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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (7)

A imagem de Xavi Hernández, sentado no banco de suplentes durante todo o jogo, era bem sintomática do fim de ciclo a que acabámos de assistir em directo: o melhor intérprete do tiki-taka espanhol assistia, impotente, ao naufrágio da equipa campeã mundial e bicampeã europeia. Uma equipa de que ele foi um dos intérpretes de excelência mas que a partir de hoje pertence ao passado.

A intrépida Roja que maravilhou o mundo com o seu futebol de alta voltagem e qualidade indiscutível não chegou sequer a comparecer no Mundial do Brasil. Após a copiosa derrota frente aos holandeses (1-5), os homens comandados por Vicente del Bosque voltaram a baquear (0-2), desta vez frente ao Chile. O seleccionador não teve coragem de operar a mudança radical que se impunha: o próprio Casillas, reduzido a uma caricatura de si próprio, manteve o lugar cativo na baliza espanhola.

Fica a lição para Paulo Bento: Portugal só superará o próximo obstáculo, contra os Estados Unidos, se o nosso onze titular foi substancialmente diferente daquele que sofreu quatro golos sem resposta frente à selecção alemã.

 

No jogo de hoje, disputado no mítico Maracanã, o Chile foi sempre uma equipa mais compacta e bem organizada, capaz de travar a fúria espanhola, que aliás mal compareceu em campo. Os dois golos da vitória chilena surgiram cedo, ainda na primeira parte. Mas nem assim Del Bosque foi capaz de apostar decisivamente no ataque, limitando-se a trocar jogadores para as mesmas posições à medida que o cansaço físico ia tornando cada vez mais ineficaz o processo ofensivo da selecção que ainda conserva o título de campeã do mundo.

Também neste aspecto o Chile-Espanha deve servir de lição para Paulo Bento: não basta mudar jogadores - é preciso alterar o sistema táctico. Porque Portugal não precisa apenas de vencer no próximo domingo. Precisamos de marcar vários golos, que nos poderão ser preciosos como critério de desempate.

 

Do inapelável naufrágio da equipa espanhola, que jogou sempre desligada e com um incompreensível desenho táctico, praticamente só se salvou o melhor dos seus artistas: o incomparável Iniesta. Teimando em remar contra a maré do princípio ao fim, o médio do Barcelona procurou incutir inspiração e ânimo aos seus colegas. Foi dele até, aos 84', o remate mais perigoso à baliza do excelente guardião chileno, Bravo.

Mas esteve sempre desacompanhado: ninguém lhe seguiu as pisadas. No final do encontro, consumado o prematuro afastamento da selecção espanhola deste Campeonato do Mundo, Iniesta abandonou o campo de lágrimas nos olhos. Como Eusébio após a meia-final perdida contra a Inglaterra no Mundial de 1966.

Os gigantes são assim: caem de pé. Destroçados mas não vencidos, como o pescador Santiago d' O Velho e o Mar, de Hemingway. Merecem a nossa admiração também por isso.

 

Chile, 2 - Espanha, 0

 

Iniesta: fim de ciclo

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