28 Ago 12

A onda de críticas de que Ricky van Wolfswinkel tem sido alvo por parte de sportinguistas - não todos, obviamente -frustrados pelos decepcionantes resultados dos primeiros três jogos oficiais da época, é acentuadamente injusta e, sobretudo, irrealista. É por de mais evidente que o colectivo não tem estado bem - muito pela precária construção de jogo que leva à escassez de golos - e a tendência mais natural é individualizar culpas à conveniência. É o caso proverbial de não ver a floresta pelas árvores. O jovem ponta-de-lança ainda não possui a maturidade competitiva que lhe permita separar-se da insuficiência da equipa e resolver jogos à primeira oportunidade ou, como tem sido o caso no Sporting, às escassas «meias-oportunidades» que lhe têm sido proporcionadas. Quer se queira quer não, com o leque de médios no plantel, ainda não surgiu um patrão do meio campo, um número dez com a visão e os mecanismos para sustentar as manobras ofensivas e penetrar o miolo com regularidade. Esta lacuna afecta o todo da equipa e muito mais aqueles com a maior responsabilidade de marcar golos. Ricky van Wolfswinkel marcou o total de 25 golos na época passada; 14 na Liga, 5 nas taças e 6 na UEFA. Aparentemente, nem estes números satisfazem alguns, menosprezando o feito, apontando para os que surgiram através de grandes penalidades, quase como se este tipo de lance seja uma brincadeira de crianças, quando até Cristiano Ronaldo e Leonel Messi as falham e, curiosamente, poucos são os pontas-de-lança que assumem a responsabilidade.

 

Para sublinhar a competência do jogador «leonino» - já para não evocar a enorme margem de progressão - seleccionei, para comparação, os melhores marcadores de seis clubes que foram campeões na época passada:

 

- Siem De Jong (Ajax) : 13 golos no campeonato, o total de 17 na época.

 

- Alessandro Matri (Juventus) : 10 golos no campeonato, o total de 10 na época.

 

- Kevin Mirallas (Olympiacos) : 20 golos no campeonato, o total de 20 na época.

 

- Robert Lewandowski (Borussia Dortmund) : 23 no campeonato, o total de 30 na época.

 

- Aleksandr Kerzhakov (Zenit) : 23 no campeonato, o total de 24 na época.

 

- Sérgio Aguero (Manchester City) : 23 no campeonato, o total de 30 na época.

 

É evidente que excluí o gigante Real Madrid, por exemplo, onde Ronaldo, Benzema e Iguain somaram 89 golos na Liga, quase inacreditável. É de desejar que este resumo permita uma melhor perspectiva do contributo do nosso avançado holandês e reduza os excessos críticos.

 


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43 comentários:
De Helena Ferro de Gouveia a 28 de Agosto de 2012 às 23:48
Nem mais Rui. A equipa tem que se estruturar e criar oportunidades para serem marcados os golos que todos ambicionamos. Não se pode colocar toda a responsabilidade num único par de ombros.


De Jorge Alves Jorge a 29 de Agosto de 2012 às 00:07
Com este artista e treinadores deste calibre vamos longe.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 00:12
Se a informação que citei não o convence quanto ao Ricky, nada mais posso adiantar.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 00:07
Hoje, mais do que nunca, Helena, golos são da pertença colectiva, muito pelos sistemas táticos utilizados no futebol. Um dos exemplos que citei, o De Jong do Ajax, o seu melhor marcador, apenas marcou 13 golos no campeonato, no entanto, a equipa marcou 93, um número que, salvo erro, apenas foi superado pelo Real Madrid. Cumprimentos.

P.S. Não comentei, mas gostei imenso do seu recém-post.


De JORGE ALVES JORGE a 29 de Agosto de 2012 às 13:28
Vovê está a dar-me razão, por um lado o treinador não tem dimensão nem densidade para por uma equipe a jogar é verdade que o colectivo e as jogadas e envolvimento colectivos são essenciais, coisa que desde Paulo Bento não temos, mas é essencial a qualidade do jogador que este manifestamente não tem, ainda contra o Rio Ave e mesmo sem jogar nada com Jardel o Sporting tinha marcado golos. Repare que este vai às linhas nada resulta, chega tarde ou cedo aos cruzamentos, não se sabe desmarcar, não sabe rematar em corrida enfim...
Mas no essencial concordo que a equipe não tem processos de jogo colectivo...


