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És a nossa Fé!

O que dói… 1ª parte de duas

O que dói é que há um ano terminámos o campeonato a jogar o melhor futebol da liga, derrotados por uma nesga de fortuna mas legitimamente confiantes de que iriamos enfrentar a época seguinte num patamar superior àquele com que tínhamos entrado a época que findava.

Terminar melhor do que se começou, avançando mais do que os adversários é a única forma de nos aproximarmos decisivamente da glória e é a única coisa – juntamente com o apoio dos adeptos – que depende estritamente de nós, naquilo que é uma prova longa, cheia de imponderáveis e até de eventuais cartilhas e encartados.

Sporting

 

Se o que depende de nós não for bem feito, sobra pouco crédito como capital de queixa e entregamos a uma imensa sorte – que raramente nos bafeja – para atingir aquele que será sempre um sucesso improvável.

Leia o resto, jogador a jogador, e não só.

O que doi é que mais do que os craques que perdemos, registámos várias apostas que correram mal, umas por manifesto infortúnio (ainda hoje não sei o que vale Spalvis pois lesionou-se e nunca entrou no plantel) outras por manifesta falta de qualidade e/ou confusão técnico-tatica de quem contratou. Alan Ruiz apresentou-se como manda o livro tantas vezes mal citado, mas neste caso adequado: precisou de largas semanas para se adaptar ao ritmo, ao treinador, ao estilo de jogo em Portugal. Terminou a época lesionado depois de se ter revelado como um avançado decente, mais entrosado, menos florzinha e um pouco mais rápido do que no início do ano. Um dos jogadores que precisam de menos oportunidades para rematar enquadrado com a baliza, de forma colocada, em força, e de qualquer posição nos últimos 30 metros do campo. Um caso raro, este ano, de jogador que termina melhor do que começou e quase a convencer como ativo de futuro.

Castaignos era para Bas Dost se ambientar melhor? O moço parece bom rapaz, tão bom rapaz quanto fraco jogador. Campbell foi foguete que se esgotou depressa, incapaz de assegurar o lugar com exibições regulares. Markovic teve mais oportunidades do que qualquer jogador da cantera, provavelmente do que todos eles juntos e nunca passou de um fantasma do que foi, mal amado em Alvalade, fator imediato de azia para muitos adeptos. Petrovic está emprestado e a jogar razoavelmente, segundo consta, mas é mais um que por cá passou em regime de placa giratória. Bruno Paulista? Pois. Entre lesões e apagões, a oferta imensa do meio campo no início da época pariu um buraco. Sempre dependentes de Adrien e de William, e sofrendo com as suas ausências por lesão, castigo e esgotamento físico. Meli? O que foi aquilo? Era jogador? Não era? Passou tipo meteorito. Comprar um jogador e nunca o ver jogar?!

 

Numa péssima pré-época, a prata da casa saiu mais queimada do que os restantes, ainda que todos tenham jogado mal. Iuri foi de carrinho, assim como Podence, Geraldes, Palhinha, Gauld… Agora, altura de balanço, é legítimo coçar a cabeça aos custos de multiplicar os investimentos, com o lastro que ainda perdurará e ao sinal, péssimo sinal, que foi dado a estrelas nascentes. A bitola, mais uma vez ficou bem vincada: comprar por comprar não. É pertinente contratar qualidade, é pertinente deixar os mais jovens ir errar para fora durante uma época ou duas, não é aceitável, contratar em volume para apenas um ou dois revelarem acrescentar ao que os da cantera teriam para oferecer. Será fácil de dizer, mas é imprescindível corrigir, rever a fórmula. Se a juventude não é solução para todas as posições, em especial para quem quer ser campeão, deve ser encarada como oferta que exige um patamar mais elevado para quem entra no clube.

Não é certamente pelo excesso de aposta na formação que não ganhamos um campeonato desde 2001. Fazer de conta que a formação não existe exceto quando é escandalosamente boa e de nível galáctico (como sucede com Gelson Martins) é inverter a coisa. Pela minha parte terei sempre maior capacidade de aceitar dores de crescimento de um Ruben Semedo do que de um Douglas. Lembram-se? Há um Douglas no nosso plantel.

