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És a nossa Fé!

Ainda o Derby!

Se há coisa para que serviu o derby de ontem foi para mostrar que o futebol português (no qual se incluem os meios de comunicação social e adeptos) sofre de uma curiosa, algo "nojenta", falta de memória seletiva, vivendo na hipocrisia.

Até admito que há fora de jogo no início da jogada do nosso golo, agora tudo o resto, ao contrário do que querem fazer parecer, é choro sem razão. Até um ilustre benfiquista de seu nome Duarte Gomes já o veio confirmar. Pena é que o que se vê por aí são jornais a falar de 30 penalties quando o único que efetivamente o é, foi devidamente assinalado. Fico também com pena que ninguem fale da expulsão perdoada ao Fejsa.

O que eu gostava mesmo a sério era que os mesmos que hoje dizem que é uma vergonha e um escândalo ou que fazem insinuações acerca da seriedade da equipa de arbitragem e que estão curiosos para ver a evolução da sua carreira, se lembrem bem do que aconteceu da última vez que o Sporting jogou na luz para o campeonato.

Gostava também que quem fala em massacre e que merecia diferente sorte, dizendo que o Sporting não jogou nada (o que até é verdade), se lembrasse do que foram os outros derbies entre Jesus e Rui Pinho.

Jesus errou a mexer na equipa e fê-lo tarde. Battaglia foi provavelmente o pior jogador em campo e ainda foi fazer um penalty desnecessário quando Rui Patrício cobria a baliza e tudo indica que a bola ia por cima. Mas a verdade é que o Benfica já foi feliz no passado adotando esta postura, que na devida altura apelidei de equipa pequena, e nessa altura não se falou da superioridade do Sporting da mesma forma.

É pena é que existam pessoas com palas nos olhos e que a comunicação (altamente controlada e manipulada) contribua para que tudo assim continue, tentando fazer deste jogo algo pior que “O roubo de Jorge Sousa” ou o “Limpinho Limpinho de Capela”.

Eu dou é graças a Deus por termos o VAR, se não quer-me parecer que ontem tinha mesmo havido na Luz, 4 penalties a favor do Benfica.

Quanto ao fora de jogo, apesar de me ter parecido logo na altura, foi explicado ainda ontem pelo ilustre benfiquista Duarte Gomes que o vídeo-arbitro não tem acesso às linhas que a transmissão televisiva mostra (o que me parece errado) e que em qualquer lance duvidoso como o de ontem não deve mudar a decisão do árbitro.

Gostava ainda que Jesus tivesse adotado outra postura menos receosa, uma vez que me parece que temos equipa para bater os nossos rivais, e se era para jogar a defender e sair em contra-ataque, mais-valia ter na frente alguém mais rápido que o Bas Dost.

Além disso, parece-me que devia ter mexido mais cedo e melhor na equipa, procurando aproveitar o espaço deixado pelo Benfica para o contra-ataque, através da velocidade de Podence ou Doumbia em vez de colocar Bryan. Para ajudar a segurar a bola, já tinha colocado, e bem na minha opinião, Bruno César. Só devia era ter tirado Battaglia, que esteve perdido em campo, quem sabe por não ter uma referência para marcar como aconteceu nos jogos da Champions.

A Jesus e ao trabalho da sua equipa ontem, gostaria apenas de fazer mais uma ressalva: tendo em conta o jogo que foi o resultado é excelente, mas para o que precisávamos antes do jogo, e tendo em conta o que cada uma das equipas vinha jogando, foi horrível. Por esse motivo, parece-me que deviam evitar demonstrar satisfação.

Por último, apesar de este ser um blog do Sporting, como inexplicavelmente temos um número ainda considerável de leitores de outros clubes, (algo que já tive oportunidade de debater com colegas de blog e que temos dificuldade em compreender), não gostava de terminar sem antes deixar um conselho para algumas lamparinas excitadas ou aziadas que parece que descobriram que o seu clube tem uma equipa de futebol, quando curiosamente andaram desaparecidas durante a pior prestação europeia de uma equipa portuguesa e de uma equipa do pote 1. Se querem reclamar, façam o que sabem melhor, enviem um email!

Quente & frio

 

Gostei muito do aplauso tributado nas bancadas de Alvalade ao grande Iniesta - bicampeão mundial e um dos melhores futebolistas que vi jogar desde sempre - no momento em que foi substituído. São instantes como este, em que mesmo a perder somos capazes de prestar tributo ao talento alheio, que me enchem ainda mais de orgulho por ser sportinguista.

 

Não gostei nada da sonora vaia de vários adeptos ao hino da Liga dos Campeões. Esta reacção quase pavloviana aos acordes musicais que confirmam o estádio José Alvalade como um dos palcos da prova máxima do futebol mundial continua a ser para mim incompreensível. Assobiamos o hino, mas guardamos o cheque: não é atitude à Sporting.

Confesso...

... que não sou grande adepto fora do nosso estádio.