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:29
No futebol da actualidade é ingrato fazer análises individuais quando o colectivo não está bem. Ele marcou 25 golos na sua primeira época e tem potencial para muito mais, mas tem que ser bem complementado. O Sporting não criatividade no miolo e é aí que surgem os pontas-de-lança. Mas este lema é tradicional no Sporting. Com o Acosta, pediam a cabeça dele na primeira época, depois foi um herói. Idem para Liedson. Eu também estou preocupado com o desempenho do treinador, mas náo quer ser mais uma voz a destabilizar. Estou disposto a esperar para ver. Em qualquer caso, penso que extremamos pelo exagero, ao primeiro mau momento, pelo registo dos últimos anos.
Cumprimentos.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:52
P.S. O Jardel era o Jardel, houve poucos como ele. Podíamos citar o Jordão ou o Manuel Fernandes, enfim, muitos outros. Não é uma comparação justa porque uma equipa é composta por 11 jogadores e a contribuição está interligada.


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 22:55
Bem Helena, o nosso Ricky hoje esteve bem e marcou dois nas duas ocasiões que foi bem servido. Gostei do resultado, dos golos, os mecanismos ainda preocupam, mas veremos o que vai acontecer com adversários mais fortes. Cumprimentos.


De Lancero a 29 de Agosto de 2012 às 01:40
Concordo com a análise, e realço que em boa parte da época passada o holandês era o mais temido - pese a sua indisfarçável imaturidade (o que felizmente tem remédio com paciência e jogos).
Os exemplos de outros avançados que cita são felizes, podia até ter acrescentado o caso do fóculporto, o mais flagrante, cujo melhor marcador (nem o segundo) nem foi um ponta de lança.
E, porque também está no seu texto, referir que dos exemplos que citou o Ricky foi o que fez mais golos de penalti (os outros, exceptuando o Aguero e o Kerzhakov, 3 cada, não têm golos de penalti).


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 02:23
Deliberadamente não mencionei o FC Porto para dar mais objectividade ao texto. Reconheço sobre os penaltis mas admiro a coragem do jovem em querer marcá-los, responsabilidade que nem todos estão dispostos a assumir. Nunca esqueci um episódio há uns anos atrás no campeonato espanhol, último jogo da época com o Deportivo em posição de ser campeão caso ganhasse. Empate quando já faltavam poucos minutos e o grande jogador brasileiro (esquece-me agora o nome) que por norma marcava, recusou, foi então o capitão marcar, falhou e o Deportivo perdeu o título. No resumo final, gosto imenso deste jovem e espero que tenha justa oportunidade para crescer. Mesmo sem marcar, nota-se a diferença quando não está em campo, pela cobertura que ele dá. Vejo-o a jogar sem alegria agora, não sei se por falta de golos se não se sente bem com o sistema de jogo.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 02:39
P.S. Consultei a Weikipedia e a versão que eles relatam daquele jogo é algo diferente da minha. Não posso garantir mas penso que eles estão errados, porque eu vi o jogo. De qualquer modo, foi na época de 1993-94 e o jogador brasileiro chama-se Bebeto. Eles dizem que era o Donato que era suposto marcar


De Edmundo Gonçalves a 29 de Agosto de 2012 às 11:24
Quem falhou foi mesmo o Bebeto.
Quem deveria marcar não me recordo.
Eu também vi esse jogo.

SL


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 11:45
Nesse caso, foi o Donato que normalmente marcava mas já tinha sido substituido, outro recusou-se e acabou por ser o Bebeto que falhou. SL


De André Salgado a 29 de Agosto de 2012 às 13:04
Djukic, meus senhores. A mais famosa grande penalidade da história do campeonato espanhol. O marcador habitual, Donato, já tinha sido subsituído e reza a lenda que Bebeto, a estrela da equipa, não quis assumir a tremenda responsabilidade de decidir o campeonato no último minuto.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:10
A memória falha, passados 19 anos, mas eu também tinha a ideia de que foi o Bebeto a recusar marcar. O Donato já tinha sido substituido, de facto.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:49
Caro Edmundo, veio outro leitor a corroborar a minha sugestão original. O Bebeto recusou marcar e quem marcou e falhou foi o Djukic.


