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És a nossa Fé!

Os nossos ídolos (10): Mário Moniz Pereira

 

Na passada quinta-feira, durante a inauguração do Museu Nacional do Desporto - um sonho tornado realidade 27 anos depois de a sua criação ter sido prevista por diploma - Mário Moniz Pereira ficou a saber que uma das alas da nova instituição, situada no Palácio Foz, em Lisboa, foi baptizada com o seu nome. "Isso significa que devo ter feito qualquer coisa nestes anos", limitou-se a reagir, com a modéstia que o caracteriza, o maior formador de campeões do desporto português, em declarações recolhidas pelo jornal A Bola. Uma atitude digna do grande homem que sempre foi.

Desportista nato, praticante das mais diversas modalidades (atletismo, andebol, voleibol, basquetebol, futebol, ténis de mesa e hóquei em patins), campeão nacional de vólei e recordista nacional do triplo salto, o actual sócio número 2 do Sporting Clube de Portugal começou desde cedo a treinar atletas: era esta a sua maior vocação e foi nisto que mais se distinguiu.

Enfrentando todas as adversidades, lutando contra todos os obstáculos, ultrapassando a proverbial tendência muito portuguesa de deixar as coisas para amanhã e jamais voltar a pensar nelas, conseguiu, após décadas de esforço, pôr o País inteiro a correr. Ele dava o exemplo, fizesse chuva ou fizesse sol.

 

 

Eu vivi essa época e sei do que falo: graças a Moniz Pereira e aos campeões que ele treinou, o atletismo tornou-se uma paixão nacional. Porque, naqueles anos 70 e 80, só nas pistas e nos trilhos o desporto português teve as suas horas de glória. Começando em Fevereiro de 1977 com a vitória na Taça dos Campeões Europeus de corta-mato - proeza colectiva da equipa do Sporting que viria a repetir-se sete vezes nos dez anos seguintes - e culminando naquele instante irrepetível que foi a entrada de Carlos Lopes, com a sua passada larga e segura, no estádio de Los Angeles, estabelecendo novo recorde olímpico da maratona e conquistando a primeira medalha de ouro portuguesa nuns Jogos Olímpicos - proeza antecipada na medalha de prata que obtivera em 1976, na final dos 10 mil metros, nas Olimpíadas de Montreal, e que poderia ter ocorrido logo em 1980, se Portugal não tivesse aderido nesse ano ao boicote ocidental aos Jogos Olímpicos de Moscovo.

 

No momento em que a bandeira portuguesa subia ao mastro e se escutavam os acordes do hino nacional em Los Angeles, o professor Moniz Pereira via coroados 39 anos de trabalho incansável.

Em ocasiões como essa ou no mês anterior, quando Fernando Mamede bateu o recorde mundial dos 10 mil metros, em Estocolmo, o Senhor Atletismo - como também é conhecido, a justo título - demonstrava a sua verdadeira estatura de campeão não só do desporto mas também da vida: associava-se com júbilo às celebrações mas nunca reivindicou louros especiais como treinador. Como se aquela fosse uma tarefa ao alcance de qualquer um. Que diferença em relação a certos técnicos no mundo do futebol, que mesmo sem vencerem nada falam de forma petulante e empertigada, como se não fossem a nulidade que realmente são...

 

 

Aos 91 anos, mantendo incólume o sportinguismo de sempre, continua a dar-nos lições. Diz-nos, por exemplo, que não devemos odiar os adeptos de outros emblemas. E gaba-se de ter amigos de todas as filiações clubísticas.

Perguntem-lhe do que mais se orgulha. Ele responder-vos-á que foi de ter conseguido, através do seu exemplo, que toda uma geração de portugueses calçasse sapatilhas e fosse correr para as ruas e estradas do País. Apenas isto. Que é muito. Como na letra daquele fado tão conhecido, composto por este homem de múltiplos talentos, Mário Moniz Pereira bem pode exclamar: "Valeu a pena ter vivido o que vivi."

 

Imagens:

1. Durante a homenagem que lhe foi prestada pelo clube em 2011, ao festejar 90 anos

2. Com Fernando Mamede, na década de 70

3. Capitão da equipa de Sporting campeã nacional de voleibol, em 1954 (jogava com o nº 8)

 

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