18 Ago 17

Num país onde, infelizmente, o dinheiro é praticamente a única fonte de reconhecimento, os valores estão em profunda crise e a educação, sentido de cidadania e boa formação humana já há muito foram mandadas às malvas e passaram para segundo plano, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (a)parece muito preocupado com a "lesão de honra e de reputação".

Entretanto, sobre o famigerado caso dos emails (e dos sms) continuamos a não saber nada, como se a demora, essa sim, não ferisse, aos olhos dos adeptos (no final do dia, o consumidor do "produto"), a reputação das competições profissionais e dos alegadamente envolvidos (que também têm o direito a um esclarecimento cabal dos factos). Observo que, enquanto no caso do túnel foram sendo produzidas diversas fugas (de onde, não sei) que permitiram à Comunicação Social ir acompanhando os seus desenvolvimentos, informando o público, alvitrando cenários penais, sempre pondo a espada sobre o Dâmocles do costume (o qual, durante esse tempo, também deveria ter tido o seu direito a "honra e reputação"), sujeito ao anátema da "cuspidela", estranhamente sobre o caso dos emails ainda não surgiu qualquer "noticia".

Em que mundo vive este CD? Um mundo onde Bruno de Carvalho viveu nove meses "lesionado" na sua honra e reputação, acusado na opinião pública de ter praticado um acto infame.

Pouco interessa que o (outro) presumível lesado na sua honra e re-pu-ta-ção tenha sido apanhado pelas câmaras do estádio gesticulando abundantemente e apontando o dedo ao opositor, atitudes tipicamente marialvas de um lutador durante as pesagens, que posteriormente, durante o "combate", tenha mostrado uma perícia de "boxeur", perante dois stewards de serviço, de fazer corar um Mike Tyson, tudo isto em simultâneo com uma atitude desafiante que expôs à saciedade o seu talento enquanto sentinela de porta-de-armas, arregimentando ao grito todo o balneário arouquense, e, ainda (uff,uff), a sua codícia no lançamento do martelo, perdão, da garrafa de água, muito embora o seu ensaio tenha sido invalidado pelos jogadores da sua equipa.

O resultado final disto tudo foi esta semana apresentado: uma suspensão de vinte meses para o senhor e de seis meses para o presidente leonino. Bem feito, Bruno, quem o mandou "atentar" contra o acima descrito? Claro que Bruno não joga, nem no campo, nem fora dele, presumo, pelo que os efeitos da referida suspensão são quase nulos. Já irreparáveis foram as perdas e danos para a imagem do presidente e do próprio clube, expostos ao "anátema da cuspidela" devido à falta de uma decisão célere da justiça desportiva, tudo isto para no fim se provar que estava inocente desse acto.

Vá lá que Bruno de Carvalho ainda é um rapaz jovem e goza de boa saúde porque, se já tivesse uma provecta idade, dado os factos reportarem a 6 de Novembro do ano transacto, muito provavelmente já teria falecido e a sua familia, em vez de um cartão de condolências, estaria agora a receber uma carta informando a sua suspensão, dir-se-ia, eterna ou etérea.


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14 Ago 17

Cresci com o jornal A Bola. Vivi aventuras extraordinárias, transportado para o imaginário da Volta a França a bicicleta - como não recordar as célebres entrevistas a Joaquim Agostinho? - pelo grande Carlos Miranda. Aprendi o bom uso da palavra com o "professor" Carlos Pinhão, vibrei com as colunas de opinião de Vitor Santos, experienciei múltiplas emoções através da objectiva de Nuno Ferrari. Outros nomes, como Aurélio Márcio, Alfredo Farinha ou Homero Serpa também fazem parte do meu espólio desses tempos esplendorosos do jornal.

Hoje, é com pesar que não reconheço a mesma qualidade, credibilidade e, sobretudo, independência a A Bola. É certo que ainda existem bons jornalistas como António Simões, Rogério Azevedo ou André Pipa (para mim, o melhor), mas o jornal claramente perdeu fulgor e deixou de ser a referência.