De Edmundo Gonçalves a 29 de Agosto de 2012 às 15:26
Meu caro Rui,
A memória já não é o que era, mas recordo que por duas vezes o Depor esteve à beira de vencer o campeonato em épocas muito próximas, senão seguidas, e numa delas há um falhanço do Bebeto que daria o campeonato, se é esta do penalti, confesso que agora me assola a dúvida, mas isso não é importante.

O que é importante é que também já não me recordo muito bem da última vez que ganhámos e isso preocupa-me e não é a falta de memória...

SL


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 15:52
Já confirmei factualmente através dos arquivos do Deportivo da época de 1993-94 e, pela piada, vou escrever um breve post sobre o assunto. Foi Bebeto que recusou marcar. Quanto ao Sporting, compreendo perfeitamente. Isso é uma «memória» à parte.

SL


De Fernando Albuquerque a 29 de Agosto de 2012 às 10:10
Prezado Rui Gomes

Mais uma semana de frustração, pois custa-me a acreditar que tal aconteceu. É verdade que pouco vi nos jogos já efectuados, embora tenha notado que alguns jogadores que já estavam no clube e outros que foram contratados tenham muita qualidade.

Em relação ao nosso ponta de lança, eu ontem vi o jogo do Braga (espectacular) e o Lima que é pretendido (?), por muitos clubes pouco ou nada jogou, inclusive falhou um golo de baliza escancarada. No entanto não deixa de ser um excelente jogador, pois desde que ele jogava no Belenenses que eu pensava seria bastante útil ao nosso clube e por um preço barato. Hoje vale milhões e é pretendido, pelo que é mais um erro de quem tem a responsabilidade de contratar sejam treinadores ou directores que nunca assumem os seus erros. Julgo que é uma grande lacuna no SCP , pois os exemplos são muitos e muito milhões de euros ou contos deixaram de entrar nos cofres do clube.

Penalizar o jogador, acho eu, que as pessoas estão a ser injustas, pois uma equipa tem 11 jogadores e o SCP beneficiando de muitos cantos e livres, nunca aproveita as oportunidades, ou melhor raramente as concretiza.

Sem querer ser treinador de bancada, pois todos temos essa tendência, eu pergunto como é possível em 90 minutos não haver
jogadas propicias para o jogador em questão dar seguimento ? Onde estão os laterais a centrar como deve ser ? Onde estão os
médios a furar e chutar na grande área ? Onde estão os extremos (médios alas), que raramente fazem um centro com conta e medida. Tudo isto tem de ser treinado todos os dias e como os mesmos são à porta fechada, o que vimos na TV são os jogadores a brincar com o Paulinho .

Eu vi o adversário, montar um autocarro na grande área, e só não marcou mais golos, por felicidade nossa, e eu acho que temos de ter mais ambição, pois só acordamos no final do jogo.

Tenham paciência, mas isto não é nada. Os resultados destas constantes frustrações fazem com que as pessoas deixem de ir ao estádio, e isso não pode acontecer. Haja alguém que bata com a mão na mesa e chame a atenção para o que aconteceu e que diga não poder haver mais repetições deste género, pois perder com um adversário que luta pela permanência na liga, não nos dá grandes esperanças no futuro.

Não quero apontar erros a ninguém, que existem , mas o esforço financeiro que foi feito nos últimos anos tem de ser compensado
com vitórias que dão alegria a todos os adeptos do SCP , pois desgraças já bastam o dia a dia em que vivemos.

Saudações leoninas Cumprimentos F.Albuquerque



De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 10:22
Subscrevo as suas palavras, caro Fernando Albuquerque. Além dos mecanismos da equipa ainda estarem longe do desejado, não se compreende um meio campo tão pouco criativo contra o Rio Ave, uma equipa que era de anticipar iria jogar com um bloco defensivo baixo. Tenho por hábito escrever posts entitulados «mais do inevitável mesmo» mas, neste nosso Sporting, parece ser mais apropriado «mais do evitável mesmo». Tenho confiança que vamos passar o Horsens, mas nem quero pensar se surgir nova dose...do mesmo. Vai ser mau de mais para o universo sportinguista. Cumprimentos.


