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És a nossa Fé!

Tombou um gigante

 

Alfredo di Stéfano (1926-2014)

«Cuando su estrella declinó, el fútbol era otra cosa. No lo inventó Di Stéfano,  pero ayudó más que nadie a transformarlo durante un decenio asombroso. Luego  llegó su reseñable recorrido por los banquillos de numerosos equipos españoles y  argentinos. Logró títulos, instaló a la Quinta del Buitre en el Real Madrid y  siempre fue un personaje popular. No consiguió, sin embargo, que la gente  olvidara al jugador que cargó con el fútbol sobre sus hombros y lo cambió de  lugar. Fue un trabajo homérico. Antes de Alfredo Di Stéfano, el fútbol era una  cosa. Después, fue otra. Y mejor.»

Santiago Segurola, Marca

Isto sim, é ser leão

 

«Em 1945, quando comecei a treinar no Sporting, perguntaram-me o objectivo número um e eu disse: "Que um dia um atleta treinado por mim vá aos Jogos Olímpicos ganhar a medalha de ouro, e que o hino português seja ouvido em todo o Mundo." Responderam que era maluco, mas disse que ia tentar. Demorou 39 anos.»

Mário Moniz Pereira, em entrevista ao nosso Leonardo Ralha, na revista Domingo, do Correio da Manhã

Foto Record

Pietro Mennea

 

Morreu um mito do atletismo, o mais extraordinário velocista europeu que vi  correr e, a nível global, um dos maiores da história deste desporto. Campeão europeu e olímpico, recordista mundial dos 200 metros durante 17 anos, entre 1979 e 1996, ano em que o seu tempo foi batido por Michael Johnson, mantendo-se, ainda, no entanto, como record da Europa, único atleta de sempre a ter comparecido em quatro finais olímpicas consecutivas da distância, este fantástico sprinter italiano faz-me sonhar com os tempos em que o Sporting era muito, muito grande. Em 1979, na inauguração da pista de tartan do Estádio José de Alvalade, Pietro Mennea, competindo na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo, venceu os 100 metros no excepcional tempo, à época, de 10,00 segundos, embora com cronometragem manual. Outros grandes atletas, campeões e recordistas olímpicos, europeus e mundiais participaram nessa competição, em que o Sporting se classificou em 5º lugar, com vitórias de Fernando Mamede nos 5 000 e 10 000 metros e de José Carvalho nos 400 metros com barreiras. Na altura, ainda jovem, eu colaborava com o Jornal do Sporting e coube-me, após as diversas provas, recolher as declarações de alguns dos intervenientes, entre eles as do inesquecível Pietro Mennea. Parece-me que ainda o vejo e ouço, poucos minutos depois de acabar o seu vôo rasante pelo estádio, a proferir algumas palavras de circunstância que eu mal consegui registar, impressionado com a proximidade e troca de palavras com um atleta que já ameaçava vir a tornar-se uma lenda.

 

Por esses anos, tudo corria bem ao nosso clube. No atletismo, fomos uma série de vezes campeões europeus de corta-mato, obtivemos lugares muito  honrosos nos campeonatos europeus de pista entre clubes, sobre Fernando Mamede e Carlos Lopes está tudo dito, tínhamos o já referido José Carvalho, tínhamos João Campos, Raposo Borges, Aniceto Simões, Conceição Alves, Hélder de Jesus e até nos veteranos, com Péricles Pinto, nos fazíamos representar com brilhantismo por esse mundo fora; fomos campeões nacionais de basquetebol e de andebol e campeões nacionais e europeus de hóquei em patins; no futebol, pudemos regozijar-nos com grandes equipas, fomos campeões e tivemos o privilégio de ver jogadores como Manuel Fernandes, Jordão ou Oliveira; no ciclismo, o nosso júbilo não se continha perante as proezas de Joaquim Agostinho e Marco Chagas e, em modalidades como a ginástica, o clube exultava com uma massificação que conduziu à existência de milhares e milhares de praticantes. Até no tiro o Sporting se destacou: Armando Marques competiu em três jogos olímpicos, tendo ganho uma  medalha de prata em 1976. E a culminar tudo isto, tínhamos dirigentes da dimensão de um João Rocha, perante cuja memória me curvo com o respeito de um sportinguista que sabe o muito que o clube lhe deve.

 

A possibilidade de vermos desportistas como Pietro Mennea a competirem em nossa casa é cada vez mais remota. Não temos pista de atletismo, nem de ciclismo, nem de nada, não temos um pavilhão, não temos equipas de nenhum desses desportos que fizeram o nosso orgulho e não temos dirigentes que pareçam capazes de gerir, ao menos, um modesto clube de bairro. Estamos reduzidos a isto, a um mero clube de futebol cada vez mais confinado às memórias de um passado glorioso, sem horizontes de grandeza e, muitas vezes, aviltante e ruidosamente mergulhado em discussões estéreis sobre questões totalmente desinteressantes ou de duvidosíssima utilidade.

 

Faltam dois dias para as eleições. Pessoalmente, embora temendo o pior cenário, confio em que os resultados não permitam que sejamos conduzidos a um desastre ainda maior. Mas, aconteça o que acontecer, como me parecem desconsoladoramente distantes os tempos em que era tão natural ver competir no nosso estádio  figuras como Pietro Mennea, a lendária Flecha do Sul.

Lebezeinho

Li há cerca de uma hora, pelo twitter, que Liedson estaria a fazer testes para se juntar ao Porto. Desde que se começou a falar nessa possibilidade, tenho duas reacções: não quero, e é-me indiferente.

