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És a nossa Fé!

Ética - A educação e o desporto

Este postal ocorreu-me após um confesso adepto de um clube rival ter afirmado numa nossa caixa de comentários que as suas visitas a este blogue não eram de cortesia, significando isso que os seus comentários não seriam delicados, amáveis, educados ou civilizados, como se não fosse dever de uma pessoa que visita a casa de alguém portar-se de forma cortês, com elegância.

De facto, o desporto hoje está à mercê de um conjunto de energúmenos que confundem o que deveria ser a sã rivalidade entre 2 grandes emblemas com a guerra, a picardia com a bravata, o humor com o ódio, a troca de ideias com a violência verbal e física, a liberdade de pensamento com o totalitarismo de cartilhas.

Mais do que um problema do desporto, este é um drama das sociedades modernas. O desporto acaba por sublimar a falta de educação, de urbanidade, de boa formação humana, de valores, por ser uma válvula de escape, o circo romano dos nossos dias.

A ajudar a festa, a política de comunicação dos clubes agudiza o problema. Em vez de realçar os méritos do que faz e como faz, a comunicação incide sobre o adversário, dir-se-ia (erradamente) inimigo, deitando continuadamente lama para a ventoinha, sem qualquer eficácia e ao arrepio do mais elementar bom-senso, descurando o efeito das suas palavras nos adeptos. 

Uma comunicação eficaz deve basear-se essencialmente no "porquê" das coisas. A bandeira da verdade desportiva, por exemplo, é meritória, na medida em que antagoniza na cabeça dos adeptos com o ganhar a qualquer preço. As pessoas entendem porque é que se persegue esse caminho, compreendem o valor da ética e do "fair-play" e está a ser dado um bom exemplo para a sociedade.

Nem tudo o que é legal, é ético. Mas, necessáriamente, o que é ético tem de ser legal. A verdade desportiva tem de ser acompanhada por um conjunto de regras definidas pelos supervisores desportivos - impõe-se um Código de Ética do agente desportivo - e pela actuação das autoridades, na certeza de que o desporto e, em concreto, o futebol, não pode ser visto pelos seus cidadãos como um fenómeno à parte da sociedade. 

Neste marasmo, cumpre-me registar o exemplo de comportamento civilizacional dado por Miguel Maia e pelo médico do Sporting - Dr Miguel Costa - no último Domingo, por ocasião do derby que marcou o regresso (vitorioso) do nosso clube ao voleibol, que prontamente auxiliaram e prestaram assistência ao atleta benfiquista Ary Neto, lesionado com gravidade, enquanto o público, esmagadoramente afecto ao Sporting, com "fair-play", aplaudia o voleibolista encarnado. O Benfica, no Twitter, agradeceu o apoio prestado pelo médico leonino, um gesto igualmente de salientar. Bons exemplos!

 

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Ética - Detalhe das movimentações do mercado de Verão

A divulgação ontem, pela SAD do Sporting, do detalhe das operações de compra, venda e empréstimo de jogadores durante o mercado que fechou a 31 de Agosto é uma boa prática de gestão, a qual se insere numa política de transparência que, em meu entender, deveria ser seguida por todos os clubes/sociedades desportivas. 

A Sporting SAD pode orgulhar-se de, mais uma vez, ter sido pioneira neste tipo de "report", o qual, até por não ser a primeira vez que ocorre (anteriormente divulgado a 10/2/2017 - mercado de Inverno - e a 9/9/2016), cria um novo paradigma nas relações da sociedade com os seus accionistas e público em geral, destacando-se neste último, os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting Clube de Portugal.

Analisando o detalhe daquilo que foi comunicado, temos a seguinte situação (de notar que no R&C de 2016/17 aparece referência a uma cláusula de compra obrigatória e um prémio, referentes ao atleta Doumbia, de 3M€ e 3,5M€, respectivamente, valores que deverão ser deduzidos ao "Saldo após Comissões"; por outro lado existem bónus contingentes associados às vendas até um valor máximo de 7,8M€):

 

  Valor (M€) Comissões (M€)
Compras -28,2915 -5,15
Empréstimos sem opção de compra -1 0
Empréstimos com opção de compra -1,65 -0,345
Vendas 51,825 -3,15
Saldo 20,8835 -8,645
Saldo após Comissões 12,2385  

Ética - Opinadores não regulam

A Regulação, no futebol e não só, deve estipular um conjunto de regras e de procedimentos que visam encorajar boas práticas de gestão (dos clubes), tais como respeito pela concorrência, ausência de conflito de interesses, transparência, fiscal e nas transacções, entre outras.

Nas entidades cotadas, além da Liga de Clubes e da FPF, existe a supervisão por parte da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM),  a quem cabe garantir o bom funcionamento do mercado de valores, donde se conclui haver 3 reguladores no futebol português.

Vem isto a propósito de um emergente conjunto de opinadores que defende que os reguladores (Liga e FPF são os habitualmente mencionados) já deveriam ter intervido para pôr fim aos actos "incendiários", alegadamente perpetrados por presidentes e directores de comunicação de clubes.

