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Elas na história do Sporting (3): Francelina Anacleto

Francelina Anacleto, com Lídia Faria e Eulália Mendes, sobre quem escrevi nos dois números anteriores desta série, formou um notável trio, em larga medida responsável pelo êxito e hegemonia do atletismo feminino do Sporting nos anos sessenta e  setenta do século passado. Francelina Anacleto, que competiu entre 1960 e 1967, destacou-se, fundamentalmente, nas provas de velocidade e do salto em comprimento. Embora favorecida, em comparação com os dias de hoje, pelas circunstâncias próprias de uma época na qual a especialização estava ainda longe de se tornar numa realidade, Francelina obteve, também, excelentes marcas nos 400m, cujo recorde nacional bateu por duas vezes em 1961, após oito anos em que perdurou a marca feita por Georgette Duarte, extraordinária atleta do Belenenses e um dos maiores símbolos do grande clube azul, e no pentlato, de que foi campeã em 1965.

 

Francelina Anacleto

 

No plano individual, a que haverá que juntar os títulos colectivos que alcançou como representante do Sporting, assinale-se, a par de muitos outros também relevantes, o facto de ter sido campeã de Portugal por quatro vezes nas disciplinas dos 100 metros e do salto em comprimento e por duas vezes na dos 200 metros. Francelina Anacleto fez, igualmente, parte da selecção nacional de 4x100 m, inteiramente preenchida por atletas do Sporting, que, pela primeira vez, em 1964, baixou dos 50 segundos nesta prova de estafetas, fixando um recorde que se manteve por um período de seis anos. Também o seu último recorde do salto em comprimento, que conseguiu por oito vezes entre 1961 e 1965, teve cinco anos de vida, sendo já velho de quase vinte e um anos o máximo nacional dos 100 metros que a atleta bateu em 1961. Muito mais vitórias e marcas de grande valor poderia sublinhar, como os  interessados confirmarão, entre outras fontes, na WikiSporting, a cuja preciosa ajuda, mais uma vez, recorro. Só no que ao número de recordes nacionais individuais respeita, Francelina registou por sete vezes o de 100 metros, cinco vezes o de 200 metros, oito vezes o do salto em comprimento e duas vezes o dos 400 metros. A estes haverá ainda que somar os das estafetas e os que foram obtidos em pista coberta. E bem mais longe poderia certamente ter ido esta nossa grande desportista, se não se tivesse retirado, em consequência de grave lesão, com a idade de 22 anos. Em tão pouco tempo, até, repito, aos 22 anos,  Francelina Anacleto marcou brilhantemente, como muito abreviadamente descrevi, o atletismo português e a história do Sporting.

 

Francelina Anacleto

 

Outras coisas acabaram por ficar em casa. Francelina Anacleto, a quem presto a minha homenagem e a quem devemos agradecer todo o muito que fez pelo engrandecimento do Sporting, casou com outro nome mítico do atletismo nacional e um dos maiores atletas de sempre do clube, Tadeu de Freitas, grande declatonista e saltador de triplo salto e de salto em comprimento, assim confirmando, com exuberância verde e branca, que les beaux esprits se rencontrent. Os dois, na via empresarial que seguiram após o termo das suas carreiras no atletismo, criaram uma marca de equipamentos desportivos, Tadeu e Francelina, mais tarde Saillev, que, a certa altura, chegou a fornecer equipas do Sporting.

 

Em 1964, foi atribuída a esta nossa grande atleta a Medalha de Mérito Desportivo do Sporting Clube de Portugal.

 

 

P.S. Já depois de publicados os dois textos anteriores, dedicados a Lídia Faria e Eulália Mendes, foi-me chamada a atenção para a ambiguidade do pronome nossa, utilizado no título genérico desta série. Reconhecendo o risco dessa duplicidade e embora nunca me tenha passado pela cabeça, como me parece óbvio, a intenção de ironizar sobre o assunto, decidi, para dissipar possíveis equívocos, alterar esse título, que passará a ser Elas na história do Sporting. Para o efeito, corrigi já os dois primeiros números.

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