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És a nossa Fé!

Quente & frio

 

Gostei muito do aplauso tributado nas bancadas de Alvalade ao grande Iniesta - bicampeão mundial e um dos melhores futebolistas que vi jogar desde sempre - no momento em que foi substituído. São instantes como este, em que mesmo a perder somos capazes de prestar tributo ao talento alheio, que me enchem ainda mais de orgulho por ser sportinguista.

 

Não gostei nada da sonora vaia de vários adeptos ao hino da Liga dos Campeões. Esta reacção quase pavloviana aos acordes musicais que confirmam o estádio José Alvalade como um dos palcos da prova máxima do futebol mundial continua a ser para mim incompreensível. Assobiamos o hino, mas guardamos o cheque: não é atitude à Sporting.

Confesso...

... que não sou grande adepto fora do nosso estádio.

Sempre que estou a ver os jogos ao vivo vou comentando com os que me rodeiam, dizendo umas baboseiras, puxo pela equipa, mas sempre em tom sereno e calmo. Mesmo que o jogo não esteja a correr de feição, tenho sempre esperança.

Porém em casa... Bom... tenho perfeita consciência que sou irascível e tenho pouca paciência para a equipa. Barafusto, grito e até, pasme-se, sou capaz de chamar alguns impropérios a árbitros, jogadores, treinadores e até aos adeptos. Reconheço que sou impossível. Mas também grito quando marcamos, salto e cerro os punhos...

Hoje, mesmo em férias e após o golo do empate, voltei ao meu estado de stress futebolístico. De tal forma que, quando chegou o intervalo, desliguei a televisão e fui fazer um petisco para o jantar.

O problema é que o telemóvel tem uma aplicação que vai indicando a marcha do marcador e deste modo fui sabendo o resultado. Fiquei por isso preso entre deixar queimar o jantar e ir ver o resto do jogo ou esperar por vê-lo mais tarde.

Optei pela segunda hipótese porque assumo que não sou grande adepto fora de portas, isto é, Alvalade!

 

 

Também aqui

 

Jogo de apresentação aos sócios (adeptos, pois, adeptos é que está certo)

O chamado jogo de apresentação aos sócios (adeptos, eu sei que o que está certo é adeptos, o jogo é para quem gosta do Sporting) vive no meu imaginário há muitos anos. Não conta, bem sei, para nenhuma competição, é cada vez mais uma formalidade, já que com o mercado escancarado até fim de Agosto, nada nos garante que os que ali, no jogo de apresentação, nos são apresentados, fiquem até Maio (ou mesmo Janeiro) no Sporting. 

Pelos anos 90 houve, entre outros, jogos de apresentação com PSV (o meu primeiro como sócia) e Ajax. Lembro-me que neste segundo fiquei até bem depois da hora para pedir um autógrafo ao Rijkaard, e no momento em que me apareceu à frente, teve de ser o meu irmão a avançar de bilhete e caneta, porque petrifiquei. Não sei porquê, nessa idade recolhia autógrafos em Alvalade sem qualquer problema, talvez fosse diferente a aura internacional na altura - era, claro que era. E Rijkaard habitava a parede do meu quarto, num poster do plantel do Milan de 1992/93, que por sua vez vivia no meu coração. Estava perante um semi-deus, portanto.

Nesse tempo, ir ao jogo de apresentação era uma saída à noite para mim. Tinha nervoso miudinho o dia todo, e no estádio sentia que aquele jogo era para mim. Eu, sócia do Sporting, tinha o direito de me ser apresentado o plantel do futebol sénior. E, sorte minha, era o que mais me interessava. Era uma noite diferente, havia a ansiedade de nova época e ao mesmo tempo, a tranquilidade de ver como jogava quem, sem pensar muito no resultado daquele jogo.
Vejo o jogo de apresentação - e não falo de espectáculos de luz e cor, falo do jogo só - como um restinho do futebol que já quase não existe. E cada vez mais quero voltar a esse tempo, em que me conseguia isolar da avalanche de críticas, discussões e lavagens de roupa suja. Em que só o Sporting importava. Há uma solenidade em "jogo de apresentação aos adeptos" que resiste a tanto circo e lixo dos dias que correm. E eu gosto que assim seja. 
Sábado fui lá estar, pois.

Complexo de inferioridade

Faz-me impressão que tantos sportinguistas sejam incapazes de se pronunciar sobre as questões leoninas sem mencionarem a todo o momento o clube onde Jorge Jesus foi treinador durante seis anos antes de se transferir para Alvalade.

Todos os dias verifico isso, nas caixas de comentários do És a Nossa Fé.

É um absurdo complexo de inferioridade. Como se o Sporting não fosse um clube com mais história, mais títulos e mais prestígio do que a agremiação rival. Como se o Sporting não tivesse como embaixadores itinerantes permanentes figuras da relevância mundial de um Carlos Lopes, um Luís Figo ou um Cristiano Ronaldo.