Vem este arrozoado a propósito da crónica que Vitor Serpa vem assinando denominada "Porque hoje é Sábado". Esta rubrica tem apensas duas pequenas colunas denominadas "Dentro da Área" e "Fora da Área".

Começando pela fim (!?), nesta última, Serpa decidiu comparar a ameaça de uma guerra nuclear (!) com o tipo de discurso "desabrido", habitual no futebol português. Ora, por muito que percebamos quem o Director do jornal pretenda atingir e transformar no "monstro que come pequeninos"- até porque quem ganha, geralmente, está calado - a comparação que estabeleceu enferma de leveza e constitui uma estultice e uma ignomínia para todos os que viveram, ou continuam a viver devido às consequências da radioactividade, o pesadelo de Hiroshima ou Nagazaki. Já passaram três dias, aguardo que Vitor Serpa, após serena reflexão, apresente um pedido de desculpas a todos os que envolveu no supracitado texto. Em nome da razoabilidade.

Já na crónica "Dentro da Área", o Director define a principal competição velocipédica nacional como "Volta azul a Portugal", considerando-a um tédio e dotada de um "colossal desequilibrio competitivo". Deseja ainda que, no futuro, consiga "recuperar a paixão" que já teve em Portugal, ignorando assim os magotes de gente que vemos, pelas imagens da RTP, diariamente acompanhar a Volta. Será que todo o equilibrio, toda a expectativa, todo o entusiasmo e toda a paixão só serão recuperados quando houver Benfica na estrada? Há ainda duas questões que importa reter: por um lado, ao resumir a prova desta forma, está a retirar mérito ao(s) provável(eis) vencedor(es), a W52 FC Porto, o que não me parece correcto; por outro lado, e escrevo por honestidade intelectual antes da etapa decisiva da Torre, há ainda um ciclista do Sporting-Tavira (e outro do Hospital de Loulé, em segundo, actualmente) em condições de ganhar a Volta (está em terceiro lugar, a apenas 19 segundos do líder), o que a concretizar-se retiraria qualquer credibilidade a tão definitiva quão prematura peça jornalistica.

Enfim, para terminar, queria deixar o meu desejo de que A Bola, um dia, venha de novo a ser merecedora do seu grandioso legado.

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10 Ago 17

O tema não é novo, mas assume contornos mais relevantes a partir do momento em que existe o VAR: os responsáveis pelas organizações dos campeonatos permitem que um dos intervenientes nas competições nacionais (Benfica) transmita e realize (através da Btv) os jogos dessa referida equipa em casa.

Não me parece uma Boa Prática e não vejo exemplo semelhante na Premier League, na Ligue 1, na Bundesliga, na Série A ou na La Liga. 

Não ponho em causa a seriedade de quem realiza as transmissões, apenas acho que deveriam ser operadores independentes dos clubes a transmitir os jogos. À mulher de César...

Vem este arrozoado a propósito da transmissão da Btv, de ontem, do Benfica-Braga: houve dois golos anulados à equipa bracarense. No primeiro - indiscutível fora de jogo - a realização mostra um "frame" em que a bola já saiu ligeiramente do pé do jogador Jefferson (que efectuou o cruzamento) e se vê Hassan adiantado. Acredito que o avançado bracarense estaria, de todo o modo, deslocado, mas o "frame" não foi perfeito e deveria ter sido. No segundo lance de anulação de golo, é mostrada uma primeira imagem onde não aparece um jogador do Benfica no lado direito que, acredito, estaria a pôr em jogo o jogador do Braga que marca o golo. Só mais tarde aparece um plano mais aberto onde se vê o jogador benfiquista, no lado direito do ecrã, a pôr, eventualmente, em jogo o dianteiro bracarense. E digo "eventualmente" porque a realização não coloca a célebre linha de fora-de-jogo para dissipar dúvidas.

