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És a nossa Fé!

A ver o Europeu (5)

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Fernando Santos deve ler o És a Nossa Fé. A equipa que hoje escalou, para o confronto com a Croácia em Lens, corresponde àquilo que vários de nós vínhamos reivindicando aqui desde o primeiro dia e satisfaz o desejo que exprimi neste bilhete que lhe enderecei há 48 horas.

Finalmente, com Raphael Guerreiro e Cédric nas alas e Adrien no miolo, Portugal fez o seu melhor jogo do ponto de vista táctico, mostrando-se uma equipa compacta e solidária, sabendo fechar as linhas e onde nunca faltavam jogadores a fazer dobras e ganhar segundas bolas. Com um bloco defensivo coeso, onde José Fonte ocupou o lugar antes confiado ao desgastado Ricardo Carvalho, e um meio-campo quase sem falhas, valorizado pela ausência de João Moutinho.

Valeu a pena? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Vencemos pela primeira vez uma partida no Campeonato da Europa que se disputa em França, derrubando a selecção que no jogo anterior vencera a favorita Espanha e dispôs de mais dois dias de descanso do que os portugueses. Ninguém diria, vendo os nossos jogadores actuar em tão boa forma física. Com um superlativo Pepe, que destaco como o melhor em campo.

Cristiano Ronaldo, muito marcado, pareceu ausente durante grande parte do encontro. Mas na hora decisiva lá estava ele, aproveitando bem uma diagonal aberta por Nani e rematando por instinto, com força suficiente para o guarda-redes croata largar a bola, o que permitiu a recarga vitóriosa de Quaresma, estreante a marcar em fases finais de Europeus. Já os 90 minutos regulamentares se tinham escoado e muitos pensavam na roleta dos penáltis. Iam decorridos 117 minutos: milhões de portugueses soltaram em uníssono um grito eufórico, festejando um golo surgido um minuto após uma bola da Croácia ter embatido no poste direito da nossa baliza. Era caso para isso: nunca até hoje Portugal tinha vencido num prolongamento de uma grande competição de futebol.

Muitos comentadores cá desta banda não confiavam num resultado desses, apressando-se a vaticinar o regresso da equipa das quinas a casa. Enganaram-se, felizmente. Na próxima quinta-feira, pelas 20 horas, vamos disputar os quartos-de-final com a Polónia em Marselha. De cabeça levantada, pois claro. Há que continuar a olhar em frente.

 

Portugal, 1 - Croácia, 0

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Na hora da verdade, quando foi necessário, ele esteve lá - atento, concentrado, muito seguro. Tomando bem conta da baliza portuguesa, que desta vez manteve as redes invioláveis. Com alguma sorte e muito mérito.

 

Cédric - Ao nosso quarto jogo, entrou enfim para ocupar a lateral direita. Com vantagem óbvia para a equipa, tanto na segurança do processo defensivo, em que travou Perisic, como na qualidade da movimentação atacante. Com um pulmão inesgotável.

 

Pepe - Fez o único remate português da primeira parte, cabeceando sobre a barra. Anulou o ímpeto ofensivo croata, cortou tudo quanto havia a cortar na sua área de intervenção. Num desses lances, aos 111', galgou dezenas de metros com a bola controlada, conduzindo o contra-ataque. O melhor em campo.

 

José Fonte - Outra estreia nesta fase final do Euro. Cumpriu a missão que lhe estava destinada, com menos qualidade técnica que Pepe na reposição da bola. Prático e descomplexado, não se preocupou em jogar bonito mas em ser eficaz.

 

Raphael Guerreiro - Regressou em boa hora ao onze titular após ter superado os problemas musculares, com uma das melhores exibições da selecção. Impecável na cobertura e no desarme. Venceu todos os confrontos individuais.

 

William Carvalho - Evidenciou novamente as qualidades que o tornaram imprescindível no Sporting: precisão de passe e capacidade de recuperação da bola. Anulou Rakitic, um dos craques croatas. Memorável, o lançamento longo para Ronaldo, de 50 metros, aos 67'.

 

Adrien - Se Motric mal se viu no jogo, isto deve-se em boa parte ao médio leonino, que lhe deu luta com êxito, equilibrando o meio-campo a nosso favor. No melhor passe do jogo, aos 63', lançou Nani, que viria a ser carregado na grande área. Saiu aos 108'.

 

André Gomes - Voltou a revelar má forma física. Ainda assim, Fernando Santos insistiu em mantê-lo em campo até aos 50'. De pouco valeu. Viria a dar lugar a Renato Sanches, com vantagem óbvia para a equipa.

 

João Mário - Muito mais discreto do que na actuação frente à Áustria, prisioneiro da estratégia de contenção da equipa frente à Croácia, que fez aumentar a distância entre o meio-campo e o sector mais avançado. Foi rendido por Quaresma aos 87'.

 

Nani - Sem a influência revelada noutros desafios, interveio nos nossos dois lances mais perigosos. Primeiro, a passe de Adrien, foi carregado em falta na grande área croata sem o árbitro assinalar penálti. Depois, na jogada do golo, fez uma semi-assistência para Ronaldo.

 

Cristiano Ronaldo - Muito isolado, muito marcado, sem ser bem servido, encostado em excesso à linha no primeiro tempo. Mas apareceu quando era preciso, no lance decisivo do encontro, com uma rápida desmarcação e um remate forte. Parecia meio golo. E foi.

 

Renato Sanches - Rendeu André Gomes e foi superior enquanto transportador de jogo - veloz, imaginativo e com passes verticais que colocaram a Croácia em sentido. Interveio bem no lance do golo, temporizando e soltando a bola para Nani.

 

Quaresma - Continua a ser o talismã da selecção. Substituiu João Mário aos 87' e logo fez a diferença com os seus desequillíbrios junto à lateral e a qualidade da sua posse de bola. Num jogo em que só fizemos dois remates à baliza, o segundo foi dele. O do golo.

 

Danilo - Substituiu Adrien aos 108', quando o seleccionador parecia temer mais que nunca um golo croata. Soube reter a bola, introduzindo alguma frescura e tranquilidade à equipa.

 

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