A Regulação não é essencialmente isso e custa-me a crer que opinadores como, por exemplo, Pedro Adão e Silva (ontem, no Record), mostrem desconhecê-lo e peçam celeridade na punição, no castigo destes agentes desportivos, que não encontra equilibrio, nem paralelo (pelo menos no supracitado artigo) na avaliação dos factos que os suscitam, que lhes estão na origem. Em primeiro lugar, há que observar se as boas práticas estão a ser cumpridas. Nesse sentido, é público que o Ministério Público (MP) está a investigar um conjunto de denúncias às quais o director de comunicação do FC Porto e o Porto Canal deram eco. Sobre isso, direi apenas que, a ser verdade o que ouvimos, independentemente da legalidade ou não dos actos praticados, do ponto-de-vista ético há uma sentença pública sobre o ocorrido, à semelhança do que aconteceu com o caso Apito Dourado, este mais centrado numa classe, aquele, alegadamente, com algumas "camadas de Bohr" a envolvê-lo. A ser verdade, repito! Não sendo, o ônus da responsabilidade recairá sobre quem trouxe para a ribalta este caso.

Neste compasso de espera pela Justiça, do meu ponto-de-vista, não deveria caber à Liga ou à FPF sobrepor-se, neste momento, às autoridades competentes, nomeadamente penalizando os denunciantes dos alegados actos que estão a ser agora analisados pelo MP. Não só não vivemos num Estado totalitário, como a liberdade de expressão e o direito à resistência estão consagrados na Constituição. 

Falando apenas da Regulação exercida por Liga e Federação, é urgente um Código de Ética e de Conduta do agente desportivo que puna exemplarmente o conflito de interesses e a promiscuidade que estão geralmente na base do tráfico de influência, e até, da corrupção. Querem exemplos? Um delegado da Liga deve corresponder-se sem limitações de qualquer espécie com um quadro dirigente de um clube? Árbitros e delegados devem manter relações em matéria do seu interesse profissional? Um ex-observador, que teve como missão avaliar árbitros, pode constituir-se como "pseudo-empresário" dos mesmos, movendo ou tentando mover influências a seu favor? Informações, de índole pessoal, relativas a pessoas e familias podem ser "traficadas" sem consequências, neste caso em clara violação da Constituição portuguesa? São apenas alguns exemplos suscitados pelos alegados emails, outros poder-se-iam apresentar aqui.

Havendo este Código, qualquer clube que o infringisse desceria de divisão e evitar-se-ia andar a  dirimir pelos Tribunais Cíveis. Isso é que seria atacar o problema, evitando à nascença situações passíveis de desvirtuar a integridade das competições e condicionando na fonte a possibilidade de qualquer clube tomar as rédeas do poder. Sim, porque também não podemos caír na ingenuidade de supôr (ou formular) que por detrás de uma denúncia não se possa esconder uma tentativa de açambarcamento do mesmo Poder.

A montante, adoptar a profilaxia, a jusante penalizar os incumpridores ou caluniadores, se for esse o caso. Perante tudo isto, "matar" o mensageiro, neste trâmite do processo, seria só um "fait-divers", como Pedro Adão e Silva bem deveria saber. 

Precisamos de regras, de procedimentos, de mais e melhor Regulação por parte de Liga e FPF e, com isso não dúvidem teremos um melhor futebol, sem ruído, e a Liga poderá vender melhor o seu produto aos patrocinadores. Os clubes terão muito a ganhar (mesmo quando perderem campeonatos) quando entenderem isto.

Ética - O negócio da bola e o amor à camisola

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Não é mais possível pedir a um futebolista para, em nome do amor ao clube que representa, abdicar de procurar melhores condições para a sua carreira. Hoje, o futebol é visto como um negócio, uma indústria - desde logo pela entidade patronal -, e os jogadores são uma mercadoria que se compra/venda, sob o título de "direitos económicos", o passe dos jogadores de futebol. 

No tempo em que a bola era um jogo, os jogadores criavam laços com o clube que representavam e era possível ver quase um plantel inteiro manter-se durante mais de uma década. Evidentemente, tal permitia criar uma identificação, uma identidade, uma rotina, um laço biunívoco entre jogadores e clube (e os seus adeptos), o "amor à camisola".

No entanto, amarrados à Lei da Opção, os jogadores não eram mercadoria, mas sim escravos dos seus clubes, uma mão-de-obra relativamente barata para a arte que produziam em campo. Em consequência, diversos craques do passado encararam dificuldades financeiras mal "penduraram as chuteiras", algo difícil de acontecer com os ídolos do presente, caso a cabeça acompanhe minimamente a arte que alardeiam nos pés.

Por tudo isto, mais do que pedir juras de amor eterno a um clube, o que devemos exigir é profissionalismo e compromisso, algo que vimos em todo o mundo Sporting durante este fim-de-semana, em que ficou bem patente o espirito de grupo (ou corporativo) entre as modalidades, com declarações cruzadas de apoio. Embora perceba o mote, não aceito lemas do tipo "zero ídolos", porque isso cai num paradoxo: o futebol é paixão, é emoção, é arte, e quem as transmite são os jogadores, sem eles não há assistência nas bancadas, não há jogo, nem espectáculo, nem negócio. 

Assim, em vez de ficarmos irados porque um determinado jogador mostrou vontade de abandonar o nosso clube, devemos, isso sim, exigir-lhe que dê tudo em campo enquanto nos representa, que ponha a cabeça no lugar, se focalize e entenda que este é o clube que lhe paga, por quem tem de suar a camisola e estar à altura das expectativas dos adeptos.