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 22:51
Hoje, caro Fernando Albuquerque, já tem razão para estar um pouco mais satisfeito. O resultado foi justo e fiquei feliz por ver o Ricky marcar. Os mecanismos da equipa ainda me preocupam, mas teremos que esperar para ver os próximos jogos, com adversários mais fortes do que este Horsens.


De Fernando Albuquerque a 31 de Agosto de 2012 às 10:13
Prezado Rui Gomes

Estou muito mais satisfeito, mais pelo resultado do que pela exibição. Não gosto de perder com equipas que estão no mesmo campeonato mas que nada tem a ver com os primeiros classificados. Estes "padeiros" da Dinamarca, conforme a comunicação desportiva os apelidou são muito fracos, mas não são toscos de todo , pois ainda conseguiram criar uma ou duas oportunidades e não necessitaram de colocar o autocarro, como a maioria das equipas que nos visitam fazem e que os jornalistas tanto gostam de realçar., desde que o SCP perca pontos. Aguardo os jogos do Rio Ave para verificar a postura em campo contra os outros candidatos ao título.

Vai haver um interregno e pode ser que seja vantajoso, pois dá aso a que os jogadores se conheçam melhor.

Bom fim de semana. Saudações leoninas F.A .


De Rui Gomes a 31 de Agosto de 2012 às 10:35
O Sá Pinto continuar - e vai continuar - a insistir no mesmo sistema de jogo e ainda não vejo a fluidez de jogo que nos permitirá segurança perante adversários fortes. Avançou o Elias um pouco no terreno, onde ele produz mais. Com o passar dos jogos estou a gostar do Gelson, mas além de luta não estou a ver muito do Adrien Silva. O Carillo devia jogar mais no interior, onde se torna perigoso, e menos na ala, onde se perde frequentement com o individualismo. Enfim, caro Fernando Albuquerque, teremos que esperar pelos próximos jogos para avaliar melhor o progresso colectivo.


De Edmundo Gonçalves a 29 de Agosto de 2012 às 11:39
Ontem dei por mim a torcer pelo Braga, como se do Sporting se tratasse. Não é grave. Grave é o nosso Sporting não me transmitir esse entusiasmo e não conseguir ver na equipa o querer ontem demonstrado pelos minhotos.
Joguem eles sempre com essa disposição e Peseiro terá toda a razão em dizer que são candidatos ao título!
Assim Sá Pinto se pudesse expressar...mas parece-me que, mesmo que com uma equipe super forte, não chegará lá!

SL


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 11:56
Subscrevo, caro Edmundo, mas devo confessar que vi um Braga excessivamente - e na minha opinião, desnecessariamente - tímido até sofrer o golo. Fez-me prontamente lembrar o «nosso» Peseiro na infâme recta final em que perdemos tudo.


De Leo Calderon a 29 de Agosto de 2012 às 16:32
"...mesmo que com uma equipe super forte..."

Importa-se de repetir, antes de ir, aproveitando para levar o Sá Pinto, marcar uma consulta urgente de oftalmologia?



De Edmundo Gonçalves a 30 de Agosto de 2012 às 00:18
Caro Leo, lamento não ter percebido a piada, que se relacionava com as declarações de Sá Pinto no final do jogo com o RA, em que dizia "não estamos fortes, estamos super fortes!", aliás, só se poderia inferir isso do meu post.

SL


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 17:40
Caro Edmundo, estava pronto para responder ao leitor Leo Calderon mas acabei por verificar que o comentário é dirigido a si. Algo relacionado com «diagnósticos» oculares. SL


De Jose Manuel Barroso a 29 de Agosto de 2012 às 13:15
Bom texto, Rui, embora os textos racionais que aqui se publicam sejam, por vezes, um perigo: esbarram com a falta de argumentos racionais dos sportinguistas nervosinhos. Depois do jogo menos conseguido de segunda e do resultado dececionante, eles metem os pés pelas mãos: o que escreviam ou diziam antes fica no saco do esquecimento e tudo passa de bestial a besta. Quando ganharmos, será o contrário, com amesma cara de sabedoria. Quantos Mourinhos desconhecidos temos nós, rss, uma academia de Mourinhos. Acho que eles merecem um bom castigo: dirigirem a equipa uma jornada, para mostrarem a sua sapiência. Irra!