Importa ainda referir que, quando mostrado o plano completo do 2º lance, nem uma palavra se ouviu por parte do(s) comentador(es) de serviço da Btv. 

Ao ser permitido que um operador ligado a um clube transmita os jogos (o pecado original, na minha perspectiva), obviamente o escrutínio aumenta. Por isso, a realização deveria ter maior atenção a estes pequenos/grandes aspectos, na salvaguarda da integridade das competições. Por outro lado, também seria interessante perceber que imagens e que meios tem o Vídeo-árbitro disponíveis para além do que é apresentado na TV. Seria benéfico este trazer a público quais as razões que levaram à anulação do tal segundo lance, inclusivé mostrando o "frame" que a BenficaTV não apresentou, com o jogador benfiquista à direita e a linha de fora-de-jogo. A bem da transparência e da Verdade Desportiva.

 Atenção, com esta reflexão não quero pôr em causa o mérito da vitória do Benfica. Ganhou (e ganhou bem) e com uma intensidade que nós (ainda) não temos.

 


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04 Ago 17
Ética - O Sucesso
Pedro Azevedo

Na antecâmara do início das competições profissionais em Portugal e a propósito do clima tenso que se vive no nosso futebol, importa reflectir no seguinte: sucesso é muito mais do que simplesmente vencer, é também a forma como o procuramos. A forma como ESCOLHEMOS procurar o sucesso, define-nos.

O "Wunderteam" austríaco de Mathias Sindelar, dos anos 30, a Hungria, de Kocsis, Hidegkuti e Puskas, da década de 50, a Holanda, de Crujff, Rep e Neeskens, de 74, ou o Brasil, de Zico, Sócrates e Falcão, de 82, nada ganharam mas entraram no coração das pessoas.

Racionalmente, olhando para as estatísticas, essas equipas não foram campeãs, mas granjearam o amor de quem as viu, ouviu ou leu, pela forma como procuravam vencer, com respeito pelos espectadores, oferecendo-lhes um belo espectáculo, sempre com "fair-play". Alguns dirão que eram românticos, que nada ganharam, como se ganhar fosse a única coisa importante na vida. E o que deram a todos os que gostam de um jogo bem pensado e bem jogado, os adeptos que trouxeram para o desporto-Rei? Claro que quem vence escreve a história a números, mas futebol não é matemática, muito menos estatística, é alma, é coração, é emoção e, por isso, escolhamos nós, sportinguistas, a forma como queremos ganhar e não nos afastemos NUNCA desse caminho. A cultura desta modalidade está totalmente inquinada, mas quem entra (ou entrar) por outros caminhos pode conseguir alienar as "massas" durante algum tempo, mas bem dentro de si sentirá o vazio profundo.

Vem aí uma nova época e com ela uma nova Era, a Era do Vídeo-Árbitro - que adicionará transparência ao jogo - e, espera-se, a Era da uniformidade disciplinar, da publicação dos relatórios tanto dos árbitros como dos delegados da Liga.

Procuremos então dar tudo dentro de nós, com esforço, dedicação e devoção para conseguirmos vencer nos nossos termos: com honradez, respeito e integridade. E assim, atingirmos a glória e provarmos ao mundo a veracidade da repetida afirmação de que somos um clube diferente.

Quando uma equipa fica para a história com o epíteto de 5 violinos, não é só porque ganhou muitos títulos. Afinal, os "Fab 5" só jogaram 3 anos juntos, embora aproveitando para arrecadar 3 campeonatos nacionais. O que criou a lenda foi a música que saía daqueles jogadores, o perfume do seu futebol, a afinação daquela máquina de jogar à bola. O braço partido com que Azevedo, mítico guarda-redes, regressa a campo (na época não eram permitidas substituições), tudo defende e permite-nos vencer fora o Benfica; ou quando Peyroteo, em 48, última jornada do campeonato, o Sporting a precisar de vencer por 3 golos no campo do rival - campeonato que ficou conhecido como o do pirolito - e o melhor ponta-de-lança de sempre a marcar os 4 golos da vitória (4-1), depois de não ter dormido de noite, cheio de febre. Isto sim, é o Sporting!

