10 Mai 17

Jorge Jesus, ao colo dos seus êxitos benfiquistas, chegou ao Sporting com aquele ar de quem vinha explicar aos bárbaros como se ganha: a "cultura de campeão que eu trouxe", o "Ferrari que montei no outro lado", "o Sporting está muito atrasado", etc. Sempre me fez impressão que imensos sportinguistas engolissem esta conversa: é como aqueles cães vadios que, à força de levarem tanto pontapé, já têm medo de toda a gente e acabam acoitados junto do primeiro sem-abrigo que lhes faz uma festa e os protege. Se isto é mau no sportinguista comum, pior é no presidente. E o presidente passou os últimos dois anos deslumbrado, com o "Jorge" na boca: o "Jorge" está apaixonado pelo Sporting, a "cultura de exigência do Jorge", o "Jorge" isto, o "Jorge" aquilo. O ano passado até pareceu que estava a correr bem.

Este ano é que foi pior. O Sporting do Jorge falhou em todos os momentos decisivos. Em todos, não em alguns:

1) Admitamos que o Real Madrid é uma super-equipa (que é) e que estar a ganhar 1-0 próximo dos 90 minutos não é suficiente para garantir a vitória. A derrota por 2-1 foi o primeiro momento decisivo falhado, embora explicável, para sermos simpáticos.

2) Menos explicável é a barracada da derrota por 3-1 com o Rio Ave: o segundo momento decisivo, logo a seguir à desilusão de Madrid. Ou a barracada dos 3-3 em Guimarães, pouco depois.

3) Admitamos também que era difícil sacar um empate ao Dortmund, mas como explicar a incapacidade para, pelo menos, empatar com o Legia? Outro momento decisivo, pelo qual não continuámos na Liga Europa.

4) Depois, foi o falhanço na Luz. Decisivo.

5) Depois, com o Braga em Alvalade. Decisivo.

6) Com o Chaves, para a Taça. Decisivo.

7) Com o Setúbal, para a Taça da Liga. Decisivo.

8) Com o Porto, nas Antas. Decisivo.

E quando havia o vislumbre de chegar ao segundo lugar, mais uma derrota decisiva e especialmente humilhante em casa com o Belenenses, num estádio cheio de famílias à espera de uma grande festa.

O Sporting do Jorge podia ter falhado algumas destas coisas. Mas todas, sem excepção? Repare-se que isto acontecia ao mesmo tempo que o Sporting do Jorge ia apresentando um futebol deprimente, que toda a gente via. Toda a gente, menos o Jorge, a avaliar pelas conferências de imprensa.

Dito isto, acho que o Jorge Jesus deve continuar a ser o treinador do Sporting. Sempre fui contra saídas precoces de bons treinadores, como Leonardo Jardim ou Marco Silva. O mesmo acontece com Jesus. E provavelmente até se terão criado condições para tudo correr melhor: o Jorge com a crista mais baixinha, o Sporting menos deslumbrado. Com uma relação mais igual entre si, um pode potenciar o outro. É preciso é chegar lá.


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4 comentários:
De Anónimo a 10 de Maio de 2017 às 19:30
JJ nunca respeitou o SCP nem clube nenhum. Infelizmente acha-se muito acima de qq clube. E não passa de um bronco, por mais capacidades técnicas. Ainda hoje li que se alguém contratasse JJ pelo seu valor real e o vendesse pelo valor que ele acha que tem ficava milionário num instante.


De Pedro Correia a 10 de Maio de 2017 às 21:49
Falhou em todos os momentos, dizes bem.


De MB a 10 de Maio de 2017 às 22:37
Vou mais longe e digo que a época fracassou mesmo antes de começar, quando veio um Douglas que não aquecia nem arrefecia em campo; um Castaignos e um André que tinham pouquíssima pontaria; um Elias para render a ausência de Adrien, mas sem as suas qualidades defensivas; Um Petrovic que já na pré-temporada mostrava estar em má forma; Um Markovic que precisava de aprender que futebol é mais que fazer slalons com a bola; um Campbell que embora jogue bem, teve uma desavença com o treinador, perdeu espaço e agora, sem opção de compra, vai embora; Um Alan Ruiz que veio com bastante excesso de peso e precisou de meia época para recuperar a forma; ETC.

Não sei me estou a esquecer de alguém mas isto só reforçou a ideia de que se contratou um exorbitante número de assalariados, que vieram cá fazer pouco ou nada... Enfim, coitado do Jorge Jesus, ele não tem culpa. O problema é o Sporting que o obrigou a escolher as suas segundas e terceiras escolhas (Porque é que se renovou com Schellotto?).

Foi embora o Slimani e o João Mário e vieram estes todos que juntos não dão tantos resultados e eficácia.

A época fracassou antes de começar.


De Elitista a 11 de Maio de 2017 às 12:08
Tirando o facto de considerar uma derrota na taça lucilio baptista como um momento decisivo (sempre disse que o SCP deveria pedir dispensa desse penico), li o post com empolgado interesse até... ao último parágrafo!
Este contraria em absoluto todo o raciocínio explanado anteriormente.
Explica com total acerto que a contratação de JJ foi um desastre absoluto mas acaba a considerar que, ainda assim, se deve manter porque duas épocas a zero - uma delas desastrosa - e 13 milhões torrados depois, é precoce livrarmo-nos de um barrete ruinoso.
Assim, não chegamos lá!


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