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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Hora H

Jorge Jesus é o líder da equipa de futebol do Sporting. Um líder é, primeiramente, um gestor de recursos humanos. No Sporting, estes significam um custo anual superior a 60 milhões de euros.

Hesitei em escrever esta peça hoje. Amo o meu Sporting, quero o melhor para o meu clube, acredito que os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting são os melhores do mundo, mas, por um lado, tenho receio da jornada dupla que se inicia amanhã, por outro que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

Já disse inúmeras vezes que seria incapaz de escrever com uma agenda secreta - considero isso profundamente desonesto intelectualmente -, que apoiei anonimamente, como tantos, Bruno de Carvalho desde a primeira hora, quando nenhum dos meus amigos estava com ele, e que não conheço nem pessoalmente, nem institucionalmente (nem tinha de conhecer) qualquer membro da direcção/administração do clube/SAD.

Não tenho, por isso, qualquer informação privilegiada pelo que aceito o risco de as minhas reflexões, que convosco partilharei, poderem vir a ser consideradas especulativas. Ainda assim, farei uma interpretação baseada naquilo que resulta de informações que, aqui e ali, vão saindo na imprensa e que são do conhecimento geral.

Depois de uma extraordinária época de 15/16, o que é que correu mal no ano passado e quais os meus receios para esta temporada? 

Antes do fecho do mercado de Agosto, foi noticiado, até pelo próprio, o interesse de Adrien em aceitar o convite do Leicester. Sendo o 1º capitão, julgo que este episódio teve algum impacto na equipa. Mas, o pior estava para vir: no rescaldo da infeliz derrota em Madrid, epíteto que só pode ser atribuido devido à surpreendente e superior exibição conseguida (mérito de Jesus), o treinador, que no decorrer do jogo havia sido expulso, produziu a afirmação de que "com ele na zona técnica, a equipa não teria perdido". 

Um líder deve estabelecer uma linha de comando e deve descentralizar poderes. Assim, na sua ausência e mesmo na sua presença, deve dar "empowerment", em primeiro lugar, aos seus adjuntos. Ao transmitir que com ele não teríamos perdido transmitiu um sinal muito negativo sobre a competência da sua equipa técnica, a sua primeira linha de condução do grupo de trabalho.

A segunda linha de comando é a do balneário. Os capitães e os jogadores com mais protagonismo na equipa são os naturais líderes, os quais tanto podem ser uma grande ajuda para o treinador como constituir-se como uma enorme dor de cabeça. A dado momento e referindo-se a Slimani, o treinador afirmaria que a sua opinião (dele, argelino) valeria "bola", a dele (Jesus) é que seria importante. Estes excessos de Jesus merecem aqui um aparte: ser autoconfiante é ter a convicção de que, com mais ou menos trabalho, com dispêndio de mais ou menos massa cinzenta, eu, perante um problema, vou conseguir encontrar a solução. Outra coisa completamente diferente é ser arrogante, prepotente ou autoritário e tratar assim um dos jogadores mais importantes. É evidente que os jogadores não gostam de ver isso, como certamente não gostarão e, admito, não perceberão porque é que três jogadores titulares da época passada se encontram a treinar à parte. Refiro-me concretamente aos casos de Bryan Ruiz, Schelotto e Zeegelaar.

Quando a imprensa nos diz que todos os capitães de equipa pediram para saír ficamos sem saber se isso obedece a legitimas (desde que respeitem o clube) aspirações de darem mais um passo na carreira (afirmação que a mim me faz confusão estando eles no melhor clube do mundo) ou se existe um ambiente de crispação com Jesus, o que por vezes transparece nos jornais, embora não saibamos se essas noticias não são encomendas dos nossos concorrentes.

De uma maneira ou de outra, aqui, julgo eu, reside o maior problema. Se os restantes jogadores da equipa se apercebem que os colegas com maior autoridade querem saír, quem controla a exigência para com o clube e quem garante a integração dos novos recrutas e o saudável ambiente no balneário?

Jesus esteve quase a ganhar o campeonato. Se o tivesse conseguido seria hoje, provavelmente, um deus em Alvalade e estas situações seriam relativizadas, até porque os jogadores trocariam na sua cabeça o autoritarismo do técnico pela autoridade de lhe reconhecerem mérito e competência no "título"- porque Jesus pode ter poder, que lhe é conferido pela administração, mas autoridade é outra coisa, é quando os que lideramos nos reconhecem e eu não estou certo que isso, neste momento, seja real - mas, como tantas vezes no meu querido Sporting, a sorte foi-nos madrasta e Jesus não soube adaptar-se à má fortuna. mantendo o seu estilo habitual de quero, posso e mando.

Está tudo perdido? Não. Então, o que é que eu penso que deve ser urgentemente feito?

Jesus tem de começar por reestabelecer o elo emocional da equipa. A gestão é feita de erros, não há mal nenhum, nem constitui perda de autoridade, reconhecer algumas más decisões no seio do grupo. Jesus já terá percebido que, sem os jogadores, não vai lá. Bem pode trazer 11 ou 12 todas as épocas que os jogadores passam a palavra, trocam informações, pelo que o sentimento se manterá. Além disso, sempre que Jesus adia o que deve ser feito, apertando os laços do grupo, e pede mais um jogador ganha mais um "inimigo", o jogador que sente que o "newcomer" lhe vai tirar o lugar.

Assim, Jesus deveria terminar de pedinchar mais jogadores e concentrar-se, isso sim, naquilo que tem de melhor: o desenvolvimento unipessoal de cada uma das individualidades do plantel. Só o "upgrade" destes jogadores ajudará o clube a ser sustentável. Sem resolver os problemas atrás descritos, bem pode trazer uma legião de craques que alguns problemas graves continuarão por resolver.

Dirijo-me agora a si, Jesus. Por favor, mude. O Sporting este ano não pode falhar. Tem o plantel mais caro da sua história, mas precisa de formar uma equipa coesa, em que todos sejam vencedores, todos sejam importantes. A ausência do título aumentará para três anos o seu insucesso em Alvalade e para 16 anos a nossa infelicidade. Mais, a nossa (eventual) não presença na fase de grupos da Champions terá como consequência quase inevitável a necessidade de promover receitas extraordinárias, ou seja, a perda das nossas pérolas da formação, independentemente da boa gestão desta direcção/administração que já terá receitas mais substanciais na próxima temporada devido ao acordo (óptimo) conseguido com a NOS.

Jesus, está tudo nas suas mãos. Abrande um pouco a sua soberba (os nossos pontos fracos nunca conseguimos de todo irradicá-los, mas podemos disfarçá-los), toque a reunir, (re)afirme a sua humanidade, restaure a cultura táctica que me mostrou a equipa (de 15/16) que jogou o melhor futebol que me recordo nos 43 anos que tenho de idas ao estádio e faça cumprir o seu sonho, o sonho de seu pai, o meu sonho enquanto pai que quer que os seus filhos vivam um título, o sonho do meu amigo António Miguel que há pelo menos 30 anos me acompanha nestas lides e que comigo chorou "baba e ranho" quando um golo fortuito de Roberto nos eliminou injustamente perante o Barcelona, o sonho de todos NÓS, os melhores adeptos do mundo, o de fazer este clube, mais que um clube, uma grei, uma nação, um clã, finalmente CAMPEÕES. 

Eu vou estar lá!!!

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