23 Mai 17
O ano que vem
Pedro Boucherie Mendes

 

Na próxima época, Sporting e Porto estarão unidos num objectivo importante: impedir que o Benfica seja penta. A questão é meramente simbólica mas sabemos como essas são sempre as mais importantes. Para o Porto o desafio é maior e mais grave, o que poderá funcionar como motivação na medida em que cada jogo (do campeonato) poderá ser jogado como uma final. No Sporting, acredito, estaremos mais concentrados em ser campeão. 

O vídeo árbitro (VD) será o principal destaque da próxima Liga dê lá por onde der. A polémica vai ser imensa, com os programas das televisões a terem aqui um novo inimigo porque, como se calcula, o VD é bom quando beneficia a nossa equipa e mau quando nos falha.
Acredito que seja sobretudo o Benfica o clube a ser mais condicionado pelo VD. O segredo dos últimos títulos (pelos menos dos últimos dois) está (também) na generosidade arbitral para com a raça de Luisão, Fejsa e Samaris em campo. Agora que sabem que podem ser expulsos por vídeo talvez estes jogadores se resguardem. É também por este motivo que acredito que o Porto deveria vender Maxi e o Sporting Adrien. Da mesma forma que o VD actuará em penalties, gostaria que fosse activado em simulações dos mesmos, embora não sei se isso está previsto. Interessante notar que um treinador como JJ, adepto de futebol atacante, positivo e organizado possa beneficiar do VD e um treinador mais invernoso, resultadista e focado na batalha do meio campo como Rui Vitória possa ser prejudicado. O Porto terá de ter em atenção este “novo” futebol na formação do plantel e na aquisição de novos jogadores.

O futebol é muito diferente e espectacular hoje em dia (quando comparado com quando eu era garoto, há uns 30/35 anos) por dois motivos: a lei do fora de jogo permitir que a jogada seja legal quando o avançado está em linha e os guarda-redes não poder jogar com as mãos se a bola lhe é passada pelo defesa. Acredito que o VD venha a ter impacto similar.


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11 Mai 17

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Prometeram-nos o título.

O presidente, num daqueles exageros a que já habituou os adeptos, chegou a convidar os jornalistas a contemplar uma prateleira vazia no museu, garantindo-lhes que aquele era o espaço já reservado para a taça comemorativa da conquista da Liga 2016/17.

 

Prometeram-nos uma equipa de combate.

O plantel foi construído de raiz com as escolhas do treinador, acrescidas de duas ou três "prendas" que o presidente entendeu dar-lhe, na sequência da renovação do contrato ocorrida meses antes como prémio do segundo lugar no campeonato.

 

Prometeram-nos ser fiéis ao lema do fundador, o Visconde de Alvalade: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Anunciaram sem rodeios que estava de regresso o Sporting dos grandes feitos e das grandes proezas, com o maior investimento de sempre no futebol leonino e supostos craques aterrados em Lisboa, oriundos das mais diversas proveniências.

 

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Isto ocorreu entre Julho e Setembro.

Escassos meses depois, em Janeiro de 2017, o Sporting já estava arredado de todas as frentes da competição futebolística.

Uma derrota no Porto, mal iniciada a segunda volta, deixou-nos fora da luta pelo título e com a certeza antecipada de que a tal prateleira no museu de Alvalade permaneceria vazia.

 

Chaves atirou-nos para fora da Taça de Portugal, envergonhando a nação leonina.

O Vitória de Setubal empurrou-nos para fora da Taça da Liga, que viria a ser ganha pelo Moreirense.

Nas competições da UEFA, nem à Liga Europa chegámos. Porque nos foi travado o passo pelo poderoso Légia de Varsóvia, colosso do futebol mundial.

Fizemos exibições vergonhosas frente ao Tondela, ao Braga e ao Belenenses em casa. Chegámos a ser humilhados pelo Rio Ave em Vila do Conde.

 

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Balanço: fraco futebol para a fasquia que foi fixada. Digamos, sem limar arestas, que foi uma época perdida.

As contratações - "prendas" incluídas - revelaram-se um monumental fiasco.

Os craques afinal não o eram. Mesmo tendo sido escolhidos a dedo pelo treinador.

Concluiu-se que a equipa foi afinal mal organizada, estando servida por laterais paupérrimos nas duas alas. Laterais que vieram por designação do técnico, a quem o presidente fez questão de satisfazer com uma generosidade inédita na história do clube em geral e desta SAD em particular.

Descontente, apesar disso, o treinador termina a época queixando-se da necessidade de recorrer a "terceiras escolhas".

Esquecendo-se de que só ele foi responsável por tais escolhas.

 

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Num aparente milagre da multiplicação das fontes, começaram de imediato a circular notícias assegurando o súbito interesse do FC Porto - segundo classificado do campeonato - na aquisição do treinador da equipa situada em terceiro.

E não só do Porto: chovem as propostas de trabalho do estrangeiro, com o hipersupermegaempresário supostamente de telefone na mão, garantindo novos paradeiros para o profissional em causa. Da França, da Itália, da Espanha, da Inglaterra, da Turquia: todos o querem.

 

Já vimos esta telenovela.

É a reedição de outras, intituladas "Agarrem-me Senão Eu Saio". Que terminaram sempre com final feliz para o protagonista, contemplado com sucessivos aumentos salariais.

 

Chegou a altura de conceber outro fim para a telenovela. E de lhe atribuir novo nome. Adianto desde já uma sugestão: "Segue o Teu Rumo".

E manda um postal aos que por cá ficam.


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12 Mar 17

Os meus olhos são uns olhos (como dizia Gedeão) e foi com esses olhos que vi aquilo que contarei a seguir.

Outros com outros olhos terão visto coisas diferentes.

Vi o Sporting a jogar com uma nuance táctica que definirei como um 4x3x3 triângulos.

Quatro defesas.

Três médios, estando William no vértice do lado direito, dobrando Schelotto e Bryan no vértice esquerdo dobrando Marvin, no vértice superior Podence, encostando a Bas, na prática funcionando como 10 ou avançado vagabundo.

Três avançados (na prática quatro como vimos no parágrafo anterior) com Matheus e Gelson bem abertos nas alas e Bas no vértice superior deste segundo triângulo.

Nem William jogou a seis, nem Bryan a oito, este é o primeiro equívoco que grande parte dos analistas cometeram. Esta teoria prova-se, facilmente, quando Palhinha entra para o lugar de Matheus ocorre uma rotação de posições. Bryan vai para a posição de Matheus, William para a de Bryan e Palhinha para a de William.

Vejamos então, detalhadamente, as intervenções de Bryan no jogo.

0' 22'' - Recua para ajudar a defesa, recupera a bola e ensaia um passe para o lado direito. Schelotto deixa sair a bola pela linha lateral.

0' 50'' - Na sequência do lançamento lateral Bryan no lado direito da defesa protege a saída de bola pela linha de fundo. Pontapé de baliza para Patrício.

1' 30'' - Pressionado por dois jogadores do Tondela, atrasa para Coates.

1' 54'' - Recebe a bola na esquerda e ainda do nosso meio campo efectua um passe milimétrico para Bas.

4' 52'' - Pressionado, atrasa para Coates.

7' 50'' - Recebe a bola dum lançamento lateral e coloca em Bas.

9' 24'' - Executa um livre irrepreensível, defendido miraculosamente (como diria Teodora) pelo guarda-redes tondelense.

10' 26'' - Comete uma falta cirurgica, impedido uma transição rápida "verdamarela".

11' 00'' - Passe longo para Matheus.

11' 12'' - Passe para William.

12' 00'' - Marca canto do lado direito, para o segundo poste, surge o "gigante" Podence a cabecear.

12' 20'' - Corta de cabeça no meio campo defensivo, colocando em Podence.

12' 38'' - Recebe a bola de Marvin e sofre falta sobre a linha que divide o campo a meio.

16' 33'' - Ganha uma bola no meio campo e coloca em Podence.

17' 20'' - Recupera a bola e desanuvia para Paulo Oliveira

18' 53'' - Circula a bola com William

19' 03'' - Recupera a bola, abre para Schelotto que vai à linha e cruza. Bryan tenta dominar com o peito mas é estorvado dentro da área (penalty perdoado ao Tondela?).

20' 00'' - Recebe a bola com o pé direito (aí a uns 10 m da área do Tondela) e quando tenta ajeitá-la para o pé esquerdo é desarmado por trás, sem falta.

20' 18'' - Ajuda William a resolver o roubo de bola anterior.

22' 41'' - Controla a bola a meio campo, joga com William.

25' 33'' - Recupera e desanuvia para Coates.

25' 40'' - Tabela com Coates.

25' 56''- Tabela com Coates.

26' 02'' - Sai em drible e coloca à entrada da área para Podence.

26' 43'' - Recebe a bola na nossa área e coloca-a em Bas

27' 33'' - Recebe de Marvin, tabela com o holandês, desmarca-se para a área, Marvin joga para Matheus e a jogada perde-se.

28' 30'' - Marca um livre perto da nossa área, falta sobre Marvin.

31' 53'' - Passe em profundidade para Matheus a rasgar a defesa contrária. A bola é rechaçada pela linha lateral. Desse lançamento, executado por Marvin para Podence vai nascer o primeiro golo de Bas. Na origem da jogada, Bryan.

34' 11'' - Marca um livre para Coates.

34' 29'' - Um momento de magia, pára com o peito, domina com o joelho esquerdo e com o pé canhoto faz uma assistência para Gelson que é meio golo, o 77 arranca atrasado e deixa-se antecipar pelo guarda-redes.

36' 00'' - Sai em drible pela esquerda e coloca na área em Matheus.

36' 22'' - Recupera mais uma bola no meio campo, coloca em Podence.

37' 54'' - Alivia dentro da nossa área, de cabeça, na sequência de um livre (não) cometido por William (mão/ombro, consoante o jogador se chamar William ou Nelson Semedo; para o primeiro, a mesma parte do corpo, é mão, para o segundo, ombro)

39' 44'' - Abertura para William.

40' 18'' - Recebe após um lançamento lateral e dá de calcanhar para Matheus.

40' 43'' - Corta e atrasa para William.

41' 00'' - Tenta recuperar mais uma bola, esta escapa-lhe sem perigo, a defesa resolve.

41' 52'' - Aparece no ataque a combinar com Podence.

42' 03'' - Joga com Paulo Oliveira.

42' 31'' - Combina com William.

43' 20'' - Marca canto do lado direito, Paulo cabeceia como mandam as regras, a bola passa a centímetros da trave.

45' 10'' - Recebe após lançamento lateral, passa para Paulo Oliveira.

Vamos para intervalo, como vimos, até agora, Bryan esteve "péssimo", está na origem da jogada que dá o único golo, marcou dois cantos que poderiam ter dado golo, um livre que não entrou por milagre e foi carregado dentro da área tondelense numa jogada de possível penalty.

45' 28'' - Parte como uma seta pelo corredor esquerdo , dribla, corre até à linha de fundo e faz um cruzamento perigosíssimo para o coração da área, a defesa do Tondela alivia pela linha lateral.

46' 19'' - Recebe no meio campo, joga em William.

46' 36'' - Controla a bola e passa-a a Coates.

48' 50'' - Sai a jogar, coloca em Matheus.

48' 55'' - Controla a bola e passa-a a Coates.

49' 09 - Passe para Podence.

50' 45'' - Mais uma jogada de ataque, coloca em Matheus.

52' 00'' - A tal jogada, a jogada Monty Python que crucificará Bryan. Vejamos como ocorreu. Recebe a bola de William e coloca em Matheus, este atrasa para Marvin que endossa o esférico a Bryan, o capitão da Costa Rica, passa a bola a um jogador do Tondela (não há outra forma de dizê-lo) apercebe-se, imediatamente, do erro, recua, Coates vai à bola e incomoda o tondelense, Bryan consegue cortar a jogada na direcção da linha lateral onde já está Marvin, o holandês não chega à bola, nem faz falta, deixa andar, a bola é atrasada, Bryan está a ocupar o espaço à frente da área e a bola é atrasada quase para a zona do grande círculo onde está Podence, que não ataca nem a bola, nem o jogador do Tondela, daqui a bola vai para as proximidades da área, onde estão William e Paulo Oliveira, vem, novamente, para trás para a zona onde está Podence, daqui vai para a zona onde estão Coates e Marvin e daí é cruzada para a área onde Paulo Oliveira se deixa antecipar. Parece-me demasiado simplista dizer que Bryan foi culpado deste golo, quem não viu o jogo pensará que ele atrasou a bola para Murillo e este fez o golo. Não foi bem assim.

A seguir a esta jogada Bryan iniciará o lance do 1-2 como veremos a seguir.

53' 55'' - Passe a rasgar para Matheus, este descobre Bas e golo! Parece simples.

75' 48'' - Passe para Matheus, este descobre Bas e penalty. 1-4.

Um para o Tondela, quatro para o Sporting (Bryan não participa na jogada do penalty sobre Gelson que se desenvolve pelo lado direito).

Bryan, como vimos, esteve em  três dos golos leoninos, há olhos que não vêem as flores que ele fez mas acusam-no dum escolho que não fez.

Quem diz escolhos diz flores, de tudo o mesmo se diz , onde uns vêem luto e dores, outros descobrem cores do mais formoso matiz.


