03 Jan 17

Recém-chegado a Lisboa, liguei a televisão ontem à noite durante não mais de cinco minutos. Em três canais de notícias, os habituais programas de debate sobre futebol. De que se falava em qualquer destes programas? Da entrevista com Bruno de Carvalho publicada ontem de manhã no Record. Não na enésima "publi-entrevista" de Luís Filipe Vieira ao diário A Bola, tão previsível e ritual a abrir o ano como a bênção Urbi et Orbi do Papa.

Bastaram-me esse minutos a zapar pelos três canais para perceber qual das duas resultou num êxito mediático. A do Record, única que realmente merece o título de entrevista. Não a do outro diário, auto-apresentada como "conversa com um Luís Filipe Vieira muito sereno, fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver e de uma planificação que coloca os encarnados a salvo do improviso", conclui antes de começar que "o Benfica sabe o que quer, para onde vai e como vai", e arranca com esta espantosa pergunta: "Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016"?

Não admira que ninguém tenha falado dela.


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18 comentários:
De anonymous a 3 de Janeiro de 2017 às 10:01
É assim em Portugal. Por cá não se fala das coisas boas, dos acontecimentos notáveis, dos momentos felizes. Preferem falar das catástrofes, das desgraças ou dos momentos trágico-cómicos.
Esses programas pseudo-desportivos não podiam fugir à regra da maledicência nacional.


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 10:45
Publi-entrevistas, em regra, merecem a atenção de qualquer anúncio. Pouca ou nenhuma.


De Jordão a 3 de Janeiro de 2017 às 10:04
"fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver"

Arrisco dizer que a impunidade total de que goza o orelhas e a sua agremiação é concedida pelo regime para que haja "paz" social.

Num país cada vez mais pobre e decadente, onde cada vez mais se "paga" às pessoas com mais feriados e férias, é necessário que as massas estejam ainda mais alienadas. E qual foi sempre o clube dos mais pobres? O beifica.

Arrisco mais. Sabe porque é que o regime tolerou o Pinto da Costa e a hegemonia do porto? Porque na altura era preciso responder à atracção que a Galiza exercia sobre o Norte de Portugal. Nos anos 80 e 90 a Galiza desenvolveu-se muito mais rapidamente do que Portugal, e sendo o Norte uma das regiões mais pobres do país, existia um perigo para a unidade nacional. O Pinto da Costa nos anos 90 chegou a ameaçar com uma "união" do Norte com a Galiza se não houvesse a regionalização. E claro que a regionalização serviria sempre para minar a coesão nacional e fazer precisamente o que os nortistas ameaçavam fazer se não houvesse regionalização.

O que é certo é que à medida em que os fruteiros se tornaram mais vitoriosos no futebol, as reivindicações políticas foram enfraquecendo. O pentacampeonato e os que se lhe seguiram foram o preço a pagar pelo regime, e agora faz-se a vez ao beifica, tal como antes do 25 de Abril.

Posso estar a ver "ficção", mas não creio andar muito longe da verdade. Nenhum poder corrupto neste país pode perdurar se não tiver a complacência do regime. Veja lá se não deitaram logo a unha ao PPC (e ainda bem). No entanto, é clara a diferença de tratamento, ou não?


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 10:53
"Como é já tradição, a edição de 2 de Janeiro de A Bola conta com uma entrevista a Luís Filipe Vieira."
O próprio jornal assume, neste arranque da primeira peça do ano, assinada por um membro da sua direcção, que tem uma linha editorial abertamente pró-benfiquista.
Sendo o jornal desportivo mais antigo, e que presumivelmente tem mais leitores, desequilibra desde logo o poder comunicacional a favor do SLB. De uma forma tão despudorada que nem 'O Jogo', abertamente pró-portista, se atreve a fazer o mesmo em relação a Pinto da Costa.
O clube que controla a justiça desportiva, o poder disciplinar sobre os árbitros e os circuitos da comunicação entra a cada jogo não empatado a zero mas com 3-0 a seu favor.


De Edmundo Gonçalves a 3 de Janeiro de 2017 às 11:19
Eu gostei da primeira parte da entrevista.
Percebo, mas não concordo com o que disse o presidente em relação à arbitragem, Jorge Sousa e o jogo na Luz, mais precisamente. Há que ser mais incisivo. Ainda que se possa estar a trabalhar nos bastidores por uma maior equidade e justiça, convém que não nos comam por parvos e mesmo nas vitórias, há que denunciar o que está mal.
Espero que alguma alminha caridosa publique a segunda parte da entrevista, que dar share ao record...


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 11:56
Não admira que só a entrevista de Bruno de Carvalho ao 'Record' suscite comentários um pouco por todo o lado: tratou-se de uma verdadeira entrevista.
Nada a ver com a publi-entrevista de LFV ao jornal oficioso do SLB.
Quanto ao conteúdo, se tiver oportunidade, talvez publique alguma coisa ainda hoje, sem prejuízo de algum dos colegas de blogue avançar também com esse tema.


De David a 3 de Janeiro de 2017 às 12:25
verdadeira entrevista?
quais as perguntas dificeis? foram apenas colocadas perguntas que permitem ataques, sem contraditório dos jornaleiros do Record.

quantas perguntas sobre as reais contas do clube? Os famosos 300 que afinal são 600 milhões? O contraditório sobre Alan Ruiz que o Record reservou não para a entrevista, porque incomodar o bruninho era mau demais, mas para uma noticia seguinte.

