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És a nossa Fé!

E se for rapaz chama-se João. Ou talvez não*

Outros falarão aqui nestas páginas, finda uma agitada semana, sobre todas as magnas questões destes dias, atravessados por uma tempestade de areia cuja poeira parece ainda longe de assentar mas que espero o faça em breve, para que possamos ver com clareza o rumo a seguir e o fim da travessia deste deserto onde os oásis escasseiam. Não descuro que tais discussões sejam fundamentais, mas cabe-me preencher este lugar vago com uma nota mais ligeira e propor-vos uma viagem na máquina do tempo, contando-vos uma singela história em duas partes. Ela foi-me confidenciada por um familiar do visado, sportinguista de gema mas que me escuso de nomear aqui, e é a história de um presidente do Benfica que na verdade era adepto do Sporting Clube de Portugal.

De seu nome João Tamagnini de Sousa Barbosa, era mais conhecido pela combinação do segundo e do último dos apelidos. Entre Dezembro de 1917 e Dezembro de 1918, ocupou nada menos do que quatro pastas ministeriais no Governo do malogrado Sidónio Pais. Após o assassinato de Sidónio, seria inclusive ele próprio primeiro-ministro durante apenas um mês, acumulando com o cargo de Ministro do Interior.

Depois disso, anos passaram. Tamagnini Barbosa não esqueceu no entanto a política e foi despertando sobre si o lado menos simpático da atenção de Salazar. Após o fim da II Guerra, Brigadeiro, brasonado e de óptimas famílias, respeitado na ala à direita da União Nacional pelo seu passado e currículo, foi identificado como persona non grata e tudo indicava que o ditador pretendia exilá-lo. Foi então, corria o ano de 1946, que para contrariar tal decisão um grupo de influentes amigos optou por colocá-lo como presidente do Benfica, lugar considerado intocável.

No final do seu mandato, que terá cumprido com militar estoicismo, um adepto benfiquista fez-lhe um pedido de aparência inócua. Prestes a ser pai, solicitava aprovação para baptizar o filho com o nome do presidente. A resposta não tardou. Mais um João, menos um João, nenhuma diferença fazia e assentiu sem hesitar. O que não esperava de todo era que o homem escolhesse o seu apelido como nome de baptismo e chamasse ao filho Tamagnini. De nome completo Tamagnini Manuel Gomes Batista ou, como ficou conhecido, Tamagnini Nené.

Foi assim, por uma sucessão de circunstâncias, que um dos ícones do Benfica ostentou o nome de um sportinguista ilustre. E esta história faz-me sempre sorrir. Não me perguntem porquê. Tenho um humor muito peculiar.

*Texto publicado no Jornal do Sporting

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