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07 Mar 17
As evidências
Pedro Correia

«Jesus diz que tirou Bruno, Alan, depois Bryan, e que a equipa perdeu capacidade de construir. É verdade. Tal como é verdade que William se desnorteou tacticamente quando ficou com a missão de pressionar alto e que o Sporting acabou o jogo num 4-2-4 sem a mínima ligação e com os centrais sem saberem muito bem a quem entregar a bola. Enquanto isso, Podence nem saiu do banco, Matheus marca golos pela B e Francisco Geraldes, sentado na bancada, via, tal como eu, aquele vazio de quem pegasse na bola e pensasse o jogo.»

Cherba, n' A Tasca do Cherba

 

«Não compreendo como é que, estando a época perdida, não aproveitamos as oportunidades que temos (e que serão poucas) para dar mais oportunidades a jogadores que podem fazer parte do futuro do Sporting em relação aos que não farão parte do futuro do Sporting. Falo da colocação de Joel Campbell em campo. Daqui a dois meses e picos vai embora e dificilmente voltará. Não faria mais sentido colocar Podence, naquelas circunstâncias?»

Mestre de Cerimónias, n' O Artista do Dia

 

«Não faz sentido algum que jogadores que sabemos serem opção para sair no final da época ganhem os minutos que jogadores com tanto futuro como Podence, Geraldes ou Matheus deveriam ganhar. São estas inconsistências que me fazem acreditar que não vale a pena ter “estrutura” nenhuma quando a decisão última de JJ contraria qualquer racionalidade e salta aos olhos de qualquer treinador de bancada que pelo menos Geraldes tem lugar no actual meio-campo do Sporting, muito mais que Bryan Ruiz.»

Javardeiro, no Leão de Plástico

 

«Não há como disfarçar: a quase totalidade da palavra fracasso com que se qualificará a época em curso tem sido escrita pela mão de Jorge Jesus. Começou por desbaratar a oportunidade que lhe foi concedida na carta branca embrulhada em vários milhões de euros e agora, na versão económica, não encontra a fórmula de rentabilizar os jogadores que tem à disposição, de forma a devolver competitividade à equipa e preparar o futuro.»

José Duarte, n' A Norte de Alvalade

 

«Um Sporting que, dois anos depois, ainda faz experiências na defesa à procura do Santo Graal defensivo, uma equipa que denuncia a cada momento o momento seguinte, que oscila como varas verdes com qualquer brisa, é uma equipa que dificilmente vencerá. Seja lá o que for. E não me venham falar de pressão. Coitadinhos dos jogadores. Pressão é levantar-se todos os dias para trabalhar, muitas vezes em empregos precários e sem tabuletas no horizonte a dizer: vacances.  Haja paciência!»

Gabriel Pedro, n' A Insustentável Leveza do Liedson

 

«Por quanto tempo mais teremos todos de continuar a ser confrontados, jogo após jogo, com os farrapos de desculpas de eventuais debilidades estruturais, de eventual falta de empenho dos atletas ou de eventuais erros de arbitragem e nunca, jamais, em tempo algum, a honesta e frontal assunção das culpas sobre cuja origem já nenhum adepto leonino terá dúvidas?!...»

Álamo, no Leoninamente


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16 Jan 17

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É sempre assim. Rui Patrício coloca a bola num dos centrais, que a remete para um lateral. Este ou progride uns metros com ela ou apressa-se a devolvê-la ao central, que por sua vez a transfere para o médio defensivo. William, o primeiro pensador da equipa, deixa a bola bem colocada nos pés de Adrien, outro pensador e um transportador de luxo no eixo do terreno. Não tarda muito, a bola está com Gelson Martins, que faz dela o que quer na ponta direita, terminando no entanto quase sempre com um centro desfeito pela defensiva adversária.

O Sporting constrói o seu jogo quase sempre da mesma maneira - a que descrevi no parágrafo anterior. Com exagerada tranquilidade nas situações de posse de bola e uma tremideira inexplicável quando a perdemos. Com um número excessivo de passes curtos que conduzem a situações de bloqueio a meio-campo, forçando atrasos ao guarda-redes e o recomeço da construção ofensiva exactamente nos mesmos moldes.

 

Ao manter a linha defensiva muito avançada e os laterais actuando como extremos na tentativa reiterada de bombear a bola na área após o fracassado cruzamento inicial de Gelson, a nossa equipa torna-se demasiado previsível e presa fácil até para adversários medíocres, que se apresentam em campo com a lição bem estudada. Qualquer contra-ataque rápido leva o pânico ao nosso reduto defensivo, apanhado vezes sem conta desposicionado.

Adaptar este modelo, tornando-o mais versátil e sinuoso, menos previsível e ajustado às características dos intérpretes, é missão prioritária do treinador, que deve conferir-lhe dinâmica. Porque a posse de bola dissociada da linha de baliza, sem velocidade nem convicção ofensiva, pode deslumbrar os amantes domésticos do tiquitaca mas só por mero acaso nos conduz à conquista de troféus.

 

E é isso que nós queremos: troféus. Chega de basófia para alimentar manchetes, chega de refregas verbais com terceiros, chega de alusões aos violinos do passado. São já demasiados anos sem inscrevermos o nome do Sporting na galeria dos campeões nacionais em futebol. Há milhares de adeptos muito jovens, de inquebrantável espírito leonino, que aguardam isso, que exigem isso, que merecem isso.

Em nome destes adeptos que nunca festejaram um título de campeão, este Sporting de Bruno de Carvalho e Jorge Jesus tem a obrigação de tudo fazer para não lhes defraudar o grande sonho, tantas vezes adiado.


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05 Jan 17

1. Jorge Jesus escalou mal a equipa no jogo de ontem. As "poupanças" são más conselheiras. Deixar de fora do onze titular  Adrien, Gelson, Bas Dost e Bruno César em simultâneo só podia dar no que deu: 45 minutos de avanço ao V. Setúbal (que aliás esteve prestes a adiantar-se no marcador no primeiro lance do jogo, se não fosse uma magnífica defesa de Beto) e necessidade de reformular a equipa logo ao intervalo. 

Passa pela cabeça de alguém?

 

2. É cada vez mais evidente que a política de contratações levada à prática pelo Sporting no passado Verão foi desastrosa. Ninguém pode negar esta evidência: temos uma ausência clamorosa de segundas linhas. Tirando Beto, Bas Dost e Campbell, tudo o resto devia ser devolvido sem demora à proveniência. A começar pelo inútil Markovic, que ontem voltou a demonstrar ser uma nulidade.

Castaignos, o avançado incapaz de marcar golos, é um novo Barcos. Douglas, um pinheiro plantado na nossa área. Petrovic não calça, Alan Ruiz também não. Meli tornou-se invisível. Paulista nem sabemos se ainda treina de verde e branco. André distingue-se pelos golos que é incapaz de marcar (ontem falhou dois à boca da baliza). Elias, mesmo tendo marcado um golito, voltou a ser de uma vulgaridade gritante nesta partida do Bonfim.

Ninguém assume responsabilidades por tantas contratações desastrosas, que tornam este plantel o pior - e o mais caro - desde que Bruno de Carvalho ascendeu à presidência?

 

3. Se somarmos ao que escrevi acima o apagamento total de Bryan Ruiz, que ontem teve a pior prestação de sempre pela nossa equipa e acabou por ir tomar duche ao intervalo, temos o quarto rombo da temporada. Somado às saídas de João Mário, Slimani e Teo Gutiérrez.

Bryan continua, mas só de espírito: as pernas - e por vezes a cabeça - parecem ter emigrado para parte incerta.

 

4. O que se passa com Matheus Pereira? Está de castigo? Se não serve para jogar na Taça Lucílio Baptista serve para quê? Alguém acredita que este jovem da nossa formação faria pior figura do que algumas nulidades que ontem se arrastaram no campo do Bonfim?

Vamos emprestá-lo para manter em Alvalade os poltrões que mencionei acima? E o que esperamos para trazer Palhinha, Tobias Figueiredo e Francisco Geraldes de volta? Não será também a altura de mandar regressar André Geraldes e Jonathan Silva?

Custa assim tanto perceber que é possível fazer muito melhor por muito menos dinheiro se soubermos gerir bem os recursos próprios em vez de importarmos cabazadas de jogadores inúteis que só vêm para Portugal fazer turismo e ganhar dinheiro que não merecem?


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22 Set 16

Dos reforços do Sporting, até agora, tenho a dizer o seguinte:

Alan Ruiz - Revela bom toque de bola, tem faro de golo e remate bem colocado. Falta-lhe disciplina táctica. Ainda não encontrou o lugar ideal para actuar.

André - Poder de remate e capacidade de fazer passes de ruptura. Falta-lhe integração no colectivo.

Bas Dost - É reforço, sim. Grande potencial de golo, homem de área por excelência, muito posicional, não perde a baliza de vista.

Campbell - Bom no confronto individual e na forma de tratar a bola, mas displicente em termos tácticos. Pouca ou nenhuma vocação para se envolver na organização defensiva. Sabe marcar golos, como já demonstrou.

Castaignos - Uma enorme incógnita.

Douglas - Outra enorme incógnita.

Elias - Regressou três anos depois a Alvalade, mais velho e aparentemente ainda mais lento. Tem boa leitura de jogo, mas as pernas não parecem funcionar ao mesmo ritmo. Prestação sofrível em Madrid.

Markovic - Movimentos desgarrados, inconsequentes. Nada fez até agora que deslumbrasse os adeptos neste regresso a Portugal.

Meli - Mal se deu por ele até agora. Onde andará?

Petrovic - Preso de movimentos, sem capacidade de passe. Ainda não se estreou na época oficial.


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19 Set 16

 
Acosta, Liedson, Slimani. São muitas épocas a jogar com um ponta de lança carraça para os defesas; com Jardel pelo meio a fazer de excepção. Épocas para quem? Para nós, os adeptos que ontem não vimos nada disso.

Com justiça, JJ avisou que os novos jogadores não eram nem Slimani nem João Mário. De outro modo, seria Dost, ou André, ou Markovic no Inter ou no Leicester.

O que se passou ontem dá razão a JJ em não ter deixado que Adrien saísse. Imaginem que ele nem estava em campo…

Os golos do Rio Ave foram bem desenhados - mas a sorte esteve do lado deles. Não se marcam 3 golos de rajada sem fortuna. Isto não desvirtua o mérito, apenas para notar que aquela do André (ainda com 0-0) também podia ter dado golo. E sim, claro, também sei que se a vossa avó tivesse rodas seria táxi e também sei que o SCP já ganhou com sorte.
Para concluir – neste ponto – que é altamente duvidoso que RA volte a marcar três em tão pouco tempo e que o SCP os volte a sofrer.

 

Percebeu-se logo que iria ser um jogo terrível para nós. Rio Ave jogou bem e mereceu ganhar. Bem Capucho na leitura do jogo e melhor ainda os jogadores a interpretá-la. Pelo semblante de JJ ainda na primeira parte percebeu-se que nem ele “acarditava”. 


JJ é um personagem que anima o nosso futebol, suscita boas capas de jornais e animados debates. Gosto dele como sempre gostei. Como gosto de outros protagonistas com cromices. Qual é o problema de ele se achar o melhor? Para mim não há problema nenhum e mesmo que fiquemos em terceiro ou quarto, ainda bem que está connosco!

Claro que Campbell e André foram dois jogadores a menos no primeiro tempo, sobretudo porque não pressionaram alto ou altíssimo como queiram. Bruno César, cá para mim, foi vítima de circunstâncias.

Benfica, como já escrevi, é campeão e favorito. Os seus jogadores são menos ansiosos e têm mais experiência. Nota-se aliás o inverso no Porto. É a vida.

