerá isso na meia-final de quarta-feira? O melhor é esperarmos. Sentados.

 

Argentina, 1 - Bélgica, 0


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01 Jul 14
Ajuda
Duarte Fonseca
Quem é que está a comentar o jogo da Argentina na Sport Tv? Um tal de Pedro qualquer coisa...

Alguém lhe pode pedir o favor de parar de dizer disparates sobre futebol?


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28 Jun 14
Vencedores & vencidos (5 notas)
José Navarro de Andrade

É verdade que a selecção da Grécia joga um futebol brusco e picotado e tem um treinador que lhes grita – vimos todos – “calma, car@#§&!”, comprovando a perfeita capacidade comunicacional do calão português. Mas os gregos são a mais nostálgica colecção de cromos deste Mundial; cada um deles ostenta o fácies proletário dos jogadores dos anos 50 e 60, como se tivessem sido recrutados nas docas do Pireu. Katsouranis está ao nível de selvajaria a que sempre nos habituou e Karagounis segue demonstrando a sua incompatibilidade com as lâminas de barbear e com as decisões dos árbitros. Eles são a perfeita reminiscência física do futebol de outrora, antes desta gentrificação feita de penteados espampanantes e palmadinhas nas costas.

 

É de lamento a eliminação da paradoxal selecção inglesa. Por uma vez não entrou em campo com aquele tradicional sense of entitlement de quem vem repor uma verdade histórica, nem  encarou a derrota com o stiff upper lip presunçoso de quem acha que foi espoliado de direitos naturais. Os ingleses vieram jogar e fizeram-no com franqueza e elegância, tanto que perderam os dois jogos que necessitavam de ganhar aos pés da pragmática Itália e do furibundo Uruguai. É pena porque constituíam um agradável intermezzo ao futebol assanhado que veremos daqui em diante. Além de que a sua prematura eliminação redundará em grande rombo económico na indústria cervejeira mundial.

 

Em vez dos 90 e picos minutos da praxe os jogos da Argentina só têm 5’’ – os 5’’ de Messi. Da primeira vez foi o tempo necessário para partir a Croácia, da segunda venceu o Irão. No resto do tempo a selecção argentina troca a bola entendidamente à espera do instante em que o pequenote liga o botão, é uma espécie de desacelerador de partículas. Com isto, mesmo ostentando o pior treinador do certame (demasiados jogadores, demasiado bons, para fazer confusão a um táctico simples), querem ver que ainda chega à final?

 

Num ranking da revista Forbes do rendimento anual auferido pelos treinadores deste Mundial Paulo Bento está em 12º (nada a contestar) e o do Professor Carlos Queiroz, treinador do Irão, em 13º, com uma diferença de apenas €62.110 – menor que o preço de um Porsche. Diferença essa que daria singelo por dobrado em como não cobre a expropriação do fisco português a que Bento está sujeito. Ambos saíram no final da primeira ronda, Queiroz saiu felicíssimo por ter conseguido empatar um jogo em resultado da inovadora táctica do autocarro; Bento saiu acabrunhado por só ter vencido um jogo. Quem é o esperto, quem é?

 

Foi preciso chegar ao último jogo da fase de qualificação para descobrir a selecção que dá vontade de odiar. Consuetudinariamente reservado ao futebol panzer da Alemanha ou ronhoso da Itália, capazes de tirar do sério o adepto mais cerebral, desta vez a desonra a cabe ao sórdido Uruguai. Se Freitas Lobo viu 3 milhões de uruguaios a rematar com o pé de Suarez no golo contra a Inglaterra (uma imagem maior que o cinema, cujo máximo até hoje foi o filme “300”) então que não lhe tenha doído a dentada do mesmo Suarez em 61 milhões e 321 milhares de italianos por via do ombro de Chiellini. Felizmente os pigmeus da América Latina caíram aos pés do belíssimo James da Colômbia. Agora é preciso detestar outros – talvez o sorumbático Brasil, convencido que não precisa de jogar bem porque joga em casa?


