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És a nossa Fé!

Dez notas sobre o debate

1. Foi um debate sereno, civilizado. Não houve nenhuma sessão de pugilato, como alguns gostariam. O Sporting ganhou com isso.

 

2. Muita convergência no diagnóstico e na terapia - maior também do que muitos supunham. Os três candidatos à presidência do Sporting estão de acordo na necessidade de reestruturação financeira do clube, na renegociação da dívida, na injecção de capitais, na formação enquanto elemento-base da equipa de futebol e na revitalização das modalidades.

 

3. Paulo Garcia, o moderador deste debate na SIC Notícias, cumpriu o seu papel ao interrogar repetidamente os candidatos. Mas em vão. Nenhum abriu o jogo relativamente aos investidores que têm em mira para a regeneração financeira do Sporting. Bruno de Carvalho diz ter esse capital assegurado, mas nada concretiza. José Couceiro apelou a um "ciclo virtuoso" no clube, também sem nada concretizar. Carlos Severino garantiu ter o apoio da banca nacional e até da banca estrangeira, mas jamais desceu aos pormenores. Ficámos na mesma.

 

4. Convergência também no balanço da herança recebida: Godinho Lopes ficou com as orelhas a arder. Bruno, recorrendo à conhecida metáfora camoniana, chamou-lhe - sem o nomear - um "fraco rei que faz fracas as fortes gentes". Couceiro sublinhou que o clube atravessa uma "situação crítica" devido à questão financeira que tem por causa principal a "má gestão desportiva". Severino foi mais longe ao salientar que neste momento até se ignora quais são os jogadores cujos passes o clube verdadeiramente detém.

 

5. A manutenção de Jesualdo Ferreira é, aparentemente, outro ponto que une as candidaturas de Bruno e Couceiro. Severino preferia ver Jorge Jesus à frente da equipa principal do Sporting. Faltou dizer como tencionaria pagar o salário àquele que é, de longe, o mais caro dos treinadores a trabalhar em Portugal.

 

6. O que mais separa os dois candidatos que as sondagens apontam como candidatos à vitória, Bruno de Carvalho e José Couceiro, é a questão da SAD. Com o primeiro a garantir, peremptório: "O Sporting não pode perder a maioria na SAD." E o segundo a admitir esse cenário, salvaguardando no entanto "um acordo para-social" que permita ao clube uma palavra decisiva em grandes decisões estratégicas.

 

7. Carlos Severino tem mais experiência de palcos mediáticos, até por ter sido jornalista durante vários anos. Estranhamente, era o mais nervoso neste debate. Isso deu-lhe uma imagem de insegurança que o levou a ser o pior dos três. A excessiva ligeireza de algumas das suas intervenções também não o valorizou. A certo ponto, as câmaras mostravam os adversários e até o próprio moderador a sorrirem enquanto o ex-director de comunicação do Sporting falava. Parecendo que nenhum deles o levava realmente a sério. Estes planos televisivos, mesmo sem necessidade de palavras, conseguem ser letais.

 

8. José Couceiro mostrou-se afável e cordato. Um gentleman, característica que lhe costuma estar associada. Fica, no entanto, a dúvida: como se comportaria, enquanto presidente do Sporting, num debate em que tivesse pela frente Jorge Nuno Pinto da Costa ou Luís Filipe Vieira?

 

9. Bruno de Carvalho surgiu nesta campanha apostado em desfazer a imagem de enfant terrible revelada na campanha anterior, em que viu a vitória fugir-lhe por uma unha negra. Faltou-lhe em 2011 o suplemento de respeitabilidade que evidenciou neste debate, o que poderá levá-lo a mobilizar alguns sócios ainda indecisos num escrutínio que se prevê muito concorrido.

 

10. Até na escolha das gravatas houve sintonia. Couceiro escolheu uma verde escura, Bruno ia de verde, Severino de verde e branco. E todos terminaram com expressivos "Viva o Sporting!" Sinal dos tempos: falou-se muito de questões financeiras, falou-se pouco de gestão desportiva. Daí talvez a sensação, ao fim de quase hora e meia, de que muito ficou por dizer. Amanhã há outro debate - talvez o decisivo. Na RTP informação.

 

 

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