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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (3)

Nada me faz apreciar tanto uma partida de futebol como um rasgo de inteligência.

Aconteceu esta noite, quando iam decorridos 35' do Inglaterra-Itália, disputado nesse monumento ao desperdício brasileiro que é o novo estádio de Manaus. Na marcação de um canto, a bola é cruzada em diagonal do ângulo superior direito do ataque italiano, supostamente para Andrea Pirlo, situado a poucos metros da área inglesa. Contrariando as expectativas, Pirlo não retém a bola: deixa-a seguir propositadamente para Marchisio, uns metros atrás e em melhor posição para desferir o remate. Assim acontece: com um pontapé seco e bem colocado, o italiano põe a sua selecção a vencer.

Era um dos desafios mais difíceis para a squadra azzurra. Desafio superado com êxito: a equipa inglesa, bem apetrechada e com sólido dispositivo táctico, ainda empatou a remate de Daniel Sturridge após boa abertura de Wayne Rooney. Mas os italianos traçaram o destino do encontro num golo que Balotelli marcou de cabeça, com assistência de Candreva.

 

Pirlo, de 35 anos, é um dos raros sobreviventes do onze italiano que venceu o Mundial de 2006. Depois disso, muitos outros jogadores cheios de talento despontaram no patamar mais elevado da modalidade. Mas, quase como uma relíquia de outras eras, ele mantém intactas as características que o notabilizaram: mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, ele é sobretudo a inteligência em movimento. Como aliás ficou bem patente na forma superior como marcou um livre, já no período suplementar da segunda parte, fazendo a bola embater na barra: se fosse uns centímetros mais abaixo a Itália ampliaria os números desta vitória. Por momentos o guarda-redes Joe Hart deve ter revivido os quartos-de-final do Euro-2012, quando um penálti marcado por Pirlo eliminou a Inglaterra.

Um desporto colectivo, como é o futebol, não dispensa - antes exige - a explosão de talentos individuais daqueles jogadores que fazem realmente a diferença. Como sucedeu naquela simulação de Pirlo que abriu espaço ao golo inicial dos italianos, baralhando por completo as marcações inglesas. E rasgando assim o caminho que conduziu ao triunfo. Numa clara demonstração, como observou o jornal El País, de que pratica a "arte de pensar com os pés".

 

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A maior figura do dia de ontem emergiu inesperadamente do Costa Rica-Uruguai: Joel Campbell, o ponta-de-lança costarriquenho que marcou o primeiro dos três golos da sua equipa, derrotando de forma categórica a selecção que ficou em quarto lugar no Mundial de 2010.

Quase no fim do encontro, Campbell foi agredido por Maxi Robocop Pereira, que entendeu praticar no Mundial a sua concepção muito pessoal de desporto, cruzando futebol com artes marciais. Ao contrário do que por cá sucede, o árbitro aplicou a lei, mostrando-lhe o cartão vermelho. Nada a ver com os brandos costumes da pátria lusa, onde só falta os árbitros pedirem baldes de pipocas para verem, embevecidos, o Robocop uruguaio em acção.

 

Inglaterra, 1 - Itália, 2

Costa Rica, 3 - Uruguai, 1

 

Robocop himself

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