Não queremos vitórias a qualquer preço. Não queremos cartilhas, nem episódios de violência. O contrário é que nos deveria fazer corar de vergonha e deslustraria o nosso ADN centenário feito de vitórias assentes nas nossas escolhas.

VIVA o SPORTING e viva o futebol naquilo que tem de mais puro, a bola, a relva e as bancadas cheias, e de mais belo, os jogadores! 

 

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02 Ago 17

Isto já parece uma brincadeira. O presidente do Sporting arrisca-se a ser punido com uma suspensão entre 2 meses e 2 anos por "lesão de honra e reputação" ( a que poderão acrescer entre 3 meses a 1 ano, por violação da suspensão a que estava sujeito), devido a uma entrevista concedida à TVI em 24 de Março deste ano.

 

Entretanto, ficamos a aguardar o julgamento do Conselho de Disciplina sobre a lesão de honra e de reputação a que esteve sujeito o presidente do Sporting por ter sido afirmado, uns dias após os factos, e já entretanto desmentido pelos instrutores da Liga, que teria cuspido no presidente arouquense. Os factos remontam a 6 de Novembro do ano passado(!), foram há 9 meses...

 

Se as imagens televisivas são suficientemente claras, se o presidente arouquense é visto a, pelo menos, empurrar 2 stewards, se o próprio anteriormente em declarações relacionadas com o não empréstimo de Iuri tinha sido, no mínimo, deselegante com o presidente do Sporting, se quando a equipa B jogou em Arouca tambem tinha havido problemas com insultos a Manuel Fernandes, porque é que o CI da Liga e o CD da FPF demoram tanto a produzir uma decisão deixando BdC exposto perante a opinião pública? A quem é que interessa está situação? O presidente do CD deveria vir a público explicar estes acontecimentos que beliscam a imagem deste Órgão, até porque poderão haver razões ponderosas que os justifiquem. Não dizer nada passa a imagem de caça ao homem...


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01 Ago 17

Um estudo promovido por investigadores da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde foram ouvidos 1346 funcionários de 6 empresas, e reproduzido pela TSF em Maio de 2015, indica que, na pratica, o mérito parece ser irrelevante em muitas empresas e no Estado. Segundo o mesmo estudo, preferências e conexões pessoais têm um papel fundamental em várias situações.

 

Estes indicadores mostram-nos que há que operar uma revolução de mentalidades no nosso país.

 

Vem isto a propósito, e aplicando aqui o contexto futebolístico, de ter ouvido Ribeiro Cristóvão pronunciar-se contra aquilo que pareceu ser a utilização do Vídeo-Árbitro, dizendo que "o futebol é um jogo de erro, e o erro serve para discussão durante a semana". Também no mesmo contexto, Jorge Baptista afirmou que "estão a matar emocionalmente o jogo".

 

A minha pergunta é: e o MÉRITO? Em que plano de prioridades estes senhores colocam o MÉRITO?

 

Se uma equipa, qualquer que seja, for sistematicamente ou, pelo menos estatisticamente, mais prejudicada que o(s) adversário(s), como ficamos?

 

Queremos uma Sociedade que valorize o MÉRITO ou uma que contemporize (ou até ache útil) com o ERRO? É que, perante a possibilidade de minimização do erro (o sonho de qualquer gestor que se preze) oferecida pelos meios tecnológicos não se percebe tanta resistência.

 

Razão tinha o extravagante avançado dos anos 70 e 80, Dadá Maravilha - que sabia o que era o mérito, quinto melhor marcador brasileiro de sempre, só atras de Pelé, Friedenrich, Romário e Túlio - quando dizia: " não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática".