Tenho a certeza de que essa será a postura de William Carvalho, o nóvel capitão do ENORME Sporting Clube de Portugal. Independentemente do seu desejo natural de ir ganhar mais dinheiro - a sério, Sir, como poderias enquadrar o teu talento num "presunto ocidental" londrino? -, das promessas e pressões de empresários, esses sim a viver a 100% da "mercadoria", William saberá compreender o desígnio de representar uma grande instituição e, como pérola que é da nossa Formação, dar o rendimento desportivo que se espera dele.

Haveria melhor forma de ficar na história do clube do que, envergando a braçadeira de capitão, oferecer à nossa indefectível massa adepta o título de campeão nacional?

Will-I-am? You will!

Ética - o VAR, o Vasco e o vazio

Com apenas o apoio expresso do presidente do Sporting, desde o primeiro momento, e a diligência do presidente da FPF, apostado em eliminar (ou pelo menos diminuir) o ruído à volta do futebol português, a Federação decidiu realizar um investimento de cerca de 1 milhão de euros e apostou na implementação imediata do Vídeo-árbitro. Uma boa prática!

O VAR é muito mais do que a pessoa que diz que "entendeu no momento" algo que todos vimos de outra forma. Existe um "replay operator" - RO -, uma "video operation room" - VOR-, um VAR e um AVAR (assistant VAR). Num mundo ideal, em que as pessoas envolvidas no processo têm padrões de comportamentos que seguem uma normalidade, o VAR apenas não resolveria a questão da intensidade dos puxões, empurrões, agarranços na área, os quais estariam à mercê da interpretação do árbitro. Mas, o agente VAR é constituido por homens e, como tal, deve estar sujeito a avaliação (Conselho de Arbitragem) e a correcção das suas decisões em sede de matéria disciplinar (Conselho de Disciplina).

Ao lavar as suas mãos como Pôncio Pilatos (como atentamente referiu Pedro Correia neste blogue), o presidente do Conselho de Disciplina, José Manuel Meirim, alegou que tendo esse lance do jogo sido observado e avaliado pelos agentes da arbitragem, o CD não iria sobrepor-se a esse juizo qualificado. Não conheço o acordão por inteiro, mas será que o CD não considera o CA, um agente da arbitragem? É que este organismo reconheceu o erro protagonizado por árbitro e VAR. Por outro lado, não é por os Tribunais não produzirem, na sua maioria, sentenças com base em juízos qualificados que não existem na lei mecanismos que permitam correcção. Por isso, além do Tribunal de 1ª Instância, existem o Tribunal da Relação, o Tribunal Constitucional e, para certos casos, o Supremo. Meirim, como jurista, sabe-o perfeitamente e não deveria partir dele a abertura das portas pare que se possam observar mecanismos que violem o princípio do Direito, que é o de regular, criar leis que, no caso, possibilitem que os direitos e as obrigações dos agentes desportivos serão salvaguardados e, caso não o sejam, poder haver forma de o corrigir.

Ao não permitir que o CD seja um instrumento de correcção de más decisões em matéria disciplinar, Meirim abre as portas à discricionariedade do VAR, não o sistema, o agente, mas sim o homem. Que sentido faz este ser avaliado pelo CA, se depois o CD não repõe a justiça sobre a (má) decisão? Provavelmente, Vasco Santos terá tido uma nota negativa (alguém sabe, isso é público?) por ter interpretado mal o lance "no momento" (se fosse hoje seria diferente?), mas Eliseu continua a jogar, o que interfere objectivamente com a integridade da competição. Isto é um "non-sense"!

Agora, imaginemos que o VAR, o homem, começa a cometer um desvario de erros, tantos erros que, inevitavelmente, a opinião pública vira-se contra o VAR, o agente, e o sistema é desmantelado. Na minha opinião, Meirim e o CD, com esta decisão, deixam um vazio que põe o futuro do VAR, o agente, nas mãos exclusivas de Fontelas Gomes.

Olvidem a árvore e vejam a floresta, esqueçam o caso Eliseu, o que está aqui em causa é o futuro do VAR, um sistema pelo qual vale a pena lutar, na medida em que adiciona verdade desportiva, logo integridade, às competições. E o que tem a dizer sobre tudo isto, o homem que propôs tão avultado investimento, o Dr. Fernando Gomes?

Ética - A Tonga da Mironga do Kabuletê

"Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou.

Eu saio da fossa, xingando em nagô.

Você que ouve e não fala, você que olha e não vê.

Eu vou lhe dar uma pala, você vai ter que aprender.

A tonga da mironga do kabuletê.

Você que lê e não sabe, você que reza e não crê.

Você que entra e não cabe, você vai ter que viver,

na tonga da mironga do kabuletê."

 

Com esta canção, Vinícius de Moraes e Toquinho, em plena ditadura (lá no Brasil como cá), afrontavam os militares sem que eles tivessem consciência. Estávamos em 1970...

 

Agora em democracia, quebrando o politicamente correcto e reportando-me ao panorama futebolistico, pisco o olho aos nossos Leitores. Está aqui tudo, ou não? Em 2017...

É necessário dizer mais alguma coisa?

Saravá, Vinícius, poeta imortal!

 

 

Ética - Svilar das Perdizes, parece que és bruxo!