Esses sportinguistas com mentalidade perdedora têm os pés num lado da Segunda Circular e a cabeça no lado oposto. Algo que de todo não entendo.

Eles e nós!

Onde trabalho há um refeitório que frequento com regularidade. Ontem eram duas da tarde quando finalmente me sentei para comer. Estava só!

Minutos depois sentaram-se à minha frente dois amigos, porém ambos adeptos de outra agremiação desportiva.

Assim que se sentaram começaram a chover questões sobre a entrevista que o Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, dera no dia anterior. Como já não vejo televisão nem me apercebi que existira tal entrevista e portanto não respondi a qualquer pergunta.

Bom… durante todo o almoço os meus companheiros de refeição só falaram do nosso Presidente. E epitetaram-no de tudo e mais um “par de botas”. Certamente não esperam que eu transcreva o que disseram de BdC. Fiquei no entanto com uma enormíssima certeza: que o nosso Presidente continua no bom caminho.

Eles só falam dele, muito mais que nós. É sempre bom sinal! Sinal que estamos vivos e que o Sporting continua a incomodar muita gente.

Provavelmente os nossos adversários prefeririam outros dirigentes… Nós sabemos que sim!

Velhos do Restelo vs. Velhos de Carnide

Este bem podia ser um texto sobre os efeitos da nata dos pastéis de Belém à bulha com os efeitos da farinha dos lados de carnide. Mas é mais uma reflexão sobre o adepto português e vá... ser lampião. O velho do Restelo é uma personagem popular, presente n'Os Lusíadas. Este velho não acredita na fortuna dos navegadores portugueses, acha que vão falhar. Não vão conseguir. Talvez no seu pensamento afundassem a uns escassos metros da costa. Contudo, olho este personagem de uma perspectiva diferente. Uma coisa é o que diz, e outra o que pensa. Tão certo no português, como o Camões ser cego de um olho. E esta é uma bela comparação. Acabamos por não ver bem a realidade onde vivemos. O olho bom faz-nos achar que isto vai ser a bela de uma desgraça. O olho da pala é aquele que nos permite imaginar, o que representa o sonho que todos temos: o sucesso de Portugal e dos portugueses. A derradeira conquista da grandiosidade. Seja como nação, seja na selecção. A taça de um Europeu ou de um Mundial não é mais do que a revelação do V Império no futebol. A união de todos os povos num plano espiritual que os aproxima - transmutando isto para "futebolês" - a união do mundo do futebol em torno do virtuosismo tão bem patente na alma lusa. É tudo muito bonito, mas duvido que o Camões, o Padre António Vieira, o Pessoa ou o Agostinho da Silva legitimassem esta comparação. Mas a verdade, mutatis mutandis, podemos fazê-la para esta finalidade. Sendo assim, os velhos do Restelo continuam tão actuais sendo necessários no futebol e no quotidiano. São eles que alertam, duvidam, mas no fim esperam conformar-se, dizer que estavam enganados e festejar a glória lusitana. Seja pela conquista d'Além mar, seja pelo excesso de bagagem de um caneco na mala.

E perguntam-se, "que raio tem isto que ver com os velhos de Carnide?". E perguntam bem! Velhos de Carnide é uma figura que arranjei de forma a categorizar o adepto da Selecção com origem e natureza lampiã. Parece doença. Há doutrina que a considera. Eu dou o benefício da dúvida, dado que a minha cor é o verde. Ora o velho de Carnide, sendo adepto lampião, é um tipo eufórico. Acha que ganha tudo antes de jogar. Acha que tem os melhores de sempre. Acha que tudo está conta eles, mesmo quando andam todos a favor. Acha que tem um Deus lá no meio do campo, e como é omnipresente e omnipotente está na calha. Gosta de cantar os primeiros dez minutos e com sorte lá pelo 70 (desculpem, ri-me), ou no final do jogo se estiver a ganhar. Acha que não existe equipa nenhuma comparável à sua. Mas aqui reside o problema. É que isto ocorre constantemente antes de começar uma competição. Assim que se inicia - perdendo ou empatando uns jogos - a euforia dá lugar à depressão, os cânticos aos apupos, os elogios à culpabilização, as manchetes dos jornais a linchamentos em horário nobre. E se é assim no clube, e sendo o clube com mais adeptos, a conclusão é lógica: é assim com a equipa das Quinas. Com algumas nuances, é certo. Porque o ódio torna-se ainda mais visceral quando o Sporting não só é a casa-mãe do melhor jogador do mundo (Cristiano Ronaldo, para os mais esquecidos), como é igualmente responsável pela formação de quase metade da equipa. Eles ficam na bolha deles. Deitam culpas a todos, pensando que faltava o Deus deles a jogar e tudo seria diferente, uma vez que os Deuses dos outros não valem chavo.