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01 Set 16
Agora que o mercado fechou
Pedro Boucherie Mendes

Tem alguma graça a exigência que já está a ser colocada no SCP, depois do fecho do mercado lhe ter dado quase unanimemente o troféu de campeão (do mercado). Tem graça porque a equipa perdeu dois elementos nucleares que têm o peso específico de cada um, o peso atribuível no equilíbrio da dinâmica colectiva e ainda – talvez mais importante – aquele factor xis que os jogadores que valem milhões têm e que os distinguem. Para quem não se lembra, o SCP demorou anos a libertar-se do fantasma de Liedson - que era tão especial que condicionou a equipa a um tipo de jogo que se revelou tão terrivelmente ineficaz sem ele que até ficámos em sétimo num dos anos seguintes.
Slimani era o primeiro trinco da equipa e João Mário, muitas das vezes até era o segundo (porque Teo não estava para isso e porque Bryan é outro tipo de pressão, mais macia). Quem voltar a ver os jogos da nossa selecção no Euro, em especial os quartos, meias e final, verá um João Mário de arte invisível mas de uma utilidade e maturidade táctica invulgares. O Sporting ganhou em Paços também porque Slimani, mesmo com a cabeça nas nuvens da liga inglesa, ganhou aquela bola gasta que haveria de servir para dar o golo a Adrien.
Slimani é um avançado rijo, combativo, com gosto de golo e de glória, ambicioso e determinado e com o pulmão de um toiro. Como diria JJ, ninguém veio dar uma trintena de milhões pelos que agora o SCP cá tem, pois não?
Dizer que o SCP é ‘obrigado’ a ganhar o título e ‘obrigado’ a bater-se de igual para igual com Real e Dortmund é um daqueles saltos lógicos próprios de uma mentalidade oito-ou-oitentista.
Aceitemos que o plantel do SCP é forte e potencialmente muito forte, mas no Benfica quase todos os jogadores foram campeões várias vezes e muitos deles são obviamente muito bons. Numa liga de ataque sistematizado como a nossa (em 95% dos jogos) não há ninguém como Jonas para a meter lá dentro, aparecendo vindo sabe-se lá de onde.
É nos joguitos cansativos, de sábado de chuva, no lusco-fusco, em campos onde há corneteiros, que os jogadores de milhões se têm de motivar e lutar para ganhar a adversários chatos que dão tudo por tudo. Não estou por dentro do processo de manutenção de uma equipa de futebol de topo, mas intuo que não deve ser nada fácil extrair rendimento total de um artista e de uma equipa numa sexta à hora de jantar na Choupana ou no Bessa, que sabe que na quarta vai jogar com o Dortmund. O desafio será esse. E não há muito tempo. Para ilustrar o meu ponto, no ano passado, a loucura saudável de Renato Sanches nesses jogos, a levar a equipa às costas, foi essencial para o Benfica ganhar esses joguinhos e o título. 
RS era alguém que não se poupava e foi esse o sortilégio do Benfica. Se Rui Vitória resolver o problema depressa, o Benfica será o principal candidato, acredito. 
Porquanto, dizer que o SCP tem obrigação de ganhar o campeonato é uma tolice. Tem a obrigação de fazer um grande campeonato, como o Benfica tem e o Porto terá ligeiramente menos. No fim ganhará apenas um, para acabar de forma óbvia, mas é jogo a jogo que a história se escreverá, para terminar de maneira ainda mais óbvia.


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11 Dez 15
O que mudou?
Eduardo Hilário

No dia 1 de Outubro de 2015, o Sporting Clube de Portugal deslocou-se à Turquia para defrontar o Besiktas, tendo-se feito representar pelo seguinte onze: Rui Patrício, Jonathan Silva, Naldo, Tobias, João Pereira, William Carvalho, Alberto Aquilani, Carlos Mané, Matheus Pereira, Bryan Ruiz e Teo Gutiérrez.

 

O onze de ontem era um “pouco” diferente e contava apenas com seis alterações…

 

Com isto não quero dizer que o onze anterior tinha menos qualidade, apenas posso concluir que era um pouco diferente. Ontem alinharam Paulo Oliveira, Jefferson, João Mário, Adrien Silva, Slimani e Fredy Montero nos lugares de Jonathan Silva, Tobias, Alberto Aquilani, Carlos Mané, Matheus Pereira e Teo Gutiérrez.

 

Na minha perspectiva, estas alterações acrescentaram maturidade, objectividade e criatividade.

 

Paulo Oliveira e Jefferson trazem maturidade à linha defensiva. As rotinas de jogo que Adrien Silva e João Mário apresentam, acompanhados por William Carvalho, acrescentam maturidade e criatividade ao nosso futebol. Por fim, Slimani é o jogador que qualquer treinador queria ter no seu plantel. Ele nunca desiste… É o primeiro jogador a defender e não dá um lance por perdido.

 

Mas será que foram estas alterações que fizeram toda a diferença? Sinceramente… Acho que não.

 

Estamos diferentes porque finalmente estamos rendidos ao nosso lema. Só com esforço, dedicação e devoção é que chegamos à glória. Parece que finalmente encontrámos a nossa identidade.

 

Saudações Leoninas


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27 Ago 15

O que menos interessa agora é chorar sobre o leite derramado. Mas não vou mudar de assunto sem reflectir sobre as culpas próprias no descalabro da segunda parte de ontem em Moscovo. Ao intervalo, tínhamos lugar na Liga dos Campeões: um golo fora, somado aos dois obtidos em Alvalade, chegava e sobrava para bater a buliçosa turma russa, que só conseguira fazer chegar uma vez a bola ao fundo da nossa baliza, na primeira mão.

Acontece que o nosso treinador mexeu tarde na equipa - e mexeu mal. Chegou a ser confrangedor ver como alguns jogadores se arrastaram longos minutos em campo. Com destaque para Bryan Ruiz, Carrillo e Aquilani (Teo, exausto, já tinha dado lugar a Slimani aos 68'). As entradas de Montero (que não chegou a tocar na bola) e Carlos Mané, aos 89', foram tão tardias que se tornaram escusadas.

Disse no fim o treinador que estava à espera de um putativo prolongamento para refrescar a equipa. Foi a confissão de alguém que não se mostrou ao nível deste desafio: o prolongamento não chegou a ocorrer precisamente porque o nosso onze não foi refrescado e revigorado em tempo útil.

Esta é, aliás, uma questão que me preocupa - a dos elevados índices de quebra física do onze titular leonino: recordemos que Jefferson não chegou a embarcar para Moscovo por fadiga muscular. Uma questão que merece reflexão séria também ao nível das competições internas. Já basta dois dos nossos melhores jogadores - William Carvalho e Ewerton - estarem fora de competição por lesões prolongadas. 

Quanto ao resto, reconheçamos que a Liga Europa é uma competição muito mais acessível ao Sporting do que a Liga dos Campeões. As coisas são o que são.


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02 Ago 15
The day after
Pedro Correia

«Um sonoro rugido de leão ecoava em Alvalade. Era o Sporting, versão 2015/16, em apresentação oficial, antes do jogo com a Roma, para a quarta edição do Troféu Cinco Violinos. O mote estava dado: o acordar do leão - era o que se lia no relvado (...). E este acordar tem um maestro: Jorge Jesus. O novo treinador sportinguista, de resto, foi dos mais aplaudidos da tarde/noite. O efeito Jesus a fazer sentir-se em Alvalade. E ainda por cima o Sporting ganhou o troféu.»

Rui Baioneta, A Bola

 

«O Sporting está a sair de forma promissora na pré-época. Depois de vencer um torneio na África do Sul, apresentou-se aos sócios derrubando o Roma, opositor com assento directo na Liga dos Campeões e que já tinha defrontado Real Madrid e Manchester City sem perder (empatou com ambos e ganhou aos madrilenos nos penáltis). O leão mostra força, organização e princípios de jogo.»

Carlos Machado, O Jogo

 

«Ninguém pode negar à equipa de Jorge Jesus a arte de ganhar bem e mostrar uma superioridade indiscutível.»

Rui Dias, Record

 

«Cinco jogos, outras tantas vitórias e dois troféus conquistados. Sobressaíram [ontem] os nomes de Slimani, incansável e a caminhar a olhos vistos para um estatuto de intocável, e Jefferson, enquanto batedor de bolas paradas capaz de acentuar o factor de desequilíbrio quando o aperto dos jogos for grande.»

Rui Miguel Gomes, O Jogo

 

«Um triunfo frente à Roma, mesmo num jogo com ritmo baixo e sem grandes preocupações competitivas, é um bom tónico para o que se segue. A equipa confirmou que está a crescer e, sobretudo, a conseguir encontrar pontos de definição. Precisamente o que ainda não se viu no Benfica até ao momento.»

Nuno Farinha, Record

 

«A equipa já defende com bastante eficácia, já pressiona com alguma intensidade e é aquela que, na hora de rematar, mais afinada está. Há optimismo no ar para as bandas de Alvalade. (...) E que interessante será, daqui por oito dias, o reencontro de Jesus com o Benfica.»

Rogério Azevedo, A Bola


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05 Jun 15
Sobre estes dias
Tiago Cabral

Começando pelo mais importante: apoio totalmente a saída de Marco Silva e o processo disciplinar que lhe foi instaurado, com vista à rescisão do contrato com justa causa. 

Marco Silva, penso que todos o sabíamos, ia sair no final desta época. Os acontecimentos a meio da época nunca foram verdadeiramente resolvidos. A bem da estabilidade, Bruno de Carvalho e Marco Silva ficaram cada um no seu canto, mas o destino estava traçado. Segundo sei quem foi eleito pelos sócios do Sporting foi Bruno de Carvalho e Marco Silva é um empregado do clube a quem este nunca faltou com as suas obrigações. Numa relação laboral, ainda mais com a exposição mediática que esta tem, o respeito pela instituição e pela hierarquia é fundamental. Não aprecio de forma alguma o método que Marco Silva utiliza, dirigindo-se sempre aos adeptos do Sporting, tentando desse modo ter o seu apoio e por oposição afastando-os do seu Presidente. Fê-lo nas conferências de imprensa e entrevistas rápidas na altura do black out e voltou a fazê-lo ontem, já depois de saber que o Sporting lhe tinha instaurado um processo disciplinar. Não sei se a decisão chegará ou não a tribunal, sei que confio plenamente, e esta direcção já o provou no caso Bruma, que os argumentos para a justa causa existem. Caberá assim à justiça decidir, e como sempre, esta direcção honrará a decisão que daí surgir.

 

Agora não queiram que eu como gelados com a testa. É sabido que Bruno de Carvalho desde que foi eleito, acabou com muitas “simpatias” que existiam no nosso clube. A verdadeira reestruturação, que ainda decorre, permitiu reduzir um passivo monstruoso em mais de 50 milhões de euros. Reduziu de forma drástica o orçamento anual para o futebol. Mesmo com estas condicionantes conseguimos ganhar a segunda maior competição em Portugal. Ainda há alguém que ache que esta conquista pertence em exclusivo a Marco Silva? Não, pertence a todos, ao treinador, aos jogadores, aos adeptos e à direcção. Ao longo desta época foi aqui no blog demonstrado inúmeras vezes os ataques soezes que, a coberto de uma suposta isenção jornalística, o nosso Sporting foi alvo. Que não restem quaisquer dúvidas: há um objectivo claro por parte de poderes instalados, arrasar e destruir esta direcção. A postura condescendente em relação a Marco Silva em contraponto com o verdadeiro confronto a qualquer atitude ou posição assumida por Bruno de Carvalho é mais do que prova sobre a campanha que está em curso.

 

Exemplos?

Ainda nestes dias o "comentador" Joaquim Rita clamava pela falta de ética de Bruno de Carvalho por ter contratado JJ enquanto Marco Silva era treinador do Sporting e ao mesmo tempo elogiava o Benfica por tentar contratar Nani, sim o que está emprestado ao Sporting. Ribeiro Cristóvão, dizem Sportinguista, é outro que tal, o ódio profundo que tem a esta direcção leva-o a aproveitar o palco na SIC para de forma continuada denegrir toda e qualquer acção desta direcção.

Ontem na RTP o pivot de serviço "garantia": Confirmado está que JJ irá ganhar 6 milhões de euros, não se sabe é de onde virá esse dinheiro, mas fala-se da Guiné Equatorial e Angola. Horas antes o Sporting tinha divulgado em comunicado que todos os boatos que circulavam sobre resmas de maços de notas a chegar de todo o lado eram invenções, informação que passou praticamente despercebida em todos os OCS.

 

Curiosamente nunca vi nenhum jornalista interessado em investigar todos os negócios chapa 15 milhões que vão surgindo no outro lado da 2ª circular, não vejo ninguém a investigar a forma como fundos como a Doyen estão literalmente a adquirir clubes e passados uns anos deixá-los na falência. (no Brasil há boas reportagens sobre este assunto, é procurar).

Não há clube em Portugal que ao longo da sua história tenha contribuído mais para o aparecimento de grandes profissionais de futebol que o Sporting. Os excelentes resultados da nossa selecção devem-se em grande parte, ao trabalho desenvolvido pelos escalões de formação do nosso Sporting. É este facto reconhecido pelos OCS? Não, o que temos são entrevistas de dois em dois meses ao presidente do Benfica a falar sobre um tal cubo mágico, uma coisa qualquer que existe no Seixal.

 

Que os Sportinguistas não se deixem enganar, o que se está a passar nestes dias é um verdadeiro ataque dos poderes instalados ao nosso Sporting. O objectivo é um único: afastar Bruno de Carvalho e manter o status quo.

Por mim vamos à luta, é o único caminho.

 


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04 Jun 15

Bruno de Carvalho atravessou esta semana o seu Rubicão e a partir de agora nada será como antes. De algum modo, o presidente do Sporting revelou uma arriscada faceta de jogador de roleta russa. A confirmar-se a contratação de Jorge Jesus, Bruno de Carvalho acaba de colocar as fichas todas na mesa e apostar tudo numa única jogada. Ao prescindir de Marco Silva, o presidente do Sporting abdicou também de tempo e da tolerância dos sportinguistas. Em suma, ao contratar Jorge Jesus, o presidente do Sporting dá um novo leque de sinais aos sócios e adeptos. Estamos perante um novo ciclo no seu mandato.

Resumindo, admita-o ou não, Bruno de Carvalho decidiu queimar etapas intermédias e assumiu que este ano a conquista do título é o único resultado aceitável. Jorge Jesus não virá para o Sporting para ficar em segundo ou terceiro no campeonato. Esses resultados foram alcançados por Leonardo Jardim e Marco Silva por uma fracção do salário a auferir Jorge Jesus e em condições desiguais às que estarão em cima da mesa, nomeadamente em termos de autonomia e controlo do futebol profissional. Bruno de Carvalho subiu a sua própria fasquia, a fasquia pela qual o seu mandato será avaliado pelos sócios e adeptos.