Vilar das Perdizes é uma aldeia do concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, conhecida por aí se realizar um congresso anual subordinado ao tema da medicina popular, mesclando o sagrado ao profano, onde se juntam curandeiros, ervanários, adivinhos e bruxos.

Vem isto a propósito de, no rescaldo da retumbante vitória leonina em Bucareste, um amigo sportinguista ter-me dito que as próximas capas dos jornais desportivos conteriam sempre manchetes predominantemente alusivas ao Benfica. Para dar moral, argumentava ele.

Deve ser adivinho (ou bruxo) esse meu amigo. A verdade é que, na Sexta-feira, no Record, lá aparecia na capa, com enorme destaque, o jovem (17 anos) guarda-redes belga, Svilar, apresentado como novo reforço do Benfica (equipa B?). O mais intrigante foi que nesse dia a notícia deveria ter sido o prémio atribuido a Cristiano Ronaldo, pela UEFA, de melhor jogador da Europa na temporada 2016/17. Mas não, o português teve direito a um espaço de primeira página pequenininho.

Entretanto, Sábado verifiquei que o Benfica comprou uma "bomba". Só pode ser, então não é que Svilar ainda tinha mais protagonismo no Jornal A Bola, em manchete de quase página inteira, onde se podiam ler coisas como "miúdo maravilha" e "prodígio" e eram estabelecidas comparações com Preud`homme e Courtois. É certo que o moço era o terceiro guarda-redes do Anderlecht e nunca foi titular, mas acredito que se fosse ciclista seria o novo Eddy Merckx, se porventura cantasse seria, inevitavelmente, o novo Jacques Brel. "Ne me quitte pas", dirá então o Benfica na hora da assinatura do contrato.

No fim disto tudo tive de reconhecer os dotes de advinhação do meu amigo. Como dizem os espanhóis, "yo non creo en brujas, pero que las hay, las hay"...

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Ética - a linguagem de Jorge Sousa

A linguagem empregue hoje pelo árbitro Jorge Sousa para com o jogador Vladimir Stojkovic, durante o Real Massamá - Sporting B, deveria merecer por parte do Conselho de Arbitragem da FPF um conjunto de acções de formação destinadas a criar um padrão de comportamento dos árbitros no seu relacionamento com os jogadores de futebol.

O caso é ainda mais grave porque Jorge Sousa foi eleito o melhor árbitro da temporada 16/17, tem as insígnias da FIFA e, no dealbar da referida partida expulsou um jogador da equipa leonina, Abdu Conté, por motivos que os comentadores SportTV não conseguiram descortinar e que, tanto quanto se vai lendo, se prenderiam com "palavras".

É certo que Jorge Sousa, segunda o mesma Estação, já se terá retratado das palavras usadas, em telefonema feito a Luis Martins (treinador do Sporting B), o que certamente será uma atenuante no julgamento que se poderia fazer sobre o seu carácter, mas a verdade é que errou e, tal como o jogador leonino expulso, deveria ser penalizado pela Justiça desportiva.

Mais uma vez se insiste: a maior parte dos problemas resultam da falta de regras e procedimentos. A quem interessa isso? Não acredito que o CA da FPF fique contente com o que aconteceu, considero até elogiável o esforço que têm feito de divulgação do protocolo do Vídeo-árbitro e a justificação das decisões tomadas após as jornadas, mas impõe-se uma explicação de Fontelas Gomes sobre esta matéria.

E o nosso auditório, o que pensa destes acontecimentos?

 

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Ética - a morosidade da (in)justiça desportiva

Num país onde, infelizmente, o dinheiro é praticamente a única fonte de reconhecimento, os valores estão em profunda crise e a educação, sentido de cidadania e boa formação humana já há muito foram mandadas às malvas e passaram para segundo plano, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (a)parece muito preocupado com a "lesão de honra e de reputação".

Entretanto, sobre o famigerado caso dos emails (e dos sms) continuamos a não saber nada, como se a demora, essa sim, não ferisse, aos olhos dos adeptos (no final do dia, o consumidor do "produto"), a reputação das competições profissionais e dos alegadamente envolvidos (que também têm o direito a um esclarecimento cabal dos factos). Observo que, enquanto no caso do túnel foram sendo produzidas diversas fugas (de onde, não sei) que permitiram à Comunicação Social ir acompanhando os seus desenvolvimentos, informando o público, alvitrando cenários penais, sempre pondo a espada sobre o Dâmocles do costume (o qual, durante esse tempo, também deveria ter tido o seu direito a "honra e reputação"), sujeito ao anátema da "cuspidela", estranhamente sobre o caso dos emails ainda não surgiu qualquer "noticia".

Em que mundo vive este CD? Um mundo onde Bruno de Carvalho viveu nove meses "lesionado" na sua honra e reputação, acusado na opinião pública de ter praticado um acto infame.

Pouco interessa que o (outro) presumível lesado na sua honra e re-pu-ta-ção tenha sido apanhado pelas câmaras do estádio gesticulando abundantemente e apontando o dedo ao opositor, atitudes tipicamente marialvas de um lutador durante as pesagens, que posteriormente, durante o "combate", tenha mostrado uma perícia de "boxeur", perante dois stewards de serviço, de fazer corar um Mike Tyson, tudo isto em simultâneo com uma atitude desafiante que expôs à saciedade o seu talento enquanto sentinela de porta-de-armas, arregimentando ao grito todo o balneário arouquense, e, ainda (uff,uff), a sua codícia no lançamento do martelo, perdão, da garrafa de água, muito embora o seu ensaio tenha sido invalidado pelos jogadores da sua equipa.