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27 Jun 14
Argentina
Duarte Fonseca

Finalizada a fase de grupos e concretizada a mais que expectável mediocridade da nossa equipa, vou continuar a torcer pela albiceleste.


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24 Jun 14
A primeira
Luciano Amaral

Saiu do campeonato a primeira das minhas equipas favoritas (tenho mais duas, ou três, vá: a Bélgica e a Argentina; normalmente gosto da Holanda, mas este ano jogam de uma maneira esquisita). Quando digo favoritas, não é que aposte que vão ganhar. É que gosto especialmente de as ver jogar. A primeira a sair foi a Croácia. Não vamos voltar a ver neste campeonato jogadores de meio-campo como Modric e Rakitic. Mesmo Pirlo, sendo parecido, é diferente. Na realidade, já não se vêem muitos jogadores assim. As marcações à zona e a pressão alta que toda a gente agora pratica de uma forma ou outra tornaram a sua vida muito difícil, sobretudo quando as equipas são muito dependentes deles. Era o caso da Croácia. Mesmo assim, no final, fiquei com a impressão de que com outro treinador teriam ido mais longe.


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22 Jun 14
Lateral esquerdo
Pedro Correia

Leio que andamos à procura de um lateral esquerdo. Fico perplexo. Então não temos já um excelente lateral esquerdo de raiz? Chama-se Marcos Rojo e joga como titular da selecção argentina.


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21 Jun 14

Afinal o onze alemão não é nenhum papão: rima e é verdade. Isso ficou bem demonstrado esta noite, em Fortaleza. O Gana impôs um empate à selecção germânica e poderia mesmo ter saído vencedor do estádio Castelão: faltou-lhe um pouco mais de maturidade táctica.

O resultado acabou por ser lisonjeiro para os jogadores comandados por Joachin Löw. Porque em grande parte do encontro - designadamente nos primeiros 45' - os ganeses foram superiores. Em velocidade, em articulação colectiva, em ambição competitiva. No meio-campo muito bem povoado.

A Alemanha apresentou-se demasiado lenta e previsível, revelando algum cansaço. Parecia ter fé de que a vitória lhe sorriria a qualquer momento, sem necessidade de transpirar muito. Pura ilusão. A rapidez, a combatividade e a técnica individual dos ganeses surpreenderam os germânicos e empolgaram o público nas bancadas, claramente a puxar pela equipa que veio de África.

 

É certo que competia aos ganeses a iniciativa do ataque: uma derrota afastava-os irremediavelmente do Mundial. Isso podia tolhê-los, mas não: foi um repto que funcionou como motivação acrescida para esta selecção, talvez a melhor do continente africano.

Alerta, Portugal: não vai ser nada fácil derrotar os ganeses, até porque também precisarão de vencer para seguirem adiante. Por este motivo, entendo mal que Paulo Bento estivesse a dar uma conferência de imprensa em Manaus à mesma hora a que decorria o Alemanha-Gana. Não seria muito mais útil acompanhar o jogo em directo?

 

Nos 45 minutos iniciais, o melhor alemão foi o guarda-redes Neuer. Isto diz tudo sobre o desempenho da equipa, incapaz de criar uma oportunidade de golo apesar dos esforçados sprints de Özil.

A segunda parte foi empolgante - do melhor que tenho visto neste ou em qualquer outro Mundial (e é já o 11º que acompanho, jogo a jogo). Com dois golos quase consecutivos do Gana (marcados por Ayew e Gyan) que viraram o resultado. O espectro da derrota, após a goleada imposta a Portugal, forçou Löw a tirar do banco a sua arma secreta: Klose. Que dois minutos depois, na primeira vez em que tocou na bola, marcou o golo do empate. O seu 15º golo em fases finais de campeonatos do mundo, em que participa desde 2002. Acaba, portanto, de igualar Ronaldo na lista dos melhores marcadores de sempre.