O presidente assume também que o pior da situação de desequílibrio financeiro estará ultrapassada, pelo que é de esperar alguma folga e algumas contratações de jogadores a um outro nível. Jorge Jesus pode ser o melhor treinador do mundo, mas sem um conjunto diverso de factores, entre eles jogadores em qualidade e quantidade suficientes, não há milagres.

Regresso à roleta russa. Se Jesus conquistar o campeonato, Bruno de Carvalho será levado em ombros e os críticos ou pessimistas, entre os quais me incluo, teremos de admitir que ele estava certo e nós errados. Se voltarmos a ficar em segundo ou terceiro lugar, nesse caso é possível que possamos voltar a viver dias muito complicados.

Bruno de Carvalho prescindiu de tempo e da tolerância dos sportinguistas. Desejo-lhe as maiores felicidades em nome dos superiores interesses do Sporting. Afinal, o seu sucesso é o nosso sucesso, e o seu fracasso é o nosso também.

P.S. -- Faço minhas, na íntegra, as palavras de Pedro Correia.


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12 Mai 15

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Com o terceiro lugar garantido, conferindo ao Sporting o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, aproxima-se o tempo do balanço da prestação da nossa equipa no campeonato 2014/15.

Temos de reconhecer que em demasiados desafios houve um erro de atitude.
Nos chamados jogos mais "fáceis" a equipa facilitou, tirou o pé do pedal, contemporizou com o adversário. "Lateralizando", para usar a sábia expressão desse génio dos neologismos chamado Luís Freitas Lobo.

Houve também, por vezes, erros de leitura táctica. Como ficou bem patente no recente Estoril-Sporting.
Este jogo devia ter sido enfrentado de outra maneira desde o minuto inicial. Com maior pressão atacante (à semelhança do Moreirense-Sporting, disputado duas semanas antes: o modelo era esse e bastava copiá-lo) e colocando dois homens à frente. Até porque - está mais que provado - Montero não rende tão bem quando o deixam sozinho, na grande área, à mercê dos cruzamentos despejados das laterais.

 

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Ou se adapta a táctica aos jogadores que existem ou se insiste em modelos tácticos perante jogadores que não têm características para renderem nesses modelos.
Tem-se abusado deste último caso.
Acresce que, na última jornada, o resultado foi ainda mais difícil de aceitar numa cultura de exigência que deve sempre acompanhar o espírito leonino porque o Estoril é uma equipa modestíssima, com a segunda defesa mais batida do campeonato e que pertence à 'Liga dos Últimos'.
Se não jogamos em 4-4-2 perante uma equipa destas haveremos de jogar assim com quem?


Falo por mim: detesto ver a equipa do Sporting resignada em campo. É a antítese do Leão, símbolo do clube. Foi o que aconteceu no domingo, excepto durante um quarto de hora em que marcámos o golo e podíamos ter marcado mais dois.
Logo a seguir, voltámos à modorra do início. E dela não saímos até ao apito final.



Poupar forças para a final da Taça verdadeira?

Deixem-se de tretas. O maior estímulo é vencer. Com este décimo empate no campeonato, voltámos a dar um passo atrás. Ou seja, ficámos um pouco mais semelhantes ao Braga, que devemos derrotar dia 31, no Jamor, para salvar a época.
Temos de nivelar-nos por cima, não por baixo. O Sporting é um grande entre os grandes, não um clube médio que oscila entre o assim-assim e o tanto-faz.


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27 Fev 15

Uma interessante análise ao Sporting-Wolfsburgo.


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09 Fev 15
Leituras do jogo
Pedro Correia

«Em seis temporadas na Luz, nunca Jesus tinha sido tão descaradamente "italiano" como desta vez. Mostrou, ao mesmo tempo, respeito pelo Sporting. Entregou a iniciativa de jogo aos leões, procurou ocupar o máximo espaço possível na zona central e obrigou os extremos a participar mais do que é habitual no momento defensivo. Tudo somado, foi um Benfica incaracterístico, desligado, pouco atractivo, que não vale o preço do bilhete. Um Benfica resultadista como até ontem não se conhecia.»

Nuno Farinha, Record

 

«Julgar o sucesso de uma estratégia pelo que acontece nos últimos 50 segundos de um jogo leva sempre a conclusões duvidosas. Aos 93 minutos do Sporting-Benfica, Jorge Jesus contemplava uma derrota desmoralizante e dois concorrentes à distância de, respectivamente, um deslize (três pontos) e um deslize e meio (quatro). Ter conseguido resgatar o empate no minuto que faltava transforma em brilhante uma opção ultradefensiva que, sem o golo de Jardel, adeptos e analistas estariam agora todos a injuriar? A resposta honesta é não.»

José Manuel Ribeiro, O Jogo

 

«Marco Silva e o seu grupo podem dedicar-se melhor ao que deve ser o grande objectivo para esta época: reforçar e consolidar a equipa. A reformulação do centro da defesa e a recuperação plena do enorme talento de Montero, por exemplo, são sinais de que o crescimento está aí e de que esse é o caminho. Agora, basta percorrê-lo.»

Alexandre Pais, Record


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Empates e empatas
José Navarro de Andrade

Saí ontem de Alvalade agridoce, frustrado mas não descontente.

Ver o jogo no estádio é ver muito mais e muito mais parcialmente de quem o vê na TV, ou com a parcialidade do meu ponto de vista em vez do ponto de vista do realizador televisivo, supostamente imparcial. Por exemplo: como o adversário de ontem me é de todo indiferente – são uns tipos de camisola encarnada que vão uma vez por ano a Alvalade – não fiz a mínima ideia quem eram nem como jogaram individualmente. Depois ouvi dizer que um tal Samaris deu nas vistas, talvez, mas eu só vi um jogo fabuloso de João Mário (cada vez gosto mais dele...) a encher o meio-campo acerca do qual nada disseram os comentadores – cada um tem a parcialidade que quer, escusa é de disfarçar...

O que vi?

Vi uma equipa do Sporting que já não via há muito tempo: concertada e coesa como um relógio, sem pontos fracos nem quebras de intensidade. Talvez o Montero não devesse ter passado metade do jogo a posicionar-se em off side e queimar linhas de passe, mas fora isso…

Vi o Carrillo a embrulhar e mandar para a província aquele defesa-esquerdo gordinho e sapatudo.

Vi um par de centrais de tenra idade que se se mantiver junto, daqui a dois anos formará uma dupla histórica.

Vi João Mário e Adrien a singrarem sozinhos num meio-campo sobrelotado de postes vermelhos como em hora de ponta.

Vi William a engolir tudo que lhe aparecesse pela frente.

Vi Rui Patrício a tremer de frio por inacção – espero que não se tenha constipado.

Vi Jefferson a descapitalizar 13 milhões de euros como se fosse um hacker da bolsa. E ainda foi lá abaixo marcar um golo.

Enfim, vi um Sporting de chavalos dominar o melhor coiso dos últimos anos, por razões naturais (sorry, mas tenho um fraco por Jesus: não consigo detestar sportinguistas) e sobrenaturais (surpreendeu-me a inexistência do penaltizinho manhoso e que às mãos do Sousa não acabássemos com 10 – será que não teve oportunidade?)

Mas também vi 8’ de ingenuidade e voluntarismo, com vergonha de parecer mal, sofrendo um golo desnecessário.

Regressando a casa após o jogo, ainda consegui resistir a 5' de palradores televisivos, mas enchi-me de pena deles; a trabalheira que tiveram para lamentar o rival, de modo a evitarem referir os méritos do Sporting. Custa muito ganhar a vida.


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Comparem a forma como o Benfica jogou em Alvalade com o modo  como jogámos na Luz, na primeira volta. Diz tudo sobre a diferença de atitude das duas equipas. Uma - a nossa - fez alinhar ontem titulares que no seu conjunto custaram 5,798 milhões aos cofres leoninos enquanto a outra está orçada em 44,975 milhões.

Custam oito vezes mais e valem muito menos. Ontem isso ficou mais evidente que nunca.

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05 Fev 15

Diziam que o Sporting iria abanar muito durante a ausência de Slimani, que disputou o campeonato africano de nações.

Diziam que sem ele dificilmente marcaríamos golos.

Diziam que o Sporting iria tropeçar no final da primeira volta e no início da segunda em consequência dessa importante baixa no nosso onze titular.

Diziam tudo isto, mas falharam nos vaticínios.

Porque mesmo sem Slimani o Sporting continuou a vencer. E a convencer.

Recapitulemos:

7 de Janeiro - Goleada ao Famalicão na Taça de Portugal (4-0). Golos de Carrillo, Paulo Oliveira, João Mário e Montero.

11 de Janeiro - Vitória sobre o Braga num dos mais difíceis estádios do País (1-0). Golo de Tanaka.

18 de Janeiro - Triunfo concludente em Alvalade frente ao Rio Ave (4-2). Golos de Nani, Montero, João Mário e Tanaka.

25 de Janeiro - Académica derrotada no nosso estádio pela margem mínima (1-0). Golo de João Mário.

1 de Fevereiro - Ultrapassado com êxito mais um obstáculo, no batatal de Arouca (3-1). Golos de Montero, Carrillo e Tobias Figueiredo.

 

Balanço deste mês sem o argelino: cinco vitórias. Treze golos marcados, três sofridos. Sete jogadores a marcar: Montero (3), João Mário (3), Carrillo (2), Tanaka (2), Nani, Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo.

E agora que volte o Slimani. Sê bem-regressado, pá.


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04 Jan 15

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 Imagem - captada após o jogo desta noite - recolhida daqui

 

A insólita crise do período natalício no Sporting foi enfim superada. Com uma importante mensagem do presidente Bruno de Carvalho duas horas antes do jogo de ontem na Sporting TV e declarações sóbrias mas sagazes do treinador Marco Silva na conferência de imprensa após a partida com o Estoril. Na linha do que vários de nós defendemos no És a Nossa Fé desde o primeiro dia.

Pecou apenas pela resolução tardia, mas mais vale tarde que nunca.

Também como sempre sustentámos neste blogue - e não apenas nós - o projecto em curso no Sporting não exclui nenhum dos dois, presidente e treinador.

Pelo contrário, só faz sentido com ambos no mesmo barco.
Contra os incendiários de turno, que também os há no nosso clube, entrincheirados nas respectivas barricadas: de um lado os órfãos do godinhismo, que desde o primeiro minuto torcem pelo desaire de Bruno de Carvalho por nunca terem conseguido engolir os resultados eleitorais de 2013; do outro, alguns que se apressaram a desqualificar Marco Silva, chamando-lhe "lampião" e outros mimos, o que é totalmente inaceitável.

Como se comprovou, e como sempre acreditámos, havia margem para a resolução do conflito - avolumado por uma certa comunicação social sedenta de escândalos - através do diálogo longe dos holofotes e do estabelecimento de compromissos internos de longo prazo.
É assim que as pessoas responsáveis procedem.

Não existem organizações sem problemas. Mas também não há problemas sem solução.

De tudo isto espero que Bruno de Carvalho retire as devidas conclusões. Desde logo a necessidade de reforçar, profissionalizando-a, a estrutura de comunicação do clube. Que não pode voltar a cometer alguns erros infantis que ocorreram nas últimas semanas. Definitivamente para esquecer.


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30 Dez 14
O Sporting é Nosso!
Frederico Dias de Jesus

Assumo, desde já, que a leitura que faço sobre toda a situação do meu Sporting possa, naturalmente, ter erros.

Mas, como em tudo, sinto-me na liberdade de o fazer.

 

Os últimos dias, e como foi muito bem escrito nesta casa, tiveram a proeza de criar uma guerra entre Sportinguistas. Faz recordar um certo episódio histórico em Portugal, um género de Liberais contra Miguelistas, do qual o país, ainda hoje, não recuperou. O Sporting, ironia do destino (no berço da nação) lá mostrou à escória jornalista que "os cães ladram e a caravana passa". Contudo, os pró-Brunistas (anti-Marco) e os pró-Marco (anti-Brunistas) continuam em trincheiras a guerrear. Qualquer dia temos pelas ruas de Alvalade adeptos fervorosos destes blocos a perguntarem com quem estamos.

Isto não abona a favor dos dois, e muito menos a favor do Sporting. Perdemos meses, anos, a falar em estabilidade. Na primeira situação em que necessitamos dela, a casa treme durante mais de uma semana. O Presidente esteve mal? Esteve. O Treinador esteve mal? Esteve. A equipa esteve mal (em alguns jogos)? Esteve. Por isso é que se fala em reconstruir, reerguer, reencontrar o caminho dos títulos. Porque o trabalho tem de ser feito de raíz. Assimilar novos processos. Adaptar a novas realidades de gestão. Mas também os Sportinguistas têm de mudar o "chip". Embora tenhamos imenso mérito, temos de criar novas posturas. Exigentes, sim. Críticos, sem dúvida. Mas confiantes que quem toma decisões enfrenta realidades que desconhecemos. Principalmente no que toca a poderes e interesses instalados no mundo do futebol português.

 

Agora vem a parte que eu acho mais relevante, porém a mais abstracta. (É apenas uma suposição):

Acham que os "barões" do Sporting (aqueles que nos afundaram durante anos, com a esquizofrenia de uma aristocracia de notáveis) por algum momento desistiram de recuperar o clube? Acham que esses mesmos senhores que se aliavam aos andrades e aos demais cônjuges, deixaram de o fazer? Acham que esses interesses deixaram de existir? Acham que por um momento estes senhores deixam de pôr em prática taticismos de bastidores para levar a deles avante?