O resultado final disto tudo foi esta semana apresentado: uma suspensão de vinte meses para o senhor e de seis meses para o presidente leonino. Bem feito, Bruno, quem o mandou "atentar" contra o acima descrito? Claro que Bruno não joga, nem no campo, nem fora dele, presumo, pelo que os efeitos da referida suspensão são quase nulos. Já irreparáveis foram as perdas e danos para a imagem do presidente e do próprio clube, expostos ao "anátema da cuspidela" devido à falta de uma decisão célere da justiça desportiva, tudo isto para no fim se provar que estava inocente desse acto.

Vá lá que Bruno de Carvalho ainda é um rapaz jovem e goza de boa saúde porque, se já tivesse uma provecta idade, dado os factos reportarem a 6 de Novembro do ano transacto, muito provavelmente já teria falecido e a sua familia, em vez de um cartão de condolências, estaria agora a receber uma carta informando a sua suspensão, dir-se-ia, eterna ou etérea.

Ética - Porque hoje (não) é Sábado

Cresci com o jornal A Bola. Vivi aventuras extraordinárias, transportado para o imaginário da Volta a França a bicicleta - como não recordar as célebres entrevistas a Joaquim Agostinho? - pelo grande Carlos Miranda. Aprendi o bom uso da palavra com o "professor" Carlos Pinhão, vibrei com as colunas de opinião de Vitor Santos, experienciei múltiplas emoções através da objectiva de Nuno Ferrari. Outros nomes, como Aurélio Márcio, Alfredo Farinha ou Homero Serpa também fazem parte do meu espólio desses tempos esplendorosos do jornal.

Hoje, é com pesar que não reconheço a mesma qualidade, credibilidade e, sobretudo, independência a A Bola. É certo que ainda existem bons jornalistas como António Simões, Rogério Azevedo ou André Pipa (para mim, o melhor), mas o jornal claramente perdeu fulgor e deixou de ser a referência.

Vem este arrozoado a propósito da crónica que Vitor Serpa vem assinando denominada "Porque hoje é Sábado". Esta rubrica tem apensas duas pequenas colunas denominadas "Dentro da Área" e "Fora da Área".

Começando pela fim (!?), nesta última, Serpa decidiu comparar a ameaça de uma guerra nuclear (!) com o tipo de discurso "desabrido", habitual no futebol português. Ora, por muito que percebamos quem o Director do jornal pretenda atingir e transformar no "monstro que come pequeninos"- até porque quem ganha, geralmente, está calado - a comparação que estabeleceu enferma de leveza e constitui uma estultice e uma ignomínia para todos os que viveram, ou continuam a viver devido às consequências da radioactividade, o pesadelo de Hiroshima ou Nagazaki. Já passaram três dias, aguardo que Vitor Serpa, após serena reflexão, apresente um pedido de desculpas a todos os que envolveu no supracitado texto. Em nome da razoabilidade.

Já na crónica "Dentro da Área", o Director define a principal competição velocipédica nacional como "Volta azul a Portugal", considerando-a um tédio e dotada de um "colossal desequilibrio competitivo". Deseja ainda que, no futuro, consiga "recuperar a paixão" que já teve em Portugal, ignorando assim os magotes de gente que vemos, pelas imagens da RTP, diariamente acompanhar a Volta. Será que todo o equilibrio, toda a expectativa, todo o entusiasmo e toda a paixão só serão recuperados quando houver Benfica na estrada? Há ainda duas questões que importa reter: por um lado, ao resumir a prova desta forma, está a retirar mérito ao(s) provável(eis) vencedor(es), a W52 FC Porto, o que não me parece correcto; por outro lado, e escrevo por honestidade intelectual antes da etapa decisiva da Torre, há ainda um ciclista do Sporting-Tavira (e outro do Hospital de Loulé, em segundo, actualmente) em condições de ganhar a Volta (está em terceiro lugar, a apenas 19 segundos do líder), o que a concretizar-se retiraria qualquer credibilidade a tão definitiva quão prematura peça jornalistica.

Enfim, para terminar, queria deixar o meu desejo de que A Bola, um dia, venha de novo a ser merecedora do seu grandioso legado.

Ética - O Vídeo Árbitro e a realização televisiva

O tema não é novo, mas assume contornos mais relevantes a partir do momento em que existe o VAR: os responsáveis pelas organizações dos campeonatos permitem que um dos intervenientes nas competições nacionais (Benfica) transmita e realize (através da Btv) os jogos dessa referida equipa em casa.

Não me parece uma Boa Prática e não vejo exemplo semelhante na Premier League, na Ligue 1, na Bundesliga, na Série A ou na La Liga. 

Não ponho em causa a seriedade de quem realiza as transmissões, apenas acho que deveriam ser operadores independentes dos clubes a transmitir os jogos. À mulher de César...