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29 Jul 17

Hoje, em Alvalade, o recurso ao Vídeo-Árbitro permitiu que prevalecesse a verdade desportiva, validando o golo marcado por Bas Dost. Boas notícias, certo?

Talvez não, pelo menos observando o que recentemente disseram os nossos opinadores:

 

Ribeiro Cristóvão- " Jogadores fazem grandes festas e depois não valeu...futebol é um jogo de erro, e o erro serve de discussão...para os jogadores é um quebra-cabeças, um bico-de-obra"

 

Mas, há quem vá mais longe...

 

Jorge Baptista- "Estão a matar emocionalmente o jogo, a pouco-a-pouco. Agora não, mas daqui a 10 anos se calhar ninguém vai ao futebol"

 

Espera lá, querem ver que os campeonatos se ganham "emocionalmente"? Com tanta gente a discutir problemas, até parece que o Vídeo-Árbitro não é uma solução possível para a defesa da verdade desportiva. Se calhar, não é ético, o erro é que é bom. Aplique-se já esse conceito nas empresas, no governo. A partir de agora, o erro é humano pelo que más decisões devem ser compreendidas por accionistas de empresas e pelo povo que elege os governantes. Sim senhor, agora deixa lá ver o que, lá fora, o melhor jogador de todos os tempos e célebre "batoteiro" diz sobre o tema:

 

Diego Armando Maradona "d10s"- "A tecnologia traz transparência e qualidade, e proporciona um resultado positivo a equipas que decidem atacar e correr riscos".

 

Pois, este não percebe nada disto, os nossos "iluminados" é que sabem tudo.

 

A integridade das competições, a ética e verdade desportiva, nada disso interessa, o importante é a emoção, mesmo que os adeptos tenham uma comoção quando lhes anulam (mal) um golo. Quem aplicou a tecnologia ao rugby, ao futebol americano, ao ténis, são uma cambada de relapsos, os nossos comentadores é que sabem tudo...

 

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21 Jul 17

O filósofo grego Platão criou a Alegoria da Caverna, texto filósofo - pedagógico, onde através de parábolas pretendia reflectir sobre a necessidade do Homem de se libertar da escuridão e procurar a luz, o conhecimento. Entretanto, recentemente surgiu uma imitação barata e de fraco sentido literário, sob a forma de uma "Cartilha de João de Deus...dos pobres de espírito", onde através de processos filósofo-pidescos, se conspirou, lançou considerandos e plantou inuendos e suspeiçòes destinados a diabolizar o presidente do Sporting clube de Portugal, Bruno de Carvalho. Aqui, não é a procura da luz que orienta o escriba, mas sim ajudar o clube da Luz. Ontem, Bruno anunciou que Octávio tinha sido a terceira escolha de Jesus (?) para Director Desportivo (o pecado original, treinador a escolher Director, uma 'bizantinice'). Mais, sugeriu que a segunda escolha de Jesus teria sido Carlos Janela, o alegado autor desta grotesca Alegoria da Caserna, e que ele, Bruno, de pronto teria recusado. Fez bem o presidente. Não porque Janela não seja um profissional competente e altamente eficaz, mas porque a forma, a forma senhores, não está de acordo com a doutrina de moralização do futebol português, pela qual o Sporting tanto tem pugnado. Assim, urge a pergunta: o Sporting não perde argumentação ao ter nas suas fileiras quem tenha tentado contratar o alegado autor da Cartilha? É possível a coabitação entre duas personalidades com ideias diferentes ou, pelo menos, formas divergentes de alcançar o sucesso? Eu, não tenho dúvidas, escolho o presidente.

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27 Set 14
Mundos e fundos
Tiago Cabral

Se de facto esta proibição avançar, vai ser um deleite ver as artimanhas financeiras e contabilísticas que vão surgir na recompra de passes aos fundos.