Mais importante, querem arrepiar caminho àquilo que tem sido feito?

O Sporting está a construir-se, devagar, mas mais forte. Com estabilidade, e isso envolve o Presidente ser, por vezes, mais comedido, como também não sermos um verdadeiro cemitério de treinadores. E o próprio Marco Silva olhar mais para as soluções da equipa B. Isto não é um projecto de dois anos, é de muitos, muitos mais.

Aqui só pode haver um lado, é o do Sporting Clube de Portugal. 

Senhoras e Senhores, pede-se clarividência na escolha desse lado, não deixemos os nossos olhos tapados com poeiras escuras.

Viva o Sporting!

 


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28 Dez 14

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1. Venceu a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, primeiro troféu oficial da temporada.

2. Recuperou jogadores como Montero e Carrillo. O peruano, em particular, nunca marcou tantos golos nem jogou tão bem.

3. Apostou em João Mário, que passou de emprestado a titular na equipa.

4. Integrou na equipa, com sucesso, os reforços Paulo Oliveira, Jonathan Silva e Oriol Rosell.

5. Não perdeu nenhum jogo com os nossos principais rivais (vitória ao Benfica na Taça de Honra e empate no campeonato; vitória ao FCP na Taça de Portugal e empate no campeonato).

6. Eliminou o FCP da Taça de Portugal com um triunfo no Dragão, onde o Sporting não vencia desde 17 de Março de 2007.

7. Fez uma carreira digna na Liga dos Campeões, onde o Sporting não comparecia desde 26 de Agosto de 2009 e do qual foi afastado por um roubo da equipa de arbitragem no último minuto do jogo na Alemanha contra o Schalke 04.

8. Aperfeiçoou o 4-3-3, em versão ofensiva, acentuando o futebol de ataque, apoiado, com domínio da bola e boa qualidade de passe - recuperando assim algumas das melhores características do futebol clássico do Sporting.

9. Apostou sempre em jogadores da nossa formação no seu onze-base, designadamente no meio-campo, várias vezes considerado pela crítica da especialidade o melhor deste campeonato.

10. Chegou ao Natal com o Sporting em todas as frentes.


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11 Nov 14

Anda muita gente procupada - e não direi que sem fundamento - com o eixo da defesa do Sporting. Eu continuo no entanto mais preocupado com o défice de aproveitamento das oportunidades do golo da nossa equipa.

Aconteceu-nos já em diversos jogos. Contra a Académica, contra o Belenenses, contra o Maribor, agora contra o Paços de Ferreira. Jogos em que terminámos empatados não por falta de oportunidades de golo mas por inegável falta de pontaria.

O nosso índice de aproveitamento, nos últimos 20 metros de terreno, continua a ser demasiado baixo. Veja-se o que sucedeu domingo no desafio frente ao Paços de Ferreira: o Sporting protagonizou 53 ataques, contra apenas 19 da turma adversária. E rematou dez vezes à baliza, contra dois escassos remates feitos pelos pacenses.

Esta diferença abissal devia traduzir-se em golos. Mas, uma vez mais, isso não aconteceu. E quem não marca não ganha, como diria La Palice. Que nada percebia de futebol mas estava cheio de razão.


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18 Out 14
Isto só vai piorar
José Navarro de Andrade

Sinceramente vos digo que achei um desafio detestável. Sem ao menos um simulacro de fair play fizeram tudo para nos derrotar e não é por termos ganho que devemos ficar descansados. Isto não é futebol, é um jogo de azar em que a banca só perde por manifesta incompetência do croupier. O FCP derrotou-se sozinho depois de falhar o penalti, ou melhor depois de Patrício ter cometido a insolência de o defender. O único que não desmoralizou foi o apitador prosseguindo impavidamente a sonata de faltas à entrada da área, devolvendo sem hesitação ao adversário cada recuperação de bola do Sporting e ilustrando o serviço com cartões amarelos. O fortuito contratempo do terceiro golo tornou desnecessária a expulsãozita da praxe. Não sei haverá motivo para repetir a partida, já que este resultado não serve à situação. De qualquer modo, pode sempre sair outra bola fria e a próxima eliminatória ser na luz. Uma vitória destas dá poucas alegrias porque é demasiado pírrica. Quase nem dá gozo, ou dará o gozo pouco saudável de ter ludibriado os esquemas mafiosos e instituídos. Uma situação dificilmente repetível porque os rancores foram acirrados e doravante para vencermos vamos ter que ser não apenas cinco vezes melhor que o adversário, como sucedeu hoje, mas dez vezes melhores. Vem aí numa época penosa.


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30 Set 14

Fica a minha pontuação aos jogadores do Sporting que actuaram esta noite no jogo contra o Chelsea:

 

Rui Patrício (9). Salvou cinco possíveis golos com intervenções que confirmam o seu estatuto de melhor guarda-redes português. Sem se atemorizar perante estrelas do calibre de Diego Costa, Óscar e Schürrle. Mereceu o cumprimento que Mourinho lhe dirigiu no fim do jogo.

Cédric (7). Muito combativo, do princípio ao fim. Nunca se rende num confronto individual. Voltou a revelar estas características na partida de hoje, apesar de ter pela frente Hazard, um dos astros da milionária equipa inglesa.

Maurício (7). Hoje funcionou como muralha, lutando até ao limite das suas forças e da sua capacidade técnica. Muito boa a cobertura que fez, por exemplo, numa perigosa arrancada de Diego Costa aos 52'. Saiu de campo pouco depois, num embate com o mesmo jogador, sangrando abundantemente mas sob calorosos e merecidos aplausos.

Sarr (5). Foi o elo mais fraco da defesa. Percebe-se que está inferiorizado, sobretudo em termos psicológicos. Cada vez que tem de fazer um passe lateral provoca calafrios nas bancadas. Mas cumpriu no essencial: cauteloso, sem se desconcentrar.

Jonathan  Silva (6). Saiu dos pés dele o primeiro remate bem enquadrado com a baliza de Courtois, logo aos 7'. O argentino está moralizado e parece ter agarrado a titularidade, remetendo Jefferson para o banco. Deu no entanto demasiada liberdade a Matic no lance do golo do Chelsea.

William Carvalho (4). Intermitente. Teve uma primeira parte muito fraca, em que foi batido sucessivas vezes por excesso de lentidão e revelou uma precisão de passe inferior àquilo a que nos habituou. Melhorou na segunda parte embora longe dos níveis revelados na época passada.

Adrien (7). Um poço de energia. Muito eficaz na zona central do terreno, onde exibiu os dotes técnicos que só Paulo Bento parece não ter enxergado. Recuperou bolas, indo à dobra de William. Fez um soberbo passe em velocidade que isolou Carrillo aos 28'. Só precisa de afinar a pontaria quando está enquadrado com a baliza.

João Mário (8). Novamente em grande nível. Já ninguém discute a sua titularidade como médio ofensivo neste Sporting 2014/15. Tem capacidade física e destreza técnica. Combina muito bem com Carrilo e Nani. E nunca descura o processo defensivo. Foi um dos pilares da equipa neste jogo.

Carrillo (7). Voltou a ter uma exibição muito positiva, embora as características tácticas deste desafio não ajudassem a potenciar o seu talento. A sólida linha defensiva inglesa forçou-o a procurar jogo em sectores mais recuados. Mas nunca baixou os braços. Fortíssimo nos lances individuais. E com Marco Silva passou a defender também com eficácia: mérito indiscutível do treinador.

Nani (7). Um desequilibrador nato. E, de longe, o nosso jogador com mais experiência na Champions, que aliás venceu em 2008 ao serviço do Manchester United. Voltou a ser o patrão do nosso ataque, infiltrando-se entre os adversários à procura de linhas de passe. Fez um remate de meia-distância aos 47' que passou ligeiramente ao lado da baliza e rematou às malhas laterais ao 55'. Fez a cabeça em água a Filipe Luís, que aliás o derrubou à margem das leis: o árbitro nada assinalou. Pecou apenas por algum excesso de individualismo.

Slimani (6). Fixa os centrais adversários, sempre atentos às suas movimentações contínuas. Mas hoje esteve uns furos abaixo daquilo que já exibiu noutros encontros: um remate frouxo de cabeça aos 19', defendido por Courtois, foi o maior perigo que levou às redes do Chelsea.

Paulo Oliveira (6). Entrou aos 63', substituindo um lesionado Maurício, e cumpriu com zelo a missão que lhe estava atribuída. Muito concentrado, sem nunca complicar. Fez um excelente corte aos 86', ganhando o duelo a Diego Costa.

Capel (4). Substituiu Carrillo aos 80', não chegando a ter tempo para se evidenciar.

Montero (5). Continua divorciado dos golos. A verdade, porém, é que tem jogado cada vez menos. Hoje entrou só aos 80', quando Marco Silva decidiu alargar a frente de ataque fazendo sair Adrien e mantendo Slimani em campo. O colombiano teve ainda tempo para um bom cabeceamento, aos 89'. A bola, no entanto, teima em fugir-lhe do sítio certo.


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18 Set 14

(LUSA)

(foto: LUSA)

 

Rui Patrício - Esteve mais uma vez bem; apesar de poder ter feito algo mais no golo, é surpreendido pelo chutão de Maurício e a sua colocação, que era a adequada para aquele lance, deixou de o ser...

Cédric - Não esteve mal; é normal que tivesse regressado, é melhor DD que Esgaio (que até é médio), mas ainda não está no pleno. Fez alguns centros, uns sem nexo (a maior parte deles) e outros com algum perigo; fez um atraso assassino para Patrício; falar, exigia-se ali... foi pelo seu lado que o Maribor carreou o jogo na segunda parte, como seria normal.

Maurício - Vários lances em que foi vencido pelo PL adversário e que causaram alguns calafrios a Patrício; não me causa engulhos de maior que até seja titular, desde que acompanhado por um patrão; e aquele lance do golo, em que tem tempo para tudo, não abona nada em seu favor.

Sarr - Esteve um pouco melhor que Maurício, o que não abona muito em favor do colega, mas foi igualmente "comido" em demasiados lances na sua área de jurisdição e, para compor o ramalhete, esteve no início do lance do golo que sofremos.

Jefferson - Não está no seu melhor; não esteve mal a defender, apesar de na primeira parte o caudal de jogo do adversário ter sido mais pelo seu lado; não esteve tão bem a atacar, perdeu algumas bolas por pura displicência e não efectuou os seus belos centros como de costume, no entanto tal como Cédric, não comprometeu.

William - Não esteve ao seu nível! Aliás ainda não esteve ao seu nível esta época. Esse facto não lhe retira a qualidade que sem dúvida tem, mas é minha opinião que não deve haver "vacas sagradas" na equipa; se está mal, está lá o Rossel!

André Martins - É interessante, à falta de outro adjectivo, a forma como se esconde do jogo. É minha opinião, e vale o que vale, obviamente, que com ele jogamos com um a menos, ou até mais. Saiu ao intervalo e não deveria ter sequer entrado!

Adrien - É vítima da má forma de William e da inexistência de Martins. A deficiência de um e a falta do outro obrigam-no a fazer, para além do seu, os lugares dos outros, com perda evidente de eficácia e dando a sensação de que ele próprio não cumpre, o que não é verdade, daí termos jogado com nove e meio até ao intervalo...

Carrillo - Está a subir de forma. Sairam dos seus pés vários lances muito bons; falhou um golo isolado, mas pode ter a seu favor o facto de a bola lhe ter aparecido para o pé cego; já com o pé direito e no seguimento da jogada, esteve prestes a marcar um golaço!

Nani - Que dizer dum jogador que já leva a equipa às costas e que marcou um golo daqueles de fazer levantar os estádios? Chega fabuloso?

Slimani - Até nem esteve mal na combinação com os companheiros, algumas boas trocas de bola, um ou dois bons lançamentos para Nani e pouco mais; fez alguns "bons" passes de cabeça para o guarda-redes adversário; está nitidamente "fora dela".

João Mário - A sua entrada trouxe outra dinâmica, vindo dar razão àqueles que clamam pela sua entrada há bastante tempo; não fez tudo bem, é certo, mas o Sporting passou a existir muito mais como equipa após o intervalo, o que nos leva à eterna pergunta: porque damos sempre meia parte de avanço?

Mané - Esteve bem. Fechou os olhos frente ao guarda-redes e falhou um golo feito; a perder gás? Desejo que apenas falta de concentração...

Montero - Não acrescentou nada e foi até a substituição mais parva a que assisti! A dois minutos do fim, a vencer por 1-0, Marco Silva substitui  um avançado por... outro! Para aumentar o score??

 

Marco Silva - também tem que ser referenciado. Demorou a perceber que João Mário é mais importante para o jogo da equipa que André Martins; Demora a começar a implementar o seu estilo de jogo, que já se percebeu que não se entende com o de Jardim, a quem até venceu com um banho de táctica na ultima jornada do campeonato passado; fez uma última substituição incompreensível, que terá também contribuído para o golo adversário!

Tem potencial para fazer melhor. Oxalá este jogo, onde globalmente a equipa até esteve razoavelmente bem, sirva para tirar algumas ilações e faça as mudanças que se exigem.

Ontem continuei a suspirar por Tanaka...