Vem este arrozoado a propósito da transmissão da Btv, de ontem, do Benfica-Braga: houve dois golos anulados à equipa bracarense. No primeiro - indiscutível fora de jogo - a realização mostra um "frame" em que a bola já saiu ligeiramente do pé do jogador Jefferson (que efectuou o cruzamento) e se vê Hassan adiantado. Acredito que o avançado bracarense estaria, de todo o modo, deslocado, mas o "frame" não foi perfeito e deveria ter sido. No segundo lance de anulação de golo, é mostrada uma primeira imagem onde não aparece um jogador do Benfica no lado direito que, acredito, estaria a pôr em jogo o jogador do Braga que marca o golo. Só mais tarde aparece um plano mais aberto onde se vê o jogador benfiquista, no lado direito do ecrã, a pôr, eventualmente, em jogo o dianteiro bracarense. E digo "eventualmente" porque a realização não coloca a célebre linha de fora-de-jogo para dissipar dúvidas.

Importa ainda referir que, quando mostrado o plano completo do 2º lance, nem uma palavra se ouviu por parte do(s) comentador(es) de serviço da Btv. 

Ao ser permitido que um operador ligado a um clube transmita os jogos (o pecado original, na minha perspectiva), obviamente o escrutínio aumenta. Por isso, a realização deveria ter maior atenção a estes pequenos/grandes aspectos, na salvaguarda da integridade das competições. Por outro lado, também seria interessante perceber que imagens e que meios tem o Vídeo-árbitro disponíveis para além do que é apresentado na TV. Seria benéfico este trazer a público quais as razões que levaram à anulação do tal segundo lance, inclusivé mostrando o "frame" que a BenficaTV não apresentou, com o jogador benfiquista à direita e a linha de fora-de-jogo. A bem da transparência e da Verdade Desportiva.

 Atenção, com esta reflexão não quero pôr em causa o mérito da vitória do Benfica. Ganhou (e ganhou bem) e com uma intensidade que nós (ainda) não temos.

 

Ética - O Sucesso

Na antecâmara do início das competições profissionais em Portugal e a propósito do clima tenso que se vive no nosso futebol, importa reflectir no seguinte: sucesso é muito mais do que simplesmente vencer, é também a forma como o procuramos. A forma como ESCOLHEMOS procurar o sucesso, define-nos.

O "Wunderteam" austríaco de Mathias Sindelar, dos anos 30, a Hungria, de Kocsis, Hidegkuti e Puskas, da década de 50, a Holanda, de Crujff, Rep e Neeskens, de 74, ou o Brasil, de Zico, Sócrates e Falcão, de 82, nada ganharam mas entraram no coração das pessoas.

Racionalmente, olhando para as estatísticas, essas equipas não foram campeãs, mas granjearam o amor de quem as viu, ouviu ou leu, pela forma como procuravam vencer, com respeito pelos espectadores, oferecendo-lhes um belo espectáculo, sempre com "fair-play". Alguns dirão que eram românticos, que nada ganharam, como se ganhar fosse a única coisa importante na vida. E o que deram a todos os que gostam de um jogo bem pensado e bem jogado, os adeptos que trouxeram para o desporto-Rei? Claro que quem vence escreve a história a números, mas futebol não é matemática, muito menos estatística, é alma, é coração, é emoção e, por isso, escolhamos nós, sportinguistas, a forma como queremos ganhar e não nos afastemos NUNCA desse caminho. A cultura desta modalidade está totalmente inquinada, mas quem entra (ou entrar) por outros caminhos pode conseguir alienar as "massas" durante algum tempo, mas bem dentro de si sentirá o vazio profundo.

Vem aí uma nova época e com ela uma nova Era, a Era do Vídeo-Árbitro - que adicionará transparência ao jogo - e, espera-se, a Era da uniformidade disciplinar, da publicação dos relatórios tanto dos árbitros como dos delegados da Liga.

Procuremos então dar tudo dentro de nós, com esforço, dedicação e devoção para conseguirmos vencer nos nossos termos: com honradez, respeito e integridade. E assim, atingirmos a glória e provarmos ao mundo a veracidade da repetida afirmação de que somos um clube diferente.

Quando uma equipa fica para a história com o epíteto de 5 violinos, não é só porque ganhou muitos títulos. Afinal, os "Fab 5" só jogaram 3 anos juntos, embora aproveitando para arrecadar 3 campeonatos nacionais. O que criou a lenda foi a música que saía daqueles jogadores, o perfume do seu futebol, a afinação daquela máquina de jogar à bola. O braço partido com que Azevedo, mítico guarda-redes, regressa a campo (na época não eram permitidas substituições), tudo defende e permite-nos vencer fora o Benfica; ou quando Peyroteo, em 48, última jornada do campeonato, o Sporting a precisar de vencer por 3 golos no campo do rival - campeonato que ficou conhecido como o do pirolito - e o melhor ponta-de-lança de sempre a marcar os 4 golos da vitória (4-1), depois de não ter dormido de noite, cheio de febre. Isto sim, é o Sporting!

Não queremos vitórias a qualquer preço. Não queremos cartilhas, nem episódios de violência. O contrário é que nos deveria fazer corar de vergonha e deslustraria o nosso ADN centenário feito de vitórias assentes nas nossas escolhas.

VIVA o SPORTING e viva o futebol naquilo que tem de mais puro, a bola, a relva e as bancadas cheias, e de mais belo, os jogadores! 