Há momentos que decidem a sorte e a sina de um desafio. Este foi um deles.

 

E regresso a Portugal: é necessário aproveitarmos da melhor maneira os pontos fracos que os africanos revelam - alguma inconsistência defensiva, aliás bem patente na forma como a Alemanha marcou o primeiro golo, com Götze a movimentar-se como quis entre os centrais. Naquele espaço, Cristiano Ronaldo pode fazer o mesmo. Ou melhor.

Atenção também ao corredor direito ganês, cujo lateral é Afful, um defesa que não parece vocacionado para incursões ofensivas.

Mas antes há que derrotar os Estados Unidos: é já amanhã. Um passo de cada vez.

 

....................................................................

 

À tarde, em Belo Horizonte, ocorreu um escândalo e ia acontecendo outro no Argentina-Irão.

O quase-escândalo foi o zero a zero registado aos 90 minutos: os argentinos deixaram-se surpreender pela muralha defensiva da selecção do Irão, comandada por Carlos Queiroz, e sofreram alguns calafrios em lances de contra-ataque fortuito dos adversários. Um nó quase cego que acabou por ser desfeito pelo único argentino capaz de fazer a diferença pelo seu talento insuperável: Lionel Messi. Aos 91', aproveitando a única nesga de espaço que lhe foi concedida em todo o encontro, disparou um golo indefensável, perfeito tanto em técnica como em força. Um golo que apetece ver e rever. O segundo do astro do Barcelona, após o da vitória tangencial contra a Bósnia-Herzegovina.

O escândalo verdadeiro foi mais um penálti que ficou por marcar. Um penálti claríssimo, contra a Argentina.

Cumpriu-se o ritual, em dose dupla. De novo a equipa prejudicada foi a considerada mais fraca. De novo um erro escandaloso do sérvio Milorad Mazic, o mesmo árbitro que já tinha feito vista grossa ao derrube em falta de Éder na grande área alemã. Queiroz queixou-se. E com razão.

Felizmente, apesar dos árbitros incompetentes, este continua a ser um bom Mundial.

 

Alemanha, 2 - Gana, 2

Argentina, 1 - Irão, 0

 

Messi: dois jogos, dois golos


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16 Jun 14
A ver o Mundial (4)
Pedro Correia

Os limites óbvios da excelência individual num desporto colectivo ficaram esta noite bem patentes ao minuto 65 do Argentina-Bósnia-Hergezovina. Um jogo em que a teia colectiva - de ambos os lados - prevaleceu sobre o génio individual, excepto no lance que originou o golo da vitória tangencial dos argentinos, protagonizado pelo suspeito do costume: Lionel Messi. Conduzindo a bola para onde quis, em fracções quase milimétricas de terreno, por uma vez o astro do Barcelona conseguiu libertar-se da marcação cerrada e rematar com o seu magnífico pé esquerdo para o buraco da agulha.

 

Houve duas partidas numa só. Na primeira parte, em que abdicou dos laterais para formar um tridente defensivo como parece estar a tornar-se moda neste Mundial, o seleccionador argentino sofreu diversos calafrios ao reparar nos bósnios demasiadas vezes em zonas de perigo. Nunca me lembro de ter visto o nosso Marcos Rojo tão adiantado: jogou como médio ala, funcionando por vezes quase como um extremo.

O alarme soou cedo, mas as alterações tácticas só surgiram no segundo tempo, já com o quarteto defensivo recomposto, o que aliviou a pressão bósnia, e o ataque refrescado (uma selecção que se dá ao luxo de ter Higuaín 45 minutos no banco e nem pôs Enzo Pérez a fazer exercícios de aquecimento tem tudo para ser temível).

