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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (5)

Portugal começou da pior maneira a participação no Campeonato do Mundo de 2014, sofrendo uma goleada (0-4) contra a Alemanha. Nunca tínhamos registado um resultado tão negativo numa fase final de uma grande competição futebolística ao nível de selecções.

Houve de tudo pela negativa: uma grande penalidade perfeitamente escusada, três golos oferecidos à equipa adversária, uma expulsão, duas lesões inesperadas. E a terrível constatação de que não temos banco de suplentes à altura dos desafios que nos aguardam neste Mundial.

Não adianta apontar a dedo este ou aquele atleta: toda a equipa naufragou. Do ponto de vista físico, técnico, táctico e anímico.

Jogando a passo, sem vontade de construir lances ofensivos, com um temor quase patológico dos alemães, a turma comandada por Paulo Bento transmitiu ao mundo uma péssima imagem do futebol português. Vendo as duas equipas em campo ninguém diria que existe uma pequena diferença entre ambas ao nível da classificação da FIFA: a Alemanha é considerada a segunda melhor selecção, sendo Portugal a quarta. Pelo menos até este jogo, que ficará para sempre como um desafio de má memória para todos nós.

Dizia-se antes do apito inicial, com o típico exagero à portuguesa, que a selecção era "Cristiano Ronaldo mais dez". Pura ilusão. Cristiano mal se evidenciou. E não houve sombra de equipa portuguesa no estádio Arena Fonte Nova, em Salvador, frente ao onze alemão muito bem escalonado por Joachin Löw.

Aos 52', na ala esquerda do ataque português, Fábio Coentrão e Nani chocaram um com o outro enquanto acorriam ambos, já sob o signo do desespero, ao encontro da bola. Esta insólita colisão simboliza bem o desnorte dos portugueses, que nunca conseguiram funcionar em equipa.

Tal como sucedeu com Scolari após a derrota frente à Grécia na primeira partida do Europeu de 2004, quando o brasileiro fez profundas alterações no onze titular português, com manifesto sucesso, Paulo Bento será confrontado com idêntico repto. Ou renova já, sem hesitar, ou morre na praia saindo do Brasil sem honra nem glória. O problema é saber, entre os 23 que seleccionou para o Mundial, quem estará realmente em condições de entrar em campo com capacidade física e psicológica para recuperar o profundo abalo que a selecção hoje sofreu frente à Alemanha, séria candidata ao título mundial.

 

Portugal, 0 - Alemanha, 4

 

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Uma das piores exibições de sempre do guarda-redes leonino na selecção. Teve duas desastradas reposições de bola em jogo que só por pouco não se traduziram em golos alemães. E ofereceu literalmente o quarto golo, numa defesa incompleta e atabalhoada, quando a equipa adversária já mal se esforçava por dilatar o resultado.

 

João Pereira - Quase nada lhe saiu bem. Desde o cartão amarelo que recebeu nos minutos iniciais da partida, nunca mais se recompôs. E arrastou com ele outros jogadores, contagiados pelo seu péssimo estado anímico. Falhou passes sucessivos, nunca conseguiu protagonizar uma ofensiva perigosa pela sua ala. Parecia só ansiar que aquele pesadelo chegasse ao fim.

 

Bruno Alves - Já foi um pilar de maturidade e confiança na selecção. Hoje nem andou lá perto. Desconcentrado, com os nervos à flor da pele, nitidamente afectado pelo destempero de Pepe, acabou por ter um falhanço incrível na área sob a sua jurisdição, oferecendo de bandeja o terceiro golo da Alemanha.

 

Pepe - É capaz do óptimo e do péssimo. Hoje só demonstrou a sua pior faceta. Tinha o sistema nervoso abalado e isso notou-se demasiado cedo. Foi claramente batido por Hummels na marcação do canto que originou o segundo golo alemão. Não se recompôs desse lance. E acabou por ser expulso por comportamento antidesportivo sem qualquer necessidade. A sua saída, aos 37', representou o fim da última esperança de Portugal neste jogo.

 

Fábio Coentrão - Rebentou fisicamente: saiu de campo aos 65', com grave lesão muscular que deverá afastá-lo em definitivo do Mundial. Enquanto esteve em campo foi uma sombra daquilo a que nos habituou: muito recuado, quase sem apoiar as linhas dianteiras. Irreconhecível.

 

Miguel Veloso - Muito discreto, deu no entanto algum contributo nas recuperações de bolas, chegando a lançar Cristiano Ronaldo com algum perigo aos 7'. Não regressou no segundo tempo, o que causou alguma estranheza: apesar de tudo, parecia ser um dos elementos menos afectados pelo descalabro colectivo.

 

Raul Meireles - Parece muito longe da melhor forma física, à semelhança de vários outros jogadores da selecção nacional. Durante a primeira parte mal se deu por ele. Após a expulsão de Pepe recuou no apoio à defesa. Deixou Müller fugir sozinho aos 50', mas salvou um golo quase inevitável aos 68' desviando in extremis a bola para canto. Terminou o jogo extenuado.

 

João Moutinho - Raras vezes foi tão ineficaz como neste jogo. Os passes saíam-lhe errados, não acertava as marcações, parecia indeciso sobre a zona do terreno em que devia movimentar-se. Inofensivo, em suma. Parecia suplicar para ser substituído, mas Paulo Bento não lhe fez a vontade.

 

Nani - Um bom remate aos 24', ao canto superior direito da baliza à guarda de Neuer. Praticamente nada mais de positivo a registar: foi uma das exibições mais decepcionantes.

 

Cristiano Ronaldo - A idolatria de que vinha sendo alvo nos últimos dias, sobretudo pelas televisões e redes sociais que entraram em virtual histeria em torno da sua figura, em nada beneficiou a concentração do capitão português. Muito marcado, pecando por excesso de individualismo, tornou-se mais um elemento errante da equipa. E até claudicou nos lances de bola parada, excepto num livre muito bem marcado já no período de descontos finais.

 

Hugo Almeida - Entrou para o lugar que fora de Helder Postiga no Alemanha-Portugal do Euro-2012 - única mudança operada por Paulo Bento no onze titular português. Aposta falhada. Isolado aos 5' por Cristiano Ronaldo, fez um remate inofensivo e frouxo com o seu pior pé, o direito. Aos 27' foi substituído de emergência por ter contraído uma aparente rotura muscular. O Mundial, para ele, terminou mais cedo.

 

Éder - Substituiu Hugo Almeida aos 27'. Com vantagem: foi talvez o português com exibição menos negativa. Derrubado em falta, na grande área alemã, aos 65': o árbitro sérvio não marcou penálti, fazendo vista grossa. Tentou procurar linhas de passe e driblar a sólida defesa germânica. Tem no entanto um sério problema para um avançado: em oito internacionalizações, nunca conseguiu marcar um golo. Falta-lhe capacidade concretizadora.

 

Ricardo Costa - Entrou na segunda parte para fazer parceria com Bruno Alves no eixo da defesa. Não se evidenciou nem comprometeu a equipa: ninguém poderia pedir-lhe um milagre nem ele estava em condições de o conseguir.

 

André Almeida - Entrou aos 65' para render Coentrão. Pretendia-se que fechasse o corredor lateral. Azar: o quarto golo germânico nasceu precisamente dessa ala, com Schürrle a ter todo o tempo do mundo para servir Müller. Também falhou vários passes, mas nisto não se distinguiu: todos os colegas padeceram deste mal.

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