 

Ética - Lesão de Honra e de Reputação

Isto já parece uma brincadeira. O presidente do Sporting arrisca-se a ser punido com uma suspensão entre 2 meses e 2 anos por "lesão de honra e reputação" ( a que poderão acrescer entre 3 meses a 1 ano, por violação da suspensão a que estava sujeito), devido a uma entrevista concedida à TVI em 24 de Março deste ano.

 

Entretanto, ficamos a aguardar o julgamento do Conselho de Disciplina sobre a lesão de honra e de reputação a que esteve sujeito o presidente do Sporting por ter sido afirmado, uns dias após os factos, e já entretanto desmentido pelos instrutores da Liga, que teria cuspido no presidente arouquense. Os factos remontam a 6 de Novembro do ano passado(!), foram há 9 meses...

 

Se as imagens televisivas são suficientemente claras, se o presidente arouquense é visto a, pelo menos, empurrar 2 stewards, se o próprio anteriormente em declarações relacionadas com o não empréstimo de Iuri tinha sido, no mínimo, deselegante com o presidente do Sporting, se quando a equipa B jogou em Arouca tambem tinha havido problemas com insultos a Manuel Fernandes, porque é que o CI da Liga e o CD da FPF demoram tanto a produzir uma decisão deixando BdC exposto perante a opinião pública? A quem é que interessa está situação? O presidente do CD deveria vir a público explicar estes acontecimentos que beliscam a imagem deste Órgão, até porque poderão haver razões ponderosas que os justifiquem. Não dizer nada passa a imagem de caça ao homem...

Ética - Meritocracia vs Erro

Um estudo promovido por investigadores da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde foram ouvidos 1346 funcionários de 6 empresas, e reproduzido pela TSF em Maio de 2015, indica que, na pratica, o mérito parece ser irrelevante em muitas empresas e no Estado. Segundo o mesmo estudo, preferências e conexões pessoais têm um papel fundamental em várias situações.

 

Estes indicadores mostram-nos que há que operar uma revolução de mentalidades no nosso país.

 

Vem isto a propósito, e aplicando aqui o contexto futebolístico, de ter ouvido Ribeiro Cristóvão pronunciar-se contra aquilo que pareceu ser a utilização do Vídeo-Árbitro, dizendo que "o futebol é um jogo de erro, e o erro serve para discussão durante a semana". Também no mesmo contexto, Jorge Baptista afirmou que "estão a matar emocionalmente o jogo".

 

A minha pergunta é: e o MÉRITO? Em que plano de prioridades estes senhores colocam o MÉRITO?

 

Se uma equipa, qualquer que seja, for sistematicamente ou, pelo menos estatisticamente, mais prejudicada que o(s) adversário(s), como ficamos?

 

Queremos uma Sociedade que valorize o MÉRITO ou uma que contemporize (ou até ache útil) com o ERRO? É que, perante a possibilidade de minimização do erro (o sonho de qualquer gestor que se preze) oferecida pelos meios tecnológicos não se percebe tanta resistência.

 

Razão tinha o extravagante avançado dos anos 70 e 80, Dadá Maravilha - que sabia o que era o mérito, quinto melhor marcador brasileiro de sempre, só atras de Pelé, Friedenrich, Romário e Túlio - quando dizia: " não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática".

Ética - O Vídeo-Árbitro

Hoje, em Alvalade, o recurso ao Vídeo-Árbitro permitiu que prevalecesse a verdade desportiva, validando o golo marcado por Bas Dost. Boas notícias, certo?

Talvez não, pelo menos observando o que recentemente disseram os nossos opinadores:

 

Ribeiro Cristóvão- " Jogadores fazem grandes festas e depois não valeu...futebol é um jogo de erro, e o erro serve de discussão...para os jogadores é um quebra-cabeças, um bico-de-obra"

 

Mas, há quem vá mais longe...

 

Jorge Baptista- "Estão a matar emocionalmente o jogo, a pouco-a-pouco. Agora não, mas daqui a 10 anos se calhar ninguém vai ao futebol"

 

Espera lá, querem ver que os campeonatos se ganham "emocionalmente"? Com tanta gente a discutir problemas, até parece que o Vídeo-Árbitro não é uma solução possível para a defesa da verdade desportiva. Se calhar, não é ético, o erro é que é bom. Aplique-se já esse conceito nas empresas, no governo. A partir de agora, o erro é humano pelo que más decisões devem ser compreendidas por accionistas de empresas e pelo povo que elege os governantes. Sim senhor, agora deixa lá ver o que, lá fora, o melhor jogador de todos os tempos e célebre "batoteiro" diz sobre o tema:

 

Diego Armando Maradona "d10s"- "A tecnologia traz transparência e qualidade, e proporciona um resultado positivo a equipas que decidem atacar e correr riscos".

 

Pois, este não percebe nada disto, os nossos "iluminados" é que sabem tudo.

 

A integridade das competições, a ética e verdade desportiva, nada disso interessa, o importante é a emoção, mesmo que os adeptos tenham uma comoção quando lhes anulam (mal) um golo. Quem aplicou a tecnologia ao rugby, ao futebol americano, ao ténis, são uma cambada de relapsos, os nossos comentadores é que sabem tudo...

