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És a nossa Fé!

A Suíça, essa nação universalista

A seleção helvética de partida para o Mundial de Futebol
Se há país neste mundo com muito recheio mas sem miolo é a Suíça. Estamos a falar de uma lassa confederação de três línguas e meia, pese embora nenhum linguista se atreva a reconhecer em público que o romanche não passa de uma espécie de alemão disléxico e mal amanhado por pastores, arranhado por menos de 35.000 almas, o quanto baste para ainda se dividir em 5 dialectos, se calhar cada um fermentado à sombra da sua montanha. Daqui resulta que no estrangeiro os suíços falem inglês entre eles – ouvi eu – que é a melhor língua neutra que têm para não renegarem o bairrismo. A Suíça é ainda a mais perfeita e perseverante democracia participativa do planeta, que só funciona graças à extrema contenção e fleuma dos seus cidadãos, aptos a absterem-se por tudo e por nada do que lhes é posto a referendo.

E aqui chegamos à indesmentível conclusão que a Suíça se apresenta como a nação mais inveterada e extravagante entre as que vão tentar a sorte no Mundial de futebol, nem sendo preciso evocar os sarilhos técnicos que provoca o hasteamento da sua original bandeira quadrada.  

Pois fiquem sabendo que embora não tenha minaretes a Suíça tem uma selecção de futebol recheada de apelidos com escassíssima ressonância alpina tais como Granit Xhaka, Xherdan Shaqiri, Ricardo Rodriguez, Johan Djourou, Haris Seferović, Mario Gavranović, Admir Mehmedi, Josip Drmić, ou o leviano Gelson Fernandes (já disse que sou sportinguista?) A causa desta congregação aeroportuária de jogadores é de tal modo óbvia que até eu a posso explicar sem encomendar qualquer “extudo” (pronúncia de pivot noticioso) ao Politécnico de Schwyz, como agora se faz para ter razão: famosos pela agilidade dos seus dedinhos de relojoeiro, os suíços votam um dialéctico desprezo a tudo que mexe com os pés; foi assim que alijaram nos emigrantes a faina futebolística, tal como já fazem com todos os ofícios que não sejam engrenar relógios de corda, contar moedas e ordenhar vaquinhas.

Mas o supra sumo do estrangeirismo da seleção helvética é o seu meio-campo constituído por Blerim Dzemaili, Ghokan Inler e Valon Behrami. Seria possível encontrar nomenclatura menos helvética? Pois não, já que são de origem, respectivamente: albanesa, turca, albanesa.  E há outra peculiaridade que os junta, precisamente a de jogarem todos juntos no Nápoles - foi só tirá-los dali e pô-los aqui. Ora aqui está o que vai facilitar deveras a vida a Omar Hitzfeld, o treinador com as sobrancelhas mais severas do certame.

Em suma a Suíça é o sonho húmido da União Europeia, especialmente nos seus defeitos.

 

(publicado também aqui)

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