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:36
Já tinha escrito outro no dia 9 do corrente sob o título «Os números do futebol», que aborda a mesma temática por outras palavras. O Real Madrid marca na Liga 120 golos, 89 dos quais da pertença dos três que citei. No Ajax, por exemplo, o melhor marcador marcou apenas 13 mas a equipa marcou 93, distribuidos por 20 jogadores. Na ausência de um super ponta-de-lança, a solução é precisamente esta. Maior contribuição por parte dos médios e um ou outro bónus pelos centrais. Com o Onyewu podíamos contar com meia duzia de golos por época, agora com estes teremos que esperar para ver. Quanto ao resto - vc sabe bem a minha opinião - não me preocupa os pontos perdidos, mas sim os não existentes mecanismos da equipa. Esperar para ver...


De André Salgado a 29 de Agosto de 2012 às 14:03
Falta-lhe, no entanto, um ângulo de análise fundamental para melhor perceber a importância e o valor relativos de um melhor marcador: a relação dos seus números com a restante produtividade da equipa.

Passo a explicar-me. Os melhores marcadores da Juventus e do Ajax não têm números muito impressionantes, é verdade, mas existiu uma enorme distribuição de golos entre diversos jogadores dessas duas equipas. São equipas que não dependeram excessivamente de um melhor marcador.

O caso de Wolfswinkel é diferente. O Sporting não teve um segundo (ou terceiro, ou quarto) melhor marcador de monta, dependendo quase exclusivamente dos golos do seu ponta de lança. Á luz dessa dependência centrada num só jogador, não havendo mais ninguém que os marcasse de forma regular, os seus 14 golos (já não abordando a questão dos que foram de grande penalidade) foram um pecúlio relativamente modesto.

Isto para dizer que, embora lhe reconheça qualidades (escola, inteligência, movimentação) e uma idade (23 anos) que ainda permite pensar numa relativa margem de progressão, tem também evidentes fragilidades: pouco poder de choque, dificuldade em ganhar lances individuais aos defesas, muitos golos fáceis falhados na cara dos guarda-redes, características que não são de um ponta de lança de top, de elite. E muito menos me parece ser o ponta de lança de que o Sporting precisaria para ambicionar títulos, opinião que é partilhada por muitos amigos meus sportinguistas. Um deles costuma defini-lo na perfeição com uma expressão deliciosa: tem falta de "tesão" pelo golo.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:20
Essa condição que menciona não foi esquecida, simplesmente optei por não reiterar o que escrevi no post «Os números do futebol» do dia 9 de agosto, onde citei, entre outras coisas, que tanto no Ajax como na Juventus os golos foram distribuidos por cerca de 20 jogadores.
Quanto ao Ricky, ele, como qualquer outro avançado, tem características próprias, e pertence à equipa tirar o devido proveito. Isto além da margem de progressão. Além da minha vida profissional/empresarial, andei muitos ano futebol e não hesitaria em contratá-lo. Eu gosto dele, mas cada um terá a sua opinião.


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 14:44
P.S. O Ricky vem de uma cultura diferente e, porventura, menos fervorosa que a nossa, e isso ajudará a explicar a sua aparente postura, que não traduz, necessáriamente o que ele sente. Agora, o que acho este ano, é falta de alegria em campo e não sei se é meramente pelos golos, pela pressão que para ele ainda é novidade ou porque não se sente bem com o sistema de jogo. Na minha opinião, ele produz mais se for completementado por outro ponta-de-lança ou um médio ofensivo/criativo no miolo, muito perto dele.


De Lancero a 29 de Agosto de 2012 às 15:38
Precisamente a minha opinião.
O sporting só teria a ganhar em fazer avançar um dos 3 elementos do meio campo para junto de Ricky.
E penso que Sá Pinto não vai demorar a fazer essa mudança, ensaiando-a já amanhã.
A questão é se algum dos que lá estão tem perfil para jogar como 2.º ponta de lança?