Mas o melhor vai ser mesmo descobrir que, por mera coincidência, alguns dos donos dos fundos serem ao mesmo tempo dirigentes de clubes, "empresários" que são ao mesmo tempo representantes de jogadores propriedade desses fundos, accionistas de algumas sad´s, donos escondidos de outras. Às tantas nem eles sabem com toda a certeza, tal o imbróglio de empresas em off shores e cadeias de controle accionista, quais os fundos que lhes pertencem e que jogadores de facto controlam.

Mas acredito que no próximo programa desportivo da Sic-not o assunto será abordado. Seremos  esclarecidos pelo "manel, não te enerves" ou pelo "ouça"e ficaremos a saber que no fundo, o mundo dos fundos é afinal o éden feito à medida das necessidades do transparente mundo da bola. E quem estragou tudo foi o Bruno. Esse puto, acabado de chegar ao mundo da bola, anda com a mania que é mais esperto que os outros, aqueles que fazem pela vidinha neste mundo há décadas. O puto, armado ao pingarelho, pelintra, merece é uns bons tabefes, manel não te enerves, a ver se amocha e dobra a espinha. Isso é que era, ouça, tudo de espinha dobrada e chapéu na mão. Sonhar não custa, para alguns nem os fundos custam.


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Notícias
Pedro Correia

Uma óptima notícia para o Sporting:

Comissão Arbitral dá-nos razão na venda de Moutinho

 

Uma excelente notícia para o futebol:

FIFA vai proibir passes partilhados entre fundos e clubes


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30 Mar 12
Uma questão de ética
Zélia Parreira

Tenho andado a evitar pronunciar-me sobre a notícia de uma escola na Ericeira em que a professora canta várias vezes ao dia uma canção infantil a que acrescenta vivas a um clube de futebol. Tenho andado a evitar-me porque toda a gente sabe que as minhas preferências clubísticas são bem diferentes e não queria de forma nenhuma que este assunto fosse analisado como uma discussão futebolística.

Porém, acabo de ver o programa Sexta às 9, em que o assunto é ridicularizado e reduzido apenas a isso, uma questão clubística.

Vamos por partes:

1. O que está em causa é o abuso da influência natural que qualquer professor tem sobre os seus alunos, em especial tão pequenos, para incutir ideias e valores. É triste que, em vez de ensinar a tolerância e a liberdade de expressão, a senhora não reconheça o seu papel fundamental na formação de seres humanos e opte por ensinar a intolerância e o desrespeito pelos que têm uma opinião diferente. Segundo informação publicada na comunicação social, terá chegado mesmo a dizer aos alunos que já não podiam cantar aquela música, porque o pai da colega "era mau" e não deixava.

2. Se em vez de gritar Viva o Benfica!, se gritasse Viva o PSD! (optei por este partido porque é o que está no governo, mas aplica-se a qualquer outro), imagino a ofensa e indignação. E se gritasse Viva o Islão!, era o caos, até a CIA aterrava no recreio da escola. Não, não são coisas diferentes. É apenas e só a utilização do palco que a vida lhe deu - a sala de aula - para infiltrar no espírito dos seus alunos os seus próprios gostos e opiniões pessoais. É uma falta de ética total e absoluta e uma prática pedagógica ofensiva.

3. Vamos então, por momentos, reduzir isto a uma brincadeira. O mesmo direito que assiste à professora de apelar ao benfica, assiste aos pais e aos próprios alunos de apelarem a outros clubes. Quem é o intolerante aqui? O pai que discorda da lavagem cerebral que fazem à filha ou a professora que não admite que os alunos tenham uma opinião diferente da sua, respondendo ao protesto com um "quem está mal muda de escola"?

4. Um educador é uma pessoa normal, quando está fora da sala de aula. Lá dentro, tem de ser especial, inspirador, exemplar. Nada menos do que isso.

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