 

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Ética - Alegoria da Caserna e outras tretas afins

O filósofo grego Platão criou a Alegoria da Caverna, texto filósofo - pedagógico, onde através de parábolas pretendia reflectir sobre a necessidade do Homem de se libertar da escuridão e procurar a luz, o conhecimento. Entretanto, recentemente surgiu uma imitação barata e de fraco sentido literário, sob a forma de uma "Cartilha de João de Deus...dos pobres de espírito", onde através de processos filósofo-pidescos, se conspirou, lançou considerandos e plantou inuendos e suspeiçòes destinados a diabolizar o presidente do Sporting clube de Portugal, Bruno de Carvalho. Aqui, não é a procura da luz que orienta o escriba, mas sim ajudar o clube da Luz. Ontem, Bruno anunciou que Octávio tinha sido a terceira escolha de Jesus (?) para Director Desportivo (o pecado original, treinador a escolher Director, uma 'bizantinice'). Mais, sugeriu que a segunda escolha de Jesus teria sido Carlos Janela, o alegado autor desta grotesca Alegoria da Caserna, e que ele, Bruno, de pronto teria recusado. Fez bem o presidente. Não porque Janela não seja um profissional competente e altamente eficaz, mas porque a forma, a forma senhores, não está de acordo com a doutrina de moralização do futebol português, pela qual o Sporting tanto tem pugnado. Assim, urge a pergunta: o Sporting não perde argumentação ao ter nas suas fileiras quem tenha tentado contratar o alegado autor da Cartilha? É possível a coabitação entre duas personalidades com ideias diferentes ou, pelo menos, formas divergentes de alcançar o sucesso? Eu, não tenho dúvidas, escolho o presidente.

Mundos e fundos

Se de facto esta proibição avançar, vai ser um deleite ver as artimanhas financeiras e contabilísticas que vão surgir na recompra de passes aos fundos.

Mas o melhor vai ser mesmo descobrir que, por mera coincidência, alguns dos donos dos fundos serem ao mesmo tempo dirigentes de clubes, "empresários" que são ao mesmo tempo representantes de jogadores propriedade desses fundos, accionistas de algumas sad´s, donos escondidos de outras. Às tantas nem eles sabem com toda a certeza, tal o imbróglio de empresas em off shores e cadeias de controle accionista, quais os fundos que lhes pertencem e que jogadores de facto controlam.

Mas acredito que no próximo programa desportivo da Sic-not o assunto será abordado. Seremos  esclarecidos pelo "manel, não te enerves" ou pelo "ouça"e ficaremos a saber que no fundo, o mundo dos fundos é afinal o éden feito à medida das necessidades do transparente mundo da bola. E quem estragou tudo foi o Bruno. Esse puto, acabado de chegar ao mundo da bola, anda com a mania que é mais esperto que os outros, aqueles que fazem pela vidinha neste mundo há décadas. O puto, armado ao pingarelho, pelintra, merece é uns bons tabefes, manel não te enerves, a ver se amocha e dobra a espinha. Isso é que era, ouça, tudo de espinha dobrada e chapéu na mão. Sonhar não custa, para alguns nem os fundos custam.

Uma questão de ética

Tenho andado a evitar pronunciar-me sobre a notícia de uma escola na Ericeira em que a professora canta várias vezes ao dia uma canção infantil a que acrescenta vivas a um clube de futebol. Tenho andado a evitar-me porque toda a gente sabe que as minhas preferências clubísticas são bem diferentes e não queria de forma nenhuma que este assunto fosse analisado como uma discussão futebolística.

Porém, acabo de ver o programa Sexta às 9, em que o assunto é ridicularizado e reduzido apenas a isso, uma questão clubística.

Vamos por partes:

1. O que está em causa é o abuso da influência natural que qualquer professor tem sobre os seus alunos, em especial tão pequenos, para incutir ideias e valores. É triste que, em vez de ensinar a tolerância e a liberdade de expressão, a senhora não reconheça o seu papel fundamental na formação de seres humanos e opte por ensinar a intolerância e o desrespeito pelos que têm uma opinião diferente. Segundo informação publicada na comunicação social, terá chegado mesmo a dizer aos alunos que já não podiam cantar aquela música, porque o pai da colega "era mau" e não deixava.

2. Se em vez de gritar Viva o Benfica!, se gritasse Viva o PSD! (optei por este partido porque é o que está no governo, mas aplica-se a qualquer outro), imagino a ofensa e indignação. E se gritasse Viva o Islão!, era o caos, até a CIA aterrava no recreio da escola. Não, não são coisas diferentes. É apenas e só a utilização do palco que a vida lhe deu - a sala de aula - para infiltrar no espírito dos seus alunos os seus próprios gostos e opiniões pessoais. É uma falta de ética total e absoluta e uma prática pedagógica ofensiva.

3. Vamos então, por momentos, reduzir isto a uma brincadeira. O mesmo direito que assiste à professora de apelar ao benfica, assiste aos pais e aos próprios alunos de apelarem a outros clubes. Quem é o intolerante aqui? O pai que discorda da lavagem cerebral que fazem à filha ou a professora que não admite que os alunos tenham uma opinião diferente da sua, respondendo ao protesto com um "quem está mal muda de escola"?

4. Um educador é uma pessoa normal, quando está fora da sala de aula. Lá dentro, tem de ser especial, inspirador, exemplar. Nada menos do que isso.

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