Sempre que estou a ver os jogos ao vivo vou comentando com os que me rodeiam, dizendo umas baboseiras, puxo pela equipa, mas sempre em tom sereno e calmo. Mesmo que o jogo não esteja a correr de feição, tenho sempre esperança.

Porém em casa... Bom... tenho perfeita consciência que sou irascível e tenho pouca paciência para a equipa. Barafusto, grito e até, pasme-se, sou capaz de chamar alguns impropérios a árbitros, jogadores, treinadores e até aos adeptos. Reconheço que sou impossível. Mas também grito quando marcamos, salto e cerro os punhos...

Hoje, mesmo em férias e após o golo do empate, voltei ao meu estado de stress futebolístico. De tal forma que, quando chegou o intervalo, desliguei a televisão e fui fazer um petisco para o jantar.

O problema é que o telemóvel tem uma aplicação que vai indicando a marcha do marcador e deste modo fui sabendo o resultado. Fiquei por isso preso entre deixar queimar o jantar e ir ver o resto do jogo ou esperar por vê-lo mais tarde.

Optei pela segunda hipótese porque assumo que não sou grande adepto fora de portas, isto é, Alvalade!

 

 

Também aqui

 

Jogo de apresentação aos sócios (adeptos, pois, adeptos é que está certo)

O chamado jogo de apresentação aos sócios (adeptos, eu sei que o que está certo é adeptos, o jogo é para quem gosta do Sporting) vive no meu imaginário há muitos anos. Não conta, bem sei, para nenhuma competição, é cada vez mais uma formalidade, já que com o mercado escancarado até fim de Agosto, nada nos garante que os que ali, no jogo de apresentação, nos são apresentados, fiquem até Maio (ou mesmo Janeiro) no Sporting. 

Pelos anos 90 houve, entre outros, jogos de apresentação com PSV (o meu primeiro como sócia) e Ajax. Lembro-me que neste segundo fiquei até bem depois da hora para pedir um autógrafo ao Rijkaard, e no momento em que me apareceu à frente, teve de ser o meu irmão a avançar de bilhete e caneta, porque petrifiquei. Não sei porquê, nessa idade recolhia autógrafos em Alvalade sem qualquer problema, talvez fosse diferente a aura internacional na altura - era, claro que era. E Rijkaard habitava a parede do meu quarto, num poster do plantel do Milan de 1992/93, que por sua vez vivia no meu coração. Estava perante um semi-deus, portanto.

Nesse tempo, ir ao jogo de apresentação era uma saída à noite para mim. Tinha nervoso miudinho o dia todo, e no estádio sentia que aquele jogo era para mim. Eu, sócia do Sporting, tinha o direito de me ser apresentado o plantel do futebol sénior. E, sorte minha, era o que mais me interessava. Era uma noite diferente, havia a ansiedade de nova época e ao mesmo tempo, a tranquilidade de ver como jogava quem, sem pensar muito no resultado daquele jogo.
Vejo o jogo de apresentação - e não falo de espectáculos de luz e cor, falo do jogo só - como um restinho do futebol que já quase não existe. E cada vez mais quero voltar a esse tempo, em que me conseguia isolar da avalanche de críticas, discussões e lavagens de roupa suja. Em que só o Sporting importava. Há uma solenidade em "jogo de apresentação aos adeptos" que resiste a tanto circo e lixo dos dias que correm. E eu gosto que assim seja. 
Sábado fui lá estar, pois.

Complexo de inferioridade

Faz-me impressão que tantos sportinguistas sejam incapazes de se pronunciar sobre as questões leoninas sem mencionarem a todo o momento o clube onde Jorge Jesus foi treinador durante seis anos antes de se transferir para Alvalade.

Todos os dias verifico isso, nas caixas de comentários do És a Nossa Fé.

É um absurdo complexo de inferioridade. Como se o Sporting não fosse um clube com mais história, mais títulos e mais prestígio do que a agremiação rival. Como se o Sporting não tivesse como embaixadores itinerantes permanentes figuras da relevância mundial de um Carlos Lopes, um Luís Figo ou um Cristiano Ronaldo.

Esses sportinguistas com mentalidade perdedora têm os pés num lado da Segunda Circular e a cabeça no lado oposto. Algo que de todo não entendo.

Eles e nós!

Onde trabalho há um refeitório que frequento com regularidade. Ontem eram duas da tarde quando finalmente me sentei para comer. Estava só!

Minutos depois sentaram-se à minha frente dois amigos, porém ambos adeptos de outra agremiação desportiva.

Assim que se sentaram começaram a chover questões sobre a entrevista que o Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, dera no dia anterior. Como já não vejo televisão nem me apercebi que existira tal entrevista e portanto não respondi a qualquer pergunta.

Bom… durante todo o almoço os meus companheiros de refeição só falaram do nosso Presidente. E epitetaram-no de tudo e mais um “par de botas”. Certamente não esperam que eu transcreva o que disseram de BdC. Fiquei no entanto com uma enormíssima certeza: que o nosso Presidente continua no bom caminho.