 

As mudanças operadas pelo seleccionador Alejandro Sabella produziram efeito: a Argentina, mais precatada e calculista, tomou as rédeas da partida e não voltou a largá-las, mesmo após ter sofrido o golo bósnio. Um golo caricato, que Romero revisitará a partir de agora nos seus piores pesadelos cada vez que recordar a bola a passar-lhe debaixo das pernas e a dirigir-se tranquilamente para a linha de golo sob o olhar impotente do infeliz guardião.

Rojo foi uma das figuras da partida, com as virtudes e defeitos que bem lhe conhecemos. Partiu dele o remate que originou o primeiro golo argentino, após tabela num defesa bósnio, Kolasinac, iam decorridos apenas três minutos. E foi também ele o único argentino contemplado com um cartão amarelo - castigo que o levou a ser menos impetuoso. É ainda muito jovem, tem tempo de sobra para adequar os nervos ao talento e tornar-se um futebolista de primeiríssimo plano. Jogue em que posição jogar.

 

Tendo como palco o espectacular Maracanã reconstruído para o Campeonato do Mundo, este desafio deixou igualmente bem evidentes os condicionalismos climáticos do torneio: mesmo realizado já ao cair da noite (a partir das 23 horas em Portugal), o jogo deixou de disputar-se com a intensidade física anterior quando faltavam ainda vinte minutos para chegar ao fim.

Demasiado calor, demasiada humidade, demasiada tensão. Questiono-me como ocorrerá o embate desta tarde, em Salvador, entre portugueses e alemães a partir das 13 horas locais...

 

Argentina, 2 - Bósnia-Herzegovina, 1

 

Messi na jogada do golo contra a Bósnia-Herzegovina


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Idiossincrasia?
Duarte Fonseca

A Argentina, ontem, entrou em campo apenas com um jogador que joga no campeonato local, Maxi Rodriguéz (grande parte da carreira desenvolvida na Europa). Ao intervalo este último saiu e entrou Fernando Gago que joga no Boca Juniors, mas que também já teve passagens por Espanha e Itália. De resto, todos os jogadores jogam na Europa.

Digo isto apenas para constatar a minha incredulidade com a anarquia táctica com que esta selecção joga. É incrível como jogadores habituados a jogar ao mais alto nível e em equipas tacticamente evoluídas, jogam desta forma pela selecção.

Será o mindset de jogarem pelo seu país?

Será a falta de qualidade do treinador?

É que a qualidade individual desta selecção é espantosa.

Ontem, no final do jogo, dei por mim a imaginar o nível que esta selecção poderia apresentar se tivessem um comportamento táctico consentâneo com a qualidade individual dos protagonistas. Mas, simultaneamente interrogava-me: será que os jogadores querem jogar de forma diferente?

Parece-me mais idiossincrático do que outra coisa…

E é por isso que é sempre especial ver um jogo da Argentina! Mesmo desrespeitando quase todos os princípios que aprecio numa equipa de futebol, não consigo deixar de me maravilhar. Aqueles homens não são apenas futebolistas, são argentinos!


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03 Jun 14
Eu jogaria assim:
Duarte Fonseca

Andújar, Zabaleta, Garay, Rojo, Fernandez, Mascherano, Enzo, Di Maria, Lavezzi, Messi e Aguero.

Em 4x4x2 com Mascherano e Enzo no meio, Di María e Lavezzi nas alas e Rojo a central.

Dia 15 às 23h começa o sonho e só me falta tirar a bandeira da gaveta.


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05 Mar 14

Sou torcedor, por ordem crescente, do(a):

  1. Sporting Clube de Portugal
  2. Vitória Futebol Clube Mindense
  3. Selecção Nacional Portuguesa
  4. Selecção Nacional Argentina

Portanto, preocupo-me sempre mais com o Sporting do que com a Selecção Portuguesa.

 

Como estão as coisas na nossa selecção, vou passar o mundial a puxar pela Argentina e na esperança de que as coisas corram suficientemente bem ou mal a Portugal para que o actual seleccionador deixe de o ser.


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