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És a nossa Fé!

Memórias de outros Euros*

Em 1984, Portugal participou, pela primeira vez, no Campeonato da Europa de Futebol que nesse ano se realizou em França. A qualificação esteve por um fio e tudo ficou decidido num jogo épico no estádio do outro clube da segunda circular contra a temível selecção da então União Soviética.

Tenho poucas memórias do jogo propriamente dito, mas retive algumas que partilho agora aqui convosco. O que mais me impressionou na altura não foi o jogo em si, mas um grupo na assistência, portugueses, que decidiu ir ao estádio com bandeiras vermelhas com a foice e o martelo de um partido de esquerda para apoiar a selecção soviética. Gritavam, berravam, gesticulavam as bandeiras e assobiavam cada vez que algum jogador português pegava na bola.

Penso que, na altura, o que os salvou de uma boa surra foi o facto dos adeptos da selecção das quinas estarem mais preocupados com o jogo do que, propriamente, com a assistência. Ou então a circunstância de pensar que essa gente era das terras das estepes e não de um lugar recôndido de Portugal. Seja como for, eram os excessos pós-revolucionários da altura, em que o internacionalismo ideológico se sobrepunha ao patriotismo identitário. Hoje, isto seria impensável, muito à conta deste nacionalismo futeboleiro e sazonal que se vive no País de dois em dois anos.

 

De volta a 1984, para dizer-vos que a primeira parte esteve bastante equilibrada, com Portugal a suster com alguma dificuldade as velhas glórias soviéticas. O assunto ficou arrumado, obviamente, com um jogador do Sporting. O inefável Jordão, aos 42 minutos, marcou um penalty que arrumou de vez as esperanças soviéticas e colocou Portugal na fase final de competições internacionais de futebol,  18 anos depois do histórico mundial de 1966 onde os Magriços igualmente se notabilizaram.

Saímos do estádio felizes e contentes com os préstimos da nossa Selecção e com a vitória dada a Portugal e aos Portugueses graças a um golo de um jogador do Sporting. Como a vida tem destas ironias, na confusão da saída, reparámos no grupo das bandeirinhas vermelhas. Tristes e cabisbaixos, com as bandeiras enroladas.

 

*Artigo publicado na edição desta semana do jornal do Sporting

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