Eles só falam dele, muito mais que nós. É sempre bom sinal! Sinal que estamos vivos e que o Sporting continua a incomodar muita gente.

Provavelmente os nossos adversários prefeririam outros dirigentes… Nós sabemos que sim!

Velhos do Restelo vs. Velhos de Carnide

Este bem podia ser um texto sobre os efeitos da nata dos pastéis de Belém à bulha com os efeitos da farinha dos lados de carnide. Mas é mais uma reflexão sobre o adepto português e vá... ser lampião. O velho do Restelo é uma personagem popular, presente n'Os Lusíadas. Este velho não acredita na fortuna dos navegadores portugueses, acha que vão falhar. Não vão conseguir. Talvez no seu pensamento afundassem a uns escassos metros da costa. Contudo, olho este personagem de uma perspectiva diferente. Uma coisa é o que diz, e outra o que pensa. Tão certo no português, como o Camões ser cego de um olho. E esta é uma bela comparação. Acabamos por não ver bem a realidade onde vivemos. O olho bom faz-nos achar que isto vai ser a bela de uma desgraça. O olho da pala é aquele que nos permite imaginar, o que representa o sonho que todos temos: o sucesso de Portugal e dos portugueses. A derradeira conquista da grandiosidade. Seja como nação, seja na selecção. A taça de um Europeu ou de um Mundial não é mais do que a revelação do V Império no futebol. A união de todos os povos num plano espiritual que os aproxima - transmutando isto para "futebolês" - a união do mundo do futebol em torno do virtuosismo tão bem patente na alma lusa. É tudo muito bonito, mas duvido que o Camões, o Padre António Vieira, o Pessoa ou o Agostinho da Silva legitimassem esta comparação. Mas a verdade, mutatis mutandis, podemos fazê-la para esta finalidade. Sendo assim, os velhos do Restelo continuam tão actuais sendo necessários no futebol e no quotidiano. São eles que alertam, duvidam, mas no fim esperam conformar-se, dizer que estavam enganados e festejar a glória lusitana. Seja pela conquista d'Além mar, seja pelo excesso de bagagem de um caneco na mala.

E perguntam-se, "que raio tem isto que ver com os velhos de Carnide?". E perguntam bem! Velhos de Carnide é uma figura que arranjei de forma a categorizar o adepto da Selecção com origem e natureza lampiã. Parece doença. Há doutrina que a considera. Eu dou o benefício da dúvida, dado que a minha cor é o verde. Ora o velho de Carnide, sendo adepto lampião, é um tipo eufórico. Acha que ganha tudo antes de jogar. Acha que tem os melhores de sempre. Acha que tudo está conta eles, mesmo quando andam todos a favor. Acha que tem um Deus lá no meio do campo, e como é omnipresente e omnipotente está na calha. Gosta de cantar os primeiros dez minutos e com sorte lá pelo 70 (desculpem, ri-me), ou no final do jogo se estiver a ganhar. Acha que não existe equipa nenhuma comparável à sua. Mas aqui reside o problema. É que isto ocorre constantemente antes de começar uma competição. Assim que se inicia - perdendo ou empatando uns jogos - a euforia dá lugar à depressão, os cânticos aos apupos, os elogios à culpabilização, as manchetes dos jornais a linchamentos em horário nobre. E se é assim no clube, e sendo o clube com mais adeptos, a conclusão é lógica: é assim com a equipa das Quinas. Com algumas nuances, é certo. Porque o ódio torna-se ainda mais visceral quando o Sporting não só é a casa-mãe do melhor jogador do mundo (Cristiano Ronaldo, para os mais esquecidos), como é igualmente responsável pela formação de quase metade da equipa. Eles ficam na bolha deles. Deitam culpas a todos, pensando que faltava o Deus deles a jogar e tudo seria diferente, uma vez que os Deuses dos outros não valem chavo.

Revela-se assim o velho de Carnide - o verdadeiro radical da descrença. O puro adepto bipolar que povoa grande parte de Portugal. Infelizmente é este o retrato da nossa realidade. Engraçado será ver, se formos à final ou caso vençamos o Euro, que estes vão ser os primeiros a encher praças, quando antes andaram a encher-nos os ouvidos de baboseiras. É esta a dualidade permanente em que vivemos. De um lado os velhos do Restelo, talvez a expressão da prudência que nos falta à coragem da aventura. Do outro os velhos de Carnide como expressão da falta de prudência existente e do euforismo acéfalo. Enquanto assim for andaremos entre o céu e o inferno. Faltando "cumprir-se Portugal".

Diáspora

Estou confundido com esta imagem em que o primeiro ministro do Canadá, em visita à comunidade portuguesa de Toronto, aparece com a camisola do Sporting.

Mas existem sportinguistas em Toronto?

Estava convencido que havia um estudo qualquer que referia que toda a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo era adepta de um outro clube.

Ainda pensei que podia ser uma montagem, mas depois confirmei que a imagem estava no site do Record...

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