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És a nossa Fé!

No estio, não podemos estiolar

O tempo está quente e seco. Demasiado. As circunstâncias funestas dos últimos dias inibem-me de brincar e jogar com palavras relacionadas com fogo e incendiários. Por isso vou direto ao assunto. A par do grande orgulho no nosso novo pavilhão, com o reconhecimento e agradecimento à atual Direção do Sporting pelo seu empenho na realização desta obra, não posso deixar de exprimir certa inquietude por alguns tiques cesaristas, implícitos e explícitos, no discurso e na pose de  pessoas com responsabilidades na nossa instituição. Foi assim na inauguração do Pavilhão João Rocha e, por ecos que chegam através da imprensa, também na assembleia geral. A definição de inimigos internos não me parece compatível com a ideia de clube dos sócios, pois todos os inscritos e com quotas em dia, são iguais em direitos e deveres. O Sporting nasceu em 1906, tem história e herança, não renasce a cada direção eleita. A nossa sociedade é democrática e plural, e a liberdade é um bem inestimável, pelo que não pode, na esfera pessoal de cada sócio, haver ditames sobre escolhas assentes nos gostos, nas amizades, com quem se priva ao almoço, etc, etc. Julgo que nada disto está abrangido ou sob alçada dos estatutos do Sporting. Linchamentos e "fogueira", assim como apagar da fotografia, são práticas que a história já condenou. A liberdade individual não pode ser "criminalizada" ou sujeita a contraordenações, pelo que a palavra expulsão não deve constar do nosso léxico relativamente aos comportamentos referidos. É elementar, como asserção.

Todos somos poucos para engrandecer o nosso clube. Os próximos tempos vão ser exigentes pois a nossa imensa massa adepta vive um estado de ansiedade relativamente a ver o Sporting campeão. Urge, sobretudo quando vemos que as vitórias e os títulos são uma realidade na nossa dimensão eclética. E até no futebol, onde o Sporting ganhou quase tudo o que havia para ganhar, incluindo no feminino. Falta a cereja no topo do bolo, a liga principal. E é para isso que temos todos de trabalhar: atletas, treinadores, dirigentes, sócios e simpatizantes. E é agora no estio, sem estiolar, que se prepara as próximas estações. Com esforço, com dedicação, com devoção. 

É uma verdade "La Palissiana" que o Sporting é dos sócios, e tem de sê-lo sempre. Por isso mesmo os eleitos têm de exercer o poder, que temporariamente lhes é conferido por todos os sócios, os que votaram e os que não votaram neles, legitimando-se permanentemente em comportamentos e decisões que respeitem esse mesmo mandato. O mesmo é dizer que têm deveres especiais de unir e não dividir, de cumprirem com o que prometeram, em suma obterem resultados. No respeito dos princípios e valores inscritos no nosso ADN, sem cedência a discurso fácil. Os resultados são a melhor sustentação para o reconhecimento e avaliação de um mandato. É o que espero desta Direção, que é a minha Direção, e deste Presidente, que é o meu Presidente. Sem esquecer que todas as Direções e Presidentes são efémeros e perene só mesmo a instituição. O que importa verdadeiramente é o Sporting Clube de Portugal. Eterno!

 

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