E depois há os que foram bons e morreram e os que foram irritantes no ano passado e continuaram a ser irritantes, predominantemente maus e a espaços brilhantes, como Bryan Ruiz, Zeegelaar e Schelotto. Três titulares que não oferecem garantias de conseguirem fazer melhor do que ofereceram este ano. Bryan Ruiz porque tem contra a idade (já foi bom, voltará a sê-lo?) e os restantes porque parecem não conseguir dar mais, prestando-se a falhar demasiadas vezes em jogos decisivos, deitando por terra todos os objetivos de uma época.

Coates, que também fez uma pré-época de susto, depressa regressou ao estatuto conquistado no ano anterior, assumindo-se como o nosso melhor defesa. Paulo Oliveira é o suplente para as horas difíceis e para as invenções do treinador (por vezes queimando o pobre jogador). Da parte do jogador, prima pela constância e fiabilidade. Não tem a estampa e a velocidade de Ruben Semedo mas oferece uma regularidade e maturidade que (ainda) falha no mais jovem. Não é por ele que temos um problema sério no plantel ou na defesa. Jefferson parece definitivamente em fase descendente. Desde que renovou raras vezes se lhe viu a qualidade e empenho passados e com JJ tem tido menos oportunidades. Mais um ponto de interrogação para a próxima época.

Esgaio terá feito a melhor época no plantel principal do Sporting ainda assim curta para ser um valor para o futuro, jogou pouco e teve o ponto alto como profissional do Sporting ao revelar-se decisivo para garantir a equipa B na segunda liga. Tal como sucede com quase todos os jogadores da formação, mitiga muitas das insuficiências ou complexificações técnico-táticas a que é convidado com um adicional de entrega e dedicação. O que lhe reserva o futuro?

Falta o jogador que faria bom qualquer treinador do mundo, Bruno César. A exceção que confirma a regra. Um jogador que entrou no Sporting ainda com muitos anos para dar ao mais alto nível, que já no Benfica havia provado ser competente em vários instrumentos e que o treinador esticou até ao limite do humanamente aceitável, quer em termos físicos, quer em termos táticos. Uma das raras conquistas inteiramente atribuíveis ao treinador. Terá lugar no Sporting até pendurar as chuteiras.

E depois, um ponta de lança fora de série, Bas Dost, a melhor contratação do ano, praticamente a única (talvez acompanhado de Alan Ruiz que demorou a render mas parece ser uma certeza). Não é jogador para sozinho dar um título (Jardel há só um) mas é claramente dos melhores que passaram pelo Sporting em muitos anos. Um jogador competentíssimo como matador e a pedir um criativo mais venenoso nas costas e melhores laterais a cruzar... Talvez Gelson (mais consequente na finalização), talvez um segundo avançado (talvez Alan Ruiz se tiver margem de progressão), muito provavelmente outro jogador que poderá ou não estar nos quadros do Sporting. Quanto aos laterais, temos quase uma folha em branco pela frente.

Uma pena algumas das jovens estrelas não estarem a ter minutos para darem provas. Uma pena o treinador estar amarrado a certezas que tem dificuldade em comparar justamente  com os péssimos resultados dos maduros que estão a marcar o final da época.

E nas últimas semanas talvez Podence tenha acelerado decisivamente a entrada no plantel. Das poucas oportunidades que teve deu provas de poder acrescentar algo. Mas só ele. Francisco Geraldes raramente jogou e o treinador não parece ter em grande consideração o seu potencial, preferindo discipliná-lo. Num raro momento em Alvalade em que Geraldes se arma em municiador imprevisível e consequente da linha da frente, Jesus só não terminou a bronca que lhe ia dar porque foi abafado pelo entusiamo dos adeptos com o atrevimento naquela equipa amorfa que viria a perder por 1-3.

Palhinha parece ter servido para tapar um buraco conjuntural e calar um clamor numa altura em que crescia o desconforto. Talvez fique no plantel, mas perante um Adrien esgotado o treinador deixa substituições para fazer em jogos onde o que há de mais importante em disputa é a preparação da próxima época.

Beto, esquecia-me de Beto. Jogou pouco mas justificou inteiramente a aposta. Quando foi preciso raramente falhou. Ao mesmo nível de Rui Patrício, senão melhor. Vá, tivemos duas boas contratações e meia, nesta época. Das restantes, talvez Petrovic venha a ter uma segunda hipótese. Confesso que não o tenho acompanhado, sendo que não me impressionou quando iniciou a época. Dos outros, já não reza a história. Foi uma balada que os levou.

(continua aqui)

 

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