 

E o jeitaço que nos davam mais quinhentos mil euros?


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08 Set 14
Problemas de risco ao meio
Edmundo Gonçalves

 

Eu (e mais um ror de gente que acompanha a selecção), já tinha pensado, dito e escrito, que aquele grupo de jogadores sem o Ronaldo era assim uma coisa a raiar uma Finlândia, uma Islândia, enfim, uns gajos com pé frio. Ontem, mais uma vez, isso ficou provado! É claro para qualquer analfabeto futebolístico, que a Albânia (septuagésimo lugar do "ranking" da FIFA) nunca ganhará a Portugal! Mas ganhará com alguma facilidade à Finlândia! E à Islândia dará um baile de bola!

Ora, foi o que aconteceu ontem. Como aliás podem atestar pela imprensa especializada a nível global, de que vos apresento uns excertos, abaixo.

 

Contudo, o incompetente do doutor Jones, em conferência de imprensa após o jogo, foi bem claro:

«Nos primeiros 20 minutos da primeira parte estivemos bem, a partir daí não tivemos tanta fluidez. Deveríamos ter continuado a circular a bola e não esticar tanto o jogo. Não tivemos nenhum problema defensivamente. Na segunda parte entrámos bem outra vez, levámos com um golo quando estamos em inferioridade numérica e deveríamos ter defendido de outra forma. Foi um jogo que teve um só sentido e que é resolvido pela eficácia de uma equipa que faz um golo num remate que faz à baliza».

Sabe-se que falou na qualidade de seleccionador e treinador, porque o Fernando Gomes não o deixou falar como médico; não sei se se assumiu como treinador da Finlândia ou da Islândia, mas pela basófia, deduzo que terá sido do colosso finlandês.

Eu cá tenho aqui um desabafo que ele certamente não me levará a mal: MAS ÓH DOUTOR JONES, QUEM É QUE É O SELECCIONADOR, C...?????

 

Apesar de tudo, há duas boas notícias:

Ninguém se magoou, desta vez! (sim, estar parado também causa lesões! por exemplo nas "cruzes"...)

O doutor Jones não vai voltar, esse incompetente!

 

Ãh? o riscómeio? esse diz que tem que "prosseguir o bom caminho", seja lá isso o que for...

 

 

 

 


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01 Set 14

 

I

Há sete meses, perdemos contra o Benfica na Luz naquele que foi, sem discussão, o nosso pior jogo do campeonato anterior. Ontem batemo-nos de igual para igual e arrancámos um empate no mesmo estádio - algo que não sucedia há sete anos.

O treinador mudou, é certo. Mas o sistema táctico, assente num 4-3-3 de base que potencia o melhor da nossa formação, é muito semelhante.

Acontece que Marco Silva soube dispor melhor os jogadores e ler muito melhor o jogo: o empate, em grande parte, deve-se a isso.

Soube ler melhor o jogo do que o treinador adversário, Jorge Jesus. O Sporting foi uma equipa mais organizada, com maior controlo de bola e com mais força colectiva. Pormenor a assinalar: terminámos a partida com mais posse de bola.

Jesus cometeu um erro lapidar ao fazer alinhar Artur na baliza, deixando no banco Júlio César, talvez o maior reforço benfiquista deste início de época. A vitória começou logo aqui a fugir ao Benfica.

Mas Marco Silva demonstrou também superioridade táctica com as substituições que operou na nossa equipa, conferindo-lhe mais rigor posicional sem nunca abdicar da vocação ofensiva. Ao contrário de Jesus, que revelou uma estranha passividade. E se limitou a fazer uma mudança no onze: manter Bebé e Samaris no banco, por exemplo, foi para mim incompreensível. Como se não pretendesse ganhar o encontro.

II

Marco Silva não foi apenas superior a Jesus: também esteve muito melhor do que Leonardo Jardim há sete meses. Em Fevereiro, o então treinador do Sporting apostou em Slimani como arma secreta ao lado de Montero na frente de ataque. Mas o efeito surpresa dissipou-se quando o jogo foi adiado. Mesmo assim, teimou em alinhar com dois pontas-de-lança, num 4-4-2 posicional que falhou em toda a linha, tanto mais que nesse encontro não pudemos contar com William Carvalho, substituído in extremis por Eric Dier. O meio-campo esteve muito desequilibrado e a superioridade encarnada foi notória.

III

O que mudou, da nossa parte, nestes dois jogos além do dispositivo táctico?

Os jogadores.

Na defesa, tínhamos então Cédric, Maurício, Rojo e Piris (substituído por Magrão). Agora tivemos Esgaio, Maurício, Sarr e Jefferson. Melhorámos.

No eixo do meio-campo e nas alas, alinhámos com Dier, Adrien, André Martins (substituído por Capel) e Heldon. Agora contámos com William e Carrillo. Com vantagem.

À frente, Montero e Slimani (substituído por Carlos Mané). Agora Montero cedeu vez a Nani. Também para benefício da equipa.

IV

Sete meses em futebol é muito tempo. Mas vale a pena avivar memórias. Para contrariar duas ideias que começam a instalar-se. Primeira: que Marco Silva não tem mérito para ser treinador do Sporting. Segunda: que a nossa equipa não se reforçou.

A comparação do que sucedeu na Luz a 11 de Fevereiro com o que aconteceu na noite passada chega e sobra para desmentir essas ideias.


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31 Ago 14

Revi, agora com mais calma e maior distanciamento, o Sporting-Arouca. Confirmei a impressão inicial: foi um jogo muito intenso por parte do Sporting, com pressão quase contínua da nossa equipa. O Arouca estacionou o autocarro no seu reduto: grande parte do desafio acabou por ser disputado apenas em metade do relvado.

Discordo profundamente de todos quantos disseram que o Sporting jogou a um ritmo pouco veloz e quase mais não fez do que despachar bolas para a grande área dos visitantes. Nada disso ocorreu: a iniciativa atacante coube sempre ao onze leonino, com constantes trocas de bola em busca de linhas de passe enquadradas com a baliza adversária. Faltou apenas capacidade concretizadora (sobretudo a Montero, que teve três excelentes oportunidades para marcar, mas também a Capel e Carrillo).

Fica a minha pontuação aos jogadores:

 

Rui Patrício (6). Foi sobretudo um espectador. Mas sem nunca se desconcentrar. Duas grandes intervenções - uma em cada parte do jogo, correspondendo aos únicos ataques com um mínimo de perigo concretizados pelo Arouca.

Esgaio (7). Boa estreia como titular na equipa principal. Infatigável no seu corredor, revelando bom entrosamento com a linha avançada e vontade de se firmar como lateral direito. Capacidade de drible e cruzamentos com medida.

Maurício (6). Sólido na defesa, não complica no reduto que lhe está confiado. Falta-lhe por vezes maior precisão de passe no início do processo ofensivo.

Sarr (6). Impõe-se pela presença física. Também não complica: sabe fazer cortes cirúrgicos. Com um pouco mais de rodagem na equipa, à qual ainda está a habituar-se, poderá ser um dos esteios deste Sporting 2014-15.

Jefferson (8). Uma excelente exibição. Inesgotável, foram dos pés dele que nasceram os cruzamentos mais perigosos - um dos quais originou o golo solitário da nossa equipa a dois minutos do fim.

Rosell (4). Esteve algo desenquadrado das prioridades estratégicas da equipa, que exigiam mais acutilância no ataque face à inépcia ofensiva do Arouca. Pecou por excesso de retraimento: nestes jogos deve avançar mais no terreno.

Adrien (7). Voltou a ser o motor da equipa. Entrega-se por completo às missões que lhe são atribuídas, como estratego do meio-campo, e tem uma notável capacidade de leitura do jogo. Já anda a merecer um golo: esteve quase a consegui-lo com um disparo na primeira parte.

André Martins (5). Demasiado discreto, é capaz de render muito mais do que mostrou. Continua a revelar algum défice de capacidade física que exige treino específico durante a semana.

Carrillo (6). Intermitente. Oscila sempre entre ocasionais rasgos de génio, sobretudo em distâncias curtas, e alguma dispersão que lhe rouba discernimento em momentos cruciais. Envolvido na jogada do golo.

Nani (7). Muito aplaudido neste regresso a Alvalade, correspondeu com o seu talento. Foi o jogador mais marcado: raras vezes obteve a bola sem enfrentar de imediato dois competidores. Faltou-lhe concretizar o penálti, que o guarda-redes do Arouca defendeu, para sair em ombros. Bem substituído - por já ter um cartão amarelo e revelar fadiga.

Montero (5). Movimenta-se bem, participa na construção de jogadas perigosas, não desiste de procurar a bola. Mas falta-lhe o essencial num ponta-de-lança: marcar golos. Esteve quase, por duas vezes. Ainda não foi desta.

Carlos Mané (8). A arma secreta do treinador Marco Silva: entrou na segunda parte, substituindo Rosell, e tornou logo mais largo e acutilante o jogo do Sporting. Foi alvo de uma grande penalidade que o árbitro não assinalou. Nunca tirou os olhos da baliza adversária. E conseguiu o golo, numa recarga, graças à sua notável capacidade de desmarcação.

Capel (4). Rendeu André Martins, mas jogou sem brilho nem chama. Desperdiçou um excelente cruzamento de Esgaio, à beira do fim, com um remate frouxo de cabeça.

Tanaka (7). Um quarto de hora em campo, substituindo Nani - e foi o suficiente para levar duas vezes perigo à baliza adversária. Depois rematou ao poste na jogada que terminou com o golo de Carlos Mané. Deu boas indicações, confirmando o que já sucedera na pré-temporada.


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17 Ago 14

 

Bastou apenas um jogo, saldado com um empate fora de casa marcado pela equipa adversária a dois minutos do apito final, para vermos regressar um dos piores vícios dos adeptos leoninos: o tiro ao treinador.

Marco Silva, confrontado ao longo da semana com uma situação muito delicada do foro disciplinar que o fez perder em simultâneo dois jogadores muito importantes, começou a ser alvo de críticas duríssimas por parte daqueles que gostariam de ver Alvalade transformar-se novamente em cemitério de treinadores.

 

A verdade é que ontem à noite tudo poderia ter terminado de forma bem diferente se o melhor jogador do Sporting não tivesse sido também o pior. Refiro-me ao muito desgastado Carrillo, à beira da exaustão, que com um corte disparatado no centro da área leonina, aos 90 minutos, permitiu o golo da Académica que empatou a partida.

Marco Silva, que já se vira forçado a esgotar as substituições, não tem culpa disso. Como não tem culpa de que Cédric se tivesse lesionado ao terminar a primeira parte ou que William Carvalho cometesse uma falta evidente, em zona não-perigosa do terreno, quando já tinha um cartão amarelo.

 

São razões de sobra para não começar a alvejar o treinador quando apenas foram cumpridos 90 minutos de jogo oficial na nova temporada. Lendo o que se tem escrito em alguns blogues e redes sociais, só faltou proclamar Paulo Sérgio - que tão criticado foi em Alvalade - como melhor treinador do que Marco Silva.

Nenhum projecto se constrói sem tempo. Alguns dos que agora contestam o ex-técnico do Estoril, suspirando com saudades de Leonardo Jardim, são precisamente os mesmos que há um ano acolheram com desconfiança a chegada do técnico madeirense ao clube enquanto suspiravam com saudades do antecessor, Jesualdo Ferreira.

Este é outro vício antigo no Sporting: quem esteve é sempre superior a quem está.

Quanto ao resto: não vale a pena falar mais de Rojo, como não vale a pena falar de Dier. O Sporting só deve contar com quem continua no clube e com quer jogar. Não pode contar com quem já partiu nem deve contar com quem recusa vestir a camisola verde e branca.
Há quem conteste, referindo que isto são frases de quem professa uma fé cega nos destinos leoninos. Mas não: trata-se apenas da afirmação de um princípio de base.

Se não vigorasse este princípio, podíamos fechar a loja. Seríamos outra coisa qualquer, mas não o Sporting Clube de Portugal.


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11 Ago 14

 

EM ALTA

André Martins. Com Marco Silva passou a jogar mais solto e adiantado no terreno. Os benefícios - para ele e para a equipa - estão já à vista. Promete ser uma das figuras do campeonato que vai começar.

Adrien. Inicia a Liga 2014/15 ainda com mais influência na movimentação da equipa do que há um ano. É o patrão incontestado do meio-campo leonino. E um marcador exímio de grandes penalidades. Só falta ser titular da selecção.

William Carvalho. Começou a dar nas vistas há um ano, na pré-temporada. Mas então era apenas uma promessa. Agora já é uma certeza. Simplesmente o melhor médio defensivo português da actualidade.

Rojo. Depois dos elogios generalizados que recebeu no Mundial do Brasil, onde foi titular na lateral esquerda e vice-campeão pela Argentina, regressa a Alvalade com estatuto de estrela. Até Maradona se rendeu ao seu talento.

Slimani. O argelino marcou dois golos no Mundial, demonstrando que não foi em vão que se tornou tão popular entre os nossos adeptos. Custou 300 mil euros aos cofres leoninos. Vale hoje muito mais.

Carrillo. O peruano parece renascido. Na sua terceira época em Alvalade, joga com uma alegria e uma concentração que antes não lhe víamos. Prova evidente do trabalho efectuado pelo treinador. Marco Silva conta com ele.