 

Não queria, pois não. Nunca quero que ex-jogadores do Sporting joguem noutros clubes portugueses, referências como Liedson, no Porto, ainda menos. Não é racional, não se explica muito bem isto, mas mais gente concordará e sentirá o mesmo. Era mais civilizado da minha parte ver tudo com naturalidade ou indiferença, mas não vejo. Acresce que o vi de riscas verdes e brancas muito tempo. Celebrei muitos golos dele. Não foi um qualquer. Por estes motivos não queria.

 

É-me indiferente - quero eu que me seja, ou tento convencer-me disso - porque Liedson já não é jogador do Sporting desde aquela saída infeliz a meio da época, e levei-lho um pouco a mal sair assim. Fui despedir-me dele, vi as pessoas sentidas e tristes. Bem sei que o próprio se comoveu nesse dia, mas foi uma coisa estranha, tanto tempo cá e nunca o senti à vontade com o público que tanto o aplaudiu sempre (merecidamente, é indiscutível). Porque Liedson deu muitos golos ao Sporting, e sportiguista nenhum esquece isso, mas nunca o vi como um dos nossos. Sempre foi sinuouso, desprendido do clube, caprichoso (há dias lemos "mais um que o Sporting esqueceu" mas eu sempre tive a sensação que ele esqueceu primeiro. Fez bem, menos saudades teremos uns dos outros). Tinha pena que assim fosse, mas fazia-nos falta, e o facto é que ninguem o pode acusar de não cumprir a sua função.

Não queremos ídolos, já sei. Também sei que os Liedsons passam, o Sporting fica. Mas acabamos sempre por ter refêrencias, e avançados eficazes sempre foram fáceis de se amar (sim, eu também prefiro um médio mágico, ou um central cheio de força, mas os golos dão muito jeito e uma pessoa deixa-se levar). Tive os meus ídolos, continuo a ter os meus jogadores favoritos, mas felizmente a adolescência vai longe e tenho as prioridades melhor definidas. Dito isto, Liedson foi importante. Foi.

 

Por tudo isto não me surpreende muito esta escolha que agora fez, por mais que custe a alguns de nós vê-o jogar contra o Sporting. Mas não quero que me mereça mais atenção que este post.

Cromos da bola

No intervalo do último jogo - por sinal, miserável - frente à Académica, um dos meus filhos delirou com uma imagem que passou nos ecrãs de Alvalade: uma caderneta de cromos do nosso Sporting. Só do Sporting. Eu percebo o que lhe terá passado pela cabeça: para quê comprar cromos à espera que nos calhem autocolantes do Van Wolfswinkel, do Elias, do Rui Patrício, tendo lá pelo meio uns quantos indesejáveis, quando podemos pedir carteirinhas só recheadas de jogadores leoninos? Expliquei-lhe mais tarde, depois de me informar, que esta colecção é mais do que isso. Tem os melhores dos melhores, aqueles que protagonizaram goleadas históricas, deram-nos jogadas fantásticas e arrecadaram taças e campeonatos. Para acreditar no futuro é preciso conhecer o passado. Muitos dos problemas recentes do SCP têm a ver com isso. Não saber como chegámos até aqui. Era bom que os nossos heróis do passado fizessem alguma coisa pelos "cromos da bola" que andam hoje em dia a arrastar-se penosamente pelos relvados. Já aqui falei de Manuel Fernandes. Posso falar de Pedro Venâncio também. Vão buscar a nata da nata. Esses, sim, deviam andar por Alvalade e podiam representar-nos nas reuniões e nos sorteios nacionais e internacionais. Eles sabem o que é preciso ter para andar com um leão ao peito.

Regresso ao passado em Alvalade

 

Passei alguns anos sem ver um jogo ao vivo, nem sequer no estádio do meu clube. Quebrei  o jejum -- em Alvalade, como não podia deixar de ser -- a 2 de Março de 2008, num Sporting-Benfica. O desafio até foi fraquito -- saldou-se num empate 1-1, com o árbitro a tornar-se a figura do jogo ao perdoar escandalosamente um penálti cometido pelo Benfica que todos no estádio viram menos ele.

Mas o que menos me interessou foi a exibição das duas equipas ou mesmo o resultado. Aquilo de que mais gostei foi do momento em que vi passar por mim, na bancada VIP do estádio, quatro grandes ídolos da minha infância: Alexandre Baptista, Carvalho, Hilário e Pedro Gomes. Coleccionei os cromos com imagens de todos na idade em que comecei a apaixonar-me pela bola, ouvi as melhores referências à participação de três deles na grande campanha do Mundial-66, em Inglaterra. E por momentos senti quase o impulso de estender uma folha de papel a pedir-lhes as assinaturas para a minha colecção de autógrafos. Revivendo a emoções que tive quando era um miúdo de seis ou sete anos.

Não há comida como aquela a que nos habituámos na infância. Nem ídolos do futebol como os primeiros que contribuiram para nos tornarmos adeptos de um determinado clube. Foi o que nesse dia senti na bancada de Alvalade durante aquele jogo que um senhor chamado Paulo Paraty fez tudo para estragar.

Imagem: Alexandre Baptista, Hilário e Carvalho (ao alto) na selecção nacional de 1966

Os meus heróis (2)

 

Manoel da Silva Costa (n.1953, Brasil). Avançado também conhecido como Manuel do Ó, mas na Luz é capaz de ainda ser conhecido como Man000el. Sim, três zeros. São os três golos que marcou na goleada contra o Benfica na Taça de Portugal (13 de Março de 1977). Jogou no Sporting entre 1975 e 1981 e brilhou ao lado de estrelas como Jordão, Manuel Fernandes e Keita. 148 jogos. 56 golos. 1 Campeonato Nacional. 1 Taça de Portugal. Onde é que encontramos mais avançados como estes?

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