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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (2)

Também no futebol a vingança se serve fria. Aconteceu esta noite, em Salvador, com a goleada imposta pela Holanda à Espanha, campeã mundial titular desde 2010 e bicampeã europeia.

"Humilhação mundial", chamou-lhe a Marca, numa magoadíssima manchete.

O colapso espanhol aconteceu no segundo tempo, quando Robben, Van Persie & companheiros carregaram no acelerador e desbarataram o enfadonho tiki taka dos comandados por Vicente Del Bosque, hoje reduzidos à vulgaridade apesar de terem contado com a complacência inicial do senhor de apito. O árbitro italiano, Nicola Rizzoli, apontou para a marca de grande penalidade por alegado derrube a Diego Costa, iludido pelos dotes teatrais do brasileiro-que-virou-espanhol. O mesmo avançado, que recebia monumentais vaias do estádio cada vez que tocava na bola, pôde agredir impunemente Bruno Martins à cabeçada. O senhor Rizzoli nada viu, nada assinalou.

 

Confesso que esta selecção espanhola me foi deslumbrando em grau crescente desde o Europeu de 2008 até ao Euro-2012, passando pelo Mundial da África do Sul. Mas ficou prisioneira do seu próprio sucesso, abusou da arrogância e começou a pensar que aquele sistema de jogo, feito de múltiplos toques e com a obsessão da "posse de bola" acima de todas as coisas, se tornara infalível.

Puro erro. Com um sistema muito diferente, baseado em avassaladoras ofensivas a toda a largura do terreno que em poucos segundos criam desequilíbrios no reduto adversário, os homens comandados por Van Gaal estão-se nas tintas para a "posse de bola": querem é ganhar, tão cedo quanto possível. Inferiorizaram os espanhóis e coroaram da melhor maneira a sede de vingança que transportavam desde a final do Campeonato do Mundo de 2010, quando um golo solitário de Andrés Iniesta, já no prolongamento, bastou para elevar Espanha ao Olimpo da bola.

Nessa final, de triste memória para a Holanda, Robben esteve quase a marcar - mas falhou. Ao contrário do que agora sucedeu, ao assinar dois golos espectaculares, um deles após uma fantástica recepção de bola com o pé esquerdo e o segundo na sequência de uma impressionante corrida de 60 metros em que, embora partindo de trás, ultrapassou Sergio Ramos e apontou a Casillas o caminho da pré-reforma.

Quase toda a equipa espanhola naufragou: Piqué, Xabi Alonso, Iniesta e Xavi, muito abaixo do nível a que nos habituaram, já estavam à beira da derrocada física muito antes do apito final. Silva parecia um principiante. Azpilicueta era um monumento à irrelevância. Torres, que entrou no segundo tempo, foi uma absoluta nulidade: chegou a falhar um golo de baliza aberta.

(A propósito: alguém saberá explicar-me por que motivo Diego López, guarda-redes titular do Real Madrid tanto com José Mourinho como com Carlo Ancelotti, não foi sequer convocado para o Brasil?)

 

O voo de Ven Persie

 

Este jogo pareceu uma final antecipada. Com Van Persie em estado de graça, marcando o primeiro com um espectacular mergulho de cabeça destinado a quebrar os rins ao guardião espanhol, que teve hoje a noite mais negra da sua longa carreira. Um dos golos holandeses, o terceiro, foi no entanto precedido de falta sobre Casillas: o senhor Rizzoli não fez caso. Falhas a mais num jogo só.

 

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Já de tarde, no Camarões-México, a figura maior do encontro - pela negativa - foi o apitador de turno ao anular dois golos limpos aos mexicanos, ambos marcados por Giovanni dos Santos, que esteve em dia de pouca sorte. Foi também claramente derrubado dentro da área camaronesa sem o juiz da partida lhe conceder penálti.

Pelo já visto, este Mundial arrisca-se a ser o pior cartaz de sempre para a arbitragem a nível internacional. Como se de, repente, no Brasil, tivessem aterrado dezena e meia de Xistras e duas dúzias de Capelas...

 

Espanha, 1 - Holanda, 5

Camarões, 0 - México, 1

 

Robben festeja o segundo golo (quinto holandês) com Casillas de rastos

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