De Rui Gomes a 29 de Agosto de 2012 às 16:00
Aqui há uns anos, tirei a carta de treinador apenas por uma questão de querer aprender - nunca pretendi exercer a função - e pelos meus muitos no futebol, sugeri na pré-época que o 4x3x3 de Sá PInto não resulta. Tem que ser um variante desse modelo, porventura só com um ala nato e o outro, a exemplo do Ozil no Real Madrid, constantemente a jogar tanto na ala como no miolo. Penso que o Labyad de adptava nessa função, até porque ele é o que em tempos de outrora se chamava um «interior». Para ele jogar tão avançado, terá que ter nas costas dois médios sólidos, para sustentar a ligação entre os dois sectores. Enfim, teorias de bancada...


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 22:48
O Sá Pinto, como a maioria dos treinadores, é muito teimoso e insiste no mesmo sistema. Hoje adiantou um pouco o Elias e deu algum resultado. O Ricky esteve bem, na minha opinião, e marcou dois golos à ponta-de-lanca. Veremos com adversários mais potentes, que este Horsens não é.


De Lancero a 2 de Setembro de 2012 às 14:57
Bastou a inversão do triângulo do meio campo para haver melhorias. Mas contra uma equipa que saiba jogar não espero facilidades.


De Rui Gomes a 2 de Setembro de 2012 às 16:30
Devo ser sincero a admitir que não ando muito optimista estes dias, contrário à minha mais natural maneira de ser e estar, mesmo no que ao Sporting concerne. Sim, veriquei prontamente que o Elias jogou mais adiantado com uma missão mais ofensiva e de maior apoio no miolo. É um medida positiva mas ainda insuficiente. O Sporting vai defrontar, teoricamente, três tipos de adversários durante a época: os inferiores -. como o Horsens - em que vão ter menos pressão defensiva e maior disponibilidade para explanar o seu jogo criativo. Aqueles do mesmo nível, em que o sistema de jogo se deve manter intacto, com pequenos ajustamentos mediante as características individuais e colectivas do adversário e, por fim, os de qualidade superior, que obrigarão o Sporting mais a reagir do que a agir, a exercer mais pressão e, em alguns casos, fugir ao sistema que eu sugeri e utilizar dois trincos ou dois médios mais defensivos. Contudo, continuo a insistir que os nosso alas devem jogar mais no interior: o Cariilo porque é essa a sua natural tendência e é onde oferece potencial para criar maior perigo - o Capel porque se torna fácil de mais a cobertura quando se coloca encostado à linha. Seja qual for o adversário, o Ricky tem que ter mais apoio e deve ser servido de acordo com as sua características. Bombardear a área para os seus cabeceamentos, não é produtivo. Veremos os próximos jogos.


De Manel Passanha Guedes a 30 de Agosto de 2012 às 16:26
Concordo parcialmente com a argumentação. No entanto, e já que a base da mesma procura suporte na estatistica, talvez seja interessante verificar quantos golos marcou wolswinkel no campeonato de "bola corrida". Depois, após já estar desiludido com o número, ter em consideração que 3 desses golos foram marcados na última jornada em condições bastante especificas (fez-me lembrar os quatro golos marcados em 30m por Carlos Bueno contra outra equipa insular) . Não vou voltar a verificar tais números, mas digo com algum grau de certeza que cheguei ao resultado de 5 golos.
Posto isto, e reafirmando que concordo com grande parte do texto e considerar injusta toda esta ferocidade a volta de Wolsfwinkel, devo dizer que tenho grandes dúvidas quanto a real qualidade do jogador agora e no futuro, e se por exemplo for verdade que o SCP não aceitou uma proposta a rondar os 18 milhoes de euros por ele considero ter sido uma péssima opção.