Maurício. Quem disse há um ano que o brasileiro era "tosco", "perna-de-pau" e se arrastava pela segunda divisão brasileira antes de rumar ao Sporting já deve estar muito arrependido. É um dos esteios da nossa defesa.

Carlos Mané. Não falta quem vaticine que esta será a época do arranque definitivo do jovem extremo formado na nossa academia. Lembrem-se dele há um ano e comparem com o que já fez para aqui chegar.

João Mário. Regressa em boa hora. Deu nas vistas durante a pré-temporada, como organizador de jogo e médio ofensivo. Confirmou os atributos que já tinha evidenciado na época anterior, em que jogou por empréstimo pelo V. Setúbal.

Heldon. Foi um dos obreiros da vitória de ontem do Sporting por 2-0 contra o Nacional de Montevideu, destacando-se como extremo. Deu a sensação de que o treinador pode contar com ele apesar da decepcionante prestação na segunda volta em 2013/14.

Esgaio. Quer agarrar um lugar na equipa A e merece-o, sem qualquer dúvida. Como ficou bem patente ao ser o melhor em campo no jogo contra o Gijón, na Galiza. É polivalente e tem a marca da nossa academia.

Tanaka. Um dos reforços que estão a causar mais entusiasmo entre os adeptos. Porque o japonês não se limita a movimentar bem dentro da área: também marca. E se há coisa de que o Sporting precisa é disso. De golos.

Rosell. Formado na escola do Barcelona, demonstra qualidade de passe, rigor posicional e capacidade de recuperação de bola. Passou no teste das primeiras impressões. Espreita já uma vaga de titular na equipa.

Naby Sarr. Internacional junior francês, chega aureolado de grande promessa. Deu boas indicações no jogo da Corunha, contra o Nacional de Montevideu.

 

NA MESMA

Rui Patrício. Depois de um Mundial para esquecer e de umas férias retemperadoras, parece ter voltado com a qualidade a que habituou os sportinguistas. Com a vantagem de este ano não haver especulações sobre a sua possível saída de Alvalade.

Cédric. Já mostrou que não receia a concorrência. O lugar de defesa direito é dele, por mérito próprio. Agora como era há um ano, ao regressar do empréstimo à Académica.

Jefferson. É um dos jogadores mais pendulares do Sporting. E também um daqueles que sabem cativar os adeptos. Por ter garra leonina. O exemplar livre directo que ontem marcou aos uruguaios no troféu Teresa Herrera é prova disso.

Capel. Passam os tempos, mas o extremo andaluz continua igual a si próprio. Sempre muito acarinhado pelas claques, sempre a suscitar aplausos das bancadas de Alvalade. Com as suas arrancadas pelas alas e os centros que costumam levar sinal de perigo. Fica a dúvida: permanecerá no Sporting ou será desta que regressa ao país natal?

Marcelo Boeck. Será esta a época da sua afirmação definitiva em Alvalade? Parece que não. Certamente não por culpa própria, mas apenas porque o titular se chama Rui Patrício.

 

EM BAIXA

Montero. Não marca desde um jogo contra o Gil Vicente, ainda na primeira volta do campeonato passado. Onde anda o goleador que empolgou as bancadas de Alvalade?

André Geraldes. Chega como reforço, mas a pré-temporada não deixou dele uma ideia muito lisonjeira. Falta-lhe maturidade e vocação atacante, algo que se exige a um lateral. Cédric não parece ter um concorrente à altura.

Paulo Oliveira. Ainda não mostrou as garras em Alvalade depois de se ter revelado um dos melhores defesas centrais portugueses ao serviço dos vimaranenses. Talvez seja apenas uma questão de tempo.

Slavchev. Considerado melhor jogador jovem da Bulgária na época anterior, passou ao lado da pré-temporada. Em grande parte por efeitos de uma lesão contraída ainda no país natal.

Shikabala. O egípcio continua envolto em mistério. Dizem que é bom tecnicamente, mas é "cego" do pé direito e sem disciplina táctica. Verdade? Mentira? Ainda não deu para comprovar. Foi recrutado como craque mas tarda em mostrar-se.

Gauld. O jovem escocês chegou rotulado de "mini-Messi" mas parece condenado a permanecer no Sporting B. Quase ninguém ainda deu por ele.


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12 Mai 14
Para o ano há mais
José Navarro de Andrade

Passou-me pela ideia que estavam a encenar uma espécie de justiça poética. Seria um corolário da inusitada época 13/14 do Sporting que ela terminasse como havia começado – a dar a volta a um resultado com uma goleada, contra uma equipa amarela.

Em vez disso saiu-se de Alvalade com a bizarra sensação que Leonardo Jardim se despedira deixando para trás uns enigmas, daqueles que aparecem nalguns romances cabalísticos que não sei se ainda estão na moda.

A primeira mensagem cifrada era para nos avisar que não devemos contar com Carrillo para nada: aqueles pezinhos de tonto não têm futuro. A segunda charada foi a ausência de William Carvalho na segunda parte – como quem diz: aprendam a jogar sem ele.

Tão bom foi o trabalho de Leonardo Jardim que todo o plantel se valorizou inesperadamente a ponto de estar na iminência de ser vendido à peça. De modo que poderemos imaginar a época que vem como o verdadeiro ano zero, que este afinal não foi.

Perante esta possibilidade o pessimista desanimará, crendo que 13/14 foi afinal uma época pírrica e antevendo os trabalhos de Sísifo, a carregar a pedra ao topo para que ela role até ao fundo. O optimista, pelo contrário, não esquece que o Sporting está ainda financeiramente convalescente e longe dos voos que os sócios se permitiram sonhar em face dos resultados obtidos.

Por isso, se houver que recomeçar tudo outra vez – seja. Mais vale mais um ano de esforço, dedicação e devoção, mas já com o futuro caucionado, do que começar com sonhos que podem redundar em pesadelos – outra vez.

Fora isto, bravo, rapazes. Obrigado, sobretudo, por depois do jogo terem dado a volta ao campo a agradecerem-nos – merecemos.


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07 Abr 14

Viram aquele golo do nosso William Carvalho? Foi com um misto de tristeza e alegria que o festejei. A verdade é que sinto que Carvalho nos foge mais um pouco a cada jogada coroada de brilhantismo.

E as duas assistências de Slimani? Aqueles que tendem a desvalorizar um jogador apenas porque não é um prodígio da técnica terão ficado bem aborrecidos, em especial com o toque de calcanhar para o golo de Carvalho!

E o golo de Rojo? Será o mesmo jogador da época passada? Quando foi a última vez que uma dupla de centrais conseguiu marcar tantos golos durante uma época?

Uma pena que Mané se tenha lesionado logo no princípio. Estava em grande nível e prometia uma jogatana daquelas como as de Adrien e Martins. Quando o nosso meio-campo acerta é muito complicado não ganhar os jogos.

Destaque ainda para a primeira parte de Capel e para Rui Patrício - embora me pareça que foi mal batido no golo. Uma grande exibição da equipa que, num momento complicado da época, se continua a portar com brio e dignidade.

E o treinador? Qualquer dia escrevo só sobre o treinador!


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29 Mar 14

Gostei

 

Da vitória. Bruno de Carvalho tem bons motivos para estar satisfeito, à semelhança de todos nós: assinala o primeiro aniversário do início do seu mandato como presidente leonino vendo a equipa vencer uma vez mais. Desta vez em casa, contra o V. Guimarães. Foi o nono triunfo em 13 partidas disputadas em Alvalade nesta Liga 2013/14.

 

De William Carvalho. Novamente uma exibição de luxo. Recupera a bola como se fosse a coisa mais fácil do mundo, distribui jogo como ninguém, impõe a sua destreza técnica no centro do terreno com uma classe insuperável. Foi bom do princípio ao fim. Partiu dele um passe em profundidade para a desmarcação de Slimani logo aos 5' que só não deu golo por inépcia do argelino. E na última jogada, quando já estavam disputados 95 minutos, percorre o campo com a bola nos pés arrancando aplausos de todo o estádio como se estivesse naquele momento a começar a partida.

 

De Jefferson. Grande actuação do nosso lateral esquerdo. Muito bom a atacar e a defender. Excelente na marcação de livres: um deles, aos 25', levou a bola a roçar no poste. Outro, disparado à distância de 30 metros, levou o guardião Douglas a fazer a defesa da noite. Foi dele a assistência para o golo de Montero, aos 59', anulado sem qualquer justificação pela equipa de arbitragem.

 

De Carlos Mané. Voltou a dar nas vistas, justificando a titularidade. Sempre muito dinâmico, sempre muito criativo, baralhou diversas vezes a muralha defensiva adversária. Ganha maturidade competitiva de jogo para jogo. A equipa torna-se mais acutilante quando ele se afasta das linhas e ruma ao corredor central, deixando perceber que não é um extremo de raiz.

 

De Rojo. Como de costume, um baluarte no sector mais recuado da equipa: a organização defensiva do Sporting depende em grande parte dele. Mas nunca se contenta com o exercício de missões defensivas: sempre que pode avança no terreno. Foi o que fez aos 57' marcando o golo da vitória. Um golo que nos valeu três pontos preciosos.

 

Da classificação. Consolidámos o segundo lugar, estamos de momento com mais oito pontos do que a equipa tricampeã nacional. Já somámos 47 golos marcados e apenas 17 sofridos. Acentua-se o contraste com a época passada, em que empatámos 1-1 em casa contra o V. Guimarães.

 

Do espectáculo. Foi um jogo emocionante, disputado com grande intensidade pelas duas equipas, sempre aguerridas e ousadas.

 

Do relvado. Em excelente estado. Mais um problema resolvido.

 

 

Não gostei

 

Do golo anulado a Montero. Começa a tornar-se raro o jogo que disputamos sem vermos um golo legalíssimo anulado pela equipa de arbitragem. Voltou a acontecer hoje, aos 59', quando um auxiliar do árbitro Nuno Almeida com eventuais problemas do foro oftalmológico julgou ter visto uma deslocação do colombiano que nunca existiu. Com decisões incompetentes como esta, quebrar o jejum de golos torna-se uma tarefa quase impossível para Montero.

 

De ver Slimani demasiado isolado. O argelino rende muito melhor quando tem um colega de equipa a jogar próximo dele, abrindo-lhe linhas de passe: isso só aconteceu em escassos períodos do jogo de hoje, facilitando a tarefa à defesa vimaranense. E alguém deve recomendar-lhe que nâo abuse nas simulações de grande penalidade.

 

De ver Capel jogar até ao fim. Leonardo Jardim fez bem em repetir o onze inicial que vencera o Marítimo na Madeira. Mas o andaluz estoirou a meio da segunda parte, arrastando-se em campo nos últimos 20 minutos. Devia ter sido substituído.

 

De Carrillo. Substituiu Slimani aos 74'. Mas não chegou a ser reforço: foi tão inconsequente como nos vem habituando há demasiado tempo.


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23 Mar 14

Gostei

 

Da vitória contra o Marítimo. É um dos clubes mais temíveis a jogar em casa: derrotou portistas e benfiquistas. Mas o Sporting passou com facilidade este teste no Funchal. Ganhámos por 3-1, fazendo ainda melhor do que no jogo da primeira volta, em Alvalade (vítória 3-2). Há três anos que não vencíamos no estádio de Barreiros.

 

De William Carvalho. Voltou a dar nas vistas, pelos melhores motivos. E desta vez até marcou um golo, numa jogada de ressalto na grande área do Marítimo, após um canto muito bem marcado por Jefferson. Destaca-se em quase tudo: no sentido posicional, na visão periférica, na qualidade de passe. E agora até na pontaria dos seus disparos à baliza.

 

De Adrien. Grande partida do nosso médio interior: para mim, foi o melhor em campo. Marcou mais um golo (o sétimo) de grande penalidade e foi dele o passe que desmarcou Jefferson para o terceiro golo. Exímio a recuperar bolas e a construir lances ofensivos, ganha estatuto e maturidade de jogo para jogo. Ninguém duvida: conquistou, por mérito próprio, um lugar obrigatório no conjunto de jogadores que Paulo Bento levará ao Mundial do Brasil.

 

De Jefferson. Segundo golo marcado pelo Sporting. E o primeiro em lance corrido: o anterior tinha sido de grande penalidade, contra o Braga. O nosso lateral esquerdo já merecia há muito este golo: foi um dos melhores reforços desta temporada. É um Leão de corpo inteiro. Tanto a defender como a atacar.

 

De Carlos Mané. Aposta do nosso treinador para o meio-campo, por impedimento de André Martins. Aposta ganha. Aos dois minutos, já tinha arrancado uma grande penalidade aos insulares. Foi sempre um dos nossos jogadores mais perigosos e activos. E desta vez até se integrou bem nas missões defensivas.

 

De Heldon. O primeiro jogo em que justificou plenamente a titularidade no Sporting. Foi acutilante, soube desmarcar-se, pôs em sentido a defesa adversária.

 

Das bancadas. Muitos adeptos do Sporting no "caldeirão" dos Barreiros. Pareciam até ser mais do que os da aquipa anfitriã. Quase como se estivéssemos a jogar em casa...

 

Da classificação. Já temos 54 pontos. Seguimos em segundo lugar, a quatro pontos (provisoriamente) do Benfica. Quando ainda faltam seis jogos para terminar o campeonato, vamos com mais 24 pontos do que na medíocre temporada anterior que parece ainda arrancar suspiros de saudades de uns tantos masoquistas...