Revela-se assim o velho de Carnide - o verdadeiro radical da descrença. O puro adepto bipolar que povoa grande parte de Portugal. Infelizmente é este o retrato da nossa realidade. Engraçado será ver, se formos à final ou caso vençamos o Euro, que estes vão ser os primeiros a encher praças, quando antes andaram a encher-nos os ouvidos de baboseiras. É esta a dualidade permanente em que vivemos. De um lado os velhos do Restelo, talvez a expressão da prudência que nos falta à coragem da aventura. Do outro os velhos de Carnide como expressão da falta de prudência existente e do euforismo acéfalo. Enquanto assim for andaremos entre o céu e o inferno. Faltando "cumprir-se Portugal".

Diáspora

Estou confundido com esta imagem em que o primeiro ministro do Canadá, em visita à comunidade portuguesa de Toronto, aparece com a camisola do Sporting.

Mas existem sportinguistas em Toronto?

Estava convencido que havia um estudo qualquer que referia que toda a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo era adepta de um outro clube.

Ainda pensei que podia ser uma montagem, mas depois confirmei que a imagem estava no site do Record...

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As lágrimas de Nani

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Nani não se limitou a marcar ontem o melhor golo deste campeonato - um golo cujas imagens já circulam nas televisões europeias. Nani demonstrou também, ao confirmar a nossa vitória em Alvalade contra o Gil Vicente, o seu iniludível sportinguismo. As lágrimas que lhe corriam pela cara, nesse momento, eram um perfeito testemunho disso.

No estádio, pouco antes, tinha sido brindado com assobios por adeptos impacientes - aqueles que se revelam incapazes de admirar o talento do melhor jogador português da Liga 2014/15. "Chuta! Chuta!", gritavam, frenéticos, cada vez que Nani temporizava o jogo, com perfeito domínio da bola, tentando descortinar a melhor linha de passe.

Aquelas lágrimas tão expressivas deste Leão dos quatro costados foram também provocadas por estes adeptos que não se coíbem de assobiar os nossos profissionais - mesmo os fora de série, como é o caso. Um dia mais tarde terão saudades de Nani. Um dia mais tarde, quando ele já tiver rumado a outras paragens, gastarão horas de conversa a lembrar este golo que fez levantar o estádio.

Porque em Alvalade, demasiadas vezes, tratamos muito melhor quem esteve do que quem está. Se eu pudesse mudar alguma coisa, mudaria isto.

O meu vizinho do lado

Calhou-me em sorte esta época um vizinho novo em Alvalade.

E se estou agastado com o resultado de ontem, estou ainda mais por conta do meu vizinho, que saiu com uma tristeza enorme de Alvalade.

Ele é daqueles sócios à antiga. Sai de casa a seguir ao almoço, sozinho. Apanha o barco em Cacilhas e devora tudo o que é Sporting até à hora do jogo. Vibra como ninguém! Sabe os cânticos todos das claques e grita. Muito! Não está sossegado na cadeira um segundo.

Antes do início do jogo falou do futsal e de como tínhamos dado um baile de bola e como nos deixámos empatar com um auto-golo; "a ver se hoje não acontece o mesmo", disse, assim a modos que a medo.

O meu vizinho, contudo, ontem vinha com uma enorme fezada. Apostava no 3-0 e era vê-lo entusiasmado a cada arrancada do Adrien, a cada passe de luxo do William, a cada revienga do Carrillo. A cada lesão simulada do Artur, lá estava ele a invectivá-lo; nada de nomes impronunciáveis em público, mas palavras que exprimiam o sentimento da fraude a que estava a assistir. Talvez o pior dos epítetos que tenha proferido foi chamar gordo ao Eliseu; "gordo, joga à bola!" disse várias vezes e pulava na cadeira. Parece ter "bicho carpinteiro" já o disse, não sossega um segundo.

E como ele saltou no nosso golo! E como ele se abraçou a mim! E como ele gritava "tomem! tomem! tomem!" e "Sporting!!!! Sporting!!!! Sporting!!!!".

"Agora é fazer como eles, é deitar pró chão e queimar tempo" disse ele num dos poucos momentos em que esteve calmo.

Mas não foi assim. Os olés "dos nabos" e a juventude da equipa e do treinador contrariaram a lógica e a previsão e o desejo deste meu vizinho de cadeira que me calhou em sorte este ano em Alvalade.

Este meu vizinho, apesar de ser um daqueles sócios à antiga, não é um daqueles sócios antigos.

Este meu vizinho dá-me garantias de que a juventude da equipa não é o único garante dum futuro risonho para o Sporting;

Este meu vizinho, que, repito, vem da outra banda sozinho, com o semblante triste, porém já com o resultado digerido e a inabalável fé no Sporting, tinha como preocupação maior hoje não conseguir falar na escola.

Este meu vizinho é o exemplo de que o futuro é nosso. Este meu vizinho que não se lembra de ter visto o Sporting campeão e vive tão intensamente o Sporting de forma tão apaixonada chama-se João e tem 14 anos!

{ Blog fundado em 2012. }

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