O resto foi um puro exercicio de narcisismo e bazófia habitual, coroado com a mais bacoca das frases sobre tostões e bolsos alheios.


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 12:33
"Verdadeira entrevista" é aquela em que um ex-jogador do SLB entrevista o actual presidente do mesmo clube e "dispara" assim logo a começar:
- Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016?

...........

Qual Larry King, qual Christiane Amanpour: entrevistador firme, imparcial e imperturbável é este... o José Manuel Delgado.


De Saraiva de Carvalho a 3 de Janeiro de 2017 às 13:53
«- Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016?»

Para o presidente do Benfica é uma boa pergunta de resposta nada fácil, tantos foram os momentos felizes do Benfica no ano desportivo de 2016.
Ingrata seria, essa pergunta, se feita ao Bruno de Carvalho pois momentos felizes só vislumbro um: o dia que foi fazer o papel de bobo da corte numa tv de portugal.




De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 15:38
Para o presidente do Benfica o problema seria ao contrário do que você diz: qual o momento menos feliz.
Talvez tenha sido a condenação do ex-director do departamento de apoio aos jogadores do SLB, vulgo Zé do Benfica, a sete anos e oito meses pelos crimes de tráfico de estupefaciente e posse de arma ilegal.
http://www.jn.pt/justica/interior/ze-do-benfica-condenado-a-sete-anos-e-oito-meses-de-cadeia-5306696.html
Ou - quem sabe - a demissão do vice-presidente Rui da Silva, o papagaio lampião da SIC N.
http://observador.pt/2016/10/12/benfica-rui-gomes-da-silva-abandona-direcao/
Mas eu apostaria que foi a contratação "a custo zero" do Djaló peruano por 6,6 milhões (+4 milhões anuais de salário bruto até 2020):
http://www.maisfutebol.iol.pt/contas/liga/benfica-pagou-6-6-milhoes-por-andre-carrillo?utm_campaign=auto-tw&utm_source=twitter&utm_medium=social



De B. Salvador a 3 de Janeiro de 2017 às 12:02
... e quanto a presidente do SCP, se se mantiver no cargo por mais um mandato, ainda teremos uma entrevista em que ele reclama, não 3, mas 6 ou títulos, mesmo sem os ganhar... dentro do campo, caso aconteça o que tem acontecido, i.e. desde que foi eleito, o Benfica tem ganho os campeonatos!


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 12:34
É você, Madeira Rodrigues? Pensava que só usava pseudónimos em inglês.


De Sérgio a 3 de Janeiro de 2017 às 15:20
Bom Ano, caro Pedro Correia.
Então, pelo que posso concluir pelo seu Post, Mais uma estrondosa vitória do Sporting sobre o Benfica. Desta vez no domínio das entrevistas de presidentes. Isto deixa os sportinguistas com o astral em cima, e eu, lá tenho que lamuriar de mais uma derrota. Que vida triste a minha. Piores entrevistas de presidente, pior futebol praticado, muita sorte nas vitórias, pior equipa, vouchers, colinho, muita sorte (já disse?)...
Como será em Maio?



De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 15:44
Não é vitória nenhuma do Sporting, Sérgio. É, sim, uma derrota do jornalismo - no caso, do jornal 'A Bola', que oferece de borla propaganda ao SLB, ano após ano, todos os dias 2 de Janeiro.
Qualquer confusão entre esta publi-entrevista e jornalismo é pura coincidência.


De Sérgio a 3 de Janeiro de 2017 às 18:55
O relaxar da "pureza" do jornalismo chega a todos. Os constrangimentos económicos não perdoam. Em tempos já vi fundar-se um jornal com a promessa: “Um jornal que vale por si. Este semanário não oferece brindes nem faz promoções”. Passado algum tempo também esse jornal já oferecia brindes. Pois!
Aceitando que a entrevista de "A Bola" é um desvio à "pureza do jornalismo", a entrevista do "Record" só me parece ser elogiada pelos apoiantes do BdC. Se o mesmo jornal não fizer entrevistas semelhantes aos outros candidatos está a tomar partido nas eleições o que não será das coisas mais recomendáveis jornalisticamente. Não terá consequências negativas para o jornal porque o BdC vai ganhar com larga maioria: cerca de 90% (anote aí a minha previsão).


De Pedro Correia a 3 de Janeiro de 2017 às 20:48
Não só anotei como vou destacar o seu comentário.


De l.rodrigues a 4 de Janeiro de 2017 às 10:54
É apesar de tudo muito natural haver diferenças de tom numa entrevista ao presidente de um tri-campeão bem posicionado para ganhar um quarto título consecutivo, e que foi eleito recentemente sem polémicas, e o presidente em campanha de um clube que ainda luta para apresentar os resultados que os seus sócios desejam.
São personagens que se apresentam em contextos radicalmente diferentes.


De Pedro Correia a 4 de Janeiro de 2017 às 11:04
Foi uma publi-entrevista, para "picar o ponto" a 2 de Janeiro. Verdadeiramente lamentável, atendendo à história prestigiada do jornal, que não merecia - de todo - peças como esta.


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