 

De termos dado mais um passo rumo à Liga dos Campeões. Estamos cada vez mais perto.

 

 

Não gostei

 

Do golo anulado a Slimani. Mesmo vendo e revendo as imagens na televisão, não consigo vislumbrar o menor motivo para o árbitro Jorge Sousa ter invalidado um golo que me pareceu inteiramente legal. E já vão três deste género anulados ao ponta-de-lança argelino...

 

De Capel. O que se passou com o veloz andaluz neste jogo? Apático, apagado: acabou por ser substituído aos 74' quando já há muito não se justificava a sua presença em campo.

 

De Carrillo. Substituiu Capel. Mas não aqueceu nem arrefeceu: pareceu sempre alheado do jogo. As suas intermitências, que tanto têm dado que falar, são cada vez mais notórias.

 

Nota: por motivos de ordem técnica, só agora (16h16) tive possibilidade de pôr em linha este texto, escrito ontem à noite.


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Não sei se tiveram oportunidade de ver o jogo do nosso Sporting na Madeira mas se viram talvez tenham tido a oportunidade de reparar num moço alto e com cara de menino que joga no meio-campo da equipa verde e branca. Um rapaz que não só limpa todos os lances na sua zona de influência, distribui jogo à direita, à esquerda e em lançamento de profundidade como pega ainda na bola e a conduz como um panzer delicado. Ontem, ainda marcou um golo! Se não viram mas querem ver, aproveitem o próximo sábado no jogo contra o Guimarães que se joga no Estádio de Alvalade. É aproveitar porque para o ano é capaz de ficar bem mais caro para o ver jogar ao vivo. Bilhetes de avião, hotel e ainda os bilhetes para entrar em alguns estádios europeus é coisa para custar, tudo junto, o mesmo que uma box em Alvalade.

Quanto ao resto: o habitual. Grande Adrien, grande Jefferson, grande Mané e um treinador que merecerá, um destes dias, um texto a agradecer tudo o que tem feito pelo nosso clube.

Destaque ainda para dois homens da equipa verde-rubra: Danilo (excelente jogador) e Derley (grande avançado). Para mim, era assegurar já a contratação destes dois tipos.


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17 Mar 14

Depois de tanto já aqui ter sido escrito e com o qual estou de acordo deixo apenas algumas breves notas sobre o jogo de ontem.

i) Se tivesse tempo, todos os dias escreveria um texto sobre o William Carvalho. Ele ainda não se foi embora e eu já tenho saudades deles. É um jogador inacreditável, o melhor jogador que vi formado no Sporting desde Cristiano Ronaldo sendo que Carvalho é, neste momento, mais influente na equipa do que Ronaldo alguma vez foi. Carvalho transpira classe, maturidade e tranquilidade.

ii) Adrien fez um jogo fabuloso. Paulo Bento, claramente, deve andar muito confuso. Micael é menos de metade do jogador que Adrien é.

iii) André Martins fez um grande jogo. Não pela assistência - de enorme qualidade - mas porque correu muito durante o jogo a pressionar as saídas da equipa do norte. Não é nada fácil e o desgaste é tremendo!

iv) Slimani é um mouro de trabalho para além de que aquela cabecinha vale ouro. A bola por vezes não o favorece mas o que ele corre, salta, pressiona faz do argelino um jogador fundamental no actual Sporting. Slimani fez um grande jogo ontem. Se não existisse um tipo alto chamado William Carvalho, ontem, Slimani, teria sido o melhor jogador em campo.

v) Quaresma é um jogador que tinha tudo para ter sido o maior menos a cabeça. Ontem foi, claramente, o melhor jogador da equipa adversária.

vi) Esta equipa do Sporting merece muito mais do que os pouco mais de 36000 adeptos presentes ontem no estádio. Qual é a desculpa para não ir à bola? A equipa corre, esforça-se, joga bom futebol e ganha (na larga maioria das vezes). Os bilhetes não são caros! Consegue-se fazer uma época inteira com €300,00, menos do que se gasta em café (para quem bebe) ao longo de um ano!

vii) Proença fez uma arbitragem ao seu nível. Martins está fora de jogo. Está na minha linha de visão e disse-o no momento. É, apesar de tudo, um lance complicado para o bandeirinha na medida em que Martins aparece junto a ele e isso dificulta a acção do árbitro. Não aceito, no entanto, a tese de que o Sporting foi beneficiado. Adrien leva amarelo aos 10 minutos num lance normal a meio do meio-campo adversário. Os dois centrais de azul e branco deveriam ter recebido ordem de expulsão. Mangala por acumulação de amarelos e Abdoulaye por vermelho directo. Danilo deveria também sido admoestado com segundo amarelo. Ademais, houve uma quantidade de faltas a meio-campo muitíssimo duvidosas. Como se sabe, é nesses lances que um árbitro condiciona o jogo de uma equipa. Os lances de penalty ou fora-de-jogo, sendo importantes, são possíveis de acontecer.

viii) Não sei se já me pronunciei sobre William Carvalho. O tipo que, no meio de quatro adversários consegue ficar com a bola, que faz passes de 30 metros a desmarcar colegas, que quando embala em velocidade é quase imparável e que deixa qualquer adepto mais nervoso tranquilo como um bebé depois de mamar. Que jogador de futebol! 


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16 Mar 14

Gostei

 

Da vitória contra o FCP. Há quatro anos que não ganhávamos aos portistas no campeonato: o triunfo anterior remontava a 28 de Fevereiro de 2010. São estatísticas do passado: este Sporting renascido, com Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim, teima em superar todas as marcas negativas.

 

Da exibição. Não só vencemos o tricampeão nacional, mas convencemos neste jogo muito emotivo: o Porto ainda deu réplica na primeira parte, mas foi totalmente dominado no segundo tempo. Pela garra leonina. Pela crença na vitória. Pelo domínio técnico. E sobretudo pela superioridade psicológica dos nossos jogadores.

 

De William Carvalho. Novamente o melhor jogador do Sporting em campo. Insuperável na interceptação dos lances adversários, na recepção de bola e na qualidade de passe. Foi dele o lançamento inicial para a ala direita, em profundidade, do qual nasceria o golo da nossa equipa. Mereceu a monumental vénia que lhe foi tributada nas bancadas de Alvalade.

 

De Slimani. Quatro jogos consecutivos a marcar: agarrou a titularidade e ninguém duvida que vai mantê-la. Voltou a ser decisivo ao marcar o golo solitário da vitória leonina - de cabeça, como é costume. Podia ter marcado mais: sempre muito combativo, deu contínuas dores de cabeça aos defesas centrais da equipa adversária. Saiu em campo esgotado, aos 73', sob uma merecida ovação dos adeptos.

 

De Capel. Fez muito bem o treinador em fazê-lo jogar como titular. Capel foi o nosso jogador mais em evidência na primeira parte, em constantes aceleradelas nas alas em que foi jogando alternadamente. Pressionando sempre e ganhando muitos lances em velocidade. Saiu de campo também esgotado. Leonardo Jardim voltará a apostar nele no próximo encontro, a disputar na Madeira. O andaluz merece. Porque é Leão.

 

De Cédric. Também ele se bateu com garra leonina com o mais perigoso jogador do FCP, Ricardo Quaresma. Perdeu alguns lances, na primeira parte, mas nunca se deu por vencido. E acabou por vencer este duelo já na etapa complementar mostrando ao adversário que não lhe falta também qualidade técnica. Combativo do princípio ao fim.

 

De Eric Dier. Em excelente forma. Bateu-se muito bem, neutralizando Jackson Martínez. Conseguiu fazer esquecer Maurício, que hoje não pôde jogar por estar castigado, completando muito bem a actuação de Rojo, que voltou a estar em grande nível. Jogue quem jogar, a defesa do Sporting continua seguríssima.

 

Da classificação. Consolidámos o segundo lugar, agora com mais cinco pontos do que o FCP e a quatro do Benfica, que só joga amanhã. Há um ano, convém lembrar, seguíamos por esta altura 30 pontos atrás do Porto.

 

Do calor humano nas bancadas. Mais de 36 mil espectadores em Alvalade, um ambiente extraordinário de incentivo à nossa equipa. Uma atmosfera digna de um grande clássico, como este prometia ser. E foi.

 

Dos aplausos a Helton. O guarda-redes portista lesionou-se com gravidade e saiu do campo em maca, perante os aplausos de milhares de adeptos leoninos. Um bonito gesto de desportivismo que devia ser mais frequente nos estádios portugueses.

 

 

Não gostei

 

Da primeira meia hora. Aos 30 minutos o FCP já tinha criado duas grandes oportunidades (e atirado uma bola à barra, por Quaresma) perante alguma apatia do Sporting. Com André Martins e Carlos Mané bastante apagados. O intervalo fez-lhes bem. Partiu até de André o bom cruzamento para a cabeça de Slimani do qual resultaria o nosso golo, aos 52'. A repetição das imagens televisivas permite vislumbrar que nesta jogada, muito rápida, o nosso nº 8 parte de posição ligeiramente deslocada. A equipa de arbitragem liderada por Pedro Proença não se apercebeu disso, tal como a esmagadora maioria dos espectadores no estádio.

 

Dos nervos em franja no banco portista. Todos sabemos que o FCP tem mau perder. Hoje voltou a confirmar-se perante a superior capacidade do Sporting, que dominou por completo a segunda parte - que foi decisiva.

 

Dos isqueiros atirados a Quaresma por alguns adeptos. São atitudes reprováveis, que não podem acontecer sem uma palavra inequívoca de protesto.


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10 Mar 14

Costumo escrever estas notas durante os jogos do Sporting e publico-as geralmente no nosso blogue logo após o apito final.

Mas toda a regra tem excepção.

A partida de ontem foi totalmente desvirtuada pela equipa de arbitragem. Como toda a imprensa de hoje - sem excepção - reconheceu. E - facto também unânime - ninguém deixa de admitir que o Sporting foi o grande prejudicado neste encontro do Bonfim, já de má memória.

 

Perante isto não faz qualquer sentido comentar o jogo nos moldes habituais. Em função das opções técnicas, dos dispositivos tácticos ou da prestação colectiva da equipa. Alguns blogues fizeram isso, como se este tivesse sido um jogo normal. Mas não foi.

Vale a pena, no entanto, deixar aqui algumas notas. Sete, para ser mais preciso.

 

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1. A actuação da equipa liderada pelo senhor Vasco Santos ultrapassa tudo quanto vimos esta época. Ultrapassa os seis pontos que já nos haviam espoliado frente ao Rio Ave, Nacional e Académica. Já não estamos perante meros erros de arbitragem, compreensíveis ou intoleráveis. Foi um descalabro completo. Caso para dizer que Vasco Santos e seus acólitos não acertaram uma.

 

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2. Por uma vez, Leonardo Jardim deixou-se de panos quentes. E fez bem. Nem seria aceitável outra atitude. "Não gosto de falar de arbitragens, resumo o meu trabalho a treinar o Sporting, mas penso que estamos bater um recorde mundial de golos mal anulados. É incrível como isto é possível", disse o nosso treinador. O sistema defende-se apontando armas contra nós. Não é o momento de reagir com cortesia diplomática. Quem não se sente...

 

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3. Falando ontem à noite naquele que é - de longe - o melhor programa televisivo de rescaldo das jornadas futebolísticas, Pedro Sousa pôs o dedo na ferida, abordando sem rodeios uma questão que a imprensa especializada em futebol tem omitido: os três árbitros portugueses mais internacionais - Pedro Proença, Jorge Sousa e Olegário Benquerença - quase não apitam jogos dos chamados "três grandes". Adoram actuar nas competições internacionais mas por cá passam ao lado as partidas que podem gerar mais polémica. Com a conivência total do responsável máximo pela arbitragem, Vítor Pereira. Não faz qualquer sentido que os jogos mais importantes fiquem entregues a incompetentes, como uma vez mais aconteceu neste fim de semana.

 

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4. Slimani já demonstrou que merece ser titular. Foi, de longe, o melhor jogador ontem em campo. Marcou um golo, quase marcou outro e foi alvo de uma grande penalidade não assinalada pelo senhor Santos. Surge em movimentação constante, provocando calafrios nas defesa adversários. Tem de continuar assim. Titular. Isto invalida que Montero não jogue também de início? Nada disso. Implica apenas que o técnico adapte o sistema de jogo à presença em campo destes dianteiros, dois dos melhores jogadores que actuam no campeonato português.

 

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5. Carrillo desperdiça oportunidades atrás de oportunidades. Voltou a acontecer ontem no Bonfim: o peruano continua a não fazer jus à condição de titular que Leonardo Jardim sistematicamente lhe atribui. Está mais que visto que rende muito mais quando entra como suplente na última meia hora de jogo. É tempo de reconhecer este facto.

 

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6. Confesso que Heldon também ainda não me convenceu como titular. Falta-lhe intenção, ousadia e acutilância. Vai ainda uma distância grande entre aquilo que promete e o que cumpre.

 

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7. Magrão mantém-se igual a si próprio: um jogador que teima em não passar da vulgaridade. Não fez ainda nada que me impressionasse. E garanto que não é por ter qualquer preconceito contra o médio brasileiro que escrevo isto.


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