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 17:18
Caro Manel Passanha Guedes,

Compreendo e aceito a lógica dos seus argumentos. Tenho consciência dos especifícos dos golos dele na Liga, na taça e na Liga Europa. Face à sua juventude e natural imaturidade competitiva, é uma consideração que não me perturba. Usando a mesma analogia do post, como é possível separar a árvore da floresta ? A nossa equipa não esteve bem o ano passado e salvo vir um Aguero, um Falcão, um qualquer outro caríssimo ponta-de-lança, e igualmente um #10 de qualidade, os golos vão ser escassos. Não clamo que ele vai aproveitar tudo, mas se a equipa estiver bem, haja quem o sirva de acordo com as suas características e ele ganhar confianção, ele vai marcar em boa dose. O actual enquadramento ofensivo do Sporting não serve para ele nem para ninguém. O Sá Pinto tem que reconhecer essa vertente antes de ser tarde de mais.

Cumptimentos.


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 17:44
P.S. Desculpe, deixa omissa a informação de que 8 dos seus 25 golos foram através das grandes penalidades e ainda, salvo erro, falhou uma. Além disso, custa-me a acreditar que o Sporting tivesse recebido uma oferta de 18 milhões. Não acha que os sportinguistas estão a exagerar a fazer alvo de um só jogador, quando o problema é colectivo ? A responsabilidade de marcar não é só dele. Já dei o exemplo do melhor marcador do Ajax, o seu ponta-de-lança, que marcou apenas 13 golos na Liga, no entanto, o Ajax, através de 20 jogadores, marcou 93 e foi campeão. Só o Manchester igualou e o Real Madrid superou este número, entre campeões.


De Manel Passanha Guedes a 30 de Agosto de 2012 às 19:31
Caro Rui Gomes, como disse no post anterior, concordo com parte da sua análise. No fundo o que quer dizer é que caso Wolswinkel estivesse incluido numa equipa com um ataque bem definido e com um parceiro de qualidade o seu rendimento seria outro (costuma dizer isto mas imaginemos Wolsf no SLB) e aí concordo consigo. No entanto, na minha opinião, ao ver o Wolsfwinkel em campo, espero bem estar enganado, não vejo nele um bom jogador em variadissimos aspectos. Não vejo ali alguem que eu diga "tem um bom remate", "é bom de cabeça" "tem qualidade de recepção". O pouco que vejo de bom é a noção de espaço e a qulidade da desmarcação. De resto, um jogador que em cada jogo é normal que falhe 1 ou 2 situações de golo evidentes não me parece que isso esteja relacionado com a qualidade ofensiva e do meio campo do scp. É simplesmente porque falha, tão simples como isso. Não quero "bater mais no ceguinho", mas considero os numeros da época passada fracos, mesmo tendo em consideração o facto de estarmos perante uma jovem promessa (mas que não foi especialmente barata...). Outro pormenor: mal ou bem, com a qualidade ou não, o Wolsfwinkel é desde a época passada a referência de ataque do SCP. No último jogo, o Cedric fez perto de vinte cruzamentos (e não consta que cruze mal..) para a zona do PL. Exige-se a um PL que pelo menos chegue a alguns desses cruzamentos e que a sua presença se faça sentir na área, ora eu ali não vejo nada disso. No entanto e volto a frisar, concordo consigo no sentido em que me parece haver ali alguma confusão no meio campo do SCP o que não em nada um PL, seja ele o Wolsf ou o Zé António. Mas não deixo de ter uma opinião não muito positiva em relação ao Wolsf e a considerar o ataque o ponto fraco da equipa. Aliás, não se admite que um clube como o SCP não tenha pelo menos um Avançado com alguma qualidade e experiência. SL e que o Ricky marque hoje tres golos e me cale.


De Rui Gomes a 30 de Agosto de 2012 às 22:44
Bem, marcou dois à ponta-de-lança e esteve bem, penso eu. Concordo com a essência da sua análise e compreendo onde pretende chegar. Eu insisto numa tese muito pessoal que ele tem que jogar com um parceiro muito perto dele e se esse parceiro fosse um avançado experiente, matreiro, melhor ainda. O Sá Pinto é teimoso - como a maioria dos treinadores - determinou um sistema e não foge dele. Veremos perante adversários de maior potência, que este Horsens não é. Gostei imenso de «conversar» o meu amigo e embora não o tenha visto neste espaço, convido-o a visitar e comentar mais vezes. Nem estaremos de acordo, com certeza, mas eu prezo - sempre - uma troca de impressões construtiva e com profundidade de conhecimentos.

As minhas sinceras saudações.


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